Capítulo Décimo Sexto
Pan tentou argumentar, mas ele pediu o mais docemente possível que ela o deixasse sozinho. Ela não sabia o que fazer pra acalmar aquela dor no peito que ia ceifando sua determinação a cada degrau que ela subia. Absorta em pensamentos chegou a sua torrezinha e assustou-se ao ver a porta entreaberta. Sacou a varinha e subiu as escadas espirais atentamente, não sabendo exatamente pelo que esperar. Sua lareira estava acesa, o que só podia significar que a avó estivera por ali. A mesa cheia de mapas de Hogwarts e um estojo de poções estavam do jeito que ela havia deixado, o que anulava a possibilidade da avó ter estado ali. No mínimo ela teria colocado as penas no estojo para penas, e enfileirado as tintas na borda superior da mesa. O estojo de poções teria sido levado para o armário e o casaco que estava no chão estaria na pilha de roupas que os Elfos levariam para a lavanderia.
Não, não havia sido Minerva quem esteve ali. Ela foi até o quarto e abriu a porta. Estava escuro e silencioso.
-Lumus!
Então ela sentiu um impacto sobre o peito sem saber exatamente de onde ele tinha vindo. Arremessada para trás, sentiu a cabeça chocar-se contra a quina da cama. Viu o rosto Sirius Black aproximando-se do seu, mas por algum motivo que não soube dizer, não pode reagir. Queria poder ter gritado pelo menos, mas suas forças se esvaiam. Estava tonta e seus membros não respondiam aos seus comandos. Sentiu que era arrastada para algum lugar, mas não sabia para onde.
-"Ele vai me matar." -ela pensou- "Com a minha varinha. É agora que tudo acaba".
Mas sentiu que era erguida sob grande esforço e colocada na cama. A cabeça sangrava, ela sentia algo quente escorrendo por suas roupas.
-Pamela? Filha? -a voz rouca do homem chamou.
-Monstro... -ela sibilou ainda mais rouca que ele, a voz tremendo de ódio e dor.
-Me perdoe minha filha... Eu não planejei te atacar. Mas por um instante eu pensei que fosse qualquer outra pessoa menos você...
Por entre os olhos cerrados ela o viu pegar a varinha e vir em direção a ela. Cuidadosamente ele virou o rosto dela para o lado, e com um leve toque da varinha ela sentiu o corte se fechar.
-Immobilus!- e agora, nem que tivesse a força de vontade de um herói ela poderia se mexer, mesmo continuando consciente- Eu preciso ir. -ele disse- Você vai ficar bem. -e curvou-se sobre ela, beijando-lhe a testa. - Eu vou agora.
Deu-lhe as costas, mas sua perseverança não era das melhores e ele logo voltou a se sentar ao lado dela.
-Eu quero que você tenha bem claro em sua mente que seus pais não são os monstros que andam dizendo. Nós somos inocentes e eu queria muito ter como te provar isso. Eu não sei o que vai me acontecer daqui pra frente, mas eu quero que você saiba que em cada momento em que estive preso... você foi a única recordação feliz que me restou, por ser forte demais pra permitir que qualquer um te roubasse de mim. Você me manteve são, minha filha. Você me dá forças mesmo não podendo entender a verdade. Eu amo muito você. –e beijou-lhe a testa, secando a lágrima que escorria do seu rosto.
Antes de deixar o quarto, Pan viu que ele colocou a varinha dela sobre a mesinha de cabeceira, o que era decididamente estranho. Talvez ele tivesse outra varinha. Black pegou uma faca do chão e saiu correndo do quarto. E isso fez menos sentido ainda.
Em alguns minutos ela ouviu a gritaria de alunos. Instantes depois, a voz da avó. Sua cabeça latejava. Lágrimas rolavam por seu rosto, já que agora a única coisa em que ela conseguia pensar era que Harry havia sido assassinado. Manteve-se imóvel tentando ouvir tudo o que pudesse. Assustou-se com o grito desesperado de sua avó entrando no quarto vendo-a encharcada de sangue.
-Pamela!
De repente um grito masculino fez Pan estremecer. Era Severus.
-Não! - e lançou-se a ela, segurando-a pelo tronco.
Aos poucos ele entendeu que ela estava imobilizada. Sacou a varinha e silenciosamente executou um feitiço. Pan sentiu seus membros ganharem movimentos de novo.
