CAP. 5: RECOLHENDO PEDAÇOS
Harry levantou-se sobressaltado, o suor em seu corpo formavam pequenas gotas, a cicatriz ardia, doía, mesmo assim não teve visões, segundo Dumbledore Voldemort bloqueou essa habilidade porque não era seguro para si mesmo, se ele visse o que Voldemort vê, poderia infiltrar-se uma informação importante, que o Lord tenha bloqueado as visões não necessariamente bloqueou a dor, pulsante e ardente como nenhum outro, apertou fortemente suas mãos na testa, mas a dor não diminuía, o Lord estava muito enojado ou muito feliz, só pensava, rogava para que Severus não fosse a causa; quão equivocado estava.
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A chuva era intensa no Vale de Godric, nas janelas das casas não alumiava nenhuma luz, já era muito tarde, os ramos das árvores se mexiam pelo vento que ainda que não era violento também não era só uma brisa, com o ruído característico do aparecimento Severus Snape se achava em frente ao cemitério desse povo, a água que caía encharcado de imediato ao escuro professor, mas ele não fez nada para se proteger, se proteger de que? Se já não se importava nada, seguia caminhando lentamente para seu objetivo, o aroma da terra húmida enchia o ambiente, mas ele não o percebia, se parou em frente a uma lápida martilhada, como desejava ser um ocupante mais desse campo, se deixou cair em seus joelhos como se todo seu ser lhe pesasse, alongou suas mãos à fria pedra seu silencioso pranto se confundia com a chuva.
- Sento-o – acariciava essa lápida com muito carinho, quase com reverência – sento-o… tanto – e uma nova onda de pesar traspassou-lhe – não sou capaz de seguir, não acho que possa seguir – Seguia soluçando, aí, no meio dos que já não estão entre nós – já não posso – e se derrubou completamente, não tratou de se conter, se sentia tão só, lhe doía tudo, lhe doía sobretudo a alma.
Passou muito tempo, não sabia exatamente quanto; alçou seu rosto e seus olhos se enfocaram na escritura, em sua mirada dolorosa distinguia-se uma leve determinação.
- Devo-te, verdade?... minha querida amiga… – lhe falava a essa pedra erguida, como se falasse à pessoa que representava lhe falava com palavras se entrecortavam.
Seus dedos surcavam delicadamente a inscrição do nome de quem jazia aí, deslizou seu índice pelo L, seguiu com a seguinte letra agregando o dedo médio, seguiu com a terça, demorou mais na quarta e última letra.
- Lily
Um raio cegador, e a silhueta do homem fincado junto a uma tumba acentuaram-se.
- Seguirei… seguirei por ti… não devo me render… não importa quanto me pese, seguirei… por minha culpa está aqui… farei o que seja porque minha falta seja isentada e sua morte tenha compensação.
Voltou a repassar com seus dedos o nome de sua amiga e pesadamente se ergueu, retrocedeu uns passos se volteou dirigindo à saída do campo, para voltar a desaparecer rumo a seu novo destino.
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Enquanto na Mansão, o Lord passeava-se pelas estantes do laboratório acompanhado como sempre de Nagini, o desfrute anterior lhe tinha merecido estar de bom humor e ir ao lugar onde frequentava Snape quando ficava na Mansão; inspecionando as misturas expostas tomou um em particular.
- WORMTAIL – tinha-lhe chamado
O homem apareceu com passo frequentemente e inclinou-se quase até tocar o solo quando se encontrou em frente a seu amo.
- Ordene meu Amo.
- Desde hoje estarás ao serviço de Snape.
- De… Snape?… mas meu Amo… – tentou negar-se, não gostava de estar baixo as ordens de ninguém mais que a de seu amo, mas calou quando sentiu a mirada de Voldemort.
- Me informará tudo o que suceda, quem o procuram, lhe falam, suas ausências, hábitos e qualquer evento por mais mínimo que seja e o quero ao instante.
- Sim, se meu Amo, mas… – engoliu dificultosamente – como farei para lhe dizer?
- Levará isso contigo, confio que saberá o utilizar – e fez cair a pequena garrafa, que tinha tomado anteriormente, Wormtail se apressou à resgatar antes que se estrelara com o solo.
