CAP. 17 A: UM LINDO DIA

Albus seguia contemplando a foto, tinha espalhado mais, poucas em verdade, todas onde Severus aparecia, enquanto em sua mente essas palavras voltavam uma e outra vez.

…Sacrificará ao bebê de Snape… ele o engravidou, o forçou.

— (Por que não me dei conta? era tão claro!) —e não fez nada para deter o surco de lágrimas que voltava a empanar sua bochecha.

—Não imagino o que tivesse que suportar —lhe falava à foto. — também não imagino o que suporta agora —calou um momento— um bebê! um bebê, Severus! como quisesse estar a seu lado nestes momentos, te dar todas as atenções, comprazer seus caprichos, que me grite quando algo te molesta —a voz se lhe avariou— terá um bebê e nem sequer tem a esperança de que viva —E voltou a chorar.

Tinha permanecido assim durante quase uma hora, devia esvaziar sua alma, porque não queria se derrubar quando lhe comunicasse aos demais, mas pensar em seu filho, e agora em seu neto e o despiedado destino que tinham, era maior que seu valor.

Dumbledore se sossegou um pouco e ainda com os olhos irritados abriu a porta, era hora de enfrentar os factos e tomar as melhores decisões para todos.

Na porta, nove pessoas esperavam a que Albus decidisse abrir, quase em silêncio, sozinho sussurros se escutavam, o tempo parecia eterno. Remus abraçava a Draco pelos ombros e este se refugiava mais ao corpo do licano, Minerva e Pomfrey trocavam miradas preocupadas, Kingsley e Abeforth estavam em seus próprios pensamentos, enquanto os três Gryffindor permaneciam lado a lado, sem emitir nenhum comentário. Todos com as mesmas perguntas, todos com afetos diferentes, o clique da ferradura lhes sobressaltou um pouco.

Entraram, Remus, Minerva seguida de Pomfrey, Kingsley e o mesmo Abeforth, também estavam os quatro jovens, dois deles com o temor em suas miradas.

— não queres que te traga algo Albus? —perguntou-lhe Poppy, quando viu seu semblante, Minerva lhe tinha contado todo e como enfermeira estava pendente do estado de Dumbledore.

—Obrigado, mas estarei bem… talvez depois —A mulher não insistiu, e Albus prosseguiu. — Me temo que não são as melhores notícias as que tenho que lhes dar.

Fechou com reverência a gaveta em onde pusesse as fotos.

—Tomem assento, faz favor.

Ninguém o tinha feito, mas ante essa petição obedeceram.

—A verdade é dolorosa não ocultarei, mas farei a mesma petição que me fez Malfoy; não me interrompam, escutem, tão só escutem —inspirou uma arfada de ar e começou — Severus… Severus está com vida; mas prisioneiro, por fortuna Adler está com ele, o obrigaram e… —se aclarou a garganta. — agora…agora espera um bebê, a mesma criatura que servirá de sacrifício para que Voldemort obtenha a imortalidade —terminou o dizendo à nada, fora da mirada dos demais, mas devia saber suas reações e voltou aos olhar.

Viu que os semblantes eram diversos, preocupação, medo, horror, enojo, incredulidade, ainda que não lhes contou o óbvio, porque de seguro já todos o supunham, lhes fez a mais almejada petição de sua alma.

—Ajudem-me a trazer a Severus de volta, ele e sua criatura são o único que agora me importo, sou egoísta, o sei, mas não posso permitir que Severus sofra mais, já tem tido que o fazer demasiado para uma só vida.

Harry foi o primeiro em romper o horrível silêncio que se tinha formado, não com uma pergunta, não com gritos enojados, ou o desafogo em destruir coisas; só um soluço, atenuado pelo abraço de Ron.

Tinham longas horas para outras perguntas, outras suposições, melhore-las ações que deveriam tomar. Tinha tanto de que falar.

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— Pude falar com ele.