-Pan? -Minerva se aproximou temerosa
-O que houve?
-Black invadiu a torre da Grifinória, mas não aconteceu nada grave!
-Eu novamente descuidei das rondas! –ela culpou-se atormentada- Eu não sou competente o suficiente pra isso!
-Não seja tola Pan! –Severus disse- Sem você aqui isso teria voltado a acontecer muito antes do que podemos supor! Seu esquema de segurança é excelente, nós apenas não sabemos com que artimanhas Black está conseguindo entrar no castelo!
Por mais que o procurassem, Black não foi capaz de ser encontrado. Pan chegou a embrenhar-se na Floresta Proibida, mas não conseguiu nada mais que arranhões e picadas de mosquitos com isso.
Já era por volta de oito da manhã quando ela retornou a escola. Encontrou Lupin nos gramados, bem próximo da orla da floresta. Ele parecia estar preocupado e aflito.
-Deus do céu! Você está horrível! -exclamou ele, jogando um cobertor sobre seus ombros e passando o braço em torno de seu corpo, conduziu-a de volta a escola.
Pan não disse nada, apenas caminhou ao lado dele. Sentia-se frustrada e cada vez mais confusa a respeito do pai. Aquela noite havia mudado alguma coisa nela, havia feito com que ela passasse a ver o mundo de outro jeito, mais turbulento e frio. Sentia-se horrível, dolorida e enregelada, já que havia saído sem casaco em pleno inverno.
-Pan? Fale comigo...
-Eu sou a fraqueza dele, Remus!
-Filhos sempre são a fraqueza de seus pais.
-Eu sinto como se... –ela desistiu de tentar verbalizar o que sentia.
-Você sente cansaço. –ele disse- O que você tem que fazer é descansar.
Depois de beijada e abraçada pela avó e por Dumbledore, Pan tomou um banho e desabou na cama. Acordou com a visita de Harry. Vestiu o robe rapidamente e abriu a porta.
-Oi, Harry! -sorriu ela
-Oi. -ele disse meio inseguro.
-Entra.
Harry entrou e sentou-se no sofá do escritório. Pan sentou-se ao lado dele.
-Pan, por que Black não me matou ontem? -Harry era direto demais.
-Eu não sei. -ela respondeu- Ele andou perto demais. Eu também não estou entendendo isso.
-Hermione me disse pra te procurar. Disse que você é uma profissional, e...
-Bom, ela teria razão, mas de ontem pra hoje eu estou tão confusa que...
-Ele machucou você?
-Sim. Mas está tudo bem.
-Esse filho da puta!-ele enfureceu-se.
-Harry...?
-Ele é meu padrinho! -o garoto berrou furioso- Aquele maldito entregou meus pais a Voldemort!
-Harry, calma... -então Pan entendeu que Harry não sabia que Sirius Black era seu pai.- Black é louco, e... Não podemos entender os loucos.
Eles conversaram por algum tempo, mas não se aprofundaram muito no assunto Black. Harry contou tudo o que Rony havia dito, deixando Pan ainda mais confusa.
Pra piorar a situação dos nervos de Pamela, o dia da próxima visita a Hogsmeade seria no próximo fim de semana. Contando que Harry ficaria em Hogwarts, ainda havia um grupo enorme de alunos que ia ao passeio, e eles mereciam tanta proteção quanto Harry. Dumbledore discordou de Pan.
-Eu acho que devemos observar o Harry. Fique no castelo.
-Mas...
-Pan, Sirius Black está cada vez mais ousado, mas eu ainda acredito que ele irá respeitar Hogsmeade. Há dementadores por lá.
-Ok.
No sábado, Pan almoçou na cozinha com os Elfos, confiante de que Harry estaria em segurança na sua Sala Comunal. No meio da tarde veio até a sala de Lupin com uma torta de caramelo, e preparou um chá pros dois. Não falaram sobre Black ou Severus, cuja presença Pan tentava evitar ao máximo. Concentraram-se em planejar uma viajem a Londres, para que pudessem ir a um show de uma banda trouxa que Pan adorava. De repente a voz furiosa de Snape ressoava na sala, saindo da lareira.
-Lupin, quero dar uma palavrinha com você. Potter está com problemas.
-Harry está com problemas?! -Pan exclamou- O que foi?