- Eu assim farei… como você ordene meu amo.
- Marcha-te já
- Se meu Amo.
Já faz alguns minutos que Wormtail traspassou a porta.
Marchou-se rapidamente dirigindo aos andares inferiores, entrou a um sujo quarto onde se encontrava uma frágil cómoda, extraiu roupa puída a pôs em uma pequena mala e com muito cuidado pôs em cima a garrafa que lhe tinha sido confiada, continha uma líquido laranja, fechou a bagagem e se dispôs a sair. Dez minutos mais tarde chegou à Rua da residência de Snape, dirigiu-se molesto em direção a sua nova missão, não tinha luz nas janelas pelo que soube que não era esperado, toco a porta, ninguém lhe abriu, voltou à tocar com maior força, ninguém.
- (Seria um bom momento de avisar ao Amo que seu privilegiado não quer me atender).
Isso era uma boa ideia no raciocino do homem, mas se conteve de fazer, não vá ser que se descarregue com ele por não ter podido cumprir tão simples tarefa.
- (Seguramente terá saído)
Voltou a tocar e também não teve resposta, tratou de entrar empregando magia, mas a casa tinha várias barreiras que não conseguiu desencantar.
- (Deverei esperar? seguramente o Amo não lhe avisou de meu arribo, isto é um incomodo, a demais é uma má noite para a passar fosse)
Convocou uma manta desgastada, acomodou-se em um recanto do pátio esperando o regresso do dono de casa.
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Em frente à lareira de seu despacho o Diretor aguardava qualquer sinal de seu protegido, fazia mais de cinco horas que tinha partido, era normal que às vezes demorasse tanto, às vezes se viam só à manhã seguinte, mas algo dentro dele fazia que sua preocupação nesta ocasião seja maior, algo que ele não compreendia, cedo seria de madrugada, se autoconvencia que Severus apresentar-se-ia dentro de umas quantas horas e saúdar-lhe-ia dessa forma tão particular, comentariam sobre a ressente pesquisa e compartilhariam um chá ou rolos.
- (Será melhor descansar, devo estar de humor para recebê-lo)
Encaminhando a suas habitações deu uma última caricia a sua fénix, esperando poder conciliar o sonho, ainda que sabia que não consegui-lo-ia.
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Ainda era de noite, mas o amanhecer estava próximo, se aproximou a sua porta mas uma voz esganiçada o deteve quando a abriu.
- Snape! Por fim chega – o aludido olhou-o ausente – o Amo enviou-me, devo ficar-me contigo.
Severus traspassou a porta, mas deixo-a aberta, Peter seguiu-o, o dono do lugar acendeu alguns candelabros que alumiaram a sala, então o indesejável convidado caiu em conta que Snape trazia a roupa molhada e manchada de barro, mas não lhe deu nenhuma importância, lhe seguiu gradas acima, seguro mostrar-lhe-ia uma habitação; chegaram a uma segunda planta com cinco quartos no máximo, Snape deteve-se na do fundo e girou-se a seu horrível acompanhante.
- Elege o que queira – com isto fechou a porta.
- (Isto será um incomodo) – e se instalou junto a seus pertences no quarto contiguo do de Snape, deveria o vigiar e que melhor que estar o mais perto possível?
Severus parecia que levava a custas todo o peso do mundo, ainda com a roupa posta se encaminhou até o banho, abriu a ducha, deixou que a água quente lhe percorresse enquanto se desprendia de sua vestimenta com lentidão, algumas lágrimas voltaram e se fundiram com a água, apoiou suas mãos na parede enlocada, baixou a cabeça pensando, pensando, enquanto a água se levava os restos de sangue confundidos com as manchas de lodo.
- (Que dizer a Albus? seguro fará várias perguntas, demorei demasiado em regressar) – golpeou a parede com seu punho, a queimação das feridas recordaram-lhe o porque demorou.
- (Preparar uma poção, uma que o Senhor Escuro requeria de imediato) – se respondeu – (maldita seja) – outro golpe de punho – (me queria a mim, a mim, por que?) – um novo golpe – (por que a mim?).
