CAP. 10: A ÚLTIMA VEZ
Após aquele incidente em que Harry confessasse com veemência seus sentimentos para seu professor; nas classes de Snape Harry Potter já não era o alvo perfeito de seus sarcasmos, ademais deixou de ser o porquinho da índia nas classes práticas, feitos que sem lugar a dúvidas eram notadas por todos os estudantes, ante isso, às vezes o jovem realizava perguntas realmente tontas, que punham em xeque a seus colegas, mas Snape simplesmente o ignorava, fingia não o ter escutado e até lançava uma pergunta a esmo a qualquer de seus colegas.
Passou o primeiro fim de semana de outubro e nos dias subsequentes Harry parecia um zumbi, se comia era para que seus amigos não o arrastassem à enfermaria, se pretendia mostrar atenção em classes, era para que Gryffindor não perdesse pontos, se vivia era porque tinha uma esperança, toda sua esperança em si, depositada em um plano que tinha considerado com anterioridade, mas que tinha descartado por considerar estúpida.
Um plano desesperado, talvez o último em loucura se apoderou dos pensamentos do menino-que-viveu, sim, porque como sempre o destino se debochava novamente dele e Snape não lhe correspondia da maneira que ele queria, ou, não lhe correspondia de nenhuma outra, se levaria com ele duas coisas: uma, passar ao menos uma noite com Severus, uma só, utilizaria qualquer meio para chegar a estar em braços deste ainda que à manhã seguinte ele não o recordasse; a outra, aparte de levar-se essa formosa lembrança por sempre, se levaria uma parte do homem amado, um bebê, um filho que compartilharia em seus genes a ambos, ainda que seja só isso; não lhe diria, claro, mas se sentia tão perdido que em sua mente só vislumbrou essa opção.
Escondido na Sala Precisa, acondicionado para seu "engenhoso" plano, passava a maior parte de seu tempo livre; seu objetivo, elaborar todas as poções requeridas para tentar uma gravidez masculina, o faria de forma metódica, seguro de que era sua última opção para pelo menos ser feliz um pouco, só um pouco.
Um detalhe que sempre lhe alegrava ao entrar a seu laboratório era que de acordo a seus desejos tinha invocado um idêntico a sala de poções, onde por cinco anos passasse suas classes.
Tinha-se surtido de enormes e completos exemplares relacionados a este tema da extensa Biblioteca familiar dos Black, tinha engolido esses conhecimentos com tal avidez, que Snape certamente se teria surpreendido, repassado e experimentado tanto ou mais que em todos os cursos de poções durante sua estadia em Hogwarts.
Tomava disciplinadamente as misturas à hora e dia indicados, não queria que por um deslize, perdesse a oportunidade, talvez a única oportunidade que tinha de se combinar com algo mais que uma lembrança de Snape.
Em algum dia, poria em prática seus alocados planos, em algum dia obteria o que desejava e queria estar bem preparado para qualquer eventualidade.
=======&========
Nos dias que passava Harry enfrascado em sua autocompaixão e a experimentação, também passaram por Severus, só que os seus eram tormentosos; Voldemort deixou que ocupasse o lugar que ele quisesse nas diferentes reuniões, pelo que Snape, tratava sempre de afastar de sua cercania, mas não demasiado, se não queria receber uma advertência após que todos se tiveram marchado, advertência que sempre consistia em uma sessão de vários e dolorosos crucios.
Muito a seu pesar, pretendia sempre que podia, passar a maior quantidade de tempo escudrinhando a biblioteca do qual Voldemort emergisse nos meses passados, em busca dos livros que lhe dessem uma pista do que o Senhor Tenebroso descobrisse, lastimosamente em frente ao amplo repertorio de toda índole de livros negros, sua tarefa não era fácil porque até o momento não tinha dado com algo realmente interessante.
Como foi por indulgência do mesmo Voldemort que Severus tinha acesso a esse lugar em particular, outros muito em especial Bellatrix ardiam em inveja, esta última chegaria a vingar em um futuro não muito longínquo.
========&=========
Em meados de outubro Severus Snape, tinha perdido muito de seu caráter sensual e arrogante, agora ainda que no exterior e para a maioria das pessoas seguia sendo igual ou mais irritável, certamente sua mirada estava perdida, seu semblante refletia que levava a custas algo que lhe carcomia, em mais de uma ocasião o Diretor lhe surpreendeu em seu despacho com o rosto compungido, mas quando lhe perguntava que é o que lhe sucedia o mago de negro só lhe repetia as mesmas frases.