-Pamela?
-Sim.
-Acho que isso lhe diz respeito também.
Na sala de Snape, Harry observava o fogo. No meio das chamas surgiu Pamela, sendo seguida por Lupin.
-Você me chamou, Severus? -Lupin perguntou tentando desviar a atenção de Snape de Pamela, que por sua vez olhava para Harry como se quisesse radiografá-lo.
-Claro que chamei! -disse ele rispidamente- Acabei de mandar Potter esvaziar os bolsos, e veja só o que encontrei.
O queixo de Pan caiu. Lupin encarou o pedaço de pergaminho com uma expressão impar de quem calcula a situação e se sente completamente surpreso.
-E daí? -ele tentou ser indiferente passando o pergaminho para as mãos de Pan, que não conseguiu reprimir a risada.
Snape a fuzilou com os olhos. Ela tentou se conter mas não teve muito sucesso. Leu o pergaminho de novo e então ficou séria. Toda a graça havia sumido num piscar de olhos.
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-Almofadinhas... -sibilou de modo que ninguém escutasse- O nome do meu cachorrinho de pelúcia...
-E então? -insistiu Snape- Este pergaminho está repleto de magia negra. Pelo visto essa é a sua especialidade, Lupin. E você, Srta. McGonagall, onde acha que Potter conseguiu uma coisa dessas?
-Repleto de magia negra? É isso o que você acha Severus? A mim parece mais um pergaminho que insulta quem o lê.
-Provavelmente Harry o conseguiu numa loja de Logros e Brincadeiras. -Pan disse.
-Verdade? -perguntou Snape ainda encarando Lupin- Você acha que uma loja de Logros e Brincadeiras podia ter vendido a Potter uma coisa como essa? Não seria mais provável que ele tenha conseguido isso direto dos fabricantes?
Pan tentou fazer cara de quem não estava entendendo, copiando a expressão de Lupin.
-Você quer dizer do Sr. Rabicho ou um dos outros? -Lupin perguntou- Harry, você conhece um desses homens?
-Não. -Harry respondeu depressa.
-Esta vendo, Severus? -Disse Lupin com um leve tom de triunfo na voz.
-Acho que já vi algo assim na Zonko's. -Pan completou.
Bem na hora, Rony invadiu a sala de Snape. Estava completamente sem fôlego e parou diante da escrivaninha, a mão apertando o peito, tentado falar.
-Eu...dei...isso...a...Harry... -disse sufocado- Comprei...na Zonko's...a...séculos!
-Bem! -disse Lupin batendo palmas e olhando em volta animado- Isso parece resolver tudo! Severo, vou devolver isso, posso? -e dobrando o mapa o colocou dentro das vestes.- Harry e Rony, venham comigo, preciso dar uma palavrinha com vocês em relação a redação dos vampiros. Nos dê licença, Severus, Pan...
E se retirou com os meninos. Pan e Severus se encararam por um longo segundo.
-Como você está? -ele perguntou- Andei sabendo que você teve uma semana difícil.
-O Ministério exigiu algumas explicações. Eu decidi dobrar as rondas noturnas e policiar melhor as entradas.
-Eu... fiquei muito preocupado com você...
-Com licença. -e se retirou.
Ela foi em direção a sua torre, perdida em pensamentos, um pouco indignada com a falta de amor do Harry por si mesmo, pensando em como ele tinha conseguido aquele mapa. No meio do corredor, encontrou Harry, Rony e Hermione curvados sobre um pedaço de pergaminho.
-O que foi? -Pan perguntou tirando o papel das mãos deles, deixando-os meio indignados.
-Pan! -Harry exclamou chateado.
-Escute aqui, mocinho... -ela começou chateada tirando o papel do alcance das mãos de Rony, que tentava recuperá-lo- Ou melhor, escutem aqui os três... Eu não vou ficar aqui tentando mantê-lo a salvo se você vai sair por ai, fugido, correndo sérios perigos, só pra poder comprar uma saca de idiotices da Zonko's e um punhado de doces! Se Black o pegasse, vocês dois seriam tão responsáveis quanto ele! -ela apontou pra Rony e Hermione, que fungou amedrontada- E você Harry... pelo amor de Deus! O ministério inteiro está tentando protegê-lo e mantê-lo a salvo e é assim que você agradece? Será que significa assim tão pouco o sacrifício dos seus pais, pra que você vá e se entregue a Sirius Black?! E se ele pusesse as mãos naquele mapa como fez com as senhas do Neville? Estou muito desapontada com vocês!
