Capítulo Décimo Nono.

Pan aparatou para Hogsmeade. De longe viu Hagrid bebendo no "Três Vassouras", mas decidiu não ir falar com ele. Na certa estaria afogando a morte de Bicuço em Uísque de Fogo. Ela bem precisava de um pouco de álcool esta noite, mas relembrando a ultima experiência que lhe rendera problemas até com Abeforth, ela decidiu não se arriscar. Caminhou até os portões da Escola pensando em como diria tudo o que tinha em mente para Dumbledore, que com toda a certeza do mundo, compreenderia e acreditaria. Ele era há muito um admirador de Hope. Foi quando uma coisa lhe chamou atenção. Onde estavam os dementadores? Não havia nenhum na entrada e muito menos ao longo do perímetro.

-Ora essa! O que está havendo aqui?! -e sua mente aguçada de auror percebeu uma movimentação estranha na orla da floresta. Os instintos gritaram e ela sentiu um formigamento estranho, mas não inédito.

Num salto e em chamas Pan voou para onde estavam os dementadores, que não lhe deram a menor importância, e continuaram atacando Harry, Hermione e mais alguém, que ela não pode reconhecer. Estava em choque por sentir-se dentro da fênix, oscilando entre o pânico e o frisson, mas tentando manter-se em seu próprio consciente para fazer o que de fato precisava fazer.

Mas o frio invadiu os pulmões da moça que caiu numa profusão de penas e fogo em cima de algumas pedras na margem do lago. Seus olhos pousaram na figura esquelética e desmaiada de seu pai. O pânico foi inevitável, mas aquilo só fez com que sua determinação fenecesse mais rapidamente. Harry estava desmaiando e Hermione jazia caída a uma curta distância. Ela não podia permitir-se perder ou fraquejar. Sacando a varinha da perna Pan gritou:

-Expecto Patronum! - e um jorro de fogo projetou-se de sua varinha, formando o contorno de uma fênix débil, que logo desapareceu.

Os gritos de seus pais torturados encheram-lhe a mente e seu segundo Patrono foi tão fracassado quanto o primeiro.

-Pai...? Papai, fale comigo... Harry? Mione? -suas costelas doíam e ela sentia a perna sangrar.

Ninna gritava em sua mente, Snape beijava Rosmerta, Lupin retornava da transformação muito debilitado...

-Pai... -lágrimas de desespero brotavam em seus olhos- Harry...Expecto Patronum! Expecto Patronum! Você vai ficar bem, pai... Expec...

E na margem oposta uma luz ofuscante dominou o lugar e depois disso ela desfaleceu curvada sobre o peito magro de Sirius, sem animo, forças ou vontade.

Em seus sonhos ela ia por uma rua estreita segurando a mão de Severus. Não estava com varinha, não tinha como se defender e a sua volta as paredes pareciam emanar perigo.

-"Estou com você."- Severus dizia.-"Não se preocupe, amor..."

-"Mas, Sev... Está tão frio e escuro..."

-"Não tenha medo, eu estou aqui..." -e ela sentia os braços dele envolverem-na no escuro.

Um uivo muito alto fez com que ele a pressionasse contra a parede tomando sua frente.

-"Sev!"

-"Psiu... Vai ficar tudo bem..."-ele tentava tranquiliza-la.

E repentinamente a rua escura se enchia por uma luz prateada e um enorme cervo irrompia galopando em sua direção. Um grito de dor horrível encheu o ar e Severus de repente não estava mais ali.

-"Sev!"

Mas era inútil gritar. Ele havia sumido. Em seu lugar Sirius Black agora protegia a filha, ladeado pelo cervo prateado, e em sua direção vinha um lobisomem enlouquecido. Pan pulou reconhecendo Lupin.

-"Sou eu, Remus, por favor se acalme..."

-"Remie, por favor, somos nós..." -Black argumentava.

A sombra de uma leve compreensão passou pelos olhos amarelos do lobisomem e Pan sorriu. Lupin estava ficando quase imóvel, mas quando Sirius deu um passo à frente ele atacou com as enormes garras. Pan acordou gritando. Estava na escura ala hospitalar e Hermione e Harry pareciam estar bem, mas estavam agitados e falavam muito enraivados com Severus e Fudge.

-Acalme-se! -Severus disse segurando Pan e forçando-a a se deitar- Fique calma...

