Os dias pareceram voar depois daquela apresentação que concedeu a vitória à banda. Estamos em dezembro, natal quase se aproximando...
Céus, quando foi que esse mês chegou assim tão depressa?
Enquanto afinava as cordas da guitarra, dei um longo trago no cigarro, soltando a fumaça com um suspiro pesado.
Essa época era sempre deprimente por dois motivos:
Primeiro, por ser natal e ter essa baboseira toda de reunir família;
Segundo, porém, não menos entediante, era fazer aniversário justamente na véspera.
Cara, se tem uma coisa mais chata do que a família Uchiha reunida em peso para trocar sorrisos falsos, sentimentos inexistentes e essas coisas entediantes de época natalina, era essas mesmas pessoas vindo me parabenizar.
Infelizmente, não havia como correr disso, afinal, tanto Tajima quanto Izuna insistem em comemorar, e, para piorar as coisas, chamam a parentada da qual mal tenho contato. E que ficam perguntando sempre as mesmas coisas banais, como, por exemplo, quando vou deixar de lado isso de seguir carreira de músico e me tornar um homem responsável, assumindo os negócios da família. Essa, sem dúvidas, é a pior parte.
E a vontade de mandar um grande "foda-se" para todos aumenta a cada ano que se passa. Só não fiz isso – ao menos diretamente –, porque Tajima insiste que devemos manter relações com a família, e por ele acabar bancando o que costumam chamar de "hobbie". Nesse caso, Izuna sempre foi um pouco mais tranquilo, ainda mais por ser o mais novo e a responsabilidade não recair tanto pra cima dele. Afinal, como irmão mais velho, eu deveria ser o "exemplo" para ele.
Neste final de tarde, aproveitei um pouco a folga para tentar alguns arranjos novos para a nossa single music de estreia, que estava marcada para estrear ainda para o final desse ano. Por isso os dias passaram voando, já que estávamos numa correria quanto a todo o processo burocrático de contratos e afins. Ao menos, Hashi estava nos ajudando bastante com essa parte, mesmo estando atolado de trabalho na empresa dele.
Falando nele, faz quase três meses que estamos juntos. Apesar de toda essa loucura com papéis e ainda por cima compor uma música que "estoure" nas paradas, a gente se via em pequenos intervalos. O grande diferencial é que Hashi tem sido muito compreensivo com tudo, tem apoiado e, ainda por cima, ajudado no que podia. Muito diferente do meu relacionamento anterior.
Aliás, outro motivo para detestar essas reuniões era ter que ver o ex todas as vezes.
O impressionante de tudo isso era o fato de Obito ainda tentar reatar nosso "namoro" de alguma forma. Simplesmente não consigo entender como ele ainda consegue pensar nessa possibilidade, e, pior ainda, pensar que eu sou uma espécie de "propriedade" dele.
Esse fora um dos motivos de ter terminado nossa relação. Obito sempre fora extremamente ciumento, arrumava confusão com quem se aproximava muito de mim, inclusive, certa vez, ele quis encrencar com o Hashi, por estarmos muito próximos. Sinceramente, não sei onde que eu estava com a cabeça quando aceitei ficar com ele. Provavelmente as bebidas e algumas drogas que consumimos naquela festa na casa dele. Estava muito louco naquele dia, tanto que mal lembro em como fomos parar no quarto dele, aliás, em como conseguimos transar depois daquilo tudo. Desde então, assumimos uma espécie de relação onde ficávamos, porém, sem aquele compromisso de namoro formalizado, apesar de Obito sempre achar que éramos oficialmente namorados, já que fazíamos coisas de casal em quase todos nossos encontros.
Ficamos assim por um alguns meses, acho que sete ou oito, algo do tipo, até não suportar mais aquele cara me sufocando com seu amor e ciúme insano. Sim, chegou a um ponto que não dava mais para continuar, havia se tornado insuportável, principalmente depois da noite em que ele me dopou para que eu não saísse com a banda. Ele alegava que eu valorizava mais isso do que os sentimentos dele – o que, de fato, era verdade –, mas, a implicância maior era com o Tobirama. Não sei de onde ele tirou a ideia louca que eu estava saindo com ninguém menos do que o namorado do meu irmão caçula. Definitivamente doentio. Depois que conheci o Hashi, as coisas pioraram, porque, além de me ligar todos os dias, fazia ameaças absurdas, entre elas, ir à empresa Senju fazer um escândalo.
Tudo isso já havia ultrapassado todos os limites, então, decidi dar um ponto final naquela loucura toda. Não foi nem um pouco fácil o fazer cair na real e me deixar em paz. Não que ele tenha aceitado, afinal, sempre tem aquelas recaídas, as quais ele liga no meio da noite para me atormentar, contudo, isso foi diminuindo à medida que meu tempo foi ficando escasso graças às várias apresentações que estávamos fazendo nos fins de semana. Apesar de ele vez ou outra aparecer, nunca dava tempo de atendê-lo no fim das contas. E, nessa correria, passaram-se quase cinco anos desde que terminamos.
Mas, por Obito ser um primo muito próximo da minha família, ele sempre comparecia à essas confraternizações, com o mesmo intuito: tentar me convencer a ficar com ele novamente.
A questão é que esse ano as coisas mudaram, e muito. Agora, estou com o Hashi e não queria passar essa data longe dele, como tem sido durante todos esses anos desde que nos conhecemos. Izuna já estava habituado a ficar longe do Tobirama, afinal, a família Senju sempre se reunia também nessa data, apesar de o Butsuma não estar mais entre eles. A tradição ainda continuava viva. Para eles, era uma forma de avivar as boas recordações enquanto o pai ainda era vivo. E não discordo disso, porque, de certo modo, isso lembra muito o que Izuna e eu vivenciamos quando perdemos nossa mãe. Mesmo Tajima não sendo o pai mais carinhoso e atencioso do mundo, ainda assim, mantínhamos uma relação familiar regular.
