CAP. 20: SER FELIZ

Quinta-feira

Desde muito temporão, todos os alunos tinham voltado ao Castelo, de onde seus pais os recolhiam reboantes de alegria, a maioria dos jovens se desviviam em lhes contar os acontecimentos da noite anterior quando foram evacuados do Colégio e deviam permanecer em expectativa em uma taberna de Hogsmeade, junto a outros professores.

Depois, foram chegando os membros da Ordem mediante transladores ou simplesmente apareciam-se, junto a eles a família Malfoy e o professor Lupin, a seguir as carroças que tinham de passageiros aos alunos de Hogwarts, quem voltavam com sua família quando se reconheciam.

Mas, foram os alunos de Slytherin a quem quase ninguém vinha a reclamar, a muito poucos realmente, ainda que a maioria deles não deram a mínima importância a isso, Parkinson, Zabini e Noth junto a outros estudantes maiores encabeçaram uma tratativa com Slughorn, quem tinha estado ao cuidado da taberna e era o eventual chefe de Casa para que pudessem ficar em Hogwarts até que a cada um pudesse ter em claro sua situação. Ninguém lhes ia negar isso.

Os Malfoy e a Ordem em completo estariam em vários recintos que foram habilitados para eles, já que não tinha alunos era fácil transformar várias salas em lugares onde ficariam por alguns dias.

Os alunos de Slytherin ficariam o tempo que quisessem. De modo que nesse dia o colégio parecia só de Slytherin, porque era o único uniforme que se via passear pelos corredores e por isso foi inevitável que se encontrassem com Draco, quando este caminhava cerca da sala de Defesa.

Contrário ao que Pansy disse, foi a primeira em se abraçar ao loiro quando o viu; seus amigos, seus verdadeiros amigos também o abraçaram e estreitaram com perguntas, ainda que não era próprio deles a ocasião era meritória, para eles Draco regressava dos mortos.

Quando por fim parecia que tinha respondido à maioria de suas perguntas Blaise voltou ao interrogar.

— Pode-se saber onde ias?

—Como agora perdi bastante tempo com vocês —lhes disse com frialdade. — resumirei a informação, e deverão se contentar com isso —e abriu a porta da sala de Defesa, e entraram, não perdeu a frialdade quando começou com sua explicação— Remus me disse que podia usar sua lareira para ir a minha casa a trazer roupa de bebê, que quando volte o professor Snape, trará a seu filho recém nascido com ele e como as lojas estão fechadas por isso das celebrações, as precisará para lhe mudar, tenho de lhe os apresentar, se me deixam, de modo que devo me ir e, vocês a esperar —sorriu ao ver o assombro de seus amigos e fechou a porta do Despacho de Remus.

Draco tinha motivos suficientes para estar feliz, tinha a sua família com vida, a esperança de que seu pai aceite sua relação com Remus, a decisão de seus amigos ao fazer parte do bando da luz, ter de volta a seu padrinho incluído a seu pequeno filho e, sobretudo a morte de Voldemort.

Por se fosse pouco Dumbledore e nada menos que através de Alastor Moody tinha-se encarregado de interceder ante o Ministério por sua família, o velho auror aceitou e corroboro a cada uma das intervenções que fizesse Lucius debilitando as forças do inimigo desde dentro da Mansão, para fazer que a batalha não fosse tão cruenta. Assim, sua família não perdeu em quase nada sua posição, talvez deveriam comparecer algumas vezes, mas nada mais.

Era muito feliz realmente, agora se encontrava escolhendo as melhores roupinhas que se levar, mas "não muitas, porque de seguro que Severus quererá lhe comprar as próprias", lhe tinha advertido sua mãe, ele tomou algumas coisas mais, as reduziu e desapareceu, não voltaria pela rede flu, porque de seguro seus amigos lhe estariam esperando e não queria entreter-se por mais tempo.

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Quinta-feira, no último dia de maio e às nove da manhã, as duas últimas carroças chegaram a Hogwarts, seus ocupantes foram direto à enfermaria, Severus seria transladado a uma habitação privada, seu bebê ocuparia outro contiguo na mesma enfermaria e não seriam vítimas de curiosos, mas estariam bem cuidados; demorariam quase uma hora em acomodar-lhes e revisar-lhes a consciência, Dumbledore aproveitou esse tempo para ter uma conversa com Lucius e depois com Magnus para inteirar-se ainda que a grandes rasgos todo o que sabiam com referência a Severus e sua encerro.

Para Harry era um alívio regressar a Hogwarts e, a insistência de Pomfrey descansava ao igual que outros combatentes em uma das tantas camas da enfermaria, ainda que não tinha feridas precisava um merecido sonho, mas não podia concilia-lo tão facilmente, de modo que decidiu escapar para os quartos privados, para encontrar com uma cena familiar.

Albus Dumbledore sentado agora em um cômodo cadeirão de alto respaldo à esquerda da cama de Severus, tinha uma expressão afligida, se tinha inteirado dos sofrimentos que tinha passado seu filho, claro que os outros magos se tinham cuidado de não lhe dar demasiada informação explícita, mas era suficiente para que Albus armasse conjecturas.

—Professor. —saudou e encaminhou-se até chegar ao pé da cama, ainda que tinha vontade de abraçar a Severus não o faria.

Não se atrevia se queira a roçar sua mão, tinha em seu interior verdadeiro receio, desde que ambos convocassem sem saber como, aquele feitiço, por alguma razão pensou que poderia ser contraproducente se o tocava, às vezes o ignorar as coisas misteriosas poderia acarretar problemas.

— Como está Harry? —a voz do velho Diretor parecia aliviada, após todo estavam dentro do Castelo e isso infundia segurança.

—Bem, creio… Ainda não tem acordado? —Albus não pôde lhe responder porque Madame Pomfrey ingressou levando consigo uma bandeja com três garrafas, não se enojou pela presença de Harry, mas lhe recriminou um pouco.

—Jovem Potter, vejo que já está recuperado e volta a desobedecer minhas ordens.

—Perdoe. —desculpou-se Harry.

—Tranquilo Harry. —Dumbledore suavizou sua voz quando viu o sobrecogimento no jovem, para depois dirigir à enfermeira em tom mais preocupado. — Está segura que tudo está bem?, Não deveria acordar já?

—Albus! se só mal umas horas que Severus teve a seu bebê e, na pior das condições, é normal que descanse tanto como seu corpo o requeira, não deveriam se preocupar demasiado.

Dedicou-lhes um sorriso e saiu deixando uma das garrafas na pequena mesa apoiada na parede do lado direito.

— Professor…? —voltou a inquirir.

—Diga-me Harry.

— Poderíamos… falar depois? —perguntou e deu um olhar melancólico a Severus.

—Sobre o que ocorreu lá, senão me equivoco. —Albus já intuía a causa do receio do rapaz para não se acercar demasiado a Severus; Harry afirmou com a cabeça.

— Você acha que seja prudente se…? —no entanto Dumbledore já respondia sua pergunta sem o deixar terminar.

—Não tem porque se preocupar, não existe nenhum problema, a invocação que fizeram ambos jamais seria contraproducente.

O rosto de Harry encheu-se de alegria e alívio, aventurou-se a acercar-se mais.

Lânguido, com os braços aos lados, imerso em um sonho profundo; o encerro tinha dado um tom mais pálido a sua pele do que recordava, não se importou o que Dumbledore pensasse, ademais ele já sabia de suas intensões e inclusive o tinha ajudado em certa ocasião de modo que com verdadeiro temor estendeu sua mão para acariciar seu longo cabelo, também não o recordava assim, penteou suas negras fibras com seus jovens e finos dedos, percorreu suavemente suas bochechas.

—Severus, acorde logo. —lhe sussurrou perto a seu ouvido. Ficou uns minutos mais olhando-o, apertou sua mão direita como uma despedida. Suspirou.

—Irei ver ao bebê —e apartou-se. — se a Senhora Weasley deixa-me —riu baixinho.

Abandonou o quarto dirigindo-se a onde o bebê descansava em um formoso berço, teve que compartilhar a contemplação com seus amigos, Molly, Draco, Narcisa e os colegas de Slytherin. Ver dormir a um anjinho como ele enchia de felicidade a todos.

Já quase era o meio dia, mas Severus seguia nessa posição, para Albus isso já era preocupante, mas quando sentiu que fazia um esforço por abrir seus olhos, ficou estático, lastimosamente voltou aos fechar.

Meia hora mais tarde os olhos Severus voltaram a ver a luz e desta vez enfocou sua mente onde estava? O cheiro a desinfetante e a poções era-lhe muito familiar.

Para esse momento já todos estavam pendentes de qualquer reação de sua parte de modo que Harry estava acomodado em outro cadeirão ao lado de Dumbledore, ambos se pararam para se acercar mais.

Uma dor palpitante se alojou em sua testa, recordou que se encontrava em uma mais das reuniões com os comensais, ele último segundo ele, porque depois deixaria definitivamente o papel de espião, Voldemort falava de um ataque e as imagens se foram, vacilante por não saber onde se achava escudrinhou, se surpreendeu quando viu quase em frente a ele o escudo de Hogwarts gravado na branca porta de sua esquerda.

— Hogwarts?

—Sim Severus, Hogwarts.

Dumbledore e Potter estavam a seu lado como tinha chegado até aí? e, doía-lhe, sua cabeça, sua garganta, doía-lhe a cada parte de seu corpo, e a dor aumentou em sua parte baixa, supôs que a reunião tinha acabado mau para ele porque Voldemort lhe teria obrigado de novo e…

— A… enfermaria? —voltou a perguntar.

—Sim.

Contraiu sua mirada, supôs que a noite anterior mal se pôde chegar ao Castelo o encontraram e trouxeram, realmente deveu estar muito mau, mas devia informar o pouco que recordava.

—Atacará ao ministério, e ao Wizengamot… não o recordo… não o sei! —ouviu-se um pouco desesperado.

— De que fala? —Albus estava confundido, de que falava Severus?

—Ontem à noite… chamou-nos para isso, Voldemort, ele, ele ira contra eles, não sei no dia nem como, mas irá, eu sinto não o recordo —ocultou seu rosto com as mãos e começou a se agitar.

Albus compreendeu que Severus estava perdido nas lembranças da noite de seu desaparecimento, lhe tranquilizaria, deu uma mirada a Harry para que trouxesse a alguém.

— Albus, perdoa-me, mas não regressarei —Se tinha dito que seria a última vez, devia lhe comunicar a Albus o mais cedo possível.

—Severus, só te tranquiliza—Dumbledore parecia não lhe ter ouvido, mas em verdade não regressaria.

— FAZ FAVOR NÃO FAÇA QUE REGRESSE! não posso! já não poderia! —O desespero em sua voz era evidente, e o motivo também.

Albus não contou com que Severus se sentisse tão impotente, que tratasse de se levantar e se agarrar a seus túnicas em uma súplica.

— Não quero regressar! Não outra vez, não mais, NÃO! —seus olhos estava aquosos, e voltou a sentir dor em sua parte baixa, dor que o fez se deitar de novo, agora lhe contaria tudo, mas antes outra voz se apresentou.

—Acordou…

Escutou-a, era-lhe familiar, olhou-lhe e conheceu mas, de onde? E foi então que um vórtice de imagens e sons lhe arrebatou, golpe depois de golpe de lembranças todo eles dolorosos e quando a imagem mais recente lhe veio levou suas mãos com rapidez a seu ventre, nada, em sua cabeça ressoou esse pranto enquanto Lestrange entregava seu filho a Voldemort, recordou como Voldemort descarregava o punhal contra ele e seu bebê.

