Capítulo Décimo Terceiro.
Para compensar a todos pela invasão de Black, Pan criou um esquema de segurança rigorosíssimo, que chegava a ser perigoso de tão próximos que estavam os dementadores da escola. Dada à audácia de Black de tentar invadir a torre da Grifinória, ela decidiu que esconder de Harry que Black estava caçando-o era tolice. O garoto sempre foi conhecido por transgredir regras e desde o primeiro ano dele em Hogwarts ele costuma ausentar-se de sua sala Comunal durante a noite.
Nesta ocasião, isto seria quase fatal, principalmente com a eminência do primeiro jogo de Quadribol da Grifinória desta temporada. Com isso, Pan pediu que Minerva chamasse Harry a sua sala e lhe explicasse os fatos. Segundo ela, Harry já sabia disso, o que foi um choque para a garota.
-Ele disse que ouviu uma conversa entre Arthur Weasley e a esposa. Com isso e observando o comportamento de Harry nos últimos tempos, eu decidi que o melhor a fazer é deixar o garoto jogar. Parece que finalmente ele está ficando mais responsável. Mesmo assim eu ficaria mais tranquila se durante os treinos alguém ficasse de guarda.
-Eu posso cuidar disso, e também acredito que os treinos deveriam acontecer durante o dia.
-Isso pode causar problemas com os horários dos jogadores, mas é algo que pode ser providenciado. Mas agora mudando o foco do assunto, querida... Sua tia Pearll acaba de chegar da India e quer vir a Hogsmeade por uns dias, ver como você está. Ela andou me escrevendo esses últimos tempos. Ela está bastante preocupada com você no meio dessa situação com seu pai.
-A tia Pearll não tem que se preocupar comigo como se eu fosse uma garotinha. Ela é uma bruxa ocupada demais pra isso. –e o comentário soou ressentido.
Minerva observou Pan por um minuto inteiro, enquanto ela apertava as fivelas da bota distraidamente, evitando o contato visual com a avó. Pearll e Pan sempre se deram muito bem, mesmo não tendo convivido muito de perto durante a infância da garota. Naquela época, Pearll estava na América, especializando-se em Combate e Captura de Seres das Trevas, um tipo de zoo-auror. Mas ultimamente ela andava relapsa, talvez muito ocupada no trabalho e com sua vida amorosa complicada, e desde que Pan ingressara no curso de auror, Pearll não voltou à Inglaterra.
-Querida, você sabe que Pearll é...
-Eu sei bem quem é a tia Pearll. –Pan disse com um suspiro- Ela não tem um senso muito familiar.
-Mas isso só aconteceu quando Ninna... tirou dela todo o senso de segurança que ela tinha. Não pense que ela não ama você por estar tão distante... Ela apenas não sabe bem lidar com os fatos.
-E quanto tempo ela pretende ficar aqui?
-Duas ou três semanas, mas tratando-se dela, é difícil dizer.
Pan admirava a tia, mas precisava admitir que esperava que Pearll fosse mais atenciosa com os pais. Minerva e Albus entendiam muito bem, às vezes bem demais, esse estilo livre da filha. Mas Pan não conseguia lidar muito bem com a inconstância dela. Era como se Pan sempre tentasse substituir Ninna por Pearll, o que nunca daria certo. Sempre que as duas estavam começando a acostumar-se uma com a outra, Pearll fugia, o que para Pan, sempre era doloroso.
Depois de alguns dias, Pan foi chamada aos aposentos da avó, onde antes mesmo de entrar, ouviu uma risada rouca, cheia de vida, muito característica de Pearll.
-Tia Pearll! –ela entrou correndo e atirou-se nos braços da tia.
-Oh, meu Deus menina! Você já é uma mulher feita! Eu estou me sentindo bem velha nesse momento! –Pearll comentou apertando a sobrinha contra o peito- Por que você não foi para a Índia quando eu te chamei? Você ia adorar capturar as harpias gigantes!
-Eu estava quase terminando o curso, eu não podia simplesmente ir! Por mais que eu quisesse!
-E como anda o trabalho?
-Estou tentando manter Black fora de Hogwarts. Houve uma falha ou outra, mas estamos bem agora.
-Querida... –as feições de Pearll se obscureceram.
-Não, tia... Não vamos fingir que eu me importo com Black.
