Capítulo Terceiro
Snape seguia cada vez mais fundo na floresta. Entrara ali pouco tempo depois que a menina e ainda não retornara ao castelo. A ponta da varinha iluminada foi seu guia durante toda a noite, sua garganta ardia e sua voz falhava depois de tanto chamar sua pequena. Mas não houve resposta. Encontrou Hagrid pouco antes da aurora, e ele dissera que os centauros também não puderam encontrar nada e que agora ele retornaria ao castelo, mas que depois de ver Dumbledore e de lhe dar noticias, retornaria buscando pela orla do lago.
-O senhor também deveria voltar, professor. Talvez fosse melhor que a gente reagrupasse e se reorganizasse pra procurar.
Severus, ainda que tentado a seguir buscando ate a exaustão, teve que concordar, e junto com o meio-gigante começou a fazer o caminho de volta ao castelo. Já caminhavam há quase duas horas, e a floresta ainda era densa.
-Talvez uma hora mais de caminhada e estaremos no salgueiro. –disse Hagrid, que por um momento desistiu de encontrar um tópico para conversas e parou, virando a cabeça para um lado, como se captasse algum som.
-O que foi?
-Espere um momento, acho que ouvi um daqueles gritos...
Mas Severus não estava escutando nada, talvez os danos em sua audição ainda estivessem presentes. Madame Pomfrey tentara reduzir a surdez ao máximo, mas ainda havia um leve zumbido ao fundo.
-Por aqui! –disse Hagrid rumando para o leste, sendo seguido de perto pelo professor- Tenho certeza de que é ela.
E pelo visto os centauros também escutaram os gritos porque meia dúzia deles veio galopando freneticamente em meio as arvores na direção deles.
-Orlod! –Hagrid saudou quando o belo centauro parou a sua frente
-As corujas a viram, ela já deve estar no lago a essa altura. Há penas num oco de arvore e algumas cinzas nos galhos. –o centauro entregou uma longa pena vermelha a Hagrid e outra a Snape- Aquele grito...
-Acho que é ela. Professor faça uma chave de portal para o lago. –Hagrid sugeriu
Se sentindo invadido de adrenalina, Severus usou a pena vermelha como uma chave de portal, que levou a ele, Hagrid e Orlod a beira do lago. Caíram um pouco longe de onde ela estava, mas podiam ver sua figura submersa ate a cintura no lago, esfregando a cabeça com ferocidade.
-Devemos ir com cautela. –Severus disse- Ela esta bem arisca.
Orlod preparou o arco, e Severus e Hagrid quase gritaram de pavor.
-O que você pensa que esta fazendo?
-Ninguém vai atirar nela!
-Vocês não estão sentindo? –o centauro perguntou enfurecido- Essa onda de poder obscuro?
-Esse poder pode ser o de Você-sabe-quem, mas ninguém vai atirar na Pan! –Hagrid protestou- abaixe o arco!
Contrafeito o centauro obedeceu, e Severo foi à frente, com a varinha preparada caso tivesse que estuporá-la antes que ela fugisse ou ferisse um deles. O centauro ia pela orla da floresta, ocultando-se entre as arvores, e Hagrid, logo atrás dele, incrivelmente furtivo para alguém do seu tamanho. A uns dez metros de distancia, Pan pode perceber a presença deles. Sua reação foi recuar, cobrindo o rosto com as mãos já completamente livres das garras. Ela chorou, recuando o máximo que pode em direção à floresta. As penas que formavam sua coroa de fogo foram arrancadas, o que deixava finas trilhas de sangue de seus cabelos ao queixo. Severus ajoelhou-se ao lado dela, passando a capa por seus ombros. Ela encolheu-se de susto já que esperou que eles fossem matá-la, diante do monstro que havia surgido nela.
-Pequena? –ele disse suave, afastando os cabelos dela de seu rosto- É você, não é?
-Vá embora! –ela disse chorosa, com a voz abafada pelas mãos que cobriam o rosto.
-Eu vim buscar você pra te levar pra casa, Pan. Você precisa de cuidados, esta machucada.
-Eu sou um monstro, Sev...
-De jeito nenhum, Pan. –ele disse abraçando-a como pode- Você esta diferente de varias formas, mas continua sendo a Pamela de sempre.