-Onde está? Onde está? -ela repetia cada vez mais urgente- Onde está?!

-Pan, nós o prendemos. Está tudo bem agora...

-Sev, cale-se! -ela disse pondo-se de pé cambaleando- Onde está Dumbledore?

-Pan, querida, deite-se... -dizia Madame Pomfrey entregando um pedaço de chocolate a ela.

Pan jogou o chocolate no chão e tateou em busca da varinha. Estava nervosa, furiosa, com medo.

-Contenha essa moça! -berrou Fudge segurando-a pelo braço quando Pan correu em direção a porta.

Num movimento rápido ela enfiou a varinha na bochecha de Fudge e sibilou com ar perigoso:

-Solte meu braço.

-Pan, querida... -Snape a pegou pelos ombros tirando a varinha de sua mão- Venha, sente-se aqui...

-Pan, Sirius é inocente! -Hermione esganiçou-se- Por favor, acredite em nós!

-Isso mesmo, não permita! -Harry pediu aproximando-se- Eles vão dar o beijo a qualquer momento!

-Sev... -ela pediu apoio em meio à dor e desespero

-Eles foram confundidos...

-Por favor, saiam daqui... -Madame Pomfrey pediu- Eles estão muito fracos...

A porta se abriu e Dumbledore entrou. Pan gemeu em alivio. Ele acreditaria nela, confiaria nela e teria uma solução em segundos.

-Dumbie!

-Prof. Dumbledore, Sirius Black...

-Pelo amor de Deus! -exclamou Madame Pomfrey histérica- Diretor, isso é ou não é uma ala hospitalar? Eu devo insistir...

-Me desculpe Papoula, mas eu preciso dar uma palavrinha com o Sr. Potter, a Srta. Granger e Pan. -disse Dumbledore calmamente- Acabei de falar com o Sr. Black...

-Suponho que ele tenha lhe narrado o mesmo conto de fadas que colocou na cabeça de Potter e Granger!- disse Severo raivoso - A história de Petter Pettigrew ter sobrevivido como um rato...

-Essa de fato é a história de Black. -confirmou Dumbledore examinando Severo e olhando de soslaio para Pan, dando-lhe uma leve piscada.

-E meu testemunho não vale nada?! Eu não vi Pettigrew na Casa dos Gritos...

-O Senhor foi nocauteado antes, Professor...- Hermione esganiçou-se nervosa

-Srta. Granger, CALE A BOCA!

-Severus! -Pan rugiu- Não grite com Hermione!

-Ora, Snape!- disse Fudge espantado- A mocinha está perturbada, devemos lhe dar o devido desconto...

-Eu preciso falar com Harry, Hermione e Pan a sós. -disse Dumbledore bruscamente- Papoula, Cornélius e Severus... Por favor, nos deixem.

-Diretor! -Madame Pomfrey ia começar a falar de novo, mas Dumbledore a silenciou com um gesto.

-Não pode esperar. -ele informou- Por favor, vão.

Fudge e Pomfrey saíram. Snape, no entanto, não se moveu.

-O Sr. certamente não acreditou em uma palavra do que Black disse.

-Eu preciso conversar com Harry, Hermione e Pan a sós. - repetiu Dumbledore.

Snape deu um passo à frente olhando Pan dentro dos olhos.

-Vocês certamente não se esqueceram de que Black demonstrou ser capaz de matar com dezesseis anos, esqueceram? -perguntou olhando de Dumbledore para Pan- Esqueceram que no passado ele tentou me matar?

-Minha memória continua boa como sempre, Severo.

-A minha também, Sev. -Pan sussurrou e lhe lançou um sorriso tranquilizador.

Depois de varrer as expressões de Pan por um segundo ele saiu. Harry e Hermione desataram a falar ao mesmo tempo, e Pan não estava compreendendo nada, mas sabia da história de um rato, e aquilo era uma boa teoria para a forma como Pettigrew havia sumido no dia das mortes. Lupin transformado, Snape nocauteado, nada disso importava.

-Dumbie, onde ele está? Eu vou tirá-lo daqui...

-Pan... -sussurrou Harry desconfiado- Ele é inocente...

-Eu sei.

-Você não entende... -Hermione dizia- Estamos falando sério...

