CAP. 8: AO CAIR A TARDE

— Albus —olhou-o por embaixo desses amáveis olhos azuis, mas não diretamente, não poderia lhe sustentar a mirada, não agora.

— Rapaz. —e o cenho na mirada do idoso acentuou-se. —Demorou.

— Creio… que a ocasião o garantia (Vamos Snape, te controla)

E presenteou-lhe esse sorriso característica de autossuficiência, para ocultar o que realmente lhe passava, mas, todos os gestos que utilizasse para com todos caíam ante o escrutínio pormenorizado da gentil mirada, Albus conhecia todas as leves mudanças nos que para outros seriam os mesmos gestos, agora, como sempre suas suposições não lhe falhavam, pelo que se levantou para ir ao lado de seu pupilo.

— Que… te sucedeu? —perguntou-lhe enquanto caminhava.

— De que fala?

— Que te sucedeu?

Voltou a perguntar-lhe, ao mesmo tempo que tentava posar suas mãos nos ombros do Mago de negro, este se afastou coibido ante os atos de Dumbledore e baixou o rosto, se sentia tão sujo, culpado, ao igual que no passado quando pediu sua ajuda pela primeira vez. Dumbledore assustou-se.

— Faz favor, Albus não… não me toque.

E se volteou fazendo que suas longas túnicas se movessem perturbando o ar existente no despacho.

— Torturaram-te, verdade? —sua voz soou um pouco mais débil.

O ex pocionista fechou os olhos, mas Albus não lhe viu, nesses momentos desejou verdadeiramente que só tivesse sido uma tortura ordinária, mas não era, não o tinha sido e quiçá, ainda era só o começo, mas não declinaria, não agora que Draco se encontrava no Colégio, agora que dependia dele tantas coisas.

— Sim… portanto —apressou-se a completar. — espero que me deixe marchar cedo.

— Pomfrey poderia…

— Não, Albus, só venho a te dizer que…

Titubeou por um momento, sempre lhe dava informação de maneira fria e sem reticencias, mas agora este era um assunto delicado, continuou.

— É… Draco. —pausou, levantou levemente seu rosto . — o Senhor Escuro, encomendou-lhe uma tarefa, não muito grata por verdadeiro.

— Qual?

Seguiu-lhe em sua conversa, era inútil insistir a que fosse à enfermaria, não o aceitaria, como sempre se atenderia ele mesmo, lá no fundo das masmorras como um animal ferido, lamberia suas feridas e ele não estava convidado para lhe ajudar.

— Deve… te matar.

Soltou, esperou a reação de indignação, surpresa, enojo, todas as quais apareceram em um instante, para depois se apaziguar com um pesar, enquanto agradecia interiormente por se ter guardado essa informação, desde essa desagradável noite em que quase concretara o juramento, tivesse sido uma excelente forma de salvar a sua afilhado, mas não pôde, não lhe tinha dito nada, nem sequer mencionou a presença do rapaz na reunião do dia anterior a essa noite, seguro que o precisaria em uma situação assim, agora tinha chegado o momento.

— Malfoy? —Claramente tinha-lhe surpreendido. — é um jovem inocente, que ainda não tem manchado sua alma. –e voltou a uma postura de estratégia. – devemos fazer algo ao respeito, Severus.

— É verdadeiro… mas… —duvidou, e dirigiu seus dedos a sua testa, estava cansado, muito cansado.

— Falaremos depois, agora vá descansar. —lhe disse Albus ao o notar.

Retirou-se quase fugindo, temeroso de que seus nervos lhe jogassem uma má passada e terminasse lhe confessando tudo.

Nas masmorras, despojou-se de suas roupas e desapareceram quando as depositou no chão, com segurança faz dos elfos para depois lhe devolver limpas.

Na mosca, baixo a ducha morna, corriam linhas vermelhas, restos do sangue de um comensal, e o que antes era um crescente sentimento mistura de ódio e culpabilidade se foi afastando até só sentir a culpa carcomendo a alma, culpa de se saber a única causa da morte.

Enjugou seus ombros, os braços, seguiu por seu peito, tinha feridas em quase todos os lugares, se viam mais chegariam a sanar, mas existiam outras que ainda que não se mostravam jamais fechariam.