-Meus olhos... –ela disse sacudindo a cabeça
-Daremos um jeito nisso, eu prometo... Sua avó esta muito preocupada e Dumbledore mandou todo mundo procurar por você.
-Sev...
-Venha... –ele a ergueu nos braços, e ela aconchegou-se contra ele como pode- Apenas tente ficar calma e confie em mim.
Hagrid e Orlod se aproximaram cautelosamente, temendo sobressaltar a jovem.
-Pan? –Hagrid arriscou
-Oi Hag. –ela disse com um sorriso triste
-Você está se sentindo bem? –perguntou agora tocando os pés dela com as enormes mãos.
-Sinto frio na pele e parece que tem magma no meu cérebro.
-Vamos agasalhar você melhor. –Severus disse colocando-a de pé no chão e desabotoando o casaco, ficando apenas com um colete negro por cima de uma camisa branca de mangas compridas.
Pan deixou que ele a vestisse, se dando conta de que seu estado de nudez provocou em Hagrid um rubor intenso nas bochechas. O centauro, que se mantinha silencioso e afastado, apenas observava o professor abotoar o casaco na moça, que não podia fazê-lo, dado o intenso tremor em suas mãos. Depois de arroupar a menina, Severus envolveu sua capa na cintura dela, agasalhando também as pernas e pés. Ela deixou que ele a pegasse no colo novamente, como se ainda tivesse cinco anos. E assim, escoltados por Hagrid, eles venceram a extensão do lago, caminhando pela areia até atingir os gramados da escola. Orlod havia partido na frente, com um aviso a Dumbledore de que eles haviam encontrado Pan, e que ela estava bem. Sendo assim, o diretor, amparando uma Minerva particularmente aflita, esperava pelo trio na plantação de aboboras gigantes de Hagrid. Ao ver a avó Pan se encolheu, afundando o rosto no peito de Severus.
-Eu sou um monstro, Sev... Não quero que a vovó me veja assim...
-Pan, você não é um monstro. Você é a Pan, eu já te disse isso. Não tem motivo pra você ter medo ou vergonha.
-Mas ela vai se assustar...
Nesse ponto Minerva já estava a poucos passos deles, com os braços estendidos, pegando a neta do colo de Severus. Pan resistiu por um instante, agarrada a ele, mas quando ouviu a voz da avó, agradecendo a Merlin por ela estar de volta e dizendo que não saberia o que fazer se a perdesse, Pan fechou os olhos e deixou que Minerva a segurasse, ajudada por Dumbledore.
-Oh, minha filha... Minha boneca... Eu tive tanto medo, tanto medo por você... Eu não podia deixar de pensar em você sozinha na floresta, assustada com o que ocorreu...
-Você se sente bem, querida? –Dumbledore perguntou afagando seus cabelos
-Não. –ela disse- Eu não sei o que estou sentindo, mas não é bom.
-Querida, abra os olhos, você não precisa ter medo, somos nós... –Minerva disse segurando o rosto dela
-Não! –Pan gritou cobrindo o rosto e esperneando, de modo que Minerva e Dumbledore não puderam segurá-la e deixaram que ela caísse.
Num reflexo incrivelmente rápido, Pan recuou até a beira do lago, a saia improvisada pela capa de Severus pendendo debilmente de sua cintura. Abriu os olhos e esquadrinhou o cenário a sua frente e sentindo seus miolos ferverem dentro do crâneo não pode reconhecer a nenhum. Severus avançou tentando acalmá-la, mas os imensos abismos negros que ela tinha no lugar dos olhos estreitaram-se ameaçadoramente. Ele parou de andar, pegando a varinha do bolso da calça, pronto para estuporá-la caso ela tentasse fugir. Não houve o menor reconhecimento em seu rosto quando ele a chamou pelo nome, ela apenas inclinou um pouco a cabeça para o lado, como se estivesse levemente intrigada pelo som de sua voz. Ele deu outro passo em sua direção, e dos lábios dela saiu um pio ameaçador, advertindo-o a ficar quieto.