Com uma última tragada no cigarro, apaguei a bituca no cinzeiro na mesinha ao lado. O sol já estava se pondo, e aquela visão era realmente deslumbrante. Comecei a dedilhar algumas notas na guitarra, quando, de repente, o celular vibrou no bolso da calça. Peguei o aparelho, deslizando o dedo na tela, destravando-a.
Mensagem do Hashi no whatsapp. Ele sempre enviava mensagens quando estava saindo da empresa. Isso acabou virando meio que um ritual para nós dois, para sempre mantermos contato um com o outro. Assim que abri o aplicativo, foi que me dei conta que havia esquecido algo muito importante: Ele estava vindo me buscar, como combinamos ontem por mensagem.
"Estou indo aí, não vou demorar. Beijos.".
Num pulo, levantei depressa da cadeira, saindo da varanda, passando quase correndo por Izuna, que estava na sala jogando Final Fantasy XV no Playstation.
- Onde você tá indo assim com essa pressa toda, Mada? – Perguntou ao pausar o jogo para me encarar.
- Esqueci que tenho um encontro com o Hashi hoje. Só me dei conta quando ele enviou uma mensagem dizendo que já está vindo pra cá.
Izuna deu uma risada, quase caindo no tapete.
- Isso, continue me zoando. – Cruzei os braços e ele só faltou rolar no chão de tanto rir.
- Mada, você não muda mesmo, sempre distraído. Nisso eu tenho de concordar com o Tobirama, você e o Hashirama formam um par perfeito de avoados. – Riu mais alto do próprio comentário e não pude deixar de rir também, afinal, se tratando de distraídos, realmente éramos mestres nisso. Apesar de o Hashi ser infinitamente mais lesado.
- Até parece. Hashi é um completo idiota, não tem como competir com ele em questão de leseira.
- Ah, nem vem, você também não é lá um grande exemplo de pessoa focada. Deve ser por isso que vocês se encaixam perfeitamente. – Izuna analisou e, neste instante, percebi o sentido na afirmação dele.
- Como se você e o Tobirama fosse o casal mais normal de mundo. – Retruquei num tom zombeteiro e ele deu start, voltando a jogar.
- Anda logo ou Hashirama vai acabar tendo que esperar a dondoca se arrumar. – Disse, e eu nem pude rebater, pois estava mesmo atrasado.
Corri para o quarto, retirando as roupas de forma bem desajeitada, deixando-as pelo caminho, entrando no banheiro. Liguei o chuveiro, a água morna começou a escorrer pelo corpo e senti os músculos relaxarem. Precisava lavar os cabelos também. Apesar da rebeldia toda, não era trabalhoso cuidar. E Hashi sempre dizia que achava meu cabelo lindo. Ainda que eu não discorde, aquele cabelo de índio dele era ótimo e deveria ser muito mais prático do que o meu no quesito pentear e arrumar. Era também bem macio, gostoso de segurar, puxar. Ainda mais quando ele geme deliciosamente quando agarro os da nuca com força. A pele dele também tem um cheiro bom. Aos poucos, as lembranças de nossa primeira noite veio à mente. O modo como ele me tocava, beijava, envolvia, consumia...
Não entendo até hoje como demoramos tanto tempo para ficarmos juntos. Mesmo o tempo escasso sendo um fator muito presente, continuamos da mesma forma que antes, a diferença é que agora aproveitamos até mesmo as menores oportunidades para estarmos um com o outro. Talvez, a péssima experiência com o Obito havia me deixado muito cético nessa questão de relacionamento. E com Hashi tudo se tornou diferente, e, toda aquela insegurança se dissipou como uma mera sombra do passado.
Até mesmo o sexo havia se tornado prazeroso de uma maneira que nunca senti antes. Não precisava mais estar sob efeito de álcool ou drogas para me sentir "confortável". Bastava apenas um olhar, um toque, um sorriso, um beijo, uma carícia, para que meu corpo automaticamente reagisse, meus sentidos serem tomados pelo desejo de estar com ele, de senti-lo me amando de todas as maneiras possíveis. Um sentimento que, até então, parecia surreal demais para mim. Algo que nunca havia imaginado que pudesse sentir. Apenas a expectativa de vê-lo fazia meu corpo entrar em estado de alerta, os batimentos acelerarem. Como se fosse nosso primeiro encontro, a primeira noite. E eu não queria que esse sentimento acabasse nunca.
Estava acabando de enxaguar os cabelos, quando ouvi o som da campainha tocando. Com certeza era o Hashi. Me apressei em terminar o banho, enrolar a toalha nos cabelos e outra na cintura. Não daria tempo para secar, então, sairia com o cabelo molhado mesmo. Não importa, secaria rápido de qualquer forma. Apenas me preocupei em vestir algo depressa. Peguei as primeiras peças que encontrei no guarda-roupa, vestindo-as apressadamente. Corri para o banheiro, tirando a toalha do cabelo e jogando-a de qualquer jeito em cima da pia, revelando o cabelo que estava uma bagunça louca de fios arrepiados e embaraçados. Suspirei, soltando o ar devagar. Aquilo daria um trabalhão para desembaraçar.
- Caralho, mas que merda.
Praguejando, peguei o pente e desatei a tentar ao menos deixar o aspecto um pouco mais arrumado, pois não daria tempo de pentear tudo. E, nesse momento, invejei com todas as forças os cabelos do Hashi. Aposto que aquele puto nem precisava pentear o cabelo malditamente liso.
De um modo bem desajeitado, consegui deixar o cabelo mais ou menos arrumado, e, com uma última olhada para o espelho, percebi que precisava escovar os dentes porque havia fumado. Mais um detalhe chato sobre isso. Izuna importunava direto sobre esse hábito, talvez, agora seja um bom momento para ouvir seu conselho e largar o vício, só não sei se conseguiria fazer isso de imediato. Assim que terminei de enxaguar a boca, peguei o desodorante, borrifando-o nas axilas. Depois disso, vesti a camisa, calcei um tênis qualquer. Coloquei as chaves e carteira no bolso da calça e sai do quarto.
Passando o pequeno corredor, pude ouvir os risos de Hashirama, Izuna e... Tobirama?
O que Tobirama estava fazendo aqui?