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Enquanto Harry se revolvia em sua liteira impossibilitado de dormir, Severus nem sequer permitiu-lhe que o tocasse, quando era evidente que se encontrava mau, talvez lhe era tão repelente? O fato era que Snape não precisava dele.

— Por que? que lhe passaria? estou seguro de que vi era a ele, quem mais poderia ter esses olhos? Talvez lhe obrigaram a invocar a maldição, talvez matou a alguém? talvez por isso se via assim?

Harry precisava saber que lhe passava exatamente, para tentar minguar a dor, como ansiava ser seu consolo, mas Snape não lhe deixava sequer lhe acercar, isso lhe doeu, mas agora passariam um longo tempo em classes, essa, era sua única esperança.

Essa noite Harry, ainda que cansado pela viagem, não dormiu, tinha muitas coisas nas quais pensar.

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Se recostou sobre seu lado esquerdo, tratou de conciliar o sono, mas as dores que o aquedavam eram constantes, desta vez Voldemort foi mais tosco em suas maneiras, e o remédio que tinha tomado não lhe estava fazendo efeito rapidamente, pelo que se levantou para ir por mais, não importava que a dose fosse maior, o único que queria era não sentir nada.

Buscou entre os vários frascos, mas não o encontrou, quando mais precisava desse calmante, suas reservas pessoais se tinham acabado, talvez poderia ir a sua casa, mas essa possibilidade além de lhe levar um tempo, se somava que Peter estaria aí, lhe perguntaria por sua presença, ainda recordava a expressão da cara ratonil quando lhe encontrou nesse "estado, a noite que fosse castigado", pelo que teve que lhe lançar um obliviate com tal furia que destroçou parte de seus livreiros, não, não iria.

Decidiu-se por chamar à enfermaria através da conexão flu; como sempre Madame Pomfrey, estava muito atenta a qualquer chamado ou ruído, de modo que lhe respondeu rapidamente.

— Boa noite Professor Snape, deseja algo? passou algo?

—Nada relevante perde cuidado. —e continuou com um pouco de receio. — Poppy, quisesse que me facilitasse uma garrafa de calmante muscular.

— Seria melhor que viesse a que te revise. —lhe olhou um pouco temerosa. — é para ti verdade?

Claro! Albus tinha que lhe dizer Se não o tens só me diz, assim não te molestarei mais.

Foi a resposta do Professor, não teria porque lhe dar explicações a ninguém, muito menos a ela, mas pelo bem de seus músculos precisava com urgência esse líquido pelo que permaneceu em espera de resposta, caso contrário se teria retirado rapidamente.

— Sempre tenho frascos extras, mas é por seu bem que deveria vir.

Severus fez caso omisso às palavras da enfermeira

— De modo que… não o tens, desculpa.

Feriu no orgulho da enfermeira ao voltar a recordar-lhe que talvez não contasse com o requerido, ela lhe deteve um pouco molesta.

— Espera não quis dizer isso. —desapareceu um momento. — Toma, mas a próxima vez deverás vir. —lhe entregou uma garrafa. — não te consentirei a próxima vez.

— Boa noite Poppy.

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As classes começaram na segunda-feira sem atrasos nem sobressaltos, já que o fim de semana e por ordem da Direção os Chefes de casa e os alunos lembraram tudo com respeito aos horários de cada estudante, algumas classes extras quem as quisessem, o habitual, a casa de Slytherin foi atendida pelo mesmo Diretor, já que segundo Dumbledore, o professor Snape ainda não se encontrava no Colégio, nada verdadeiro por suposto.

Harry viu seu horário, agora a matéria que mais importava como se encontrava a meia semana, nas quartas-feiras, após o almoço, passariam Defesa durante o resto da tarde, não poderia ser mais feliz, pelo fato de não ter que render as NOM nesse ano contava com mais tempo para dedicar a ele, ao que ele supunha muito importante.

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Passaram dias e, ao que parece Albus Dumbledore estava perdendo sua perspicácia, porque durante todos os interrogatórios subtis não tinha podido tirar nada ao ex pocionista, mal se conhecia o verdadeiro estado no que chegasse essa noite, informação por suposto, cortesia dos quadros, assim soube que Harry tinha sido o primeiro no encontrar, bom, pelo menos tinha um aliado com quem poder contar se se precisava, lhe alegrava o fato de que Harry, demonstrasse uma "preocupação verdadeira" para seu professor, isso era um bom indício, muito bom realmente.

