Título: Férias com o Cicatriz
Classificação: M
Shipper: Harry Potter and Draco Malfoy
Aviso: Harry Potter não me pertence, é tudo da Jk. Eu não ganho nada com essa fic. Só um sorriso feliz a cada review, então ajude-me a encontrar a felicidade!
Aviso 2: Palavrões, sexo, homossexualismo. Quem costuma ler minhas fics, sabem que é minha marca registrada. Estão avisados.
Capítulo três:
Importante deixar claro
Harry fechou a porta do banheiro com força, respirando ruidosamente. Apoiou as mãos na pia e fechou os olhos tentando acalmar a respiração. Ódio, ódio, ódio, como ele odiava aquele mimado insuportável! Harry realmente tentara se conter, tentara tornar a situação tolerável, e o que aquele idiota fazia? Testava seus limites, o fazia perder o controle! Harry dava graças a Merlin por não poder usar magia naquele instante, caso contrário não sabia o que seria capaz de fazer!
Esforçou-se para manter a calma. Respirou fundo várias vezes e jogou água no rosto. Conforme sua respiração foi se acalmando, ele pôde ir pensando com mais clareza.
Draco é um idiota, ele nunca teve dúvidas disso. O que lhe falara com toda aquela pompa e arrogância sobre os Dursley era mesquinho e provocador, mas não era nenhuma mentira, realmente. Malfoy só não soubera ver a diferença entre eles e Harry, e Harry, sinceramente, não esperava que fosse diferente. Ainda era um Malfoy, afinal de contas, e desde que se conhecia por gente, essa sempre foi a característica mais marcante de Malfoy: usar as palavras para atingi-lo; encontrar seu ponto de pressão e pressioná-lo. Mas Harry também reconhecia que ele só fazia isso quando ele próprio se sentia pressionado, quando queria conseguir respostas para algo que ele não compreendia.
A postura de Malfoy era uma auto-defesa.
Ele estava assustado.
Harry se permitiu que seus olhos se abrissem e encarasse o espelho. O que era que ele via ali? Um rapaz de olhos arregalados e um ar de culpa o encarando de volta.
Agora que podia pensar com mais clareza, reviu as palavras de Malfoy. Ele provocara. Também era culpado. Malfoy só respondera a altura, o que, tinha que reconhecer, ele sabia que faria.
Harry tinha que reconhecer também que estivera sim com inveja. Tinha uma pontinha de esperança que dividiria o tormento dos Dursley com alguém, mas quando viu Draco com sua tia... Bem, essa esperança caiu por terra. Era a última coisa da qual precisava, dividir uma casa com todos aqueles que faziam da sua vida um inferno se dando bem. Porque ele não convidava Snape para vir fazer um visitinha também? E aí eles até poderiam mandar uma coruja para Voldemort, convidando-o para um chá, quem sabe?
A água fria afastou seus delírios. Encarou-se novamente no espelho, dessa vez com um ar resoluto. Estava feito. Fora maldoso com Draco, mas Draco não fora exatamente um santo. Não iria se culpar sozinho. Draco, aliás, estava provavelmente esperando por ele no quarto, com uma tromba do tamanho do mundo e uma dúzia de xingamentos na ponta da língua, esperando sua volta para escorregar pra fora.
Harry seria sensato. Se negaria a agir da maneira infantil e continuar essa discussão. Isso. Mostraria a Malfoy o quanto ele era maduro para deixar essa birra de lado. Viraria as costas pra ele e o ignoraria. O que Draco poderia fazer? Absolutamente nada. Não podia fazer magia e tampouco era tão bom quanto Harry numa luta corporal. Ao ver que não conseguiria atingi-lo, desistiria com ar derrotado. Harry só tinha que se manter firme.
Saiu do banheiro, contente pela decisão de agir como um adulto, e quase perdeu toda a sua resolução quando, ao contrário do que previra, encontrou Malfoy deitado na cama, de costas para ele, imóvel, sem nenhum indício de que queria levar aquilo adiante.
Harry se aproximou da sua própria cama e soltou seu peso sobre ela. Suspirou contrariado quando lhe ocorreu que, aparentemente, o papel de adulto e sensato não coube a ele dessa vez.