-Terminou? -Harry desafiou- O professor Lupin já nos disse isso tudo.
-Ótimo!
-Ótimo! -repetiu Harry enfurecido -Pode nos devolver a nossa carta, por favor? -e estendeu a mão para o papel.
Pan ignorou-o e devolveu a carta a Mione. Se havia algo que ela faria agora era vigiar Harry muito de perto.
Passaram-se alguns dias. As férias da Páscoa se aproximavam. Não havia mais nenhum rumor sobre aparições de Black, e Pan continuava vigilante e incansável. Harry e ela haviam conversado e tinham voltado a se falar. Hermione parecia cada vez mais cansada e sempre tratava Pan com muito respeito. Pan identificou aquilo como vergonha por ter deixado Harry com o Mapa do Maroto. Mione, pelo menos, tinha a cabeça no lugar.
Pan fazia a ronda noturna pelas entradas do castelo quando uma coruja, que mais parecia uma águia, veio voando em sua direção. Ela trazia uma carta. Pan abriu o envelope e leu.
"Pamela.
Tenho algo sério e urgente pra tratar exclusivamente com você.
É sobre seu pai.
Por favor, venha me ver assim que receber esta carta.
Seja cuidadosa.
Hope."
Pan estremeceu ao imaginar o que aquela coisinha pequena de cabelos espetados tinha descoberto a respeito de seu pai.
Ela sabia que Hope estava passando uns dias com os pais e viajar pela rede de Flú para chegar até a casa dos O'Brian, nos arredores de uma floresta ao Sul de Manchester.
-Hope? -Pan chamou espanando a fuligem das vestes depois de sair da lareira.
Ela surgiu no topo da escada.
-Fui buscar um livro. Você demorou. -disse simplesmente sacudindo um grosso exemplar encadernado de couro e descendo as escadas.
-Tive que avisar Dumbledore que me ausentaria e pegar algumas roupas. -elas abraçaram-se- Conte-me sobre Black.
-Eu acho que sei onde ele está.
Por experiência, Pan sabia que quando Hope abria a boca para dizer "acho", é por que ela já tinha quase certeza.
-Acho até que ele tem um cachorro.
-Como assim? -Pan sentou-se muito confusa e excitada.
-Alguns dias atrás eu e minha família estávamos pescando ao modo trouxa. Pois bem, minha cadela Titi, seguiu uma trilha estranha quando nós saímos para dar uma caminhada. Estávamos muito longe dentro da floresta e eu comecei a ouvir um barulho de água corrente, e no riacho estava um homem usando uma das vestes de Azkaban. Eu soube imediatamente que era ele. Mandei Titi de volta ao rio com o aviso de que eu teria que apartar pra Londres. Meus pais são trouxas e não entendem meu trabalho, como você sabe bem. Então eu comecei a segui-lo usando um feitiço da Desilusão. Eu o segui ate uma caverna depois que ele bebeu água e se lavou. Sinceramente, ele não me pareceu ser um cara perigoso. Estava tranquilo, como se não tivesse medo de ser descoberto. Isso é um comportamento meio estranho pra um bruxo sem varinha.
-Tem razão... -disse Pan lembrando-se do comportamento dele no dia que invadiu Hogwarts com uma faca.
-Pamela... -Hope gemeu- Será que não há uma possibilidade de que... Black seja um homem novo agora, depois que saiu de Azkaban? Ou que sua tia Pearll tenha razão e... bem, você sabe. Ele seja inocente?
Pan encarou a amiga. Hope sustentou o olhar de Pan com muita altivez.
-Por que você diz isso?
-Pan, tem muita informação sobre Black no Departamento de Mistérios e os depoimentos de todas as pessoas envolvidas estão sendo arquivados lá. Eu andei olhando muita coisa e você sabe que eu não confio no Ministério, mesmo trabalhando para ele. Black não teve julgamento, e a prisão dele foi baseada em relatos trouxas, facilmente confundíveis. E ainda tem a sua mãe, Pan, que não teve envolvimento nenhum comprovado com o Lorde das Trevas. No Departamento de Mistérios, não se sabe por que ela foi presa.