Constatei assim que o vi assentado ao lado de Izuna, enquanto Hashirama estava sentado no outro sofá.
Assim que perceberam minha presença, pararam de rir imediatamente.
- Ah, olá, Mada. – Hashi se levantou, veio em minha direção, e, parando a minha frente, me deu um selinho discreto na boca. – Como você está? – Sorriu largo, pegando uma mecha do meu cabelo, levando-a ao nariz, aspirando o cheiro. –Nossa, seu cabelo tá muito cheiroso.
- Obrigado, agora, pare com isso. Tá parecendo um idiota. – disse num tom baixo ao ver que Izuna e Tobirama assistiam aquela cena toda, se segurando para não rirem.
- Você é muito mal, Mada. Só quis te elogiar, poxa. – Resmungou, fazendo um bico adorável.
Ah, Hashi, não sabe a vontade que tenho de te agarrar aqui mesmo, mas, não podemos fazer isso na frente dos nossos irmãos.
- Ei, Tobirama, não sabia que você viria. – desviei a atenção para o namorado de Izuna, que sorriu quase tão largo quanto seu irmão.
- Izuna não avisou? Já que vocês vão sair, ele me pediu para fazer companhia. – deu uma piscadela nem um pouco maliciosa, e Izuna deu-lhe um beliscão no braço.
- Acabei esquecendo de avisar. Foi mal, Mada. – Izuna sorriu, coçando a nuca – Mas, não é como se o Tobi fosse algum estranho. Agora, vão e se divirtam.
- Pode deixar que irei cuidar bem do Izu. – Tobirama trocou aquele olhar sugestivo, de que obviamente transariam a noite inteira e, com isso, não precisaríamos retornar para atrapalhar os pombinhos.
Hashi gargalhou, ao entender o que Tobirama quis dizer com "cuidar do Izu", pegou minha mão, me arrastando para a porta de entrada.
- Vamos indo então. – Disse, acenando para os dois que ficaram na sala, e eu só tive tempo de lançar um olhar fulminante para Tobirama.
Mesmo ciente do que eles iriam aprontar em minha ausência, ainda assim, não consigo imaginar meu irmãozinho fazendo esse tipo de coisa. Parece besteira de minha parte, porém, meu instinto protetor de irmão mais velho sempre falou mais alto.
Assim que fechei a porta do apartamento, Hashi enlaçou minha cintura, me prendendo contra a porta, atacando minha boca com uma intensidade que parecia que fazia anos que não nos beijávamos. Surpreso com o ataque repentino, envolvi seus ombros em um abraço, tentando acompanhar o ritmo voraz – e um pouco desajeitado – que ele ditava. Mordeu e sugou meu lábio inferior, finalizando o beijo com um selinho estalado. Com o olhar firmado em meu rosto, sorriu singelo, fazendo uma carícia leve em minha nuca.
- Senti tanto sua falta, Mada. – sussurrou, a voz um pouco rouca – Tanta que seria capaz de arrancar suas roupas e te possuir aqui mesmo.
Agora seu olhar transbordava desejo, suas palavras vibraram em minha mente, fazendo meu corpo estremecer e um arrepio eriçar meus pelos. Senti o rosto esquentar, e, certamente deveria estar corando nesse instante, contudo, meu corpo apenas queria corresponder aos estímulos dele. Minha vontade de tê-lo não deveria ser muito diferente da dele. Talvez, até com a mesma intensidade. Não sei. Só sei que se ele continuasse me beijando daquela forma, certamente isso que ele disse se concretizaria.
Tentando colocar meus pensamentos em ordem, enquanto ele me provocava com aquele sorriso encantador, usei os resquícios de sanidade que alertavam para sairmos logo dali antes que cometêssemos qualquer ato imprudente, então, o empurrei, desafazendo o abraço. Ainda com a respiração um pouco irregular, consegui reunir forças para chama-lo à realidade.
- Hashi, aqui não. Se vamos fazer, melhor irmos para um lugar mais apropriado, não acha? – sugeri, já apertando o botão do elevador. Ele apenas assentiu, o rosto iluminado de expectativa, como uma criança que acabou de ganhar um presente. Essas reações dele me excitavam tanto que ele não tinha noção da força descomunal que eu precisava fazer para não agarrá-lo.
Assim que o elevador chegou ao andar, adentramos. Havia duas garotas, que imediatamente estacaram no lugar ao nos ver entrar, e começaram a nos encarar de uma forma que tanto eu quanto o Hashi estávamos ficando desconcertados. Infelizmente, elas desceram na garagem também e, mesmo quando entramos no carro, elas continuaram nos secando. Mulheres sabiam ser inconvenientes quando querem.
Hashi girou a chave na ignição, passando a marcha e dando a partida. Aproveitei para ligar o som, e, como sempre, pude contar com o bom gosto musical do meu namorado.
Durante o percurso, fomos conversando sobre coisas que ocorreram durante a semana, apesar de o Hashi achar melhor me ouvir. Para ele, falar sobre a empresa e o trabalho no escritório era sempre muito monótono, então, ele geralmente evitava falar sobre, pois não queria me deixar entediado. E realmente a rotina dele não era lá muito excitante.
Ao menos com toda essa correria do lançamento da música, o assunto rendia e ele sempre se mostrava empolgado com qualquer progresso que fazíamos. Mesmo com Tobirama o mantendo informado, ele gostava de ouvir o meu ponto de vista sobre tudo. E isso, de certa forma, se tornou muito importante para mim ao longo desses meses. Todo o apoio que ele dava, sua opinião, ou somente sua presença me deixava confiante, fazia eu me sentir seguro, como se pudesse fazer qualquer coisa. Nossa amizade se fortaleceu ainda mais com o namoro, algo que, no começo, eu pensava que não seria possível. Aquela sensação de que nosso namoro não iria vingar por muito tempo, e, com isso, nossa amizade estaria correndo sério risco de terminar, assim como aconteceu com Obito, foi se dissipando aos poucos com o tempo. Isso porque tudo com Hashi foi e continua sendo o oposto do que era antes. Agora, eu não conseguia me ver sem ele.
Como me apaixonei perdidamente em pouco tempo?
