CAP. 9: CONTA-ME

Quando começava no último dia de setembro, Severus Snape, estava demasiado concentrado em conseguir os raríssimos ingredientes para a elaboração da poção que lhe ajudaria a ganhar um pouco de tempo enquanto buscava algo definitivo contra seu agressor.

Enquanto, outras foram as atividades do trio de ouro, uma das quais deviam resolver em seguida se não queriam perder a amizade com um de suas melhores e "maiores" amigos.

Nesse ano também não tomaram Cuidado de Criaturas Mágicas, ainda que estimavam demasiado a seu semigigante amigo, não viram conveniente tomar suas classes para poder abocar-se mais a outras matérias, a forma de ditar as classes que tinha Hagrid também foi uma razão mais que suficiente para os fazer desistir.

Após que a primeira classe de Sexto para essa matéria passasse e, ao não os encontrar inscritos, Hagrid os evadia sempre que podia e, sempre que podiam os três jovens tratavam de entravar uma conversa, não chegando jamais ao realizar.

Foi certa tarde que, como sempre sem permissão e a desoras, os três se aventuraram para "encurrala-lo", enquanto Hagrid voltava de sua rodada pelos limites do Bosque Proibido aproveitaram que Fang lhes tivesse reconhecido para escapulir-se dentro da cabana, estar ocultos baixo a camada já não era do todo cômodo e caminhar muitíssimo menos, o comprovaram quando saíram do Castelo, felizmente escurecia e seus pés não eram uma parte que se visse com facilidade.

O Guarda-bosques entrou a seu singular lar, deixou no chão umas quatro ou cinco aves mortas, seguro para que sirvam de alimento a algum de seus temíveis e raros amigos, pendurou sua besta em uma parede, se dirigiu à mesa e fez chirriar a cadeira enquanto se sentava.

— Saiam daí —disse-lhes com sua voz torpe.

E lentamente a capa protetora deslizou-se pelos rostos culpados dos jovens descobertos.

— Como sabia?

— Quem eram… Senhorita Granger? —utilizou seu sobrenome, Hermione sentiu-se doída, nunca antes a tinha tratado tão friamente, mas mesmo assim lhe respondeu.

— Sim.

— Não sabia quem eram com exatidão, mas Fang não me saúdou como costuma, também não se mostrou inquieto, pelo que supus eram… (Amigos) —Quis dizer— não eram perigosos —se corrigiu— Agora, se marchem logo daqui não devem… nem querer estar aqui.

— Como pode dizer isso? Harry, Ron e eu SIM queremos estar aqui.

— Não o creio.

Hagrid talvez pensou que começariam a dar desculpas, muitas razões falsas e verdadeiras por não ter cursado sua matéria também nesse ano, Hermione o único que fez foi o abraçar com todas suas forças, enquanto não fazia esforço algum por conter suas lágrimas.

— Não volte a se dirigir por meu sobrenome Hagrid—lhe pediu no meio de seus soluços, os quais enterneceram ao enorme homem, que ao final lhe devolveu a mesma efetividade em um abraço correspondido.

Aclarados todos o mau entendidos as visitas a Hagrid se reiniciaram desde esse momento, a cada vez que podiam, passavam um tempo juntos ou em forma separada, por ordem de Hermione de vez em quando faziam perguntas de animais mágicos, para que visse que seu interesse por eles não tinha acabado.

Uma dessas tardes, quase cinco dias passados de outubro, Harry terminou de ajudar na alimentação dos threstals, estava sentado à mesa em espera do típico chá de seu anfitrião.

— Harry ocorre-te algo?

Hagrid decidiu perguntar, porque por mais de uma ocasião o animal teve que tirar da mesma mão de Harry a comida porque este ficava estático pensando e suspirando, algo lhe passava.

— A mim?

— Sim. —e pôs adiante de seu jovem amigo uma dessas enormes canecas.

— Nada… não se preocupe. Obrigado

— Tenho estado muitos anos aqui Harry, tenho visto a muitíssimos estudantes como para me dar conta que algo lhe preocupa, te conheço e você tem algo —e se sentou ao lado de Harry se servindo ele mesmo outra caneca de chá— quer me contar?

