Capítulo Décimo Quarto
Severus tomou Pan em seus braços, tentando ocultá-la com sua capa. Pearll sacou a própria capa e a cobriu completamente, enquanto Dumbledore e Minerva desciam dos seus lugares.
-Ela foi afetada pelos dementadores? O que aconteceu Severus? –Pearll exigia saber.
-Eu não sei, mas acredito que esse desmaio seja por conta da transformação. Ela nunca conseguiu transformar-se completamente antes.
-Ela vai ficar bem. –Minerva ajoelhou-se ao lado da neta- Ela foi magnifica... Uma transformação assim tirou dela todas as forças. Ela precisa apenas descansar.
-Eu vou leva-la pra dentro. –Severus ergueu Pan nos braços, sendo ajudado por Pearll que tentava cobrir o máximo que podia da sobrinha.
-Eu devo ver como Harry está, mas assim que eu puder vou dar uma olhada nela. –Albus garantiu- Minerva, venha comigo. Pan está bem cuidada.
E assim, Severus levou Pan à sua torre, onde Pearll rapidamente a acomodou e cobriu com uma manta de algodão. Ela dormia serenamente. Severus sentou-se na poltrona ao lado da janela, observando Pan em silencio.
-Acho que devemos deixar que ela descanse.
-Eu não vou sair daqui até Pan acordar e me dizer que está bem. –ele disse rabugento
-Eu não vou deixar você sozinho com minha sobrinha! Eu sei muito bem que você e ela estão envolvidos.
-Não seja ridícula, Dumbledore! Eu cuido da Pan desde que ela era um bebe.
-Eu sei muito bem como as coisas devem funcionar nessa sua cabeça pervertida. –e sem dizer mais nada, puxou uma cadeira e se sentou ao lado da cama de Pan.
Ficaram em silencio por horas. Quando Pearll adormeceu, Severus pode observar bem o rosto dela e concluiu que quando Pan tivesse seus trinta anos, seria muito parecida ao que a tia era agora. O cabelo negro e liso, com o leve tom de ruivo quando brilhava no sol, os olhos azuis como os de Albus, os traços muito parecidos e o jeito do corpo. Pearll não era nem nunca seria tão bonita quanto era Pan, mas não deixava de ser uma mulher bastante atraente.
Pan remexeu-se na cama, ficando de bruços e agarrando um travesseiro. Os cabelos bagunçados ficaram sobre seu rosto e Severus aproximou-se para afastá-los. Observou por um instante a marca da fênix nas suas costas, e ela indiscutivelmente parecia que estava viva, com o olho negro muito brilhante e fixo nele e as penas da ponta das asas movendo-se levemente como se estivessem ao vento. Era uma bela tatuagem marcando um corpo escultural.
Pan despertou durante a manhã e encontrou a avó deitada na cama a seu lado. Severus estava adormecido na poltrona e tinha a aparência cansada de quem não dormiu nada bem.
-Vovó?
-Pan! Finalmente você acordou! Você foi incrível ontem... Eu sabia que faltava alguma coisa pra que você apenas se entregasse á sua forma animaga sem pensar duas vezes!
-Eu não me lembro muito bem do que houve...
-Tenho certeza de que você vai se lembrar.
-Como está o Harry?
-Potter sobreviveu. -disse Severus que despertara ao ouvir a voz dela. -Dumbledore está furioso por causa dos dementadores, mas nós conseguimos controla-los e mantê-los na floresta proibida.
-Eu preciso resolver isso! Eles perderam completamente a razão! Atacar o campo de quadribol foi insano!
-Está tudo sob controle. –Minerva disse tentando acalmá-la. -Potter também está bem. Imprevistos acontecem.
-Eu não devia ter aproximado tanto eles da Escola! O jogo de Quadribol é um lugar tão cheio de energia que seria impossível que eles se controlassem e ficassem longe! Podia ter ocorrido uma tragédia.
-Mas não aconteceu. Não ouse se culpar. Você precisa descansar.
Harry ficou na Ala Hospitalar pelo resto do fim de semana. Pan foi vê-lo no domingo à noite depois de fugir dos cuidados de Pearll. Cruzou com Rony e Hermione no corredor, que se dirigiam para sua sala comunal.
-Oi! Como ele está?
-Está bem, mas... não se conforma com a vassoura... -disse Hermione com um suspiro cansado- Foi incrível o que você fez no jogo! -acrescentou fascinada- Eu não sabia que você podia se transformar em fênix!
