CAP. 3: UM SERVO NÃO É MAIOR QUE SEU SENHOR
O salão dessa lúgubre Mansão era novamente testemunha de uma das ultimamente repetidas reuniões do Lado Escuro, a quantidade de velas que enfeitavam a estadia era menor à habitual, criando maior quantidade de lugares escuros.
Mas aparte do fato de que a iluminação não seja a acostumada, desta vez tinha outra peculiaridade; a quantidade de comensais presentes não era o usual, sempre tendiam a ser quase meia centena agora o grupo era muito reduzido quinze no máximo, mas contrariamente a seu número estes eram os magos e bruxas mais poderosos na consideração de seu Senhor, a cada um com uma habilidade pessoal e, sobretudo os mais leais ao Senhor Escuro; os aí reunidos eram os que ocupavam o círculo de privilegiados do Lord.
Vendo nestas circunstâncias Snape pensou que esta seria uma reunião demasiado importante, tão importante que os de rango menor como sempre não mereciam se inteirar até que fossem informados por seus superiores e, só acatar as ordens quando lhes davam, recordou que ele mesmo tinha sido relegado quando recém se iniciava entre eles; em reuniões privadas como esta se decidia os planos, não, se sistematizava a forma em que levar-se-ia a cabo o plano de Voldemort, ainda que em muito contadas ocasiões o Lord deixava que as opiniões de algum de seus homens também fossem tomadas em conta, se lhe perguntava.
Como era costume estavam prostrados ante seu amo e para surpresa de todos, seu Senhor em vez de lhes permitir se levantar, começou a se passear entre eles, normalmente ter-lhes-ia dito que se sentassem ao redor de uma grande mesa para começar a discutir qualquer coisa que ao Lord lhe parecesse importante, mas não, desta vez, seguia passeando entre eles tão parcimoniosamente que era desesperante e abrumador, se dedicava aos observar como se estivesse em uma loja decidindo que fruta era de sua predileção.
- Vocês, são muito privilegiados, se sintam orgulhosos de se mesmos.
Começou a falar com essa característica voz sibilante, a orla de sua túnica às vezes roçava com uma ou outra mão de seus súbditos, enquanto eles tinham a mesma pergunta em suas mentes: Que tratava de lhes dizer? Porque sempre tinha uma razão, porque ELE não perderia o tempo em só lhes recordar sua devoção, a voz de seu Senhor desta vez emitida em parsel fez que deixassem seus cavilações.
- Nagini, por que não se diverte?
Notaram que Nagini, seguramente por ordem do Lord, ordem que eles não tinham compreendido porque tinha sido dado em língua de serpentes imitava a seu amo e começava a zigzaguear seu enorme corpo por entre eles, emitindo de vez em vez sons com sua negra língua, tateando no ar algum indício de temor ou outro aroma delator.
O Lord comprazia-se com os leves sobre coagimentos de seus súbditos quando seu fiel mascote passava cerca da cada um deles, enquanto ele os repassava com seu olhar vermelhos, se detendo também de vez em vez em um que outro servidor seu, até que voltou a falar:
- Bela, marcha-te. - A ordem foi calafriosamente suave, mas não por isso deixou de ser firme.
Lestrange levantou-se, ainda com o corpo um pouco curvo e indo para atrás se dispôs a sair do salão, em seus pensamentos se agolpearam várias teorias para seus colegas; uma, em onde aos que ficaram receber uma sessão "exemplificadora", ou talvez esta desafortunada ocasião seu Senhor não faria partícipe da reunião, seu último pensamento fez que se tensasse, esperaria a que saíssem, averiguaria por qualquer meio o que passou nessa reunião.
- Funet, Garmeth, retirem-se, voltou a ordenar, os mencionados em uma atitude similar à de Bellatrix, também fizeram sua despedida, mas estes não ficaram enquanto não resultassem afetados negativamente era melhor se afastar e ocupar de seus assuntos.
