CAP. 12: BUSCANDO-TE

Os alunos entraram como sempre ao comedor com o clássico bulício de sua geração, se sentaram atropeladamente nas correspondentes mesas, a cada grupo de estudantes tinham seus próprios temas de conversa enquanto tomavam seu café da manhã. Na mesa dos professores também não teve muitas mudanças, salvo dois, dois que faziam demasiado a diferença, dois lugares que se tinham ficado vazios durante o tempo todo que durou o café da manhã.

Harry não tinha podido dormir essa noite, não porque sua cicatriz molestasse, Voldemort tinha restringido totalmente qualquer conexão com ele, agora mais que nunca ninguém, absolutamente ninguém devia saber dos últimos acontecimentos, Harry terminou de ver passar toda a noite para os limites do bosque, viu como o céu se tingia de vermelho quando o sol anunciava sua entrada, viu como os demais parceiros acordavam, mas jamais pôde ver o regresso de seu querido maestro.

—Come algo Harry, não luzes bem e ainda não começamos no dia.

—Não se me apetece nada Hermione —sua amiga inspirou ar para começar as reprimendas, mas Harry não a deixaria —esta bem, esta bem —E começou a tomar pequenos bocados.

Sobrevoando suas cabeças algumas corujas começaram a deixar o número do Profeta desse dia, como Hermione estava subscrita tiveram um exemplar para eles; os titulares eram alarmantes mas também confusos:

"TORMENTA ELÉTRICA DEIXA A UM POVOADO TOTALMENTE QUEIMADO… o raro acontecimento, segundo nossos pesquisadores, é obra de partidários do Lado escuro… comensais que queimaram quanto puderam incluindo a pessoas que transitavam as ruas, foi o relato de uma sobrevivente… o Ministério não deu nenhuma versão oficial ao respeito… em nossa opinião todos os indícios fazem supor que foram os Servidores de Quem-não-deve-ser nomeado"

"UM CHOQUE MÚLTIPLO EM UMA VILLA ONDE SE REALIZAVA UMA GRANDE FEIRA, feito que os muggles atribuíam a falhas mecânicas, mas um dos motoristas disse que seu auto literalmente foi arrojado para outros veículos"

Lia-se várias notícias todas terríveis, todas relacionadas com os comensais, mas em nenhuma delas teve apreensões, só testemunhas que corroboravam sua presença.

Se isto era verdade então talvez Severus foi obrigado a participar desses grupos, mas, ainda se fosse assim ele já deveria estar de volta, olhou de novo a mesa e ainda brilhavam essas duas ausências, Hermione ao que parece também pensou o mesmo.

—Você acha que…

—Estou seguro

Hoje era quarta-feira, tocava Defesa toda a tarde e decidiu que então falariam, mas a opressão em seu peito foi se acentuando a cada vez mais, e foi maior quando ao terminar o café da manhã tanto Albus como Severus não se apresentaram, Snape fazia isso em ocasiões, mas a ausência de Dumbledore era histórica.

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O amanhecer em Londres também era desculpado, Adler agora estava só, bom, quase só, os dolorosos gemidos lhe recordaram que devia atender a outra pessoa, se lhe acercou mais, efetivamente as feridas eram variadas, tão só as ver doíam, os movimentos esforçados desse corpo por se soltar dessas amarras, esse cabelo tão negro que caía em grossos mechas sobre esse rosto que se notava úmido, umidade que provia de lágrimas originadas nesses olhos que estavam fortemente apertados, compaixão foi o sentimento que o encheu por completo, pelo que quis tocar seu ombro.

—Não… se vá… não… nunca.

Débil, o som dessa rejeição ouviu-se tão débil que o fez retroceder muito temeroso, dantes trataria do acalmar.

—Não sou ELE, me escute.

—… maldito… não… maníaco… não… me… toque.

Ouvia-se tão cansado, mas mesmo assim seguia recusando-o, não a ele por suposto, mas se queria o atender pelo menos deveria de ficar quieto por longo tempo de modo que voltou a utilizar o mesmo método para relaxa-lo, mas nesta ocasião sustentou o algodão embebido por maior tempo, Severus tratava de lhe apartar com a única mão livre que tinha, mas da pouco sucumbiu em um sono muito pesado.