-Me deu bastante trabalho conseguir isso, mas ainda bem que eu pude ajudar o Harry.
-Eu não sei o que aconteceria se você não estivesse lá. Obrigada, Srta. McGonagall.
-Vocês não precisam agradecer nada. Eu vou ver o Harry agora. Até logo!
Pamela entrou na Enfermaria levando consigo uma caixa de feijõezinhos de todos os sabores, já que imaginava que Madame Pomfrey estaria entupindo Harry de chocolate. Sorriu ao vê-lo deitado na cama com a expressão irritada.
-Oi, garoto...
-Ahh, olá, Srta. Pan!
-Feijõezinhos! -e entregou a caixa a ele, que abriu e começou a comer.
-Eu soube que foi você quem me segurou ontem, quando eu estava caindo... Obrigado. -disse ele após um momento.
-Por nada. Eu não podia deixar você se espatifar no chão. -acrescentou ela sorrindo.
-É, não podia não...
-Então, Harry, o que aconteceu lá em cima...? Tem alguma coisa que você queira me contar?
Ele pensou por um longo instante, e Pan notou que ele realmente estava preocupado com alguma coisa.
-Black está tentando me pegar. Os dementadores estão aqui para caçar Black, no entanto, eles parecem estar muito interessados em mim.
-Harry, em relação a Sirius Black, os dementadores são falhos. É por isso que eu estou aqui... Você sabe, eu sou uma auror.
-Uma caçadora de bruxos das trevas.
-Isso mesmo. Somos bastante competentes no que fazemos e... Os dementadores sentem-se atraídos por você, eu só não entendo como ou por que, mas lembre-se sempre que estes seres não são confiáveis e... bom, eles são criaturas das Trevas. Eu acredito apenas que eles entendem que você é o inimigo natural do Lorde das Trevas.
-O professor Lupin conversou comigo sobre isso.
Pan sorriu.
-Você gosta do Lupin?
-Sim. Ele é o melhor professor de DCAT que já tivemos! É uma pena que ande tão doente.
-Oh, sim, é mesmo. -Pan comentou com uma leve careta.- O pobre coitado tem uma saúde meio frágil. Mas ele estará bem em breve.
A conversa com Harry lembrou a Pan de que Lupin deveria estar precisando muito de alguém nesse momento. Era a primeira noite da Lua Minguante, e ele devia estar de volta. Ela sequer queria imaginar como ele estaria se sentindo após voltar da transformação. Bateu devagar na porta do escritório dele e entrou quando ele murmurou um "Entre" rouco e fraco.
-Remus? -sussurrou ela aproximando-se do padrinho maltrapilho e derrotado.
-Ahh, olá, Pan! - ele sorriu com o rosto meio contorcido, como se estivesse com dores.
-Tudo bem? -ela sentou-se no braço do sofá, ao lado dele.
-Tudo normal. Eu só estou um pouco cansado.
-Você... está precisando de alguma coisa?
-Se você não se incomodar eu gostaria de um chá. -ele disse meio envergonhado.
-Você comeu alguma coisa?
-Não, mas não se preocupe... Um chá está ótimo.
Pan preparou um chá de folhas de hortelã e canela. Serviu com biscoitinhos de gengibre, especialidade de sua avó, nos quais o padrinho não tocou. Lupin tomou o chá devagar, sem vontade.
-Você está horrível. -ela disse após uma breve examinada.
-Você também parece que andou se transformando ultimamente.
-Já vieram te preocupar com essas bobagens?
-Dumbledore me contou hoje cedo. Eu estou orgulhoso de você.
Pan sorriu. Mesmo desconfiando um pouco dele, principalmente pelo fato de que ele e Black tinham sido amigos de infância, era impossível não perceber a pureza dos atos de Lupin. Severus o condenava fervorosamente, mas Pan não conseguia ter a ojeriza que deveria.
Lupin era um bom homem e Dumbledore confiava nele. Naquele momento de fragilidade, era impossível não se apiedar dele, e não só a piedade, mas um carinho recíproco surgia, já que mesmo em tempos mais complicados Lupin não esquecia de sua afilhada. Naquele momento, Pan decidiu abrir um pouco a guarda com ele e lhe dar uma chance de aproximação, afinal de certa forma, eram parentes.
