Capítulo Sétimo
-Como assim? –o homem de negro engasgou-se com o café ao ouvir a resposta do velho mago a sua frente- Como assim, Pan foi pro meio do nada por tempo indeterminado?
-Foi o que ela quis Severus. –Minerva disse calmamente- Disse que precisava descansar e sair de perto de algumas... situações.
-Minha querida, evitemos os eufemismos! –Albus disse alegremente- Ela está com Arya por que não quer ver Severus.
-Eu não posso acreditar que isso esteja acontecendo. –ele disse enfurecido- Este deve ser mais um dos caprichos dela!
-Não ouse dizer isso a ela. –Minerva avisou perigosamente- Não ouse dizer a Pan que o que ela sente é apenas algo inventado por sua cabeça. Eu vi esse sentimento crescer dentro dela, eu tentei entender junto com ela o que estava acontecendo entre vocês, e sinceramente Severus, muito me admira que você pense em Pan como essa garota mimada e egoísta, que tem um sentimento de posse indiscriminado sobre você. Francamente!
-Eu não posso acreditar! Pan é uma criança!
-Meu rapaz, nós sabemos que não é bem assim. –Albus murmurou bondosamente
-Obviamente eu não quero essas suas mãos cheias de dedos em cima dela. Pan, embora você ache que já é uma criatura milenar, Albus, ainda é minha garotinha e eu sei por minha própria experiência, que relacionamentos com homens mais velhos sempre irá implicar em... estreitamento físico. –Minerva disse adoçando seu chá- Mas eu também não posso proibir caso você queria... ver mais de perto.
-Eu conheço a alma de Pamela, Minerva! Eu criei essa garota!
-E você a ama.
-Amo. –ele confirmou- Eu apenas...
-Você não se sente digno disso.
-Pare de ler meus pensamentos, sua velha intrometida! –ele disse esfregando os olhos.
-Eu não preciso. –Minerva sorriu- Eu conheço você. Desde quando você tinha onze anos e era aquela sombra pertinente de Lilly Evans.
Severus revirou os olhos e terminou seu café sem proferir mais nenhuma palavra. Certamente aquilo não ficaria daquele jeito. Pan não ia fugir dele, não ia lançar sobre ele aquela situação mais que complicada e depois fugiria para debaixo das saias de Arya. Aquilo não era correto, mesmo ela sendo uma garota, afinal se ela queria um tratamento de adulto que se portasse como adulta.
Ele lhe escreveu uma carta amena, pedindo que ela voltasse e dizendo que eles precisavam conversar. Que depois de ouvir o que ela disse muita coisa dentro dele estava diferente, assustado e que compreendia que ela buscasse a distancia, mas que precisava dela pra resolver tudo aquilo. Pan não respondeu, nem a esta e nem a nenhuma das quase trinta cartas seguintes, muitas das quais nem chegou a ler. Ela estava tentando sufocar o que sentia, mas sabia que aquilo tendia a crescer, era intoxicante demais.
-Hope? –ela chamou baixinho entrando na torre da Grifinória, onde certamente Hope O'Brian estaria absorta em alguma leitura, principalmente pelo adiantado da hora
-Pamela! –ela exclamou ficando de pé e indo abraçar a amiga- Meu Deus, eu nem acredito que estou vendo você!
-Eu precisei me ausentar um pouco. –Pan disse sorridente
-Você ainda precisa fazer algum curso antes dos NIEM's? –Hope perguntou
-Não, eu acabo de chegar de Beauxbatons e já prestei os NIEM's lá. –Pan explicou- Achei que você fosse fazer o mesmo, já que o curso de auror começa em poucas semanas!
-Não, eu recebi um convite do novo chefe do Departamento de Mistérios. –Hope explicou mal podendo conter seu orgulho de si mesma- Eu serei uma Inominável!
-Merlin, que noticia maravilhosa! Então estaremos em Londres as duas!
-sim, e você não sabe da melhor parte! Meus pais resolveram me dar o dinheiro que eles vinham economizando para minha faculdade, você sabe que eles eram relutantes sobre isso. Foi mais ou menos como se eles tivessem se conformado com o fato de que eu sou mesmo uma bruxa e que cursar Física Nuclear não vai ser mesmo o plano pra mim.
-Isso é excelente! Merlin sabe como eu gostaria de poder abrir o cofre dos Black e não precisar depender da vovó e seu salário de professora pra pagar meu curso. Já basta todo esse tempo frequentando basicamente todas as escolas da Europa...
-Oh, eu pensei nisso também antes de decidir aceitar o convite para ser Inominável. Eu não teria como pagar o curso de auror. Mas agora eu já vou trabalhar e o dinheiro que ganhei dos meus pais é mais do que o suficiente pra que eu possa morar no Beco Diagonal! Talvez possamos ser vizinhas!
-Isso está saindo melhor que a encomenda! Eu vim até aqui justamente pra falar com você sobre isso.
-Sobre o que?
-Sobre talvez ser a hora de você sair da casa dos seus pais e vir morar comigo em Londres!
-O que? Morar com você?
-Sim, está tudo certo! O apartamento que fica em cima da Floreios e Borrões é do Albus. Ele disse que usou durante um tempo, quando ainda sequer era professor em Hogwarts e que depois Abefoth precisou durante um tempo, mas que agora passava a maior parte do tempo vazio. E me disse que eu podia ficar com ele!
-Pan, você não tem idéia de como estava me deixando aterrorizada viver sozinha, longe dos meus pais! Isso é perfeito! -e então Pan se deu conta de que a garota a sua frente, embora tivesse o semblante sereno e amadurecido, não tinha mais que quinze anos.
-Só precisamos deixar o lugar mais habitável! Não viveu ninguém lá nestes últimos trinta anos!
E deixando tudo acertado com a amiga, Pan voltou para o escritório da avó. Não queria de nenhum modo encontrar com Severus pelos corredores. Já fazia meses desde que viram-se pela ultima vez. Durante o tempo que levou para que o ano letivo terminasse, Pan ficou em Hogsmeade, na casa que sua avó comprara quando decidiu separar-se de seu avô trouxa. Saia pouco e se mantinha sempre alerta. Chegou a ver Severus uma vez, saindo do Três Vassouras particularmente carrancudo, mas ele não pode vê-la.
Finalmente, quando Hope estava livre de provas e aulas, elas começaram a preparar o apartamento. Havia toda a infinidade de seres mágicos escondidos pelos cantos, e Pan pode reunir uma boa quantidade de bichos-papões e diabretes para Hagrid se distrair. Os móveis eram causa perdida, e Hope se ofereceu para comprar tudo o que precisassem, já que o apartamento era de Pan. Ao final da segunda semana de reforma e faltando apenas poucos dias para o inicio das aulas do curso, o lugar já era praticamente um lar.
Assim se passaram aqueles dois anos de estudos intensivos, onde Minerva e Albus tentavam a todo custo manter Pan afastada de Hogwarts. Eles sabiam que Voldemort estava a espreita da Pedra Filosofal e quando isso se acalmou veio a Câmara Secreta. Eles temiam que o poder de Pan pudesse atraí-lo deixando-a em risco com isso. Ela não estava pronta para uma batalha assim, ainda que Harry Potter pudesse derrotá-lo usando apenas coragem. Ela insistia e dizia que podia ajudar, e depois, quando o menino-que-sobreviveu matou o basilisco ela decidiu que não deixaria Hogwarts desprotegida depois que se formasse. O que estava prestes a acontecer.