—Perdoe-me, mas achei que seria a única forma —Desculpou-se o sanador.

Arranjou as mechas para ver melhor o rosto de um reclinado Severus, que ao igual que o resto do corpo tinha pequenas feridas e os lábios ainda sangravam, sacou de seu útil maleta vendas, uma diversidade de garrafas e cremes, rompeu um pedaço da teia da única coberta que ficava. Agora reconhecia essas "sensatas", o libertou do laço com prontidão, mas da maneira mais suave que pôde, tanto as mãos como os tornozelos tinham um colar vermelho de tanto ser submetidos ao roce desses laços.

Percorreu o corpo inteiro limpando-o, depois das manchas vermelhas descobriu-se a palidez que possuía, a macieza dessa pele era de embelezo, as longas pernas foram um repto porque tinha tantas arranhões em todas direções que lhe levou mais tempo, descobriu várias cicatrizes antigas retirava pequenas fichas de madeira das feridas, quando limpou as palmas a quantidade de fichas era maior, lhes tinha infligido ele mesmo, se deteve ao reconhecer os cortes cerca de seu abdômen, estavam em um ângulo e eram tão característicos que era seguro que proviam de vidros agora compreendia melhor as palavras de Voldemort "não terá mais coisas com a que pretenda se fazer dano", seu "paciente" tinha tentado matar a essa criatura e se matar também ele, seria muito difícil o manter acordo sem que tentasse lastimar-se mas já encontraria a forma, seguiu com seu labor de limpeza, se enojou quando teve que limpar essas partes íntimas.

Como poderia o tratar assim? sendo um deles, porque isso demonstrava suas negras roupas e a branca máscara que tinha recolhido, talvez era um prisioneiro ao igual que ele, mas recordou que lhe chamasse meu Lord, não entendia nada.

Aplicou em suas feridas os cremes que fizeram falta e estas se fecharam, mas não desapareceram por completo, demorariam em sanar.

— (Por que não revisei minhas reservas? Deveria de tê-lo fato faz três dias)

Tomou vendas e envolve-las nas mãos e tornozelos.

— (Claire advertiu-me, porque não lhe fiz caso)

Ao recordá-la fechou seus olhos fortemente, elas, o mais precioso que tinha nesses momentos estavam sendo vigiadas e corriam perigo, bom, ou isso lhe fizeram crer.

Pôs-lhe a roupa interior e as calças com sumo cuidado, não queria machucar mais do que estava.

— (Quisesse saber quem é você)

Pensou, enquanto terminava de pôr-lhe essa camisa branca, cobriu-o com a teia de maior tamanho, já depois obteria coisas melhores, se é que lhes permitiam, emitiu um suspiro cansado e começou a buscar uma saída através da única porta interior, esta como supôs dava direto ao banheiro, um pequeno, mas completo, seguiria buscando.

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Alguém golpeou torpemente a porta, não tinha caso ir, e tentar a abrir, já o tinha tentado grande parte da manhã, mas escutou algo deslizando pelo chão, embaixo da porta ainda fechada, uma charola com duas pratos de comida traspassava como se fosse fantasma, com cenho de estranheza, se levantou do pé da cama, para ir trazer esses alimentos, que ainda que não se viam nada apetitosos e estavam frios, a fome o obrigava, os cheirou e provou pequenos bocados.

— (Bem, acho que não tem veneno)

E começou a devorar sua parte, observou como o outro prato ficava intacto e girou a ver a seu dormido acompanhante, que já tinha em cima seu sua própria jaqueta e o uniforme de sanador.

— (Espero que acorde cedo, pelo cedo lhe guardarei a fruta, quem sabe? talvez seja a única comida que provemos durante muito tempo)

E apanhou as duas maçãs para pô-las perto a sua mala, Adler estava muito cansado tinha trabalhado demasiado atendendo casos de emergência no dia anterior, por isso que seguia no hospital quando já deveria estar em sua casa a tarde anterior; não tinha provado jantar, nem lhe forneceram café da manhã, nada até passado no meio dia.