Esta era uma pergunta que não saberia responder quando ou como aconteceu. Aliás, será que eu já não estava perdidamente apaixonado bem antes disso? Tínhamos poucas coisas em comum e, mesmo assim, parecíamos conectados por uma força maior. Tudo se tornava uma confusão em minha mente todas as vezes que parava para pensar nisso.
Voltei a atenção para a música que tocava em som ambiente, enquanto Hashi tamborilava os dedos no volante, seguindo o ritmo do arranjo musical. Havíamos combinado de irmos a um restaurante conhecido em Tóquio, porém, o percurso que ele estava fazendo era totalmente oposto do local que, até então, iríamos.
- Hashi, o restaurante fica na outra direção. Para onde estamos indo, afinal? – questionei, não me importando muito qual o rumo que estávamos tomando.
- Eu sei que o combinado era o tal restaurante, mas, com toda essa correria e falta de tempo, queria ficar sozinho contigo. Então, pensei que pudéssemos fazer algo mais simples, como caminharmos na praia. – ele olhou de soslaio, sorrindo de canto – Se importa? Se quiser, podemos ir para onde você preferir.
Ponderei por alguns segundos, olhando rapidamente pela janela. A lua cheia parecia maior que de costume, estava linda, brilhante, cercada de diversas estrelas. Não era uma má ideia, no fim das contas. E, realmente, tudo isso de locais públicos lotados estava começando a ficar bem estressante, devido a toda essa nova rotina a qual eu tentava me adaptar.
- Por mim, tudo bem. Prefiro que seja assim. – apoiei a mão na janela, sentindo a leve brisa em meu rosto.
Ele sorriu satisfeito e continuou o percurso. Não demoramos muito para chegarmos à praia. Hashi estacionou no píer, destravou o cinto de segurança, e, aproximando seu rosto do meu, selou nossos lábios. Foi um beijo bem rápido, logo, já estávamos fora do carro, caminhando em direção ao mar. As ondas estavam bem calmas, e a lua deslumbrante refletindo sua luz prateada na água. Aquela visão transmitia uma sensação gostosa de tranquilidade, uma pacificidade difícil de encontrar no ritmo frenético de nosso dia-a-dia. Hashi pegou minha mão, entrelaçando nossos dedos.
- Quer dar uma volta? – sugeriu, animado.
- Pode ser. – respondi, dando de ombros. – Mas, não acha melhor tirarmos os calçados?
Ele assentiu, e, rapidamente, retiramos nossos calçados. Começamos a caminhar, sentindo a areia macia e a água morna que, entre uma onda e outra, molhava nossos pés. Parecíamos um casalzinho de adolescentes daqueles filmes americanos.
Então, veio a questão que estava pensando há alguns dias: Onde e como passaríamos essa época de natal?
Isso ficou martelando em minha cabeça e eu simplesmente não sabia o que dizer ou fazer sobre esse assunto. As coisas pareciam muito complicadas por diversos motivos. Ele até tocou nesse assunto algumas vezes, porém, não chegamos a nenhuma conclusão porque não conseguimos parar para conversar devidamente sobre isso.
- Mada, eu queria te perguntar uma coisa... – Ele quebrou o pequeno momento de silêncio que havia se instalado entre nós – Eu sei que todo natal você passa com sua família, e, entendo perfeitamente que esse é um momento bem familiar... – Pausou por uns segundos, como se ponderasse suas próximas palavras – É que... Eu não queria ficar sem você nesse natal. Nos anteriores, éramos somente bons amigos, e, isso era até compreensível. Apesar de que a minha vontade era que você estivesse presente em todas essas ocasiões. – Suspirou, inspirando profundamente e soltando o ar devagar – Só que, agora, nossa situação é diferente. Agora, você é meu namorado. – Apertou delicadamente seus dedos entre os meus, parando subitamente nossa caminhada – Eu não quero passar essa data importante sem você. Ainda mais por ser seu aniversário. Sabe, em todos esses anos, sempre foi muito triste não poder te ver, te abraçar e parabenizá-lo como queria. Todas as vezes que nossa ligação terminava, sentia um aperto no peito por não poder estar ao seu lado. E, agora, essa sensação seria pior ainda. Eu sei que estou pedindo muito, mas, será que, só dessa vez, nós poderíamos ficar juntos?
Ele pediu, fitando meu rosto com seu olhar intenso e sincero. Por um momento, fiquei sem reação e sem saber o que responder, afinal, essa era a questão que estava fervilhando em minha cabeça há semanas. Eu também não sabia o que fazer em relação a isso. Pensei em chamá-lo para ir comigo e passar o natal com minha família, porém, ao mesmo tempo, ele tem seus familiares, seus irmãos, não parecia muito justo pedir isso. Apesar de acreditar na possibilidade de ele aceitar. Mesmo assim, não seria justo com ele e nem com seus irmãos.
Essa situação simplesmente nos deixava de mãos e pés atados, porque se tornava um grande dilema para nós dois. Claro que eu me sentia da mesma forma que ele quanto a somente receber uma ligação de felicitação a cada ano, que minha vontade, de que ele estivesse por perto não era diferente da dele. Compartilhávamos do mesmo sentimento e me alegrou saber que ele queria estar comigo ao longo de todos esses anos em que passávamos essa data longe um do outro. Respirei fundo, soltando o ar devagar, e, com a mão livre, afaguei seu rosto. Ele reclinou um pouco a face, numa tentativa de amplificar o toque. Eu ainda não sabia o que dizer, contudo, uma coisa ficou bem clara em minha cabeça: Não queria ficar longe dele nem no natal, nem no ano novo e, se possível, nunca mais na vida.
Hashi havia se tornado uma pessoa essencial em minha vida, e, o fato de estarmos compartilhando esse sentimento intenso e sincero era a prova de que precisava para simplesmente me jogar com tudo nessa relação. Sem medo ou receio, tudo porque ele, com toda sua devoção, carinho, amor, amizade, foi o único que conseguiu me suportar, me compreender, mesmo com meu gênio difícil. Sem pressão, represálias, nunca me sufocou com ciúmes ou aquele sentimento possessivo, apesar de meu comportamento não ser dos mais recatados, principalmente quando estava bêbado. Sempre paciente, ele suportou tudo, respeitando minhas limitações e, algumas vezes, minhas paranoias quanto a me envolver emocionalmente, ainda assim, Hashi se manteve aqui, me esperando, me chamando, com sua mão estendida em prontidão para segurar a minha.
