CAP. 7: CULPABILIDADE
Finais de agosto e quase nada tinha mudado, a inimizade que surgiu por um momento entre os três residentes permanentes de Grimmauld Place se tinha evaporado, as insistentes desculpas de seus "amigos" convenceram o coração de Harry; precisamente essa noite Harry acordou pelas dores provenientes da cicatriz, tratando de acalmá-lo chamaram a Molly e a Madame Pomfrey para que os ajudassem, mas não foi possível que descansasse até quase passadas as seis da manhã.
Após esse episódio a amizade restaurou-se ainda que às vezes Harry voltava a sumir-se em autocompaixão, só uma pessoa não lhe ocultava nada, só ele lhe dizia sem trapaças desde seu funesto talento para as poções até a atitude de seu "santo" pai, só ele ocupava o maior tempo os pensamentos do jovem.
========&========
As cartas com os resultados das NOM, foi-lhes entregado, ainda que os dois jovens não o podiam crer, as notas eram melhores das que esperavam, mas uma não lhes agradou, a de poções, com essas qualificações nem pensar em classes de NIEM com Snape, isso era impossível, para o cúmulo também não teriam oportunidade em ser aurores; enquanto para Hermione, as notas não significavam nenhum impedimento para o que ela quisesse e, para Ron garantia um alívio porque se livraria de Snape, mas desfalcam-te se aspirava a ser um auror; para Harry era a pior notícia recebida até esse momento.
Sim, o menino-que-viveu, Harry, era quem lamentava mais ter sacado uma nota menor precisamente nessa matéria, não tinha a mais mínima esperança de cursa-lo nesse ano nem o seguinte, passava as noites entrelaçando os planos mais descabelados até os mais dosados antes de dormir, planos nos quais, de alguma forma chegaria a "conquistar" a seu professor, porque era um fato e, já o tinha aceitado, que Severus Snape era o companheiro eleito por seu coração, mas se não estava em suas classes. Como? Como poderia o fazer?
- Talvez pedindo uma ordem especial do Diretor, Claro! - Devia-lhe, mas muito pouco poderia fazer porque o dono da matéria não cairia em semelhante chantagem, já lhe imaginava dizendo:
— Devia estudar mais Potter, eu não aceito a ineptos e prepotentes estudantes, só porque vão ao Diretor a cada vez que falham miseravelmente nos exames.
Tudo estava perdido, o destino se debochava novamente dele, se fosse tão singelo como um toque de varinha para retificar suas notas, mas não, não era tão singelo.
===========&===========
Entre as horas de repasso de matérias que Hermione lhes impunha, seus pensamentos se afastavam em busca de uma solução para seu "grande" problema, foi em uma dessas horas quando a ruiva família se fez presente a pleno, uma manhã em que decidiram que levariam aos jovens incluída Giny a realizar suas compras para surtir-se dos materiais que utilizariam nesse ano.
Uma vez em Londres Muggle, mal traspassaram a parede movediça para o Beco Diagonal, os receberam quatro membros da Ordem, Lupin e Hagrid entre eles, os acompanhariam para sua segurança.
Os comentários borbulhavam a seu redor, ao princípio durante a caminhada as pessoas limitavam-se a passar murmurando, mas sua atrevimento foi acrescentando-se até voltar-se vozes alçadas para reconhecer-lhe às vezes como um futuro salvador e outros como uma ave de mal agouro, atitude que pouco a pouco também foi mermando.
- Não deixe que te afete, Harry, as pessoas precisam se desafogar de suas próprias inseguranças, e… pois ao te ver lhe é mais fácil se fazer seu objeto de descargo.
- Despreocupa-te Remus, já me acostumei de ser tratado dessa forma – lhe disse com um sorriso, a qual Lupin devolveu.
- E, como a passam os três?
- eh… bem
- Não me parece que esteja muito convencido, lamento muito não poder te ir visitar mais seguido, te acompanhar nem falar, em verdade o lamento.
- Não se desculpe Remus, com tal de saber a meu lado é suficiente.
- Harry. – e deteve-o diante a loja de livros. – tratarei de ser um melhor amigo, conta comigo para o que queira, entendeu? Para o que queira – lhe remarcou.
Tinha-lhe tomado pelos ombros com afeto fraternal e olhava-o diretamente aos olhos dando-lhe a entender que estava disposto ao ajudar em tudo, este gesto fez sorrir calidamente a Harry, agora Lupin representava antes de mais nada o mais parecido a um pai que teria no que lhe restasse de vida.