-Severus tem sido maravilhoso. Serei eternamente grato a ele por estar preparando a Matacão pra mim. Nunca tive muito talento com poções.
-Nem eu. -confessou ela com um sorriso- Por mais que ele quisesse me ensinar, eu simplesmente não conseguia ser boa naquilo. Me faltava paciência pra contar as mexidas no caldeirão e o cheiro sempre me dava náuseas.
-Pan, eu espero que... -e Lupin hesitou olhando pela janela- Severus e você...
-Lupin, não se preocupe, eu estou bem e bastante feliz. -ela garantiu segurando a mão dele- Eu sei o que estou fazendo. Conheço o Sev desde que... Desde sempre e ele sempre foi um grande companheiro e amigo pra mim.
-Ele foi aquilo que eu deveria ter sido. Você tem toda razão, os Marotos não sabem escolher os padrinhos dos seus filhos.
-Harry ainda não sabe que Black é o padrinho dele.
-Eu não sei no que isso poderia ser bom. Ele sendo tão parecido com o pai, certamente iria querer se vingar de Sirius, e isso não seria uma coisa muito prudente.
-Esses dementadores... -Pan rugiu por entre os dentes lembrando-se do acontecido no dia anterior.
-Harry precisa saber se defender deles. -Lupin murmurou.
-O quê? Ensinar o Feitiço do Patrono ao Harry? Remus, ele ainda está no terceiro ano!
-Mas ele já deu demonstrações de coragem e força que fazem a execução do feitiço do Patrono uma coisa tola de principiante.
-Nisso você está certo. Bom, podemos tentar. Eu tenho que ir. Tenho um turno noturno hoje e você precisa descansar...
Pan ficou de pé, e a mão de Lupin segurou a sua instintivamente.
-Fique um pouco mais. -ele pediu olhando-a com expectativa.
Pan sorriu um pouco assustada, mas mesmo assim bastante receptiva e voltou a sentar-se ao lado do padrinho, que afagou seus cabelos e apoiou a cabeça em seu ombro. O toque de Lupin era algo totalmente diferente do toque de Severus. Era algo mais paternal, carinhoso, cuidadoso. E indiscutivelmente carente de afeto. Pan passou os braços em torno do tronco dele e o abraçou, deixando que os dois encontrassem uma posição confortável. Lupin pressionou os lábios na testa dela o que a fez se sentir amada de um jeito diferente que oscilava entre o modo que Dumbledore a tratava e o jeito único de Severus que a desejava e protegia.
Aquele foi o momento que Remus tanto havia esperado, o momento que lhe foi roubado por seu "probleminha peludo". Ele sempre buscara ter um contato mais intenso com a afilhada, mesmo ela sendo um lembrete de várias coisas que ele jamais poderia ter. Remus a amava muito, mas ela era muito parecida a Ninna e tinha muito da personalidade de Sirius. Ele sempre temeu que a presença dele pudesse causar-lhe algum tipo de desconforto, dada sua natureza complexa. Mas Pan era totalmente livre de preconceitos e não o evitava por conta da Licantropia, mas sim por não confiar nele enquanto amigo de infância de seus pais comensais.
-Remus, eu preciso ir. -Pan murmurou rouca- Tenho um turno agora e se eu ficar um pouco mais, acabarei dormindo.
-Cuidado, querida. -ele pediu, despedindo-se dela com um beijo na bochecha.
Pan retribuiu o beijo antes de sair e prometeu que assim que pudesse estaria de volta. A deserta Hogwarts apenas acentuava a solidão que ficou depois que deixou o conforto paternal dos braços do padrinho. O tempo estava mudando e o inverno chegava indiscutivelmente. Pan estava sentindo-se muito ligada a Lupin desde o "chá da reconciliação". Severus quase não podia disfarçar o ciúme, principalmente depois que ela assumiu as turmas de DCAT quando era Lua Cheia.
-Sev, isso está ridículo! -reclamava ela baixinho enquanto eles vinham tomar café.
-Ridículo? -bradou ele tremendo, puxando a cadeira para ela se sentar- Você agora visita Lupin quase todas as noites, mal temos tempo para nós e ainda por cima... Diggory. -ele praticamente urrou a ultima palavra.
-Diggory? –Pan não compreendeu.