Então, como poderia ficar longe dele nessa data que, mesmo sendo entediante para mim, agora começava a tomar um formato mais atrativo, alegre. Essa seria uma grande oportunidade de sorrir e me alegrar de verdade pela primeira em todos esses anos durante esse período. Ainda com os olhos fixos em meu rosto, sustentei seu olhar e, enchendo-me de coragem, pude finalmente dizer:
- Hashi, eu quero muito que você esteja comigo nesse natal. Mas, sei que você tem sua família, então, não me parece muito justo tirar esse momento seu. – Apertei sua mão, e, a outra que estava pousada em seu rosto, deslizou para o ombro – Pode parecer egoísta de minha parte, mas, não quero mesmo ficar longe de você. Então, a única coisa que posso oferecer é você vir comigo e passar um natal entediante com um monte de Uchihas sem graça e que, certamente, irão te encher de perguntas retóricas sem sentido. Se estiver disposto, gostaria muito que você viesse comigo.
Hashi abriu aquele sorriso lindo que só ele tem, os olhos brilhando em expectativa e alegria. Ficou estático por alguns segundo, e, por um momento, pensei se havia dito algo que, de repente, ele não entendeu. Quando eu abri a boca para tentar explicar a situação, ele pôs o indicador em meus lábios.
- Só em um problema nisso tudo. – ele riu e eu o encarei sem entender absolutamente nada – Você sabe que Tobirama vai querer ir também, usando do argumento de que, se eu posso, ele pode também. Afinal, ele passou todos esses anos longe do Izuna, e a gente não conseguiria arranjar qualquer desculpa que tirasse a razão dele. – Hashi gargalhou, ambos conhecíamos Tobirama e sabíamos que ele não desistiria facilmente. – E tem mais: Kawarama e Itama não ficariam nada satisfeitos comigo e Tobirama deixando eles de lado. Então, minha sugestão é de todos nós irmos. Claro, se seus familiares não se importarem com um bando de Senjus intrometidos na festa da família.
- Hashi, você é um namorado estilo pacote completo.
- Como assim? – questionou, sem entender, fazendo aquela cara de bobo.
- Kit completo, com esse monte de irmãos que mais parecem seus filhos. Se um dia nos casarmos, nem precisamos adotar, já teremos o Tobirama, Kawarama e Itama para dar conta. – Ele riu do meu comentário e não aguentei segurar a risada que veio de modo espontâneo.
Ainda sorrindo, ele me abraçou apertado, dando um beijo no topo da minha cabeça, afagando minhas costas com aquela carícia gostosa que somente ele sabia fazer. Ficamos assim, abraçados por um tempo, em silêncio, enquanto eu processava todas aquelas informações. Passar o natal com a família do Hashi e a minha parecia algo bem estranho, a princípio, contudo, até que não seria uma má ideia. Tobirama e Kawarama são companheiros de banda, Itama não poderia ficar sozinho. Acho que poderia dar certo, apesar de ter de aguentar os questionamentos de alguns parentes inconvenientes. O bom é que Itachi, Shisui e Sasuke já sabiam de tudo, então, seria menos gente tentando se intrometer. O maior ponto negativo nisso tudo era Obito. Aquele ali seria difícil de lidar, e, acabei não contanto ao Hashi sobre nosso rolo no passado. Outra coisa que precisávamos acertar logo antes que aquele imbecil fizesse alguma besteira e estragasse nosso momento.
Talvez, agora seria o momento ideal para contar, já que estamos sozinhos aqui conversando sobre isso. Era injusto continuar escondendo essa parte obscura do meu passado, e, mesmo com receio da reação do Hashi, se não fosse agora, em algum momento ele acabaria sabendo, e, pior ainda, através de outra pessoa ou até mesmo do próprio Obito. Ainda abraçado, afundei o rosto em seu peito, podendo assim, ouvir as batidas calmas de seu coração, enquanto ele passava a mão despreocupadamente em meu cabelo.
- Hashi?
- Sim?
- Preciso te contar algo. – levantei a cabeça para fitar seu rosto, que agora me encarava com certa curiosidade.
- Você sabe que pode falar qualquer coisa comigo, certo? – Ele pegou delicadamente meu rosto entre suas mãos – Não importa o que seja, nada do que eu sinto por você vai mudar. – Suas palavras pareciam me incentivar e, ao mesmo, era como se ele conseguisse ler minha mente de alguma forma. E isso acabou me encorajando a dizer tudo de uma vez, seria melhor assim.
- Lembra do meu primo, Obito? – comecei, respirando fundo, reunindo coragem para continuar – Nós tivemos um rolo uns anos atrás. Apesar de ele sempre ter achado que éramos namorados. Isso aconteceu há quase cinco anos, um pouco depois que conheci você. Bom, a questão disso tudo é que ele ainda quer eu fique com ele, e, em todas essas confraternizações, ele está presente, por ser um primo muito próximo da nossa família. Apesar de ter negado inúmeras vezes, e, inclusive, ter dito a ele que estou namorando, ainda assim, Obito continua com essa mania de perseguição. Sempre me liga, aparece nas apresentações da banda, só que agora com menos frequência. Mas, todas as vezes eu o corto porque não sinto nada por ele, na verdade, nunca senti.
Hashi ouviu tudo atentamente, a expressão um pouco surpresa com toda aquela informação. No entanto, em nenhum momento, demonstrou dúvida ou algum sinal de ciúme ou raiva. O que acabou me dando uma sensação de alívio. Parecia que havia tirado uma pedra enorme de minhas costas.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, que pareceram um eternidade para mim, contudo, precisava ouvir o que ele tinha a dizer a respeito disso. Então, ele desfez o abraço, mas, nossas mãos continuaram unidas. Seu olhar era terno, confiante. Apesar disso, uma aflição começava a crescer dentro de mim por ele não dizer absolutamente nada, senão me encarar intensamente.