- Desculpe.
Um formoso jovem de não mais de vinte e cinco anos, de pele morena e cabelo castanho que sustentava três volumes de um livro forrado em verde saía da loja e se tropeçou com eles.
- Não acho que seja são se parar justo na entrada – lhe voltou a dizer.
- Perdoe-nos. – limitou-se a contestar Remus por ambos já que Harry se encontrava com os olhos muito abertos concentrando no ventre daquele homem, ainda que não muito grande era muito notório o que lhe passava, certamente agora sim, se confirmava essa particularidade dos magos quanto a poder ser gestantes.
- Deveria ter um pouco mais de educação, ficar olhando-me assim não é muito cortês – desta vez sua recriminação era só para Harry.
- Desculpe. – finalmente foi capaz de dizer algo coerente. – não foi descortesia, lhe asseguro, é mais me… me alegro por você, este… para quando o espera? é que não posso manter a boca fechada?
- Sendo assim, dentro de duas semanas, agora, se são tão amáveis deixem que passe. – ainda seu enojo era visível, mas tratou de ser amável.
- Claro! Que bem! Cala-te Harry e, sinto muito novamente – e dedicou-lhe um sorriso.
O futuro pai afastou-se, mas um pouco mais adiante encontrou-se com o que seguramente seria seu companheiro, que lhe recebeu com um beijo e lhe tirava os livros ao mesmo tempo que parecia que o recriminava, enquanto seus passos e suas ações foram seguidos pela mirada assombrada e pensativa de Harry, em soma, uma mirada totalmente enternecida que tratou de ocultar, mas que Lupin captou com rapidez.
– Bom, acho que este é um bom momento para… falar e que me aclares certas dúvidas – lhe disse ao licantropo fazendo que este se sobressaltara um pouco.
– Então vamos tomar-nos um chá em… naquela loja – pela expressão que pôs Harry durante todo o incidente Lupin intuía exatamente em que consistiria a conversa.
Harry aceitou o oferecimento, com verdadeira urgência porque as perguntas que formularia não seriam nada inocentes; disseram-lhes aos demais que iriam um momento ao estabelecimento em frente e, que os atingiriam na Loja de Madame Malkin dentro de uma hora.
Uma vez instalados em uma das mesas, acomodaram-se para uma sessão de perguntas e respostas.
- Remus…
- Harry?
Com chamar por seus nomes iniciou-se uma das conversas mais delicadas na vida de ambos magos, as perguntas se costuravam desde as mais inocentes até as mais atrevidas em onde Harry baixava a voz até a converter em um sussurro, em tanto Lupin tratava de manter-se sereno e dava melhores respostas em seu parecer, não achava que Harry ignorasse tantas coisas, se lamentou por não o ter o buscar desde que se inteirou que ingressava ao Mundo mágico, por que só até que seu rapaz cursara no terceiro ano? Era sem dúvida, o medo, ao mesmo medo que poderia provocar ao inteirar de sua condição licana e seu eterno comportamento indiferente para enfrentar às pessoas, também os recursos limitados que sempre lhe sumiam.
- Eu… este… Poderia ser um gestante?
A essa pergunta seguiu-lhe um breve silêncio de parte de Remus, talvez Harry se arriscaria a conceber uma inocente vida enquanto durava a guerra? E sobretudo Quem era seu companheiro? Realmente tinha descuidado ao rapaz e, isso lhe pesava.
- Sim, mas como Hermione já te contou requererias de um árduo tratamento com poções, que nem sempre funciona e, o mais importante de tudo: um companheiro – fez notar mais essa palavra – com quem…eh… bom… "fazê-lo" – e se aclarou a garganta – a demais de compartilhar a responsabilidade e a estabilidade mágica do bebê.
- Estabilidade?
- Sim, ainda que o novo ser porta desde sua concepção sua própria magia esta é instável, o melhor é ajudar com a magia dos pais para que não perca nenhuma de suas habilidades e não se converta em um squib, isso às vezes passa quando o gestante se encontra sozinho.
- Mas também não é imprescindível que estejam ambos verdade?
- Não, não o é mais é o melhor e o mais sensato – lhe olhou mais atento – Harry, terás muito tempo para pensar nisso depois, de modo que não cometas nenhuma loucura.
- Remus, despreocupa-te, não tenho companheiro.