—Nada, Albus, nada realmente importante.
— Nada importante? Está seguro? (por que me mente? Severus)
—Albus, há coisas… (Dolorosas) que devem passar para que tenhamos a bem resultados que beneficiem a muitos, mas não penses que te estou ocultando algo.
Essa resposta produziu no velho mago, um sentimento de culpa imenso, sabia muito bem que a seu rapaz lhe passava algo doloroso, e se sentia culpado, ele mesmo o tinha contornado a essa situação, sempre enfatizava o "sacrifício por um bem maior", mas isso, estava afundando a alguém que considerava um filho. Foi em uma dessas noites que lhe propôs algo, aparte das repetidas perguntas que costumava lhe fazer.
—Já não volte a te apresentar.
Ao dizer conseguiu captar toda a atenção e a estranheza do aludido, quiçá se viam tão mau como se sentia para que Dumbledore lhe desse essa possibilidade, deveria estar realmente demarcado.
—Isso não é possível, Albus, você sabe muito bem como eu, que sou a única pessoa que pode se inteirar de algo, sem que seja descoberta.
—Eu sei muito bem, mas há algo… algo que me oculta, sei que te dói, por isso quisesse que já não regressasse mais, já não se apresente, aqui estará a salvo.
Provavelmente fosse verdade, com Dumbledore como aliado de seguro encontraria a forma, mas, não era tão fácil, de seguro que Voldemort o substituiria e com isso não estariam inteirados de nada, deixaria à Ordem e ao Mundo inteiro em brasas se ele desistisse de ser espião.
—Se não voltasse… e não digo que o vá fazer…
Quando terminou de dizer a última frase se levou a mão para a negra marca, símbolo inequívoco do atado que se encontrava a Voldemort.
—ELE… tem seus recursos para fazer que vá, para me incomodar a vida? Matar-me seria a palavra correta.
Assim novamente se despediam, Dumbledore para cumprir suas tarefas como Diretor e cabeça da Ordem e Severus para seguir controlando a elaboração da poção de fortaleza mágica.
Albus não o convenceria e, ademais o rapaz que supostamente lhe ajudaria também não estava em condições de fazer, eis que os problemas do Diretor se resumiam em; um professor e um aluno que se encerravam em si mesmos, ambos sofrendo por temas que ele não tinha a mínima ideia.
========&========
O 25 de outubro quando faltava pouco menos de uma semana para Halloween, teve duas reuniões diferentes, ambas, requeriam a presença do ex professor de poções, uma concernente ao Colégio, onde se tratava a insulsa organização da festa em comemoração dessa data, a outra se fez presente quando a interrompeu de forma dolorosa no braço do único comensal presente.
Com verdadeiro pesar Severus aproximou-se ao Diretor, como não estava no meio de uma reunião da Ordem demorou, muito pouco a dizer verdade, três minutos no máximo, mas demorou, claro que era um tempo suficiente para pôr irritável ao Senhor Escuro.
Quando por fim arribou ao Salão, esta estava iminentemente completa, absolutamente todos tinham ido ao chamado, desgraçadamente para Severus era um dos últimos em se aparecer ante essa presença.
Voldemort como sempre, se estava à frente do grupo de seus servidores, sentado com ar senhorial em sua própria cadeira; eles, como em todas as ocasiões ocultavam seus rostos depois dessa branca e característica máscara.
Quando o máximo ser dessa singular reunião se deu conta de quem tinham ingressado de forma tardia não esperou a que se acomodassem em seus lugares, foram recebidos imediatamente com a tortura favorita de sua Lord, o cruciatus fazia cair ao andar a esses em particular; Snape estava preparado para receber o mesmo trato, mas a maldição nunca chegou, no entanto escutou uma ordem muita pior.
—Severus… acerca-te
Absolutamente todos os presentes foram testemunhas de que Snape foi o único dos últimos comensais em chegar, que não tinha recebido seu merecido castigo, ignorando as insistentes miradas de rancor depois das múltiplas máscaras, Snape chegou até a presença do soberbo mago semi-humano.
—Meu Senhor.
Teve intenções de fincar-se enquanto saudava-o, mas Voldemort mal deixou que seus joelhos se posassem no andar, fazendo gestos o instou para que se acercasse mais, para depois lhe falar em forma confidencial.
—Chega tarde.
—Desculpo-me.
—Não é necessário, sua presença nas reuniões já não é requerida.