Foi o primeiro que disse mal entrar nessa habitação, eram as três de tarde e pontual como sempre, Lucius trazia o frasco diário. Severus deixou de caminhar, era costume de todos os dias passar a maior parte da tarde percorrendo palmo a palmo seu cárcere, conhecendo a cada rachadura, o lugar onde mudava a cor da madeira no andar, as pequeníssimas imperfeições nos gravados do relógio, as manchas opacas dessa janela, se entretinha com descobrir mais detalhes.

Mas quando Lucius chegou e lhe disse que pôde falar com ele, com ele! Com Albus, deixou ao instante sua caminhada, tinha tanto no peito que não definia, se a alegria era maior que o medo, se o alívio ou a incerteza.

—Devo desculpar-me contigo meu querido amigo, não o cria, mas em verdade que esse velho te… quer muito, e é sua prioridade.

—Conta-me —e sentou-se na cama, não lhe deu importância à taça oferecida e estava disposto a se gravar a cada detalhe que tivesse que lhe dizer seu amigo.

— Disse-lhe tudo.

— Tudo? —perguntou-lhe um pouco assustado.

— Terão que preparar para qualquer coisa que poderia se apresentar, de modo que lhe contei tudo a grandes rasgos —e se sentou junto a ele— Não mentirei, lhe afetou demasiado.

— Decepção? —perguntou com temor.

—Não, não… medo… talvez.

Severus entristeceu sua mirada, como conhecer os pensamentos de Albus? talvez não sentiria um pouco de vergonha dele, de sua desconfiança? que significaria seu filho agora, sendo produto "disso"?

Lucius compreendeu o que lhe estava a preocupar e quis sacar desses pensamentos.

— Queres que o contate de novo?

— Não, não deve voltar a se arriscar —voltou sua mirada a Lucius— Como poderia te pagar?

— É algo que eu te devia. —Severus lhe olhou curioso— Me salvar quando de seguro o Lord me ia executar, é mais do que fiz eu, ainda creio estar em dívida contigo.

—Não me… —Mas Lucius lhe interrompeu.

— Bebe-te de uma vez, deves —mas corrigiu-se. — devem estar fortes para quando o momento chegue. —e lhe voltou a oferecer a taça, Severus bebeu o conteúdo com rapidez, enquanto Lucius vasculhou entre suas bolsos.

— Tenho outra coisa mais para ti, ainda que não acho que te sirva para nada —e com o punho fechado estendeu seu braço, o abriu e deixou cair um doce amarelada de envoltura transparente, na palma estendida de Snape.

— Ah?!

— Disse-te que não era muito útil, mas… disse que você saberia, não, que você intuiria quando o usar, felizmente não tem um feitiço porque tivesse desaparecido ao entrar nesta habitação.

Severus, apertava aquele caramelo como querendo o fundir em seu palma, era um desses clássicos doces que Dumbledore consumia com voracidade, esses mesmos doces que ele se permitia para mitigar um pouco suas preocupações, para se saber querido ainda que seja só por uma pessoa, importar a alguém realmente, Albus ainda se preocupava por ele.

— Obrigado.

— Não cri voltar a te escutar dizer essa palavra —lhe disse com certa saudade. — não desde que estávamos em Hogwarts, especialmente quando fui eu quem te disse que nunca mais a dissesse.

— Algumas coisas mudam.

E o relógio soou, Lucius devia ir-se e assim o fez, mas ambos se adentraram nas lembranças de certa tarde, em um dia após a chegada ao colégio para um novo ano.

lembrança:

Faltava muito pouco para o jantar e todos os alunos se dirigiam ao grande comedor, entre eles como sempre o calado e delgado Severus, com um livro entre suas mãos, ia tão tranquilo, até feliz, porque se encontrava em seu verdadeiro lar, tinha saído de sua casa e não voltaria por vários meses ao pequeno inferno ao que sua mãe chamava lar.