Por outro lado, cuidava muito de perto a um dos estudantes, o jovem Malfoy poderia cometer erros em seu desespero por cumprir o mandato de Voldemort, inclusive poderia machucar a seus colegas, a ele mesmo. Citou a todos os professores para assim o manter sempre bem vigiado, até os fantasmas estariam pendentes do rapaz.

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As ausências injustificadas de Draco Malfoy a várias classes, permitiu que Severus o citasse, a seu parecer tinha posposto demasiado essa conversa, mas agora, se tinha apresentado uma desculpa perfeita, o encontrou perambulando no corredor do sétimo andar em vez de passar na sala de Encantamentos, lhe ordenou que se apresentasse.

— Senhor Malfoy, a meu despacho, hoje, após o jantar.

— Sim, Senhor. —disse-lhe com um tom ressentido, pelo qual Severus se surpreendeu um pouco.

Após cair a tarde e depois do jantar no despacho do maestro, apresentou-se Draco Malfoy com seus ares característicos, mas seus olhos não mentiam, estava triste. Concluído os saudos formais Severus começou a increpar lhe suas faltas a classes.

— Como chefe de sua casa é minha obrigação cuidar dos pupilos a meu cargo.

—Não está obrigado a nada, Senhor. —seu tom era defensivo. — também não era sua obrigação o cuidar e salvar a meu pai.

A turva resposta do jovem surpreendeu ao Chefe de Casa, de modo que Draco tinha verdadeiro ressentimento para ele, injustificada claro, mas compreendeu que agora que seu pai já não contava com um sitial privilegiado, lhe jogasse a culpa a ele, mas Por que? O jovem estava enceguecido pelos acontecimentos em sua família, não o deixavam racionar com mente fria.

Não fez comentário sobre a anterior resposta, mas requeria saber sobre as tentativas de sua afilhado, qualquer coisa que lhe dissesse lhe serviria.

— Deixemos-nos de rodeos, sei o que lhe pediu o Senhor Escuro.

Mas Draco não mudou seu tom, inclusive utilizou um deixo de sarcasmo.

— E… como? Que pretende fazer? Ser uma alma caritativa que me ajudará a cumprir minha tarefa?

Compreendia a seu afilhado, era um rapaz ainda, dois anos menor que ele mesmo quando se iniciava no grupo dos comensais, mas a essa idade já carregava com uma missão irrealizável; de modo que passou por alto o tom de voz que utilizava Draco nesses momentos.

— Só quero o orientar.

— Não, não se preocupe, sei muito bem a que me ater, NÃO O PRECISO, NÃO PRECISO NADA DE NINGUÉM, JÁ LHE DISSE AGORA…

Admitiria as palavras com sorna de loiro, mas já tinha bastante com o que lhe passava a ele mesmo, como para seguir ouvindo os desvairos do jovem, o interrompeu.

— DRACO!

— DRACO, NADA. —gritou, mas se compôs rapidamente. — se era isso tudo o que queria me dizer, então me retiro, p.r.o.f.e.s.s.o.r.

Disse a última palavra como se quisesse o ferir, em privado não lhe chamava assim, sempre tinha existido informalidade entre eles, mas agora a situação mudava radicalmente, se Malfoy não lhe contava nada do que pretendia fazer, como lhe ajudaria, para que nenhum dos dois implicados não resultasse torturado, ferido ou no pior dos casos morto?

Talvez não entendia, que sua situação era delicada, não compreendia o perigo no que se encontrava sobretudo quando o Lord o vigiava de perto, só queria o proteger e o jovenzinho se saía atropeladamente com arrogância, não o suportava, via em Draco um menino em um jogo demasiado cruel para qualquer um.

Com todo isso, o único que conseguiu fazer foi massagear sua testa com pequenos círculos, para depois limpar de uma só vez com o braço todo o conteúdo de sua mesa, outro assunto mais do qual se ocupar; Como restabelecer a confiança perdida?

O pior é que ainda seguia tomando parte nas reuniões que convocava o Lord, felizmente, não voltou a ser objeto das ânsias de Voldemort, mas não tinha em um dia do qual escapasse dos castigos infringidos nele, inclusive dentro do Colégio, sem motivo aparente sua marca começava a sangrar, ao que parece o Senhor Escuro lhe recordava absolutamente todos os dias a quem pertencia sua "lealdade", isto começava a perturbar a conduta do professor.