Quando o relógio, único objeto aparte da cama que não tinha sido removido de seu lugar, marcou as duas em ponto da tarde, a charola e tudo sobre esta tinha desaparecido, felizmente as maçãs seguiam aí.

Quase as três da tarde e essas pálpebras abriram-se, deixando ver de novo os negrismos olhos, Adler esteve muito atento a qualquer sinal e já esperava qualquer reação de pé junto a sua cabeceira, quis lhe perguntar como se sentia? Mas esses olhos traspassaram-lhe eram tão frios, tão vazios, e foi o dono dessa mirada quem falo primeiro.

— Quanto?

Sua voz também soava frite, mas isso não lhe intimidou, o sanador sabia exatamente a que se referia com essa breve pergunta.

—Pouco menos de um mês.

—Outubro

—Sim, a termos desse mês.

Um leve gemido e soube que essa resposta lhe doeu mais que suas recentes feridas.

—Não se levante.

Mas Severus já estava sentado e com os pés nus no chão.

—Tire.

— Que?!

—Tire. —e enfocou mais sua mirada na do sanador— sei que pode o fazer.

Pedia-lhe que se desfizesse de um bebê da forma mais fria e calma, tão própria desses assassinos que se estremeceu.

—Sim, mas só quando não há possibilidade de sobrevivência, agora… não devo.

— Sabe que passará? Se não me desfaço de… de… —não podia terminar a frase.

—Minha família morrerá se sua criatura morre —foi a resposta

— SABE DE QUEM É FILHO? —e esses olhos estavam furiosos, mas, esse tom era tão depreciativo e triste ao mesmo tempo.

—Suponho.

—TALVEZ COMPREENDE O TERRÍVEL QUE SERIA SE…SE…SE ISTO —e apontou com seu índice o ventre, como se se assinala uma "coisa" repugnante e não uma "inocente vida"— chegasse a nascer —completou.

— Por favor Snape!...

E deu um passo à frente

—não seria tão terrível

Outro passo mais e moveu uma mão em um gesto subgerente para achar as palavras corretas.

— seria… uma nova alegria para mim.

Disse-lhe sardónico, e Voldemort de pé já se achava junto a ele, não se escutou nada quando entrou nem quando fechou a porta, aparecimento foi a explicação mais lógica.

—DESFAÇA-SE DISSO.

Severus não fez caso do comentário nem da presença de seu amo, se dirigiu só ao sanador já que tinha que perder? Melhor se Voldemort enojava-se e terminava matando-o, mas os golpes nunca chegaram, também não as maldições, mas se suas palavras, palavras tão cheias de satisfação, de alguém que sabia tinha todas as formas de ganhar.

—Não, não o fará… como bem disse, sua família está em jogo.

—Então o farei eu mesmo —lhe olhou retadoramente.

— Em verdade quer isso Snape?

Acercou-se mais como sempre sendo dono e amo do lugar e de todos os que estava a seu ao redor, o tomou pela garganta, mas Snape não se defendeu, se lhe chegava a faltar ar não se importava e também não lhe impediria, a cara de Voldemort se acercou tanto à sua que Severus via suas próprias pupilas nas vermelhas verticais.

—Escuta-me bem… o faz… o perde… e te farei outro depois… perde também esse e te voltarei a fazer, até que te resigne a levar a MEU FILHO.

Empurrou-o e Severus voltou a ficar recostado, mas Lord Voldemort seguia gritando-lhe, queria gravar a cada palavra na mente do que agora gestava seu mais almejado plano.

—NÃO ME IMPORTO COM QUANTAS VEZES PERCA, ENTENDE, TANTAS VEZES TE VOLTAREI A FAZER. AGORA DEIXA QUE TE REVISE.

Os olhos negros moveram-se selvagemente compreendendo todas essas palavras, escutou se fechar a porta.

— (Perdido) —foi a única palavra que veio a seu cérebro.

Conteve seus gemidos quando se levantou, suas expectativas futuras eram muito surpreendentes se ficava aí, devia sair, devia chegar a Hogwarts, devia falar com Albus.

