Título: Férias com o Cicatriz

Classificação: M

Shipper: Harry Potter and Draco Malfoy

Aviso: Harry Potter não me pertence, é tudo da Jk. Eu não ganho nada com essa fic. Só um sorriso feliz a cada review, então ajude-me a encontrar a felicidade!

Aviso 2: Palavrões, sexo, homossexualismo. Quem costuma ler minhas fics, sabem que é minha marca registrada. Estão avisados.


Capítulo quatro: Algo em comum

Quando Harry acordou, aquele sentimento de vazio dentro dele não o deixou esquecer de que havia perdido a única lembrança que tinha dos pais. Quis odiar Duda, mas estava tão… tão cansado de tudo, tão exausto, que não conseguia. Sentia apenas… bem, o vazio.

Abriu os olhos, resmungando, certo de que já deveria ser noite e bem tarde. Perdera o jantar, mas o que importava? Ele não desceria para comer com aquelas pessoas tão cedo.

Sentou na cama, apalpando o criado-mudo em busca dos óculos. Seus dedos bateram em um objeto retangular. Harry não se lembrava de ter deixado algum livro ali, então continuou procurando os óculos e, quando os achou, colocou-os para observar melhor o objeto.

Um momento de confusão se instalou sobre o seu cérebro quando ele reconheceu-o. Impossível. Duda havia dito… não havia? Mas por que… E como…

A dúvida só se esclareceu quando a porta se abriu. Harry ergueu os olhos para a figura loira que adentrava o quarto, e o outro também parou quando o viu, a mão ainda na maçaneta.

Draco foi o primeiro a se mover, fechando a porta e recostando-se nela.

- Então, achou o seu objeto perdido.

Harry piscou, ainda confuso.

- Como…

- Espero que não leve a mal, Potter, mas você é muito burro. E eu não estou brincando. Qualquer pessoa um pouco perspicaz veria que o gorducho do seu primo não jogaria fora o que quer que tivesse pegado seu. Ele só estava tentando atingi-lo. Acredite, eu faria o mesmo.

Harry franziu as sobrancelhas, depois sacudiu a cabeça, ainda num ar de confusão. Draco girou os olhos.

- Mas como você…

Draco deu de ombros, um sorriso no canto dos lábios traindo sua indiferença.

- Nada como algumas palavras em italiano para enganar um leigo no assunto. O boboca se mijou todo de medo. Mas se eu fosse você tomaria mais cuidado com suas coisas de agora em diante.

Draco se afastou coçando os pulsos, mas parou poucos passos depois.

- Ah, já ia me esquecendo. Achei mesmo que não ia descer para jantar.

Foram os reflexos de Harry que o fizeram pegar em tempo o saquinho que era jogado em sua direção. Atônico, observou os cookies com pedacinhos de chocolate e aparência deliciosa que agora tinha nas mãos. Voltou a olhar para Draco, duvidando que pudesse parecer mais idiota com a boca aberta.

- De nada, Potter. – Draco girou os olhos, antes de entrar no banheiro. Harry ainda teve tempo de acordar e gritar um "obrigado!" antes que a porta se fechasse. Harry podia jurar que, ante disso, vira um sorriso satisfeito nos lábios do rapaz, mas sacudiu a cabeça e começou a devorar os biscoitos.

Quem diria!

Essa rotina, para surpresa de ambos, começou a se repetir com bastante freqüência nos dias que se seguiram. Harry continuava evitando a família nas refeições, e Draco sempre trazia alguma coisa depois. As farpas continuavam a acontecer entre eles, mas na opinião de Harry, eram a cada dia mais divertidas do que ofensivas. Começara a se acostumar com o sarcasmo do outro, e até a gostar das ironias. Draco, por sua vez, talvez até assumiria, depois de muita pressão, que a companhia de Potter era razoavelmente aceitável, se você considerasse as outras duas opções que ele tinha: a Cara de Cavalo e o Porquinho Cinco-quase-seis-agora-Dobras.

Certo dia, Draco estava sentado, lendo seu livro, quando Potter o interrompeu.

- Você quer parar de se coçar, Draco? Eu não consigo dormir!

Draco nem havia percebido que estivera fazendo isso.

- Eu faria se não fosse obrigado a usar seus sabonetes de quinta categoria, Potter. Produtos pobres me dão alergia.

Harry girou os olhos, virando-se para encarar o outro.