-Eu já não aguento mais ver os pensamentos sujos desse lufano a seu respeito! Não se faça de tola, com certeza você deve perceber que ele se derrete inteiro quando você passa! Você se sentiria ultrajada se soubesse o que se passa na mente dele quando... Arre! Eu não suporto isso!
Lupin afagou o braço de Pan quando veio unir-se aos professores na mesa. Severus quase desferiu um golpe direto no nariz do colega quando ele fez isso. As unhas de Pan cravaram-se no braço dele neste momento para mantê-lo sentado.
-Sev. -murmurou venenosamente, os olhos faiscando- Controle-se.
-Humph! -e começou a destruir seus ovos com bacon.
-Desculpe se estou causando problemas. -Lupin sibilou para a afilhada.
-Esta tudo bem... -ela respondeu afundando o roso nas mãos- Ele tem razão, afinal.
-Razão? Em quê? -Lupin serviu uma taça de suco de abóbora para ela.
-Tenho negligenciado muito nosso tempo juntos. E sinto falta disso, mas... Eu estou tão cansada!
As feições de Lupin ficaram mais sérias. No meio de suas sobrancelhas uma ruga de preocupação formou-se fazendo com que Pan tocasse a tal ruga para fazê-la sumir dali. Lupin sorriu, mas Severus não gostou nada do gesto e virou sua cadeira de costas para a namorada. Pan fechou os olhos e respirou fundo.
-Você devia falar com ele. -sugeriu Lupin- Se isso está incomodando Severus, deveríamos ser mais cuidadosos.
-Pode ser que você tenha razão, mas nós nunca tivemos a oportunidade de conviver, Remus. Eu estou bem satisfeita com isso.
O momento foi interrompido pela chegada de um patrono em forma de tigre que trazia um pergaminho amarrotado. Pan reconheceu o patrono da tia que estava investigando a presença de um grupo de vampiros selvagens na França.
"Querida, eu acho que você podia me dar uma ajuda aqui. Eu estou machucada, mas não quero voltar a Hogsmeade. Você sabe papai não funciona muito bem quando estamos machucadas e não queremos que ele perca o foco durante essa crise.
Mas eu apreciaria muito se você conseguisse algumas lágrimas de fênix com Fawkes, ou trouxesse as suas. Não demore, eu de verdade não estou muito bem.
Com amor, tia Pearll."
-É o patrono de Pearll. –Dumbledore disse quando Pan enrolou o pergaminho parecendo extremamente preocupada.
-Sim, ela quer minha ajuda num caso em que está trabalhando.
-E você está pensando em ir? –Albus perguntou- Eu não acho uma boa ideia.
-Já eu acho muito bom que você passe um tempo com ela, fora de Hogwarts. Nada melhor do que viajar. –Minerva disse encorajando a neta.
-Viajar? -Severus olhou para a namorada- Só restará um aluno da Sonserina para o Natal. Recebi a lista ontem.
-Só Potter, Granger e Weasley da Grifinória. -acrescentou Minerva- Perfeitamente controlável, a meu ver.
-Eu não acho que...
-Albus. –Minerva disse em advertência segurando a mão dele- Pan estará com Pearll.
Ele observou a neta por um instante. Havia algo que estava preocupando Albus, mas ele não disse nada. Apenas voltou a tomar sua xicara de leite.
-Na verdade, eu precisava partir agora.
-Agora? –todos perguntaram com estranheza.
-Ela pediu que eu me apressasse.
Pan deixou a mesa e foi correndo ao escritório de Dumbledore. Fawkes parecia esperar sua visita.
-Querido, eu preciso que você encha isso com suas lágrimas. –ela conjurou um vidrinho e aproximou da cabeça de Fawkes- Tia Pearll está ferida e precisa de ajuda.
Logo as lágrimas peroladas começaram a escorrer pra dentro do vidrinho.
-Não deixe Albus saber. Eu tenho certeza de que tudo ficará bem, mesmo assim eu não quero preocupar ele e a vovó.
Fawkes piou assentindo. Em poucos minutos, Pan tinha uma quantidade considerável de lágrimas. Correu até sua torre e preparou uma mochila com tudo que acreditava que iria precisar. Quando deixava o castelo, Severus a interceptou.
-O que está acontecendo?
-Sev, eu estarei nas montanhas da França. Tia Pearll foi ferida por Vampiros Selvagens e precisa de ajuda. Ela não quer que meus avós saibam, eu havia deixado um bilhete pra você na minha torre.
-Você tem todas as poções que necessita?