—Devo ir-me.

Foi para a porta apoiou sua testa, ainda que já o tinha tentado voltou a pegar com o pomo da mesma, não conseguiu nada, a janela, através desse sujo cristal deixava passar luz da tarde, suficiente para alumiar o quarto, se foi direto a ela e lhe mirou um golpe, outro e outro, as gazas ao redor de sua mão voltaram a tingir-se de sangue.

—Faz favor não faça isso, se está fazendo dano.

— POR QUE NÃO SE ROMPE? POR QUE JÁ NÃO O FAZ? MALDIÇÃO!

Adler compreendeu então que os ruídos de coisas estrelando-se e o vidro rompido o tinham provocado ele.

Através de suas mãos mandou ondas mágicas à porta, as paredes, a nenhum lugar em específico, mas nem uma sozinha ficha saltava.

—Não há saída, já o estive buscando, não há possibilidade.

— JÁ NADA SE ROMPE!? POR… QUE?

—Impossível, já lhe disse, deveria guardar sua magia para depois...

Mas não lhe escutava, começou a dar passos por todo o pequeno recinto, passou muito tempo nessa atitude, já cansado se acercou às paredes e arrastou seus dedos por elas, caminhava lento e descalço voltou a encontrar com a janela, a tarde já avançava e divisou a silhueta de uma árvore jovem, dolorosamente distinguiu que era um exemplar de Salgueiro Boxeador.

—Hogwarts —disse.

E isso terminou por lhe render, agora se encontrava tão longe, deixou de olhar e apoiou suas costas na parede contigua dessa janela se deslizou com lentidão até cair sentado no chão, por fortuna era de madeira e o frio não chegava a ser grave, a noite começava a cair.

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A noite também envolveu ao Colégio, as velas e tochas se acenderam do pouco, mas o Diretor permanecia a quase a escuras no mesmo lugar que se acomodasse a noite anterior em espera, sempre em espera, volteava a olhar a janela onde se apreciava justo a entrada ao Colégio, posava seus olhos no cadeirão onde sempre se sentava Severus quando tinha uma dessas poucas conversas amistosas, e ao pobre fogo que dançava em seu lareira.

A porta do escritório abriu-se, e a amiga de vários anos ingressou, invocou um pouco de luminosidade, via-se muito preocupada; não foi recebida com o peculiar alarde de felicidade de Albus, no entanto seus idosos lábios deixaram escapar umas palavras desculpadas.

— Não tem regressado Minerva, não o fez.

— Albus deveria descansar, sabe bem que ele chegará.

— Mas não entendo seu atraso, já deveria estar aqui.

— Crê-me entendo sua preocupação, eu também a tenho, mas, Severus é um mago sagaz e inteligente, saberá o manejar —quis conforta-lo, confortar-se ambos.

— Esperei… —corrigiu-se. — esperamos todo o dia, isto não está bem, não, não o está, o sabe bem Minerva.

— Mas talvez,… lhe requereu por mais tempo e isso lhe demora. —quis o alentar, mas nem sequer ela mesma o creu.

— Não, o que ensine em Hogwarts sempre lhe dava a desculpa perfeita para não se perder por muito tempo.

— Mas não é a primeira vez, Albus, acho que sua preocupação é exagerada.

— Sim, não seria a primeira vez, mas isso era nos fins de semana!

— Escuta, a situação é muito diferente, o Lord regressou, é de supor que Snape deva lhe render contas mais seguidos e por maior tempo; que te parece se esperamos até manhã e, se não chega até esse momento, eu mesma porei os maiores esforços para sua busca.

—Minerva…

—Diga-me Albus.

—Diga-me que ele não participou nos ataques de ontem à noite.

—Não Albus ele não o fez.

—Obrigado.

Ao igual que Dumbledore, ela também tinha plena confiança em Severus, ainda que como Chefes de Casas diferentes não se levassem bem em algumas ocasiões.

— Agora descansa, amanhã Albus, amanhã, não quererá que ele te dê uma reprimenda pelo mau que te verá senão dorme bem.