Assim passou um tempo, foi nomeando e foi os despedindo até que só ficaram cinco, cinco comensais que lhe eram agradáveis à vista, cinco, era um número menor de onde escolher, escolher que? esses cinco que não tinham a mais mínima ideia do que seu Senhor pretendia deles, mas coincidiam em seus pensamentos que seria algo muito discreto muito importante, cinco nos quais Severus Snape se incluía, os melhores, os mais poderosos dentre todos os demais, talvez os mais parecidos em poder que seu Senhor, os cinco que seguiam em aipo e entorpecidos.
- Nagini, volta.
- Como ordene Senhor.
Voldemort voltou à frente e esse pequeno intercâmbio de palavras entre a Serpente e seu Senhor, deu por terminada a estranha sessão de eleição.
- Podem parar-se, meus leais, de pé – efetivamente terminou.
As cinco personagens fizeram-no tratando de ocultar o mal-estar produzido pela longa espera na incómoda posição, a cada uma de suas miradas detrás suas brancas máscaras dirigiam-se a seu Amo e este seguia parado os enfrentando, soberbo, suas facções serpentinas se acentuavam mais à luz das escassas velas dispostas em diferentes partes do salão, a estatura de Voldemort era maior que o deles, comparados com alguns muito considerável, com outros só uns quantos centímetros variavam, mas ante todos mais poderoso, mais dominante.
O Lord os escudrinhava, media-os, ainda os escolhia, decidiu que seria melhor o meditar.
- Mandá-los-ei chamar dentro de alguns dias, mas, apresentassem-se sem máscaras, devem estar atentos - sem máscaras? Foi o pensamento geral – Agora se retirem.
As dúvidas de suas comensais ficaram no ar, como seus anteriores colegas se retiraram em silêncio, sempre fazendo uma reverência todo isso tinha sido muito raro.
- Meu Senhor, vejo que escolheste muito bem a teus candidatos, a cada um deles é poderoso e todos também têm um deleite especial.
- Devo ser cuidadoso, já te tinha dito, deve ser perfeito, sua missão será muito importante para que o faça qualquer e… ademais pretendo o desfrutar.
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Em Hogwarts, um confundido professor de poções encontrava-se caminhando de um lado a outro no escritório do velho Diretor, tinha chegado faz pouco diretamente da estranha reunião.
- Albus – disse-lhe a modo de saúdo quando viu a seu velho amigo descer através de uma escada de caracol, sempre o fazia com tranquilidade isto às vezes exasperava a Snape e agora o fazia mais que nunca, um sorriso foi a resposta de Dumbledore e ao mesmo tempo convidava a sentar ao mago mais jovem em frente a seu escritório, levava uma colorida roupa de dormir e um gracioso gorro que combinava horrivelmente as cores lilás e verde.
- Meu querido Severus, sua visita sempre é agradável, em que posso te servir? – olhou-o um pouco divertido atrás de seus peculiares óculos foi então que o idoso franziu seu em frente ao notar como seu amado filho (porque assim o considerava) se via muito tenso, era muito tarde e isso lhe estranhava de sobremaneira, se não fosse nada importante bem sabia que Severus esperaria até manhã para lhe informar qualquer assunto, de seguro desta vez era algo maior.
- Não é momento de seus fastidiosos comentários Albus, estou preocupado, há algo, algo mau, eu sei, eu sinto – seguia parado, mas apoiou ambas as mãos no escritório.
- Tem algo que ver com a reunião que tiveste com Voldemort?
O homem de olhos negros assentiu com pesar, não gostava de ser ele quem sempre trouxesse más notícias, mas seu papel era esse e não decepcionaria a Dumbledore
– Conta-me – tenho fez aparecer uma bandeja com um serviço de chá oferecendo a seu interlocutor, mas este não lhe fez nenhum caso.