-Mas você devia se importar!
-Pearll. –Minerva disse apenas, fazendo com que a filha engolisse as palavras.
-Eu sei que você nunca vai se conformar com a prisão deles. –Pan disse- Mas o Ministério...
-O Ministério mal sabe distinguir um hipogrifo de um unicórnio!
-Pearll Ariana Dumbledore... –a voz autoritária de Albus soou pela sala, anunciando sua chegada pela passagem secreta que unia seus aposentos ao da mulher- Eu quero que você me garanta que não tem nada a ver com a fuga de Sirius Black.
-Se eu fosse contrabandear alguém para fora de Azkaban... esse alguém seria Ninna.
-Minha filha, por Merlin...
-Papai, por favor. –ela disse ofendida encarando os brilhantes olhos azuis de Albus- Eu já disse duzentas e setenta e nove vezes que eu não tenho nada a ver com isso. Mesmo acreditando que eles são inocentes, eu nunca me arriscaria dessa forma por Black.
-Por que você acha que eles são inocentes? –Pan perguntou sentindo o peito inflar-se de algo que só podia ser esperança.
-Porque eu conheço minha irmã e eu sei que por mais Necromante que Ninna fosse, ela jamais se envolveria com o Lorde das Trevas. Ninna nunca machucaria uma pessoa. Eu nunca vou conseguir me conformar com isso. Não como vocês dois fizeram. –ela olhou acusadoramente para os pais, sentados lado a lado no sofá.
-Eu não sei o que você acha que nós podíamos ter feito. –Minerva disse, com os olhos marejados de lágrimas não derramadas- Eram evidencias e provas demais contra eles... foram testemunhas e...
-Parem. –Albus pediu quando notou que Pan estava prestes a chorar- Parem as duas com esse tormento que se repete cada vez que nos reunimos.
-Há alguma chance de eles serem inocentes? Alguma coisa concreta, não apenas as esperanças da tia Pearll?
-Nós nunca pudemos encontrar nada, querida. –Albus disse- Nós não tínhamos como lutar com tantas coisas pesando contra seus pais.
-Mas vocês também acreditam que...?
Albus abaixou os olhos, evitando admitir em voz alta que acreditava que Ninna era realmente uma Comensal da Morte. Minerva segurou a mão dele entre as suas e olhou para as duas moças.
-Não faz bem a nenhum de nós tocarmos nesse assunto ou criar falsas esperanças.
Pan logo arrumou uma desculpa para voltar ao trabalho e na primeira oportunidade que teve, foi ver Severus, que estava encerrando as ultimas aulas do dia. Eles tinham estabelecido uma rotina confortável, encontrando-se sempre após o jantar, antes da ultima ronda da moça. Algumas vezes chegaram a adormecer juntos, mas ambos concordavam que não era muito recomendável que isso acontecesse.
-Querida! –ele exclamou com um sorriso quando entrou no escritório e a encontrou recostada no sofá. -Achei que você tivesse se esquecido de mim. Você não veio me ver depois do jantar.
-Estive meio ocupada. Precisei vigiar o treino de quadribol da Grifinória.
Ele caminhou até ela e sentou-se na mesinha de centro, diante dela. Observou seu rosto e segurou suas mãos.
-O que aconteceu?
-Tia Pearll chegou.
-Você não deveria estar feliz?
-Ela tem uma estranha teoria de que meus pais são inocentes.
-Oh, Pan... –Severus balançou a cabeça negativamente, suspirando forte- Querida você não deve pensar nisso, não deve criar expectativas vazias...
-Seria...
-Não, não pense dessa forma. Eu de verdade lamento por você, mas eu conheci seus pais nos tempos de escola e eu posso lhe assegurar que eles não são o que Pearll acredita. Black tentou me matar quando tínhamos dezesseis anos, Ninna vivia metida com Necromancia...
Ela apenas abriu um sorriso sem dentes, conformado, tentando mudar o assunto. Severus sentou-se no sofá e a puxou para junto dele, acariciando levemente sua cabeça. Sentiu que as lágrimas dela umedeciam sua camisa, mas não disse nada. Agora ele podia finalmente entender porque Dumbledore não queria que Pan saísse de Hogwarts. Ela estaria constantemente vulnerável e precisaria deles para ampará-la. Não era Pan que protegia Hogwarts, mas sim Hogwarts que a protegia do que estava acontecendo no resto do mundo da Magia.