Draco teve a certeza de ouvir os roncos de Harry Potter antes de se levantar da cama. Pegou sua toalha e decidiu tomar um banho demorado. Encheu a banheira de água quente, dobrou pacientemente as vestes e a pôs num canto seguro. Não achou nenhum dos óleos de banhos que gostava de usar, então teve que se conformar com um sabonete líquido com cheiro de menta que encontrou dentro do pequeno armário. Havia dois. Um deles cheirava camomila, e Draco odiava camomila. O outro tinha um leve cheiro almiscarado que, se Draco fosse sincero, era muito, muito bom. Mas como esse vidro estava pela metade e era vagamente familiar, Draco, que se negava a cheirar como Potter, pegou o terceiro vidro, que estava fechado até então. Despejou uma quantia generosa na banheira e entrou, agradecendo aos deuses pelos trouxas não serem assim tão burros e conseguirem criar um meio de se manter a água quente na torneira mesmo sem magia. Ele queria mesmo saber como eles conseguiam essa proeza, mas estava ocupado no momento deixando-se seduzir pelo vapor confortável de menta que vagarosamente ocupava o ambiente. Draco fechou os olhos, esquecendo os trouxas, esquecendo Voldemort, esquecendo Potter. Saiu de lá apenas quarenta minutos depois, com o estômago roncando de fome.
Draco vestiu-se com elegância, até porque não tinha roupas de outro modo e desceu as escadas, decidido a conseguir algo para comer. Do bom e do melhor, porque independente do que o testa-rachada lhe dissera, ele abusaria da hospitalidade que os trouxas demonstraram com ele. Potter estava certo, aliás, não sabia até quando poderia se aproveitar do fato de ser podre de rico, e tirar vantagens dos que eram influenciáveis por isso.
Não mentiria dizendo que entendia aquela família estranha, mas já podia ter uma leve noção pelas palavras de Potter. Aparentemente eles não gostavam de bruxos, não gostavam de Potter (Draco os entendia nesse ponto), e adoravam o dinheiro. Bem, isso ele também compreendia.
E a mulher com cara de cavalo aparentemente não era inabalável ao charme dos seus cabelos loiros.
Draco já os detestava.
A primeira pessoa que encontrou foi a criatura enorme e cor de rosa, que mais parecia um porco. De onde estava Draco podia contar pelo menos cinco dobras na imensa barriga. Ele tinha uma tigela de algo gosmento nas mãos que devorava com o auxílio de uma colher sem modo algum. Draco crispou os lábios, quase perdendo o apetite, quando o jovem o viu.
Draco achou que ele sairia correndo como o viu fazendo com Potter, mas se surpreendeu ao receber um olhar que soltava faíscas e um sorriso malicioso.
- Ora, ora, se não é o namoradinho do meu primo.
- Você não devia falar com a boca cheia. Ninguém é obrigado a ver a comida triturada em sua boca.
- E você podia voltar para onde veio. Ninguém aqui é obrigado a agüentar mais um anormal como você.
- Isso vindo de uma criatura repulsiva que mais parece um leitão de natal.
O ser bizarro fechou as mãos em punhos, deixando a tigela sobre a mesa.
- Quando eu partir você em mil pedaços, quero ver quem será mais repulsivo.
Draco olhou-o de cima, como se estivesse pensando.
- Acho que ainda assim o primeiro lugar seria seu.
O Cinco-Dobras não gostou do comentário, ficando rapidamente vermelho. Draco ergueu as sobrancelhas ao vê-lo se aproximar. Ele o atacaria? Draco tinha a varinha no bolso da calça e não se importaria em usá-la, embora Dumbledores tivesse sido bem claro quanto às regras. Ele era maior de idade, já podia usar feitiços longe da escola, se algo ali o impedia, era por causa de Potter. Draco tinha quase certeza de que aquela regra havia sido imposta apenas porque o Testa-rachada não podia usar. Pra manter o pé de igualdade, talvez.
Mas nesse momento, a Cara de Cavalo entrou na cozinha, seus olhos praticamente brilhando ao vê-lo.
Draco alisou a franja, num gesto sedutor.
- Olá novamente, Sra. Dursley. Espero que não se importe se eu me atrever a pedir algo para comer. O imbecil do... hãm... seu sobrinho, ele derrubou a bandeja com o chá.
- Claro que não, querido, não é incômodo algum. O jantar já foi servido, mas... Acho que não vai ser problema esquentar... O quê? Não? – À palavra "esquentar" Draco fez uma careta que não passou despercebida à mulher. Seu rosto se contorceu, quase como se recriminasse por ter oferecido comida requentada a um rapaz podre de rico. – Bem, talvez... Tem uma torta de frango congelada que eu fiz para levar no almoço de domingo, mas não seria problema servi-la para você, eu posso fazer outra e…
- Mamãe! – Duda gritou, incrédulo. – A senhora não me deixou…
- Duda, querido, por que não vai assistir TV? Isso, meu bem, deixe nosso hóspede comer em paz... Sente-se, Draco, e fique a vontade, em um instante a torta estará pronta no microondas.
Draco pensou em perguntar o que era um microondas, mas não podia deixa passar a oportunidade que surgira quando Duda passou por ele zangado ao sair da cozinha.
- Ei, Duda! – chamou contendo o riso. – Você esqueceu sua maçã!
Então Draco jogou uma maçã que acabara de pegar na fruteira, quase explodindo em risos ao ver a expressão de Duda quando ele entendeu, sem poder responder na frente da mãe.
Petúnia, por sua vez, não entendeu, então não se importou.
Quando Draco voltou para o quarto com o estômago cheio, encontrou um Harry Potter mais descabelado que o normal, tentando consertar o estrago da louça do chão. Os olhares se cruzaram. Harry ainda arrependido pelo que havia dito para Draco anteriormente, e este tentando não se sentir culpado por estar ali com a barriga cheia quando o outro claramente não teria a mesma recepção se fosse buscar algo para comer.
Sem dizer nada, os olhares se desviaram, e nenhuma palavra foi trocada. Assim se passou o primeiro dia daquele inferno.
O dia seguinte era sábado, os Dursley saíram logo cedo para passar o fim de semana não sei onde, e os dois foram deixados sozinhos numa abençoada paz e num inquietante silêncio. Havia comida na geladeira, livros para ler, mais cantos para não serem obrigados a ficar na presença um do outro. Em algum momento Harry ligara a televisão e Draco espiara, se sentindo meio fascinado pelo instrumento curioso. Quis perguntar a Harry como ela funcionava se não por magia, mas não teve coragem de quebrar o silêncio passional que surgira entre os dois. Apenas se sentou em silêncio no outro sofá, recebendo um olhar curioso de Potter antes que este voltasse novamente a atenção para a televisão. E assim mais dois dias se passaram.
Naquela noite, um domingo quente para os padrões com os quais estava acostumado, Draco e Harry receberam um olá de Snape. As notícias não eram boas.
- Os comensais já estão a sua procura, Draco. Seu pai mandou um mensageiro para buscá-lo, alegando problemas familiares. Seguimos de acordo com o planejado. Foi um escândalo, Hogwarts está sendo bombardeada por pais assustados por um jovem que desapareceu nos limites do castelo. Mas não se preocupe, Dumbledore está cuidando de tudo, basta que você fique a salvo e não saia de casa. O mesmo vale para você, Potter.
Depois disso, ele se foi, encerrando o terceiro dia do inferno dos dois.
Na segunda-feira o Porco Pai, a Cara de Cavalo e o Cinco Dobras estavam de voltas, risonhos e cor de rosa. Harry não saía do quarto, preferindo passatempos entediantes dentro do cômodo. Geralmente dormia ou escrevia carta para os amigos. Draco, porém, tinha decidido se aproveitar dos trouxas, e cumpriria isso até o último instante. Esperou o horário de almoço terminar e o Porco Pai sair para trabalhar, então desceu. Já tinha percebido que a mulher era mais fácil de manipular. Não importasse o que o idiota do Potter dizia, seu dinheiro podia ser sedutor para aquela família medonha, mas seu charme contava ainda mais.
E por falar no idiota do Potter, este não quis descer, alegando não estar com fome. Draco deu de ombros, evitando comentar, mas concluindo que Potter não era magro de ruim, afinal.
Foi só depois de alguns dias assim que Draco por fim entendeu. Não é como se Potter nunca descesse quando os parentes estavam em casa (o que graças a Deus não era muito comum), mas geralmente os horários dos dois não batiam. Potter acordava cedo e dormia tarde, e ainda tinha o costume de tirar um cochilo de tarde. Draco não se preocupava em acordar mais tarde, quase na hora do almoço, assistir um pouco de televisão com a Cara de Cavalo e se gabar do status que tinha graças ao seu dinheiro. O Cinco Dobras não o incomodava mais desde que Draco retirara sua varinha do bolso casualmente. E depois, enquanto o Testa-Rachada ressonava de boca aberta, Draco gostava de ler uma coisa ou outra, apenas para parar no meio da leitura e deixar sua mente vagar livremente pela sua própria imaginação muito mais criativa.
Mas aquele dia, Draco acordou cedo, incomodado com uma alergia que fazia alguns dias já que não o deixava em paz. Tomou um banho, deixando o sabonete de menta de lado quando deu uma boa olhada no estado de seus pulsos, onde a pele era mais sensível. Estavam avermelhados de tanto coçar. Bufou. Trouxas e seus produtos de quinta categoria. Pegou o sabonete almiscarado de Potter. Se não fazia mal ao Quatro-olhos não faria a ele.
Colocou um suéter que escondia o estado de sua pele, e desceu. Potter estava lá, com a cara vermelha, de braços cruzados como se estivesse se contendo para não buscar a varinha no bolso.
Ia sentar, quando reparou no que o garoto comia. Torradas. E chá. Bem, ele tinha algumas opções de queijos e geléias para suas torradas, mas nada comparado aos deliciosos bolos de laranja e pão de queijo que a Cara de Cavalo arrumava para ele comer. Draco resolveu não comentar nada, apenas sentou-se e observou. Atrapalhara uma discussão, aparentemente, que não continuou com sua presença.
No almoço, Harry estava lá, assim como o Porco Pai, que chegara mais cedo naquele dia. E foi a primeira vez que Draco sentiu simpatia por Harry Potter.
A conversa estava girando entre os três trouxas, nem Draco nem Harry eram incluídos, mas não pôde deixar de notar que às vezes os dois adultos ainda lhe pediam para passar alguma coisa da mesa, enquanto Harry era plenamente ignorado. Os trouxas praticamente se jogavam sobre o rapaz moreno quando precisavam do sal, da pimenta, da salada, quando estes se encontravam longe de seu alcance. Ninguém lhe dirigia a palavra. E quando os pratos, os talheres, os copos eram postos na mesa, eram sempre em quatro. Harry não parecia nem notar, levantando para pegar seu próprio copo e usando-o apenas para tomar água do filtro, saindo antes da sobremesa.
Não como se ele realmente fosse ser servido se ficasse. Draco só então notou que apesar de manter uma tigela cheia do doce na geladeira, eles sempre vinham arrumados em copinhos individuais.
E, de novo, Draco sabia contar. Eram quatro.
Ele não estava prestando muita atenção ao que acontecia na mesa, e não se importava, a não ser quando notou o silêncio inconfortável que surgiu de repente, e se arrependeu de não ter prestado atenção.
Ergueu os olhos curiosamente, vendo Potter com as mãos fechadas em punhos e a expressão chocada dos dois trouxas. O terceiro, o da cara de porco, tinha um sorriso malicioso.
- Ele o quê? – Petúnia exclamou, exasperada.
- Você! – Harry rosnou, olhando para o primo. – Você pegou!
- E fez muito bem, Duda! – exclamou Válter. Draco quase franziu o nariz ao olhar para a figura repugnante mais repugnante ainda quando ficava vermelho daquele jeito. – Imagine! Se isso fosse parar em mãos erradas! O que seria de nós?
- Me devolve! – Harry gritou, com raiva. Draco percebeu que o Porquinho se encolhera no assento. Não era pra menos, ele próprio faria o mesmo se não tivesse que manter as aparências. – Você não tem o direito! Estava guardado, ninguém encontraria! É meu e eu quero de volta!
A essa altura Draco estava se matando de curiosidade para saber o que o gordão havia pegado.
- Não! – Válter exclamou, os olhinhos miúdos brilhando de malícia. – Duda não vai devolver porque eu não irei deixar!
- Não importa, papai. Não está mais comigo. Eu já coloquei fogo em tudo.
Draco não sabia o que era, mas viu-se estreitando os olhos para o Cinco Dobras petulante. Nunca imaginou que encontraria alguém mais insuportável que o Testa-Rachada.
Nesse momento porém, distraiu-se quando Harry levantou, furioso, a mão correndo rapidamente até o bolso. Draco sabia o que ele estava para fazer.
- Potter! – exclamou. – Não!
Ele estava de pé também, sem nem perceber. Harry virou-se na sua direção tão furioso quanto, parecendo querer descontar nele. Draco estava certo de que ele lhe diria meia dúzia de palavras afiadas quando algo nos olhos dele mudou. Resignação, talvez?
- Nenhum de vocês vale à pena. – Harry murmurou, antes de dar meia volta e sair, deixando um Draco estático e três trouxas com cara de vitoriosos.
Naquela tarde ainda, Draco tinha dúvidas e estava disposto a tirá-las. Andou pela casa, e na sua observação, percebeu algo que não tinha percebido até então. Retratos. Não havia um único retrato que indicasse a presença de uma quarta pessoa naquela casa. Nenhum sinal de que um outro membro crescera ali. Nenhuma foto. Nenhum troféu de campeonatos infantis que Draco já notara que os trouxas colecionavam. Nada.
Distraído, coçou os pulsos machucados, pensando novamente no que acontecera no almoço. Potter estava no quarto até então, e o Gorducho Filho no dele. Com uma decisão repentina, Draco foi até lá.
Entrou sem bater, observando com um certo prazer quando a expressão do outro passou de surpresa à fúria em meio segundo.
- Você... – ele cuspiu, se aproximando. Draco, contudo, fê-lo hesitar quando ergueu a varinha.
- O que você pegou de Potter? – ele perguntou calmamente.
Duda fez uma expressão de escárnio.
- Por que faz questão de saber? Já viraram cinzas!
- O Que. Você. Pegou. De. Potter? – ele repetiu, como se estivesse falando com um débil mental. Draco ainda tinha suas dúvidas se o outro não era um.
- Por que você não pergunta pra ele, heim?
Draco ergueu mais a varinha, se aproximando.
- Estou perdendo a paciência.
Duda recuou cambaleando.
- Você n-não p-pode usar isso…
- Errou. Harry não pode, eu posso. Tenho que assumir pra você que estou quase implorando por um motivozinho pra poder usar...
Duda começou a tremer, olhando horrorizado para a ponta da varinha de Draco. Este, por sua vez, teve vontade de rir, mas se controlou. Como o trouxa não fazia nenhuma menção de que responderia à ameaça, ele resolveu brincar um pouquinho. Se afastou um passo, estendeu a outra mão e começou a sussurrar algumas palavras em italiano, misturando com outras do inglês antigo e algumas que inventava na hora. A reação foi imediata: Duda entrou em desespero.
- Não, por favor, não! Eu digo onde está, eu digo, eu não coloquei fogo, por favor, por favor, por favor... Está aqui, onde está, onde… Ali, ali, embaixo da cama, pegue, é seu! É seu!
- Pegue! – Draco exigiu, sério. – Dê pra mim.
Duda obedeceu, suas pernas gorduchas tremendo feito gelatinas. Bateu o cocuruto da cabeça quando voltou, um livro de tamanho médio nas mãos enormes.
- Aqui, aqui... – ele chorou.
Draco pegou o livro, indiferente, estreitando os olhos na direção do garoto a sua frente.
- Se você voltar a mexer no que não é seu...
- Eu não vou! Não vou! Eu juro!
- Bom. Porque eu não vou interromper o feitiço da próxima vez, você resolvendo devolver ou não.
Ao ter certeza de que a ameaça tinha penetrado o cérebro não proporcional do mostrengo, ele saiu do quarto. Pouco antes de entrar no que dividia com Harry Potter, parou e se permitiu dar uma boa olhada no livro.
Fotos. O livro estava repleto delas. Fotos bruxas. Draco não conhecia aquelas pessoas, mas teve uma leve impressão de que sabia de quem era.
Quando entrou no quarto, Potter estava dormindo. Ele o olhou dormir por alguns instantes, voltando a coçar os pulsos, incomodado. Por que fizera aquilo? Porque fora buscar o que quer que fosse que Harry havia perdido? Desde quando ele ajudava Harry Potter?
Quando convenceu-se de que a intenção era prejudicar o porco de natal mimado e não necessariamente ajudar Harry Potter (essa era só uma conseqüência no meio de tudo) Draco conseguiu se concentrar na leitura do novo livro que estava lendo com a consciência limpa.
Não estava se tornando bonzinho nem um dos muitos fãs de Harry Potter. Era importante deixar isso claro.
N/A: Olá, minha gente linda! Desculpem a demora! Final de ano tá uma loucura! Se me dissessem que um tcc daria tanto trabalho assim, teria repensado a ideia de largar a terapia nessa altura do campeonato! Mas vamos que vamos! Obrigada pleas reviews lindas de vocês! Adoro sugestões!
Super beijos!