—Meu Lord, eu não quis…
—Agora, se marchará, e irá por vontade própria para o andar superior… me esperará preparado… na habitação de costume.
Com a cada frase endiabradamente acalmada que abandonava a boca de Voldemort, a cada vez era maior o calafrio que percorria pelas terminações nervosas do comensal.
—… (Que?)
—Vá.
E como Severus não tinha movido nem um músculo com a intensão de lhe obedecer, alçou mais a voz.
—Agora, Severus.
Snape parou-se, mas antes de que pudesse dar um só passo, Voldemort lhe tomou da mão o puxando até que novamente seus rostos ficaram simultaneamente.
—Entrega-me.
Severus sabia exatamente ao que se referia, de modo que lhe estendeu a varinha, compreendendo que era inútil tão sequer querer a reter.
Quando se teve marchado, foi a outro servente ao qual falou Voldemort, tão só duas palavras bastaram para que o aludido compreendesse e obedecesse de imediato.
—Seu dever.
Com a habitual inclinação de submissão, Peter saiu por trás de seu atribuído amo.
Ir direto ao patíbulo era quiçá a expressão mais conforme ao que fazia nesses momentos Severus, seu andar tão pesado que parecesse que tivesse grilhetas em seus tornozelos, enquanto subia os degraus tinha a cabeça baixa, fechava tão forte seus punhos que se lhe marcavam as unhas, por fim chegou em frente a essa porta e se apoiou na parede contrária.
Sacou do bolso de sua túnica um pequeníssimo e fino frasco de vidro, observando-o detidamente, depois começou a mover entre seus dedos com nervosismo, no interior da garrafa movia-se com liberdade um líquido da mesma consistência do mercúrio, salvo que esta diferia em cor, a poção trocava segundo o ângulo de visão entre o vermelho e o violeta, para depois o apertar como se fosse um tesouro, em verdadeiro sentido o era, porque se tratava do frasco que lhe permitiria reforçar sua magia.
Com um pequeno movimento de seus dedos índice e polegar desprendeu a tampa e levou-lhe à boca, terminando seu conteúdo de um só gole.
—Sua indisciplina a cada vez é maior, Severus…
Voldemort tinha chegado e com essa frase começou uma noite que jamais esqueceria, as tormentosas lembranças dessa noite em particular lhe seguiriam por sempre, a recordaria uma e outra vez, a recordaria por sempre.
=======&======
Quando Harry passou de um estado depressivo a um de total alerta e absorção, Hermione decidiu que era hora de entravar uma discussão, porque já faz dias que tinha a certeza de que Harry teve a ousadia de lhe manifestar seus sentimentos a seu professor, razão suficiente para que em ambos surgisse essa forma de comportamento entre eles; como sempre foi muito hábil em dissuadir a Ron para que os deixasse sozinhos, atitude que molestou um pouco ao ruivo.
— Harry, podemos falar um momento?
— Agora? Hermione? —tentou pôr a mirada mais terna que pôde para postergar essa conversa, sabia muito bem de que exatamente consistiria. Mas Hermione pôs um cenho de perfeita mãe compreensiva que terminou a seguindo às fora do Castelo.
—Agora, Harry
Não soube como, mas terminou lhe contando absolutamente tudo, desde a conversa com Hagrid até seus alocados planos e o nível em que estavam estes. Ao princípio, Hermione optou por pôr-se compreensiva, depois seu semblante mudou a uma de ligeiro assombro quando se inteirou de sua "declaração", e quando lhe contou seu plano, o primeiro que recebeu da castanha foi um sape no pescoço, para depois começar ao bombardear com toda classe de censuras e inconvenientes bem como lhe gritar a irresponsabilidade que tinha tido tão só com lhe propor. Depois tomou uma grande arfada e tratou de acalmar-se ela mesma.
Harry tinha ouvido a cada uma de suas palavras em absoluto silêncio, pouco a pouco foi baixando a mirada até enterrar na ponta de seus sapatos, atreveu-se a alçar a cabeça quando sua amiga se tomou o tempo para respirar.
A rapariga tomou uma de suas mãos e começou a acariciar lhe o dorso com entendimento.
—Harry, você não és assim.
—É que não sei que mais fazer —Claramente sua voz parecia se avariar.
—Pois, se em verdade interessa-te, saberá que essa atitude de menina despenhada lhe causaria repulsão. Que diria ele? Me diga.
—Que sou um menino imaturo e caprichoso
—E… Isso é o que realmente quer?
—Não, claro que não.