Precisava um confidente, aparte de Hermione, que conhecesse um pouco mais de perto a SEU professor, precisava alguém com quem compartilhar seu segredo, e que lhe dissesse coisas que tanto ele como Hermione desconheciam, Hagrid não era o melhor nesses casos, mas agora estavam sozinhos, amanhã era sábado e não tinha classes, ademais as saídas a Hogsmeade ainda não eram permitidas, se resignou e aceitou, desta vez precisava esvaziar seu coração e seus pensamentos em alguém mais, tomou um sorvo desse chá.

— Hagrid… —se aclarou a garganta. — como sabe que está apaixonado? (Não acho que lhe tenha dito!)

— RA! Sabia que era algo assim, eu sabia, eu sabia rapaz.

Essa efusiva resposta o relaxou um pouco, a atitude do guarda-bosque era muito melhor do que tinha imaginado.

— Felicidades rapaz, felicidades —deu-lhe uns golpes nas costas que quase o incrustaram na mesa. — o amor… o amor, Harry —e seus pequenos olhos se perderam por instante em seus pensamentos. — o amor é o melhor de tudo no mundo! —derramou um pouco de chá no chão quando alçou os braços em forma desmedida.

— Também é o mais… frustrante.

— Por que diz isso Harry? Talvez não te corresponde? —Olhou-lhe alçando suas povoadas sobrancelhas. —não posso achar que alguma garota não se fixasse em ti, é impossível!

— Hagrid… (acho que não tem ideia)

— Oh!, espera… é Hermione?, porque se é ela, Harry te direi que está perdendo o tempo… ela e Ron…

— Não, não é ela (Sim, não tem ideia) —lhe respondeu rapidamente, pensar em Hermione de outra forma que não fosse sua irmã, não lhe cabia na cabeça.

— Então?

Harry alçou sua vista até encontrar seus olhos com os do semi gigante, em uma inocente desculpa.

— Um momento… eh… não me dirá que é um… ELE? (Vá! Com os gostos de Harry)

Um leve sim com a cabeça e um vermelho intenso nas bochechas confirmaram a resposta a essa pergunta.

— Bom, então não muda em nada minha pergunta anterior, talvez não te corresponde?

—Algo assim, é bem mais complicado que isso sabe? (e mais se é seu professor, maior que eu, ex Mortífago, protegido de Dumbledore e um espião na contramão de Voldemort!)

—Não pode ser tanto Harry, quem, te conhecendo poderia te recusar?

—Ele… ainda que não me tenha recusado (porque jamais lhe direi)… nunca poderia chegar a me querer… ele me ODEIA – Se levantou de um empurrão para começar rodear a mesa – (me odiou desde que cheguei aqui)

Hagrid perdeu-se em seus pensamentos por um momento, para depois deixar aparecer um brilho parecido ao de Dumbledore em seus olhos.

— Ah, vamos Harry! Draco poderá ser um menino incordiante, mas não te odeia.

—Não é… Draco?… (Que lhe faz pensar que poderia ser ele) Ainda que com ele teria mais oportunidade —e se pôs de lado do enorme homem descansando ambas mãos em um só ombro— Hagrid (Como lhe digo?) é que realmente me odeia.

— (Quem poderia ser; Snape? hehehe) Então quem?

— (me arrependerei, me arrependerei) O professor Snape —lhe soltou de empurrão e fechou suas mãos pegando a pele do gigante saco entre eles.

—Ah, mas ele também não te odeia rapaz, ele só… QUE!

Agora sim, a informação estava processada, o extremo esquerdo de seus lábios se elevou, fazendo que os pelos de seu rosto também se alçassem, seus olhos tomavam um brilho aquoso, Harry se alarmou porque pensou que era uma resposta fisionômica mais que reprobatória, porque Hagrid, definitivamente tinha o rosto idiotizado e choroso.

— Está decepcionado Hagrid? —disse-lhe com timidez

— Oh! Meu querido menino, não é decepção —se limpou as lágrimas com a manga de seu casco de pele— é que eu te levei em meus braços quando perdeu a seus pais era um bebê, e… bom, pois… quando ingressou a Hogwarts era um menino de onze anos —voltou a se limpar as lágrimas soluçou e continuou— agora, me confessa seus sentimentos e me dou conta que já cresceu.

