Capitulo Décimo Primeiro
-Você me chamou? – Pamela perguntou entrando na Sala dos Professores.
-Isso chegou pra você. – disse Minerva entregando-lhe uma carta com o selo do Ministério.
-Obrigada, vovó. – ela disse rasgando o lacre e lendo- Oh, eu já esperava por isso. –ela comentou olhando para a avó ao terminar de ler- Meus turnos em Azkaban iniciam em Outubro.
-Ah, não! – Minerva protestou- De jeito nenhum! Eu não quero você em Azkaban por nada!
-Esse é o tipo de coisa que não dá pra evitar, vovó! – ela disse- Eu não pedi por isso, mas eu não posso me negar a fazer! Merlin sabe que o número de aurores está muito abaixo do recomendado, eles precisam de todos nós.
-Mas com tudo isso que está acontecendo... seu pai fugido... – Minerva murmurou- Eu prefiro que você não saia de Hogwarts.
-O último lugar do mundo que Black se aproximaria seria de Azkaban. – a voz penetrante de Severus invadia o ambiente, e Pan estremeceu ao observar a figura alta e elegante caminhar até a mesa de reuniões e depositar alguns livros sobre ela- Perdoem-me, mas não pude deixar de ouvir a conversa de vocês.
-Tudo bem, Severus. – Minerva disse- Eu concordo com você sobre este ponto, mas há muita coisa envolvida nisso!
-Minerva, Azkaban é um lugar imenso. – ele disse aproximando-se um pouco e evitando olhar para Pan, já que aquilo o desconcentrava profundamente- Eu duvido muito que ela seja designada a patrulhar este corredor que você teme que ela veja.
-Eu já estive em Azkaban milhares de vezes, vovó. Não há nada ali com o que eu não possa lidar. – ela garantiu- Agora eu preciso voltar aos meus afazeres.
E se retirou. Severus acompanhou seus movimentos com o olhar, mas não disse nada. Minerva observava os dois e quando Pan já havia saido interprelou o colega sobre o assunto.
-Vocês mal tem se olhado. Andaram discutindo de novo?
-Não. – ele disse- Ela me evita. Não digo que me trata mal, mas não é a Pan de antes.
-Ela está amadurecendo, Severus. Ela está fugindo do que sente. Me resta saber apenas se você também anda fugindo.
-Eu não sei mais como me desvencilhar. – ele confessou- Desde que Pan entrou na minha vida... tudo tem sido sobre ela. Essa... fase está demorando a passar.
-Você não respondeu a minha pergunta.
-Claro que respondi. Eu não sei o que fazer. É como se eu apenas pudesse seguir seus passos... Como se meus sentimentos por ela evoluissem a medida que ela necessita.
-Então... como Pan deseja que você a queira como mulher, você prontamente será capaz de correspondê-la?
-Algo assim. – ele disse- Mas obviamente não! Porque não é certo!
-Eu não sei se é errado. – Minerva disse após deliberar- Você lembra de uma das coisas que Arya disse sobre sermos os escolhidos dela?
-Sim, é claro. Você não quer dizer que acredita que nós estamos predestinados?
-É exatamente isso que eu penso. Resta agora vocês provarem ou não meu ponto.
Algumas semanas após a convocação, Pan precisou reforçar a segurança no castelo já que houve relatos de uma aparição de Sirius Black não muito longe dali. Seu primeiro turno em Azkaban chegou na metade do mês de Outubro. Ela aguardava a chegada dos colegas designados para o turno, e assustou-se ao se dar conta de que ela era a única novata que estaria ali como patrulheira. Não era a primeira vez que Pan ia a Azkaban, mas era a primeira vez que desempanharia funções importantes no pior lugar do mundo, tendo como companheiros criminosos da pior estirpe e dementadores famintos. O silencioso grupo de seis aurores entrou no barco e rumou para a fortaleza sombria.
A medida que se aproximavam, o efeito dos dementadores se fazia sentir. Pan ficou grata por seus companheiros convocarem seus patronos, já que ela não podia realizar um patrono comum. Por isso ela sempre patrulhava os corredores menos lotados de dementadores. Faltas leves, insanos, semi-dementes, ladrões... Foi numa dessas alas que ela hesitou assustada ao ler numa placa ao lado das grades: Melina McGonagall Black. Deitada no chão frio, trajando vestes listradas em preto e cinza, uma mulher magra comprimia-se contra a parede. Pan perdeu o fôlego e sacou a varinha da perna para iluminar melhor o interior da cela. A mulher virou o rosto para a luz e fez careta, cobrindo os olhos com as mãos. Seus cabelos rubros escorriam pelo chão enquanto ela se enrolava com o surrado cobertor.
