Capitulo Quarto

Naquele primeiro de setembro Pan foi admitida para o primeiro ano da Grifinória. Ela possuía um cronograma especial, e cursaria o seu segundo ano em Durmstrang, bem como o quarto em Beauxbatons. E voltaria a Durmstrang ao iniciar o sétimo ano para cursar um semestre de Venenos e Antídotos. Inicialmente tudo ocorria conforme o planejado, ainda que sua verdadeira natureza fosse ocultada pelo Ministério. Fora idéia de Tilkins que Pan vivesse sua vida humana do modo mais normal possível, coisa pela qual Minerva e Dumbledore eram gratos.

Muita coisa mudou durante o desenvolvimento de Pan como fênix, e ela tinha plena consciência do poder que possuía, mas estava conseguindo ocultar isso da melhor forma possível. Na metade do seu primeiro ano fora admitida como apanhadora da Grifinória no time de Quadribol. Severus, a frente da direção da Sonserina, tentou protestar com Minerva de que Pan possuía muitos artifícios que outros apanhadores não teriam, inclusive o dele. O máximo que conseguiu foi fazer com que ela mudasse de posição e jogasse como artilheira.

Pan sabia muito, sobre tudo, e devido ao compartilhamento de memórias com Fawkes ela tinha consciência de quem eram seus pais, quem Severus havia sido e dos motivos que o levaram a voltar para a luz. Sabia que ela era um fator decisivo na vida dele, algo que ele amou logo que viu.

Os meses passavam rapidamente e antes que Pan pudesse notar, ela já estava de volta a Hogwarts para seu terceiro ano, após passar um ano inteiro estudando Magias Obscuras em Durmstrang. Fora também o lapso de tempo mais longo que passara sem ver Severus e sem ir a Hogwarts, já que fora passar o verão no refúgio elve, onde Arya iniciaria junto com Minerva a ensiná-la a mudar para a forma alada, ou seja, a tornar-se uma fênix. Eram basicamente as mesmas técnicas e magias que tornaram possíveis os estudos de animagia. Levou grande parte do tempo em que passou em Hogwarts aprendendo sobre magias das trevas e compreendendo os motivos que levaram Severus a dedicar-se tanto em seu estudo. Era absolutamente fascinante, embora fosse também opressor e assustador.

Seu quarto ano foi cursado em Beauxbatons, a época em que Pan aperfeiçoara seu francês e descobrira que usar calças folgadas e moletons não era nada feminino. Suas colegas extremadamente vaidosas, e os rapazes muito bonitos e refinados, lapidaram a beleza quase selvagem que Pan possuía, e naquele verão, quando retornou a casa, recebeu elogios sem fim de seus amigos mais próximos.

Mas foi no quinto ano quando Pan se deu conta de que já era uma moça e que talvez pelo seu talento no quadribol, ou alguma outra magia da fênix com a qual ela não estivesse exatamente familiarizada, muitos dos seus colegas, dentre eles Carlinhos Weasley, lhe enchiam de convites para ir ao Três Vassouras e a cercavam no salão comunal. Ela não podia negar que gostava daquilo, que gostava muito, por sinal.

-Pan, ei, espere! –Carlinhos Weasley chamou, ainda vestindo o uniforme do quadribol.

-Carlinhos, oi! –ela parou, segurando algumas dezenas de pergaminhos sobre magia consanguínea que andara escrevendo para Dumbledore

-Você não foi treinar. –ele disse ajudando-a a carregar os pergaminhos.

-Precisei escrever algumas redações. –ela disse- São coisas para o curso extra que farei em Durmstrang neste verão.

-Ah, você vai passar o verão na Bulgária... –ele disse contrafeito- Você ainda se corresponde com aquele francês?

Pan sorriu ao recordar Claude Lacroir, seu primeiro par num baile, seu primeiro beijo, seu correspondente assíduo. Era lindo, tinha cabelos negros e compridos, e olhos verdes. Jogava quadribol e praticava hipismo em hipogrifos, um esporte quase extinto no mundo bruxo.

-Às vezes. –ela respondeu- Somos apenas amigos.