E era verdade, deu-lhe um pequeno sorvo ao chá.
- Ademais, não me interessa ninguém nestes momentos.
Harry sim que mentia bem, de onde o tinha aprendido? A influência dos gêmeos Weasley estavam dando seus frutos.
- São perguntas, nada mais, quero saber mais de meu mundo Remus.
- Sim mais te conheço e quase estou seguro que não são só simples perguntas.
- Mas o são, só… só te pedi essa informação porque um dos primos de Ron está nesse estado e… bem… o ver aquele homem na livraria me recordou essa curiosidade.
- Espero que seja só isso Harry.
- E é.
E giraram a conversa a circunstâncias mais ligeiras; Remus não tinha a mais remota ideia de que Harry, o jovem em frente a ele, começava a maquinar certos planos, e que lhe viria muito bem estar nesses escassos dias de férias pesquisando em Grimmauld Place, especificamente na biblioteca da nobre Casa dos Black.
========&=========
Primeiro de Setembro e era sexta-feira, a viagem não foi muito diferente aos que realizaram nos anos anteriores, mas o fato de que as famílias de vários alunos decidiram suspender sua educação até que passasse o perigo e ter mal a quinze alunos novos de primeiro ano, mermava grandemente os ânimos, o trem estava demasiado calado, demasiado para ser um de estudantes, o Ministério resolveu designar a vários aurores ao cuidado dos mais desprotegidos tinham dito; agora se encontravam passeando entre os vagões, pendentes de qualquer fato suspeito.
Mais que nos dias de férias Harry estava realmente feliz, às vezes sua mirada se perdia por momentos e entrecerrava o olho como se estivesse fazendo uma lista mental e quando ao que parece por fim a completava, seu sorriso se alargava mais e brincava com suas mãos, desesperado por começar com seu "plano", porque era isso o que imaginava a sós, um plano que o sumiria em uma grande tristeza, ainda que ele ainda não o soubesse.
Chegaram como sempre na noite, desta vez os de primeiro ano não fizeram a acostumada rota do lago, nem viram ao Lula gigante os saudar. Mas como sempre McGonagall foi a encarregada de levar direto ao grande comedor, mas Hagrid terminava a fila, como outra forma mais de proteção; enquanto os futuros parceiros dos cursos superiores já se encontravam acomodados em seus respectivos lugares, em espera do termino de seleção e o princípio do banquete.
Desde que entrasse Harry, olhava sempre à mesa dos professores, era de estranhar que faltassem três lugares por ocupar, a do Diretor, seu amado professor e de outro maestro ou mestre que com segurança ocuparia a matéria de Defesa Contra as Artes Escuras, desde que entrasse ao Colégio a mesa dos professores sempre contava com a presença do Diretor.
Mas Dumbledore apareceu com seus ares característicos, um homem gordinho e velho também fazia sua entrada por trás do Diretor se sentando em uma das cadeiras vazias ao lado de Pomona, os dois juntos ocupariam tranquilamente o espaço de quatro pessoas, felizmente a mesa era muito longa, Harry esperou o negro aparecimento de seu professor, mas nada, ainda aguardava sua chegada até que o chapéu trazido pela subdiretora começou com "A História da Fundação de Hogwarts", a seleção foi quase instantânea, não tendo muitos principiantes esse ano muito poucos foram destinados à cada casa.
Dumbledore parou-se e começou seu acostumado discurso.
- Bem-vindos a…
O jovem de olhos verdes deixou de escutá-lo por completo, preocupava-lhe que Severus não tivesse assistido, sempre assistia, o Chefe da Casa Slytherin nunca tinha faltado, mas agora era diferente, talvez teria sido chamado e agora em vez de desfrutar o calor dessas paredes, estaria tenso em presença de Voldemort, isso era mais que seguro ou quiçá executava alguma encomenda para a Ordem, rogava que para a segunda opção seja a acertada.
- …matéria de poções as ditará um antigo professor que regressou e espera poder lhe dar neste ano: Horace Slughorn…
Foi quando pôs novamente toda sua atenção, entre os aplausos e vitorias dos alunos seus pensamentos só se dirigiam a Severus Snape não estaria em poções, não estava, isso queria dizer, não, quase lhe afirmava que já não era professor, esse só pensamento lhe encheu por completo de pesar, de seguro esse tal Slughorn era um professor bombom que deixava passar como broma qualquer tolice que fizessem os alunos, mas…
- … E nosso estimado Professor Snape, ainda que nestes momentos não se encontre presente, ditará a matéria de Defesa Contra as Artes Escuras…
Alguns múrmuros estupefatos de desaprovação percorreram as três mesas, a de Gryffindor não era a exceção, mas não para todos chegava a ser uma má notícia, para a mesa Slytherin era o momento de evocar aplausos elegantemente medidos.