-Não há o que ser feito. -Dumbledore disse- Sirius não agiu como um homem inocente invadindo o castelo com uma faca, atacando a mulher gorda...

-Dumbie, me diga onde ele está... Eu tiro ele daqui...

-Pamela, não. Você vai fazer o que depois? Isso vai lhe render uma passagem só de ida pra Azkaban...

-Se eles me pegarem. -ela disse com veemência.

-Vai fugir pra sempre? E sua avó? E nós? -ele apontou Harry, Mione e ele. -Severus?

Pan estremeceu ao ouvir a menção a Severus. O rosto de Harry contorceu-se numa careta. Hermione fez cara de "eu já sabia".

-Professor, o senhor acredita verdadeiramente em nós? -Harry perguntou ainda olhando Pan desconfiado.

-Acredito.

-Ajude-nos...

-Eu não tenho o poder de passar pelo Ministro da Magia, Harry. O que nós precisamos... -Dumbledore disse lentamente-...é de mais tempo.- e seus olhos fitaram Hermione.

-Mas... -ela balbuciou- Ah!

-Agora prestem atenção. -continuou o professor falando muito baixo e muito claramente- Sirius Black está preso na sala do Prof. Flitwick no sétimo andar. A décima terceira janela a contar da direita da Torre Oeste. Pan conhece bem a localização. Se tudo der certo mais de uma vida inocente pode ser salva hoje. Mas lembrem-se os três: Vocês não podem ser vistos. Vocês-não-podem-ser-vistos. Conhece as regras, Srta. Granger. Pan, faça o possível pra ficar.

Ela entendeu. Aquilo queria dizer: Suba na torre e espere. Se Harry e Hermione falharem no que quer que seja a missão deles, fuja com Sirius. Harry não estava entendendo nada, mas Pan se ergueu mastigando um pedaço de chocolate e segurou a mão de Dumbledore.

-Cuidado. -ele sibilou preocupado olhando-a nos olhos- Você acredita, não é mesmo? Você não vai matá-lo...

-Eu soube a verdade de outro jeito. -ela disse para Harry, Mione e Dumbledore- Hope.

-Ah...- Dumbledore sorriu levemente- Fantástica!

-Dumbie... Se eu não ficar... Cuide da vovó.

-Cuidarei. Como sempre fiz. E não se preocupe, Minerva vai compreender sua decisão. - ele afagou Pan por um segundo e sorriu.- Eu a amo tanto, Pan. Eu tenho tanto orgulho de quem você é.

-Eu sou quem sou porque você me fez assim. Eu devo tudo a você e eu também te amo muito, meu avô.

Dumbledore pareceu relutante por um segundo. Segurou o rosto dela com a sobrancelha franzida, observando suas feições.

-Vou trancá-los. -disse encarando Hermione, como se despertasse de um transe- São cinco para meia noite.- disse consultando um relógio- Três voltas devem bastar pra você e Harry. Pan, apenas uma. -e ele lhe entregou uma corrente fina de ouro que tirou de dentro de um saquinho preso ao cinto. –Cuidem-se.

E saiu.

-Alguém pode me explicar o que está acontecendo?

-Ele quer que a gente volte no tempo. Quer que a gente mude alguma coisa.

-Hermione, explique pro Harry depois. Não há tempo a perder.- Pan colocou o vira-tempo que Dumbledore lhe dera e tentou passá-lo pelo pescoço de Mione e Harry.

-Não, Pan. Eu tenho o meu. -Mione disse tirando uma minúscula ampulheta de dentro das vestes. -Pode ir.

Pan olhou espantada para Mione. Harry não entendia nada de nada.

-Vá, Pan!

-Meninos... cuidado. -ela disse ajustando os controles do vira-tempo de Dumbledore- Harry... por favor, fique bem. Mione...faça o possível.

E girando o vira-tempo uma vez sentiu os pés desprenderem-se do chão e as coisas a sua volta mudarem rapidamente. Eram por volta de 10:45h da noite e ela imaginava que Black só iria para a Torre por volta das 11:15h. Neste momento eles deviam estar sendo atacados pelos dementadores. Harry e Hermione já deviam estar com quase tudo pronto.

-Tenho meia hora. -ela sibilou correndo a sua torre de onde podia ver a sala de Flitwick.