- Desde o falha da irrupção no Ministério, Voldemort…
Agora se apartou um pouco e se afundou no cadeirão, seu mentor se levantou da cadeira que até o momento ocupava, rodeou o escritório para situar no cadeirão sobrante ao lado de seu protegido.
- Você sabe muito bem – retomou a conversa – que após o do Ministério nos convocava praticamente quase todos os dias… as torturas foram frequentes em especial aos envolvidos, mas… esta noite…
- Faz favor – com voz apreensiva o velho mago inclinou-se para Severus como querendo encontrar algum dano visível – diga-me que não te torturou.
- Não, não o fez… mas até isso é estranho – mantinha sua negra mirada perdida em suas lembranças, fixa em um ponto desconhecido.
Estranho? Não ter sido torturado lhe parecia estranho, talvez, ser atormentado era normal para seu filho? Dumbledore sentiu que seu coração lhe oprimia, o ouvir falar dessa forma, resignado a seu destino, não deveria ser assim, a confiança e o carinho que ele lhe dava para que a estima mermada de Severus aumentasse não eram suficientes? faria algo, claro que fá-lo-ia, mas deixou esses pensamentos para outra ocasião.
- Continua
- Sabe também que de improviso deixou de nos reunir, mas averiguei que era porque se encerrou em sua biblioteca particular, segundo os outros não tinha saído daí até faz três dias… bom, nos dias posteriores dizem que estava em extremo feliz, falava com ele mesmo em parsel a maior parte do tempo, mas esta noite quando nos convocou passou algo estranho.
O jovem mago relatou todo o sucedido incluindo os mais mínimos detalhes e suas próprias apreciações, Albus enquanto, bebia pequenos sorvos de chá atento às explicações, sem interromper nem uma só vez até o final, deixou na mesa a xícara vazia, cruzou suas mãos em sua colo, processando a informação e se dirigiu a seu informador com ar inquieto.
- Que você acha, que planeja?
- Isso é o que mais me preocupa, não encontro nenhuma relação evidente, nenhuma que lhe dê uma vantagem na guerra, o único que ressalta é que os cinco pertencem ao círculo privilegiado.
- Pelo que supõe são muito poderosos, essa não seria uma relação?
- Efetivamente, poderia ser mais que passa com os "descartados"? Qualquer coisa que planeje, precisará alguém muito poderoso isso é evidente, mas o que não entendo é por que nos pediu o ver sem máscara a próxima vez?
- Ver seus rostos, é claro que precisa que se exponham, não que se ocultem.
- Faz sentido, mas para que? Ademais não creio de Skadi seja apta para isso.
- Talvez podemos o resolver entre todos, amanhã convocarei outra reunião é imperativo fazer reunir-nos-emos na tarde, espero que assista.
- Isso depende exclusivamente dele.
- Sei-o, sei-o – levantou-se do cómodo lugar e apertou o ombro de seu "filho" – bom agora será melhor nos retirar a descansar.
Um assentimento do mestre contestou-lhe que estava de acordo.
- Ficará em suas habitações ou prefere regressar a sua casa?
- Ficarei, se não te molesta?
- Nada disso, então farei que te preparem – dito isto rapidamente convocou a três elfos que após receber as ordens desapareceram para as cumprir.
- Não estarei por muitos dias, te advirto, de modo que seus preparativos são demasiados.
- Estará o tempo que deseje Severus, você sabe bem, agora será melhor que descanse e tem uma boa noite.
- Boa noite também a ti Albus.
O idoso Diretor voltou a subir a escada até seu dormitório e Snape retirou-se fechando depois de si a porta do despacho.
Caminhava pelos escuros corredores rumo às masmorras, eram férias pelo que para seu alívio não encontrou estudantes infratores, era todo tão tranquilo, alumiado pela luz do Lumus avançava até que chegou a suas habitações, a verdade é que Severus se sentia muito a gosto no Castelo, lhe dava uma sensação de segurança e paz, a desvantagem é que as conhecidas paredes lhe recordava que devia lidar com alunos torpes, jactanciosos, sem talento e isso era mortificante, essa era a razão que no recesso de aulas optava por regressar até sua propriedade na Rua da Fiação, mas considerava a Hogwarts como seu verdadeiro e único lar.