Já quase chegava muito próximo quando "algo" lhe arrebatou seu livro o fazendo flutuar agitando suas folhas em voo de borboleta, como era de supor, a origem desse estúpido feitiço eram os quatro garotos Gryffindor, claro saía de um inferno para entrar em outro, mas este era menos agressivo, podia lida-lo, agora tinha a permissão de usar sua magia, por isso foi muito rápido ao sacar sua varinha.

Mas Sirius Black, um dos alunos de quinto mais cotados e forte detectou suas intenções e, como o rapaz impulsivo que sempre era, em vez de só se burlar essa vez, optou por algo novo, estampou o frágil corpo de Snape contra a parede, com tal força que este se queixou e soltou sua varinha.

— Vamos Snivellus, não é para tanto, só um simples empurrãozinho, e já grita como menina.

Enquanto o rapaz Slytherin deixava-se escorregar pela parede; o dano, ainda que a todos seus colegas lhes parecia pouco, era muitíssimo mais doloroso do que eles criam, porque ainda os golpes que lhe propinara seu pai em um dia antes de voltar ao colégio não sanavam.

Como não teve nenhuma resposta sarcástica por parte de Snape, os demais mirones acharam que a diversão tinha terminado e seguiram ingressando ao comedor, mas, claro os Marotos não fariam ainda.

— Por que não pega seu livro Snivellus? Vamos anda! Antes que também seus livros fujam de ti, como fez fugir aos demais —Desta vez, James fazia voar o livro de um lado a outro cerca do rosto de Severus.

Remus como sempre, ficava apartado das "bromas" de seus amigos, mas se preocupou quando Snape ainda não mantinha os olhos muito fechados, mal normalizando sua respiração, algo passava aí, pelo que em vez de parar com a autoridade de monitor que tinha se limitou a dizer vagamente.

— Basta garotos, é hora de jantar e não quererão se perder o banquete de Hoje Verdade James? Sirius?

Incomodados, optaram por deixá-lo, Remus e Peter já se encontravam dentro o salão, quando Sirius se girou de repente, e como sua sombra imediata James o imitou até voltar ao lugar onde deixassem a sua vítima, que já estava parado recuperando o livro que tinha voado até uma das tochas que ameaçava pelo queimar.

— Já não é tão divertido Snape.

E empurrou-o de novo contra a parede, ainda que não tão forte, mas mesmo assim se queixou, o sustentou da túnica para arrojar aos braços de James

— Tem, toma um presentinho Prongs.

Não se deram conta que um monitor de Slytherin de sétimo que os observava desde o princípio, não intervindo antes porque esperava o momento preciso, tinha mandado a outro aluno em procura de certa professora.

— Menos vinte pontos, pela cada um de vocês.

Parou-se em frente a eles com esse ar de superioridade e desta vez com toda a razão de sua parte.

— NÃO PRECISO QUE ME DEFENDA.
—Severus estava molesto, que criam? Que não podia se defender sozinho?

— Eu só cumpro com minhas funções Senhor Snape, e pelo que sei não está permitido esse tipo de comportamento —e voltou a se dirigir aos Gryffindor— de modo que deverão reportar com sua Chefa de casa, não se preocupem, informarei os pormenores.

—Olha Malfoy, será melhor que não se meta em onde não te chamam…

Sirius estava molesto e não aceitaria ser mandado por um Slytherin, mas calou quando viu a McGonagall acompanhada de outro aluno de Slytherin, enquanto se acercava tinha ouvido tudo e não precisou outras explicações.

—O Senhor Malfoy está no correto, de modo que se não querem perder mais pontos sugiro que vão a meu escritório após o jantar.

Todos se retiraram e o jantar passou. Já na Sala Comum de Slytherin, Lucius tratou de fazer conversa com Severus e começou a se aproximar, ainda que iam na mesma casa ambos não eram amigos, mas desde que Severus voltasse para cursar em seu quarto ano Lucius tinha consertado em sua presença, já não lhe era indiferente, seu corpo e rosto infantil se transformava em frente a seus olhos em um estranhamente apetecível, durante esse ano averiguou todo o referente a Severus e com o dinheiro que contava sabia mais do que tivesse gostado de gostado.