Lá despejou roupas e ouro numa sacola de couro transfigurada para parecer uma bolsa de moedas. Chamou um elfo e pediu comida que seria suficiente pra três ou quatro Pans. Pegou um casaco que deixaria com Sirius no caso de ele ter que ir sozinho e remexeu a procura de sua antiga varinha de Sangue de fênix e carvalho que havia sido trocada pela Lei dos aurores nº 1342, que dizia que Aurores só usariam varinhas especiais e novas. Colocou as coisas pra Sirius, bem como a comida, numa outra sacola separada. Apagou as luzes e olhou em volta vendo se esquecera algo.

Abriu a janela e ficou ajoelhada no parapeito com as duas sacolas presas no cinto. De onde estava, ela pode ver Severus conjurando as macas e colocando Mione, Harry e Sirius nelas. Com certo esforço ele ergueu Pan nos braços e começou a andar para o castelo. Ela viu que McNair assumiu as macas na entrada do pátio e Severo demorou-se um pouco mais. Ele parecia preocupado. Abaixou-se no meio do pátio e acomodou-a melhor nos braços. Uma de suas mãos acariciou o rosto pálido e inexpressivo da moça.

-Oh, Sev... -ela sibilou tentando não pensar em deixá-lo caso tivesse que partir com o pai.- Eu amo você...

E no pátio ele curvou-se sobre ela e a beijou. Pan derramou algumas lágrimas e ficou em silêncio esperando. Pensou em poder abraçá-lo e despedir-se, mas aquilo era impossível. Após uns dez minutos, algumas luzes surgiram na Sala de Flitwick e Pan preparou-se psicologicamente pra agir. Pra onde levaria o pai? Certamente poderia contar com Hope.

Ela transformou-se, agora confiante de poder fazer isso, e pairou acima da Torre, voando em círculos pequenos. Ouvia a voz de Sirius contando a mesma história que contou para os garotos. Dumbledore dizia que não havia o que ser feito.

-Mas Pan, Dumbledore! -a voz rouca do homem dizia- Ela sabe que eu sou inocente, ela esteve comigo...

-Pan está desmaiada na Ala Hospitalar, assim como Harry e Hermione.

-Mas ela sabe...

-Sirius, eu lamento. -e Pan ouviu a porta se fechar.

Ela voou até a janela e observou o homem por um instante. Ele olhava para a porta incrédulo. Ela voltou a forma humana com uma pequena bola de Fogo, segurando-se nas grades da janela e sacou a varinha. Ele a olhou assustado, mas relaxou quando ela sorriu.

-Você pensou que eu ia te deixar virar um pedaço de trapo podre, papai?

-Merlin...

-Alohomora! -a janela se abriu e Pan entrou com um pequeno salto no ar.

Sirius ficou de pé e olhou a filha por um longo momento. Ela fez o mesmo com ele.

-Você é a coisa mais linda que eu já vi. -ele disse com um sorriso.

-Oh... –Pan não sabia o que dizer, mas seu peito estava apertado e seus sentimentos não faziam sentido.

Os dois uniram-se num abraço apertado e emocionado. Não falaram nem se mexeram por uns cinco minutos.

-Eu vi a mamãe... -Pan disse entre soluços.

-Viu? -Sirius perguntou interessado limpando as lágrimas da filha com as mãos.

-Ela está mal... -Pan gemeu- Ficava falando sobre uma música... Pedia-me uma música... Ela não podia me reconhecer, mas falava de mim...

-Eu vi a Ninna quando fugi. -ele disse- Ela não estava lúcida e falava em você como se você estivesse ali. Ela não me reconheceu como Almofadinhas.

-Eu vou tirá-la de lá. -Pan disse num tom de promessa- Eu vou cuidar dela, essa é minha prioridade.

Sirius sorriu emocionado segurando Pan pelo rosto

-Pamela, minha filha, eu estou orgulhoso de você... Muito orgulhoso...

-Você era inocente esse tempo inteiro... -ela chorou- E esteve lá... Oh, Deus, se eu soubesse... Tão horrível...

-Eu sei que você teria tirado a gente de lá. -ele garantiu- Filha, não pense mais nisso. Eu mesmo não penso nisso, eu estou tentando esquecer, mas Ninna... Ela precisa de nós.

-Eu sei...

Eles olharam-se em silêncio por um minuto.