-Então não tem problema se eu te convidar pra ir comigo ao Três Vassouras na próxima visita a Hogsmeade?

-Mas... –ela disse- É a visita do dia dos namorados, Carlinhos... –e então se deu conta das intenções dele- Oh...

-Eu vou entender caso você já tenha um acompanhante...

-Não, eu não tenho! –e ela sorriu- Eu adoraria ir com você!

Eles se despediram e Pan foi direto à sala de Dumbledore. Colocou todos os pergaminhos na mesa do Diretor, que estava acompanhado de Severus.

-Vocês não sabem o que me aconteceu! –ela disse animada recebendo o chá das mãos de Severus

-Deve ter sido algo bom, o sorriso no seu rosto não indicaria nada diferente. –Albus disse agradável.

-Carlinhos me convidou para ir com ele a Hogsmeade no dia dos namorados!

Severus cuspiu todo o chá no tapete, encarando a menina com pavor no olhar.

-Como assim? E o que você disse?

-Aceitei, lógico! –ela tomou um golinho do seu chá- Faz tempo que eu venho esperando que ele me convide, mas ele sempre perde a coragem!

-Você gosta do Weasley? –Severus estava mortificado

-Eu não sei, mas ele é o melhor goleiro que eu já vi! Sem contar que ele adora fogo, dragões, criaturas...

-Se for assim vá namorar o Hagrid! –Severus ralhou com a voz em falsete- E o que aconteceu com seu francês exibido?

-Sev! –Pan e Dumbledore ainda riam da sugestão dele- Sev, não seja tonto! É só um passeio! Claude continua me escrevendo, mas não daria certo.

-Pamela... –ele hesitou segurando a ponte do nariz- Pamela, você não sabe o que se passa na mente de garotos do sétimo ano ao verem uma moça assim tão... especial como você!

-Eu não posso usar leigiminencia nos meus colegas o tempo todo! Muito menos em todos eles ao mesmo tempo!

-Mas deveria!

-Severus, você está sendo irracional de novo. –Dumbledore comentou divertido- Eu sei que você é cuidadoso com Pan, mas Carlinhos é um excelente rapaz, e eu tenho certeza de que ele vai respeitar nossa menina.

Mas a verdade era que Severus não queria Pan andando por ai com nenhum garoto, fosse ele respeitador ou não, francês, búlgaro, brasileiro, americano, africano... Ele não queria mãos cheias de dedos passeando por sobre a pele alva dela, nem beijando a boca dela, ou rompendo o coração dela em mil pedaços quando as relações terminassem. Não haveria no mundo um garoto bom o suficiente para ela, ele não conhecia nenhum.

Carlinhos Weasley e Pan saíram juntos até que ele se formou, o que aconteceu naquele inicio de verão, quando ele foi embora para a Romênia estudar sobre dragões. Ele tentou de diversas formas manter o relacionamento com Pan vivo, até mesmo propôs algo como um compromisso, mas ela sabia que aquilo não iria funcionar.

-Eu disse a você... –Severus murmurava dolorido pelas lágrimas que ela derramava- Eu tentei te preservar disso, pequena, mas você foi teimosa demais...

-Sev... eu vou sentir falta dele...

-Não pense assim, pequena... –ele disse puxando-a para seu colo, e afagando seus cabelos- Você está indo pra Bulgária, vai estudar e se aprimorar ainda mais! Não vai ter tempo de ficar sentindo saudades de ninguém!

-Não fale assim. –ela disse secando as lagrimas- É claro que eu vou sentir falta de todo mundo... de você principalmente.

-Então escreva com mais frequência. –ele disse carrancudo ajeitando-a melhor em seu colo- E pare de chorar, Pan, por Merlin! Estamos falando de Carlinhos Weasley!

O sexto ano de Pan passou numa rapidez impressionante. Estava sempre ocupada, sempre cansada, e sempre confusa a respeito de um sentimento que estava descobrindo em seu peito. Foi algo que se somou a tudo aquilo que a fênix lhe dera, algo, como Arya advertira, intenso. De muitos modos, inexplicável. E do tipo que não se podia confessar.