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Já tinham passado em vários dias, onde as primeiras classes de Defesa para sexto curso se caracterizaram por um comportamento estranho por parte do professor que as dava; na primeira nem sequer deu-lhes tempo de nada e foi direto às classes práticas, em onde vários estudantes resultaram feridos. Para Harry o que supôs lhe ia destacar nessas classes, como um bom duelista, ao ser ele, quem ensinasse a seus colegas em quinto, não era remotamente parecido ao que planejasse ou sonhasse que seria.

Enquanto a atitude distraída e os quase imperceptíveis mais seguidos suspiros de Harry terminaram por colmar a paciência de sua amiga, bom, se ele não o diria, então o obrigaria, na terceira quarta-feira de setembro, quando caía a tarde e após outra esgotadora classe de Defesa, ambos passeavam cerca do lago, Hermione convenceu a Ron que os elfos domésticos preparavam bastantes sobremesas para o jantar, mas, por alguma estranha razão se excederam em número e os bolos sobravam, de modo que Ron se foi direto às cozinhas, Harry foi detido com tão só uma mirada de sua amiga, sabia que essa treta era para ficar sozinhos. Hermione não perdeu o tempo e suas perguntas foram direto ao assunto em questão, obviamente surpreendendo a Harry.

— Diga-me Harry, poderia saber… de quem e, desde quando te apaixonaste?

Harry deteve-se e volteou sua cabeça com lentidão até fixar seus olhos nos de sua "confidente casual", mas não disse nada.

— Eu só quisesse te ajudar Harry, não o tome como se possa ser um estorvo.

— Obrigado Hermione, mas acho que não o entenderia. —moveu negativamente sua cabeça.

— Então, tenta explicar-me. —seu tom era maternal, compreensivo.

— É que nem sequer eu o entendo.

— Tenta. —não era uma ordem, mas era firme, de modo que Harry se resignou a lhe contar quase tudo, não sabia exatamente que chegaria a pensar sua amiga.

— às vezes parece que sim, o vejo tão claro, sei o que quero e me conheço, mas… quando falamos… tudo sai mau, não me encontro, não sou eu, não…

— Mas se você te esforçasse Harry, é de seguro que ELE te poria mais atenção.

— É que não é só isso… Um momento disse ELE? Como… sabe que…

— Primeiro Harry, analiso, como também analiso os estudos; segundo ainda que talvez não me creia, como mulher tenho um verdadeiro sexto sentido.

Harry sentia que era um pouco descuidado, porque de seguro que seu comportamento não tinha passado desapercebido para alguém como Hermione, mas e Ron? não, era de seguro que Ron não o notava

— E terceiro… nota-se a léguas.

Se antes sentia-se descuidado agora se sentia totalmente estúpido, talvez era tão evidente? Então, talvez Ron também teria suspeitas, e o pior, os demais? Seus colegas? Os professores? ELE? Talvez por isso o trato que recebia agora era mostra disso, porque Severus Snape, o professor que não perdia oportunidade de lhe jogar em cara suas deficiências, agora; às vezes ignorava-o, às vezes era o objeto de extenuantes demonstrações em defesa, às vezes até achou que lhe colaria.

—Bom, se não quer me dizer quem é, pelo menos quisesse que me tomasses em conta para poder te ajudar, tão só isso entendido?

—Entendido.

E começou a dizer-lhe absolutamente tudo o que se guardou até esse momento, não precisou lhe dizer o "quem", porque Hermione já se tinha encarregado de lhe o dizer.

—Harry, ainda que sei que seus sentimentos são formosos e sinceros, acho que o melhor será que só trate de te levar bem com ele; como professor e espião que é, talvez já se deu conta de suas intenções, mas ao ser ainda seu estudante… —Harry lhe deu uma mirada tão triste, que teve que sublinhar essa frase. — te repito ainda o é, mas dentro de um ano já não o será, terá o tempo suficiente como para poder te ganhar, de modo que deixa de me olhar assim.

O brilho na mirada verde voltou, não só Hermione aceitou seus sentimentos, também não pôs travas éticas de seu comportamento, só lhe apoiou e lhe convenceu que ainda nem tudo estava perdido, ainda lhe ficava quase dois anos inteiros, dois anos em onde poria tudo de sua parte para ser algo mais que um ex estudante na vida de Snape.