-Eu peguei um kit de venenos e antídotos. Também tenho lágrimas de Fawkes. Eu não sei o que esperar, por isso estou levando um kit trouxa de primeiros socorros. Espero estar de volta com ela antes do amanhecer.
-Você quer que eu vá com você?
Os olhos de Pan brilharam com a proposta. A ajuda dele seria realmente bem vinda.
-Preciso apenas de um instante pra me preparar.
-Estarei esperando você nos portões.
Não levou nem cinco minutos e Severus encontrava Pan do lado de fora dos portões. Pegou a mochila dela e a abraçou, para que ela os aparatasse para onde estava Pearll. Aparatar com ela era diferente, era quente e semelhante a dissipar-se em pó e condensar-se novamente no lugar de destino. Quando os pés dos dois tocaram solo firme, Severus reparou que estava em chamas, mas não estava realmente queimando.
Não levou nem um segundo para que o ataque começasse. Eram dezenas de vampiros selvagens, atirando flechas e rochas nos dois.
-Protego! –Severus gritou erguendo uma barreira em torno dele e de Pan, que se preparava para atacar.
Pan sacou sua varinha e conjurou um arco e uma aljava cheia de flechas. Severus achou tudo muito parecido com os objetos que Arya Elve sempre trazia consigo. Agilmente e com uma pontaria invejável, ela conseguiu inutilizar meia dúzia de vampiros, que foram atingidos por flechas em chamas. Severus tentava imobilizar um pequeno grupo deles, que tinha um estranho aparato que disparava pedras.
-Sev, cuidado com as flechas! Elas estão envenenadas! –Pan gritou em advertência, correndo para o alto de uma colina, que lhe dava uma boa visão do campo em que estavam.
Lançando uma flecha após outra, Pan acreditava que estava conseguindo conter o ataque. Tinha cerca de cinco flechas espetadas em suas costas e pernas, mas ainda não se sentia tão mal quanto deveria. Foi quando rochas imensas começaram a ser lançadas de cima da montanha. Uma delas errou Severus por muito pouco.
-Pan, recue para perto da montanha! Há uma fenda onde podemos nos ocultar!
Ela assentiu e correu de volta á base da montanha, esgueirando-se das pedras que não paravam de cair do cume. Quando chegou perto o suficiente, notou que Severus já estava a sua frente, oferecendo-lhe a mão e içando-a para dentro da fenda. Lançou um feitiço na entrada enquanto Pan arrancava as flechas que podia alcançar. Logo a pele de Pan se recobriu com uma fina camada de fogo, o que curaria as feridas e anularia o veneno.
-Você está ferido?
-Não... fui atingido algumas vezes, mas não estou ferido.
-Onde você acha que tia Pearll pode estar?
-Bom, sabemos que ela está por aqui... Esses vampiros estão muito organizados para serem selvagens.
-Você acha que eles podem chegar até aqui?
-Não estamos exatamente protegidos. O feitiço de bloqueio deve mantê-los fora por enquanto, mas nós não temos como ter certeza se essa fenda é segura.
Pan notou que os cabelos de Severus estavam úmidos de sangue. Seu colarinho branco estava tingindo-se de vermelho rapidamente.
-Sev, sente-se um pouco. Deixe-me examinar sua cabeça.
Ele obedeceu quando notou a quantidade de sangue que estava perdendo. Pan encontrou o corte e o fechou com um feitiço simples. Fez Severus despir o tronco para dar-lhe uma boa visão de seus machucados e para poder limpar suas roupas. Ele tinha algumas marcas arroxeadas e dolorosas onde fora atingido pelas pedras, mas não havia quebrado nenhum osso. Mesmo o momento sendo de bastante tensão, Pan reparou que Severus devia exercitar-se, já que seus músculos eram bem marcados. Entregou-lhe suas roupas limpas e observou enquanto ele as vestia.
-Alguma ideia de como encontraremos Pearll?
-Se eu pudesse enviar-lhe um Patrono...
-Eu posso. –Severus enviou sua corça em busca dela, pedindo que ela lhes enviasse algum tipo de sinal de sua localização.
Poucos minutos depois o tigre de Pearll surgia na fenda. Sua voz soou fraca, mas bastante audível.
-Eu vi o ataque que sofreram. Estou numa rachadura bem próxima de onde vocês estão escondidos. Sigam pelo lado leste da montanha e vão me achar. Eu deixei minha mochila cair, ela está exatamente embaixo da entrada. Mas tomem cuidado, eles estão reagrupando.