- Pobres? Eles fazem parte de uma coleção que eu ganhei de Hermione, e saiba você que não são nada baratos.

Draco continuava a coçar os pulsos.

- Está ficando pior – murmurou, a contragosto, conforme a coceira piorava.

Harry franziu o cenho.

- Deixe-me ver.

Draco afastou o braço.

- Cai fora, Potter.

- Não seja estúpido.

- E você não seja insistente. Eu estou bem.

- Ótimo! Fique aí com a sua coceira, mas me deixe dormir!

Harry virou-se na cama, irritado, pegando o travesseiro para cobrir a cabeça. Draco murmurou algumas coisas sobre seu hábito vagabundo de dormir no meio do dia, mas Harry ignorou-o. Por que diabos aquele idiota arrogante era tão teimoso?

Quando Draco, vencido pelo cansaço, foi dar uma olhada nos seus pulsos, arregalou os olhos ao encontrar sangue escorrendo pela ponta de suas unhas. Levantou-se sem fazer barulho e foi até o banheiro. Encheu a pia de água e lavou-os. Aquilo não era alergia. Não podia ser alergia, alergias não faziam aquilo.

Era como se Draco tivesse ficado algemado por muito tempo, tanto que o metal arranhara sua pele e deixara marcas. A pele estava sensível e marcada em volta de todo o pulso, numa largura idêntica de aproximadamente dois centímetros em ambos os braços. O sangue que estivera escorrendo já parara, para seu alívio. Não era muito adepto à sangramentos.

Improvisou um curativo com uma camiseta velha (que obviamente era de Potter), e se encarou no espelho, razoavelmente contente com o resultado. Havia gotas de suor formando em sua testa, o que o fez franzir as sobrancelhas. Malfoys nunca suavam.

Sentindo-se um pouco enjoado, Draco arrastou-se até a cama, e pensou que seria uma boa ideia se ele imitasse Potter e tirasse um cochilo rápido.

Quando Harry acordou, já tarde, Draco estava dormindo. Ele não quis acordá-lo, então se forçou a descer as escadas e encarar os tios. Não conseguiu nada tão bom quanto Draco conseguia, mas se conformou com um pacote de bolachas que dera conta de surrupiar sem ninguém ver. Voltou a subir as escadas, comeu metade do pacote e deixou a outra metade sobre o criado-mudo de Draco, caso este acordasse com fome. Tomou um banho, e depois de fazer muito e na verdade não fazer nada, voltou a se deitar.

No dia seguinte, Draco não quis levantar. Resmungou quando Harry o chamou uma hora depois do horário que ele sempre se levantava. Harry imaginou que ele estivesse cansado dessa vez, então deixou-o dormir. Já se passava das duas da tarde, porém, quando Harry estranhou. Voltou a cutucar o sonserino, que voltou a praguejar.

- Me deixe dormir, testa-rachada.

- Malfoy, você já dormiu demais!

Um resmungo.

- Malfoy!

Harry puxou o edredom, irritado. O rapaz se encolheu, tentando puxar a coberta de volta.

- Frio... – resmungou.

Harry franziu o cenho. Não estava.

- Draco – chamou novamente, dessa vez preocupado. Observou melhor o rapaz. As roupas que ele vestia estavam molhadas de suor. Os cabelos na testa estavam encharcados e ele mal conseguia manter os olhos abertos mesmo com a pouca luz do quarto. Estava pálido, mas ao mesmo tempo parecia…

Harry se adiantou rápido com mão na testa do outro. Draco chiou alto com o contato.

- Sai! Você está gelado… – gemeu ele.

- Draco! – Harry exclamou com olhos arregalados. – Você está queimando de febre!

O loiro não pareceu se importar com o comentário.

- É você quem está gelado – resmungou, e como Harry ainda mantinha sua mão na testa do outro: - Sai, Potter, sai!

Mas apesar das palavras ele não fazia nenhum movimento para se afastar. Harry suspeitou que ele não tinha forças nem pra isso.

E agora? O que ele faria? Só o que faltava, ter que cuidar da doninha irritante agora doente!

Foi ainda pensando no que deveria fazer que Harry reparou que o rapaz se movia ligeiramente. Harry soube o que ele estava fazendo na mesma hora.

- Eu já disse pra você parar de coçar, Malfoy!