A mãe uma bruxa submetida a um esposo violento, Severus humilhado e golpeado com frequência, odiado por ser o que era, sua amiga, a única por verdadeiro, era de Gryffindor e, ele, Lucius Malfoy estava profundamente atraído pelo taciturno rapaz.

Snape ainda que ao princípio não tomou bem a intervenção de Lucius; durante o jantar teve o tempo suficiente para pensar, ninguém lhe tivesse defendido, ninguém, mas esse aluno de Sétimo, nada menos que esse monitor o tinha feito e disse o primeiro que se lhe ocorreu quando o viu se acercar.

—Obrigado.

Enfado, o rosto de Malfoy mostrava o mais terrível enfado, pensou que quiçá devia se ter calado, alguém como ele deveria ficar calado, passar desapercebido, mas tinha que o dizer? era suficiente com que alguém como o monitor Malfoy se dignasse no ajudar, não deveu o arruinar com lhe falar.

—Sinto muito ter-lhe incomodado, senhor Malfoy—disse-lhe com incomodo. — não voltarei a lhe dirigir a palavra, se você…

E com essa resposta foi pior, a pressão em seu braço era dolorosa, Lucius não tinha ideia do dano que lhe estava a fazer, mas lhe guiou vertiginosamente até suas habitações pessoais, fechou a porta e se enfrentou a Severus.

—JAMAIS VOLTE A DAR OBRIGADO A NINGUÉM. VOCÊ NÃO LHE DEVE NADA A NINGUÉM, O MUNDO TE DEVE AGRADECER A TI.

—Mas…

—PROMETE… JAMAIS VOLTARÁ A DIZER ESSA PALAVRA ENTENDIDO?

Mais bem assustado, Severus respondeu afirmativamente com a cabeça.

Essa não era a melhor forma de começar, mas desde esse dia começou sua amizade, Lucius e Severus eram amigos, o primeiro a parte de Evans que tinha Snape. As bromas dos Marotos baixaram em número já que Lucius, sempre que podia estava bem perto de Severus.

Antes de que nesse ano terminasse, o último para Lucius, se encontravam nas habitações do monitor estudando para os exames das NIEM e os NOM respectivamente, quando Lucius achou que era um momento propício e lhe confessou seus sentimentos, Severus como era de se supor se surpreendeu, ele achava que a amizade que por ele professava era muito egoísta às vezes, mas agora que sabia as intenções de Malfoy não podia lhe corresponder, não, porque seu coração estava atado a Lily Evans. E a tímida declaração converteu-se em gritos.

— ACHA QUE ESSE SANGUE SUJO MERECE SEU AFETO? ACHA QUE SUA AMIZADE É VERDADEIRA?

—NÃO TE PERMITO QUE FALE ASSIM DELA, ELA É DIFERENTE. NUNCA PORIA NOSSA AMIZADE EM JULGAMENTO.

—Recorda minhas palavras Severus, quando essa Evans te destroce…

—NÃO FARÁ

E com isso, Severus saiu dando um estrondo, não imaginou que pouco tempo depois Evans terminaria sua amizade. Só de novo, Severus não teve o valor de se acercar novamente a seu amigo, estavam enojados e Lucius ainda que desejava que Snape decidisse lhe falar, nunca ocorreu tal coisa e os odiou a ambos; a Evans por destroçar assim a Severus e a este por seguir mendigando a amizade da Gryffindor.

Com o apoio de Narcisa, sua amiga incondicional desde pequena conseguiu recuperar sua peculiar talante, mas estava ressentido, não voltaram a se falar mais, se casou com ela e depois foi partícipe do seleto grupo dos comensais.

A parte da sede de poder, buía nele um ressentimento que também ajudou para que se decidisse por tomar a marca, o Lord lhe oferecia acabar com a raça dos sangues ruins, lhe dava a oportunidade de terminar com a mesma peste que afastasse a Severus de seu lado, de seus braços, com sorte seria ele mesmo quem acabasse com essa ruiva.