— MEU BEBÊ, MATOU-LHE, MEU BEBÊ! —Começou a gritar e tentar levantar da cama, chorando enquanto repetia uma e outra vez o mesmo— MATOU-LHE, MATOU-LHE, MEU BEBÊ!

Ninguém pensou que teria essa reação, por fortuna Adler já lhe sustentava pelos ombros tentando que ficasse quieto. Harry quem tinha chamado ao primeiro que se lhe tinha aparecido se estremecia com a cada grito, não achava que Severus sucumbira a esse tipo de reações, mas seus olhos não lhe mentiam.

—Severus, não, não —Magnus tratava de lhe acalmar. — Me escuta, amor me escuta, o bebê está bem, está bem, te trarão em seguida. —Passou alguns segundos para que Severus se acalmasse e atingisse a lhe o pedir.

—Se… é verdade… Traz-me!

A nenhum dos dois lhe passou desapercebido o apelativo "amor" de Adler, Harry e Albus se olharam confusos, um estranho sentimento de opressão se alojou no peito do Gryffindor.

—Harry faz favor —Pediu Adler, o rapaz entendeu e foi-se, Magnus retirou-se a crise tinha passado.

"É realmente horrível", a voz dessa mulher retumbou nos ouvidos de Severus.

—…E… como… é? — talvez suas lembranças não eram verdadeiras.

Com uma de suas mais amplas sorrisos e sem deixar de acariciar seus longos cabelos Dumbledore contestou-lhe.

—São, forte e realmente formoso —Para alívio de Severus, Albus tinha-lhe dito todo o que queria saber em poucas palavras, sorriu.

Molly Weasley apareceu na porta carregando a seu menino envolvido em flanela branca,

—Olá Severus, trago-te a alguém aqui —lhe disse sorrindo.

Magnus ajudou-lhe a sentar-se e acomodar-se, Severus estendeu os braços para receber ao bebê, Molly entregou-lhe cuidando de não lastimar.

—Acaba de dormir, trata de não o acordar.

Não lhe fez caso, mal lhe teve o desenvolvido fazendo que acordasse, mas contrário a que chorasse, o bebê se deixou fazer, ao que parece sabia exatamente em que braços estava.

Por fim tinha-o junto a ele, com seus pequenos e perfeitos olhos abertos, tão negros e brilhantes que pareciam dois pequenos onixes embarcados com finas sobrancelhas, sua pele branca, suave contrastava com seus rosados e delicados lábios que se abriram em um pequeno bocejo que deixou ver o cansado que estava.

Severus seguiu fascinado e mais quando os pequenos dedos se fecharam em seu rosado, mal o rodeando. Retirou o alvo gorro e o fino cabelo negro enfeitava tão frágil cabecinha, o bebê começou a gemer. Que o deixassem dormir! Mas Severus seguiu, sacou as motas que tinha em seus pés e acariciou a cada um dos diminutos dedos do pé.

Elevou-o para depositar um beijo em sua testa, em suas mãos, sim, era seu, estavam juntos, vivos e juntos.

Ninguém interrompeu esse momento, Severus não dizia palavra, deixou fluir suas lágrimas até que os olhos de seu retonho se fecharam para dormir.

—Será melhor que o levemos, e você Severus, deve se alimentar—Poppy, quem tinha chegado um momento antes, deve lhes fazer sair de seu devaneio, mas não lhe passou.

—É meu e o quero junto a mim.

Bem, isso tinha sido intimidante, mas lhe deram o gosto, trouxeram o berço, ficaria no mesmo quarto.

Obrigaram-lhe a que comesse algo ligeiro, enquanto o fazia, Magnus e Severus se olhavam de vez em quando e sorriam, por fim estavam livres! Mas Harry não o compreendeu da mesma forma e não pôde o suportar por muito tempo.

—Perdoem, mas devo ir descansar —desculpou-se, sem esperasse resposta foi-se, Albus soube que o rapaz precisava um tempo sozinho, se acalmar, depois conversaria com ele.

O resto da tarde recebeu a visita de várias pessoas, desde os membros da Ordem, professores, Lucius e Narcisa, Draco e alguns alunos de sua Casa; até Hagrid desejou-lhe o melhor e que se recuperasse cedo. A petição sua contaram-lhe algumas coisas sobre a batalha. Mas seu filho era sua prioridade, aproveitava quando este estava acordado lhe dava seu biberão e lhe fazia tantos mimos que Molly lhe pediu que não o mal criara tanto. Estranhou lhe que Harry não voltasse, já amanhã lhe pediria que viesse tinha tanto que lhe agradecer.

Pouco a pouco fez-se de noite, a relutantemente Dumbledore foi deitar-se. Adler não se foi até que os deixou dormidos, Pomfrey se encarregaria de atender ao bebê quando acordasse de noite, um feitiço no berço a alertaria se o menino começava a precisar algo.

Sexta-feira

Acordou muito temporão, no dia anterior segundo ele, tinha descansado demasiado, ainda que seu corpo o seguia precisando, não queria passar em outro dia mais na cama, de modo que após provar um pouco o café da manhã que lhe deixasse um elfo, se levantou sem que ninguém o visse, se acercou onde estava seu menino.

—Bom dia bebê —Assim começou em seu dia.

Hoje tentaria aprender todo o que pudesse sobre o cuidado de seu menino, Molly seria sua maestra, lhe tinha pedido no dia anterior porque considerou que ela tinha mais experiência nisso, foi por isso que a mulher lhe surpreendeu em pijama e sentado em um dos cadeirões aconchegando a seu bebê, mal se tinha provado seu café da manhã.

— Severus! Deveria estar descansado! deixa-nos a nós nos ocupar dele, te disse que te ensinaria, mas acho que ainda não está em condições de caminhar como se nada tivesse passado… Não tem terminado seu café da manhã?!

—Serei cuidadoso, descansarei se canso-me, o que agora preciso é algo de roupa —foi sua tranquila resposta.

Foram vãs os protestos de Pomfrey e Dumbledore para que seguisse em cama, obviamente o tempo de recuperação era muito curto, mas seu necedade lhe conseguiu que lhe permitissem se mover na mesma habitação, lhe deram uma das tantas camisas brancas que utilizava, uma cômoda calça negra e uma jaqueta bege que Magnus tinha deixado no dia anterior. Por alguma razão não quis nenhuma de suas antigas túnicas negras.

Permitiram-lhe experimentar a maioria das situações possíveis, a forma de carregá-lo corretamente, o cuidado que deveria ter quando lhe banhara, lhe mudar a fralda tinha sido um tanto difícil, o lhe dar seu biberão a horas adequadas, após isso tinha feito questão de que lhe explicassem a preparação em sua totalidade, e nesse momento estavam aí, em frente a uma mesa que tinham trazido os elfos de algum lugar, com o envase de leite, as colheres de chá para a medir, o biberão e com todo o necessário para a fazer.

—Deve ter cuidado com as quantidades —advertia-lhe Molly, enquanto media as colheres que se devia utilizar, segundo as formulas que apareciam no envase.

Severus elevou uma de suas sobrancelhas e olhou-a um pouco divertido,

—Acho que esqueceu com quem fala, Senhora Weasley. —A bruxa entendeu a que se referia e riu, era gracioso ser o objeto de seus comentários quando os fazia dessa forma.

— Ai Severus! Espero que seu filho tenha o mesmo efeito com seus comentários —ambos se riram, tinham motivos suficientes para o fazer, estavam em um tempo de paz e felicidade. — Ah! Por verdadeiro, já tens pensado um nome?

Severus já o tinha pensando desde fazia muito, tinha tido o tempo suficiente para se decidir por dois em particular, dependendo de se nascia varão ou mulher. Mas o medo a que possivelmente não teria o tempo sequer para lhe nomear lhe tinha guardado só para ele.

—Nathan; é seu nome. —e terminou de tampar o biberão em que trabalhava.

—Pois… é um nome muito adequado e lindo Severus, elegeste-o bem. —aprovou com um assentimento tanto à branca preparação como ao nome. — de modo que já sabemos como nos referir a ele, verdade pequeno Nathan? —olhou para o berço porque Nathan começava a acordar.

Assim, Molly Weasley lhe ensinou a desenvolver-se melhor na cada uma das situações, só com alguns e leves acidentes, que derivaram só em talco derramado no chão ou um enxoval mau posto em seu menino, realmente Severus era um pai exemplar.

Foi após almoçar que Magnus chegou exalando ar, tinha corrido as escadas, queria lhes ver, mas não o tinham deixado sair antes de San Mungo, lhes encontrou na eleição de qual manta lhe vinha menor em época cálida. Não saudou.

— Severus, volta à cama imediatamente!

—Magnus, deveria recordar seus modos, saúda primeiro.

Molly já vinha vir isso, Severus voltava a fazer esses comentários e agora Magnus seria o objeto deles, mas não contou com que Magnus também podia chegar a ser um oponente para o Professor.

—Meus modos não estão em questão nestes momentos Severus —lhe disse com acalma. — mas sim sua falta de julgamento, deveria estar descansando!

—Ontem fiz bastante, deixa-me fazer o que queira, não seja você o que me encerre agora. —Isso se tinha feito efeito.

—Ah… Ah?! … pois, então deixa que lhe ajude.

Justo um elfo apareceu sustentando uma charola com o almoço para dois, agradeceu-lhe e pediu a charola, então Magnus fixou-se na mulher que seguia aí sem dizer nada, mas parecia divertida.

—Deveria ir descansar, imagino-me que Severus deveu lhe esgotar, de modo que vá tranquila que já o atendo eu, se me permite ficarei com seu prato.

—Perca cuidado, aproveitem que agora que Nathan está dormindo e não os precisará até dentro de um momento. —E se foi.

—Acho que trazer-me a comida se te fará um costume, não deveria, já bastante foi que o fizesse todos os dias… lá. — Severus já estava acomodado na cama disposto à compartilhar com Adler.

—Nathan é um lindo nome —disse com devaneio, para depois mudar a uma atitude um tanto escandalizada. — Que?! Vais negar-me este capricho?! Sabe que para mim isto é uma das coisas que mais desfrutei, comer juntos.

A comida passou no ambiente mais distendido e alegre, claro que também com momentos de silêncio tranquilo. O elfo já se tinha levado todo o sirvam.

— Magnus, já que falou de caprichos, cumpre-me algum meu.

—Pois bem, diga-me que quer?

—Chocolates —disse como aquela vez.

—Pois teus desejos são ordens, te trarei quando volte porque me toca regressar a St. Mungo, mas te prometo que os terá cedo.

Harry tinha escutado sua petição, coincidentemente vinha a ver-lhe, mas quando escutou a voz de Adler se deteve, lutava contra si para entrar ou fugir de novo, mas deu meia volta para abastecer de certas barras que Dumbledore quis lhe presentear esta manhã, mas que gentilmente tinha recusado, porque seguia um pouco deprimido.

Agora, tocava buscar ao Diretor, se desculpar, e rogar porque ninguém lhe tivesse aceitado, viu o mapa do Maroto, Albus Dumbledore estava em seu despacho junto a vários membros do Ministério, o esperaria até que a reunião terminasse, fato que foi três horas depois, isso não importou, porque se podia ver os pontos de Severus, Magnus, e Nathan Snape na enfermaria, foi de modo que se inteirou do nome do pequeno, de modo que não podia regressar, e a porta se abriu, deixou sair a cinco membros do Ministério, não lhe viram por estar oculto depois de sua capa, com um convite mudo o Diretor lhe fez passar, a ele não podia o enganar.

Harry entrava com um sorriso e atropeladamente, porque com um último olhar, viu que Magnus se ia, de modo que não devia perder muito tempo.