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Quarta-feira, quarta Classe de Defesa, os estudantes tanto de Gryffindor como de Slytherin tinham entrando ao salão como de costume, como sempre seu professor já os esperava, mal tiveram entrado lhes ditou teoricamente os feitiços e contra feitiços pertencentes a esse dia, passando depois ao horário de prática em onde por casualidades do destino Draco e Harry foram casal de duelo, ambos tinham dificuldade para o realizar; Draco, porque seus pensamentos encontravam-se maquinando outras coisas; Harry, porque por mais empenho que punha, os nervos lhe traíam a cada vez que seu professor se acercava para observar sua prática.

— Faz-se lhe tão difícil fazer tão simples feitiço Potter?

Aí ia de novo, agora o humilharia.

—Senhor, sinto muito, só que…

— TALVEZ NÃO PODE SUSTENTAR COM FORÇA A VARINHA?

Aferrou a mão que sustentava a varinha do rapaz, fazendo que este se cambaleara pela força exercida em seus braços pelo sacudida.

— E VOCÊ DRACO, POR QUE NÃO O BLOQUEIA, COMO LHE EXPLIQUEI?

Rápido encaminha-se para o loiro com o fim de fazer o mesmo com ele.

— MENINO MIMADO E TESTARUDO, TALVEZ NÃO O ENTENDE?

— Basta

Essa voz tão tortuosamente acalma; Dumbledore traspassava a porta do salão, tinha saído a dar uma das poucas caminhadas que se permitia para ir pelo corredor, quando os conhecidos gritos de Snape lhe chamaram a atenção.

—Basta Severus, acho que é hora do termino de suas classes.

— Ainda faltam quinze minutos Diretor, e eles não se irão até dominar esta técnica.

E dispôs-se a ignorá-lo para seguir com a "demonstração", mas Dumbledore notou de imediato que a paciência de Severus tinha chegado a seu fim, não exporia aos estudantes a ser objeto do desbocado caráter que agora Snape demonstrava que estava a ponto de desbordar.

— Não, agora eles se retirarão, a praticar por sua conta.

— NÃO, ESTA É MINHA CLASSE, NÃO PODE VIR À TERMINAR SÓ PORQUE SE TE ANTOJE ALBUS.

—Disse basta, podem retirar-se. —e os alunos retiraram-se quase correndo. — agora Severus você e eu teremos uma pequena conversa, mas antes preciso que se acalme.

— SE VAI CORTAR ASSIM MINHAS CLASSES É MELHOR QUE AS DÊ VOCÊ.

— ESPERA.

— ESPERA VOCÊ, MALDITO VELHO MANIPULADOR.

A grandes passos traspassou a sala e açoitou a porta quando saiu, deixando a Dumbledore completamente atordoado e totalmente seguro que tinha algo que seu rapaz lhe ocultava algo com o qual não podia lidar só, algo que ele descobriria porque estava seguro que se não o fazia terminaria por perder a Severus, era hora de ter uma conversa com Harry.

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Ajudado com a camada de invisibilidade e seu mapa, Harry evitava qualquer encontro desagradável com Filch, ainda que fosse descoberto agora contava com a segura intercessão do Diretor, já que ele mesmo lhe tinha dito em uma "conversa casual" que tinha notado que tratava de se levar melhor com o professor Snape e assim foi como lhe deu um "conselho" para poder lhe acercar melhor, claro, com a condição de lhe contar os pormenores desses encontros.

—Se quisesse, falar em privado com ele Harry deveria o esperar no segundo corredor que leva a sala de poções. —lhe sorriu. — acho que ainda tem laços com sua antiga matéria. —e o sorriso se fez mais aberta.

Seu objetivo centrava-se em chegar sem contratempos até as habitações do professor de Defesa, não conhecia o caminho, pelo que esperou a que Snape descesse do despacho do diretor, lugar onde indicava que se encontrava, não teve que esperar demasiado, pois a manchinha Snape se movia, não creu ter tanta sorte vinha em direção sua, não teria que correr para o atingir, uns minutos depois o vigiado apareceu, com seu clássico andar não se percebeu da vigilância que estava sendo objeto, escadas abaixo girava esquina depois de esquina, até chegar ao mesmo corredor onde se encontrava a sala de poções, se deteve na parede de frente e pronunciou umas palavras.