Deslocou-se até ficar em joelhos com a água caindo, limpando o sangue seco, foi muito tempo? Talvez, mas "enfrentar o fato", isso faria; saiu da ducha secou-se, foi até um pequeno estante, extraiu várias garrafas cheias de poções e unguentos, dedicou-se a untar os cremes nas feridas para que não existisse nenhuma infecção, pôde ver que a magnitude delas era preocupante, ainda que as roupas que usava habitualmente lhe cobriam por completo sempre deixava ver parte de seu pescoço, esse lábio rompido também não passaria despercebido, em seu rosto ainda que não estava inflamado essas marcas violetas eram legíveis.
- (É patético, está feito pedaços) – disse-se olhando ao espelho de médio corpo.
Tomou-se três misturas, uma desapareceu por completo o vermelho de seus olhos, outra retardou a dor, a seguinte era um tranquilizante, seus nervos não aguentariam mais.
Com um feitiço simples as feridas desapareceram, não ver-se-iam, mas ainda estariam aí, deu um sopro e se tirou o feitiço, voltou a se dirigir ao estante e sacou um novo pote de creme.
- Albus, sempre sabe se levo ou não esse feitiço – passou o creme e as marcas se desvaneceram, demoraria como dois dias em desaparecer completamente mas isso era melhor que se submeter a incansáveis perguntas do velho Diretor.
Vestiu-se e baixo à sala, recolheu o livro e a copa que tinham caído a noite anterior, era de manhã e indubitavelmente em qualquer momento Albus apareceria pela lareira querendo saber os acontecimentos, então a acendeu, mal o fez, os lumes mudaram de cor e a cara do Diretor se distinguiu no médio.
- Bom dia Severus.
- Bom dia Dumbledore – desviou um pouco a mirada.
Esse saúdo alertou ao mago maior, soube que não podiam falar com tranquilidade, algo ou alguém lhes impedia, caso contrário a resposta de Snape tivesse contido seu nome, faz muito que o tinham disposto como uma espécie de contrassenha entre eles, mas também tinha lago mais, algo que o pocionista tratava de ocultar.
- Em que posso lhe servir? – não tinha contato visual.
- Perguntava-me se poderias passar-te por Hogwarts, se não tens outras ocupações, queria falar da segurança que instauraremos neste novo ano, de modo que queria arranjar os por menores com a cada Chefe de Casa.
- Passarei mais tarde, agora se me desculpas devo terminar certos assuntos – não tinha emoção em suas palavras, falava como um autômato.
- Então espero-te.
Os lumes tornaram-se normais, as calcadas provenientes detrás seu fez que se volteara, Wortmail baixou.
- Escutei tudo Snape, te irás encontrar com esse velho – mas Severus não lhe prestou a mais mínima importância.
- Diga-me… rata, qual é tua tarefa?
- Não se de que fala.
- A que te enviou o Lord?
- Devo vigiar-te – percebeu uma reticencia na resposta.
- Algo mais?
- (Maldição! Tenho que lhe dizer? Mas se não o faço poderia lhe dizer ao amo) Serei teu servente – as frases mal puderam se ouvir.
- Então vete a preparar o café da manhã… servente – tratou de ser prejudicial, mas não pôde o conseguir, mesmo assim esse homem o obedeceu se mostrando ofendido e fechou de uma vez a porta da cozinha.
O Lord mandou vigiar-lhe, era de supor que seus atos doravante seriam medidos.
- (Claro! Não quererá que me relacione com ninguém aparte dele) – se disse irónico – (Snape, está a cada vez pior, aceita o que te fez?) – Respondeu-se – (Não, só trato de não perder a sensatez).
Não teve vontade de tomar café, também não a apresentação do café da manhã ajudou para que pelo menos lhe abrisse o apetite, nem pensar em se sentar.
- Não entendo porque o Lord me enviou a alguém tão inútil, acho que mais que uma ajuda ser-me-ás um completo estorvo – lhe dirigiu uma mirada depreciativa, a terceira poção já fazia efeito no ânimo do professor – Melhor vou a Hogwarts.
Os tradicionais pós flu levaram-no desde sua casa direto ao despacho do Diretor, quem esperava-o desde já tempo; limpou-se de pequenos restos de cinzas à medida que saía por completo da lareira.