Pensei em dizer algo, porém, mais uma vez, ele irrompeu o silêncio.
- Mada, não vou mentir para você. Quando você mencionou que teve um rolo com esse tal de Obito, senti ciúmes e quis gritar de tanta raiva que senti ao imaginar esse homem tocando seu corpo, te beijando, te abraçando... – suspirou pesadamente e eu me encolhi no mesmo instante com essa declaração. Será que seria melhor não ter contado nada? Entretanto, Hashi voltou a me abraçar, forte, possessivo, como se quisesse me proteger de alguma coisa – Só que, desde o princípio, você sempre me disse que era livre para fazer o que quisesse, ficar com quem quisesse. E, claro que isso me incomodava algumas vezes, mas, não podia fazer nada a respeito porque nós éramos apenas amigos. E eu não tinha esse direito. Não poderia reclamar de nada porque você, de fato, era livre. Porém, agora, você está comigo, e fico feliz que tenha me contado sobre isso. Eu não iria gostar nem um pouco de saber sobre isso da boca de terceiros. O que aconteceu no passado, está no passado e nada disso importa mais. O que me interessa agora é o presente que estou vivendo com você. E você estando somente comigo é o que importa no momento.
Ouvir tudo aquilo fez meu coração acelerar. Senti as pernas bambearem, e, se ele não estivesse me abraçando forte, com certeza eu iria desabar. Os olhos começaram a marejar e algumas lágrimas teimosas acabaram caindo, mesmo eu tentando segurá-las com todas as minhas forças. Hashirama era um homem incrivelmente sensato, maduro demais para sua idade. Realmente, estar com ele foi como tirar a sorte grande. Porque, nunca, em toda a minha vida, encontraria alguém como ele. Envolvi sua cintura num abraço apertado e ele ergueu meu rosto com suas mãos quentes para encará-lo. Ao ver algumas lágrimas que haviam molhado meu rosto, ele beijou gentilmente minha bochecha, limpando-as com os polegares.
- Não chore, Mada, eu estou aqui contigo, certo? – deu um pequeno sorriso – Não vou te deixar nunca. Mesmo você sendo um teimoso cabeça-dura às vezes, vou continuar te amando. Então, não precisa chorar ou ter medo.
- Ah, vá se foder seu -
Antes que eu pudesse retrucar, ele me beijou, intenso, faminto, repleto de desejo. A única coisa que consegui fazer com esse ataque repentino, foi retribuir o beijo. Nossas línguas, dançavam de forma frenética, explorando cada canto de nossas bocas, numa sincronia quase perfeita. Ora lenta, molhada, ora fora das bocas, se atracando numa luta sem trégua. Hashi deslizou as mãos de minha cintura ao meu traseiro, apertando-o com vontade, me fazendo arquear as costas e colar ainda mais nossos corpos, friccionando nossos quadris num ritmo deliciosamente excitante.
Hashirama tinha esse poder de me fazer perder o controle. De me deixar louco de tesão com apenas um toque. Fazia meu corpo ferver de desejo todas as vezes que me beijava, tocava. Cada coisinha mínima que ele fazia servia com uma centelha para acender meu corpo e deixa-lo queimando por dentro.
Nossas ereções, já despertas, roçavam, fazendo com que alguns gemidos escapassem entre o beijo. Levei a mão à nuca dele, enroscando meus dedos em seus cabelos e os puxando com força para trás, desfazendo o beijo e deixando o pescoço dele totalmente exposto. Comecei lambendo a base, subindo para o pomo-de-adão, parando no maxilar, onde mordi com vontade, fazendo-o grunhir em satisfação. Continuei depositando beijos e mordidas por toda a extensão, enquanto ele me tentava a continuar o que estava fazendo, tombando a cabeça para trás, entregue, expondo ainda mais aquele pescoço másculo e tentador. Continuei fazendo por mais alguns instantes, até levantar a barra da camisa dele, indicando que iria tirá-la. Ele não demonstrou recusa, pelo contrário, fez o trabalho ele mesmo, arrancando-a de uma vez, mostrando aquele peitoral gostoso dele.
Suspirei satisfeito, começando a trilhar beijos e mordidas por todo seu tórax, sugando e mordendo os mamilos rijos, excitados, deixando marcas por onde passava, até chegar ao cós da calça. Ele me encarou, num pedido mudo para que continuasse. Dei aquele sorriso sacana, lambendo os lábios de maneira provocante, e mordi o cós, desabotoando o botão com a boca. Puxei o zíper bem devagar, enquanto ainda mantinha os olhos fixos nos dele, revelando aos poucos a excitação pulsante dentro do tecido da cueca boxer vermelha. Hashi, ofegava em expectativa, esperando ansiosamente eu dar a devida atenção ali embaixo. E, sem demora, puxei a calça até a altura dos joelhos, junto com a cueca, deixando à mostra aquele pau grande, pulsante, úmido pelo pré-gozo.
"Gostoso demais.".
Primeiro, passei a língua lentamente pela glande, fazendo um movimento circular, para depois descer por toda a extensão e voltar, parando na ponta novamente. Sabia que isso o deixava louco em expectativa para que o engolisse de uma vez, então, repeti o movimento mais uma vez, só que mais lento, fazendo-o quase surtar de tanto tesão. Então, sem delongas, abocanhei aquele membro rijo, afundando-o em minha garganta, até que chegasse ao fundo. Hashi finalmente gemeu deliciado com o contato quente de minha boca. Entretanto, a falta de ar me fez retirá-lo da boca, para depois voltar novamente, começando a sugá-lo com força. Ele segurou em meus cabelos, movendo os quadris, investindo contra minha boca.
-Ah... Ahh... Mada, sua boca é tão gostosa que tenho vontade de foder até você não aguentar mais chupar. – grunhiu, rouco, dominado pelo prazer.
