Capítulo Décimo Quinto.

-Papai, você não pode me manter aqui! –Pan escutava a voz de Pearll protestando, vinda do escritório de Albus- Eu tenho trabalho a fazer e não vou deixar tudo pra trás!

-Você quase morreu lá, minha filha! –Minerva argumentou.

-Obviamente eu tomarei mais cuidado e levarei alguns colegas comigo.

-Não é o suficiente. –Albus disse categoricamente- Não é a primeira vez que isso acontece com você. Eu estou acumulando motivos o suficiente pra acreditar que você não valoriza muito sua vida.

Pan entrou no escritório, achando que seria um excelente momento para ajudar a tia.

-Dumbie, não é bem assim. –ela começou a explicar- Eles devem ter feito com a tia o mesmo que fizeram conosco quando chegamos às montanhas. Era uma emboscada perfeita.

-Eu estava apenas investigando. Não imaginei que precisaria agir ou levar reforços. E se eu realmente quisesse morrer, eu não teria feito nada pra conseguir ajuda. Meu trabalho é perigoso, é só isso!

Albus suspirou apoiando o rosto na ponta dos indicadores. Minerva sentou-se na poltrona, desistindo de discutir.

-Eu só queria que você não passasse o tempo todo me dando motivos pra considerar prender você numa jaula, onde sei que estará perfeitamente segura! Você é a coisa mais valiosa que eu tenho, Pearll. Eu apenas não consigo ficar tranquilo em ocasiões assim.

-Pai... –ela foi sentar-se em seu colo, como uma se ainda fosse uma garotinha- Eu sei me cuidar. Acidentes acontecem, mas eu sei cuidar de mim mesma.

-Eu apenas... Gostaria que você tivesse mais cuidado.

-Eu terei.

Durante o feriado de Natal Pamela e Pearll decidiram ir a Londres, fazer compras e passear um pouco. Severus se recusou a ir com elas, argumentando que Hogwarts precisaria do máximo de proteção possível já que a Pan passaria uns dias de folga.

Albus protestou, mas não conseguiu remover de Pan a decisão de viajar um pouco. Ela estava começando a estranhar o fato de que ele se recusava a permitir que ela deixasse Hogwarts, mas na primeira vez em que foi ao Beco Diagonal, pode perceber que ele tentava apenas protege-la do assedio do publico.

Ela nunca vira uma quantidade tão grande de gente a observar com medo e nojo. Estava a costumada a ser extremamente bem tratada e muitas vezes era até vista como uma celebridade. Mas dessa vez, toda a admiração se transformou em desconfiança e medo. Rita Skeeter a encontrou quando ela tentava entrar na loja de Madame Malkins, atormentando-a com perguntas sobre seu pai. Apenas quando Pearll ameaçou incendiar os cabelos da repórter foi que ela desistiu da entrevista, mas permaneceu vigiando as duas.

Ficaram uns dias na casa que Pan e Hope dividiam quando eram estudantes. Foi muito bom voltar a conviver com Hope, mesmo que por poucos dias.

-O que você disse, Srta. Pearll? Você acha que os pais de Pan são inocentes?

-Eu acho. Mas nunca consegui provar nada.

-O que leva você a pensar assim?

-Eu convivi muito com aqueles dois. Eu cresci com Ninna. Eu saberia se ela estivesse envolvida com algo inapropriado. Ela e o papai sempre discutiam sobre a aplicação da Magia e coisas do tipo. Ninna sempre foi fascinada por poder, mas ela nunca se uniria ao Lorde das Trevas.

Hope ficou pensativa, mas percebeu que o tema da conversação afetava muito a Pan. Decidiu mudar de assunto.

-Você não vai me dar detalhes sobre o professor Snape, Pan!

Ela sorriu, como se uma sombra fosse eliminada de seu rosto.

-Eu não tenho muito que dizer. É como deveria ser...

-Vocês já...? –Pearll perguntou sem realmente perguntar.

-Já o que? –Pan não entendeu.

-Dormiram juntos?

-Oh, sim! Todo o tempo!

Pearll, boquiaberta, apenas ficou encarando a sobrinha. Havia um imenso horror em seu rosto, mas ela não parecia estar disposta a dizer nada.

-Algum problema?

-Pan... Você não tem medo de que Severus esteja apenas se aproveitando sexualmente de você?