Pan saiu da fenda e observou o caminho que Pearll lhe indicara. Severus sustentava um escudo de magia sobre ela esperando que aquilo fosse o suficiente. Observava como ela se movia com agilidade, escalando a parede da montanha. Recuperou a mochila na entrada da fenda e escalou os poucos metros que faltavam.
Encontrou Pearll nos fundos da pequena caverna. Estava pálida e sob os efeitos do veneno. Perdera bastante sague, sua perna estava quebrada e tinha muita febre.
-Você chegou bem rápido. –ela disse com um fraco sorriso.
-Eu nem vou perguntar o que te aconteceu! –Pan ajoelhou-se ao lado da tia e começou a tirar o material que necessitaria para ajuda-la- Quando você foi ferida?
-Ontem à noite. Tentei deixar a montanha durante a madrugada, mas eles são mais fortes quando não há sol. Me protegi aqui dentro como pude e esperei o dia nascer para pedir ajuda.
-Eu vou precisar imobilizar sua perna. Buscarei Severus. Enquanto isso, tome essas poções. Elas vão anestesiar um pouco o local.
Pan aparatou para a fenda e encontrou Severus abatendo vampiros escondido atrás de uma pedra. Ele havia tentado disparar algumas flechas, mas elas não tinham um alcance muito longo.
-Você a encontrou?
-Ela está bem mal, quebrou uma perna e está bastante envenenada. Vou nos aparatar para lá.
Quando chegaram, Pearll estava pronta para ser movida. Severus ocupou-se de imobilizar a perna, enquanto Pan enchia uma seringa com as lágrimas de fênix e injetava o conteúdo numa das veias de Pearll. Ela adormeceu quase instantaneamente e aos poucos sua febre foi cedendo. Pan conjurou algumas cobertas e um travesseiro e acomodou bem a tia, que precisaria de um bom tempo até estar pronta para aparatar.
Severus e Pan mataram o máximo de vampiros que conseguiram atingir. Colocaram várias barreiras na entrada da rachadura. Após o meio dia, os vampiros desapareceram, e eles decidiram descansar. Pearll não passaria muito mais tempo adormecida e logo eles poderiam voltar á Hogwarts. Madame Pomfrey precisaria curar a perna esmagada de Pearll. Pan recostou-se no peito de Severus e observou a tia dormir.
-O trabalho dela parece ser mais perigoso que o de auror. –Severus disse- Esses seres humanoides são muito perigosos e atuam em bando.
-O problema é que ela trabalha sozinha. Atacar um exercito requer um exercito.
Poucas hora depois, Pearll despertou, tentando sentar-se. Parecia bem melhor, mas ainda estava fraca. Reclamou de sede, e após beber quase meio litro de água disse que estava pronta pra ir. Não queria ser levada a Hogwarts, mas sim ao St. Mungus. Prometeu que logo contaria aos pais o que lhe acontecera, mas que precisaria estar perfeitamente bem para isso.
Pan deixou a tia bem atendida num leito do St. Mungus. Estava perto do anoitecer quando eles voltaram a Hogwarts e foram bombardeados de perguntas por Albus e Minerva. Pan, que não conseguia mentir para eles, disse tudo e como era de se esperar, eles foram levados por Fawkes para ver a filha imediatamente.
-Acho que devemos descansar.
-Preciso desesperadamente de um banho e um jantar generoso. –Pan disse com um sorriso cansado.
-Eu estarei esperando você.
-Para que?
-Para me ajudar a descansar essa noite.
Notas da Autora:
Vejam só, que capitulozão! Começo a reescrever, me empolgo e mudo praticamente tudo que havia na versão inicial!
Perollinda: Olha só você em apuros! Estou encantada por estar acertando na personalidade da Pearll pra combinar bem com a sua! Ela esta saindo bem diferente do que imaginei no inicio, mas vai dar tudo certo. Tô até pensando em contaminar ela com o seu dedo rosa! Hahaha
Uhura: Gostoso é ter você como leitora, moça! Olha eu postando de novo! Nesse ritmo, um capitulo por dia, daqui a pouco acaba a segunda parte e eu vou poder tomar um fôlego! Sim, olha a Pearll pintando no pedaço!
Gente bonita, muito obrigada por ler!