-Você se parece com ela. -ele disse- Você tem o nariz dela e o formato do rosto. Mas o seu queixo é parecido com o meu! -ele disse orgulhoso- E suas mãos. Meu Deus do Céu como eu quis poder abraçar você!

-Então abrace...

Depois de mais um abraço, Pan tirou a sacola transfigurada que seria de Sirius.

-Veja... -disse ela sentando-se e abrindo o pequeno saquinho- Aqui tem uma varinha, um moletom que deve ficar bom em você. Tem um casaco pro frio e esses pacotes de comida. Tem um travesseiro também. -ela sorriu- Tentei colocar as coisas úteis que consegui reunir em meia hora. Pena e tinta... Um pouco de ouro, que vai ser inútil, mas nunca se sabe... Cerveja amanteigada! -ela levantou três garrafinhas que haviam no fundo do saquinho e sorriu.

-Muito obrigado, querida...

-Por favor, me escreva sempre, me deixe sua localização... Crie um código, alguma coisa...

-Eu juro que eu não vou sumir... Mas você não vai ficar comigo?

-Não, se tudo der certo. Se o Harry conseguir fazer o que quer que ele tenha que fazer você vai fugir sozinho, mas caso algo dê errado, eu vou fugir com você.

-Mas ai você... -ele pensou por um segundo- Não, isso vai atrapalhar sua vida...

-Não pense nisso. Seremos só nós dois até eu conseguir buscar a mamãe.

-Pan, eu não quero te transformar numa fugitiva, isso não está certo!

Neste momento Pan viu um movimento no céu e sorriu feliz.

-Lá vem eles!

Harry e Hermione voavam montados em Bicuço. Pararam diante da torre. Pan abriu a janela e pendurou o saquinho no pescoço de Sirius.

-Tome cuidado, pai...

-Eu te amo. -ele a abraçou forte- Cada dia... cada noite, você me manteve são! Nos veremos em breve, não é?

-Sim, agora vá...

-Faça uma reverencia a ele, Sirius. -Harry disse afobado indicando Bicuço.

Sirius Black curvou-se para o Hipogrifo, que voava subindo e descendo parado no mesmo lugar , mas mesmo assim abaixou a cabeça numa clara retribuição. Pan transformou-se e pegou Hermione pelos ombros, tirando-a das costas do animal, para que Sirius pudesse montar. Acomodados, eles voaram para o pátio.

-Você tem que ir, Sirius. Eles vão chegar à Sala de Flitwick a qualquer momento e vão descobrir que você fugiu...

Bicuço pateava o chão inquieto.

-O que aconteceu? E o outro garoto? Pan, você acabou não me dizendo nada... -perguntava Sirius. Pan piou baixinho pondo Hermione no chão

-Ele vai ficar bom, está desacordado... Depressa, vai... -dizia Harry nervoso.

Mas Sirius não se moveu. Olhava de Harry pra Hermione e de Hermione pra Fênix que sobrevoava o pátio inquieta.

-Como é que eu vou poder agradecer...?

-VAI! -disseram Harry e Mione. Pan piou agressivamente.

Black fez Bicuço virar para céu aberto.

-Nós nos veremos de novo em breve. Você é bem filho do seu pai, Harry.

Pan observou o pai se afastar montado no Hipogrifo até uma nuvem encobri-los. Eles ouviram uma badalada e Pan se deu conta de que já era meia noite, Dumbledore devia estar trancando a porta.

Numa investida certeira, pegou Harry e Hermione com as garras e voou numa velocidade irresponsável pelos corredores. Depositou os dois no chão na hora que Dumbledore saia da Ala Hospitalar e voltou a ser humana, na habitual profusão de chamas. Dumbledore já estava com a varinha sobre a maçaneta da porta quando eles chegaram.

-Vejo que tudo deu certo... -ele respirou aliviado ao ver Pan ali.

-Sim, Sirius já foi montado em Bicuço. -Harry ofegou.

-Muito bem, acho que... -ele apurou os ouvidos pra ouvir dentro da enfermaria- Acho que vocês já foram.

E abriu a porta para eles entrarem. Harry e Hermione entraram primeiro. Pan ainda olhou Dumbledore por um segundo. Ele piscou do seu jeito habitual e sibilou.

-Está tudo bem agora?

-Sim.

Ela entrou e ele trancou a porta. Os três voltaram as suas camas e no instante seguinte Madame Pomfrey saiu de sua salinha reservada.