-Pan... –Minerva chorou, soluçando nos braços de Hagrid, que lutava para mantê-la afastada da menina que a cada segundo que passava, adquiria um tom de vermelho mais intenso na pele, outrora alvíssima.
Severus, que estava mais próximo, podia ver uma fina película de fogo envolver Pan e nas mãos dela ressurgirem as imensas garras negras em forma de foice. Albus estava a esquerda de Severus com a varinha em punho e Orlod mantinha uma flecha preparada em seu arco. Quando Minerva percebeu que a arma do centauro não era uma varinha e que o dano que causaria não seria revertido com um Enervate, gritou ordenando que ele abaixasse o arco.
-Isso é uma harpia selvagem, mulher! – centauro esbravejou- É com flechadas que se abate uma harpia!
-Ninguém vai abater minha neta!
A movimentação assustou e enfureceu a garota, que posicionou-se para o ataque e piou baixinho. Orlod retesou a corda do arco mantendo a flecha apontada diretamente para Pan que percebeu a ameaça e piou agressivamente, o fogo em sua pele aumentando em potencia. Percebendo que a situação se encaminhava para um desfecho critico, Dumbledore e Severus tentaram estupidificar a criatura selvagem que havia substituído Pan naquele momento, mas os feitiços ricochetearam em sua pele e isso foi o suficiente para que ela gritasse em fúria, avançando para o centauro sem a menor sombra de medo ou receio. Uma flecha a golpeou no ombro esquerdo, a outra logo abaixo e a terceira no flanco direito e antes que o centauro pudesse lançar a quarta, a flecha que perfurava o ombro da menina estava atravessando sua carótida.
Mas isso não derrubou o centauro imediatamente, e ele a pegou pelo pescoço com as duas mãos e apertou. Os bruxos presentes tentavam acabar com a luta, mas os feitiços continuavam ricocheteando em Pan, e o centauro era forte e primitivo demais. Hagrid lançou-se a eles, mas tudo o que conseguiu foi ver Pan sendo lançada dentro do lago, provavelmente morta, ou com sorte, apenas desacordada. O centauro caiu quando sentiu o impacto do meio-gigante contra seu flanco, as potentes mãos agora pressionando o próprio pescoço. Severus, Albus e Minerva estavam dentro do lago, puxando Pan do fundo, que ainda dentro d'água mantinha a película de fogo sobre o corpo. Estava desmaiada e de suas feridas ao invés de sangue escorria uma espécie de fogo liquido que aos poucos selava as feridas.
-Severus e Minerva, levem ela pra enfermaria e mantenham ela sedada. –Albus disse- Eu vou ter que lidar com Orlod.
-Deixe que eu termino de matar ele... –Severus sibilou perigosamente
-Não, eu vou tentar curá-lo e obliviá-lo, não precisamos de problemas com a comunidade de centauros. Leve ela pra dentro, tomem cuidado para que os alunos não notem nenhuma movimentação estranha. Já é quase hora do almoço, vocês devem se apressar...
Severus deitou a menina num leito afastado da enfermaria, puxou as cortinas em volta dela e foi para as masmorras preparar uma poção sonífera de efeito prolongado. Minerva despiu a neta, notando que a queimadura nas costas dela estava inflamada e tinha aderido ao tecido do casaco de Snape. Madame Pomfrey limpou como pode, mas nenhuma pasta para queimaduras parecia fazer efeito. Pan respirava bem, apesar da contusão arroxeada em seu pescoço, e seu pulso era uniforme. As flechadas já haviam sarado quando Minerva a despiu do casaco. Depois de algumas horas de sono, o fogo que recobria sua pele começou a cessar levando embora a penugem remanescente e as garras. Ao cair da noite ela já não tinha mais nenhuma feição não-humana.
Severus chegou com a poção pouco antes da meia noite, no momento em que Pomfrey insistia que Minerva fosse descansar, ou que pelo menos ocupasse um leito.
-Eu quero estar aqui quando ela acordar. –Minerva disse num suspiro cansado.
-Você precisa dormir, Minerva. Você não será muito útil para ela caindo de cansaço. –Severus disse- Quando ela acordar eu mesmo vou chamar você. Eu trouxe a poção para o caso de ela precisar ser sedada. Vá descansar, Poppy tem razão. O dia hoje foi muito duro para todos nós, mas pra você eu sei que foi bem pior.