—Harry, passa rapaz, vejo que nossa conversa desta manhã te fez bem.

Essa manhã, Harry tinha despostiçado contra o sanador.

— DISSE-LHE "AMOR", DENTRE TODAS As PALAVRAS LHE DISSE "ESSA" PALAVRA!

—Mas Severus não respondeu a isso, Harry, o toma em conta, ademais recorda o estado de Severus nesses momentos.

Ao final tinha aceitado que estava sendo um tanto paranoico; não achou que teria a Dumbledore como confidente, mas seus amigos estavam mais ocupados em se dar afagos em qualquer lugar, que em lhe dar um tempo a ele precisamente, não lhes culpava claro, a batalha lhes tinha ajudado a exteriorizar seus sentimentos e não perderam o tempo, e foi ele mesmo quem lhes tinha dito que nestes momentos só queria se acercar a seu antigo professor e, que se não lhe deixavam só, não poderia, que melhor não estorvassem.

—Bom, sim —respondeu. Ao princípio seus diálogos eram pouco importantes e não tinham relação uns com outros, devia ser mais subtil com o pedido, mas quando a conversa já ameaçava com levar quase uma hora, deve ser mais direto. — Desculpe, mas como não posso dar nem um só passo fora do Castelo sem que tenha que correr para me esconder, me perguntava se você conserva algumas das barras que me ofereceu antes.

—Claro Harry, toma.

—Obrigado, eh… isso… agora devo me ir, obrigado por conversar comigo, até depois.

—Até depois Harry.

No caminho saudou à família Malfoy, que vinham junto a Remus, teriam demasiadas coisas que aclarar com o Diretor, amanhã partiriam a sua Mansão.

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Chegou a tarde e com ele, o tempo em que Adler devia lhe deixar, voltaria mais tarde, quiçá após o jantar, Severus não lhe deixou que chamasse a Molly.

—Deixa-nos sozinhos, desde que acordei não tenho tido tempo suficiente para a passar com Nathan —mas quando Magnus lhe olhou duvidando lhe aclarou. — pedirei ajuda se a preciso está bem?

Não podia discutir com ele, ainda que quisesse, suas razões eram tão valedouras, de modo que Magnus se foi, Severus desfrutava a cada minuto no qual se sentiu independente e livre, junto a seu filho, mas, sua solidão durou mal uma hora, Harry entrava tímido após tocar também com timidez, escondia depois de si, algo, desta vez não perderia o tempo e lhe ofereceria de imediato.

—AH… eh… Boa tarde Professor —E sem mais mostrou-lhe cinco barras de chocolate.

—Boa tarde Harry, precisamente desejava que viesse e… —olhou as barras com curiosidade, a envoltura lhe era familiar.

—Não estou seguro disto, mas… talvez… quisesse provar isto.

E ofereceu-lhe as barras, umas que aceitou de bom grado e não demorou em ter uma aberta sendo saboreada.

—Chama por meu nome, faz tempo que deixe de ser teu maestro, ademais me trazer isto soma pontos. —a antiga atitude de Severus também minguava, agora que estava tranquilo, livre de Voldemort, sem uma guerra no futuro e acompanhado por alguém que jamais creu ter, seu filho, deixava que a frialdade de seu ser se fosse pouco a pouco.

Passaram a tarde conversando, Harry de vez em quando lhe ajudava com Nathan, que se sentia a gosto nos braços do Gryffindor, Molly vinha de vez em quando para se certificar de que tudo andava bem. Também lhe contou que Albus estava demasiado ocupado e que recebia várias visitas, mas lhe prometeu que amanhã a primeira hora averiguaria sobre os acontecimentos na Batalha, lhe contaria.

O jantar foi uma das mais maravilhosas experiências, Harry quem sabia melhor que ninguém que falar da Batalha e de Voldemort molestaria a Severus o entreteve com coisas mais alegres.

Quando Adler voltou os encontrou lhe sorrindo a Nathan quando lhe secavam após ter tomado seu banho, os saudou, ele também participou lhes passando o talco, os azeites, a fralda, um enxoval celeste de uma só peça, terminaram e o deixaram dormir tranquilo, foi quando Magnus recordou a carteira que tinha deixado esquecida em cima da cama.

—Prometi-te isto —e lhe entregou um pacote os mais finos bombons de chocolate

Harry sentiu-se envergonhado Como poderia competir com isso? Suas barrinhas ficavam patéticas comparados com os que Adler lhe tinha trazido.

Então foi o turno de Adler de fazer-lhe comentários amáveis e aduladores do terno que se via quando acunhava a Nathan e sentia certa nostalgia ao o recordar vestindo a roupa de gravidez.

Por um momento Harry sentiu-se deslocado, tinham uma conversa que ele não participava, que tinha sucedido entre eles? Tinham tido em vários meses juntos, enquanto ele.

— Não se vai comer alguns bombons? —a caixa seguia intacta e parecia que Severus não tinha a intenção de provar algum.

—Oh obrigado, mas…Alguém se te adiantou, Harry me trouxe algumas barras após que te fosses, espero não te importes, mas os guardarei para depois.

—Claro que não me importo, obrigado Harry.

—De nada —Harry se sentiu feliz, feliz e orgulhoso, não importava as comparações que tinha feito antes, isso era o de menos, Severus tinha preferido suas humildes barrinhas a essa caixa elegante. Amanhã também trataria de estar o maior tempo possível com Severus, Adler não representaria um oponente adequado.

Sábado

Harry acariciava a Fawkes, enquanto ouvia a explicação que lhe dava Dumbledore sobre os acontecimentos na batalha quando acabasse com Voldemort, conquanto tinha suposto algo parecido do que escutava, não podia deixar de se surpreender, verdadeiramente esse, era um poder enorme.

—Foi o que Lily, sua mãe Harry, não chegou a completar, a invocação não é mediante palavras ou feita em uma forma específica senão que nasce desde o interior de cada um, de diferente forma claro, o que acho que sucedeu na Mansão é que tal poder veio de ambos; convocaram-na sem saber, mas os dois com um único objetivo, proteger ao que amavam, porque o amor, meu rapaz, o amor é o poder maior que existiu e existirá sempre.

Outra explicação parecida, era a que lhe dava Harry a Severus, pouco depois de se entrevistar com Dumbledore.

Severus dava o biberão a Nathan, enquanto reflexionava sobre isso, também lhe pareceu bastante surpreendente que esse poder se manifestasse sem o invocar, só o desejando com toda intensidade

—foi você quem protegeu a seu bebê, o Diretor está seguro que foi o mesmo que fez minha mãe ao tratar de me proteger, eu, só adicionei minha magia à sua e foi de modo que o vencemos, me disse também que as horcruxes desapareceram ao mesmo tempo Voldemort morria. De modo que agora estamos seguros de que não voltará. Já não poderá fazer mais dano.

—Entendo, ainda que não recordo muitas coisas, recordo o medo, desejava o proteger, mas se não fosse por ti… —E depositou a pequena garrafa já esvazia na mesa. — queria te dar obrigado, por todo. —começou a esfregar as costas de Nathan. — Desde que me brindaste sua amizade faz muitos meses até hoje, obrigado Harry.

—Eh… de nada… digo… não tem por que me dar… somos amigos não? —Harry não sabia que dizer, mal pôde balbuciar essas palavras, se sentia tonto, Severus lhe tinha dado o pé perfeito para que iniciasse uma conversa mais pessoal, podia ter derivado em assuntos mais íntimos, mas Harry não estava preparado.

Passaram em silêncio mal uns minutos até que Severus voltou a lhe falar.

—Harry, Magnus não virá em todo o dia, por isso te pedirei um favor.

—O que seja, Severus —sua intenção não era essa, mas sua voz soou demasiado ansiosa.

—Hoje me mudarei… —No entanto Harry não deixou que terminasse.

— Permitiram-lhe isso?!

—Não comece você Harry, já bastante tenho com todos me dizendo que devo e não devo fazer.

—Sinto muito, mas compreenda, digo, compreende, todos estão pendentes de ti, ademais sei que ainda não tem recuperado sua magia.

— Sabe-lo?! Sinceramente não me surpreende, acho que todos no Castelo sabem mais de mim, que eu mesmo, sim Harry, não tenho recuperado minha magia, mas isso não é que esteja aleijado, posso levar isto melhor que ninguém. —E ficou olhando um par de fitas que lhe sobraram de algum vestuário de seu bebê.— E o faria melhor se existisse um manual onde explicasse tudo.

Derrotado pô-lo em uma bolsa onde também se achavam outras coisas que não encaixavam em nenhum lugar.

—Bem como te dizia, sairei hoje da enfermaria de modo que quisesse que me acompanhe, poderia me ajudar com Nathan porque não penso o deixar aqui ou, indicar aos elfos o lugar das coisas, se é que está de acordo.

— Claro!

Nesse dia dedicou-se a mimar e atender a seu menino, certamente ninguém lhe roubava sua atenção a exceção de Harry que de vez em quando lhe pedia sugestões sobre o lugar que devia ir alguma ou outra coisa, estavam aí todo o dia a passaram em um recinto do quarto andar, Severus lhe contava episódios de seus pais, lhe assegurando que qualquer ovas que tenha tido para seu pai tinha morrido.

Quando tudo esteve terminado se sentiram satisfeitos do que se levantava a sua vista, uma sala alumiada com grandes janelas que tinha uma esplêndida vista ao lago, as cortinas caíam até o andar de madeira, um fino tapete ao pé dos cadeirões bege, estes a sua vez tinham leves ornamentos dourados, uma mesinha de centro de madeira escura, alguns livreiros em onde os elfos acomodaram os volumes que Severus tinha escolhido, a seguiria acrescentando coisas depois que se instalasse e Nathan lhe desse o tempo suficiente.

Uma cama central era o mais cômodo no dormitório, contava também com grandes janelas que davam ao pátio, o moises a sua esquerda cedo seria substituído por um berço, um cambiador para o bebê, um móvel com várias gavetas em onde poria as coisas de seu menino, para ele um armário importado na parede direita, um pequeno velador, era todo tão acolhedor, uma porta no fundo direito que de seguro comunicava ao banheiro.

Era um fato, suas novas habitações eram um bom lar, mas Harry tinha uma dúvida

— Por que não ficou em tuas antigas habitações? —

—Singelo Potter —mas sua voz não soou para nada sarcástica. — É óbvio que as masmorras não são um bom lugar para um bebê, claro! que não têm nada de mau, mas não são aptas para meu pequeno, de modo que decidi tomar este, ademais não há muitas salas aqui.

Depois, Severus avançou até o armário abriu-o, não existia nenhuma roupa aparte de três calças, túnica e uma jaqueta de vários botões, todos negros que penduravam aí.

— Os elfos esqueceram de trazer?!

—Não é assim, eu lhes pedi que trouxessem só isto e, antes de que questões minhas decisões, devo te dizer que doravante prefiro surtir-me com diferentes cores, não quero que Nathan seja influenciado pelos comentários pouco criativos que fazem os estudantes para minha pessoa e avive sua imaginação com a cor de meu vestuário.

— Mas o negro fica-te estupendo!

—A demais que me agrada, mas não me vestiria assim por sempre, era mais bem prático para o trabalho que me tocava fazer, não podia perder o tempo em estar me mudando a roupa a cada vez que Voldemort me chamasse, ou sim Harry?

—Bom, nisso tem razão, mas então, precisa pedir várias mudanças, isso pode se fazer mediante coruja? —perguntou curioso.