-Tia Pearll! Severus nunca tocaria em mim! –ela disse exasperada.

-Oh, ele tocaria sim! –ela rebateu- O que você entende por "dormir junto"?

-O que você quer que eu entenda? Que nós deitamos um ao lado do outro e adormecemos.

-Às vezes eu esqueço que você é inocente a esse ponto! Esse corpo e cara de mulher não condizem com a sua idade real!

-Eu sei muito bem o que acontece quando duas pessoas estão juntas dormem juntas... Mas ainda não estamos prontos pra isso.

-E Severus nunca tentou nada?

-Até agora não.

Pearll pareceu absurdamente confusa por um minuto inteiro. Mas logo pareceu relaxar.

-Você já fez alguma coisa nesse sentido antes?

-Tia Pearll!

-Eu preciso saber! Alguém vai ter que orientar você e você não vai querer que seja a mamãe! Quando eu tinha sua idade... não exatamente a sua idade, mas quando eu estava na sua situação, eu perguntei algumas coisas a ela e... a única coisa que ela me disse foi: Mantenha-se vestida e com as mãos dele longe do seu corpo.

-Por enquanto sim, mas não pra sempre. –Pan argumentou- Não é como se eu não tivesse curiosidade. Ou vontade, algumas vezes...

-Eu acho que quando chegar a hora você estará pronta pra isso, Pan. –Hope finalmente falou- E acredito que o professor Snape vai ser maravilhoso com você.

-Se ele está tendo paciência de esperar... –Pearll comentou- Ele realmente parece merecer que você esteja com ele.

-E você, tia Pearll? Quem foi seu primeiro amante?

-Você nunca iria acreditar.

-Tente.

-Régulus Black.

-Você só pode estar brincando!

-Não, eu não estou! Eu e Reg saímos durante anos. Estudamos juntos e na época, se ele não tivesse se envolvido com Arte das Trevas... Talvez ele fosse meu marido hoje.

-Você gostava dele?

-Eu daria qualquer coisa pra saber o que aconteceu com ele. Mas enfim, já faz muito tempo.

Não se falou mais no assunto durante o feriado. Logo Pan retornou a Hogwarts, deixando Pearll e Hope no Beco Diagonal. Pan não tinha exatamente certeza do que Pearll estava planejando fazer, mas caso ela desaparecesse por uns tempos, seria compreensível. Era sempre assim e já estava até demorando pra acontecer.

Em Hogwarts Pan recebeu uma carta de desesperada de Hagrid contando sobre o andamento do Processo do Hipogrifo que atacara o insolente Draco Malfoy. Foi vê-lo assim que pode. Na cabana leu a carta que a Comissão de Eliminação de Criaturas Perigosas havia enviado.

-Hermione prometeu que ia me ajudar, mas... Aquelas gárgulas da Comissão...

-Hagrid, querido, eu não quero desesperar você, mas as chances de Bicuço são remotas. Malfoy está empenhado nisso e, bom... Eu não pretendo me meter muito mais.

-E nem eu gostaria que você se encrencasse com o ministério! Aquele morcego metido a besta quase mandou você pra Azkaban só pelo seu apoio...

-Eu queria que você entendesse que eu não posso me ausentar de Hogwarts, não posso ficar fora de combate com Sirius Black a solta.

-Claro que eu entendo, Pan! Sem contar com esses malditos dementadores... Tem muitas coisas estranhas acontecendo por aqui... E por falar em coisas estranhas, você já viu a vassoura misteriosa do Harry?

-Vassoura o que?

-Ele ganhou uma Firebolt de Natal.

-De quem?

-É ai onde está o problema. Nós não sabemos.

-O QUÊ?! Quem dá uma Firebolt de presente a alguém e não se identifica?

Rápida como um cometa, Pan voltou ao castelo e correu a aula de Transfiguração de Harry, pronta para arrancar a vassoura das mãos dele antes que ele ousasse montá-la.

-Com licença, Profa. McGonagall... Eu gostaria de dar uma palavrinha como senhor Potter.

-Pamela, já está de volta. -a professora respirou aliviada- Acho que já sei do que se trata. Nós estamos com tudo sob controle, querida. Mesmo assim seria bem interessante se você pudesse testar a vassoura.