-Você acha que eles são inocentes? Mas Hope...
-Eu ainda não tenho como provar nada. Eu só acho que você deve estar preparada para lidar com seus avós quando a verdade surgir.
-Hope, isso não faz sentido nenhum!
-Faz, Pan... -e Hope insistiu, parecendo mais velha e cansada.- O fato de ele não ter machucado Harry Potter. O fato de ele não ter roubado a sua varinha quando teve oportunidade. E sinceramente, ele deve ter um motivo muito forte pra ter saído de Azkaban, porque ninguém se arrisca assim pra tentar unir-se a um chefe subjugado como Voldemort.
Sim, Hope não evitava usar o nome de Voldemort.
-Sem contar... -ela prosseguiu ajustando os óculos no rosto- que Black abandonou a família por não querer se envolver com as artes das Trevas, e por que ele voltaria atrás depois de se casar e ter uma filha com uma mulher incrível? Ele estava iniciando uma carreira promissora no Ministério! Seria um disfarce o tempo todo? Eu acho que não.
-Ele traiu os Potter, Hope! Ele era o fiel do segredo dos Potter!
-Isso é a única coisa que ainda me intriga. - confessou Hope- Mas pode ter certeza de que eu ainda vou descobrir um furo ai.
-Por que você está fazendo isso? -gemeu Pan com os olhos marejados- Parece que fica mais difícil quando eu tento encontrar uma forma de absolver minha mãe e de tentar justificar Black!
-Você me enviou a carta contando como foi quando Black invadiu o castelo essa ultima vez. Você quase me pediu para pensar no assunto por você, e é isto que eu estou fazendo. Se o Ministério fosse justo, Ninna McGonagall estaria solta e Sirius Black teria tido um julgamento...
Pan fungou esfregando os olhos.
-Hope, ele foi tão amoroso... Ele cuidou de mim enquanto podia estar fugindo ou matando o Harry... Ele não pegou minha varinha, ele não me machucou por querer...
-Pan, ele é seu pai. -Hope disse simplesmente- Ele pode até ser um ex-comensal da morte, mas isso não anula o vinculo que há entre você.
-Eu estou sendo idiota de concordar com você, mas... Eu queria muito ver esse lugar onde você acredita que ele está.
-Bom... Eu posso arrumar isso.
Parecia mentira, mas Pan e Hope estavam caminhando em direção a caverna onde Sirius Black e seu cachorro estavam escondidos. Pan sentia-se extremamente confusa no meio da floresta escura. As duas estavam sob o feitiço da Desilusão e caminhavam devagar. Hope apontou a caverna após uma hora de caminhada.
-Você vai e eu te dou cobertura. Faça de conta que está sozinha. Eu vou retirar o feitiço de você, pra que ele possa vê-la.
-Ok. -disse Pan que não estava vendo onde Hope estava.
Na caverna havia uma luz bruxuleante que parecia ser de uma fogueira pequena. Deitado estendido ao lado da fogueira estava um enorme cão preto, muito parecido com o Almofadinhas de Pan. Aquele devia ser o Almofadinhas de Black. O cão estava adormecido. Pelo chão havia várias carcaças de ratos e pequenos bichos. O cheiro não era dos melhores.
Pan ajoelhou-se ao lado do cachorro e coçou seu focinho. O cão acordou e reagiu como uma pessoa agiria, recuando até a parede da caverna, os olhos arregalados de medo, ganindo baixinho como se estivesse implorando.
-Calma amigão... -Pan chamou tentando acalmar o bicho- Onde está o seu dono? Eu prometo que não vou fazer nada de mal com ele...
O cachorro estremeceu olhando Pan nos olhos e ela sacou de cara que havia algo de muito errado com o animal.
-Venha até aqui... Vem! -ela chamou abrindo os braços e tirando um pedaço de bife de dentro do bolso das vestes.
O cão não avançou para a carne assada, o que era ainda mais estranho.
-Almofadinhas?
Agora o cachorro pareceu estar chocado e estarrecido. Mas mesmo assim, aproximou-se cauteloso e comeu o bife que Pan lhe serviu. Ele apoiou a cabeça no joelho de Pan e ficou olhando para ela com a expressão dividida, como se estivesse com medo, mas não pudesse se conter.