-Quando o assunto envolve Pan você se torna um homem adorável, Severus. Bem diferente do bastardo habitual.
Ele lhe brindou com um sorriso torto e apenas assentiu, observando a mulher se levantar e ir embora depois de beijar a neta. Severus sentou-se na poltrona que Minerva havia ocupado anteriormente pronto para passar a noite em claro. Sentia o corpo inteiro doer devido ao grande esforço das ultimas trinta e seis horas, mas não queria tomar nenhum relaxante muscular, o que lhe induziria sono. Pegou um livro e começou a folheá-lo, mas antes do final do terceiro capitulo estava adormecido. Despertou pouco antes da aurora com o som de seu nome sendo proferido suavemente.
-Pan! –ele exclamou ficando de pé.
Ela estava sentada na cama, com as pernas balançando. Os cabelos negros caindo como uma cortina emoldurando o rosto, que sorria timidamente. Os olhos muito azuis, os olhos de antes, brilhavam como duas jóias.
-Oi, Sev! –ela disse- Calma, Sev... -ele a segurava firmemente contra o peito- Parece que eu estou legal! Ou quase, porque eu ainda estou grande...
-Como você está se sentindo? –ele perguntou segurando o rosto dela com as duas mãos, observando as feições que eram as dela quando pequena, apesar de amadurecidas.
Ela sorriu tristemente, pensando em mil coisas que podia dizer para responder aquela pergunta que parecia de tão vital importância para todos. A verdade era que ela queria responder que estava bem, que estava normal, mas sua mente ainda fervilhava com novos sentidos, que depois do desmaio prolongado estavam mais organizados em sua mente, mas ainda assim bem confusos. Ela tinha plena consciência do coração dele batendo, do suave golpe produzido quando seus cílios se tocavam, do crepitar das velas, da respiração profunda e ritmada de Madame Pomfrey cochilando em sua saleta, dos miados da gata asquerosa de Filch no andar de cima perseguindo um rato desavisado... Seus olhos podiam divisar arvores bastante afastadas no interior da floresta, e o perfeito espectro de cores que surgia com o nascer do sol, bem como cada poro do rosto do professor a sua frente.
-Estou bem, apenas me sinto um pouco diferente. –ela disse- Minha cabeça ainda está muito confusa, como se tivessem colocado as lembranças e conhecimentos de outra pessoa dentro dela. E eu tenho os sentidos aguçados como nunca antes! Eu posso ver os grãos de poeira assentando-se no piso nessa luz fraca... e escutar tudo o que esta acontecendo dentro de você... Como eu me pareço, Sev?
-Bem. –ele disse aturdido pelo discurso extremamente bem articulado para uma garota que até dois dias atrás precisava de ajuda para amarrar os cadarços do tênis- Você parece que tem uns onze, talvez doze anos. Seu rosto continua o mesmo, só que você cresceu.
-Eu matei o centauro? –ela perguntou parecendo envergonhada e tocando o pescoço.
-Não, ele esta bem.
-Eu sabia o que estava fazendo, Sev. Eu queria fazer aquilo. –ela disse- Eu queria me defender... Havia algo forte me dando coragem, mas eu sabia como fazer, onde acertá-lo... Eu, de alguma forma, sabia que se liberasse aquele fogo na pele nenhuma magia seria capaz de me atingir... Sabia como curar minhas feridas... Menos esta das costas que esta doendo bastante.
-Isso que aconteceu com você... isso com Fawkes, foi algo bem inusitado, pequena. –Severus disse- Certamente haverão sequelas e nós estaremos prontos pra ajudar você a superar isso. Dumbledore já esta pesquisando se já houve alguma criança queimada por uma fênix antes... E eu já pedi a Hagrid para ir ao Beco Diagonal comprar essência se Ditamno para tentarmos curar sua queimadura.
-Será que eu posso tomar banho? –ela perguntou mostrando a sujeira que havia debaixo de suas unhas e em seu cabelo.
-Eu vou chamar Minerva, tudo bem?
-Sim, por favor. Só me ajude a desgrudar esse pijama das minhas costas, eu não consigo ficar de pé.