– (SIM!, OH CÉUS SIM) – Harry Potter estava dentro um êxtase prazeroso, estampou sua cabeça na mesa, provocando um ruído seco – (tenho uma nota excelente nessa matéria) – e ainda após esse golpe tinha um sorriso – (ninguém poderá impedir que me apresente e lhe demonstre que não sou um total desastre) – seguia com a cabeça em cima da mesa e agora enterrada entre seus braços.
- Harry sentou-te tão mau a notícia? – era a pergunta de Hermione.
- (ESTA É A MELHOR NOTÍCIA DE MINHA VIDA! A MELHOR!) Perdoa?
- Bom, sei que o Professor Snape não é de teu agrado, mas acho que NÃO deverias receber a notícia assim, todos te estão olhando.
- Oh! – efetivamente o ruído de uma cabeça chocando era um chamado para curiosos – sinto muito não me dei conta, Hermione.
Tratou de repor-se e alisou seu uniforme, a modo de perder das miradas inquisidoras das que era objeto, dirigiu sua mirada a Rum, ainda que este não estava em condições melhores, um rictus de angústia total se alojava em seu rosto, era óbvio que a recente notícia era de sua agrado.
Seguiram escutando o que faltava das Boas-vindas, sempre misturada de advertências e agora se somava algumas mais ante o iminente perigo de Voldemort, mas Harry tinha mais em que pensar, que atender as explicações de Dumbledore, voltaria a seus "planos", e sobretudo um que lhe teria demasiado ocupado por vários dias.
O movimento de seus próximos colegas e, as conversas em alto dos alunos das demais casas quando apareceu a comida, lhe fez cair em conta que a noite quase terminava e seu ansiado professor não aparecia por nenhum lado.
- (Não poderei o ver hoje) Ron, me passarias o molho de mirtilo?
- Mas se está a seu lado.
- Perdoa, não o vi (talvez amanhã tenha sorte), obrigado.
A distraída atitude de Harry, provocou um assentimento para si de Hermione, as suspeitas que rondavam sua cabeça pouco a pouco se viam confirmadas e muito cedo as averiguaria em sua totalidade.
=========&==========
Quando Hogwarts quase ficava ao todo silencio outra mesa era desocupada em Londres, uma reunião tinha sido programada de improviso, Voldemort queria saber o avanço de seus propósitos e ante o regresso a classes em Hogwarts tinha "certos assuntos por se atender", alguns comensais tinham dado seu relatório de certas manobras realizadas ultimamente.
- Snape, Fenir, Macnair e Glébovich, fiquem-se.
Enquanto os demais se ausentavam os quatro se tensaram pelo repentino chamado de seu Escuro Maestro, entre eles, Snape era quem menos tinha em comum com os três restantes, mal o título de comensal os unia de algum modo.
Tanto Fenir um homem lobo sanguinário, Macnair um sujeito enorme e torpe que lhe fascinava as torturas brutais e sem "sutileza" e por último Glébovich conhecido amante do sádico, distavam muito do astuto professor.
- Após as maravilhosas notícias, são merecedores de minha distinção.
Disse-lhes e uma dúvida assaltou os pensamentos de Severus, ele não encaixava aí.
- Celebrem o que lhe venha em vontade, vocês me demonstraram hoje, o extraordinário que é a eliminação de sujos partidários contrários a minha causa. – tenho fez aparecer na mesa sendas garrafas de diferentes tamanhos.
Efetivamente, os três tinham-lhe dito umas horas dantes que eram os responsáveis pelo desaparecimento de grandes quantidades de Muggles em uma suposta "tormenta" nas praias de uma nação distante, estes eram só perdas insignificantes, porque seu objetivo era o desaparecimento de um grupo de Magos de alto rango, encarrego que o Lord não lhes tinha feito mas que lhe vinha a bem os resultados.
- Sabia que seríamos recompensados. – a rouca voz de Fenir se alçava em agradecimento, se serviu um tarro cheio de uma mistura dos estranhos licores – Pela causa do Senhor Escuro! – e alçou-a – Mestre da morte!