—É boa ideia, minha opção era pedir-lhe ajuda a Lucius, mas seus gostos não… definitivamente não, pensei em Magnus, mas acho que tomarei melhor sua ideia.

Assim, Severus encarregou via coruja, algumas mudanças completas de roupa especificando que excluíssem o negro, Magnus seria o encarregado de lhe trazer o pedido de Madame Malkin, já que a mulher lhe dotava de suas túnicas anteriores sabia perfeitamente as medidas do maestro. Harry sentiu que tinha um ponto a seu favor Severus tinha tomado sua ideia e se não fosse porque devia fugir de vários admiradores, ele mesmo tivesse ido a recolher o encarrego do professor, mas Severus tinha mandado outra ave em direção de Magnus para essa tarefa.

Essa noite a passariam os dois sozinhos, pai e filho em suas próprias habitações, ainda que Pomfrey e Molly ainda se revessava para atender a Nathan de noite, desde hoje teriam mais privacidade que nos anteriores dias.

Acariciou a seu menino dantes de dormi-lo, Nathan emitia alguns balbucios, deslizou seus dedos por sua pequena cabeça, não deixava de olhar uma e outra vez suas facções, a cada ação involuntária do corpinho, o abrir e fechar de mãos como querendo atingir algo, o patear insistente de suas pernas, esses olhos que nele considerou pouco agraciado em seu menino eram o mais formoso que pudesse existir e quando seus pequenos olhos começaram a se fechar o depositou com total macieza no moisés.

Harry decidiu não interromper em nenhum momento o que via, desfrutava de sobremaneira ver a Severus nessa atitude, se sentiu afortunado de ser ele quem presenciara isso, mas quando a mirada de Severus se tornou cansada decidiu que já era suficiente, devia se despedir.

—Acho que vai sendo hora de ir-me também, boa noite aos dois, descansem bem.

—Boa noite também a ti.

Harry fechou a porta com macieza, Severus esperou alguns minutos, os suficientes para assegurar-se que se tivesse marchado, percorreu o caminho desde sua cama até a entrada e a abriu, deixou escapar um suspiro, não achou que seria importante, mas decidiu deixar a porta semiaberta, estar encerrado ainda que seja por um breve momento não era o que desejava precisamente agora.

Domingo

Dumbledore, entrava às novas habitações, deu-lhe um saudou demasiado efusivo quando Severus se apareceu saindo de seu dormitório, mas este fazendo um ademão lhe pediu silêncio.

—Shhhh, Nathan está dormindo, não quero que acorde.

—Sinto muito meu rapaz, sinto muito, mas é que não te vi em vários dias.

—Exagera Albus e, se não nos viu é porque você não tem vindo.

—Mas venho agora, resolvia alguns pendentes que te contarei agora.

— Me poderia dizer depois? pretendo tomar um banho e tenho de aproveitar-te. Poderia cuidar de Nathan?

E voltou a seu dormitório seguido de Dumbledore, enquanto o diretor respondia afável, mas em tom mais suave.

— Claro! Claro! Toma o tempo que queira que os dois estaremos bem, Ah sim lindo nome! Por verdadeiro e justo a tempo para o de hoje.

Mas Severus não lhe escutou porque já tinha entrado ao quarto de asseio. Albus se entreteve dando um leve olhar às habitações e acercou uma cadeira para estar ao lado de Nathan, este começava a acordar e surpreendeu desprevenido a Dumbledore quando começou a chorar.

— Tudo bem?! — Severus alçou sua voz porque nesses momentos estava em espuma, mas sairia se Nathan precisava-o.

— Não se preocupe, já te disse que estaremos bem!

Ao pouco seus gemidos já não se escutavam, se relaxou mais, por fim tinha um bom banho na tina, era em extremo relaxante muito melhor em comparação com as duchas da enfermaria que tinha tomado dantes.

Repassou com a esponja seus braços pernas e peito, quando a deslizou por seu ventre notou que tinha perdido seu tonicidade anterior, mas sorriu com sinceridade porque isso era uma infantilidade se pensava no motivo.

Secou-se com uma enorme toalha, e dantes de sair, preparou a banheira para Nathan. Quando saiu Dumbledore passeava de um lado a outro com o bebê em braços, se podia ver claramente que sua longa barba estava enredada por uma pequena mão, que se movia na mata branca.

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Às dez, no despacho de Dumbledore fazia seu anúncio um dos secretários do ministério, ainda que não fosse um dia trabalhista, este tinha sido um pedido especial por parte do Cabeça da Ordem e reconhecido Diretor do Colégio Hogwarts, sua tarefa consistiria em registrar na segunda-feira a primeira hora a um novo mago, cujo pai se encontrava escondido até faz pouco, por temor à vingança de Voldemort, por ter sido o espião infiltrado no bando da Escuridão, ou isso era o que Dumbledore lhe tinha dito ao ministério, agora só ficava tomar os dados.

Severus ao princípio surpreendeu-se, já que todo novo mago ou bruxa levava um registro muito pormenorizado, mas ao ser seu caso tão complicado supôs que as papeladas seriam bastante fatigosos, mas Dumbledore se tinha encarregado disso.

As perguntas foram as de rigor, obviaram o nome do outro pai a pedido de Dumbledore, ninguém tinha porque o saber e os que sabiam a verdade não tinham nenhuma intenção de dizer, assim, ficava inscrito o nome de Nathan Snape, como outro mago mais da comunidade.

O servidor público também lhe anunciou que graças aos serviços que Severus tinha prestado a favor das forças da luz, lhe outorgariam uma grande soma de dinheiro em reconhecimento.

—Senhor Snape, devo informar-lhe que o Ministério tem outorgado um —e lhe passou um pergaminho com a titularidade e o número de conta onde se encontrava

—Bom… eh… obrigado.

De modo que seu estado financeiro passou a ser muito melhor, não permitiria que Nathan passasse pelas mesmas penúrias que ele; ademais tinha um lar em Hogwarts, o amor de um pai em Albus Dumbledore, tantos amigos que se preocupavam por ele e seu filho, sim! Tinha um filho, uma pequena reprodução sua a quem dar-lhe tudo dele, parecia que a vida lhe retribuía em matéria de dias todas as faltas que lhe tinha feito desde menino, valia a pena ter passado por tanto, valia realmente a pena.

Mal se sentisse com mais forças iria a Londres mágico a comprar quanta coisa quisesse, já era bastante com que Narcisa lhe tivesse dado a roupa de Draco, o agradecia claro, mas ele queria comprar coisas por sua conta.

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Para a hora da comida, os já poucos habitantes do Castelo se reuniriam a compartilhar a mesa com Severus em suas habitações, assim aproveitariam para distender-se dos recentes acontecimentos e conheceriam as novas habitações da família Snape, se ouvia tão bem essa denominação que Severus a repetia uma e outra vez em seus pensamentos, jamais voltaria a estar sozinho.

Não tinha sido planejado, mas absolutamente todos trouxeram um presente para eles, coisas singelas e em sua maioria artigos de bebê, brinquedos, mais roupa. Então a pequena reunião tinha derivado em uma celebração em onde Nathan passava de braço em braço. E de uma hora para outra Minerva levantou sua taça com suco de abobora e começou a fazer um brindes.

— Pelo fim da Guerra! Saúde! —e todos lhe responderam.

— Por Severus! Que regressou a nós. —Dumbledore sabia que essa, era a melhor das razões. E todos estavam de acordo.

Depois um a um se somou com os parabéns e os brindes a diferentes causas. Nenhum deles tinha tido o tempo de festejar e distender-se, mas nesses momentos parecia o momento indicado.

Um flash de câmera os cegou quando todos se abraçavam e riam, voltearam para ver a origem da luz, Harry sustentava a câmera de Colin Creevey, a tinha deixado esquecida na sala comum e não souberam quando, mas Harry se desapareceu por um momento e a tinha trazido.

—Sinto muito, não achei que a luz fosse tão intensa.

—Pois bem, já que temos um fotógrafo particular. —Albus estava mais que feliz e comprazido com a câmera. — Atesoiremos estes momentos!

Então começaram a posar para as instantâneas Muggles, Minerva, Hagrid, Remus, Dumbledore, Severus, Pomfrey, Flitwick, Harry, os Weasley, Hermione e seus pais.

Se revessavam para fazer mais tomadas em qualquer instante, as imagens perdurariam por sempre se acrescentavam o feitiço correto, ademais, essas foram as primeiras fotos de Nathan.

Os que não se achavam, era porque estavam em suas casas como Adler nesses momentos.

Magnus já estava muito recuperado, bastaram várias poções e em um dia inteiro em St. Mungo para recompô-lo totalmente. Durante seu encerro seu castanho cabelo também tinha crescido e decidiu não lhe cortar, seu porte seguia sendo elegante, e a força que emanava de sim resplandecia novamente, sua pele voltou a ter esse tom acanelado e seus olhos azuis refletiam um brilho intenso, agora, em vez de uma careta triste, se ampliava um sorriso atraente e sincero, jamais chegaria a ser arrogante.

Como Adler passava o maior tempo possível com Severus ou no Hospital, e quase tinha abandonado totalmente a sua família, sua mãe insistiu a ter uma conversa com ele, sua atitude era muito diferente à que recordavam, de modo que o sanador não teve outra opção de ser sincero com sua mãe.

Estavam acomodados em amplos cadeirões verde escuro no meio de uma estância da enorme casa Adler, não era uma mansão, mas se podia apreciar um luxo medido e elegante.

—Sabe que jamais me interessei em ninguém, mas, também não é um simples interesse o que sinto por Severus, compreende mãe.

—Compreendo, bem sabe que compreendo, mas não quisesse que confunda o vínculo que criou com ele como amigos com o amor autêntico, não desejaria que após algum tempo, compreenda que esse sentimento e acabem se ferindo, nem você, nem ele lhe merecem, ademais está de por meio o menino, se sua relação não funcionasse, quem mais sairia prejudicado seria esse inocente.

—Mãe, estou seguro do que ele acorda em mim, estive muito tempo o analisando, em verdadeiro sentido e de uma forma muito bizarra acho que a vida me levou até ele, melhor dito até eles, porque seu filho é muito importante também para mim, Como não os querer? Se conhecesse-os, também os quereria, seja feliz por mim, só te peço isso…

E o ruído da porta abrindo-se surpreendeu-os.

—Mac… posso dizer que eu, sim estou feliz por ti, porque é verdadeiro, ninguém mais tem causado esse efeito em ti, eu sei, eu vejo nos poucos momentos que tem estado aqui, não te culpo por isso claro, porque sei que é mais feliz que nunca e isso é o que conta —Claire luzia um tanto envergonhada não por seus comentários, senão porque estava escutando sem que eles soubessem.

—Jovenzinha, não creio te ter educado para que escute conversa privadas —lhe recriminou sua mãe.

—Sinto muito mami, mas não podia me ficar em silêncio quando se trata de ganhar um futuro irmão e sobrinho. —disse com picardia, e terminou por entrar na sala.

—Espera Claire, adianta suas conclusões, não lhe disse nada ainda.

— Que!? Ainda não lhe disseste?! —e sentou-se junto a ele, em frente a sua mãe.

—Pois não, não quero que se assuste e me recusa, ainda que quando estávamos encerrados pude o ter dado a entender.

—Mas se tem essas intenções para com ele, então deve, me entende? Deve apresentar-nos, gostaria de conhecê-los melhor, ademais, quero ser uma boa influência para meu sobrinho e mamãe deverá consentir a seu neto verdade mamãe?

Gertrude sorriu em resposta, conhecia bem a seus filhos e Claire já tinha assumido antecipadamente que a família cresceria.