Quando Narcisa esperava a seu primogénito, decidiu que já eram bastante nos anos sem se ver e com a vênia de sua esposa, procurou a Severus para padrinho de seu filho.

—Esquece nossas contrariedades passadas Severus, eu só quero que voltemos a ser amigos, agora mais porque quero te fazer parte de minha família, não pensaria em alguém melhor que você.

—Espero que não tenha outras intenções ocultas, sei muito bem que você não pede nada que em um futuro não te convenha.

—Não.

—Pois então, Obr… —e a mirada acinzentada deteve-lhe.

—Prometeste-o.

—Será uma honra aceitar Lucius, amigo.

É de modo que também lhe instou para que seguisse seus passos, o ter perto era como uma pequena recompensa, agora se arrependia de lhe o ter sugerido, porque jamais conseguiu o que pretendia, sabia perfeitamente que jamais apagaria a lembrança de Evans, nunca Severus chegaria albergar em seu coração um sentimento que não fosse amizade. Nunca poderia chegar ao ter.

Fim da lembrança

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A luz diurna tinha minguado, despojou-se de sua roupa cinza, por fortuna o vendedor não lhe deu cores fastidiosos ou com estampados. Agradeceu mentalmente à desobediência juvenil por "seus" chocolates, mas perguntava-se qual Gryffindor, porque obviamente só um deles estaria fora do castelo e a essas horas, se lhe ocorreu levar um pacote completo.

Seu negro cabelo guiava o chorro de água por suas costas, repassou seus braços com a espuma branca, acariciou com ternura seu abdômen, estava maior e o movimento desde o interior fez-lhe sorrir, muito feliz, seguiu com seu banho, a água morna era reconfortante, uma ducha sempre acalmava seus músculos e seus pensamentos.

Era suficiente, tomou uma das toalhas que se suspendiam no ar e se secou à maneira muggle, se envolveu com a maior e saiu, Magnus viria durante o jantar e queria lhe contar todas as boas notícias entre elas, que Dumbledore ainda lhe seguia procurando.

Uma mudança de roupa sempre lhe esperava em cima da cama quando deixava de utilizar um, os elfos domésticos eram demasiado eficientes nesse aspecto, mas não tinha nada, sempre tinha algo com que se pôr a não ser que… e um calafrio percorreu seu corpo inteiro, a não ser que Voldemort se lhe antojara o ver sem roupa, ao princípio era quase uma constante, mas à medida que seu corpo apresentava mais volume os apetites do Lord já não eram tão frequentes, mas sempre podia sofrer um que outro assalto na noite, ou após uma ducha, era horrível, porque a cada vez podia se defender pouco, seus movimentos já não eram tão ágeis, mas mesmo assim jamais deixo se tomar sem lutar.

E foi surpreendentemente tomado pelas costas, uma fria mão fechava-se em seus lábios, fechou os olhos e já sabia o que viria depois, começou a afastar sua mente dessa situação, decidiu não lutar desta vez, é mais já não lutaria mais, não tinha forma de escapar, ninguém quem o ajudasse, sabia que de todas formas possui-lo-ia novamente contra sua vontade, o Senhor escuro não sentiu nenhuma rejeição por parte de seu prisioneiro.

— Não te vai negar Severus? —disse-lhe com tom insano e deixou de apertar sua boca, rodeou-o até situar-se em frente a ele.

Não lhe deram nenhuma resposta, é mais Snape ficou com a cabeça baixa. Molesto Voldemort lhe puxou os braços para abaixo até colocá-lo de joelhos, arrebatou-lhe a toalha e dispôs-se por trás dele, tomou o cabelo húmido com força e o agachou. Mas, nada, um gemido conteúdo nada mais.

— MALDITA SEJA! POR QUE NÃO SUPLICA!