- Tenho a Wormtail como meu servente – lhe disse a modo de saúdo. - segundo ele, diz que o Senhor Escuro o enviou – continuou imediatamente.
- Entendo, então teremos mais cuidado, inventaremos assuntos do Colégio como coartadas para as reuniões, tudo estará bem.
Tudo estará bem, como desejava lhe escutar dizer isso, ainda que não se referia a sua situação em si, mas essas palavras lhe consolavam de uma forma que seu mentor não tinha ideia.
- Toma assento, um caramelo de limão? – estendeu-lhe o tigela com o agridoce conteúdo.
Muito poucas vezes aceitava os caramelos, esta era uma dessas vezes, mas declinou sua oferta para se sentar.
- Se não se importa Albus, prefiro retirar-me o quanto antes, não quero que "meu convidado" tenha motivos para suspeitas.
- Bem, então, se é tão amável – se acomodou em um cadeirão degustando ele mesmo um caramelo.
Contou-lhe o que planejou que dizer-lhe, não podia lhe dizer que já suspeitava porque Voldemort fez a seleção de cinco comensais, não podia lhe dizer que era ele, o desafortunado "eleito"; tinha meditado esse tema chegando a essa conclusão, às vezes odiava sua forma de raciocino que sempre estava bem encaminhado, o que não pôde se responder era o motivo oculto porque sempre tinha um, se ouviu convincente nas explicações para Dumbledore e restou importância ao facto de ter chegado muito tarde.
Uma vez que a figura de Severus desapareceu na lareira, o Diretor ficou estático, com a mirada perdida, recordando a cada atitude do que se fosse; aceito um doce, isso queria dizer que algo lhe preocupava, só em situações estressantes ocorria isso, em nenhum momento lhe sustentou a mirada mais ao invés tratava de esquiva-lo o mais que podia, seus movimentos eram pesados e cuidadosos, isso significava que tinha sofrido tortura e por isso chegou tarde, mas o motivo verdadeiro lhe estava ocultando.
- (Jamais dizer-lhe) – se tinha dito a si mesmo – (não toleraria essa mirada de lástima, ademais, que pode fazer ele; nada)
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Passou quase em uma semana, exatamente mal quatro dias e a convivência com Peter era pesada, tratava de não se encontrar no mesmo lugar ainda que às vezes lhe pedia uma que outra coisa para que não estivesse de vadio. As reuniões da Ordem também seguiam, sair a cada vez era mais difícil e agora regressava de uma delas, cabisbaixo, mas seu semblante luzia um pouco mais aliviado, enquanto se servia um café recordava o que ocorreu essa tarde.
Rememoração:
A Ordem em pleno encontrava-se em Grimmauld Place, alguns de seus membros estavam ao redor de uma mesa, outros parados ou se reclinavam em cadeiras enquanto como sempre, Dumbledore presidia; um pouco atrás e com essa permanente atitude tosca Severus Snape luzia imponente ainda apoiado em uma das paredes da sala, mas em seu rosto um deixo de miséria era captado só por duas miradas, uma azul e maior, a outra verde e fresca.
- Os ataques centram-se em populações menores, recruta inclusive a magos jovens já seja por adesão ou por ameaça – informava Charlie
- Acho que trata – mas corrigiu-se – não, asfixiará à comunidade mágica, tanto desde fora como nos círculos de maior importância – Minerva massageava sua têmpora – o pior é que a cada vez é mais cruel, não distingue se são Muggles ou não.
- E o Ministro Muggle também corre perigo, se eles começam a se perguntar a origem desses factos sobrenaturais, tarde ou cedo descobri-lo-ão e arremeterão conosco, contam com armas de destruição que podem rivalizar com os feitiços mais poderosos se nos deixamos surpreender, se sabe que desde tempos antigos têm medo à magia ou outros "fenómenos" segundo eles incompreensíveis e liquidam aos que a praticam ou os que o são.