—Está bem, lhe perguntarei, mas só se se apresenta a ocasião. —com essa promessa se levantou para se ir preparar. — Agora me marcho, devo chegar com Madame Malkin, a recolher o encarrego de Severus, que tenham boa tarde. —e fechou a porta.

Quando chegou a Hogwarts, não encontrou a ninguém e, se não fosse pelo aparecimento de um elfo quem lhe indicou em onde estava todo mundo, tivesse ido até o quartel dos Aurores para dar o alarme.

Entrou nos novos quartos de Severus, sustentando vários pacotes, uma horda de mãos e abraços receberam-lhe, agora se encontrava no meio de uma festa, uma música alegre, mas a baixo volume se escutava de sinos penduradas nas paredes e vários copos de suco de abobora e uma diversidade de massivas e guloseimas abundavam na mesinha central, os rostos sorridentes dos presentes lhe contagiaram ao instante o ambiente feriado e, quando divisou a Severus saindo de outra porta levantou os pacotes para que os visse. Severus sorriu-lhe.

— Ah! Senhor Adler! Bem-vindo!

—Obrigado, mas chame-me Magnus e, conto com que eu possa chamar por seu nome Albus?

— Claro rapaz! Claro! Que bom que tenha vindo.

—Olá Magnus —Severus tinha chegado até eles. —Obrigado por me os trazer, desculpa se a coruja que te enviei chegasse de noite.

—Não tens porque te desculpar. Onde está Nathan?

—Dormindo, ativaram um feitiço de silêncio no dormitório e outro que me avisará se acorda, mas poderia o ouvir tranquilamente desde aqui, também não é como se a música e as vozes sejam muito altas verdade?

—Pois não, não o são, mas… não sabia que teria uma festa. —e um leve tom de timidez se escapo entre suas palavras.

—Também não eu Magnus, só que nos reunimos a comer e… depois apareceram os presentes, os elfos trouxeram as viandas e Flitwick convocou os sinos —parecia que se estava desculpando ou isso lhe pareceu a Harry, e teve que lhe responder.

—Não tens porque se desculpar Severus, o Senhor Adler não te está pedindo nenhuma explicação ou me equivoco Senhor Adler? —a chegada de Magnus tinha opacado um pouco seu bom ânimo e quando viu que Severus e o Diretor conversavam com ele cedeu à tentação de se acercar, o diretor só podia olhar.

—Bom, agora que somos mais podemos tomar outra rodada de suco de abobora, nos acompanha Magnus; Harry ajuda a Severus a guardar esses pacotes.

Dumbledore não sabia como atuar, agradecia a Magnus como a ninguém, porque ele cuidou de Severus nos piores momentos, era em extremo uma boa pessoa, um adulto feito e queria com sinceridade a Severus e a seu filho. Por outro lado Harry era um jovem nobre e que sofreu muito a ausência do professor, também os amava e em princípio antes dos horríveis acontecimentos achou que seria o companheiro ideal de Severus.

Após uma hora decidiram que era suficiente, de modo que as pessoas deixaram as habitações, Remus parecia um pouco decaído, mas restou importância a seu aspecto quando Harry lhe perguntou a razão, já depois averiguaria o motivo.

Quando Magnus e Severus ficaram sozinhos e, ao que parece já não tinha temas de conversa entre eles, Adler se aventurou a lhe propor o que tinha prometido a sua família.

—Minha… minha família quer conhecer-te… —silêncio. — só… só se você está de acordo e se sente…

Foi o que escutou Harry desde fora, tinha voltado para entregar um par de fotos a Severus, mas quando a petição de Magnus retumbou em seus ouvidos não se baixo, devia se ir daí, ao que parece a relação deles estava mais avançada que nunca, não soube que após essa pergunta, entre os dois homens reinou um longo silêncio, até que Magnus voltou a lhe dirigir com um tema muito diferente, mudando seu rosto triste por um muito alegre.

— Severus, quero que olhe! —E levantou-se do cadeirão, sustentou todo seu peso no pé esquerdo e a flexionou várias vezes, depois mudou ao direito forçando também a flexionar-se, para que Severus pudesse ver a firmeza de suas pernas. — como novos! —concluiu com um sorriso.

Severus recordou como Magnus tinha tido que coxear por vários dias por causa de sua perna que, esteve gravemente lastimada quando tentou lhe proteger, por esse mesmo motivo ontem não tinha vindo a lhe ver em todo o dia, mas agora isso estava solucionado, Magnus era um amigo único, se isso era uma forma de avariar o silêncio no que estavam, o tinha conseguido.

— (Após tudo, sua família deve ser igual a ele, não devo me preocupar porque me culpem por sua encerro, não teria por que ter medo do que pensem de mim) —pensou, porque isso era o que realmente lhe preocupava, por isso não lhe respondeu de imediato e se calou, mas era hora de começar de novo, tinha um bom amigo e não dar-lhe-ia motivos para se pôr triste.

—Bem, quero as conhecer —como Magnus só alçou ambas sobrancelhas não compreendendo nada, Severus foi mais específico— quero conhecer a sua mãe e a sua irmã e ver se sua fanfarronaria é de família.

—Bem… obrigado, mas elas são totalmente sérias, só eu sou o descarrilhado, te parece bem amanhã? —Severus assentiu.

Era de noite e as anteriores atividades tinham-lhes cansados; Adler foi-se devia concretar a visita, dormiria muito bem.

Segunda-feira

Definitivamente no dia anterior tinha-o esgotado, dormiu sem sequer mover-se, isso lhe molestou de alguma maneira, porque nem sequer pôde escutar quando Nathan acordava, nas noites anteriores, o ouvia, mas como lhe proibiram terminantemente a que o atendesse a essas horas, não podia fazer nada, senão queria regressar de novo à enfermaria, só perguntava se tudo estava bem.

Começou com sua rutina diária, enquanto pensava que se sentia realmente melhor com o passar dos dias, decidiu que devia que se encarregar mais de seu bebê, contava com a ajuda de Pomfrey e Molly, mas não podia abusar de sua gentileza por mais tempo, a enfermeira costumava ausentar-se no período inativo de classes, mas agora estava aí e, ele era a razão principal; a Senhora Weasley ficava a ajudá-lo, portanto toda sua família seguia no Castelo e não voltavam à casa que de seguro estranhavam, após tudo eles tinham suas próprias vidas e não podiam estar pendentes dele por sempre.

A leve força que imprimia a mão de Nathan ao redor de sua medique foi tomada como um apoio, agora deviam preparasse para receber as novas visitas, estava um pouco inquieto, mas tudo sairá bem se disse.

—De acordo Nathan, desde esta noite seremos você e eu —E lhe recostou no cambiador. — agora a te pôr outra fralda. —lhe disse escolhendo um enxoval de duas peças em tom verde, com estampados de pequenas estrelas nos punhos. — devemos agradecer que fosse Draco o que escolhesse estes sabe? —Abrochou a nova fralda. — em algum dia contarei das roupas que Narcisa lhe punha.

—Ejm… —apoiado no marco da porta Dumbledore olhava-os enternecido. — como não escutou meu chamado decidi entrar, não queria interromper sua… pequena conversa.

—Não é como se tivesse a um grande conversador em Nathan, desculpa por não te ter escutado.

—Só espera e sem te dar conta, o dia menos pensado meu neto dirá suas primeiras palavras, então… —Dumbledore se deu conta que seus lábios deixaram escapar neto sem se dar conta e como Severus só se lhe ficou olhando, pensou que não estava contente por esse deslize, teria que se desculpar. — Severus, eu, eu sinto… não quis.

—Albus, não continue. —lhe disse sério, depois o olhou direto aos olhos, o azul refulgente se tinha apagado um pouco, não podia permitir isso.

— Acho que jamais te disse, mas deve o saber Albus —e se aclarou a garganta, porque compreendeu que jamais lhe tinha dito e certamente lhe merecia. — Desde que cheguei a Hogwarts, foi para mim, uma pessoa boa a quem podia recorrer, depois que desviei o caminho, voltou a confiar em mim, chegou a ser meu amigo, me compreende e tolera, ninguém teria feito, muito menos com meu carácter e sendo um comensal, Albus é meu pai, não poderia ver de outra maneira.

Os azuis olhos voltavam a ser brilhantes, depois se umedeceram, tivesse-lhe abraçado mas Severus tinha a Nathan em braços, mas as lágrimas diziam-no tudo.

—Agora, te encarrega um momento de SEU neto, que tenho que me mudar. —e colocou a seu bebê nos braços do velho mago. —Tenho visitas mais adiante, ainda não tenho tomado café e a hora de alimentar a Nathan é dentro de dez minutos, como avô o faz por desta vez.

Para esse momento Severus procurava entre suas novas aquisições, roupa sóbria, encontrou uma jaqueta longa de cor veio e como sempre de vários botões atacantes, o pescoço alto e fechado, já era hora de devolver a de Magnus, uma calça negra de teia, bem estava pronto, mas…

Quando regressou emitiu um cansado suspiro, ao que parece teria que cuidar também de Albus, porque sua túnica azul escarlata apresentava uma grande mancha branca na manga, o biberão vazio flutuava em direção da mesa e Nathan voltava a enredar sua mão na barba de seu avô.

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As mulheres chegaram antes do almoço, levando consigo alguns presentes mais, Claire tinha tecido à maneira Muggle e em tempo recorde uma suave gorrinho branca, Gertrude trouxe alguns bombons de chocolate caseiros que a simples vista poderias saber o saboroso que eram, a visita foi amena, as mulheres eram sinceras, isso o soube com a primeira impressão, tiveram uma conversa agradável com dois únicos temas, o bem e recuperado que se via e, o formoso e terno que era Nathan, uma hora depois se despediam felizes de ter conhecido, Magnus não participou muito, porque estava um pouco tenso o tempo todo, como se tivesse o temor que Claire dissesse algo inapropriado, mas já tinha terminado.

Desde ontem que Severus tinha planos, devia lhe comunicar, oporiam claro, mas faria de todas formas.

Nem Dumbledore nem as súplicas de Magnus e Harry, que por verdadeiro tinha sinais de ter passado uma má noite fizeram que desistisse de seu plano, iria a Londres Mágico, acompanhado de Nathan, a comprar o que se lhe viesse em vontade, conquanto a roupa que lhe trouxessem todos, era formosa e praticamente nova, Severus queria que seu menino tivesse coisas próprias, desde o berço, porque o moisés não serviria por sempre e à velocidade que cresciam os meninos não faltava muito para isso.

—Não exagerem, Weissmuller me disse que a recuperação em casos de gravidezes masculinos é quase imediata, ou negará Magnus?

—Pois… não —dizia a verdade ainda que todos lhe intimidaram com a mirada.

De modo que acompanhado por um contingente de pessoas saíram do Castelo em uma carroça, fazendo-lhe prometer que se viam um levíssimo vislumbre de cansaço nele, voltariam de imediato ao Castelo.

A normalidade tinha voltado às ruas de Londres Mágico, as lojas já estavam abertas, o auge de bruxas e magos era impressionante para ser um dia de começo de semana.

Encontraram-se com alguns alunos, como não o fazer se era um grupo numeroso? Ademais que voltaram a ver a seu professor de Defesa, vestido de maneira diferente, alegre e com um bebê em braços, outros vinham a seu encontro, porque apesar de sua atitude azeda, se alegravam porque estivesse bem, surpreendentemente ele os recebia amavelmente e sorria, supuseram que se tinha refugiado da guerra por causa de seu bebê e, que a último momento foi a lutar e participou na batalha, O Profeta o tinha dito.