-Muito bem, amigão! -ela esfregou as orelhas dele carinhosamente- Onde está seu dono? Vamos lá, me leve até ele...
Mas ele não saiu correndo em direção a Sirius Black como Pan esperava que faria mas ele simplesmente deitou-se sobre as patas e ficou olhando pra Pan com nada menos que adoração nos olhos.
-Acho que eu devia trazer alguma coisa pro Sirius, não é...? -ela continuou conversando como cachorro distraidamente- Tipo, um casaco e alguma comida decente... Meu Deus, se ele for inocente mesmo eu acho que... -e engasgou com as palavras que não queria aceitar- Oh, papai... -e chorou silenciosamente, o enorme cão pressionando-se contra ela e colocando a cabeça no seu ombro, como um abraço estranhamente familiar e confortável.- Almofadinhas... diga a ele que... que eu estive aqui, sim? Avise a ele que eu posso acordar desse meu devaneio de achar que ele é inocente e mandar o Ministério aqui... Prometa-me que vai cuidar dele, querido, prometa!
O cachorro latiu baixinho e balançou a cabeça confirmando que prometia. Pan ficou de pé, tirou a capa negra de viagem e dobrou-a, deixando-a num canto e saiu.
-Hope?
-Estou aqui, Pan. -a mão invisível de Hope secou as lágrimas da amiga- Se você prefere que as coisas sejam assim, vamos embora.
Na casa de Hope, quando o dia amanhecia no horizonte verde da floresta, Pan chorava sentada nos degraus da varanda tomando um chá com wisky. Hope a segurava pelos ombros repousando a cabeça nas costas da amiga.
-Eu estava mesmo precisando de você, Hope...
-Eu imaginava que você gostaria de poder conversar. E eu estava morrendo de saudades.
-Eu também...
Elas ficaram em silêncio.
Na caverna a figura esquelética e descabelada de Sirius Black tremia, com a capa da filha nas mãos.
-Oh, Pamela... Eu devia ter confiado em você, eu devia ter lhe contado a história, filha... Eu lhe devo isso...
Ela cheirava tão bem, com aquele aroma docinho e delicado de morango... Era tão parecida com Ninna! Oh, Ninna!
Talvez ela a procurasse agora e... Seria bom demais se Pan a tirasse de Azkaban! Mas enquanto isso, ele continuaria naquela caverna, próxima das terras de Hogwarts, cuja Floresta Proibida se unia a esta. Se Pan decidisse voltar com o Ministério ele estaria ali. Algo lhe dizia que ela não faria isso, que ela acreditaria naquela estranha verdade que havia construído baseada sabe-se lá em que.
-Minha garota! -Sirius pensava orgulhoso- Essa é minha garota!
Pan voltou a Hogwarts e foi direto a Lupin contar-lhe tudo. Tremendo, o padrinho lhe passou uma xícara de chá, sua expressão era a de quem queria dizer algo, mas não tinha coragem ou palavras para formular as frases certas.
-Você esteve com o cachorro preto?
-Sim! Um cachorro incrível!
-Meu Deus do céu! -e abraçou Pan completamente mortificado- Prometa-me que nunca mais fará isso!
-Remus...?
-Pan, pelo amor de Deus, não se exponha assim... Por favor, não faça isso...
-Ok. -Pan concordou desanimada.
-Boa menina. –Remus respirou aliviado.
Dias se passaram com uma estranha rapidez e devido ao clima pacifico Pamela decidiu relaxar, apesar de ainda manter os olhos bem postos no Sr. Potter.
Notas da Autora:
Uhura: "Pan é bobinha, mas nem tanto" foi óoootemo! Ashiahsiuhaiusha Eu não tenho ideia de quando a coisa vai esquentar, mas conhecendo-me tão bem como eu me conheço, acho difícil demorar! Haha
Pearll: Sim, você pulou um capitulo, senhorita! Mas enfim, aceito um rewiew duplo u_u Seu dedo rosa é uma grande característica sua, tão grande que a pobre da Pearll se infectou (ou infectará, estou refletindo sobre). Pelo menos você está curtindo as alterações... eu mesma fico com medo de estar perdendo o toque Conto-Erótico-Infantil que havia antes, but anyway...
Fantasminhas lindos que não deixam rewiew... obrigada por ler mesmo assim. haha