Draco gritou quando ele segurou seu pulso para fazê-lo parar de coçar. Harry se assustou antes de perceber a razão.

Assim como o resto do corpo de Draco, seus pulsos estavam encharcados, mas não de suor.

Quase em desespero, Harry se adiantou a tirar as faixas empapadas de sangue que cobriam os pulsos de Draco, se arrepiando a cada vez que este gritava de dor, e deu uma boa olhada no que outrora era a pele de Draco.

- Merlin…

Draco parara com os gritos para passar a gemer, quase incoerente.

- Draco… Isso não é alergia.

Ele não sabia muito bem o que poderia ser. Mas não era alergia. E se ele podia ter certeza de alguma coisa, era que aquilo era algum tipo de magia. Magia Negra.

- Meu… estômago… - Draco resmungou, instantes antes de se virar e vomitar no chão.

Harry praguejou. Aquilo não era bom.

Agindo rápido, ele molhou um pano no banheiro e trouxe até Draco antes de descer as escadas correndo.

Dumbledore o aconselhara para não fazer contato se não fosse caso de extrema urgência, e ele tinha a impressão de que esse era um desses casos.

Não se importou com a cara feia do primo quando ele invadiu a sala, nem para o grito que este deu quando as chamas na lareira ficaram verdes.

- Escritório do professor Dumbledore!

Harry enfiou a cabeça nas chamas quando a ligação foi concluída, e o que viu não era exatamente o que esperava. Praguejou baixinho de novo.

- Se as aulas ainda estivessem acontecendo, Potter, seriam 10 pontos a menos para a Grifinória pela boca suja. O que você quer?

- Professor Snape, senhor, eu tinha feito a conexão para a sala do Profº Dumbledore.

- Obviamente que sim, mas o diretor não está podendo receber visitas no momento, terá que resolver seu problema comigo, Potter.

- Onde ele está?

- Cuidando de assuntos que não são da sua conta.

Harry cerrou os dentes.

- Draco precisa de ajuda.

Os olhos do homem, por fim, refletiram interesse imediato na conversa.

- O que ele tem?

- Não sei o que ele tem, professor, por isso vim aqui. Ele está passando mal, e há marcas nos pulsos dele que…

- Estou indo aí. – Snape cortou agitado. Ele deu algumas voltas pela sala, recolhendo alguns frascos que Harry não pôde ver direito de onde estava, impaciente enquanto trocava o peso de pés. – Abra caminho, Potter.

Harry se afastou, mas antes mesmo disso as mãos do mestre de poções já acompanhavam o movimento de sua cabeça, impedindo a conexão de se romper. Com muito mais classe do que Harry fazia, Snape já estava fora da lareira, caminhando apressado sem esperar por convites. Harry teria girado os olhos se não estivesse tão preocupado também.

Snape permanecia calado enquanto examinava o outro garoto, agora parecendo incosciente, ocasionalmente resmungando alguns encantamentos. Harry não era tolo e percebeu a expressão preocupada de Snape quando examinou os pulsos feridos. Aguentou em silêncio no canto do quarto enquanto Snape administrava uma consistência esquisita nos pulsos feridos, depois o fazia engolir uma poção. Por fim, ele perdeu uma boa meia hora sussurrando encantamentos desconhecidos a Harry, que por algum motivo faziam os cabelos de Harry ficar em pé, diretamente nos braços feridos.

Afastou-se com uma expressão satisfeita.

- Isso bastará por enquanto.

- O que ele tem?

Snape ignorou-o.

- Deixarei duas poções sob a sua responsabilidade, Potter, com instruções para manipulá-las, e é bom que as siga à risca.

- Espera aí... o senhor não vai ficar?

- Não seja obtuso, Potter, tenho a obrigação de transmitir isso ao diretor. Enquanto eu estiver fora, você está terminantemente proibido de se afastar dessa cama, fui claro?

- Isso é uma maldição, não é? Magia negra? Lucius Malfoy tem a ver com isso?

Snape fuzilou-o com o olhar.

- Dê-me a sua palavra, Potter, que não vai deixar uma rincha infantil por em risco a vida desse garoto. Sua palavra. Agora!

- É claro que tem a minha palavra! – Harry rosnou, irritado. Quem Snape pensava que ele era?

- Ótimo.

E Snape já estava andando na direção da porta. Ele iria embora? Assim, sem mais nem menos? Sem respostas?