— Espero minha querida Minerva que tenha razão

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Uma grande tristeza embargava seu coração, seu espírito, sua mente, a dor física, sua desesperança era tal que não conseguia sair dessa depressão e impotência, analisava sem querer todos os fatos que tinha ocorrido, que lhe tinham ocorrido precisamente a ele, não ficava nada em absoluto do sarcástico professor, nada do indivíduo mais sereno e de grande tempere, nada do ousado e astuto espião, tão só alguém refugiado em sua dor.

— (Isto não me está passando, faz favor… é só um pesadelo, não quero, não quero que isto seja real) —se repetia mentalmente várias vezes ao dia.

Às vezes apoiava sua cabeça à parede, às vezes enterrava seu rosto em seus joelhos, às vezes gemia, às vezes chorava tanto, mas era um pranto silencioso, às vezes abraçava-se assim mesmo.

— (Deixe que meu orgulho mandasse, devia falar com Dumbledore; Oh Albus, preciso-te tanto)

O sanador só lhe via articular palavras silenciosas com seus lábios já secos.

— (Porque deixei que Voldemort me tomasse,… deixei que o fizesse várias vezes,… deixei que me submetesse… devia me afastar… devia me afastar…)

Passou quase três dias nessa posição, não dormia, não se alimentava, não deixava que Adler se lhe acercasse, parecia que não tinha frio nem calor, parecia estar em outro mundo; o sanador já estava muito preocupado, em seu estado atual não podia lhe permitir que enfermasse, disso dependia sua vida e a de sua família; se esse homem que, a léguas se notava que estava sofrendo não saía desse choque, perderia um paciente, porque, em qualquer circunstância que estivesse, esse homem era seu paciente e como sanador devia lutar para recuperar essa vida e também a vida de um pequeno ser que agora dependia inteiramente dele.

Na manhã do terceiro dia, Adler não soube em que momento, mas se tinha ficado dormido, quando acordou um pouco sobressaltado se apressou a enfocar-se no homem que seguia no mesmo lugar, mas também este tinha caído rendido e se encontrava ainda apoiado na parede mas com as pálpebras fechadas, estava dormindo? Tratou de recordar o momento em que o tinha feito, mas não resultou, com movimentos bruscos se dirigiu com o temor crescendo no peito, talvez não estava dormindo, talvez estava morto, chegou até o corpo, guiou sua mão ao pescoço exposto, a veia batia com lentidão, alívio, sua família viveria.

Severus acordou-se quando sentiu que uma mão tocava sua jugular, sentia os olhos inchados, o corpo entumecido, um sabor amargo na boca e um frio que se colava em sua pele, tratou de se incorporar mas em sua cabeça tinha uma dor pulsante, ainda que não tinha comido por dias, seu estômago lhe causava um mal-estar que se acrescentou a cada vez mais, as náuseas desse momento lhe disseram que devia chegar ao banheiro, mas quando tentou fazer o possível por se parar o único que pôde fazer foi se agachar e sustentar com suas mãos enquanto expulsava saliva e bílis no chão.

Uma e outra arcada, o sanador apressou-se até o banheiro, tão rápido como pôde molhou dois toalhas que se encontravam suspendidas no quarto com água fria e voltou até seu paciente, lhe pôs por embaixo da nuca refrescando-o, sustentava seu cabelo, enquanto Snape se recuperava, o mareio seguia e sentiu uma teia úmida que lhe limpou a testa para depois posar em seus lábios, alguém o atendia com esmero e paciência, não queria abrir os olhos não queria enfrentar à realidade, mas…

— Estará melhor se descansa um pouco.

Uma voz desconhecida regressou-o a seu presente, incorporou-se rapidamente querendo afastar de seu benfeitor, mas a sensação de vertigem voltou, seus pés não lhe responderam, mas uns braços lhe sustentaram em sua queda, quando se deu conta que era guiado ao leito se parou de improviso se negando a avançar.

— NÃO, NÃO, NÃO, FAZ FAVOR NÃO QUERO.

— Descuide não lhe farei dano.