Quando passaram para saudar a Ollivanders este lhe recebeu com um leve abraço, lhe prometendo que começaria a elaborar a varinha de Nathan desde já, porque se sentia facilmente que tinha uma grande magia dentro.

Passou pela loja de artigos para meninos, à loja brincadeira, a livraria, e a uma loja expendedora de caramelos, tomaram um chá e decidiram voltar, já que noticiados que Harry Potter caminhava por essas ruas começaram a ser um pouco perseguidos. Foi uma linda tarde a que passaram.

Mas, não tudo era igual, simultaneamente de respirar tranquilidade também se podia sentir o ressentimento, e Severus distraído em comprar coisas não lhe deu importância, até que observou melhor as paredes, empapelados dos comensais capturados noticiando seus próximos julgamentos era o que se lia em todas partes, os rostos conhecidos começaram a se apresentar para Severus, os transeuntes se detinham de vez em quando para olhar com rancor esses rostos, um súbito calafrio percorreu seu corpo e Nathan começou a chorar, seu bebê tinha sentido o que lhe passava.

—Vamo-nos, quero ir-me já —a voz de Severus claramente soava afetada.

Mais tranquilo e feliz desempacotavam as coisas que adquirisse, o berço já estava armada e amanhã Nathan começaria à utilizar, lhe tinha custado que se tranquilizasse e a cada vez que o deixava, chorava e não parava até que o levantasse de novo. Molly e Pomfrey disseram-lhe que às vezes sucedia, que tratasse de se tranquilizar ele primeiro e que Nathan seguiria.

Na sala Minerva, Molly, Pomfrey, Severus, Magnus, Harry e Albus, viam a ingente quantidade de roupa de bebê, e outras um pouco maiores, uma garrafa nova e média para dispor dela quando quisesse, alguns brinquedos que queria ter prontos para quando Nathan tivesse mais interesse neles, seus primeiros livros de contos, um álbum onde pôr suas fotografias, um pingente da porta com seu nome para quando tivesse seu próprio quarto, sua primeira pluma…

—Severus, não acha que exageraste um pouco? — Minerva mostrou-lhe a pluma balançando-a um pouco.

—Bem parece que sim exagerei um pouco, mas estas coisas se podem guardar até que as precise realmente.

=====&=====

Severus retirou-se a seus quartos após o jantar no comedor, acompanhado de Albus, Harry e Magnus, estava cansado, mas não deixou de banhar a seu pequeno, o alimentar e o dormir ele mesmo, enquanto lhe lia um de seus primeiros contos, que, de seguro Nathan não compreendia, mas a voz de seu pai o relaxou e se dormiu sem muito esforço.

Regressou à sala, Dumbledore tinha-se retirado, no caminho diria à enfermeira que Nathan estava a dormir e que estivesse atenta, Harry seguia colocando algumas fotos mais no álbum e Magnus abria um pacote de bombons que tinha comprado na loja de doces, lhes ofereceu a Severus quem tomo uns quatro para si, depois passou o pacote a Harry e este negou com a cabeça.

—Acho que ficará o gosto por estas coisas, obrigado Magnus.

Assim, Harry teve a resposta do ano anterior: Que tipo de doces gostará? Agora o sabia, chocolates.

—Harry, toma alguns, são deliciosos não arrependerás —Harry obedeceu só porque Severus lhe tinha pedido— Onde está Albus?

—Foi a ver a Madame Pomfrey, tens razão estes chocolates são extraordinários e tomou outro mais.

—Acho que não será necessário, desde hoje, quero o atender também na noite, Magnus diga a Poppy que descanse desde hoje —foi sua petição.

—De jeito nenhum, farás depois, sabe-lo, agora é muito cedo, já te permitimos muitas coisas, especialmente hoje.

—Estou de acordo com o Senhor Adler, Severus deve cuidar-te, espera uns quantos dias mais.

—Pois é o que quero, e vocês não…

Farto de que não lhe fizesse caso, Magnus posou seus dedos nos lábios de Severus o calando com gentileza.

—Não abuse, Severus.

E Harry desfez um chocolate entre seus dedos, ato que não passou inadvertido para Adler, sua mente analítica compreendeu algumas coisas, o tom distintivo com o que tratava a Severus, a constante companhia que lhe prodigava e a incomodidade que produzia ao jovenzinho sua presença.

—Aclarado tudo, então devemos te deixar, descansa Severus —a voz repentina de Harry poderia soar igual, mas deixava entrever um tom frio, Adler o entendeu tudo. Se pretendia entravar uma relação com Severus devia apressar-se.

—O senhor Potter tem razão todos precisamos um descanso. —e essa, era outra das pistas, o jovenzinho, sempre anteporia o título de "Senhor" com ele.

Os dois foram-se, mas antes Magnus iria ver à enfermeira para saber com imparcialidade o estado de Severus.

Quando Harry ia ingressar a sua Sala Comum, sentiu que devia voltar, não soube porque, mas usaria sua capa, quando chegou ao quarto de Severus e traspassou a porta, escutou gemidos, se apressou ao dormitório e os gemidos foram mais audíveis, mas quando quis o abrir, a figura de Magnus entrou antes que ele, deixando a porta aberta, não o tinha visto antes, mas agora estava aí, desde onde se encontrava podia os ver.

Severus soluçava abraçado a Magnus, este fazia círculos em suas costas para o acalmar que tinha ocorrido?

—É pelo que viu hoje, verdade? —Adler perguntou. —o ver cartazes dos comensais afetou-te.

—Lembranças… —foi o único que disse e Magnus o abraçou mais forte.

—Tudo terminou, estou aqui —E como o fez várias vezes enquanto durou sua encerro lhe ajudou a se deitar, mas quando quis se ir, Severus tomou o borde de sua jaqueta e lhe olhou.

—Fica —pediu.

Ainda com a roupa posta Magnus se acomodou a seu lado, passou um tempo e começou a lhe falar em sussurros.

—Dorme amor, dorme —Severus já dormia e por isso não escutou essas palavras, nem soube o carinho que Magnus imprimia ao as dizer.

Mas Harry sim.

—Severus, se tu me deixasse… se deixasse que te amasse…

E calou porque a capa de Harry deslizou-se até seus ombros, mostrando-lhe que não estavam sozinhos; Adler e ele se olharam em silêncio, se avaliaram, eram rivais sem lhe propor, mas ante os fatos Adler tinha todas as vantagens, porque era ele quem estava a seu lado nesses momentos, era a ele quem Severus pediu ficar e que ainda aferrava sua jaqueta, em seu interior Adler agradecia ter ser descoberto assim, ele tinha mais vantagem em frente ao jovem herói.

Harry viu-o de também dessa maneira, se retirou com vários pensamentos em sua cabeça.

(Como competiria contra ele? Ele é um adulto feito, atrativo não o posso negar, esteve ao lado de Severus por tantos meses, lhe brindando sua companhia, ademais, Severus lhe tem grande carinho. Arriscou sua vida para salvar a Nathan! cuidou de Severus como ninguém, graças a ele, Severus sobreviveu esse encerro. É o melhor companheiro. E eu? Maldição! EU?!)

Quis correr.

— Senhor Potter! —Deteve-se quando escutou seu nome, essa voz era formosa, e se sentiu pior, ante ele chegava Magnus, era mais alto que ele e se sentiu mais pequeno do que em realidade era.

—Sim, Senhor Adler.

Ainda que ao princípio Magnus sentiu-se triunfador, ao instante compreendeu que essa não devia ser sua atitude, de modo que devia ir a aclarar os fatos, ainda que isso suporia ceder um pouco ante seu rival.

—Sei que ambos perseguimos o mesmo, não sei como poderia me lhe comparar, mas de uma coisa esteja seguro, lutarei por ele. Boa noite —E marchou-se, atormentado com seus próprios pensamentos.

(Harry Potter, o salvador do mundo mágico! como poderia eu, competir com esse terno jovem? ademais salvou-lhes a vida! nunca deixou de procurar, o ama, quem poderia lhe negar? Junto a ele, Severus teria um grande futuro, mas eu morreria se Severus o elegesse a ele, eu morro)

Essa noite não puderam conciliar o sono com facilidade, criando em seus pensamentos os melhores planos para fazer que Severus lhes correspondesse como eles almejavam.

Terça-feira

Era uma delícia vê-lo passeando pelos corredores do Castelo, carregando com seu bebê, falando sobre os quadros que se expunham aí, sobre as aulas e as diferentes matérias que se davam, os poucos residentes se surpreenderam ao princípio, mas todos desfrutavam da nova atitude de Snape, além de seu tino na mudança de vestuário, por exemplo hoje ostentava com graça natural uma túnica bege.

— Posso acompanhá-los? —pediu Harry, quando os atingiu nas portas do grande comedor, já não levava seu uniforme, ou a roupa solta e grande, conseguiu fazer de uma camisa verde e calça negra graças aos Gêmeos que foram a Londres e lhe conseguiram.

—Por suposto Harry.

Caminharam juntos por entre as longas mesas, Harry não interrompeu em nenhum momento o monólogo que tinha Severus com Nathan, chegaram às colunas que comunicavam com o pátio interno, e se sentaram Harry a sua direita olhando como as aves baixavam até o solo para picar sementes dos pastos silvestres, estavam dentro um ambiente apassive.

— O Senhor Adler não vem hoje?

—Chegará mais tarde, disse-lhe que fosse a ter saudades a sua família, agradeço sua companhia e sua proteção durante estes dias, mas não posso depender eternamente dele, deve continuar sua vida. —Harry assentiu. — Ele não te agrada muito verdade? –disse após um momento.

—Sinceramente deveria agradar-me, mas há… certas circunstâncias que fazem que isso não seja possível.

—E isso Por quê? —Severus surpreendeu-se, a Harry jamais nenhuma pessoa lhe tinha sido desagradável se recordava, Por que com Adler tinha que ser diferente? Harry só se encolheu de ombros, diria, mas não achou que era o momento adequado.

Viram enfiar uma linha de formigas verdosas por uma coluna, levando um sem-fim de pedacinhos de folhas e flores, isso lhe recordou algo a Harry.

— Sabe? A Senhora Weasley convidou-me a mudar-me com eles foi você quem a convenceu de voltar a sua casa?

—Sim, como te disse, não posso depender de outras pessoas toda minha vida. Acho que é boa ideia que se marche com eles.

E isso foi o que a Harry lhe assustou, Severus lhe pedia que se marchasse.

— Mas eu não quero me ir! Não posso! —parou-se repentinamente, ainda que não alçou a voz o desespero com que disse essas palavras voltaram a surpreender a Severus por segunda vez.

—Harry, tranquiliza-te. —e alçou sua mão para tocar o braço do rapaz e instá-lo a sentar-se de novo. — Por que não quer se ir?

— (Por você! Por você! Porque amo e não quero ir de seu lado!) —Quis gritar-lhe, mas quando viu que a mão de Severus lhe esfregava com ternura deveu render a sua razão. — Direi amanhã, saberá minhas razões amanhã, mas hoje terá que me tolerar, está bem?

—Eu achei que Dumbledore era o dos segredos, já vejo que em ti terá uma grande concorrência —lhe sorriu.

Mas… como lhe dizer qual era seu segredo? como sem o temor à rejeição? E amanhã Harry armaria de valor e abriria seu coração, pediria tão só uma migalha de amor, mas isso, seria amanhã.

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Lucius e sua família chegaram a meia manhã, deixaram a seu filho junto aos outros adolescentes e fizeram chamar a Remus ao despacho do Diretor, quando Severus viu a Draco se via um pouco deprimido, mas os Weasley se encarregaram de que risse um pouco, Severus já sabia a razão, Harry lhe tinha informado sua situação a seu pedido dias antes, não deixou de pensar que não pôde o proteger como quis, por fortuna teve a Remus nesses momentos.