Severus molhou um pouco as costas da camisa e separou aos poucos o tecido da pele. Sabia que aquilo estava doendo, mas ela não reclamou nenhuma vez. Quando terminou, Pan ficou de pé e foi servir-se de água, não sem antes abraçá-lo e agradecê-lo por tudo.
-Não há o que eu não fizesse por você, pequena. –ele confessou afagando os cabelos dela. Pan agora chegava ao seu ombro em tamanho.
-Eu te amo, Sev.
Os dias que sucederam ao ocorrido foram realmente cheios e difíceis. Minerva precisou informar ao ministério sobre tudo, e cerca de uma semana depois, quando Pan finalmente foi liberada da enfermaria com a queimadura das costas praticamente curada, recebeu a visita de uma Comissão Investigadora formada por aurores, membros do Departamento de Contenção de Acidentes Mágicos, pedagogos, Medibruxos e o Secretario Sênior do Ministro da Magia. Dumbledore havia convocado os professores para servirem de testemunhas. Minerva estava sentada numa poltrona ao lado de Pan, parecia aflita e preocupada. Fawkes não estava no escritório, e Dumbledore apenas disse que ele apareceria no momento adequado.
-Oi, Sev! –a menina saudou quando ele chegou e postou-se ao atrás de sua poltrona como um guarda silencioso.
-Oi, pequena. –ele murmurou, ainda mais carrancudo que o costumeiro, os braços cruzados na frente do corpo como um escudo.
Pan percebeu o olhar dos aurores para ele e estremeceu. Não saberia explicar como estava tão segura disso, mas era como se Severus estivesse ameaçado.
-Realmente devemos prosseguir na presença dele? –desafiou Quin Shakelbolt sacando a varinha.
Antes que qualquer palavra fosse proferida, ou que qualquer atitude fosse tomada, Pan acenou nervosamente com a mão e a varinha do auror voou pela janela. Ela olhou para Severo para assegurar-se de que ele estava bem.
-Não aponte isso pra ele de novo, senhor. –ela pediu, não compreendendo por um segundo porque estavam todos encarando-a abismados- Não será necessário que ninguém machuque ninguém aqui hoje.
-Meus caros amigos... –Dumbledore interrompeu quando as feições de Quin e as de Pan endureceram ainda mais- Como vocês podem perceber, já estamos todos aqui e devemos dar inicio a nossa reunião. Pan ainda está ferida, e precisa descansar. Nossos professores também necessitam voltar a suas classes. O professor Snape e eu já lhes demos nossas lembranças do dia do acidente e tenho certeza de que vocês já examinaram tudo meticulosamente, e inclusive quero ressaltar que o centauro Orlod esta devidamente obliviado.
-Muito bem. –disse o Secretario Sênior do ministro, Brian Tilkins- Seus professores realizaram os testes preparados pelos pedagogos?
-Sim, os resultados estão aqui. –a Professora Vector adiantou-se entregando os pergaminhos ao Secretario- Pan, embora nascida apenas a cinco anos atrás apresenta um poderio magico superior a bruxos formados, quero dizer, a bruxos que já terminaram a escola. Também possui conhecimentos muito avançados em diversos ramos, sendo ainda débil em Poções, Estudo de Trouxas, Adivinhação e Transfiguração, mas áreas como Runas Antigas, Aritmancia, Astronomia, Trato de Criaturas Magicas, Herbologia, Historia da Magia e Feitiços, principalmente Feitiços são dominadas quase que completamente.
-Isso é muito interessante... –murmurava um dos pedagogos, repassando os testes e desenrolando os pergaminhos- É quase como se ela tivesse ganhado os conhecimentos de outra pessoa.
-No entanto, ela ainda não tem controle sobre os poderes e os conhecimentos que possui. –disse o Prof. Flitwick- Isso requer muito treinamento e disciplina.