- Remus tem razão – a voz acalmada de Albus fazia que os ânimos se apaziguassem um pouco – mas não podemos ir sempre que se inicie uma batalha; são feitos a esmo e não planeados, estou seguro, que trata de que os aurores e a Ordem vá para pouco a pouco terminar conosco, todos o sabemos e não podemos nos arriscar muito, pelo que designaremos a Kingsley como o guardião pessoal do Ministro Muggle.
- Que temos em matéria dos cinco comensais?
Alastor Moody girou a conversa, justo ao tema que Severus queria passar em alto, essa só pergunta lacerou suas recentes feridas, estavam perto um do outro pelo que suas miradas se encontraram rapidamente, ainda que esse olho mágico não pudesse ver os pensamentos, Severus se sentiu encurralado.
- Não há nada sobre isso, talvez o deixe assim – se apressou a contestar Severus um pouco molesto.
- Não é para que te molestes, ou é que talvez já te encarregou a ti a missão e não quer nos dizer?
Essas palavras sacaram-no de seu estado de alerta e infortúnio para levá-lo a um de defesa, o velho auror não tinha a mais mínima ideia do que estava a dizer, nem quão perto estava da verdade, isso o exasperou tanto que sem mais começou a lhe gritar.
- ACHO QUE MUDOU SEUS PLANOS, SÓ É ISSO.
- SEM MAIS?
- E POR QUE NÃO?
- PORQUE NADA PASSA SÓ PORQUE SIM, TUDO TEM UM MOTIVO E MAIS TRATANDO DESSA SERPENTE, DE MODO QUE NÃO ACHO QUE O TENHA ESQUECIDO, É MAIS PROVÁVEL QUE VOCÊ O ENCUBRA.
- DEIXA DE UMA VEZ DE SER TÃO PARANOICO, NEM TUDO SE REDUZ A VISÕES DENTRO UM B-A-U.
Moody arrojou-se para Severus, mas Remus sustentou lhe pelos ombros.
- BASTA! – uma voz retumbou em toda a sala – Alastor, já te disse em várias ocasiões que confio plenamente em Severus e isso deveria te bastar é mais – passou sua mirada por todos os presentes – deveria e deverá lhes bastar a todos.
- Não é necessário que me defendas Albus, posso perfeitamente…
- Basta também a ti Severus, não começará uma nova discussão, agora te senta.
Severus calou-se, mas não tomo assento, seu corpo ainda estava ressentido e não permitiria que ninguém o visse gesticular moléstia.
- Severus, pedi-te faz favor que tomasses assento.
- Não acho que minha posição, interfira com a reunião Albus, será melhor que prossiga – e se cruzou de braços.
- Fá-lo-ei se fazes o que te pedi.
- Não fá-lo-ei Albus
Ser mandado a sentar-se como se se tratasse ainda de um menino o exasperou e pior que lhe dissesse adiante de outros especialmente adiante de seus agora alunos, conservaria a acalma mas que não tentasse o mandar novamente.
- Senta-te – a gota que derramou o copo.
- NÃO – antes de sair completamente falou desde a porta – estarei na biblioteca se me precisam – fechou de um estrondo.
- Aí tens Albus, te reta e mesmo assim defende-lo?
Harry olhou com ressentimento a Alastor, talvez seja um grande auror, mas como pessoa não valia nem o saúdo, mas, por que Severus reagiria assim por algo tão trivial? Era verdadeiro que discussões desse tipo eram frequentes, mas as reações nunca chegavam a tal grau; trataria de conversar com Dumbledore e tentaria por todos os meios falar com Snape em pessoa.
- Bem, agora continuemos.
Ao dizer isso Dumbledore parecia não se ter inteirado de nada, mas em seu interior não entendia a reação de Severus, sempre fazia o que se lhe pedia nas reuniões, é mais sempre fazia o que ele lhe pedia, ainda que se mostrava ofendido mas agora se tinha marchado mais que molesto pelo simples facto de tomar assento, não saber como enfrentar isso lhe desesperava era como caminhar em trevas por um caminho muito estreito.
Na biblioteca dos Black o professor passeava-se entre os estantes, folheando alguns livros a esmo em espera a que Albus lhe informasse que a reunião terminava e podia se retirar ou ser chamado para mais questionamentos, como desejava se retirar daí o mais cedo possível, mas não lhe era possível, seus pensamentos se detiveram quando sentiu que alguém mais estava na habitação.