Na manha seguinte, Pan acordou muito cedo e foi vistoriar minunciosamente o campo de Quadribol. Ameaçava cair uma chuva torrencial, mas não havia nada a ser feito nesse aspecto. Nem que ela passasse um ano tentando, não conseguiria impermeabilizar todo o campo, e quando concluiu que Black não estava ali, voltou ao Castelo para trocar suas roupas encharcadas por vestes mais quentes e impermeáveis.
Pan subiu ao camarote dos professores antes de todos e de lá, usando sua visão de fênix aguçada, pode vasculhar os terrenos em volta do campo. Os dementadores continuavam firmes em seus postos e do outro lado da propriedade, Hagrid saia em direção ao castelo. A chuva era insistente e hoje seria de se esperar que todos os professores estivessem alerta para possíveis acidentes.
O jogo começou com uma visibilidade terrível para os jogadores. Pan gostaria de poder fazer alguma coisa, mas não sabia o que. O vento agitava seus cabelos com tal força que ela sentia como se estivesse sendo chicoteada. O tempo passava de um modo que era muito fácil perder a noção do quanto o jogo já havia durado. Parecia que já ia anoitecer e a Grifinória tinha a vantagem de 50 pontos, mas não parecia que Harry ou Cedrico Diggory pegariam o pomo antes do anoitecer.
-Esse jogo está injusto! Os garotos estão sem condições de prosseguir! -berrou ela no ouvido de Albus e Severus esperando que eles tomassem alguma providencia.
-O que você sugere? –Albus perguntou.
-Que o jogo seja adiado!
-Acho difícil que a Grifinória queira se retirar com 50 pontos de vantagem. -gritou Severus de volta.
-Está muito frio! –ela reclamou- Frio demais...
Foi então que Pan sentiu que as coisas não estavam normais. Harry e Cedrico subiam em alta velocidade, provavelmente a caça do pomo, mas de repente, Harry começou a desacelerar, e um frio pegajoso de congelar os pulmões atingiu Pan em cheio. Os dementadores estavam invadindo o campo, e antes que pudesse pensar, ao ver Harry despencado da vassoura, Pan se jogou do parapeito do camarote dos professores e transformou-se em fênix, voando em alta velocidade para o corpo do garoto, que se debatia e girava no meio da chuva e do vento. Três metros separavam Harry do solo quando as garras da Fênix seguraram o garoto pelas vestes, pousando-o na lama em segurança.
Aquela foi a primeira vez que Pan conseguiu se transformar. Mesmo com todos os estudos e treinos de animagia, a chave para a transformação era apenas render-se aos instintos. Era uma bela ave, cuja cauda deixava uma breve trilha de chamas por onde passava e a envergadura de asas era graciosa e bem maior do que a de uma águia, por exemplo. Estar dentro do corpo de uma fênix era como estar em contato com o mais primitivo de todos os seres. Seus olhos que já eram aguçados, podiam distinguir qualquer movimento á centenas de metros de distancia, e seu corpo sentia a vibração de cada elemento presente ali.
Após certificar-se que Harry ainda possuía uma alma, Pan investiu contra os dementadores dando pios agudos e ameaçadores. Juntamente com os patronos dos professores, eles foram conduzidos para a Floresta Proibida. Nunca sentira tanto ódio em toda sua vida! Mas não era um ódio comum, era uma fúria quase assassina, mas que se abrandou quando pousou no parapeito do camarote dos professores e sentiu que o corpo estava mudando. Apenas pode dar-se conta de que estava nua antes de cair para dentro do camarote, completamente inerte.
Notas da Autora:
Gente bonita, obrigada por ler!
Bem vinda, Daniela! Que bom que você está gostando! Espero sempre encontra-la por aqui!
Perolovelly, minha pequena bolinha brilhante vinda do fundo do mar... eu não pude resistir em colocar você o mais rápido possível na fic, depois de te encher de spoilers sobre ela no face! Espero que ela esteja à sua altura!
BarbaraLamarr finalmente atualizei! Pode falar, sou uma relapsa mesmo!
Meio milhão de beijos a vocês e muito obrigada mesmo!
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