-Nós realizamos testes e mais testes nela, inclusive para realmente ter certeza de que esta realmente é Pan McGonagall. –disse ImeldaDornell, Medibruxa do St. Mungus- E seus exames sanguíneos de genealogia realmente apontam para uma forte ascendência do sangue de sua avó, professora Minerva e ainda mais forte do lado paterno da família Black. Sua idade fisiológica é de aproximadamente doze anos, e sua puberdade já foi iniciada. Há também outro fato curioso. Pamela já não é apenas humana. –nesse ponto os crescentes murmúrios impediram a Medibruxa de prosseguir. Os aurores remexiam-se incomodados, talvez percebendo o potencial perigoso presente na adolescente diante deles- Pamela possui magias que nenhum de nós sonhou possuir. Seus sentidos não são completamente humanos, já que estão bastante aguçados e desenvolvidos. Ela possui algo semelhante ao instinto animal. Possui um poder regenerativo impressionante, bem como um escudo natural contra magias ofensivas. Está com uma imensa queimadura em processo de cicatrização nas costas, o que, no presente momento, foi a pior coisa que pudemos encontrar nela.
-Bom, isso não parece algo muito grave. –disse Tilkins pensativo- Agora mesmo ela não está me parecendo nem um pouco perigosa...
-Mas não podemos esquecer-nos de algumas coisas sobre ela. –sibilou Alastor Moody, com seu olho mágico fixo em Pan- Não podemos excluir o fato de que essa mocinha feriu um centauro adulto quase mortalmente com a facilidade com que cortaria ao meio um pedaço de pão. Ela mesma alega que estava consciente do que fazia e que sabia que deveria agir assim para defender Dumbledore e Snape. Também não podemos esquecer quem são os pais dela.
-Alastor, meu caro... –Dumbledore interrompeu observando os olhos de Pan estreitarem-se em confusão, e Minerva envolvê-la com os braços protetoramente- Falando assim você nos ofende a todos aqui. Pan foi criada por Minerva dentro de Hogwarts, muito próxima a mim e a todos os outros funcionários do colégio.
-Isso é verdade. –disseram todos os professores presentes
-Desses funcionários um é meio-gigante e outro é um ex-comensal da morte. E é com esse ultimo que nós podemos perceber que ela tem um estreitamento maior.
-Duvidar da fidelidade de Severus é duvidar da minha palavra. –afirmou Dumbledore muito sério, e ninguém mais insinuou nada a respeito disso.
-Farpas a parte, mesmo com toda a história de comensal, foi Severus Snape quem a procurou na floresta junto com o meio-gigante já referido. –assinalou Tilkins- Ainda que a maioria da comunidade não esteja disposta a confiar tanto assim num ex-comensal, parece que a menina Pan não tem duvidas sobre quem é Snape, e confia nele.
-Sim, eu confio. –ela afirmou ficando de pé, o que sobressaltou a maioria dos presentes- E não se preocupem, eu não sou uma bomba relógio prestes a explodir. –e ela caminhou até a cadeira do diretor e ficou parada ao lado dele, que segurou sua mão sobre a mesa- Agora, por favor, a única coisa que está fazendo diferença pra mim neste momento é se eu vou poder ou não começar a estudar.
-Ai é onde está o problema, querida. –disse Tilkins meio envergonhado- Nós ainda precisamos ter certeza do que houve com você. Faz apenas uma semana que você passou por tudo aquilo que nós já sabemos e ainda não estamos completamente seguros do método que usaremos pra educar você.
-Vocês acham que eu colocaria em risco a segurança dos meus colegas? –ela perguntou olhando para os professores e para Tilkins parecendo temerosa e preocupada- Vocês acham isso porque eu estou ainda... –e demonstrou o que dizia permitindo que uma fina capa de fogo cobrisse sua mão- Talvez vocês estejam corretos, eu ainda não sei o que eu me tornei...
-Mas é pra mudar isso que eu vim até aqui. –um som melodioso e indubitavelmente poderoso surgiu vindo do andar superior.
No topo da escada havia uma mulher jovem, mas de aparência milenar, usando vestes brancas de longas saias rodadas e mangas largas, com os cabelos negros e muito compridos presos numa trança que caia até os joelhos. Ela tinha orelhas pontudas e olhos brancos, suas feições elficas eram perfeitamente harmoniosas. Em seu ombro direitore pousava a recém renascida Fawkes.