Escutou claramente a contrassenha, e a forma da florescer da varinha, uma porta apareceu e traspassou-a, esperou como uma hora, suficiente como para que Snape já estivesse dormido, Gryffindor como é, se acercou e fez exatamente o mesmo que seu professor, ante ele se vislumbraram os móveis e tapetes que enfeitavam a pequena sala, só uma porta entreaberta ao lado direito deixava traspassar a luz de velas em seu interior.

Acercou-se, mas o que viu lhe encheu rapidamente de tristeza e impotência.

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Ao dia seguinte, quando caía a tarde e se vislumbrava algumas estrelas, Albus Dumbledore tinha quase obrigado a seu Professor de Defesa que se apresentasse a seu despacho, tinham uma conversa pendente, Severus pensou que era sobre sua desastrosa atuação em classes de Defesa para Sexto, bom era melhor o enfrentar e até lhe pedir desculpas, com pesar chegou a se apresentar ante seu mentor, quantas vezes se apresentaria com essa sensação? Não sabia.

Albus pediu-lhe sentar-se juntos em um cadeirão mais longo, deixando de lado a mesa, então seria uma conversa de ordem "pessoal" pensou Severus, como odiava esse tipo de conversas.

—Faz um tempo disseste-me que me contaria qualquer coisa que te passasse mas não o faz.

—E que te faz supor que te escondo algo?

—Já te disse Severus te conheço bem e o desplante de ontem sei que tem seu motivo… oculto

—Supunha-me, não suportaste que alguém te negasse algo, talvez sempre espera que se faça sua vontade, acha que desfrutei que me humilhasse adiante dos estúpidos estudantes?

A cara de Dumbledore tornou-se um pouco agoniada,

— Não é isso, só… —mas lhe interrompeu.

—Também recorda Albus que sou humano e não pode me conhecer totalmente, ninguém pode.

—Cri…

Bom, a conversa estava-se desviando, tinha que mudar de táctica.

—Agora mesmo me dirá. —era algo parecido a uma ordem.

Deteve-se um momento porque seu rapaz olhava-o desafiante.

—Por favor —e remarcou o último. —quando e como te fez isso.

Com um passe da idosa mão a jaqueta e camisa de Severus abriu-se deixando entrever a marca de uma horrível mordida acima, bem perto de sua aureola esquerda; Snape sentiu-se doído, porque sem pedir-lhe permissão via-se exposto, pôs-se de pé e começou a gritar-lhe.

—EU NÃO TENHO PORQUE TE DIZER NADA, VOCÊ NÃO TEM DIREITO DE SABER, EU NÃO TENHO PORQUE TE OBEDECER, ME CRÊ EM SUAS TRETAS POR AVERIGUAR E SABER TUDO NÃO DIFIERE MUITO DO SENHOR ESCURO.

Esses gritos não estavam dirigidos expressamente a Albus.

— DEIXA-ME A MIM, RESOLVER ISTO, ME DEIXA E TE CONFORMA COM O QUE TE DIGO, NÃO TEM POR QUE MORTIFICARME MAIS.

Voldemort era o verdadeiro objeto de seus impropérios contidos, mas não podendo o fazer, se umbrage com o primeiro que lhe fez perder a calma.

Talvez Albus não lhe merecia, mas Severus estava à beira de perder a compostura, o que achou que poderia manejar se estava saindo de suas mãos e o estava consumindo lentamente.

A intenção de pedir desculpas foi-se, arranjou suas roupas e foi-se uma vez mais açoitando as portas do despacho, não se deu conta que tinha os olhos úmidos até que chegou ao final da escada de caracol custodiada pela estátua da Fénix, se amaldiçoou, por ser débil, se amaldiçoou por não ter podido desfazer dessa marca, nem nenhuma das outras que escondia, porque sempre tinha uma nova da qual se ocupar quase todas as noites.

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Após a discussão com Albus, mesma que saiu de sua subconsciente; propôs-se encontrar a solução por si mesmo, de modo que se decidiu por rememorar todas as situações vividas, para se formar uma ideia do que sucedia e o porque sucedia.