- Espera aí, professor... O senhor não me disse o que ele tem! O que eu faço? Como eu faço? O que...

- Cale-se, Potter. Merlin, você nunca para de falar? Como Draco tem agüentado você?

Harry travou o maxilar, sentindo-se corar. Snape virou-se para o grifinório, a expressão séria, parecendo travar uma batalha consigo mesmo do quanto deveria contar.

- É uma maldição de laço de sangue, Potter. Lucius está tentando chegar ao filho de qualquer maneira, usando o que eles têm em comum: o sangue. Draco está sendo cobrado pela obediência e fidelidade que deve à família, e como ele não segue esses impulsos, a maldição o extorque.

Harry piscou, descrente.

- Você quer dizer... Lucius amaldiçoou o próprio filho?

Snape exalava impaciência.

- Lucius Malfoy está perseguindo o próprio filho para entregá-lo a Voldemort, e você se surpreende com o fato de ele ter lançado uma maldição de sangue no filho? Sua perspicácia me surpreende, Potter.

Harry ia retorquir, mas não achou sábio, afinal.

- E agora? O que faremos?

- O que você fará, Potter, é ficar de olho em Draco. Siga minhas instruções, e fique de olho em qualquer movimento dele. Draco é forte o suficiente para não sucumbir aos efeitos da maldição, mas enquanto estiver inconsciente, pode ser que não tenha controle sobre seus atos. Impeça-o de sair a qualquer custo. Você entende a responsabilidade do que tem que fazer, certo, Potter?

Não pela primeira vez em sua vida – e Harry suspeitava que estava longe de ser a última – Harry se perguntou por que, afinal, ainda se davam ao trabalho de lhe fazer esse tipo de pergunta. Ele nunca tinha uma opção. Ele sempre tinha que responder um "sim, senhor", "entendi, senhor", porque ele sempre era o responsável por não ferrar com as coisas. Não que alguém parecesse se preocupar como quanto ele se sentia ferrado por isso.

- Sim, senhor. – ele respondeu.

Snape ainda o vasculhou com os olhos negros por alguns instantes antes de ajeitar os frascos em cima do criado-mudo e, com um rodopio das vestes, dar as costas a Harry, que não o acompanhou até a lareira. Snape sabia o caminho.

Ele se sentou na beirada na cama, os cotovelos apoiados nos joelhos e os dedos enterrados nos cabelos revoltos.

Por que ele tinha a sensação de que as coisas só pioravam?

A porta bateu e voltou. Harry olhou aflito para a cama onde o rapaz ressonava agora. Era só o que faltava mesmo... Além de babá, agora tinha que atuar como enfermeiro. E Harry sequer sabia o que era essa tal de maldição de sangue. E se fosse grave? E... Deus, e se Draco estivesse correndo risco de vida? E se ele morresse ali?

Harry sacudiu a cabeça. Foco, Harry, foco!

Encontrou os frascos de poções e os virou para ler o pequeno rótulo de pergaminho amarelado. Um deles, o de aparência viscosa e verde dizia para ser aplicado sobre o ferimento de duas em duas horas. O outro que mais parecia uma fumaça densa em vários tons de roxo trazia um texto tão complexo que, em síntese, parecia dizer que funcionava como um analgésico. Ao menos Harry entendeu dessa forma.

De qualquer forma, Snape já havia utilizado os dois. Harry nada tinha a fazer por hora. Sentou-se na cama ao lado e ficou encarando o rapaz, sentindo-se um inútil. Foi novamente molhar o pano para baixar a febre do garoto. Tinha certeza que Snape também manipulara algo para isso, mas ele ainda estava perigosamente quente. Que tipo de maldição seria aquela? Será que era mesmo Lucius que havia amaldiçoado o próprio filho? Ou será que era coisa de Voldemort? E como funcionava? Qual era o objetivo?

A mente do garoto estava um turbilhão.

A única coisa que ele poderia fazer para não continuar se sentindo daquela forma, incapaz de ajudar, foi a ideia maluca que surgiu de repente, e que ele a aceitou não sem uma hesitação compreensível. A maneira trouxa de abaixar uma febre.

Um banho.