—Então, demonstra-te e demonstra-lhe que você vale mais, que está disposto ao convencer. Em outras palavras, demonstra-lhe que é um Gryffindor nato e não lhe será fácil te desprezar.
========&=========
Já na noite, confortavelmente deitado, terminou pensando mais coerentemente, sem se deixar influenciar pelos aspectos sentimentais que estava passando, Harry compreendeu que seu "absurdo" plano realmente era mais que absurdo, se por qualquer circunstância chegasse a compartilhar essa noite ansiada com seu professor, e consequência disso o chegasse a ser um gestante, poria em perigo várias vidas, a de seu professor, já que Voldemort se inteiraria, a dele mesmo e qualquer que lhe protegesse por salvaguardar à criatura, e por último a de um ser totalmente inocente e indefeso, a parte de que chegado o tempo da batalha final não saberia se estar pendente mais dos feitiços lançados e esquivados que em tratar de preservar a pequena vida em seu interior.
— (Foi um pequeno momento de debilidade, que devo superar, digo, todos têm um, agora devo ser mais responsável e deixar essas tolices)
Deixou de preparar as poções que até esse momento supunham uma tabela de salvação, deixou de consumir, não precisava uma armadilha tão vulgar para ficar caprichosamente com algo e alguém que ainda não era seu.
Por outra parte decidiu que deveria demonstrar que era um rapaz maduro e que melhor forma, que o enfrentar a ele.
=======&=======
A princípios de novembro Harry pedia permissão para ingressar ao despacho de Severus, saúdo-o, mas Snape não respondeu, só se reclinou em sua cadeira e cruzou seus braços em espera das diatribes de seu aluno, Harry se acercou inseguro ao princípio, mas terminou por parar à frente dessa mesa.
— Professor, sinto muito ter invadido seus aposentos.
— Desculpa?… só veio a pedir-me isso?
—Faz favor deixe-me terminar.
— Bem, o escuto.
E descansou uma mão em cima da outra sobre a mesa, esse simples ato descolocou e fez pôr-se nervoso a Harry, porque os longos dedos pertencentes a essas brancas mãos contrastavam enormemente com o escuro da madeira. Fechou os olhos para dar-se valor a continuar, recordou as palavras de Hermione e começou:
—Senhor, também devo desculpar pelos gritos de proferi quando me descobriu, mas… não me desculpo pelo que lhe disse; não, Senhor, não penso lhe pedir desculpas por isso, não me arrependo lhe ter dito; também não ache que com me ignorar em classes tudo está solucionado, e ao final eu possa eliminar estes sentimentos, eu sinto não farei.
Deteve-se um momento para voltar a encher ar a seus pulmões, mas quando Snape tratou de retomar a conversa, Harry levantou a mão lhe fazendo ver que ainda não tinha terminado, ao que Severus franziu um pouco seu testa, Harry não se deu ou não quis se dar por aludido pelo que continuou.
—Sei muito bem que a você não lhe interesso dessa forma, mas não poderá me negar seus conhecimentos, me trate igual que antes, não me importo, mas não me ignore, preciso adestrar-me em defesa, você sabe bem.
Harry voltou a calar por um momento e baixou seus ombros com derrotismo, depois apoiou as mãos na mesa de seu professor para alçar sua vista, querendo transmitir através de seus olhos que o seguinte que diria era a verdade pura.
—Eu sei que é quase impossível obter de você o que preciso, mas pelo menos dê-me sua amizade, quero ser seu amigo, só seu amigo.
Amizade, o que o garoto lhe pedia era amizade, a valentia que demonstrava até nesses assuntos de "pouca importância" segundo ele, fez merecedor ao rapaz de um assentimento por parte do professor.
—Bom, isso era tudo Professor, me retiro
Viu-o voltar-se, e olhou-o detidamente desta vez, era tão só um adolescente, quase um menino, da mesma idade de Draco, e que ao igual que esse tinha em sua vida um dever, dar morte a um dos magos mais poderosos do mundo mágico, Draco a Dumbledore e, Harry a Voldemort, o mesmo Voldemort que fazia em alguns dias lhe voltasse a ser miserável, o mesmo Voldemort que pretendia incluir na conquista do mundo; agora vinha Harry que alheio a sua situação lhe brindava uma saída e quiçá uma resposta.
—Harry…
Chamou-lhe por seu nome, o rapaz fantasiava com o dia no qual Severus Snape, lhe chamasse por seu nome e não pelo frio e às vezes depreciativo "Potter" experimentaria uma felicidade sem igual, mas em vez de estar saltando, agora que o tinha ouvido lhe pareceu que era um momento triste, sua voz soava tão cansada.