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Sentado em sua cama, aguardava a que a dor da cicatriz desaparecesse, não era insuportável como experimentou em outras ocasiões, mas era sumamente molesto, tanto que não o deixava dormir e por mais que se concentrasse não conseguia o diminuir, seguro que Voldemort planeava ou já tinha feito algo, o "mau" é que não tinha imagens de nada.
- (Melhor se não vejo o que faz) – se dizia ao mesmo tempo em que dirigia sua mirada à luz que se colava pela janela – (Espero que não seja nada realmente grave) – a dor era muita menor, voltou a amassar a cicatriz – (Espero que não lhe passe nada) – arranjou a colcha e se deitou – (Espero que Severus esteja bem, faz favor, que esteja bem) – com essa súplica começou a dormir, a dor tinha cedido mais.
Se, o rapaz de olhos verdes preocupava-se em demasia por seu amargo mestre, também desde faz um tempo, não precisava exatamente quando, começou a chamar por seu nome, ainda que isso só sucedia em seus pensamentos, talvez desde que se propôs com seriedade que sentimentos albergava para seu antes odiado professor, aceitou que esse sentimento era muito diferente de quanto sentimento experimentado em sua curta vida, uma mistura de carinho, saudade e respeito, ainda que não o definia de tudo, mas ódio não era, a dor cessou por completo e com sua mente posta nas imagens do professor, se dormiu, seus sonhos uma vez mais eram assaltados pela figura de comensal espião.
Na manhã o ulular de Edwiges acordou a seu dono, mas este não abriu os olhos a noite tinha sido um pouco pesada para ele, pelo que a ave começou a lhe dar pequenos bicadas carinhosas na mão de Harry conseguindo desta vez resposta a suas afanes.
- Bons dias amiga – outro ulular como resposta – se espreguiçou em sua totalidade e abriu a janela para que sua ave saísse por um momento se lhe apetecia, baixou ao grande salão, o crepitar do fogo verde, fez que se detivesse para receber ao visitante, só o rosto de Dumbledore se materializou, então se fincou para averiguar que é o que queria lhe falar.
- Harry? Ah! É você rapaz – as fachas de um recém acordado Harry lhe fizeram graça por um momento – só queria lhes avisar que levaremos uma reunião às seis da tarde de hoje, de modo que se preparem – comunicado isto, a cabeça do diretor desapareceu.
- (Terei que lhes dizer a Ron e Hermione) (se via que tinha algo urgente que fazer)
- Harry? Acordaste
- Bons dias Hermione.
Assim começava em um novo dia em Grimmauld Place, com a castanha acordada cedo disposta a ajudar aos rapazes a preparar o café da manhã, porque ela não seria a única que o preparasse.
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Café da manhã em mãos Dumbledore apresentou-se nos aposentos do pocionista, este ao o ver com a charola e a mirada mais divertida que tinha visto em muito tempo, soube que não menos dele, o deixo passar com um pouco de incomodo, instalando na sala se sentaram em frente a frente com uma pequena mesinha de por meio começando a saborear o café da manhã, conversando sobre a recente publicação de "O Profeta", outra sem dúvida cheia de inevitáveis tretas para evitar a Quem-não-deve-ser nomeado quase terminavam seus alimentos, foi então que sem mais Albus Dumbledore, Diretor do Colégio de feitiçaria Hogwarts, um dos magos maiores dos últimos tempos, mente mestre, e manipulador de primeira disse:
- Harry tem tratado de ganhar-se sua simpatia e ignora-lo de sobremaneira – o arquear de uma sobrancelha negra, fez continuar – Harry tem mudado Severus.