- Saúde! – contestaram os outros dois que já tinham seus respectivos tarros com as mesmas misturas.
Ante a efusiva mostra o Lord só sorriu de lado, para depois consertar na escura presença do pocionista.
- Agora, Snape me acompanha.
- Sim… meu Senhor – titubeou.
Um assentimento e o fato de que em sua alma se alojasse o torturante desconcerto da primeira vez, e a horrível humilhação da segunda lhe fizeram seguir mais por temor que por sua própria vontade.
De novo o corredor, logo a pequena sala, subir as escadas, o mesmo caminho, os membros inferiores de Snape recusaram-se a seguir à medida que avançavam por esse corredor conhecido, até que se deteve completamente.
- Não.
Uma suave negativa tinha saído de seus lábios, sem sequer propor-lhe.
- Não? – Voldemort voltou a seu convidado atrasado, agarrando de um dos braços, o obrigou a seguir, antes de entrar a esse recinto se lhe acercou ao ouvido para sussurrar-lhe – Devemos falar sobre de sua merecida nomeação como professor de Defesa, Severus – o sabia.
Voldemort abriu a porta desse recinto, não tinha nenhuma mudança, mal entraram o Lord voltou a se acercar para lhe fazer uma advertência.
– Pode tratar de resistir, te consentirei, mas que não volte a escutar nem um leve NÃO de seus lábios, não o faça e estará melhor, é mais te deixarei marchar se atinges abrir a porta – e a fechou atrás de si.
Então era um fato, voltaria a ser objeto dos desejos desmedidos de Voldemort, buscou com dissimulo sua varinha, desta vez não lhe tinha pedido, estava seguro de encontrar, mas a luz verdosa que emanava desde o teto lhe fez compreender que já não se achava em seu poder, e se dizia espião? Quando nem sequer tinha sentido o momento em que lhe tirasse.
– Um mais, tão só um NÃO mais e seus queridos colegas no salão virão a te desfrutar após terminar eu.
Umas risadas distantes estalaram nesse momento, como afirmando as ameaças, seguro o Lord cumpriria, de modo que fez o único que sua mente lhe ditou.
– (Não grites e tudo passará rápido, só trata de afastar sua mente daqui).
Em sua mente essas afirmações soavam com desespero, mas, recordou que lhe disse que consentiria sua resistência, e também lhe dava uma oportunidade, a aproveitaria, isso lhe deu valor para tentar por todos os meios possíveis escapar, ainda que sabia que essa ideia era irremediavelmente impossível, mas pelo menos atrasaria sua tortuosa sessão de sexo.
Afastou-se e tratou de invocar sua varinha, coisa que nem sequer tentou a primeira vez, esse delgado ramo que suporia alguma vantagem, não o conseguiu de seguro que a aura verde era uma espécie de mágico encerro.
- Quer ela? – Perguntou-lhe. – pois, toma.
E Voldemort desfez o feitiço prisioneiro, Severus convocou-a tão rápido e lançou-lhe o primeiro feitiço que se lhe veio à mente; o Lord só fechou os olhos, quando sentiu um desmaius suficientemente poderoso para pelo menos o deixar aturdido, mas Voldemort estava protegido de antemão e avançava com lentidão, feitiço atrás de feitiço saíam da varinha de Snape, mas desafortunadamente revoltavam mal chegando a escassos centímetros, ao que parece não faziam dano algum e a proximidade de Voldemort era mais desconcertante.
Mas o que Snape não intuíam era que sua "eleição" não era um simples capricho carnal, também contava com o que o mesmo Lord buscasse; alguém com poder similar ao seu, capaz de lhe enfrentar, ambos não se deram conta que a proteção cedia e um novo feitiço lançou a Voldemort até a parede a suas costas, isso realmente não lhe esperava.
Severus não perdeu tempo e convocou vários Crucius que foram diretos e certeiros ao Senhor Tenebroso, este se retorceu pelo efeito das maldições, mas por mais terríveis que fossem não emitiu nenhum gemido ao mesmo tempo em que se incorporava apoiado à parede; um raio diferente emergiu novamente de parte do pocionista.
- (Sectumsempra)
Mas o raio só chegou a roçar a pele dos que alguma vez fossem lábios abrindo uma finíssima cortadura de onde o sangue emanava, a mão de Voldemort se elevou para pressionar o lugar ferido mas sua mirada que era de assombro em primeiro lugar se perturbou a uma de satisfação e enojo, contrário ao que planejasse, optaria por utilizar a varinha que creu não precisaria.