Rindo internamente, continuei fazendo o trabalho, queria vê-lo gozar, totalmente entregue a mim, do jeito que gosto de vê-lo enquanto está tendo um orgasmo. Todas as vezes que o vejo assim, sinto como se fosse o único que conseguisse leva-lo ao êxtase, deixa-lo louco de excitação, desejo, paixão. A cada investida dele contra minha boca, o ápice se aproximava. E não demorou para que ele derramasse seu sêmen em minha boca. Engoli tudo, me colocando de pé, para tomar seus lábios, compartilhando com ele seu próprio gosto. Nos beijamos fervorosamente, até faltar o ar em nossos pulmões. Depois, nos separamos, ofegantes, desejosos por muito mais, então, num movimento rápido e sagaz, ele me deitou na areia, ficando por cima para tomar meus lábios novamente para si.
Sua boca desceu pelo meu pescoço, distribuindo mordidas e alguns chupões. As mãos dele invadiram minha camisa, acariciando o tórax com fervor, chegando aos mamilos, onde apertou e puxou os piercings com certo cuidado, fazendo-me tombar a cabeça para trás, expondo completamente o pescoço, o que foi a deixa para ele voltar a atacar ali, enquanto fazia movimentos circulares nos mamilos com os polegares. Até ele resolver retirar de vez a minha camisa, para ataca-los com a boca. Mordeu e sugou um deles, puxando devagar com os dentes o metal frio do piercing, para depois voltar a lambê-lo. Assim, foi trilhando caminho por meu abdômen, chegando até a calça. Diferente de mim, Hashi sempre era mais afoito e impaciente, então, desabotoou e abriu o zíper com destreza, arrancando a calça junto a cueca, libertando meu membro completamente duro, clamando por atenção, a qual foi concedida prontamente por meu namorado.
A vantagem de Hashi ser impaciente de certa forma era algo ótimo, porque ele sempre atendia minhas expectativas sem que eu precisasse dizer qualquer coisa. E foi isso o que ele fez, sem rodeios, abocanhou meu pau, engolindo-o por completo, pude o sentir encostar em sua garganta. E, num movimento rápido, passou a sugar, movendo-se num vai-e-vem frenético, me deixando louco. Contive a vontade de gritar, mesmo que a praia estivesse deserta, ainda estávamos num local público e alguém poderia aparecer ali a qualquer momento. No entanto, a sensação de alguém nos ver ali, era extremamente excitante, e Hashi estava ajudando a acabar com minha sanidade e autocontrole. Agarrei seus cabelos, investindo com força contra sua boca. E ele não parecia nem um pouco incomodado com isso, muito pelo contrário, me deixava atingir a sua garganta, me engolindo completamente. Senti o corpo estremecer, o orgasmo estava próximo, e, com mais uma investida, gozei em sua boca. Ele se aproximou de meu rosto, tomando meus lábios num beijo avassalador. Hashi definitivamente sabia me enlouquecer. Meu corpo fervia de vontade de tê-lo dentro de mim. De ele me foder até eu não aguentar mais. Abracei seu pescoço, beijando seu maxilar até chegar ao seu ouvido.
-Me fode, Hashi... Aqui e agora. – disse num tom bem provocativo, com a voz rouca de desejo.
Ele apenas sorriu largo, e, rapidamente, retirou completamente minhas calças. Não estávamos nem um pouco preocupados com a areia, ou se alguém nos veria, a única coisa que importava no momento era fazermos amor até nossos corpos não aguentarem mais, contemplados apenas pela lua cheia e as estrelas.
Hashi ergueu meu quadril, se posicionando entre minhas pernas e voltou a me beijar. Aproveitei a deixa para enlaçar as pernas em sua cintura, fazendo com que nossas ereções se chocassem. Enquanto me distraía com o beijo, ele posicionou o pênis em minha entrada, começando a penetrá-lo. Inicialmente, foi um pouco doloroso, contudo, a forma como ele me beijava e acariciava meu próprio pênis numa masturbação lenta, ao poucos foi me relaxando. Então, ele finalmente conseguiu entrar completamente. Continuou me beijando e friccionando meu membro, para depois começar a estocar lentamente.
Mas, não demorou muito para que os movimentos começassem a ficar urgentes.
- Hashi... Ah... Mais forte. – puxei seu cabelo, trazendo seu rosto para perto do meu, mordendo o lábio inferior dele com força – Agora!
E, sem precisar repetir o comando, ele começou a investir com força, não demorando muito a encontrar o ponto desejado dentro de mim. Assim que ele o atingiu, não pude conter um grito de prazer, incitando-o a ir mais forte e rápido.
Com a visão nublada pelo orgasmo que estava prestes a vir, só conseguia gemer mais alto o nome dele, enquanto Hashi praticamente urrava de prazer, mordendo meu ombro, pescoço ou qualquer lugar que ele pudesse alcançar. Logo, um tremor percorreu por todo meu corpo e o ápice chegou quando finalmente gozei na mão dele, contraindo as paredes internas do meu ânus. Hashi ainda continuava investindo em meu corpo já mole pelo pós-orgasmo. Correntes elétricas passavam em cada fibra do meu ser, trazendo uma sensação relaxante, pacífica, aconchegante. Senti o corpo dele vibrar sobre o meu, indicando que também estava bem próximo do seu limite. Com mais uma estocada forte, se desfez dentro de mim. Ainda ofegante, deixou-se cair por cima de meu corpo. Mas, não demorou muito para ele sair de cima e se retirar completamente de mim, deitando-se ao meu, me puxando para aninhar em seu peito.
Ficamos em silêncio por um momento, enquanto nossas respirações se regularizavam aos poucos. A lua estava mais alta no céu agora. Linda demais.
Hashi ficou fazendo um carinho preguiçoso em meu cabelo, enquanto admirávamos aquele astro prateado imponente no céu, cercado de várias estrelas. Até que, em um instante, uma estrela cadente passou como num flash.
- Mada, olha, uma estrela cadente! – Ele apontou para céu – Vamos fazer um pedido.
- Isso é besteira, Hashi. Essas coisas são apenas lendas. – comecei a rir da infantilidade dele em ainda acreditar nessas baboseiras de estrelas cadentes concederem desejos. Que idiotice!