- Não diga tolices Albus, nada tem mudado nesse convencido, ademais não entendo porque deveria me interessar isso.
- Talvez você não o note, mas, o rapaz é outro – seguia com seu quase monologo.
- Albus, um Potter é um Potter, não é diferente de seu pai e não fará crer o contrário – já se encontrava um pouco molesto e deixo de comer, às vezes sem mais Dumbledore iniciava conversas fora do tema em discussão, Snape sabia que agora se encontrava em frente a uma delas, fatigado pelo novo conteúdo se reclinou no cadeirão com os braços cruzados.
Ah sim! Essa era a atitude e a resposta esperada, para executar o passo dois em seu elaborado e quase infantil plano de Dumbledore.
- Que te parece se me acompanha um pouco mais cedo? Assim comprovaria você mesmo o que te digo.
- Ainda que assim fosse que ganho eu com isso? Não me interessa se esse fedelho faz ou deixa de fazer tal ou qual coisa.
- Mas, faria que é animadversão, s-e-m-s-e-n-t-i-d-o, entre ambos desapareça, poderiam se levar bem e encontrar pontos em comum.
- NÃO me interessa me levar bem com um Potter, NÃO me interessa me levar bem com ninguém, NÃO lhe estou pedindo, NÃO lhe peço a NINGUÉM.
- Severus, deve relacionar com outras pessoas, a guerra não durará por sempre e, quando acabe não quisesse que esteja sozinho.
- Disso ocupar-me-ei quando acabe a guerra e sobreviva, mas até que chegue nesse dia agradeceria que NÃO me imponha AMIZADES que não quero.
- Mas eu não…
- Albus – advertiu-lhe levantando da mesa, tinha sido bastante, cedo começaria a gritar.
- Mas me acompanhará esta tarde? – fez-lhe um gesto de desamparo total – recorda que…
- Esta bem, SIM, acompanharei – se apressou a contestar, não queria seguir essa conversa e saiu rumo a Merlin sabe onde.
Albus estava satisfeito, sempre encurralava a Snape até que o exasperava e obtinha o que queria.
- (Sou um velho manipulador, mas não quisesse que se perdesse uma formosa oportunidade, espero que isto funcione) – sorriu tanto que o gesto fez que suas lentes em meia lua escorregassem do nariz – (espero não me estar a equivocar, bem, todo seja pelo bem de ambos).
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Dia cinco de agosto às cinco da tarde a lareira de Grimmauld Place recebia a seus dois visitantes.
- Não o esperávamos até mais tarde, boa tarde Diretor – Hermione o saudava sorridente – Boa… tarde professor… – repetiu o saúdo quando se deu conta quem vinha atrás ainda que desta vez soou mais séria.
- Boas tardes Hermione – o idoso devolvia-lhe o sorriso.
- Senhorita Granger – era mais que suficiente que Snape respondesse amavelmente.
- Chegaram justo a tempo se gostam poderiam acompanhar com um chá.
- Hermione quem é? – apareciam dois jovens desde a cozinha, parando-se de improviso quando viram aos visitantes – Boa tarde – disseram ao uníssono.
- Que lhes parece se preparamos o chá juntos? – Dizendo isto Dumbledore já se encaminhava para a cozinha, dando pequenos ressaltos enquanto caminhava – vamos, vamos, me acompanhem, faz tempo que não preparo um chá sem a ajuda dos elfos.
Seguiram lhe em uma fila, os três jovens muito surpreendidos e agoniados pela atitude de seu Diretor, Severus contrariado e molesto, mas todos acostumados com as ocorrências desse velhinho. Uma vez dentro Dumbledore pôs-se a procurar no armário, enquanto Hermione punha a aquecer a água, Snape sentou-se em uma cadeira disposto a "observar" ao moreno, isto por pedido de seu amigo, se surpreendeu ao descobrir o nervoso que estava.