Snape captou com rapidez o que o Lord pretendia, e convocou um candelabro que lançou rapidamente à mão de Voldemort tentando que soltasse sua varinha, isto o desconcertou, porque se preparou para outro feitiço similar ao anterior, mas não contou com que Snape, astuto como é, iria a esse truque, tratou da atingir mas se deteve quando escutou essa voz, com essas palavras.
- Avada Ked…
=========&=========
Banhado em suor, Harry removia-se em sua cama, aferrava fortemente as mantas que o cobriam, agora tinha certas imagens entre seus sonhos, olhos negros desesperados, suas mãos agora com finas escamas se pressionavam em seus lábios, a perda de sua varinha quando um objeto metálico se estrelava em sua mão, agora escutava pronunciar essas palavras às quais temia, essas palavras que o sacaram dos sonhos abruptamente, sentado em sua cama se tocava o peito, seu coração acelerado e a respiração entrecortada, uma visão de Voldemort, e as lágrimas correram em silêncio, porque estava seguro que quem convocava "essa maldição", era Snape.
==========&==========
Mas a Severus não lhe deu tempo a terminar a frase porque um halo de magia lhe lançou com tal força até estrela-lo à parede, o mesmo que tinha feito ele com Voldemort, e o raio verde que começava a se formar se desvaneceu, não, desapareceu rapidamente e a dor em suas costas lhe recordava sua falha.
Tão perto esteve de acabá-lo que não o cria, tão cerca de livrar de seu tormento, tão perto mais não conseguiu, pelo contrário voltava a distinguir a luz verde, sinal que agora já não contava com sua arma. Não se deu conta que Voldemort já recuperado se acercava a grandes passos até ele, estampado novamente na parede pelo empurre de Voldemort, lhe olhou atónito.
- Não… mais. – o ameaça perto a seu rosto. – Não… mais – lhe voltou a dizer
De novo, malditamente indefeso, achava-se em uma luta física desigual, porque para achar concentração nos feitiços sem contar com sua varinha, Voldemort não lhe dava o tempo suficiente, aprisionado contra a parede foi consente como era despojado de suas roupas, sempre com brutalidade, uma vez concluída essa sórdida tarefa um puxão para abaixo e ficava novamente a graça.
No frio chão, nu e sem que lhe ficasse valor começou a ser objeto de seu torturante sessão, apoiado em suas mãos e joelhos se sentiu invadido de uma só vez, de novo a mesma ardorosa dor, o mesmo agarre em seus quadris, as mesmas assustadoras frases que não entendia, as mesmas que acompanhavam esse desvario de empurres, esse frenético sair e entrar em seu corpo, já não queria o suportar, não podia, já não.
– Faz favor… basta… - e seus ombros encolheram-se tratando de reprimir o pranto, não lhe daria esse gosto, hoje não.
Mas isso só lhe assegurou que às agressões em sua intimidade fosse acompanhada por uma mordida na base do pescoço perto, bem perto à clavícula, o Lord após esvaziar seu semente no interior de Severus se separou como sempre com brusquidão.
– Acho que vai aprendendo, me pagará seu anterior desplante, não achará que ficará impune – lhe disse.
Mal Voldemort invocasse suas roupas para se cobrir, se encaminhou à porta de onde se volteou a ver a sua vítima, que tomava sua roupa tentando se vestir
– Não disse que te vestisse – lhe disse e abriu em sua totalidade a porta – GLÉBOVICH
– Você disse que… Que pretende?... eu lhe obedeci, lhe obedeci – lhe disse com desespero.
– Mas disseste "basta" e isso é também uma negativa.
Enquanto trocavam essas poucas frases, o que fosse chamado chegava até eles, com evidentes sinais de se encontrar totalmente ébrio, para então a mirada embaraçada de Snape não tinha par.
– Terá um presente adicional Glébovich, quero que o desfrute – e com um ademão de convite lhe mostrou a Snape, quem tratava de cobrir seu desnudez. – tens permissão de lhe fazer todo o que se te antoje, mas, recorda isto. – moveu seu dedo em uma negativa no rosto bêbado do comensal – não te permitirei que o penetre a não ser que eu te ordene entendido?