Esse grito fez sobressaltar ao aterrorizado prisioneiro, um golpe seco no ombro cerca do pescoço derrubou-o, o primeiro era pôr seus braços como proteção em seu ventre enquanto recebia pontapés nas pernas, mas esta não duraram muito, dando um forte estrondo Voldemort se foi.

Permaneceu um pouco mais abraçando-se quiçá regressaria, após uns quantos minutos incorporou-se para sentar no chão perto à janela, mas era angustioso olhar a porta, talvez mudava de parecer e se aparecia, olhava a hora, como queria que Magnus chegasse.

Os minutos passaram e o frio da noite foi-se acentuando, não queria ir à cama, era o último lugar onde queria encontrar nesses momentos, um ruído do outro lado e se tensou, mas só o alimento acostumado traspassou a porta. As oito em ponto, a maçaneta da única porta externa moveu-se, era Magnus.

— Severus! – correu quando o viu nesse estado, e este se refugiou em seus braços, tremia de frio.

—Imagino que Voldemort veio – Severus afirmou com a cabeça.

—Será melhor que descanse na cama.

—NÃO

—Olha – esfregou lhe as costas – confiemos em que não volte, mas agora está gelado e isso não é bom.

Com um pouco de reticencia deixou que o guiassem, Magnus notou que a cama seguia impecável, também não existia rastros de forcejo; ajudo a que seu paciente se sentasse cómodo colocando almofadas em suas costas, se desprendeu de sua camisa e lhe entregou, ele estaria bem com só seu suéter.

—Daria também minhas calças, mas não quero que ao sair alguém me veja e os dois nos levemos uma surra… melhor?

E outra afirmação com a cabeça era a resposta

—Tem, come um pouco —disse-lhe trazendo a charola.

—Hoje não.

—Só um pouco, sabe que deve o fazer.

—Está bem.

Passaram breves minutos, Magnus sempre respeitava seu silêncio quando o encontrava em estado e agora não era a exceção, se Severus queria falar, não precisaria perguntar. Severus devolveu-lhe o prato a meio terminar.

—Desta vez não me resisti —a mirada de incredulidade de Magnus lhe disse que prosseguisse. — acho que isso não gostou e… se foi, mas antes me deixou uma lembrança —se tocou do ombro lesionado. — e a roupa não apareceu, deve ser algum tipo de castigo "subtil".

Magnus emitiu um suspiro derrotado.

—Que bem… digo, não que me alegre que te golpeasse e te deixasse nu, mas que desta vez desistisse é bom.

—Sim, sim é. —e foi então que pareceu se dar conta de todo o acontecido e sorriu de forma sincera.

—Agora me conta porque sorri.

—Lucius trouxe-me outra coisa aparte da poção —e voltou a sorrir.

Magnus achou que tinha um sorriso formoso, não era o típico sorriso deslumbradora dos magos famosos ou artistas, mas também não uma lânguida sem graça, era simplesmente perfeita; tentaria que sorrisse mais com frequência, tentaria ser ele quem fosse o motivo, faria o possível porque assim fora; abriu sua maletinha e estendeu-lhe uma barra de chocolate Severus recebeu-a aumentando um pouco mais esse sorriso.

—Será melhor que te coma antes de dormir.

—Obrigado.

Severus recebeu com agrado a barra doce, a desenvolvia e começou a degusta-la alternando a cada bocado com um sorriso, como nunca desfrutava desse pequeno e delicioso capricho.

—Bem, dirá ou terei que o adivinhar?

— Dizer-te que? —o sanador surpreendeu-se pela afabilidade dessa pergunta. — está bem, está bem —lhe disse um pouco divertido, algo que jamais creriam seus alunos —Lucius pôde falar com Dumbledore, espero que pense em algum plano, mas o melhor de todo. — pausou para dar uma mordida, a terminou e continuou —é que me enviou isto— e sacou embaixo da almofada um pequeno doce amarelado.

— Isto? —Olho-o por todas partes— é só um doce… e um azedo.

—Mas não é qualquer doce; é o favorito de Albus, também lhe encarregou que o utilizasse quando eu o soubesse.