-Você trouxe a música. -disse a mulher com a voz rouca- A música... a música que eu cantava para ela... -e ela sentou-se de repente, estendendo os braços para a grade- Me dê! Me dê a música!
-Calada! Para trás!
-Mas a música, moça... -a prisioneira lançou-se as grades e agarrou a barra das vestes de Pan- Me dê... Eu preciso dela para o meu bebê! Ela se chama Pan! - e sorriu delirante- E o Sirius vai trazer o Harry, com Lílian e James para o jantar... e os garotos vão dormir com a música! E Harry... Harry vai brincar com ela enquanto vive! -disse a mulher mais nervosa- Me dê! -berrou segurando firmemente o pulso de Pan.
-Estupefaça! -Ninna McGonagall virou-se de borco, com o rosto inexpressivo.
Pan deixou a ala correndo, lágrimas teimando em escorrer por seu rosto. Era a primeira vez que via a mãe e essa experiência não estava na lista de coisas agradáveis. Recostou-se nas grades de uma cela vazia, as mãos apertando o peito, que subia e descia em suspiros fortes. Olhando o escuro, Pan via o rosto doentio e o olhar vidrado da mulher que lhe deu a luz, como uma fotografia macabra. Reconheceu traços da avó nela e traços dela em si mesma. Tinham os cabelos bem parecidos, com a excessão da cor, já que Ninna tinha um leve tom de ruivo, mas o formato do rosto era identico.
Dois dementadores vieram pelo corredor em direção a cela de Ninna Black. Pan reconheceu neles o frisson e a sede pela excitação que sua aparição causou na mulher. Não demoraria nada e ela sentiria apenas o frio pegajoso que os dementadores causavam ao se alimentar. Decidiu não ficar ali para ver aquilo. E que diabos de música era aquela? Nos dias seguintes, Pan não olhou mais em direção a cela da mãe quando precisou patrulhar o corredor, tampouco disse nada sobre o ocorrido aos colegas. Sentia um profundo desprezo pela mulher que lhe dera a vida e imaginava como sua avó se sentia em relação a isso. Nunca haviam falado de Ninna, geralmente quando Minerva falava das filhas citava apenas Pearll como exemplo de qualquer coisa que Pan devesse seguir. Ninna estava sendo gradativamente ceifada da vida de todos eles.
Minerva criou as filhas com o mesmo amor e carinho que usou ao educar a neta. Paciente e severa, ela era a combinação exata do que uma avó devia ser. Pearll costumava dizer que Pan era uma garota de muita sorte, e que ela e a irmã nunca tiveram tanta compreensão assim de Minerva, o que Albus sempre rebatia, acusando-a de injusta e exemplificando que nos tempos de escola as duas eram terriveis, namoradeiras e indisciplinadas.
Nem por um segundo Pan ousava reduzir a culpa de sua mãe. Se ela ajudou Black a trair os Potter, por amor ou qualquer que tenha sido seu motivo, era tão podre como outro comensal da morte qualquer, mas pensar daquela forma machucava, e então ela decidia não falar nunca sobre o assunto, ainda que sua tia Pearll sempre incluisse Ninna em suas historias dos tempos de escola e até mesmo da infancia. Apenas não fazia sentido que ela traisse a todos os que a amavam por um ideal vago como o de Voldemort.
De volta a Hogwarts, sentindo-se fraca e instável, Pan foi recebida de braços abertos por Dumbledore.
-Minha Querida! -saudou ele quando ela adentrou o hall do Castelo.
-Estava me esperando? -ela sorriu
-Sim. Hagrid avisou que você havia chegado a Hogsmeade. -e passou uma barra de chocolate para ela, que comeu devagar sem reclamar dos quilos que aquilo lhe renderia.
-Vovó?
-Está dando aula. Já vai se desocupar. Vamos ao meu escritório.
Devagar eles chegaram a entrada do escritório de Dumbledore, onde ele disse a senha "sapos de chocolate" para a gárgula de pedra, que saltou para o lado e revelou a escada circular. Subiram. Pan já se sentia melhor por conta do doce e ao chegar na sala do Diretor foi acomodada numa poltrona de chintz macia. Albus lhe serviu uma taça de hidromel no exato momento que a Minerva entrava no escritório.