– Obrigado meu Lord – e o semblante de total ebriedade contrastava-se com uma de total lascívia
Quase correu para o corpo embrulhado de Severus, este paralisado não atino a dizer nem fazer nada.
– Faz tempo que tinha vontade disto – e afundou sua língua em um dos ouvidos, baixando pelo longo pescoço, infringiu outra marca perto à nova, suas mãos viajaram com atrocidade por todos lados tocando a cada centímetro de pele a seu alcance, se deteve no membro flácido tentou o tocando bruscamente em espera de alguma reação mas nada era como se se estivesse divertindo com uma marionete viva.
Ofuscado, Severus não reagia, com a respiração tão errática, só quando foi volteado com brusquidão ficando de costas a seu ébrio agressor, se deu conta que como brinquedo pessoal podia ser prestado a quem o Senhor Escuro quisesse; ódio, foi o sentimento que o transtroco por inteiro, ódio a essa guerra porque se não fosse por ela, ele não teria que estar passando por isso, ódio para Voldemort por ter desviado seus olhos nele, para Glébovich por ser um estúpido sadista, a Harry por não estar preparado ainda para lhe acabar, a Dumbledore por lhe pedir ser seu espião, mas mais que nada se odiava ele por ser um Ser tão malditamente miserável.
Já de joelhos, uma enorme mão nas costas o obrigava a se pôr de quatro, talvez enquanto se sumia em seus pensamentos Voldemort lhe tinha ordenado que Glébovich concluísse? suplicava para que Glébovich o deixasse, não recrearia a vista voyeur de Voldemort mais… sentiu um chorro muito quente golpear suas costas, suas súplicas se detiveram ao instante quando o cheiro ferroso invadiu rapidamente seu sensível olfato, o agarre em seus quadris cedeu após um convulsivo tic, o ruído de algo caindo e rodando no chão de madeira o superava por inteiro, outro ruído maior lhe seguiu, tinha certa ideia do que tinha sido mas não quis voltear, até que Voldemort sibilou tranquilamente.
– Disse-te que não o penetrasses.
Então teve o valor de ver a sua direita, o lugar de onde escutasse esse golpe, um corpo, que se abatia nos últimos reflexos de vida, um charco de sangue se estendia rapidamente, se ergueu ficando de joelhos, se abraçando a si mesmo e o chorro quente que o golpeasse escorregou por suas costas; para além, após ter rodado um trecho, encontrava-se a cabeça decepada de Glébovich.
Presente a várias torturas, das quais tinha sido partícipe em algumas delas, seus mais que ressentidos nervos não o prepararam para esta cena, morte por desobediência, uma macabra morte, em onde ele era o causante de certa maneira.
– Me desobedeceu, vê-lo Snape… vê-lo, se complacente e será longínquo no dia em que se preocupe por sua cabeça, RA! cabeça, compreende-lo Severus, RA! cabeça… vai-te antes que Dumbledore suspeite.
Voldemort saiu despreocupado do quarto, deixando ao professor atónito, culpado, incorporou-se, sua mente não lhe ordenava, seu corpo se movia, era um autômato, vestiu-se e tomou seu varinha com lentidão seus membros estavam entumecidos, desta vez não pela sábia do laço, senão porque sua coordenação já não estava com ele, passou ao lado do paciente corpo e o sentimento de total culpabilidade se alojou mais.
Seus passos guiaram-lhe até a única saída, pelo que deveu passar pelo salão onde dois magos vociferavam incoerências, abraçados o um ao outro, e onde Voldemort libava pequenos sorvos de um copo de cristal.
– Ah!... Snape… vêem!... E une-te a nós… Glébovich se foi… o muito bastardo… vêem!... Não o… veste?
– Snape deve ir-se e, seu colega foi-se já – Interveio Voldemort.
– (NUNCA REGRESSARÁ, ELE MORREU, ESTÁ MORTO!)
Mas por mais que lhes gritasse isso e, até lhes mostrasse o corpo, com segurança a eles não lhes afetaria no mais mínimo, melhor deixar em sua ignorância, que não saibam que são prescindíveis para Voldemort, melhor os deixar desfrutar um pouco até que chegado o momento se o Lord se cansava, morreriam nas mesmas mãos de quem agora honravam.