Desde o princípio negava-se a aceitá-lo, mas devia enfrentá-lo, saber a que se ateia, se sentou no cadeirão de seu despacho em frente a mesa, tomou pergaminho e pluma, escreveria os acontecimentos e as suposições que se fizesse enquanto avançasse.

Acho que tudo começa após se enfrentar a Potter no Ministério, também não nessa ocasião o derrotou, fedelho com sorte —Quase sorri. — Ah! Esse é outro que atua estranho, se não soubesse que me considera odioso, até diria que…

Negou levemente com a cabeça, esses pensamentos seriam para outra ocasião.

— Mas, devo supor que foi após que saísse de sua biblioteca, quando dizem que estava "alegre"; então o que tenha estado buscando o encontrou.

Fez guiãos com seus pensamentos, fechou os olhos com o próximo pensamento.

— A eleição Por que eu, não tenho a menor ideia. Que sabe, que pretende?

Golpeou a pluma contra a mesa, fazendo uma grande mancha de tinta, enquanto seguia.

— Existem melhores candidatos se buscasse dons físicos, procriação? estou seguro que não é isso porque eu deveria estar tomando vários frascos ao dia, não, não o é, ademais não me deixaria voltar aqui.

Deixou a pluma no tinteiro, uma pluma arruinada não lhe servia.

— Peter, Peter essa rata devia vigiar-me, por que?

Passou seus dedos por seu cabelo em um gesto desesperado

— não encaixa, não o faz.

Parou-se e começou a passear em seu despacho, relendo uma vez mais esse pergaminho

— Todos Os membros da ordem concordaram que o fator comum entre os cinco escolhidos era o nível mágico, pelo visto o Lord precisa que essa particularidade seja a definitiva.

Era terrível recordá-lo, mas devia fazê-lo.

Essas frases, não eram só a esmo, não, porque se fossem só palavras do momento, também as tivesse dito a segunda vez. —e estrujo o pergaminho. — a terceira vez, se repetiu, as mesmas palavras.

Tinha-o escutado falar em parsel em outras ocasiões e os tons eram iguais.

— Está claro, era parsel, mas… fazendo que, a terceira vez voltou a utilizá-las, é um feitiço.

Não tinha captado nada em concreto, mas a tonalidade era a mesma, nem uma frase lhe tinha ficado em suas lembranças, tratava de esquecer isso, mas agora precisava com vehemencia saber o que diziam, seguro que aí, se encontrava a resposta.

— Toma-me, mas não é para procriar nada.
—um calafrio percorreu sua coluna, tão só se propor essa possibilidade, mas, agora o que ficava era pior.

Se recostou na porta, vendo todos seus pertences, sem as ver concretamente.

— Um feitiço enquanto faz "isso". Demônios! tudo isto está me destruindo, destrói meu espírito… e só ficará meu corpo e magia desbordando-se…

E caiu em conta, foi como abrir uma porta à resposta, que supôs era verdadeira.

— Espírito, o feitiço pode talvez roubar meu espírito… não, minha alma, roubará minha alma, o seu está incompleto, claro, agora o precisa em sua integridade.

Passou novamente ambas mãos por seu cabelo.

— Isso é, nesses momentos estou vulnerável, ainda não o consegue por completo por isso é que o faz ou o fará em mais ocasiões
. —amassou o pergaminho agora com ambas mãos. — busca uma alma poderosa, e quer a minha.

Acercou-se com lentidão à lareira, acendendo o fogo.

— Como parar? Porque não posso deixar o papel de espião, agora muito menos, a vida de Draco… qualquer coisa para poder o ajudar.

Desfez o pergaminho em vários troços, já não o precisava.

— Uma poção para a fortaleza mágica, a elaboração levará muito tempo, mas é o único que poderia ajudar pelo momento até que encontre uma melhor opção.

Com a esperança de que não o chamasse dantes de que esteja terminada por completo, suspirou com alívio, já tinha a mente um pouco mais clara, arrojou ao fogo o pergaminho desfeito entre suas mãos, viu como se consumia, já não precisaria suas anotações. Sabia o que tinha que fazer.

Nota tradutor:

Mais um capitulo!

Vejo vocês no reviews, se bem que ninguém esta comentando, tristeza, mas enfim, mas um capitulo na área!

Vejo vocês em breve no próximo capitulo!

Ate breve…