A atitude feliz, mas quase infantil de Severus a Magnus pareceu-lhe comovedora, via-se tão feliz só por um pequeno doce, um doce de Albus, como lhe disse, em algum dia, se saíam desta, quereria conhecer a Dumbledore em pessoa.

—E sabe que momento é esse?

—Não, mas de seguro saberei, Albus sempre sabe —e lhe deu a última mordida à barra, o sanador lhe sorriu.

—Agora será melhor que se prepare para dormir, já vai sendo hora que me vá.

Severus levantou-se com dificuldade e foi ao banheiro, a camisa era longa, mas não o suficiente, cobria mal um pouco suas partes íntimas, e quando suas curvas se moveram o sanador só conteve seu alento, ante tal visão Magnus tratou de enfocar sua mente em outras coisas, mas realmente era muito difícil, se escutou a água correr, a chave se fechar e a porta do banheiro se abriu e a fascinante figura de Severus vinha a seu encontro, o proeminente ventre se via em seu esplendor, esplendor que atingia à cada centímetro de Severus, se quando se foi se via endiabradamente provocativo agora só dava vontade de proteger, o abraçar, beija-lo, simplesmente… o adorar.

O sanador apressou-se para ajudá-lo a subir, e acomodou.

—Obrigado.

— Obrigado?... Por que?

—Por estar junto a mim, me compreender e nos cuidar; obrigado Magnus.

—Não deve me agradecer, às vezes até me alegro de ter sido capturado, porque assim te conheci e também conhecerei a seu bebê.

—Espero que Voldemort não volte – sua mirada se afligiu um pouco, quando a enfocou na porta.

—Eu também o espero, mas agora tenta pensar em coisas melhores, pensa em Dumbledore, pensa que hoje foi um lindo dia.

—Isso farei, agora te vai, quase falta dois minutos para as nove.

—Então que descansem.

—Você também.

Despediram-se, Severus já dormia, estava muito cansado por todo o que passou e agora só esperava que o Senhor Escuro não regressasse no meio da noite, isso arruinaria em seu dia.

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Passavam as doze da noite, tanto na Mansão como em Hogwarts a maioria dormia, menos um velho Diretor de Colégio que se passeava de um lado a outro na torre de Astronomia, seu semblante mudava de um choroso ao de felicidade assimilando e lamentando as recentes notícias. Outro desvelado era Harry que imitava os passos do Diretor, mas no quarto de requerimento, suas emoções eram desbordantes, soube por boca do mesmo Dumbledore que Severus seguia com vida, era prisioneiro o que descartava sua ideia de que talvez se decidiu pelo bando contrário, mas estava vivo, vivo! E também não era um traidor, isso lhe bastava, criaria a forma de resgatar, assim fosse ele mesmo a reptar a Voldemort em pessoa.

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Amanhecia, os negros olhos acordaram radiantes, o primeiro que viram foi a Magnus lhe trazendo seu café da manhã.

— Bom dia, acordou com ânimos pelo que vejo.

—Bom dia, sim tenho porque está-lo.

—Não voltou verdade?

—Não, não o fez —se acomodou de lado e apoiou sua cabeça em uma mão— Ontem foi um dia lindo realmente.

—Esperemos que hoje também o seja.

—Espero que sim —e se levantou para se pôr cómodo a tomar seu café da manhã.

Se, ontem foi para ele, um lindo dia, recebeu um presente de Dumbledore que lhe confirmava que não o tinha esquecido, Voldemort lhe deixou em paz, comeu o delicioso chocolate e dormiu placidamente, ainda que se levou um golpe, e não levou roupa por muito tempo, ontem foi um lindo dia para Severus.

Nota tradutor:

Mais um capitulo pronto para vocês, espero que tenham gostado de ler mais um capitulo!

Então espero ver vocês nos próximos capítulos

Falta somente mais quatro capítulos para o grande final dessa fic

Espero ver vocês nos reviews

Ate breve

Fui…