- A reunião terminou – essa voz não era a que esperava era uma voz jovem.
- Potter? – surpreendeu-se quando o reconheceu - agora é seu mensageiro?
- Não sou o mensageiro de ninguém, vim por minha conta.
- Presuntuoso como sempre Potter – todas as palavras tinham o mesmo conteúdo irónico.
O rapaz mexeu a cabeça em desaprovação, não deixaria que os prejudiciais comentários lhe afetassem vinha a lhe falar e não sairia sem o conseguir.
- Professor, posso falar com você um momento – muito bem era sua oportunidade para não se ver como um simples jovem.
- Que quer Potter? – Guardou o livro que estava a ler. – agora que a reunião terminou minha presença está por demais.
- Só me pergunto… - baixou a mirada, como odiava se sentir perdido quando falava com Snape.
- De que maneira me fazer perder o tempo?
- Faz favor, deixe-me falar.
- Escuto-o. – e cruzou os braços no peito.
- Eh… Quando Sirius morreu… fiz o que você me disse… este… querer seguir por algo, agora o faço por alguém, é melhor ter a alguém em específico a ter a muitos, dantes me desesperava, tinha medo, as vidas perdidas eram muitas, mas com uma só pessoa é mais singelo, me faz crer… não – negou novamente com a cabeça – uma pessoa é mais importante e a proteger é mais realizável.
- Interessante ponto de vista Potter, mas acho que eu não lhe disse isso.
- Talvez não, mas o compreendi desse modo, devo lhe dar obrigado por isso, recolhi meus pedaços e formei um objetivo com eles.
As últimas palavras do Menino-que-viveu lhe traspassaram por inteiro, ao igual que seu jovem interlocutor ele estava feito pedaços, ele estava desde faz tempo, mas desta vez se tinham esfregado inclusive com seus pedaços, meditou por um momento; ele também recolheria seus pedaços e formaria um objetivo com eles, não por alguém em especial, mas fá-lo-ia por uma lembrança, uma lembrança formosa. Ambos se olharam por um momento, os dois tão parecidos, destinados a ser peões de um jogo no que o destino de um mundo estava em suas mãos.
- Bom não sei o que passe com você, mas se em algo posso o ajudar conte sempre comigo, ainda que você me odeie e pensa que eu o odeio não é assim (é mais acho que o que sento é todo o contrário), bem, isso era todo o que queria lhe dizer.
Com passo inseguro voltou sobre seus mesmos passos para retirar-se, mas deteve-se ao escutar a Snape.
- Potter… deve vencer.
- Farei.
Marchou-se, mas dentro dele os pedaços de seu espírito se rearmariam, não deixar-se-ia abater, não fá-lo-ia.
Fim da rememoração.
- ONDE TENS ESTADO?
Essa horrível voz ratonil recebeu-lhe quando chegou, ele foi chamado à reunião tinha sido tão imprevista que não lhe disse onde saía, mas também não queria lhe dar partes a um indivíduo tão patético.
- Por que devo te dar explicações? Tão só é meu servente, você muito bem o disseste.
- Também disse que me mandou a te vigiar – então mostrou um sorriso de vingança – o Amo manda a dizer que hoje terá uma nova reunião – e seu sorriso se alargou mais.
- Presumo então que lhe disseste que eu não estava.
- Sim, disse-lhe, espera falar contigo disso seriamente.
O verme , começou a dar risadinhas de satisfação, se girou para subir a sua habitação deixando na sala a um professor perturbado.
- (Falar? espero que seja só isso)
Serviu-se uma copa de Whiskey, precisava algo forte, não pensaria nesse encontro até que sua marca lhe indicasse que era o momento.
- (Nem tudo pode ser tão singelo Potter, às vezes as coisas são mais complicadas).
Trataria de distrair-se o tempo que restasse analisando a cada palavra de Harry, talvez Albus tinha razão e o fedelho era melhor pessoa do que era seu pai.
Nota:
Hummmm aqui esta mais um capitulo espero que gostem!
Bem bora para os reviews?
Ate breve!