Tentativamente, Harry passou um braço pelas costas do garoto que resmungou inconscientemente, o outro pelos joelhos dobrados, e experimentou erguê-lo. Pesado, mas não tanto. Içou o corpo para cima e cambaleou o primeiro passo. O segundo foi mais fácil, então logo Harry estava caminhando lentamente até o banheiro com o garoto loiro em seus braços, enquanto esse resmungava alguma coisa qualquer e se agarrava mais a ele. Sem saber o porquê, Harry corou. Aquilo era desconfortável.

Que bom que ninguém podia vê-lo.

Ao chegar ao banheiro, Harry se viu num novo impasse. Ele teria que tirar as roupas do outro?

Obviamente Draco não poderia dormir com as roupas molhadas, ainda mais quando a intenção era baixar uma febre que já existia. Harry tirou a camiseta e a calça, mas não ousou tocar em nada mais. Aquilo já era o suficiente para o seu pudor.

Com o corpo febril agora descoberto, Draco se encolhia a cada brisa que tocava sua pele quente. Harry tentou carregá-lo até a banheira, mas assim que os pés do sonserino tocaram a água fria da banheira ele se agarrou ao pescoço do moreno de tal forma que Harry tinha plena certeza de que teria marcas ali no dia seguinte. Harry cambaleou outra vez.

Pensando rápido, Harry tomou a decisão mais sábia. Ou a mais tola, quem saberia? Segurou Draco embaixo do chuveiro, então abriu-o num impulso, encharcando não apenas o loiro febril, mas ele próprio.

Draco chiou, choramingou, e se debateu, mas Harry permaneceu firme. Essa era, ainda, a melhor maneira trouxa de se abaixar uma febre, até onde sabia.

Sobre o muro entre a consciência dolorosa e a tão adorada inconsciência, Draco resmungava, buscando se aproximar do corpo de Harry que era a única fonte de calor por perto. Harry tentou não corar de novo, aquilo era apenas primeiros socorros básicos e...

E Malfoy nunca faria aquilo se estivesse em seu juízo perfeito. Harry tentou não rir ao imaginar sua reação se ele deixasse escapar futuramente...

Se houvesse futuro para Draco. E pra ele. O riso de Harry morreu, e ele teve que se esforçar para não imitar os gestos de Malfoy e simplesmente buscar o calor do corpo do outro quando o ar gélido do fim da tarde também alcançou suas costas molhadas. Harry tinha que confessar que Malfoy podia ser o insuportável que era, mas ele fizera sua escolha. Ele estava ali, fugindo de Voldemort, e mesmo que grande parte ou talvez todas as suas razões fossem egoístas, ele representava muito para Voldemort, muito para o lado negro, mas Draco escolhera. Colocara-se contra a própria família por sua escolha, e agora pagava as conseqüências.

Não, Snape não precisava que ele prometesse. Harry entendia perfeitamente. Harry não sairia do lado de Draco até que o garoto estivesse fora de perigo.

Porque Harry ainda podia não gostar do garoto, mas ele entendia. Entendia as escolhas, entendia o medo.

Era algo que eles tinham em comum.

Manteve o garoto em seus braços embaixo do chuveiro por mais alguns minutos, então achou que já era o suficiente. Desligou o registro, com um pouco de dificuldade por conta do pouco espaço que o outro lhe deixava ao apertá-lo daquela forma, e esticou a mão com sacrifício para pegar uma toalha. Tentando não se desequilibrar com o peso sobre si, secou os cabelos platinados, as costas e os braços, que foi o que conseguiu alcançar, e tentou desenrolar o garoto de si para poder secá-lo melhor.

- Vamos, Draco, colabore!

Com muito esforço, Harry conseguiu levá-lo de volta ao quarto e sentá-lo na cama, ignorando o rubor nas próprias bochechas enquanto secava suas pernas e peito. Draco parara de se contorcer como fazia antes, parecendo beirar a inconsciência.

Quando, por fim, terminou de secá-lo da forma mais adequada que pôde, cobriu-o com o edredom e recostou-se na cabeceira da cama, exausto. Ele também precisava se secar, pensou, sem se mover, e então desviou os olhos para o outro na cama, as marcas vermelhas em seus pulsos esbranquiçados, possíveis de serem vistas pela maneira com que o loiro agarrava o edredom. Que coisa horrível. Sua mente estava tão turva que ele não conseguia concluir nada. Podia ser o cansaço, ele achava, tudo que ele precisava era recostar um pouquinho melhor entre os travesseiros e... ele podia cochilar... podia só fechar os olhos e...

Harry adormeceu.