-Filha... você está bem? -perguntou afagando o rosto da neta.
-Sim, vovó, não se preocupe comigo.
-Oh, céus, Albus! Veja como ela está pálida! Não gosto dessa história de você ir a Azkaban... Você parece recém saida de um pesadelo!
-Relaxe, Min... – Albus disse ajustando os óculos de meia-lua no rosto fino- Pan está bem. Ela só precisa descansar um pouco essa noite. -Sente-se aqui. -ele ofereceu o assento a seu lado e segurou o ombro dela quando a mulher sentou-se meio relutante.
-Como ficou a Escola na minha ausência? – Pan perguntou para evitar mais protestos da avó.
-Nenhuma novidade. -ele disse com um sorriso -Como foi seu primeiro turno?
Pan hesitou. Queria contar-lhes tudo, mas não sabia como dizer aquilo sem chocar Minerva. Sentindo que seria impossível resistir ela apenas despejou.
-Eu vi a minha mãe.
Minerva engasgou com o hidromel. Albus apenas balançou a cabeça como se já esperasse por isso. Ajudou Minerva a se acalmar antes de voltar sua atenção para Pan.
-Tudo bem? -perguntou meio inseguro.
-Como assim você viu a sua mãe?
-Ela está na ala de "semi-dementes".
-Semi-Dementes? -a voz de Minerva saiu dois oitavos mais baixa que o normal. -Ela está...
- Fudge me disse que Ninna estava ficando cada vez mais afetada, mas eu não imaginava que ela... enfim. Como você está se sentindo, Pan?
Estimulada a prosseguir, Pan contou tudo e surpreendeu-se por estar chorando quando terminou de falar. Os lábios encrispados da avó denunciavam que ela estava com muita raiva ou que ela choraria. A ruga que tremia entre as sobrancelhas confirmava a segunda hipótese. Dumbledore abraçou Minerva quando ela se rendeu aos soluços, afundando o rosto no peito dele. Pan desviou o olhar para a pequena taça de hidromel. Palavras e certezas chocavam-se em seu íntimo. Aquela mulher em Azkaban era uma vítima da sede de poder de Voldemort e apenas um objeto para ajudar na camuflagem de Black.
-Ela era uma boa garota. -dizia Minerva- Ela e Lílian Evans eram inseparáveis. No sétimo ano, quando Sirius a pediu em namoro e ela veio toda feliz me contar a novidade... Ela sempre foi apaixonada por ele! Talvez com a ajuda dela, Lílian e James tivessem engrenado o namoro dos dois.
-Minerva...
-Ele a usou, Alvo! Minha filha não foi criada para esse tipo de coisa! Ninna está lá por um crime que Sirius Black cometeu!
A taça de cristal que Pan segurava explodiu em sua mão, cortando a palma e os dedos. Sua raiva movia-se por seu corpo como ondas geladas e cortantes. Maldito Sirius Black! O sangue escorria por seus dedos e pingava no chão. Minerva soltou-se silenciosamente de Dumbledore e envolveu a mão da neta com um lenço.
-Minhas queridas, eu sei... dói muito, mas não há nada para ser feito. Ninna desde cedo mostrou certas afinidades, Min! Não havia nada que pudessemos fazer sobre isso! Ela fez suas escolhas.
-Dumbie, eu quero evitar os turnos em Azkaban. -disse Pamela após se recompor- Consiga isso com Fudge pra mim, por favor. Eu não quero ter nenhuma proximidade com Azkaban até que Black seja recapturado. Ninna não significa nada pra mim, mas eu preciso manter Hogwarts o mais segura possivel.
-Farei o que puder. – ele prometeu, surpreso pelo tom decidido na voz dela
-Não posso deixar Harry e Hogwarts desprotegidos. Eu sei que os dementadores estão aqui, mas eu não posso confiar neles. Black sabe como passar por eles, e Harry...
-Você não quer deixar Harry exposto a nenhum perigo. -completou Albus- Essa não é uma tarefa das mais simples, devo admitir.
-Em todo caso, eu fui designada a Hogwarts e eu devo permanecer aqui.
Nota da Autora:
Oi gente! Obrigada por estarem acompanhando a fic!
Peço que se você chegou até aqui, me deixe saber qual a sua opinião a respeito! É so me deixar um rewiew, mesmo curtinho, garanto que faz TODA a diferença! *-*