Todos os professores e principalmente a auror revistaram a vassoura e não encontraram nada suspeito ou perigoso, mas Pan ainda não queria devolvê-la a Harry. O Feitiço podia estar oculto e estar direcionado exclusivamente para ele. Enquanto isso Harry lhe implorava pela vassoura e até Wood resolvera incomodá-la sobre aquele assunto. Lupin havia começado as lições do Feitiço do Patrono com Harry e estava satisfeitíssimo.

-Se os dementadores ousarem aparecer no jogo, Harry estará preparado. -disse ele enquanto servia um chá para a afilhada- E você, já decidiu devolver a vassoura?

-Ainda não.

-Isso está muito estranho, Pan.

-A vovó contou que quando Hermione lhe entregou a vassoura, achava que Black havia enviado. Claro que eu fui me informar de onde saiu essa vassoura, e veja só: Foi Black quem enviou, de verdade. A loja que vendeu a vassoura fica no Beco Diagonal e veja bem, eles receberam o pedido em nome de Harry, mas sendo que o ouro que pagaria a vassoura seria retirado do cofre dos Black. Meu cofre, por sinal.

-Então você não pode devolver a vassoura ao Harry.

-Mas não há nada de errado com a vassoura. Ela é perfeita. Eu mesma testei.

-Eu também, e não vi nada de errado.

- Eu não posso não devolver a vassoura. Seria errado com Harry.

-O que será que Black está tentando fazer?

-Não faço ideia. Mesmo assim, acho que arcarei com as consequências de devolver a vassoura e ver o que acontece.

Corvinal jogou contra a Sonserina uma semana depois do inicio do Trimestre. Sonserina venceu por muito pouca diferença, o que era bom para Grifinória. Wood estava enlouquecendo com aquilo, e havia cinco treinos por semana, o que ocupava quase todas as noites de Pan. Tanto ela quanto Harry, com suas aulas antidementadores, dever de casa acumulados e treinos, estavam exaustos. Mas nada se comparava a Hermione. Pan a encontrou vagando pelo corredor de feitiços como se estivesse em duvida de que se era ali mesmo que deveria estar.

-Mione? O que você está fazendo aqui? Sua aula já acabou faz tempo, e você deveria estar indo pras masmorras...

Ela tinha os olhos marejados e tremia levemente.

-Jura, Pan? Eu não acredito que me confundi de novo!

-Confundiu? Hermione...

-Estou indo... Estou indo... -e saiu rapidamente em direção a Torre da Grifinória.

Janeiro passou voando numa Firebolt e não tendo encontrado nada de errado com a vassoura de Harry, Pan decidiu devolvê-la ao garoto, já que o jogo contra a Corvinal estava cada vez mais próximo e seria muito bom que ele pudesse treinar com ela antes de realmente jogar.

Harry parecia uma criança nadando numa piscina de chocolate quando recebeu a vassoura das mãos da profa. McGonagall. Pan observou o primeiro voo de perto, mas ao perceber que nada aconteceria, relaxou. Dias depois Pan esbarrou com Harry na Torre de Adivinhação, de onde o garoto saia com o semblante derrotado. Rony e Hermione pareciam não estar se falando.

-Tudo bem? -perguntou Pan aos três.

-Não, nada bem... Você acredita que... -e Rony contou toda a história do triste e lamentável assassinato do seu rato Perebas.

-Não se ofenda Rony, mas um rato que tem pelo menos 12 anos já está passando da hora de morrer.

Hermione soltou um risinho triunfante e desapareceu.

-Lamento Rony. -e Pan retirou-se.

A manhã de sábado chegou clara e fria. O jogo entre Grifinória e Corvinal estava para começar e as pessoas só falavam da Firebolt de Harry. Pan não subiu ao camarote dos funcionários, tendo decidido que seria melhor ficar em terra para o caso de medidas de emergência. O jogo começou e Harry era apenas um borrão vermelho em sua Firebolt. Do outro lado do campo Lupin acenou para a afilhada que veio em sua direção. Sentaram-se num banco e começaram a conversar alegremente sobre o jogo. Pan raramente se distraia, mas os comentários de Lupin a embalavam, principalmente quando ele lhe serviu uma garrafinha de cerveja amanteigada.

-Veja, veja, Pan! É agora! -ele apontou para Harry, que voava numa velocidade incrível em direção ao pomo.

De repente ele olhou para o chão e disparou um Patrono corpóreo forte e veloz que atingiu três...

-Dementadores? -Pan estranhou franzindo o rosto.

-Eu acho que...

De dentro de vestes negras encapuzadas surgiram Malfoy, Crabble e Goyle praguejando e xingando Harry que afinal tinha capturado o pomo.

-Olá. -Pan sorriu triunfante quando segurou Malfoy pelas vestes, praticamente erguendo-o do chão.- Vamos ter uma conversinha...

-Você disse que ia dar certo... -reclamou um dos grandões, que Pan não soube discernir se era Crabble ou Goyle.

Pan passou Malfoy para as mãos tremulas de sua avó, que berrava furiosa que aquilo era a atitude mais indigna que ela havia presenciado. Claramente envergonhado, Severus se aproximou, sendo seguido por Dumbledore. Pan ria da cara de Malfoy, mas Severus lhe lançou um olhar faiscante e ela decidiu que seria melhor se calar.

Certamente a comemoração da Grifinória seria tremenda essa noite, e talvez por Pan estar um pouco embriagada, aquilo parecia ser uma excelente ideia. Em todo caso, Severus se manteve ocupado pelo restante da tarde e apenas após o jantar Pan foi vê-lo.

Ele corrigia redações, concentrado em seus pergaminhos. Pan entrou no escritório e deitou-se no sofá. Não disse nada, apenas lhe abriu um pequeno sorriso enquanto esperava que ele se desocupasse.

-Ainda vou demorar um pouco querida. Você não quer pedir um pouco de vinho dos elfos enquanto isso?

-Não, eu ainda estou um pouco tonta pela cerveja amanteigada que tomei.

-Eu notei pelo seu riso frouxo hoje no jogo. –ele pareceu desagradado.

-Algum problema?

-Eu não sei o que achei pior... Minha mulher se embriagando com outro homem ou esse outro homem sequer ser um homem completo.

-Severus! –ela exclamou ofendida- Você nunca mais vai se referir ao Remus dessa forma!

-Ou o que? –ele desafiou com a voz sem emoção, colocando os pergaminhos de lado.

-Ou eu vou reconsiderar muitas coisas a seu respeito.

-Eu não sou um dos seus namoradinhos dos tempos de escola! Você não parece estar ciente do que nós temos aqui!

-Eu não estou ciente? Severus, não é porque eu seja a única família que você tem que signifique que você seja a única família que eu tenho! Eu estarei do seu lado todo o tempo em que for necessário e confortável para nós dois, mas não me peça para desistir dos meus amigos e da minha família por você!

-Eu não estou pedindo nada disso! Eu quero apenas que você tome mais cuidado com suas atitudes! Algumas coisas vão sim me incomodar e eu vou reclamar sempre que isso aconteça! Por que é melhor estar sozinho do que ser forçado a observar você agindo como se não percebesse o fascínio que exerce sobre os outros homens! Se você tivesse noção do que eles...

-Talvez se você parasse de ler a mente alheia e começasse a prestar mais atenção no que eu estou te dizendo, nós teríamos menos problemas com ciúmes.

-E o que é que você está dizendo?

-Que eu amo você, seu idiota! –ela berrou ficando de pé, vermelha como um tomate- Que se eu quisesse qualquer outra pessoa, eu não estaria aqui lutando pra enfiar na sua cabeça que não há com o que se preocupar!

Ele a observou por um instante. Pan era extremamente bonita e especial até não poder mais. Não parecia natural que ela o quisesse. Não parecia certo que ela simplesmente fechasse os olhos para tudo o que havia a sua volta por causa dele. Ele sempre a amaria, e sempre de modo crescente. Ela encarava o tapete parecendo absolutamente miserável nesse momento.

-Venha até aqui. –ele chamou num tom de voz mais terno.

-Eu não quero. –ela retrucou pronunciando o lábio inferior e contraindo as sobrancelhas, no seu costumeiro semblante de contrariedade.

-Então eu irei busca-la. –ele ameaçou.

-Eu te desafio. –e o encarou com insolência.

