"As vezes a vida te dá uma chacoalhada tão forte, que parece que a alma muda até de lugar. E na busca de uma nova posição, ela provoca sensações que antes a gente não tinha." -eu havia lido isso em algum lugar na adolescência, mas só agora me fazia sentido.

Seis meses, era o tempo que estava de gestação, ou seja, já faziam quase 3 semanas desde aquela fatídica conversa que tive com Shun, e enganasse quem pensa que ele me tratou diferente depois daquilo, não, ele deu na minha cara todos os dias me mostrando o homem gentil e atencioso que era.

Depois de me "resolver" com Shun me vi na obrigação de me desculpar com os outros cavaleiros (que tirando Seiya me ouviram primeiro e só depois me deram seus respectivos "conselhos").

Shun me deixou livre para perambular pelo Santuário quando prometi-lhe que não atravessaria as fronteiras destes e como os outros cavaleiros tinham novamente me permitido passar por suas casas eu me vi naquela madrugada impelida a andar. Então me levantei e apenas com a luz da lua a iluminar o quarto me vesti (com certa dificuldade), e sai não só do quarto mais da casa de virgem. Antes de sair deixei um bilhete avisando que voltaria mais tarde, para que Shun não se preocupasse.

Deixe-me guiar por meus pés e quando notei eu caminhava em direção ao cemitério, então peguei algumas flores e só parei novamente quando estava em frente ao tumulo de minha filha.

-Sakura minha filha! -levei um bom tempo para conseguir me ajoelhar ali. -Sinto muito não ter vindo mais aqui, mas sei que seu pai não lhe deixou sozinha, já que diferente de mim ele é sensato. -respirei fundo. -Esses são seus irmãos ou irmãs pequena. -alisei a barriga, de forma calma. -A cara do seu pai quando me viu grávida foi impagável, não que tenha sido certo o que eu fiz com ele sabe, mais saiba você que vou me arrepender o resto da minha vida por isso. -eu ria e chorava. -Mas não se preocupe filha, eu sei que seu pai jamais deixará que seus irmãos cresçam sem sua presença, e eu vou amá-los tanto quanto sempre amarei você.

Fiquei ali até o sol aparecer no horizonte, e quando me levantei estava decidida a seguir a diante. Caminhei pela cidade a procura de casas para alugar e visitei algumas pela manhã, almocei e por fim decidi procurar algo que fosse mais confortável e perto de algum lago para as crianças brincarem.

Eu sabia que não deveria permanecer na casa de virgem depois que as crianças nascessem, não que Shun fosse me expulsar de lá, todavia aquilo não era certo para nenhum de nós. Possivelmente foi esse o motivo que me levou aquela decisão. E até tinha gostado de algumas casas de campo.

Já estava noite quando eu resolvi que era hora de voltar, mas como toda criança eu parei para observar o luar da ponte e até me esforcei para me pendurar ali, e sorri quando consegui minha façanha.

-DESÇA JÁ DAÍ! -gritou um homem, e eu me assustei e me desequilibrei um pouco, e este vinha em minha direção provavelmente para me puxar.

-Não ouse se quer tocar nela. -me arrepiei com aquela voz e os olhos verdes florescentes foram a primeira coisa que vi quando este se aproximou de nós, fazendo o homem se afastar imediatamente. -Venha! -ele me estendeu a mão e me ajudou a descer, me pegando pela cintura com a outra mão.

-Me desculpe senhor, só...

-Não se assusta uma mulher grávida. -ele disse ríspido e se afastou me puxando consigo. -Dá próxima vez que for impedir alguém de se jogar de uma ponte tente não gritar. -o homem abaixou a cabeça. -Você está bem Anna?

-Sim. -eu não sentia nada de errado, além da confusão de o vê-lo ali. -Me desculpe por ter demorado a voltar e tê-lo preocupado. -ele deveria estar desesperado já que eu tinha passado o dia fora, que droga.

-Eu segui você desde que saiu de casa.

"Tô passada!"

- "Pelo menos ele é sincero."

-Me seguiu. Porquê?

-Não me perdoaria se algo acontecesse a você, desculpe.

-Tudo bem. -ele estava certo, eu não deveria andar por aí sozinha nesse estado.

-Se quer minha opinião, eu realmente gostei daquela casinha de campo, a penúltima que você visitou.

-Fico feliz com isso. -foi tudo que me despus a dizer antes de me soltar dele e me afastar.

Caminhamos em silencio, mas parei ao passar na praça e ouvir aquele sino, minha boca salivou na mesma hora.

-O que houve? -ele se virou curioso.

-Nada. -ele me olhou e por fim suspirou voltando a andar, mas não permiti que desse nem três passos, e tremulamente agarrei de leve sua camisa e este se virou preocupado para mim. -Eu... eu quero... -ele segurou meus braços de leva e me olhou terno. -Sorvete. -ele alisou minha cabeça e me abraçou.

-Vamos tomar o sorvete e depois iremos para casa tudo bem? -eu não tomava sorvete desde o que aconteceu com Sakura, e ter um desejo assim me assustava, mas Shun segurou minha mão firme me passando um pouco de coragem.

-Tá. -ele se afastou mais não largou minha mão.

Fomos até uma sorveteria self-service e claro que assim que me senti segura o suficiente me esbaldei em colocar as bolas na casquinha, sem falar nas coberturas e as jujubas.

-Parece sorvete de criança. -ele brincou.

-Ei, eu carrego duas, dê-me um desconto. -ele riu e negou.

-Lembro quando fomos naquela sorveteria no Japão quando começamos a morar juntos, você fez a mesma coisa. -estirei a língua e ele riu mais.

"Tanta coisa para lembrar, e ele lembra logo disso!" -revirei os olhos e me sentei.

Shun tinha apenas uma bola em sua casquinha sabor napolitano, e eu sempre achei aquilo meio simples demais, mais Shun era assim, uma pessoa simples.

Quando ele terminou eu estava quase acabando o meu também, então ele se levantou para pagar e como ele estava demorando muito resolvi me virar para vê o que estava ocorrendo, e me arrependi imediatamente da minha decisão.

Shun conversava animadamente com a balconista. Ela era uma mulher excessivamente bonita, daquelas que fazem agente se sentir o chiclete na sola de seu salto alto. Branca de longos cabelos lisos e ruivos, olhos bem delineados de um cinza fascinante, e um sorriso branco e perfeito que faria inveja ao meu ortodontista. Ela tocou de leve a mão dele e eles sorriram em meio a uma conversa que parecia estar bastante animada, e eu já e a me levantar para acabar com aquele sorriso "colgate" quando ao olhar para sua mão percebi o obvio.

"Ele é livre Anna!"

Livre-arbítrio filha é a capacidade de plantar o que você quiser, e justiça, filha é a de colher exatamente o que plantou. -eu deveria ter escutado mais a minha mãe.

A bile pareceu subir para minha garganta, e eu tive de reunir todas as minhas forças para engolir o sorvete que subia a minha garganta, e me esforcei para não vomitar ali, mas foi impossível impedir as lágrimas de caírem uma atrás da outra.

Eu não tinha nenhum direito de me sentir assim, já que eu mesma havia me colocado naquela situação, eu mesma havia acabado nosso casamento e Shun tinha todo direito de reconstruir sua vida. Vê-lo ali tornou a situação enfim real para mim, pois no meu intimo eu guardava a esperança de que pudéssemos voltar a ser como antes, que quando as crianças nascessem tudo se ajeitaria, contudo aquilo seria errado, eu o tinha feito sofre, eu tinha destruído tudo.

-Anna o que houve? -ele me olhava tremendamente preocupado, e a moça se aproximou de mim com um copo de água, ela parecia ser uma pessoa gentil, seria com toda certeza alguém melhor para ele do que eu fui. -Anna por Atena me diga o que está...

-Me... me leve... -eu soluçava de tanto chorar. Para onde eu o pediria para me levar? Casa, aquela era a casa dele, não a minha, era a casa para alguém que fosse melhor do que eu, por que eu não merecia entrar ali.

-Para casa? Se estiver sentindo dor, eu preciso te levar para o hospital...

-Por favor... me tire... me tire daqui. -ele prontamente me pegou no colo e sem se despedir da ruiva saiu comigo no braço, eu por minha vez não conseguia parar de chorar.

-Anna me diga o que houve, por favor. -eu apenas neguei e quando passamos pela casa de Mu ele nos parou.

-O que houve com ela Shun? -Mu se aproximou preocupado.

-Ela não me diz. -eu o agarrei e comecei a chorar em seu ombro copiosamente.

-Anna o que houve pequena? -Mu alisou minha cabeça e Shun me soltou me colocando em pé e Mu me abraçou.

-Me deixe... por favor Mu, me deixe ficar aqui. -eu tremia em seus braços. -Me deixe ficar com você.

-Claro Anna, mais o Shun... -eu me afastei dele com a mão na boca, ele não me queria ali, eu seria um estorvo para ele também. -Anna, você...

Me inclinei enfim colocando para fora tudo que estava em meu estomago, menos a agustia em meu ser, aquela angustia estava me sufocando, e eu comecei a vê tudo girar...

Acordei no quarto de Shun, minha cabeça doía, então me levantei para tomar um banho, observando o quarto vazio. Deixei a água gelada cair por minha cabeça para que por alguns segundos aliviasse a dor ali, mas essa não conseguia aliviar a dor em meu peito. Vesti um vestido simples e enxuguei meus cabelos vagarosamente, mas quando saí do banheiro ele estava em pé ao lado da comoda e uma bandeja com comida estava disposta ali, não fui capaz de impedir as lágrimas de voltarem a descer por meu rosto.

-Anna, o que está havendo, eu lhe fiz algo? -eu neguei com a cabeça. Lá estava eu o fazendo se preocupar comigo, como eu podia fazer isso como ele? -Você quer mesmo sair daqui? -ele se aproximou de mim. -fiz que não novamente.

Para onde eu poderia ir, onde quer que fosse eu incomodaria alguém, mesmo meu irmão tinha sua família e meus pais me odiavam. Isso só me serviu para entender ainda mais que tipo de pessoa eu era.

-Vou ficar bem, me desculpe Shun. -eu me dirigi a cama e ele me segurou e me olhou analítico, enquanto eu limpava as lágrimas do meu rosto.

-Anna, seja lá o que houve, confie em mim. -ele segurou meu rosto e eu toquei de leve suas mãos as afastando de mim e indo para cama.

-Hormônios de grávida, eu vou ficar bem, só preciso dormir. -menti.

-Ao menos coma algo, você...

-Meu estomago ainda está estranho Shun, desculpe por isso. -ele tinha feito comida e eu a desperdiçaria.

-Não se preocupe com isso, apenas descanse e se acordar com fome me chame ok?

-Obrigado. -ele me cobriu e quando Shun apagou a luz do quarto me deixando sozinha eu voltei a chorar.

Os dias que se seguiram foram ficando cada vez piores, nada parava no meu estomago e eu me sentia mal por está fazendo mal a Shun e aos bebês dentro de mim. Eu não tinha vontade de sair da cama, e passava o dia ali, e sempre que estava sozinha eu me punha a chora, eu estava mofina. O médico me colocou no soro no quarto e se sentou ao meu lado me olhando terno, e depois olhou para Shun atrás de si.

-Você sabe o que tem criança? -eu maneei a cabeça negando, e aquele simples esforço me fez sentir dor nesta. -Você está com depressão senhorita. -vi quando Shun se despregou da parede e me olhou culpado, e eu me pus a chorar por ele achar que a culpa era dele. -Sabe como isso é grave em uma mulher na sua situação? -fiz que sim. -Eu não posso lhe receitar antidepressivos por causa da gravidez senhorita, por isso lhe rogo que tente conversar, eu vou lhe indicar um psicologo para lhe acompanhar, e...

-Eu não quero. -Shun se aproximou e se ajoelhou em frente a cama ficando ao meu lado.

-Anna, você precisa se cuidar.

-Eu não quero Shun. -o olhei chorosa. -Se algo acontecer comigo, eu sei que você cuidará bem deles. -alisei de leve a barriga. -ele com toda certeza seria um bom pai, e seria melhor que as crianças não tivessem um mãe como eu, o que eu poderia oferecer a elas, além de uma família pela metade, que tipo de educação eu as daria?

-Anna não diga isso, por fa...

-Por favor, não me force a isso. -pedi e ele segurou minha mão que estava no soro e a apertou de leve.

-Nunca forçaria você a nada. -o médico suspirou.

O médico ficou comigo até o soro acabar e me aplicou duas injeções, uma de vitaminas e uma para parar os enjoos, e nos fez prometer que se eu voltasse a vomitar iriamos para o hospital.

Eu logo peguei no sono, andava cada vez mais cansada ultimamente, mas acordei quando senti uma brisa frescar tocar meu rosto, e o cheiro de flores invadirem minhas narinas. Abri os olhos e me vi no jardim noturno, com uma manta a me cobrir, e virei me ao sentir um cafuné na cabeça, me deparando com um Shun que me sorria leve.

-Achei que gostaria de ver a lua cheia, você sempre me disse que amava vê-la daqui nessa fase. -em momento algum ele parou o cafuné, então me levantei de seu colo, e me afastei um pouco.

-Obrigado. -eu o estava fazendo se preocupar ao ponto dele se sentir compelido a me tocar.

-Anna. -me puxou para si me abraçando com força, e mesmo quando eu tentei me afastar ele não me permitiu me segurando ali. -Me perdoe por te fazer passar por isso, e ser um completo idiota por não perceber o quanto estava sofrendo.

-Não Shun. -tentei me soltar novamente chorando.

-Me esculte por favor, se ainda assim você quiser se afastar de mim eu... -respirou fundo e eu parei de me mexer, para onde eu iria. -Sinto muito mais mesmo assim eu não permitirei que se afaste. -eu tremi. -Me desculpe eu não consigo não ser egoísta em relação a você. -beijou o topo da minha cabeça. -Eu nunca pretendi te deixar ir embora Anna, e se você não estivesse grávida eu arrumaria outra desculpa para te manter ao meu lado por que eu amo você. -ele me soltou um pouco. -Lembra disso? -apontou para um prato de brigadeiro com algumas uvas em cima, então ele pegou um palito e espetou um uva e a trouxe para mim e não tive escolha a não se abrir a boca e comer a fruta com chocolate, já que ele melecou meus lábios quando não abri, e riu feito criança. -No dia em que me ensinou a fazer isso, foi o dia em que me apaixone por você. E lembro de que já estávamos morando juntos a algumas semanas e de você ter começado a se soltar mais. Você lembra?

-Sim, você estava triste por que o Ikki não tinha aparecido para te visitar como prometeu, e eu te ensinei a fazer brigadeiro para te distrair. -sorri com a lembrança.

-Eu fiquei desesperado, por que era a primeira vez que você cozinhava algo, e quando você não soube acender o fogão eu realmente me perguntei o que você me obrigaria a comer. -o olhei abismada. -Devo dizer que nunca fiquei tão feliz por esta errado. -beijou o topo da minha cabeça. -Eu lembro que sujei o canto da boca e você passou o polegar me sorrindo e me dizendo que eu parecia uma criança fofa se lambuzando todo com doce. E quando você sugou o polegar eu tive de me segurar para não te agarrar ali mesmo, e foi naquele momento que eu soube que estava perdidamente apaixonado por você. -ele colocou outra uva em minha boca e comeu uma também e me abraçou mais contra si quando um vento frio passou ali. -Eu nasci para se o receptáculo de Hades Anna, e se eu tivesse contado a você como me sentia, se eu tivesse contado o que tinha acontecido comigo durante a guerra, nada disso teria nos acontecido.

-Shun eu que não deveria ter tirado conclusões precipitadas e... -ele segurou meu rosto e lambeu minha boca me fazendo inspirar o ar com força.

-Você apenas não confiou em mim amor, mas vendo as coisas por outro lado, como se confiar em alguém que não nos conta tudo não é? -suspirou. -Quando passamos a morar juntos eu parei de ter pesadelos, e quando percebi o que sentia por você eu tentei te segurar o máximo no Japão comigo, para que quando chegássemos aqui você não tivesse escolha a não ser casar comigo. -o olhei curiosa. -Eu nunca verdadeiramente te dei uma escolha Anna, eu sempre te coagi a ficar comigo, por que eu te amo. Eu fui covarde e mesquinho ao te fazer passar por tudo isso, quando o grande errado dessa história toda era eu. Por isso, dessa vez eu quero que pense com cuidado.

-O que você quer dizer? -perguntei num fio de voz.

-Você ainda quer ser minha mulher? -ele me mostrou nossas alianças. -Se aceitar saiba que eu nunca a deixarei sair do meu lado, se não quiser. -sua mão tremeu. -Se não quiser saiba que eu farei de tudo ao meu alcance para que você um dia aceite, por que eu não sei mais viver sem você.

-Shun isso não é bem uma escolha. -ele segurou meu rosto e me puxou para si selando nossos lábios.

-Eu sinto muito amor, mais eu não a deixarei ir. -encostou sua testa na minha, e lágrimas banharam seu rosto. -Eu sempre fui alguém gentil e sempre dei o meu melhor para que os outros fossem felizes, mais você Anna, de você eu não consigo abrir mão, me perdoe.

-Eu sou a escolhida para você não sou. -ele abriu os olhos e eu limpei seu rosto e depois estirei a mão para que ele colocasse o anel ali. -Então eu realmente nunca tive uma escolha a não ser te pertencer. -sorri ao sentir meu coração se encher de felicidade quando ele deslisou a aliança por meu dedo.

-Não, você não tem. Você é a escolhida para mim! -quando eu coloquei a aliança em seu dedo ele me puxou e me beijou ardentemente.

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Levantei com certa dificuldade da cama, e me pus a andar pelo quarto massageando as costa e a enorme barriga de oito meses.

-O que ouve Anna? -ele coçava os olhos cansados, a dias não dormíamos direito, já que os bebês andavam agitados, e meu corpo doía mais agora.

-Dor nas costas. -ele levantou e foi até o guarda-roupas e pegou um potinho com gel.

-Vêm cá, senta aqui amor. -eu me sentei no meio da cama e ele puxou minha camisola e beijou meu ombro nu. -Já disse para me chamar caso sinta dor.

-Não queria te acordar por algo assim. -ele mordeu de leve o lóbulo da minha orelha, e eu suspirei. -Maldade Shun. -choraminguei.

-Dá próxima vez que isso acontecer, eu vou te castigar de verdade. -ele já e a passar o gel ali quando me arrepiei toda e me inclinei. -Está com frio? -fiz que não.

-Eu acho que a bolsa estourou. -ambos ficamos estáticos por alguns minutos até eu me inclinar com a dor da minha primeira contração. -Shun...

-Calma Anna, respira... -ele me ajudou a me vestir e pegou a bolsa com meus documentos e saiu enfiando várias coisas dentro dela, e minha segunda contração começou quando ele estava me pegando no colo. -Segure-se em mim, me aperte, morda, faça o que quiser amor, mas confie em mim, eu não deixarei que nada aconteça a vocês. -aquilo realmente me fez sentir melhor até que uma nova contração me acometeu e eu apertei seu braço com força.

Por eu ainda estar de oito meses os médicos optaram por uma cesariana, e por incrível que pareça nossas meninas nasceram saldáveis. Um pouco abaixo do peso (o que eu me senti culpada de imediato, mas os médicos me garantiram que isso era normal em gêmeos), mas bem o suficiente para não precisarem ficar na incubadora.

-Elas são lindas. -Shun babava olhando-as em meus braços.

-Elas são a sua cara. -bufei indignada e ele riu. -Isso é meio injusto pequenas. -disse a elas.

-Eu posso? -ele perguntou curioso e eu sorri.

-Claro que não. -ele fez uma carinha triste. -Você deve. -ele a segurou cuidadoso, e a ajeitou em seus braços a embalando, e seus olhos pareceram se iluminar fluorescentes. -Eu vou proteger você pequena, todas vocês. -disse se virando para mim com aqueles belos olhos.

-Eu sei que sim amor.

Fomos para casa três dias depois, e Ikki enfim apareceu para conhecer as sobrinhas e só aí pude me desculpar com ele, mas meu cunhado estava diferente. Todos os cavaleiros apareceram para conhecer as meninas, e só alguns meses depois as levei para conhecerem meu irmão, não sem antes Shun ter certeza de que estávamos seguros.

Shun era um pai babão e superprotetor, e mesmo depois que Aion nasceu quatro anos depois, ele não deixou de ter um super cuidado com elas. Eu me preocupei que elas ficassem mimadas com os mimos dos tios, mais quanto mais elas cresciam mais mostravam que isso seria impossível.

Ikki e Seiya disputava a atenção das meninas e no fim elas sempre corriam para o pai quando ouviam sua voz. Aiaka era a mais danada, vira e meche estava pendurada em algo ou correndo pelas doze casas, todos amavam sua alegria, já Ayume era mais tranquila e sempre podíamos a encontrar no jardim lendo ou conversando com quem quer que sentasse ao seu lado. Já o Aion estava sempre comigo, ele era o tipo de filho super carinhoso que dá vontade de passar o dia apertando, e mesmo agora com 3 anos eu apertava suas bochechas sempre que ele abraçava uma de minhas pernas.

-Lindo da mamãe. -era sempre o que eu dizia antes de puxá-lo para mim.

As gêmeas tinham puxado de mim apenas os olhos azuis, e acabando com meus sonhos o Aion nasceu com os cabelos e os olhos do pai de mim ele tinha puxado apenas o formato do rosto.

-Shun eu quero outro filho. -me vi dizendo a ele em uma noite em que me sentia frustrada or meus filhos mal parecerem comigo, e ele me sorriu.

-Quantos você quiser amor. -sussurrou rouco em meu ouvido. -Eu vou adorar fazê-los.

-Eu te amo. -me virei o beijando.

-Eu te amo mais. -me pegou no colo e me jogou na cama.

Ele não me deu escolhas, talvez eu nunca as tenha tido, por que como ele mesmo disse eu era a escolhida para ele, mais quem ligava, Shun me fez feliz cada dia da minha vida, e me mostrou a felicidade não só depende dos caminhos que escolhemos seguir, mas sim das pessoas que escolhemos acompanhar.

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