Queria conforta-lo e falava-lhe de maneira compreensiva, sua negativa para avançar era muito forte.

— Meu Lord… por favor não.

O sanador caiu em conta que lhe confundia com Voldemort, com um pouco de dificuldade obrigou a que lhe olhasse.

— Olhe-me, olhe-me sou Magnus, entende? Magnus.

Azuis, esses olhos azuis cheios de amabilidade, esses reflexos nos olhos eram muito parecidos aos de Albus olhou-se neles.

— Albus? —e abraçou-lhe sem reparos.

Uma nova confusão, escuto Albus, claro seus nomes poderiam confundir-se foneticamente, mas pelo menos tinha-se acalmado; Por que sempre Albus? Escutou lhe várias vezes pronunciar esse nome, averiguaria de quem tratava-se, mas primeiro averiguaria quem era este homem que o abraçava de forma tão desesperada, recordou que Voldemort lhe nomeou Snape, e se disse alguma vez seu nome não o recordava, Snape só isso sabia.

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Sábado na manhã, enquanto o sanador tratava de acalmar a Severus, Dumbledore tratava de acalmar-se ele mesmo, escrevia apressado alguns pergaminhos com destinatários diferentes, empregou as corujas do colégio, também se comunicava através da rede Flu, fazia tudo a seu alcance para saber qualquer notícia que concernira a Severus, claro sem o delatar.

Em situações como essas Minerva sempre lhe era de grande ajuda, mas agora a animaga tinha ido a um chamado pessoal, uma amizade de vários anos, a família Adler a solicitava, os motivos, ainda os desconhecia, mas o chamado era tão urgente que Albus quase a obrigou a ir.

Agora tinha em seu despacho a um jovenzinho que se mostrava igual ou ainda mais triste que ele, que lhe ajudava a atar as mensagens nas patas das aves e as despachava.

—Professor…

— Diga-me Harry?

— Você acha que alguém saiba algo?

—Isso espero meu rapaz, isso espero

E voltou a tomar o último pergaminho e voltou a dirigir-se Harry.

— Harry? Talvez você recorde algo suspeito? Algo que poderia nos ajudar ao encontrar?

—…não… talvez…

—Qualquer coisa Harry

—Dias antes esteve-me perguntando… o significado de algumas palavras em parsel, Senhor.

— Parsel?

—Sim, todas muito confusas, Hermione me disse que talvez se tratasse de um feitiço.

—Suponho então que a senhorita Granger agora deve encontrar na biblioteca.

E Harry afirmou com um gesto.

—Bom, então devemos confiar nela.

Estiveram em silêncio por vários minutos.

—Professor…

— Algo mais Harry?

— Não acha que Malfoy possa saber algo?

— Por que o diz Harry?

—Desde esse dia atua muito raro, creio eu.

Se Harry tivesse-se fixado melhor, saberia que Draco atuava assim desde que iniciasse as classes, mas foi recentemente que se deu conta disso.

Por sua vez, Draco encontrava-se a cada vez mais nervoso, o tempo corria e ainda não tinha feito nada em relação a sua missão; o desaparecimento de seu padrinho pô-lo ainda mais nervoso, lhe tinha escrito a seu pai para se inteirar de algo, mas este lhe respondeu que se esquecesse dele, o verdadeiro era que nem o mesmo Lucius sabia nada desde o dia que trouxesse ao sanador.

—Pode ser, mas tem em conta que todos o fazem, baixo as circunstâncias de uma guerra próxima, todos o fazem.

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Em uma semana, em uma semana que não se sabia nada sobre o professor de Defesa, a reunião trataria em específico desse tema, mas tinha outro tema mais que também devia se resolver, por se tratar de um estranho desaparecimento que afetava diretamente a uma amizade muito próxima a um membro da Ordem, nesses momentos o desconfiado Moody entravava uma pequena discussão.

—Não estamos seguros que desaparecesse Minerva, e o que todo o pessoal de St. Mungo disse foi que não se apresentou durante todo o dia.

—Mas eu conheço a Magnus, ele não é nenhum jovenzinho que se desapareça só assim, a demais já comprovámos que todo o pessoal não recorda uma parte dessa noite.