-Eu sou Arya, Rainha do povo Elve. –ela anunciou, e todos os presentes curvaram-se para ela- Não, criança, não se curve a mim. –ela disse segurando Pan pelo queixo e forçando-a a encará-la- Fazia muito tempo, muito tempo, em que eu não olhava dentro de uma criança fênix. Você é um brilho de esperança. –e beijou a menina na testa.
Arya soltou Pan e reverenciou Dumbledore sobriamente. Ordenou que a maioria das pessoas presentes se retirasse, com a exceção daqueles cujas palavras dela sobre Pan fossem ser significativas. Na sala restaram apenas ela, Minerva, Severus, Dumbledore, Tilkins, Moody, Pan e Fawkes.
-Houve uma profecia há seiscentos e vinte e seis ciclos terrestres atrás. Essa profecia rezava que as sombras se abateriam sobre a magia. Apenas inocência julgada incapaz poderia ganhar tempo para que o mal não fosse definitivo, e então a criança fênix poderia renascer. Julgamos que as trevas prometidas seriam o derramamento de sangue em nome de Deus durante as Cruzadas, obscurecendo a magia da fé. Ou talvez essa ultima guerra terminada com a explosão de dezenas de milhares de inocentes, maculando nosso julgamento sobre a evolução dessa nova magia chamada tecnologia. Levamos muito tempo aguardando o desenlace dessa profecia, na expectativa pela chegada da criança fênix. Hoje, ainda muito crua e muito assustada, estou diante dela e posso perceber cada um dos critérios utilizados por Fawkes para escolhê-la.
-Por que eu? –Pan perguntou
-Um dia você saberá, um dia você perceberá os motivos... –Arya sorriu- O que importa é que você sobreviveu à transição e que seu destino está em curso.
-Eu sou como Fawkes?
-Não, mas será um dia, caso escolha assim. Fawkes marcou você como uma igual. Tenho certeza que sua queimadura ainda não sarou completamente.
-Eu tenho uma fênix nas costas. –ela disse tentando acompanhar o raciocínio de Arya.
-Um dia essa fênix será você, e você poderá usar isso para ser eterna como Fawkes. Mas por enquanto, muito embora sua forma alada ainda não possa ser explorada, você tem todas as características que uma fênix possui, inclusive a imortalidade e as características gerais. Mas você ainda é também uma bruxa, embora precise ser treinada de uma forma diferente e possua um potencial incrivelmente mais aguçado. Você, hoje, é também filha de Fawkes, e não apenas dos seus pais humanos.
-Fawkes também é humano ai dentro?
-Ele foi, milhares de anos atrás.
-Mas se eu possuo todo o tempo do mundo... Porque eu cresci agora?
-Essa é uma excelente pergunta. –Arya sorriu sentando-se numa poltrona e colocando Pan no colo- Você gostaria de voltar a ser uma criança?
-Eu não me sinto uma criança, eu também não me sinto apenas uma adolescente. Mas eu também não sou adulta. Eu não me sinto nada a não ser uma aberração!
-Você ainda se sente apenas como uma fênix. Alguém muito forte, muito capaz e muito preparada para lutar e defender aqueles que ama. –e Arya olhou para Dumbledore, Severus e Minerva. –Essas são as três pessoas que você mais ama no mundo?
-Sem duvidas. –ela disse- Eu sei que eu sou uma das pessoas que cada um deles mais ama no mundo. –os três assentiram com um sorriso
-E sabe que eles fariam de tudo por você?
-Eu também faria por eles.
Arya abraçou Pan com força e sorriu. Fawkes passou ao ombro dela e lhe deu uma suave bicadinha no rosto.
-Você é a escolhida depois de quase dois mil anos pra ser uma criança fênix, e esses três bravos bruxos foram escolhidos por você para serem seus guardiões até o momento da sua decisão final, que pode vir hoje, amanha, ou em mil anos... Tenha certeza de que Fawkes sabia que não seria fácil pra você de nenhum modo, mas que ele também estava seguro de que você seria capaz. Sabemos que você se sente perigosa, instável e confusa, mas o tempo e o treinamento correto farão de você uma bruxa excelente, e num futuro distante, se você resolver abraçar a eternidade, você será uma guardiã sem par.
-Eu estou tão assustada. –Pan confessou- Tenho tanto medo...