Dito isto o semi gigante lhe obsequiou um sorriso muito grande, seus pequenos olhos brilhavam de felicidade e lhe palmeou em seus ombros quase lhe fazendo perder o equilíbrio.

—Conta comigo— lhe disse em tom de cumplicidade, levantando o polegar bem perto ao rosto de Harry. —Mas isso sim, me promete que se te atreve a propor o que sente, o faça depois que saia do Colégio.

—Eh… poderia pedir-te um favor?... —decidiu ignorar essa petição, com sorte Hagrid não se daria conta e não lhe deveria uma promessa.

— Claro Harry! O que queira.

—Bom… quisesse que, o que te contei seja um segredo e o guarde.

—Sim, conta com isso, conta com isso.

— (Como quisesse crer isso, acho que me precipitei ao lhe dizer,) Agora me conta um pouco como é Sev… o professor Snape enquanto não dá classes.

Realmente a atitude de Hagrid levou ao rapaz de olhos verdes estar mais animado durante os seguintes minutos em onde o tema de conversa era a escura personagem.

Animado pela tarde que tinha passado, essa noite como tantas outras noites fizesse, tratou de esperar nesse corredor, mas como o objeto de seus desejos ainda parecia fazer uma rodada noturna, se arriscou a passar ao recinto do maestro para o esperar, não se percebeu que Snape alertado pelo interrogatório anterior de Dumbledore convocou um feitiço, simples mas efetivo para qualquer que ousasse internar em seus aposentos privados, porque somente assim pôde saber Albus dessa marca em particular, mesmo enfeitiço que o jovem sentiu após dar vários passos pela pequena sala, sentiu um pequeno formiguejo em seus pés, quando enfocou sua vista já seus sapatos e a parte baixo os joelhos de suas calças tinha um fosforescente cor verde.

=======&=======

A varinha de Snape vibrou alertando a seu dono, pois sua armadilha tinha caçado a alguém, deixou de imediato de inspecionar uma das aulas vazias, traspassou quase correndo o corredor, não que sua vítima pudesse escapar, mas seria uma boa forma de se desafogar em quem fosse, o metiche já o conheceria.

Quando abriu a porta de sua escura morada se guiou pelas impressões luminosas deixadas no chão, as seguiu até que se perderam no meio de sua sala, sua irritação se elevou ao compreender que só uma pessoa podia desaparecer dessa maneira, ainda que exatamente não era desaparecimento, era, melhor dito um esconderijo, esticou sua mão para a nada, mas seus dedos tocaram uma fina teia, a puxou de uma só vez lhe arrebatou.

Um negro cabelo desordenado, a mirada verde mais desconcertada que tinha visto jamais o olhavam por trás de uns óculos redondos, um corpo delgado e frágil infundado no uniforme de estudante pertencente a Gryffindor, fazia intermitentes movimentos curtos, era evidente que tremia, foi a imagem que se alçou ante os olhos de irises negras.

—Potter —sibilou.

—…Perdão… —sussurrou, para depois baixar a cabeça.

Não podia correr, porque desde que se desse conta da cor que tinha adquirido seus membros inferiores o tentou, mas para sua desgraça mantinha os pés fixos no solo como se alguém os tivesse colado; mas, agora que o dono da habitação lhe descobriu parecia que voltava a ser dono de suas extremidades, mais agora era o pânico o que não lhe deixava marchar.

—Será e.x.p.u.l.s.o.

—Não… senhor… por favor.

Harry levantou a cabeça, e seus olhos viam-se opacados por lágrimas contidas, mas Snape não lhe prestou importância a esses olhos, se tão só se tivesse detido um pouco, nesses momentos lhe diziam tantas verdades que os lábios jovens calavam.

—Talvez assim, aprenda que ninguém pode perturbar a intimidade de ninguém, muito menos a MINHA.

Foi para a mesa em onde tomo pergaminho e tinta começando a escrever, de seguro a nota para o Diretor, as regras eram muito claras e agora por mais que Albus lhe pudesse favorecer, ainda que a expulsão ficava descartada, pelo menos o rapaz não se livraria de um bom e longo castigo.