Severus ficou de pé e foi até ela, que recuava enquanto ele avançava. Rapidamente ela estava encurralada entre ele e o sofá, e sem ter mais o que fazer, deixou que ele a envolvesse com seus braços fortes. Severus sentou-se no sofá e a acomodou em seu colo, sentada exatamente em cima de suas coxas. A sensação era excelente e perigosa. Ele decidiu que o mais prudente seria controlar o nível de caricias.

-Nossa primeira discussão. –ela sussurrou, com o rosto encaixado no pescoço dele.

-Nada grave. Ciúmes e insegurança...

-Me desculpe se eu te deixei desconfortável.

-Me desculpe se eu fui muito duro.

-Está tudo bem. –ela abriu um sorriso confortador, segurando o rosto dele com ambas as mãos.

Ele a beijou por um longo momento, apertando-a em seus braços e esquecendo a resolução de prudência com as caricias. Já havia um bom tempo em que o contato físico entre os dois exigia de Severus um controle mental muito forte. Para dificultar a situação, Pan moveu-se de forma a deixar uma perna de cada lado do corpo dele e o colo farto muito próximo ao rosto. Severus inspirou o perfume que vinha da profunda fenda entre os seios. Deixou escapar um gemido gutural o que curiosamente plantou um arrepio na base da espinha de Pan.

-Querida... –ele implorou quando ela interrompeu o beijo em que o afogava para respirar.

-O que?

-Acho que devíamos... –e ela o silenciou com outro beijo- Não é prudente que...

-Sev, não estamos fazendo nada demais...

-Oh, talvez não pra você! Mas eu estou...

-Está...?

Ele não sabia como pronunciar a palavra e apenas moveu-se ficando por cima dela, para logo se afastar.

-Eu não entendo! –ela disse frustrada.

-Pan, talvez você não sinta essas necessidades tão intensamente quanto eu. Ter você por perto já é estimulo o bastante. Ter você me abraçando e beijando é o máximo com o que eu consigo lidar! Mas ai quando você começa a... se empolgar com as caricias tudo fica muito complicado!

-Oh... –ela murmurou- Você tem razão. Às vezes eu fico curiosa com algumas coisas e atuo sem pensar direito. Mas você não precisa fugir para o outro lado da sala! Eu prometo me comportar.

Severus voltou a sentar-se ao lado dela, que dessa vez apenas colocou uma poltrona no colo dele onde apoiou a cabeça. Ele acariciou seus cabelos, observando o rosto relaxado e sereno piscar cada vez mais devagar até adormecer. Concentrou-se em observá-la. Pan era incrivelmente bem torneada, com poucos músculos e pele sedosa, perfumada. Os cabelos emanavam um cheiro adocicado, de frutas vermelhas. A pele alva contrastando com as vestes escuras era fascinante. Ele sabia que Pan era a melhor coisa que a vida havia lhe dado desde que sua vida foi tocada tão intensamente pela rejeição e posterior morte de Lílian Potter. Pan imediatamente havia surgido, filha de seu grande desafeto, mas sem nenhum traço incomodo de seu pai. Era sempre atenta, carinhosa, forte e agradável.

No entanto, era uma menina, uma flor ainda desabrochando. Ela podia ser vista como adulta e podia ter memorias milenares em sua mente, mas Severus sempre saberia que ela era muito jovem... ainda mais jovem que Harry Potter. Estabelecer um relacionamento amoroso com ela jamais seria certo ou adequado, mas não havia mais o que ser feito, ele não sabia como fugir ou como fechar os olhos diante do fascínio que ela exercia sobre cada aspecto dele. Ultimamente a necessidade de tocá-la se fazia cada vez mais urgente e não era raro que ele passasse horas imaginando como seria quando ela finalmente estivesse pronta. Sentiu-se repentinamente atormentado após esse pensamento. Ele vira Pan dar os primeiros passos e agora ansiava pelo momento em que ela se entregaria a ele carnalmente. Não pareceu certo e antes que pudesse medir seus atos, afastou-a de seu corpo, sentindo-se incrivelmente sujo.

Pamela despertou assustada, encarando o namorado que parecia aterrorizado por alguma situação que ela não conseguia entender.

-Severus?

-Isso não está certo, Pamela! Não está...

Notas da Autora:

Povo lindo, muito obrigada por ler minhas sandices!

Finalmente essa fic parece estar andando hein!

Beijos beijos e beijos!