—Claro, isso é suspeito, mas não podemos seguir todos os casos de desaparecimento de forma individual, assim nos faltariam vários elementos!

— Talvez poderiam ter alguma relação este caso, com a de Severus?

Interrompeu Arthur Weasley, encontrava-se com toda sua família, a única que faltava era a menor dos irmãos.

— Não o creio, porque o caso do Sanador Adler ainda não se confirma que tenha resultado de problemas com os comensais.

— Mas é muito raro que ambos tenham desaparecido a mesma noite Albus.

— Mas muito improvável que estejam juntos, não, Arthur, trataremos os casos por aparte.

— Com seu perdão Albus, mas creio firmemente que Snape não desapareceu, é mais acho que deve ser um dos que causaram essas horríveis catástrofes na anterior semana, senão me equivoco sucederam essa mesma noite, que mais provas quer Dumbledore? Snape voltou com seus antigos colegas, é mais não acho que tenha saído desse círculo jamais.

— Já te disse Moddy que minha confiança em Severus é total, devo te pedir também que se não cooperará com o que lhe pedi, abstende de teus comentários.

E a reunião prosseguiu, alguns foram destacados a diferentes missões, outros se ofereceram para atender o "caso Snape" outros mais no "caso Adler" e os demais seguiriam com os seus próprios.

Harry só se limitava a olhar a um e a outro mago ou bruxa que pedisse a palavra, agora lamentava enormemente o ditame do Ministério, só a ele não se lhe permitia desaparecer, não é que soubesse o fazer, mas se com isso teria acesso a várias zonas em onde poder buscar algo sobre Snape, de seguro já estivesse fora das paredes do Castelo.

— (Onde está Severus? Onde?)

Foi o último pensamento do jovem antes de sair da reunião, que por desta vez se levava no escritório do Diretor e não em seus quartéis.

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Dumbledore fazia muito poucas visitas a outros lugares a parte dos domínios e limites do Colégio, sua presença no Beco Diagonal levantou vários múrmuros; saudou a distância a vários conhecidos, alguns donos dos estabelecimentos saíram para saudá-lo por sua vez o idoso tratava-os com cordialidade.

Visitou o Caldeirão Furado e encontrou-se com Tom, ademais falou com alguns donos das lojas, ainda que conhecia à maioria de seus donos só poucos souberam a razão pela que Albus lhes pedia falar em privado, gente de confiança só a eles lhes perguntava sobre qualquer razão para dar com qualquer pista para localizar a Severus.

A loja onde de Olivander, foi fechada por um momento, quando se localizou por trás de seu polvorinho escaparate, Albus começou com sua curta conversa.

— Olivander meu querido amigo, não deve ser desconhecido para ti que o colégio já não conta com os serviços do Professor de Defesa.

—Tudo aqui se sabe Albus, alguns dos pais dos estudantes já divulgaram a notícia, por verdadeiro, não muitos estão contentes com a designação de Lupin.

Dumbledore só moveu a cabeça negativamente, mas seguiu com seu objetivo principal.

— Serei direto, faz favor goza de minha confiança, qualquer informação, ato suspeito, inclusive um rumor faz-me conhecer, estarei sempre disposto.

— Sei que o aprecia muito, e estarei atento antes de mais nada Albus, desde menino tem sido um dos magos mais inteligentes e astutos que tenho conhecido, não deve se preocupar.

—Sei-o, sei-o e agradeço.

Uns minutos mais e despediram-se, Olivander voltou a abrir e Dumbledore apareceu-se agora em Hogsmeade, ainda tinha várias visitas que realizar.

Não importava quanto lhe tomasse o encontraria, mas, o buscar era algo esgotador, não saber sua situação era perturbante, o desejar vivo era tristemente esperançado, o imaginar morrido, não, nem sequer se permitiria pensar isso; enquanto, nos dias passavam e não tinha sinal alguma. Pela primeira vez Albus Dumbledore chorou.

Nota tradutor:

Mais um capitulo pronto

Espero que vocês gostem

Ate breve

Fui…