E então eu deixei uma rosa para você.
Sutura
""Canta para mim, qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz"
Tinha doído um bocado. Menos, porém, que a marca registrada antes no seu pescoço. E ele não demonstrou nada. O tatuador ficara surpreso em como aquele garoto de treze anos nem sequer havia reclamado da dor.
Aquela rosa impressa na pele o ajudaria a reprimir o crescente lado vampiro em si, dissera o diretor. E agora Zero carregava a marca dos vampiros domesticados. Riu com escárnio, com desgosto. O desenho ao menos cobria a marca da mordida daquela mulher - mas, no fundo, aquele pensamento não o confortava nem um pouco.
E ele nunca se deixava enganar nesse ponto.
Ele finalmente tinha percebido que não importava o quanto tentasse enconbrir aquilo -fosse com feridas sobrepostas ou com pesadelos-, aquela marca era algo perpétuo - como uma rosa tatuada.
Mesmo que rosas devessem ser efêmeras.
Aquela flor adornava o túmulo de sua família, como uma espécie de homenagem, mas não enterrava o passado. E assim, distraído com o perfume de lembranças, Zero demorou a perceber que chegara em casa.
Porque também Yuuki demorou alguns instantes chocados e chorosos para lembrá-lo disso, ao olhar para a tatuagem do menino.
"Ahhh o Zero virou um delinquente!"
Choque. Silêncio.
"Você é idiota?!"
...
...Tão estranho.
A tatuagem cicatrizou muito antes do esperado.