Lucius tinha-se inteirado dos pormenores da "proteção" a seu filho, ao princípio gritou exasperado, mas depois analisou e deduziu que essa tinha sido a melhor das opções que tinham tido a Ordem e sua família precisamente nesses momentos, Draco também lhe fez ver suas próprias razões para compartilhar com Remus sua vida, assim, seu pai resolveu tratar todo este assunto com o licano, e imporia algumas coisas.

Draco, Harry e Severus encontravam-se na sala do último degustando umas massas e sucos que um elfo tinha trazido, Malfoy tratou de distrair jogando com Nathan, ainda que o bebê pareceu mais interessado em mover sua pequena cabeça pelos suaves cobertores de um lado a outro abrindo seus lábios em procura de seu biberão ou encontrar seus dedos para sentir o sabor que tinham.

—Severus, seu menino é muito acalmado, em algum dia terei o meu e espero que seja tão tranquilo como o seu.

—Espero que isso não passe cedo, pelo bem de Lucius não lhe dês essas surpresas, não acho que seu ego resista o ser chamado avô.

Os três riram um pouco e Severus levantou a Nathan de seu berço, já quase era hora de alimentar.

Uma hora depois um elfo apareceu em frente ao loiro e fez-lhe chamar ao despacho, seu rosto luziu com pesar, mas as miradas de apoio de seu padrinho e do salvador do mundo animaram-lhe para enfrentar o que viesse.

—Desejem-me sorte.

—Sorte —assentiu Harry

—Tudo sairá bem, Draco.

Lucius Malfoy tinha-o resolvido tudo, consentiria essa relação, mas proibiu ao casal a formalizar até que Draco terminasse seus estudos, ademais não permitiria que seu filho ficasse em seus louros após Hogwarts e fez prometer ao ombro lobo que obteria uma profissão, ainda que aceitaria que desde esse momento vivessem juntos.

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A família Malfoy fez-se presente à hora da comida na sala de Severus, Remus vinha por trás deles e, Dumbledore vinha com seu própria folia, mas tinham uma coisa em comum os rostos, especialmente o de Draco era felicidade pura, Lucius e Narcisa foram para saudar a Severus, porque desde que acordasse só o tinham visto uma vez e compartilhar uma comida seria uma boa forma de lhe fazer companhia, foi uma comida por demais interessante porque Draco não parava de sorrir e mal se podia com sua comida, também não Harry deixava de olhar de soslaio a Severus, e não podia manter uma conversa seguida, Lucius Malfoy se deu conta perfeitamente dos sentimentos que o jovenzinho guardava.

— (Iluso) —pensou.

Decidiram tomar a sobremesa nos cadeirões, acabavam de acomodar-se quando outra visita chegou; Magnus Adler, com os saudos de rigor o sanador foi apresentado a Narcisa e a Draco, depois compartilhou a sobremesa com todos eles.

Foi estranho que ao terminar Severus começasse a se comportar como se desejasse sair daí, mas o único que fez foi a seu dormitório e sacou uma caixa, lhe atingindo a Narcisa.

—Obrigado Narcisa, são as roupas que me emprestou, Nathan já não utilizá-las-á.

— Mas Severus, como acha que aceitaremos que não os devolvas?! São para Nathan, ademais que Draco já não as utiliza. —Lucius se sentia ofendido, ele não era um pobretão que não poderia comprar roupas de bebê quando ele quisesse, ainda que não as precisasse.

—Não é por te ofender meu amigo, só compreendo porque Narcisa guardou as roupas de Draco, são importantes e não seria correto me combinar com as lembranças de uma mãe, só isso.

Lucius olhou a sua esposa, e esta afirmava com sua cabeça suavemente, recebeu o pacote com carinho.

—Graças a ti Severus por me os devolver, poderiam parecer pouca coisa a muitos, mas te dou toda a razão—respondeu a mulher.

Após esse pequeno intercâmbio, decidiram mudar de tema, Magnus e Harry tinham uma pequena luta em chamar a atenção de Severus, Lucius via-os com diversão, e também com certa pena, esperaria que se dessem conta eles mesmos, a conversa se tinha estendido até as três da tarde e Nathan chamou a atenção de seu pai chorando, era o momento de terminar essa reunião.

Quando a nova família Malfoy, nova, porque agora incluíam a Remus entre seus integrantes, se marchou, prometendo que viriam ao dia seguinte para planejar a nomeação do padrinho para Nathan; Dumbledore não esperou em perguntar pelo motivo do crescente desespero de Severus.

—Severus Passa-te algo?

—Nada, sinto muito se estou um pouco distraído. —tratou de não lhe dar importância.

—Sabe que qualquer coisa deve nos contar. —advertiu Magnus.

—Severus, se quer que nos marchemos —voltou a dizer o diretor.

—Não… não é isso, só que… devo fazer algo e, talvez vocês não estejam de acordo.

—Sabe que pode contar comigo para tudo e, se é algo perigoso estarei eu para te acompanhar. —Harry se via decidido, ele faria tudo o que Severus quisesse, melhor se iria na contramão das opiniões de Adler.

O sanador olhou-lhe, o rapaz sabia como jogar suas cartas, apoiar a Severus em vez de lhe proibir fazer tal ou qual coisa, mas escutaria primeiro as pretensões de seu amigo.

—Quero… quero regressar a esse lugar e… levar comigo a Nathan —e aconchegou um pouco mais a seu menino.

— A onde, Severus? —Dumbledore estava confundido "esse lugar" não dizia nada, "esse lugar" podia significar muitas coisas.

—Londres… "lá"

— Regressar!? Mas Para que!? De jeito nenhum! não deixarei que se exponham a um lugar que poderia lhes afetar. —Adler se levantou do cadeirão que ocupava, não podia permitir essa loucura, porque isso era, uma loucura. O bebê deveu sentir as alterações dos presentes e ainda estando nos braços de seu pai começou a gemer.

—Permite-me este capricho, ademais não entrarei ao Castelo, só quero ver "um lugar", não sei porque, mas devo o fazer, pode nos acompanhar se quer Magnus, se que Harry sim acompanhará.

Para Harry também foi uma surpresa, estava de acordo com o sanador, tão só ontem sua pequena saída tinha afetado demasiado a Severus, não quis pensar como seria se regressasse ao lugar de sua prisão, mas já tinha dado sua palavra.

—Vejo que é importante para ti, eu também irei, se me permite. —a voz tranquila de Dumbledore afetou de boa maneira no excitado ambiente, e Nathan começou a se acalmar.

—Obrigado, e é Albus, depois… quero ir a outro lugar. —quando viu que voltariam a protestar, deveu aclarar as coisas. — estarei aí só uns quantos minutos, nada mais.

Adler teve que aceitar.

Se alistaram e coincidiram com a saída da família Weasley do Castelo, ficavam já muito poucos habitando Hogwarts.

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Ao igual como tinha abandonado esse lugar, chegou em uma carruagem escuro, desceu e tomou a seu bebê dos braços de Magnus, voltava, não como um comensal e espião, não como a alma em pena que regressava a sua tortura pessoal com Voldemort, voltava feliz, como pai junto à fonte de sua felicidade e valor, voltava com Nathan.

Os aurores tinham limpado qualquer resquício de malefícios ou magia escura, agora se sentia que era um lugar tranquilo, era visível a todos menos aos Muggles.

Como disse não entrou no Castelo, simplesmente se dirigiu à parte posterior da Mansão.

E estava aí, igual como o recordava, a jovem árvore de salgueiro; começava a entardecer e suas folhas contrastavam com o alaranjado de faze-los de luz, igual como o via desde sua janela. Parou-se a prudente distância, sobre um dos vários ocos que se espalhavam pelo solo.

— (Obrigado, foi sua imagem que me ajudou a recordar a meu lar todos os dias, tens a um colega aí sabe? apresento-te a quem sempre me acompanhava quando te olhava, ainda que você não lhe viu. Este é meu filho, ambos te víamos e sabíamos que em algum dia viríamos a te agradecer) —e ficou o olhando.

A jovem árvore não se moveu nem um ápice, ficou imóvel, a todos lhe pareceu que Severus e a planta se entendiam, ainda que ao princípio temeram um pouco por ser um salgueiro boxeador, se surpreenderam da quietude da árvore.

O tempo parecia que ia muito rápido, ainda que nem sequer tinham passado dez minutos. Devia chegar a seu outro destino, de modo que voltaram a embarcar-se na carruagem.

—Albus, faz que os tresthals vão ao Vale de Godric, faz favor —depois lhe falou ao adolescente de seu lado. — Harry não acho que tenhas tido a oportunidade de visitar, mas sei que você também apreciá-lo-ás —com isso Dumbledore soube a que lugar em específico deviam ir.

Chegaram quando a luz da tarde começou a minguar mais, o cemitério onde se encontravam era precioso a essas horas, Severus se encaminhou diretamente a uma lápida conhecida, mas não como nessa ocasião em onde arrastou sua alma dolorida, não feito pedaços e se sentindo sujo, agora ia para ela sendo feliz. Pediu que só Harry o acompanhasse, Adler e Dumbledore aceitaram, era fácil se dar conta que isto era muito especial, para ambos.

—Lily —saudou à lápida quando chegou, sorriu. —Harry como te daria dado conta esta é a tumba de teus pais.

Harry não lhe disse nada, se empenhava em limpar com força suas lágrimas, era verdade, nunca tinha estado aí, nem sequer soube que existia, mas mal leu os nomes irrompeu em pranto silencioso. Não pôs atenção ao que Severus falava à fria lousa.

—Agora sei porque o fez, sabe, seu filho é um bom rapaz e será um grande homem, deve estar orgulhosa, ambos devem estar orgulhosos. —disse se referindo também a James. — espero que meu menino chegue a ser tão bom como o seu —emitiu um suspiro quando viu que Harry seguia com seus dedos os nomes de seus pais como ele mesmo fez alguma vez. — desde onde estão, espero que se empenhem a lhe proteger e fazer que seja muito feliz, Harry, lhe merece.

Esteve mal alguns minutos que pareciam eram muito curtos, Nathan começava a se queixar, era hora de seu alimento, se despediram Harry tinha convocado algumas flores e as deixaram.

Regressaram à carruagem para poder voltar ao Colégio, enquanto dava-lhe o biberão a Nathan não disseram nada durante a viagem, mas não estavam tristes, se sentia mais bem um ambiente de alívio.

O jantar que compartilharam com os poucos habitantes do Castelo se levou em um ambiente alegre, notaram que contrário ao que supuseram a Severus não lhe tinha afetado em nada, melhor parecia lhe ter sentado bem.

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Harry aproveitou para mandar umas cartas via coruja a seus amigos, tinha-lhes prometido que contaria como lhes tinha ido em sua saída, como tinha visto a tumba de seus pais o que lhes queria contar seria longo por escrever, de modo que demoraria um pouco.

Magnus creu estar no momento oportuno, Nathan dormia e Severus via-se tão comprazido e a luz das várias velas, faziam que irradie uma beleza natural, sua imagem era perfeita, sustentava uma copa com vinho élfico, a bebia a tragos compassados, essa, era uma delícia que desfrutava após muito tempo.

Os sinos pendurados que convocasse Flitwick emitiam uma suave melodia, era um quadro perfeito, demasiado perfeito, irreal talvez, mas estava aí, dantes seus olhos Magnus não podia esperar nada mais.