-Foi o diretor que eu ouvi saindo?

-Sim. -Pan respondeu mordendo um pedaço de chocolate.

-Já posso cuidar dos meus pacientes?

Ela fez cada um comer quase uma barra inteira de chocolate. De repente eles puderam ouvir o ronco de fúria que ecoava no andar de cima. As vozes vinham se avolumando.

-O que foi isso? -a enfermeira tinha os olhos na porta- Eles vão acordar todo mundo!

Pan olhou de soslaio para Harry e Hermione, que tentavam ouvir o que as vozes diziam.

-Ele deve ter desaparatado, Severus! Devíamos ter deixado alguém na sala vigiando. Quando isto vazar...

-ELE NÃO DESAPARATOU! -vociferou Severo agora muito perto- NÃO SE PODE APARATAR NEM DESAPARATAR DENTRO DESTE CASTELO! ISSO-TEM-DEDO-DO-POTTER!

-Severo, seja razoável, Harry está trancado...

E com um estrondo a posta se abriu. Fudge, Snape e Dumbledore entraram na enfermaria. Somente o diretor parecia calmo. Na verdade, Pan podia reconhecer que aquela era a cara de Dumbledore divertindo-se.

-DESEMBUCHE, POTTER! -berrou Snape ignorando a mão estendida de Pan- O QUE FOI QUE VOCÊ FEZ?!

-Sev, controle-se! -Pan exclamou fingindo estar chocada.

-Olhe aqui, Snape, seja razoável. -disse Fudge- A porta esteve trancada, como acabamos de constatar.

-ELES AJUDRAM BLACK A ESCAPAR, EU SEI!

-Como assim, você está dizendo que uma Auror do Ministério da Magia está envolvida na nova fuga de Black?-Fudge arregalou os olhos.

-NUNCA FOI ÉTICO DEIXAR PAMELA EM HOGWARTS PARA CUIDAR DE BLACK! ELE É O PAI DELA!

-Pan está aqui por que eu pedi. -Dumbledore interveio- E você sabe disso. Você conhece os motivos tão bem, ou melhor, do que eu! Isso não tem nada a ver com o Ministério.

-COMO VOCÊ SE DEIXOU ENGANAR, PAN?!

-Acalme-se, homem! -ordenou Fudge- Você está dizendo disparates!

-O SENHOR NÃO CONHECE POTTER, MINISTRO! -berrou Snape em falsete- EU SEI QUE FORAM ELES!

-Sev, cale-se... -Pan sibilou morrendo de vontade de rir, no entanto se controlando- Ninguém aqui fez nada...

Ela ficou de pé e foi até ele.

-Acalme-se...

-MAS, PAMELA...

-Chega, Severo... -disse Dumbledore em voz baixa- Pense no que está dizendo. A Enfermaria esteve trancada desde que eu sai, dez minutos atrás. Madame Pomfrey, esses garotos saíram da cama?

-Claro que não. Eu os teria ouvido!

-Ai está, Sev? Satisfeito? -Pan disse fingindo estar chateada.

-Pois é. A não ser que você esteja sugerindo que Harry, Hermione e Pan possam estar em dois lugares ao mesmo tempo, receio que não haja mais motivos para continuar a perturbá-los.

Snape sustentou o olhar de Dumbledore e depois o de Pan, que estava parada a seu lado. Podia-se ver em sua expressão que ele não conseguia conter a raiva, mas não achava nada que pudesse respaldá-lo em suas acusações.

-Severus... Vamos, eu vou preparar um chá calmante pra você.

-Eu não quero chá nenhum!

E saiu.

Notas da autora:

Daniela Snape: Continuando...

Uhura: Agora o circo começou a pegar fogo! Vamos ver se tudo sai como o planejado!

Pearll: Meniiiiina, não faça isso, q vc me maaata de vergonha! A fic original é feia demais, me dá vergonha de existir! Hahaha E sim, eu acredito em você, Six é inocente, muito inocente, um anjo de inocência! Six 3

Então galera animada, moçada bonita... quem leu a versão original (medaaaa) sabe que esse capítulo não tem nada de novo, só foi betado e tals... mas ai eu prometo coisas novas no capitulo que vem! Muuuuuito obrigada por ler, vocês fazem meus dias mais felizes (: