CAP. 14: ASSUMIR

Não teve dia que não voltasse a reviver essas lembranças, porque foram seu sustento e consolo por muito tempo, o recordava tão vividamente, a cada detalhe, a cada sensação.

Lembrança:

Quando o 14 de novembro morria, se apresentou nas habitações do professor, tinha adoptado esse costume desde que o maior aceitasse sua amizade, desta vez o encontrou terminando de verter um líquido enegrecido em várias garrafas, como sempre, não pôde reconhecer de qual poção se tratava, mas agradecia que seu professor jamais perguntasse o nome de nenhuma delas, ainda que tinha melhorado em sua classe sempre tendia a ser um pouco… despistado.

—Professor—foi seu saúdo, localizou-se um pouco afastado do maestro, não queria o importunar.

—Potter —respondeu, deixando de lado o tom de incomodo, que antes sempre utilizasse.

Contrário ao que muitos pensavam as masmorras não eram carentes de janelas e, delas se filtrava a luz, no entanto estas se situavam muito acima e eram de pequenas dimensões, pelo que as velas se acendiam da pouco ao mesmo tempo que as penumbras da noite avançavam.

Apesar de já não ser o maestro de poções, Severus surtia à enfermaria de Hogwarts, quem melhor que ele para essa tarefa? Quando todos os frascos se encontravam em um dos vários estantes, o professor volteou para atender ao rapaz, mas se sustentou do mesmo estante quando sentiu uma tortura transmitida desde sua marca.

Harry pressuroso ajudou-o, supôs que era um aviso de Voldemort e agora lhe requeria.

— Passa bem? Deverá apresentar-se? —disse-lhe afligido.

—Só, é uma lembrança, não me chamou, ainda —respondeu com dificuldade.

Efetivamente não era um chamado, essas ardiam, mas o que agora experimentava era uma dor parecida ao crucio, mas contrário a esta não era a tortura contínua, senão consistia em flashes dolorosos por todo o corpo, que ele reprimia os desafogar em gritos, mas o deixavam muito exausto e, lastimosamente só ele recebia.

Harry ainda o ajudava a se sustentar e lhe sentou em um amplo cadeirão, não deixou de abraçar em nenhum momento, as facções de seu maestro se relaxarão pouco a pouco, sabia que a dor minguava, se amaldiçoou internamente, ele era o encarregado de acabar com Voldemort, mas ainda não o fazia, ademais o Lord não se apresentava como em outras ocasiões e tentava lhe atacar, algo que ao rapaz lhe preocupava de sobremaneira.

Alentado, ao ver que Snape respirava com normalidade e abria seus escuros olhos, se permitiu um sorriso, a crise tinha passado e o rosto do maior lhe olhava com o que poder-se-ia chamar agradeciminto.

Harry começou a contemplar-lhe baixo a ténue luz, absorto deixou-se guiar por seus sentimentos, pelo momento, amava-o não podia o negar, agora sua razão não mandava e se deixava guiar por seus impulsos, os mesmos que lhe diziam que esses lábios deviam saber a glória, que essas mãos deviam ser hábeis e inquietas, que esse homem devia ser seu dono, agora e sempre.

—Ama-me —sussurrou, acercou-se mais e não tinha poder no mundo que o detivesse já, posou seus lábios com temor.

Severus sentiu que esses suaves lábios repassavam os seus com amabilidade, esses beijos não eram demandantes, eram pequenos contatos mornos, tão cheios de candidez, um consolo perfeito, de modo que, entre a recente tortura e as emanações do relaxante que antes preparasse, deixou escapar sua razão por um momento.

Precisava esse contato, as pequenas mãos agora se moviam um pouco ignorantes por seu peito coberto, um sentimento de gratidão lhe encheu por completo, quem queira que fosse lhe dava nessas caricias um consolo almejado, quem queira que fosse lhe isentava a alma, porque para essa pessoa não era um simples objeto em onde se satisfazer, para essa pessoa era um corpo digno, um querido, um que realmente valia.

Harry não experimentou nenhuma rejeição, mais ao invés parecia que suas caricias eram desfrutadas, se sentiu extasiado em sensações, então se aferrou com um pouco mais de força estava muito feliz até que escutou:

— Harry?

Ainda que o mencionado não notou a dubitativa com a que disseram seu nome, sim sentiu uma repentina vertigem que lhe fez perder por um momento a sensação do céu em pleno.

Em seguida tudo mudou, achava que o ambiente também lhe ajudava porque se viu rodeado de uma neblina morna e azul, a felicidade era palpável, viu a Severus lhe tendendo a mão, com o sorriso mais limpo e perfeita; jamais achou que alguém lhe visse sorrir, se sentiu egoísta, não queria que ninguém, absolutamente ninguém desfrutasse desse sorriso, só ele.

—Acompanha-me Harry, quer?

— Sim, aonde? —aceitou a mão, feliz, mais após ter escutado seu nome.

—Aqui—e mostrou-lhe uma porta que não tinha visto antes, talvez estivesse escondida baixo um feitiço e agora se descobria —Vêem— voltou a lhe dizer enquanto abria a misteriosa entrada.

Entrou e parecia mover-se entre nuvens azuis, não prestou atenção à habitação não queria apartar sua mirada dos olhos negros, sentir o peso do corpo de Severus sobre ele e o delicioso conforto suave em suas costas lhe disseram que se encontrava em uma cama, estava seguro de que era em onde dormia seu professor.

Era inegável que o professor tinha conjurado esse ambiente e lhe pareceu perfeito, todo o que viesse dele sempre seria perfeito.

—Perdoa, se vou rápido.

Harry tinha pensado o mesmo, mas o fato que Severus lhe dissesse o que exatamente queria ouvir, afiançou sua teoria que Severus era perfeito para ele, tão perfeito que podia ler sua mente, sem utilizar a legilimência.

—Eu desejo que seja assim —foi sua resposta.

Não soube como, mas suas roupas desapareciam lentamente uma a uma, se via sem sua túnica, voltava a beija-lo e sua camisa já estava aberta, um novo beijo e seu torso nu era acariciado, era tão perfeito, como ele sempre tinha imaginado.

Fechou seus olhos um momento, só um breve momento, uma onda de imagens e o frenesi de sensações encheu seu cérebro quando voltou aos abrir, o suor se formava em todas as curvaturas de pele, os longos cabelos negros enredados em seus dedos, um aroma tão atarante que se expandia agora também por seu corpo, adoptaria também seu essência, esses lábios tão húmidos quis se envolver totalmente nessa humidade.

Não tinha em claro como seria sua primeira vez, mas deixar-se-ia levar, não tinha medo mas mesmo assim tremia, seu coração galopava. Queria-o e ele também, dar-lhe-ia tudo, deixar-se-ia por completo, não tinha medo, não sentiria dor, tão só uma doce sensação de estar completo, de estar por fim completo.

Foi levantado e ficou sentado em cavalete nas coxas de Severus, este beijava sem ordem específica sua clavícula, seu peito, perto a seus mamilos, seus lábios, sua têmpora, o pescoço, todo era tão formoso, não como esses encontros fortuitos que tinham os estudantes e que fanfarronavam seus colegas.

Sentiu sua cintura pressionada, viu-se, as mãos de Severus fechavam-se em seus lados com os longos dedos separados, acercou-o mais com firmeza, emitiu um suspiro temeroso, imaginava que daqui a pouco esses dedos conheceriam o lugar que jamais ninguém tinha acedido até esse dia.

Voltou a tomba-lo, e o homem inclinou-se, a hora tinha chegado.

—Harry —voltou a ouvir seu nome ser pronunciado com deleite.

—Ama-me —respondeu.

Sentiu como as mãos de Severus viajavam por seus braços, mas não apresaram suas mãos, senão entrelaçou seus dedos com os próprios, o viu se inclinar e se afogaram em novos beijos.

Estendeu suas coxas instintivamente e Severus começou o movimento horizontal, Harry respirava com dificuldade e já se imaginava o que estava a passar entre suas intimidades, achou que doer-lhe-ia, mas, Snape se lhe introduzia com total macieza, tão perfeito, o dance enlouquecedor se acelerou, sentiu seu sangue agolpear-se em seu coração, sua cabeça e em suas partes baixas, fechou os olhos, pertencia em alma e corpo a esse homem.

Fim da lembrança

Recordava que ao dia seguinte amanheceu na cama do homem, que se despediram em forma estranha, que lhe contou a Hermione onde tinha passado a noite e como esta lhe fez notar o estado depressivo de Severus essa noite.

E foi essa noite quando o perdeu, e nem sequer pôde falar com ele, só desapareceu. Ficou com lembranças, tão só lembranças, mas Harry não podia ser mais feliz, após se sentir perdido e completamente miserável por quase dois meses, agora se abraçava assim mesmo, repassava com suas trémulas mãos uma e outra vez o lugar onde supunha se gestava o filho de Severus.

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Fazia quase em um mês que Severus compartilhava a mesa com Voldemort quando a este se lhe antojava, mas felizmente não voltou a se repetir cenas similares à noite natalina. Quase sempre comiam os dois sozinhos, às vezes Lestrange os acompanhava, evadia o mais possível a mirada furiosa que a bruxa lhe mandava, comia a pressa, para assim poder se retirar cedo, mas às vezes, era o Lord em pessoa quem o levava de novo a sua habitação, ainda dormia no chão, a comodidade era o de menos, de modo que sua vida voltou a se sumir em uma deprimente monotonia.

Desafortunadamente para Lucius, sua intenção de avisar a seu amigo dos planos que tinha o Senhor Escuro para o bebê que esperava não pôde concretar-se. Essa noite, não pôde sequer falar com o sanador como o fazia habitualmente, o Lord o tinha mandado chamar, esperava que não tivesse detectado sua presença, mas Voldemort tinha outros planos para ele, agora que tinha recuperado um pouco da confiança perdida, lhe disse que se fizesse cargo do treinamento dos novos membros recrutados, de modo que passo no mês íntegro entre o treinamento em um salão acondicionado para esse uso e entre a elaboração de poções que o Lord requeria.

No mês tinha concluído e os novos treinados iriam refinar suas artes em localidades muggles. De modo que agora se encontrava subindo pelas gradas rumo a sua habitação, após ver como o Lord tinha montado uma orgia no salão principal, para que quando Bellatrix chegasse com os novos comensais sejam recompensados ou, se Lestrange lhe informava sobre a pobre atuação de alguns deles, impor o castigo correspondente, tanto ao aluno como ao maestro, pelo que Lucius esperaria a chegada de Bellatrix e o chamado do Lord, mas…

Sua sorte tinha melhorado, apressou o passo quando viu ao sanador entrar no recinto designado, o deteve do cotovelo com força e lhe entregou um arrugado pedaço de pergaminho.

—Dê-lhe.

—Mas… que? —quis se soltar de seu agarre surpreendido pela atitude desesperada do dantes sereno homem.

—Só lhe dê e… lhe diga que não espero obrigado.

—Não lhe entendo.

—Ele fará, mas deve lhe dar, a Severus.

E Magnus seguia olhando-lhe desconfiado, Lucius rogava em seu interior para que esse homem em verdade fizesse o que lhe pedia; enquanto Lestrange, observava oculta e friamente o estranho encontro, tinha regressado faz pouco e por ordem de seu amo, vinha por ele.

—Meu Senhor manda-te chamar, Lucius —interrompeu a voz feminina da comensal.— posso saber o motivo de tão secreto encontro?

Lucius obrigou-se a serenar-se e enfrentou à mulher.

— Secreto? Nenhum que eu veja neste lugar —lhe disse autossuficiente.

—Pois, então não te importa se comento lhe a nosso grande Senhor.

—Fá-lo, se quer, mas um pequeno assédio a um simples sanador, não acho que seja um tema interessante que tratar com o Lord, Bela, lhe fazer perder seu valioso tempo? Por que? Tão só me divertia.

E Magnus sentiu uma dor na coluna muito leve, mas acompanhado de uma força invisível que lhe fez cair ao instante e compreendeu que o homem tratava de desviar o tema e ainda que não tinha dor, se queixou como se recebesse uma tortura.

Ainda que Bellatrix não parecia lhe crer, um novo grito de Magnus, a convenceu para afastar desse lugar, agora junto com Lucius, quem tirou rapidamente o feitiço que tinha a Adler no andar.

—Vamos, não façamos que nosso Senhor espere, —lhe disse um pouco molesto.

—Sempre tão galante Lucius. —lhe devolveu a resposta com cinismo.

Enquanto os dois afastavam-se, Adler pôs-se de pé, fingiu cambalear-se e entrou em sua habitação; lastimosamente jamais lhe proporcionaram os modos que a única luz que recebia era das janelas, apertava fortemente o encarrego de Lucius, por fim um pouco mais sereno abriu seu punho, se acercou para a escassa luz.

Nunca foi curioso, ainda de menino, jamais transgrediu normas sociais, como o de ler missivas alheias, mas agora era diferente, não exporia a Severus a nada perturbador, já tinha suficiente com só a presença de Voldemort, de modo que leu o pergaminho por completo, voltou ao fazer, desenhou um sorriso triste, daria a primeira hora na manhã.

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—Atinjo-os cedo.

Foi o que disse Harry, ao termo das classes de Defesa um dos primeiros dias após as férias de fim de ano, e começou a se afastar rapidamente rumo ao que supuseram seus amigos; uma visita necessária aos banhos do castelo. Conformes, chegaram à Sala Comum e começaram a estudar muito apesar de Ron.

Desde que os três separassem-se já passava uma hora, não queriam ser paranoicos, mas ambos olhavam a entrada ansiosos a cada vez que esta se abria.

— Achas que deveríamos ir procurá-lo? —perguntou o ruivo.

—Faremos por separado, será melhor —foi a ordem a modo resposta de Hermione.

Ambos recolheram suas coisas com rapidez e saíram como tinham lembrado por rumos diferentes, o verdadeiro é que ela estava bem mais agoniada, desde que sofresse o desvanecimento no jantar de Natal Harry, não lhes tinha contado nada e lhes devia essa conversa, não insistiram porque desde esse dia Harry se via e, estava feliz, um pouco díscolo às vezes mas muito feliz.

Encontrou-o na Biblioteca, foi mais por costume que por achar que em verdade Harry se entretivera nesse lugar, mas se equivocava, contemplou a seu colega desde certa distância, tinha três livros a seu alcance, um deles aberto, muito absorto em sua leitura enroscava a fina fita do marcador em seu dedo índice e o voltava a desenroscar, seus olhos se moviam de esquerda a direita, tão concentrados que parecesse que as palavras ali escritas quisesse memoriza-las uma a uma.

— Com que aqui te encontravas?—disse-lhe, quando se acercou mais a ele.

Harry deu um saltito em seu lugar, rapidamente soltou o marcador na página que lia e fechou o livro.

—Disse-lhes que atingiria—com lentidão pôs os outros livros sobre o volume que estava a ler, sua amiga o notou, mas não reclamaria ainda.

—Mas, isso foi faz mais de uma hora. —as mãos em sua cintura. — Ron e eu estávamos muito preocupados —completou.

— Uma hora? Bom, pensei que não era tanto! Sinto Hermione… é que me entretive… eh… agora já sei porque gosta tanto estar aqui.

—E, se o que procura é o feitiço que me pediste, já o revisamos tudo, Harry.

—Sei—respondeu triste, ao recordar que antes procuravam com afã as palavras que lhe confiasse seu professor alguma vez.

Harry parou-se quis tomar os livros, mas a mão de sua amiga estava apoiada neles, não deixaria que lhes levasse facilmente, sem permissão sacou o último e o abriu no lugar que deixasse seu amigo, o título: "Como levar uma dieta para uma melhor gravidez", voltou ao ler, isto era o que temia, tratou de serenar-se.

—Harry, diga-me que é uma broma.

—eh… Não o é —lhe disse com um sorriso culpado.

—Mas… disse que não voltaria às tomar!

—E não o fiz, devera Hermione, mas acho que seus efeitos ainda não desapareciam por completo —e o sorriso não desaparecia.

A tosse enojado da bibliotecária fazer calar porque da pouco tinham elevado a voz sem dar-se conta, de modo que saíram a passo rápido, quando estavam no corredor Hermione, o levou até uma sala desocupada, para seguir com sua conversa.

—Suponho então, que deverás visitar a Madam Pomfrey, para o confirmar.

— Que mais confirmações quer? Todos meus sintomas são mais que suficientes.

Pensando, tinha razão, seus náuseas matutinas, eram ocasionas, mas sabia que as tinha, o apetito desequilibrado, ainda que não recorria a essas "comidas raras" que se supõe deveria preferir.

Harry voltou a dirigir a sua amiga, já que ela se ausentava do resto do mundo quando se punha a meditar algo.

—Sento-me bem, mas farei cedo, não se preocupe.

—Agora.

— Que?

—Agora, Harry, acompanharei.

—Não. Agora o que quero é descansar, te prometo que irei depois.

Hermione voltou-o a ver, sorriu-lhe e Harry soube que tudo estava bem, o abraço que lhe deu a castanha afiançou mais sua conclusão.

Deixou passar o encontro com a enfermeira por alguns dias mais, dias em que sua felicidade se tinha acrescentado, onde sua amiga lhe consentia e cuidava, dias em onde repassava várias vezes suas mãos por seu ventre. Onde Ron não sabia a causa da mudança de seu amigo, mas, ao igual que Hermione, também lhe consentia.

Um repentino mareio uma manhã, alertou a Hermione, de modo que agora percorriam o corredor lado a lado, rumo à enfermaria.

—Mas… e estudar? —quis desviá-la Harry.

—Isto é mais importante e, já deixaste passar muito tempo.

Não tinha nada mais que dizer, o verdadeiro era que ele também estava ansioso por saber como ia tudo, mas o medo às óbvias perguntas sempre o detinham.

Uma vez na enfermaria; Pomfrey recebeu-os, acostumada a receber a Potter por sérios acidentes, surpreendeu-se ao vê-los entrar e não notar nada no jovenzinho, mas a mirada preocupada de Hermione lhe dizia que era mais sério do que pensava.

—Espero que não seja nada grave, e não me tomem como desculpa para não assistir a suas classes.

—Madame Ponfrey… —e esgotaram-se lhe as palavras.

—Senhorita Granger, se deve informar-me algo, deve o fazer sem resmungos, recorde que se está a falar da saúde de uma pessoa.

Bastou com dizer saúde, para que Hermione olhasse a Harry e prosseguiu, porque seu amigo seguia calado e envergonhado.

—Madame, Harry não se sentiu bem nestes dias, ele, insiste que passa bem, mas o convenci para que viesse à ver e talvez você saiba que é o que lhe ocorre.

Isso era estranho, de modo que com uma amável mirada lhe ordenou a Harry para que se deitasse, revisá-lo-ia exaustivamente, porque conhecia à senhorita Granger e ela não recorria às divagações, mais bem parecia que a estava a examinar.

Fechou os biombos, para não ser molestada em sua auscultação, passaram como vinte minutos e Hermione já estava desesperada, quando as cortinas se abriram.

Harry agora parecia mais aliviado, e ainda se via algo envergonhado, sua amiga observou atenta ao que diria Madame Pomfrey, efetivamente ela seguia mostrando a dúvida nessa mirada.

A enfermeira sempre dava seus diagnósticos sem fazer reparos, mas desta vez se sentou na cama do lado de seu paciente, algo nessa situação a instou a se comportar mais maternal.

— Como está? —Harry olhou-a com os olhos límpidos e cheios de ternura.

A enfermeira não compreendeu sua pergunta, tratou de interpretar a mirada de Harry quando a fez, porque ao que parece essa resposta era muito importante para o jovenzinho.

—Diz-me Harry, por que está aqui?

—mmm… você já o sabe —e tratou de desviar um pouco a mirada— só me diga se tudo está bem.

—…Não Harry, não está bem.

— QUE? —Olhou-a com dor— Que quer dizer? Talvez estou a perder a meu bebê?!

Ante essa assustada revelação, Madame Pomfrey compreendeu e agora devia lhe dar a pior desilusão de sua vida.

Harry saiu correndo da enfermaria, depois dele Hermione e a enfermeira; a mulher tinha tratado que a notícia fosse o menos doloroso possível, mas isso por Deus! Era impossível.

— (Carinho, sinto muito, mas não há… não há bebê… não há bebê… não há bebê…)

Em sua cabeça soava essas palavras uma e outra vez, a dor era tal que não recordou como saiu da enfermaria, não recordou as verdades que tinha gritado, só queria ir a um lugar protegido e se dirigiu ao único lugar em onde foi feliz por última vez.

Enquanto, Dumbledore tinha sido informado de tudo através da mesma Poppy, que após procurar a Harry e não o encontrar, decidiu ir ao diretor para o alertar da penosa situação, em tanto Hermione e agora Ron seguiam procurando o paradeiro de seu amigo, claro que Ron não entendia a razão do desespero de Hermione, mas agora, o único que contava era que devia achar a Harry, cedo.

A surpresa do diretor em um princípio era notável, enquanto a enfermeira avançava com o relato vários sentimentos eram-lhe confusos, poderia ter passado tudo o que lhe contavam sem ele o saber? Mas, se serenou e meditou um momento.

—Creio saber onde pode se achar Harry, mas se me equivoco, conto com vocês para o localizar —Sem mais, sua figura foi sugada pela lareira.

E não se equivocava, ao chegar às habitações de Severus, se encontrou em frente ao jovenzinho, quem se passeava de um lado a outro chorava e gritava as frases que de seguro Pomfrey lhe tinha dito, seu pranto o interrompia às vezes, Albus deixou que se desafogasse.


— GRAVIDEZ PSICOLÓGICA! DIZ-ME
—e volta a limpar seus olhos com o dorso da mão — ESTÁ A IMAGINÁ-LO! —De volta a seus passos— CONFUNDE-LO COM O ESTRESSE!… QUE MAIS INVENTARÁ?!

—Harry —chamou-lhe com macieza, o rapaz estava realmente confundido.

Harry não tratou de ocultar as salgadas gotas e lhe olhou, em espera de respostas, em espera de apoio, mas o que lhe disse o afundou mais.

—Acha-me que Poppy jamais deixaria que cresses algo que não é.

Bem, então estava só, todo mundo se punha em seu contra, ninguém compreendia, todos negariam o que para ele era algo óbvio, se enojou contra Albus, contra a enfermeira… contra Severus pelo abandonar assim, de modo que voltou a seus gritos, escutariam, escutariam a verdade, ainda que a ninguém gostasse.

— É QUE VOCÊ NÃO ENTENDEM! NÃO PODEM SABER MAIS QUE EU, O QUE PASSAMOS ESSA NOITE.

—Harry…

E Harry fechou seus olhos, voltou a suas lembranças, esses que o sustentaram durante tanto tempo, esses que agora se derrubavam pouco a pouco.

—Ele foi tão carinhoso, todo foi formoso, suas atenções —e baixou seu rosto para ocultar a vergonha do estar a confessar tudo.

Albus desejava mais que ninguém que os dois encontrassem a felicidade juntos, por isso tratou de que Harry se acercasse a Severus, mas agora, o que ouvia lhe fazia supor uma única resposta a essa situação.

— Foram perfeitas —voltou a dizer Harry.

— Perfeitas? —Albus perguntou compungido, mas Harry seguiu.

—Tudo dentro de uma formosa…

—Bruma azul —interrompeu-lhe

—Sim… como…?

Como pôde o ter sabido? Harry ficou observando o semblante do diretor, o que viu lhe desconcertou e teve uma opressão em seu interior, lhe olhava com lástima?

—Lados meu querido Harry —quis procurar as palavras corretas. — Severus… Severus, desenvolveu uma variante da oclumência.

Primeiro não compreendeu, essas palavras eram como se fossem desconhecidas, depois as uniu em sua mente, tratou de lhes dar sentido e seu enfado cresceu quando se deu conta do que lhe dizia o diretor.

— QUE?! TALVEZ TRATA DE ME DIZER QUE O QUE VIVI…?

—Sinto muito Harry, mas tudo me faz supor que sim —tratou de se explicar melhor. — ele… às vezes era obrigado a realizar atos que não queria, pelo que acedia à mente e aos maiores desejos do momento do outro e libertava essas cenas, era como implantar lembranças falsas a seus "camaradas", o único defeito era que tudo decorria dentro de uma bruma azul ténue, claro que a maioria não o notava, porque se encontravam ocupados em outras atividades.

— ISSO NÃO É VERDADE
! —olhou-lhe demasiado furioso.

—Deve ser difícil para ti o aceitar, mas…

—NÃO É VERDADE, ELE O PLANEJOU ASSIM
—fechou seus punhos, não queria o escutar.

—Deve compreendê-lo Harry, conheço a Severus e ele jamais perderia seu autocontrole, muito menos com um estudante.

—NÃO, NÃO, O FEZ POR MIM, O FEZ PARA MIM
— Por que lhe negavam isto?

—Harry, já te disse que Severus JAMAIS FARIA ISSO, O CONHEÇO BEM.

Falar de Severus era muito difícil para Albus, mas agora era mais e tinha começado a levantar a voz. Harry odiou-o por dizer-lhe isso e decidiu o enfrentar.

—Pois se conhece-o tão bem —o olhou ferido, enfadado, queria machuca-lo pelo que lhe disse, queria que sentisse a mesma dor que ele sentia nesses momentos —então, ME DIGA, ONDE ESTÁ?, ONDE? —lhe recriminou.

Essa afrenta recordou-lhe de forma dolorosa que não o sabia, que por mais que procurasse todos os dias não o sabia. Albus não soube que dizer.

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A manhã seguinte foi diferente para Severus, Magnus às vezes encontrava-se aí antes que ele acordasse, mas desta vez não lhe falou de seu cuidado nem dos alimentos pertinentes para seu estado, nem lhe perguntou se se sentia bem.

— Por que não lhe agradecer a Lucius se lhe faz um favor?

Essa era uma informação que só ambos conheciam, agora, como pôde o saber um completo estranho?

— Lucius? Conhece?

—Sim, foi um dos que me trouxeram aqui, também é o porta-voz de "o Lord", mas posso confiar nele? Ele é alguém bom para você? —perguntava desconfiado.

—Não tenho porque lhe responder isso.

—Acho que deveria agradecer-lhe —quis pressioná-lo para ter alguma informação adicional sobre a suposta amizade desses homens.

—Eu não lhe devo as graças a ninguém —disse com certeza.

—Pois é o menos que pode fazer, se preocupa por você e a melhor prova é isso —e lhe tendeu o escrito. — talvez agora me ache que seu bebê não é uma maldição.

Com desconfiança tomou o pergaminho, as letras eram conhecidas, a explicação breve e reveladora, Lucius, explicava-lhe todo e a palavra finque, ao igual que o faziam no Colégio começava com maiúscula.

"o rito completa-se, com o Sacrifício do filho Inocente do invocador"

E a mensagem que lhe desse Adler o fazia mais autêntico "não lhe oferecer obrigado", devia pensar, compreendeu a mensagem, deixou de lhe prestar atenção ao sanador que seguia lhe falando, mas agora precisava fazer planos diferentes.

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Essa mesma manhã Harry voltou à sala Comum mais triste que nunca, os dois dias anteriores o tinha passado nas habitações de Severus, em nenhum momento aceitou os argumentos que lhe disseram e se negava aceitar o evidente, para ele não tinha mais verdade que a sua.

Quando entrou, Ron e Hermione o esperava em seu quarto, o tinha visto vir no Mapa e Ron tinha feito questão de o esperar.

—Hermione contou-me tudo.

E a mirada de Harry se enfocou na figura de sua amiga, ela não pôde lhe sustentar a mirada e baixou a cabeça.