—Em verdade Senhor, sinto muito, eu só… as feridas…

No momento que disse a última palavra Severus interrompeu sua escritura, volteou lentamente para Harry, pensou que seria difícil que confessasse que foi também ele quem lhe desse o aviso a Dumbledore, mas foi bem mais singelo, ironizou ainda mais seu sorriso de triunfo, agora era só questão de pressionar até que lhe confessasse desde quando levavam espiando-o, se acercou lento para depois começar a lhe gritar.

—DE MODO QUE FOI VOCÊ, DE SEGURO QUE O VELHO MANIPULADOR TE ENVOLVEU, MAS CLARO, JÁ QUE VOCÊ NÃO TEM A CAPACIDADE DE DISCERNIR POR TI MESMO TE ESCUDA NO VELHO METICHE.

E seu rosto chegou tão cerca do outro que Harry só fechou seus olhos, Severus estava realmente enfadado, mas não pôde lhe responder nada.

—DIGA-ME QUE LHE DÁ O DIREITO DE ROMPER MEU INTIMIDADE.

—Só queria ajudar

—AJUDAR, AJUDAR EM QUE? QUE EU SAIBA SE A MIM, ME PASSA OU DEIXA DE PASSAR QUALQUER COISA ISSO NÃO LHE AFETA EM NADA.

Para Harry essas palavras doíam-lhe mais, claro que lhe afetava, lhe afetava demasiado de modo que ele também começou a levantar a voz.

—CLARO QUE ME AFETA, TALVEZ NÃO SE DEU CONTA? talvez não sou o suficientemente óbvio…?

A última palavra mais bem parecia um suspiro.

—AH CLARO QUER SABER TODOS OS PORMENORES QUE ME SUCEDA PARA DEPOIS REGODEARSE COM SEUS AMIGOS.

E se volteou, esqueceu o pergaminho e acercou-se à lareira, sua intenção, chamar ao Diretor, não esperaria até manhã para lhe impor um castigo.

—EU JAMAIS FARIA ISSO, EU SÓ QUERIA O AJUDAR.

Ajudá-lo, por que repetia essa palavra com tanto afinco? No profundo de Severus sabia que ninguém poderia o fazer, agora vinha o que supostamente era o único que poderia vencer realmente a Voldemort, seu coração se oprimiu, recordou que era um Potter, por natureza os Potter não o ajudavam; de modo que girou-se e voltou onde seguia parado Harry, novamente deixou que seu raciocínio se perdesse e o tomou com força pelos ombros o sacudindo.

—NÃO SOU UM ESTÚPIDO POTTER, ME AJUDAR? A MIM? PORQUE, PORQUE O FARIA MALDITA SEJA.

Não soube porque, mas Harry deixou que seu coração falasse.

— QUER SABER POR QUE? EM VERDADE QUER SABÊ-LO? Pois bem, o amo, o amo, acho que o amei desde… sempre, POR ISSO QUIS O AJUDAR, POR ISSO TRATO DE LHE AGRADAR SEMPRE QUE POSSO, POR ISSO ESTOU AQUI.

Severus Snape jamais pensou escutar isso.

Severus Snape, não assimilou nada disso, mas seus ouvidos não lhe mentiam.

Severus Snape, não lhe creu.

—Marche-se Potter, não volte a me dirigir a palavra a não ser que eu o faça primeiro.

—Faz favor…

—Marche-se

Saiu e correu derramando tantas lágrimas, que nem sequer foi capaz de divisar à gata de Filch que lhe fechou o passo, tropeçou com ela fazendo que o animal emitisse um miau doloroso, ao instante a voz de Filch lhe gritava, mas não fez caso, queria chegar o mais cedo possível a sua sala.

Já em seu dormitório comum, o primeiro que fez foi lançar um feitiço silenciador a sua liteira onde se refugiou e desafogou toda sua frustração, não deixou de chorar até que o sono o arrebatou já de madrugada.

Nota tradutor:

Bem bem... mais um capitulo pronto para vocês

Vejo vocês no próximo capitulo

Então por favor comente, a sua opinião da tradução

Vejo vocês nos reviews

Ate breve

Fui…