— Professor?
Queria dizer-lhe que ficasse que precisava a companhia de alguém que não fosse paternal com ele, não, não precisava a Dumbledore, precisava um amigo e o único que lhe tinha oferecido algo parecido até esse momento era o filho de seu inimigo, se sentiu pior, ir a esse rapaz, precisamente a ele, guardou a súplica e seu orgulho por um momento e repetiu as poucas palavras que recordava nesse mesmo serpenteante linguagem, quando as teve pronunciado todas, Harry já tinha aberto tanto os olhos que depois dessas lentes lhe davam uma face estranha, algo bem como uma coruja.
— Senhor…?
— Sabe seu significado?
— Parsel fala Parsel Senhor?!
—Senhor Potter, quisesse dizer-me o significado.
—Minha fonte em ti… consumado foi liberdade para ser um;
Harry repetiu-lhe as poucas palavras que tinham um pouco de sentido, voltou a falar.
—Senhor, posso perguntar-lhe de que…
—Não, senhor Potter, não pode —o pequeno lapsus de debilidade emocional tinha passado e sua voz recuperou seu tom característico.
—Pode retirar-se, Potter, seus amigos estarão esperando.
======&========
À manhã de quinze de novembro um rapaz de olhos verdes acordava em uma cama alheia, sorriu para si ao recordar a anterior noite, se sentou rapidamente e esfregou seus olhos para apartar o sonho por completo, se vestiu com um sorriso permanente, saiu desse dormitório e foi à pequena sala, onde o esperava sentado Severus.
—Será melhor que te vá antes que os demais alunos acordem, não estaria bem que te vissem sair daqui.
— Claro, Pro… —conteve-se, não queria que os níveis entre ambos interferisse
Saiu para correr com todas suas forças até sua Sala e se meter direto às duchas porque se não o fazia voltaria a pensar nessa noite e voltaria para não sair nunca mais da habitação de seu professor, nem de seu coração porque estava seguro que lhe correspondia da mesma forma que ele o fazia.
Se isso não era felicidade, então que era? Loucura, sim, uma formosa loucura.
Esse seria uma lembrança que encheria a Harry de impotência e nostalgia ao mesmo tempo, uma lembrança que o açoitaria quase em um mês depois.
========&=========
Já no café da manhã Harry luzia um sorriso permanente que nem sequer a apagava enquanto tomava seu suco.
— Passou algo Harry?
— Você que cries?
— Não me diga que falou com o professor Snape sobre… você já sabe que.
— Melhor que isso Hermione, melhor que isso.
A castanha confirmou suas suspeitas, a alegria de seu amigo só se deveria a uma coisa, Severus Snape teria aceitado entrar em sua vida, por isso é que Harry luzia tão feliz, mas lhe estranhou de sobremaneira que o outro protagonista se tivesse ausentado ao café da manhã.
— Ainda que tivesse preferido que como professor esperasse até que te graduara, se você é feliz o demais não importa. —lhe sorriu.
=======&========
Todo o dia Harry estava irreconhecível, passou as classes mais entusiasta que nunca sempre com esse sorriso, não podia o evitar, não queria o evitar, se fosse por ele tivesse gritado no meio do Grande Salão que estava apaixonado e que seu amor lhe correspondia, que se queria Voldemort viesse que estava seguro que ganharia, que ganharia a qualquer um, agora todo seu mundo era lindo, agora seu mundo estava completo.
— Me contará ou não Harry?
— Pois te direi que eu já não sou virgem.
— Mas Harry! Deveram esperar você ainda é menor de idade, ademais que segue sendo seu aluno.
— Não Hermione, bastante me deve a vida e o mundo mágico, para que agora os preconceitos me impeça desfrutar de minha existência.
— Harry, espero que depois não se arrependa.
— Nem em um milhão de anos, o que passou, passou e foi mais formoso que um sonho.
A castanha decidiu já não seguir com essa conversa, justo nesse momento Ron entrava em busca de seus amigos para os três ir ao comedor pelo jantar.
Acomodaram-se de forma habitual, mas Hermione observou em particular a um membro do professorado que se encontrava como sempre na mesa principal.
— Bom, se você não está arrependido, acho que alguém sim o está – e sua mirada se dirigiu até a mesa dos professores em onde o Professor de Defesa tinha a mirada mais séria e deprimida que lhe tinham visto nos anos que estavam aí.