—Perdoa Harry, mas não podia o ocultar mais —foi sua desculpa.

—Ainda que devi esperar a que você mesmo me dissesse, este não é um assunto que se possa tomar às presas.

Ron falava diferente, não era o amigo escandaloso e alguma vez ressentido da falta de confiança que tinha Harry, falava de forma madura, e até compreensiva.

—Hermione, faz favor quisesse falar a sós com Harry —pediu-lhe surpreendentemente.

—Sinto muito Harry —voltou a dizer a rapariga.

—Não tem porque se desculpar, é algo que uma boa amiga tivesse feito —Respondeu Ron, para surpresa de seus amigos.

Hermione retirou-se e Ron voltou a dirigir-se a seu triste amigo.

—Devemos falar.

—Pois eu não quero o fazer, porque sei o que dirá.

—Harry, entende.

—SÃO VOCÊS OS QUE NÃO ENTENDEM.

—ESCUTA-ME.

Harry, só queria que terminasse de dizer o que quisesse e o deixassem em paz, em atitude infantil e de autoproteção se cobriu os ouvidos, já tinha bastante.

Ao princípio Ron planejava ter uma conversa civilizada e compreensiva, mas não tinha a paciência de Hermione, de modo que obrigou a Harry a separar suas mãos, porque o que tinha que dizer era também um muito delicado para ele.

—OLHA-ME… Quando… quando meu irmão perdeu sua virgindade não podia caminhar, não podia demónios Harry! A primeira vez dói. E… eu tenho estado junto a ti para saber que você jamais…

Harry só lhe olhava, sua razão e suas "lembranças" lhe gritavam que isso era verdade, mas seus sentimentos calavam esses gritos.

—Nunca pertenceste a Snape, nunca te pôs a mão em cima, de modo que não há nenhum bebê, ainda que tente o negar não o há.

E Ron alentou a razão de Harry, e o herói do mundo devia enfrentar a seu destino de maneira diferente, ser forte outra vez, e aceitá-lo, sempre o aceitar.

—Sinto muito —disse com seu amigo e seus braços foram um consolo inesperado.

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A noite chegou e o sanador foi-se, uma vez mais os olhos de Severus passearam pela cada uma das letras da curta frase.

Já tinha várias horas pensando, deambulando pela habitação, se detendo sempre nessa janela, com a vista fixa nesse salgueiro que lhe recordavam tanto a Hogwarts, e finalmente o aceitou.

O que faria desde esse momento era cuidar a seu bebê, o cuidar de tudo, de modo que acercou com verdadeiro temor sua mão para esse ninho interno em onde descansava o ser mais pequeno e desvalido que era sua única companhia.

Tinha-o odiado desde que soube de sua existência, mas agora compartilhavam mais que um destino comum, compartilhavam vida, finalmente descansou seu palma; era a primeira vez que o fazia com a certeza que o único que podia lhe oferecer era amor, sentiu emanar uma magia diminuta e diferente da sua,

—sinto muito —sussurrou.

Quando Magnus ingressou a manhã seguinte, não teve que insistir com o café da manhã, já não faria mais, porque Severus estava sentado comodamente na cama terminando o café da manhã, se acercou e quis lhe perguntar, mas antes de dizer uma palavra a voz de seu paciente se escutou:

—Acordou com fome.

Magnus soube então que Severus tinha assumido seu paternidade.

Foi de modo que dois homens assumiram totalmente sua situação:

Um, aceitou ao pequeno bebê que crescia em seu interior, porque estava aí, dentro dele, jamais voltaria a lhe importar a forma de sua concepção, mas protegeria e amaria, como achou que jamais faria.

O outro, admitiu que não tinha um pequeno bebê, que nada estava dentro dele, que não tinha nada que amar e proteger, só uma falsa lembrança, mas que em algum dia talvez faria realidade.

Ambos eram fortes e essa fortaleza lhes fez seguir.

Nota tradutor:

Espero que vocês tenha gostado do capitulo

Logo logo essa fic chega em sua reta final

Então espero reviews!

Ate breve

Fui…