- Agora que lembro – interrompeu os labores de todos – Senhorita Granger, Senhor Weasley, devo ter uma pequena conversa com ambos, faz favor se me seguem.
Tal como entraram os três saíram, deixando ao professor e Harry sozinhos, este último engoliu saliva e se pôs mais nervoso do que já estava, se apressou a esfregar e limpar coisas e manchas invisíveis.
- (É uma oportunidade de tratar de falar com ele civilizadamente) Eh… lhe sirvo o chá?
- Claro
- (Devo fazê-lo perfeito) que tipo de chá gosta... professor? (Chá? talvez não se me ocorre um tema mais interessante?)
- O inglês – respondeu-lhe com frialdade não ia ser ele quem começasse uma discussão – ainda que o oriental tem seu encanto.
Encanto tinha dito encanto e a forma como tinha soado essa palavra pôs em desequilíbrio ao jovenzinho, fazendo cair a xícara que sustentava.
- Com essa torpeza não me estranha que seja péssimo em poções – e com um ademão de sua mão consertou o dano.
- (Sem varinha?!) – Averiguaria isso depois – Eu… o sento, mas se você não me estivesse a olhar fixamente ao igual que o faz em classes, estaria menos nervoso.
- Ponho-o nervoso, Potter? Não acho que com uma simples mirada sua ineptidão se acrescente, é mais achei que ansiava ser observado.
- (Por que trato de lhe falar?) NÃO, só que quisesse que deixe de lado esse sarcasmo, quando eu faço todo o possível por lhe agradar – a acentuação no entresseio de seu professor lhe revelou que tinha ido demasiado longe – trato de falar com você, mas o que consigo é só insultos de sua parte.
Nesse momento ingressaram felizmente inibidos seus dois amigos, junto a um sorridente Diretor, Harry fez como se nada e ofereceu uma xícara ao Diretor, servindo outras para os demais, queria que o tempo passasse um pouco mais rápido para que outras pessoas chegassem, mas também, queria ficar mais tempo a sós com Snape, estas contradições o estavam a voltar louco.
A reunião foi o de sempre, Dumbledore se encarregava de informar o que o professor lhe dissesse a noite anterior, várias especulações se alçaram.
- Um novo ataque individual, talvez a membros do Wizengamot
- Cinco para isso? É impossível, Arthur – Minerva começava a exasperar-se à medida que passava o tempo e não encontravam uma resposta congruente.
- Inês Skadi, é a que tem maior influência em… em… NADA! Todos os demais têm certa influência em vários níveis, mas ela foi relegada e quase jogada do Mundo, por supostas execuções a meninos Squibs e Muggles, mas não teve provas para a condenar.
- Kingsley, rogar-te-ia que não te alteres – Albus levantava sua mão conciliadora – em vista que não chegamos a nenhum acordo; sugiro que a cada um tenham ou obtenha melhores ideias para a próxima reunião, porque esta conclui aqui.
- Sugiro que vigiemos aos cinco, em todo momento, talvez tenham missões diferentes e devemos estar prevenidos para tudo.
- Cinco Moody?
- Se, escutaste bem Snape, também não você ficasse fora de vigilância, não confio nada, nada em ti.
- Faz favor senhores a reunião terminou e não permito brigas entre nós, tanto fora como dentro, de modo que faz favor agora degustemos estes deliciosos pasteis que tão gentilmente preparou Molly.
Era óbvio que Dumbledore era o Chefe nato do grupo, com sua atitude tranquila, mas autoritária punha em paz a todos. Era óbvio também da mirada irada que dirigiu Harry a Moody quando "sugeriu" vigiar a Snape, mirada que só o Diretor notou e enquanto mordia um dos ditosos pasteis esboçou um sorriso em direção do mestre quem se tensou por um momento, esse sorrisinho não pressagiava nada bom.
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Quatro dias depois Voldemort voltava a convocar a seus cinco eleitos, os cinco apresentaram-se como lhes tinha ordenado, mas cuidaram de não se baixar a capucha pelo que seus olhos estavam parcialmente tampados.
- Tenho um plano por demais importante para vocês, mas antes deverão me demonstrar que são merecedores- Deixou seu lugar privilegiado encaminhando a seus servidores – Dignos servos meus.
Qualquer coisa que o Lord estivesse a planejar, precisava que fossem realmente fiéis a ele e a seu propósito.
- A cada uma de suas vidas pertence-me, são meus servos.
Fez um pequeno ademão com os dedos e o capuz dos cinco personagens deixaram ver em totalidade as facções de cada um deles, Voldemort recreou sua vista com o que se apresentava.
Todos singularmente belos, desde olhos de um formoso azul, se deteve em um íris de lânguido âmbar e outros tão negros que não pareciam verdadeiros; a suave pele variava desde os tons pêssegos até uma suavemente pálida, deteve sua examinadora mirada nesta, as cascatas de cabelo negrismo a contrastavam de forma irreal, os delgados lábios levemente vermelhos formavam uma perfeita boca; satisfeito se volteou para voltar a situar em sua cadeira.
Observou com deleite o conjunto que se mostrava ante seus olhos.
- Tenham presente que um servo não é maior que seu Senhor, recordem isto sempre –as palavras soaram com tal convicção que pareceria que sua intenção era marcar em suas mentes e corações
"Alguém recordaria essa frase de uma forma arrepiante por muito tempo"
Esteve outros quinze minutos sem dizer-lhes nada, só os observando.
- Podem retirar-se – ordenou.
Fizeram a acostumada reverência e desapareceram.
- Por sua expressão suponho que já elegeu.
Efetivamente o Lord passeava sua mão por seu pescoço e descia até seu peito, sempre evocando um misterioso sorriso.
- E posso-te assegurar que a eleição é por demais acertada minha querida Nagini.
- Quando levá-la-á a cabo?
- Muito cedo, quanto mais cedo tenha resultados, mais cedo estará em MIM, dominar todo, só esperarei o momento propício.
O intercâmbio de turbadoras frases entre Voldemort e Nagini terminou e retiraram-se por um longo corredor do segundo andar até chegar a uma ampla porta de madeira, as habitações privadas do Lord.
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- Nada, nada Albus, isto me está a inquietar a cada vez mais, não há ordem, não há castigo, não tenho a mínima ideia do que pretende.
- Calma, calma.
Ambos magos meditavam e discutiam a cerca da recente e misteriosa reunião, Snape estava particularmente contrariado, se sentava e levantava da cadeira, passeava pelo despacho do Diretor, depois se voltava a sentar e de volta a se levantar, não ter a mais mínima ideia do que o Lord queria o estava desquiciando, sempre tinha tido uma ligeira suspeita e sempre se aproximava muito à do Lord, mas desta vez, esta maldita vez não era assim.
- Vamos Severus deve se acalmar pensaremos destemidamente, verá que depois com mais calma acharemos uma resposta.
- Albus não posso simplesmente me acalmar… mas talvez tenha razão… acharemos a resposta cedo, mas estou mais que seguro que desta vez, deve ser algo maior, se está a tomar muito tempo para executar o que seja que esteja a planejar.
O Diretor mudou de repente a conversa, quase sempre fazia o mesmo, de modo que se adentraram em temas de menos importância.
N/A
O que será que o Lord esta planejando? E porque será que olhou daquele jeito para Severus?
Sinceramente não poderei lhe contar o segredo do que acontecerá no próximo capitulo, mas garanto que vão ficar de cabelos arrepiados!
ENTÃO ATÉ BREVE!
N/T
Neah me arrepiou total esse olhar enigmático que o Lord soltou para cima de Severus, o que será que ele pretende com tudo isso?
Então quero reviews!
Ate breve!