-Nós sabemos. –Dumbledore garantiu- Todos nós sabemos e também estamos assustados por você, mas agora temos certeza de que isso que lhe ocorreu foi com um proposito.
-Ensinem a ela tudo aquilo que seja necessário, tudo o que ela queira aprender. Ensinem magia negra, ela precisa saber combater o mal, e não se pode vencer aquilo que não se conhece. Ensinem a importância dos seres humanos em geral, bruxos ou trouxas, elves ou comuns.
-Então, milady... –arriscou Tilkins- Você acredita que Pan deva ingressar nos estudos de Hogwarts no próximo primeiro de setembro?
-Sim, contanto que seu estudo não se resuma apenas ao que Hogwarts pode oferecer. Ela lhes foi entregue pronta para qualquer coisa. Esse ponto de sua vida, a juventude, vai ser muito interessante, querida. –Arya sorriu calidamente- Logo você se sentirá como uma garota comum de novo e vai poder viver tudo o que queira. Contanto que jamais esqueça o que Fawkes lhe deu.
-Eu entendo. –Pan sorriu- Então eu sou normal?
-Claro que você é normal! –Arya disse- De uma normalidade extremadamente especial e com responsabilidades imensas, bem como com sentimentos muito mais intensos que o habitual, mas se lhe servir de consolo, nada lhe será cobrado antes do momento em que você esteja pronta para dar. Isso não é uma maldição, minha pequena flor silvestre ao luar... isso é uma benção.
-Eu vou continuar crescendo?
-Até o momento em que você morra pela primeira vez.
-Oh! –Minerva apavorou-se- Como assim?
-Pan terá essa proteção de fogo sobre o corpo até que sua transição esteja completa, o que deve durar uns cinco ou seis ciclos terrestres. Nesse ponto ela já deve dominar a maior parte de seus poderes e poderá, ela mesma, se defender. Mas caso ela não possa, como humana, ela pode morrer. Mas tao seguro como o sol pelas manhãs, Pan reviverá na mesma forma em que tinha quando morreu.
Fawkes piou em apoio ao que Arya dizia, o que basicamente congelou todos os presentes em seu lugar. Tilkins parecia infinitamente fascinado. Minerva segurava-se em Dumbledore para não cair. Ele por sua vez apenas sorria. Severus finalmente parecia ter relaxado já que desde o começo ele passava todo o tempo apreensivo esperando que algo novo ocorresse. Se Pan ficaria bem, se nada poderia machucá-la ou matá-la, ele estava perfeitamente bem com tudo.
-Você ouviu isso, Sev? –Pan brincou encarando-o tão marotamente que recordou Severus de seus tempos de estudante quando ele era vitima das artes do pai de Pan e sua gangue. -Eu posso pular da torre do Flitwick e nada vai me acontecer!
-Eu desafio você a tentar. –ele disse num sussurro letal, que teve o efeito destruído por um sorriso torto que normalmente apenas Pan conseguia extrair dele.
-Você tem mais alguma pergunta, Pan?
-Sim, e não se ofenda... –a menina ficou séria- Quem é você?
Todos os presentes riram, inclusive a própria Arya.
-Sim, porque eu sei que conheço você e que posso confiar, mas...
-Eu sou a governante do povo Elve, que foi massacrado e dizimado por gerações desde que um certo bruxo das trevas denominado Sigmund Barts, descendente de Slytherin, criou um feitiço poderoso, que hoje pouquíssimos bruxos são capazes de executar. Seria a maldição do coma eterno, ou Maldição de Sigmund Barts. O antidoto, criado por Holf HufflePuff, é uma poção cujo ingrediente vetor é o sangue de um Elve. Sendo assim você deve imaginar como a caça ao meu povo foi intensa, então hoje, com os remanescentes, estabelecemos uma nova comunidade nômade. Fawkes pode me achar, porque... Bom, nós fomos irmãos quando ele nasceu a primeira vez e enfrentamos juntos sua transição. Hoje ele escolheu você, e por ele eu vim até aqui para ajudar você a passar por isso também.
-Você já deve ir embora?
-Sim, infelizmente eu preciso ir. Mas se você precisar, Fawkes pode me achar.
-Obrigada, Arya! Por tudo!