—Talvez este não seja o melhor momento, mas, devo te dizer —começou a se ouvir alterado. — Bem, eh… bem, nunca… te tinha dito, mas… você me agrada. —Severus fixou toda sua atenção no sanador, estranhado. —e não só é agrado ou carinho, o que eu sinto por ti é amor.

Severus moveu negativamente a cabeça e baixava sua mirada, mas Adler não deixou que explicasse nada.

—Não te peço que me responda, não se sua resposta doerá, ja, ja, e pensar que suportei a Voldemort! —Burlou-se de si mesmo. — mas me deixa me fazer ilusões, me deixa sonhar contigo e com Nathan, porque ele é seu e seria meu se você quisesse.

—Magnus…

—Somos adultos, conhecemo-nos, bom, não foi na melhor das circunstâncias, mas chegamos a ser bons amigos. Já te tinha mencionado antes Nathan precisará de uma família completa. Bem, eu te ofereço, não só pelo bebê senão também por nós, te merece ser feliz e eu te prodigaria toda a que possa te dar, te amo, te amo e não deixarei do fazer.

—Perdoa Magnus, eu não…

—Pensa, pensa. —e começou a jogar com o botão da manga de sua camisa.

Adler não podia crer o que tinha feito, bem já lhe tinha dito, e se arrepender não mudaria nada. De modo que foi ele quem começou a falar de outras coisas, era estranho, mas de novo sentiram que o tempo era demasiado rápido, demasiado.

Harry voltava quando Magnus tomava as mãos de Severus para se despedir, notou que este se sentia um pouco incômodo pelo gesto, mas mesmo assim correspondeu seu abraço final.

—Preocupa-me que ainda não tenha recuperado sua magia, amanhã falaremos disso entendido Severus?

—Entendido Sanador Adler –disse-lhe com incomodo.

— Ah Senhor Potter! você sempre tão pendente —lhe disse quando viu que o rapaz levava consigo algumas barras de chocolate. —Severus, acho que tens o melhor provedor do mundo.

—Senhor Adler não se burle de mim, só lhe trazia se se lhe apetecia a Severus, mas acho que é um pouco tarde.

—Claro que se me apetecem, mas tens razão, é tarde e ambos devem ir descansar, já amanhã teremos tempo dos dotes de provedor de Harry e os questionamentos de um sanador demasiado intranquilo. Até manhã e dedicou-lhes um sorriso, quando recebia as barrinhas envolvidas.

Assim Adler e Potter ficaram sozinhos, e caminharam pelos corredores em um total silêncio, uma permissão bastou para se despedir.

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Severus contemplou por um tempo mais a seu bebê, até que decidiu que ele também devia descansar, levantaria muito temporão para passar no seguinte dia em sua casa das Hilanderas, pôr em venda e o dinheiro que sacasse disso iria direto a sua conta em Gringots, assim desfaria de uma parte de seu triste passado, sabia que em Hogwarts estava seu verdadeiro lar, ao igual que seu filho, jamais seria recusado. Agora estava aí, dormindo em sua casa.

Quarta-feira…

Nas manhãs Albus baixava as escadas desde suas habitações até o andar onde agora residia Severus, mas hoje… era diferente, levava consigo um pequeno presente.

Entrou quando não lhe abriu, às vezes ficava ausente falando com Nathan, passou à sala, a voz de Severus não se escutava, surpreenderia quando lhe desse! tinha mandado fazer essa precisamente, pareceu-lhe a ideal, um chocalho em forma de uma serpente gora e muito macia, agitou-a e uma suave música desprendeu-se, enquanto cruzava a sala, seus azuis olhos brilhantes, o sorriso radiante, seguro que gostariam.

Deixou cair a chocalho quando lhe viu.

As cobertas desordenadas a penas se cobriam a Severus, recostado, apertando fortemente sua mão direita, ainda levava a roupa de dormir e deixava que as lágrimas se deslizassem, algo estava mau.

Dumbledore correu para ele, despejou sua cara do cabelo que o cobria, quando sentiu que a temperatura de seu corpo era baixa, muito baixa, Severus abriu seus olhos e as lágrimas correram mais quando lhe viu, se ia e deixava a muitos.

— Severus! Que sucede?! ELFOS, ELFOS! CHAMEM A POPPY!

—Recordei-o todo… Voldemort… o conseguiu –lhe disse com pesar. — Ainda que ele… esteja morto… o rito… devia se completar e… o fez.

— QUE?! POPPY, POPPY! —Dumbledore seguiu gritando, fazendo acordar a Nathan.

Por toda a resposta Severus só alçou sua mão direita, onde não tinha nada um cardeal ao vermelho vivo estava no meio de sua palma, umas palpitantes linhas negras saíam enraizando tudo, infectando seus dedos e o braço a uma velocidade alarmante.

A enfermeira chegou, seus olhos não lhe mentiam, essa era uma cena deprimente, Albus fincado ao lado da cama tratava de conter seu pranto enquanto Severus se empenhava em respirar.

Pouco depois Harry, Minerva e Adler chegaram agitados, a cena era terrível, tinha que ser um pesadelo, tinha que o ser.

— ST. MUNGO! DEVEMOS LEVÁ-LO A ST. MUNGO! —não se soube quem o tinha gritado.

Seus mundos derrubavam-se ante eles, mas se ontem tudo estava bem, ontem tinham feito tantos planos.

—Não há tempo… Nathan… quero o ter aqui —a força em sua voz começava a desaparecer.

Dumbledore via-o, mas não queria o crer, negava com sua cabeça e sua respiração começava a ser agitada, NÃO LHE PODIAM TIRAR! NÃO AGORA!

Pomfrey levantou a um choroso Nathan de seu berço, e entregou-lhe, Severus esforçou-se em abraçá-lo e ver seu pequeno rosto.

—Sinto muito… meu menino… sinto muito —afogou seu pranto. — seja bom… faz favor… seja bom e… seja feliz. — O pranto de Nathan parecia aumentar, Severus fez um esforço para entregá-lo a Dumbledore. Olhou aos que estavam aí, Harry tinha seus verdes olhos opacados, Magnus tremia, Minerva parecia que se encontrava em outro mundo, mesmo assim lhes dedicou um leve sorriso.

—Obrigado. —disse e voltou-se a Dumbledore.

—A… Pai, pai favor… promete-me… que meu menino… será feliz… como… eu o fui com ele. —Dumbledore assentiu, sem se dar conta do que fazia.

Severus Snape não voltou a dizer nada mais.

Após tudo, Voldemort lhe tinham tirado.

Epílogo

—Papinho era muito bom, verdade? —dizia-lhe um menino de cinco anos, a um mago de longo cabelo e barba prateadas, com uma túnica azul pastel, que o sustentava da mão.

—Sim, meu menino, ele era muito bom, ao igual que você. —lhe respondeu o mago maior com um deixo de ternura.

—E verdade que me queria muito? —voltou a falar o pequeno de cabelo extremamente negro e delicado ao igual que seus brilhantes olhos, a pele pálida e um narizinho reto, único fenótipo de seu outro pai; uma túnica verde cobria-lhe, mostrava um sorriso que irradiava e enchia em todos os que lhe vissem, uma felicidade imensa, mesma alegria que o menino sentia.

—Com toda sua alma. —respondeu Dumbledore.

Seguiam um caminho que os levava desde os pátios do castelo, até um lugar perto ao Bosque e em frente ao lago. Nathan soltava-se de vez em quando de seu avô para ir recolher algumas sementes ou brins de pasto de cores estranhos, lhe levando em seus bolsos, saltava quando se lhe ocorria pegar algo que voava perto a sua vista, depois voltava a aferrar-se na idosa mão.

Chegaram ao lugar e Nathan deteve-se quando viu que já tinham chegado a seu destino, se aproximou até uma tumba branca custodiada a seus lados por serpentes prateadas, no centro, magicamente conservada, uma fotografia de seu pai, era Muggle e não se movia, mas seu rosto estava igual como o recordava Albus.

—Olá papi. —saudou e seus pequenos joelhos tocaram o solo. — sabe? em meu aniversário tio Magnus e tio Harry me trouxeram uma vassoura, me caía muito, mas já não.

Assim Nathan contava com detalhes o festejo por seu aniversário da semana anterior.

—Vejo, que cheguei tarde —se surpreenderam ao escutar essa voz. Nathan correu com os braços abertos para a pessoa que os tinha interrompido, saltando aos braços que lhe receberam e lhe deram uma volta no ar.

— Harry! Veio!

— Claro! Como todos os anos.

—Obrigado por meu presente, gostei muito.

—Esperava isso, já que é o único de sua idade ao que lhe permitem montar uma para valer e não de brinquedo, depois praticaremos de acordo?

—De acordo.

—Isso sim consegues que Potter não termine com uma lesão. —uma nova voz se fez presente a meio deles. — Olá Nathan, Harry —o saudou levantando a mão.

—Muito gracioso Draco. —respondeu Harry e estreitaram suas mãos, ao mesmo tempo que se dirigiam onde se encontrava Dumbledore, que os saudou com grande carinho e Nathan se baixou dos braços do moreno, para sustentar a mão de Draco.

—Temo-me que, Harry só conseguiria te ensinar, como cair dramaticamente. —ante este comentário Nathan riu.

— Ouve não te ria tanto!

—Draco, onde está tio Remus? —interrompeu o pequeno astutamente, assim não ganhar-se-ia uma reprimenda.

—Veio junto a meus pais mais temporão.

—Isso explica as flores —disse Dumbledore. —E Adler, não veio?

—Meu chefe, ficou atendendo a uns gêmeos, virá mais tarde —Harry tinha estudado para sanador, especializando-se em meninos.

Em frente a eles se alçava o mármore branco, se adentraram em seus próprios pensamentos, como a cada ano não disseram nada, só eles e seus pensamentos.

Após depositar suas oferendas e respeitos, dispuseram-se a partir, Nathan se aferrou das mãos de ambos jovens adultos.

Albus ficou um pouco repagado do grupo ainda contemplando a tumba do que tinha sido um filho para ele, volteou para se retirar junto a seus antigos estudantes, o observou, já estava um pouco longe, mas que ainda os ouvia, rir e falar com seu pequeno neto, não tinha dúvida, eram felizes, com lembranças tristes em seu coração, mas felizes. Alçou sua vista, onde creu seguro que seu Severus se encontrava.

— Vê-lo Severus? Seu menino é feliz, imensamente feliz —e se foi encontrar a ele, ele também tinha encontrado o consolo.

O sol ocultou-se por completo e a suave luz da lua alumiava todo o campo se plantou outra figura em frente à tumba, depositou duas tulipas brancos.

—Olá amor, perdoa que tenha vindo tarde, mas tinha vários meninos que atender.

E ajoelhou-se ao lado da tumba.

—Estranho-te, sabe? —E tocou seu peito.— mas já dói menos, bom é que há uma pessoa que me ajuda nisso… ela é especial —tinha convocado um lumus e podia ver perfeitamente a fotografia. — Harry é um grande sanador, os meninos são sua vida e mais Nathan, estou seguro que se lhe tivesses elegido a ele, eu estaria feliz por ti.

Após secar suas lágrimas, levantou-se e deu um último olhar à estática fotografia.

—Até depois amor. —E Magnus Adler foi-se.

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E terminou uma guerra e salvou-se um mundo, teve amores que jamais foram, teve um pequeno que jamais desfrutou de seu pai, mas foi o consolo de um coração velho.

Um mago que conheceu a felicidade plena só por alguns dias, mas lhe foram suficientes para ter vivido nesta terra.

FIM

Nota tradutor:

Finalmente um final muitooooo chocante, espero que gostem

Vejo vocês nos reviews…

Então ate breve

Fui…