Como pôde chegou até os limites do Bosque Proibido um mal-estar geral se alojou em seu estômago, rememorou todo quanto tinha passado as últimas horas, até que o aroma de abundante sangue se voltou a apresentar, um passo, e ao mal-estar se somou uma dor nas têmporas, outro passo e estava dando sopro para que o ar entrasse em seus pulmões, após expulsar o conteúdo de seu estômago na erva, queria que o ar fresco lhe enchesse e se levasse os indícios de morte.
Depois de sobrepor-se das arcadas, enviar-se um feitiço alucinante a ele e a sua varinha, percorreu o caminho demasiado lento, era reconfortante estar nos domínios do Colégio, mas a luz no despacho de Albus lhe recordou que deveria soar frio e indiferente, como se nada tivesse mudado, mas, não tinha a segurança de manter essa postura por muito tempo.
=======&========
O que mais lhe preocupava era que reconheceu esses olhos, mas o que não queria aceitar que fosse o dono desses olhos quem tentasse pronunciar as últimas palavras, as novas pulsadas cederam da pouco, as misturas que lhe desse Madame Pomfrey lhe serviu para diminuir em parte a insistente dor da cicatriz, já não podendo conciliar o sono se levantou para ir até a janela, olhava o lago e o reflexo das estrelas o instavam a que dirigisse seus olhos ao firmamento, alheio à lenta figura que se acercava muito próximo do Castelo, nem sequer o tivesse notado a não ser pelo brilho inconfundível de um feitiço, seguro para abrir a porta a essas horas, rapidamente o reconheceu, o reconheceria em qualquer parte, sem lhe pensar saiu como um bólido levando consigo o mapa e se pondo a capa enquanto traspassava a porta; sua intenção, vê-lo, de longe, mas vê-lo nesse dia.
Correu sem nenhuma precaução, inclusive arriscou-se a seguir seu caminho enquanto uma das escalinatas da qual baixava seguia se movendo, felizmente ficou estática ao chegar ao final, onde empreendeu rápido em rota direta ao corredor principal, escondido depois de uma escultura mais por instinto que porque o precisasse, esperou a chegada de seu professor, tratando de normalizar sua respiração por tão agitada correria.
Não espero demasiado porque Snape apareceu, mas seus passos eram substituídas por lentos passos, lhe amassou o espírito, porque de seguro o tinham torturado, lhe seguiu com a mirada, e o autocontrole de não ir em sua ajuda se desvaneceu quando Severus se apoiou em outra estátua que enfeitava o corredor, correu enquanto guardava sua camada, o atingiu para sustentar de um braço, que rapidamente lhe retirou o professor.
– Não me toque – se surpreendeu ao ver a Potter junto a ele e que o visse nesse estado lhe fez sentir culpado por se saber descoberto vulnerável.
–Mas, acho que não passa bem.
–Você não é Monitor, e ainda que o fosse, não são horas permitidas para se encontrar fora de sua Sala comunal.
–Deve deixar que o ajude.
– Potter, desapareça de minha vista antes que tire pontos a sua casa sem sequer começar no primeiro dia de classes.
E ainda que nesses momentos quisesse gritar-lhe que se estava aí a essas horas era só por ele, que se arriscava a um castigo só por ele, não teve mais remédio que dizer um lânguido:
– Sinto muito…
E retirou-se cabisbaixo, para depois correr até sua sala.
Enquanto Severus encaminhava-se a seus aposentos, não se apresentaria nesse estado com Dumbledore, com segurança que Albus já estaria inteirado de sua presença e não esperaria até manhã para sua entrevista e qualquer atraso lhe poria em evidência.
Como desejava uma ducha, mas seria depois, em frente ao lavabo de branca porcelana afundou suas mãos na água para se lavar o rosto e refrescar-se um pouco antes de sua entrevista com Albus, se tomou uma poção fortificante inteiro para voltar a sair de seu recinto, chegou até a gárgula que já o esperava, tentou relaxar-se enquanto as escalinatas subiam, com pesar chegou até a porta, tocou e esta se abriu.
Agora Que lhe diria?... encontrou-se com Dumbledore que lhe olhava depois de seu escritório, mas não com o sorriso habitual de recebimento, tinha uma careta de preocupação quando lhe viu entrar, algo sucedia.
Nota:
Glébovich (Acho que pronuncia-se Glévovik) seu significado é "eleito dos deuses" acho que ao ser nomeado por Voldemort, também era como se um "deus" (sim, claro, um deus) também o estivesse elegendo
Hummmmmmmmmmmmmmmmmmmmm bora para os reviews?
Vejo vocês no próximo capituloo!