— Falarei com ele mais tarde, lhe explicarei tudo, não deveria se sentir culpado.
— Mas Harry
— Não Hermione, está bem, tudo esta bem.
Harry negava-se a aceitar o óbvio; a probabilidade do arrependimento do professor era alta; não porque o Severus tenha sucumbido a anterior noite significava que eles eram companheiro, não significava absolutamente nada, em que termos tinham ficado? Nem ele mesmo o sabia, mas cegado de felicidade como estava, não podia se dar conta disso, em sua mente "não queria" se dar conta disso; perder de repente o que achou que tinha não estava em seus planos e optou pela negação.
Efetivamente Snape não luzia bem, sua atitude e semblante deteriorou com os dias e o emotivo "encontro" com Harry a noite anterior terminou pelo lançar ao vazio, as cândidas caricias que lhe brindasse o menor lhe tinham sumido na depressão, o jovenzinho, mais bem os atos de Harry lhe fizeram ver sua realidade.
Ele como Severus Snape era só "alguém sem importância", se convenceu que nem sequer era "alguém sem importância", era só "algo" em onde o Lord esvaziava seus instintos, "algo" uma propriedade ao qual dar uma utilidade, o motivo ainda era muito difuso.
Se seguia dessa maneira, não achou que serviria de muito como espião.
— (Espião? mas se já não sou um espião) —se disse ao recordar a última reunião— (não posso me inteirar de nada)
Não podia seguir assim, ainda frustrado pela inutilidade como espião, não deixaria que o Lord conseguisse o que seja que quisesse.
Que o perdoasse Dumbledore, mas não regressaria mais a essa Mansão, que Voldemort o torturasse através da marca quanto quisesse, que o matasse inclusive, mas não voltaria; mas antes deveria explicar-lhe tudo a seu Mentor, as razões, tem! As razões é o que mais lhe custaria dizer.
— (Lhe direi hoje, Maldição! Lily sinto muito, já não sou necessário, nem para te vingar, nem para a guerra)
Não suspeitava que seu velho amigo o estava observando desde fazia tempo, o fazia sempre, mas desta vez era mais exaustiva essa mirada, porque seu filho olhava atenciosamente seu prato mas não provava bocado.
— Severus? Talvez não é de seu agrado?
Foi tirado de suas meditações pela pergunta do Diretor.
—Albus… —duvidou— quero…devo falar contigo hoje –pontualizou.
Seus negros olhos refletiam a necessidade imperiosa de dizer-lhe todo o que guardava ao velho mago; o Diretor assentiu, seu rosto tornou-se muito preocupado, qualquer coisa que tenha posto assim a seu "filho" devia ser demasiado grave, agora saberia exatamente o que com tanto afinco ocultava.
O pálido rosto do professor tornou-se mais sombria quando sentiu a queimação da marca, sinal que se requeria de sua presença ante o Mago Tenebroso, engoliu saliva e se deu ânimo assim mesmo.
—(é a última vez, a última, após esta noite não voltarei mais) —se incorporou e se voltou a Dumbledore. – devo me retirar; mas… quando regresse… faz favor me espera.
—Te esperarei; tenta se cuidar.
Um leve assentimento e, sem mais retirou-se da mesa.
No Grande comedor sua retirada não foi percebida pelos estudantes, estes se encontravam em seu próprio mundo de ninharias, preocupações de adolescentes, menos um, um que não o perdeu de vista, um de olhos verdes que denotavam preocupação; também não se precataram que seu velho diretor tinha deixado de lado seu jantar e se encontrava sumido em seus pensamentos, seu velho coração lhe estrumava, algo lhe dizia que esta ocasião não era como as anteriores.
Snape chegou às masmorras para preparar-se, pôs sobre seus ombros a capa, guardou a máscara branca em sua jaqueta e saiu do castelo, com passo firme, mas ao mesmo tempo com o desassossego no peito, até chegar aos limites de proteção do Castelo, buscou o acostumado lugar em onde desaparecer, volteou a ver o castelo, nunca antes o tinha feito, deixaria novamente o "lar" só esperava que desta vez fosse a última.
– Será a última.
Fechou os olhos, o vento desordenava o escuro cabelo e fazia que a negra capa ondeara com uma formosa naturalidade, a luz lunar embelecia seu meio, o embelecia a ele, emitiu um lento suspiro e desapareceu.
Nota tradutor:
Bom, mas um capitulo no ar... espero que vocês gostem
Vejo vocês nos reviews
Ate breve
Fui…