- Ah, Mada, deixa de ser estraga prazeres. Se não tivéssemos transado agora pouco, diria que você é uma pedra, não, um iceberg de tão frio. – ele fez um bico e eu só consegui rir ainda mais das besteiras que ele dizia.
- Okay, vou fazer o tal pedido. Mas, diz a lenda que não podemos contar, se não, o desejo não se realiza. – suspirei, vencido por aquele bobo romântico.
Aliás, acho que estava ficando meloso igual a ele no fim das contas.
"Estrela cadente, se pode mesmo realizar desejos, eu quero que o Hashi fique comigo pra sempre. E que possamos passar esse natal juntos sem qualquer problema.".
- Pronto, fiz meu pedido. Satisfeito?
- Ah, sério? Me conta, vai. – pediu, apoiando o cotovelo na areia e apoiando a cabeça sobre a mão para me encarar.
- Já disse que o desejo não se realiza se você contar.
- Poxa, Mada. – fez um bico, dando um selinho em minha boca – Não quer saber o que desejei?
- Não. – respondi seco.
- Você não muda mesmo.
- Você que é um idiota.
- Okay, não está mais aqui quem falou. – deitou-se novamente, fitando a lua.
O silêncio novamente se instalou, apenas as ondas calmas faziam barulho, porém, não deixava o ambiente menos tranquilo. De repente, o sono começou a bater. E, dormir na praia estava fora de cogitação. Me levantei, sob o olhar curioso de Hashi.
- Estou com sono, vamos embora. – sugeri, estendendo-lhe a mão. Ele segurou e eu o ajudei a se por de pé.
Vestimos nossas roupas, calçamos os calçados e seguimos em direção ao carro.
As ruas estavam bem desertas devido ao horário avançado, então, o percurso até meu apartamento foi bem rápido e tranquilo. Ao chegarmos, tudo estava em completo silêncio. Provavelmente, Izuna e Tobirama já estariam dormindo. Entramos da maneira mais silenciosa possível, e, para não chamar a atenção, nem liguei as luzes. Segurei a mão de Hashi, guiando-o para meu quarto. O trajeto já era bem conhecido por mim, tanto que nem precisava de luzes, visto as incontáveis vezes que cheguei bêbado em casa.
Assim que conseguimos adentrar o quarto, sendo bem sucedidos em não chamar a atenção de ninguém, comecei a tirar as roupas sujas de areia.
- Se quiser tomar um banho, fique à vontade. – sussurrei para ele, enquanto seguia para o banheiro, deixando as roupas pelo caminho.
Sem precisar repetir a ordem, Hashi me seguiu, retirando também suas roupas. Entramos no box – ainda bem que era espaçoso –, e liguei o chuveiro, deixando a água escorrer por nossos corpos. Puxei-o pela mão, juntando nossos corpos, tomando seus lábios num beijo desejoso. Apesar de termos praticamente acabado de fazer sexo, não era o bastante, queria mais. O único problema era nossos irmãos dormindo no quarto ao lado. E outro problema estava começando a surgir: estávamos ficando excitados novamente. Se não parássemos agora, não conseguiríamos mais parar.
Com um imenso esforço, desfiz o beijo e, ofegante, empurrei Hashi para o outro lado do box. Ele me olhou sem entender muito bem, então, apenas suspirei pesado.
- Não podemos, esqueceu que Izuna e Tobirama estão dormindo no quarto ao lado? As paredes não são à prova de som.
Ele riu um tanto sem graça, coçando a nuca.
- Ah, sim entendi. –disse num tom baixo.
- Desculpa, foi minha culpa. Não devia ter te beijado daquele jeito.
- Não, não é sua culpa. – ele se aproximou, encostando nossas testas – É que... Você é realmente irresistível. Eu perco o controle quando estou contigo.
Aquela declaração e sua proximidade, fez meu coração acelerar e meu corpo, novamente começar a reagir ao seu toque. Suas palavras mexiam comigo de uma maneira que nem eu mesmo conseguia entender. Era uma atração fora do comum. Porém, precisava manter o foco ou seríamos surpreendidos por nossos irmãos a qualquer momento. Então, tomamos nosso banho em silêncio, sem amassos. Depois, nos secamos, emprestei uma camiseta e uma bermuda para ele. Ficaram um pouco menores, mas serviram. Depois disso, nos deitamos, sem muito alarde. Ele me puxou para perto de si, me aconchegando em seu peito. Me acomodei, encaixando-me em seu corpo, então, com um último selinho, ele desejou "boa noite". Não demorou muito a pegarmos no sono.
No dia seguinte, acordei com a luz do sol adentrando pelas frestas da janela. Peguei o celular em cima da cômoda: 9h15min.
Hashi se remexeu, me abraçando por trás. Bocejou, depois me deu um beijo na nuca.
- Bom dia.
-Bom dia. – Respondi, me aconchegando em seus braços. – Dormiu bem?
- Muito. – disse com aquela voz rouca de sono. –Sempre durmo bem quando estou com você.
- Acho melhor levantarmos. Izu e Tobirama já devem estar acordados, julgando o cheiro de café ao longe.
- Realmente, tá um cheiro bom de café. – ronronou, apertando ainda mais minha cintura. – Mas, eu queria ficar mais um pouquinho aqui com você, tudo bem?
Suspirei, me dando por vencido. Quando ele fica quase ronronando desse jeito eu simplesmente não consigo resistir.
- Tudo bem. – respondi, me virando para dar um selinho nele.
Ficamos assim, abraçados na cama por um bom tempo. Quando peguei o celular novamente, já eram 10h.
- Hashi, agora precisamos mesmo nos levantar. Já são 10h.
- Tudo bem. – disse, espreguiçando-se.
Levantei primeiro, indo ao banheiro para escovar os dentes e lavar o rosto. Em seguida, Hashi fez a mesma coisa. Ainda bem que uma escova reserva ficava no banheiro para quando ele dormisse aqui. Depois que nos aprontamos devidamente, saímos do quarto, caminhando devagar pelo corredor que dava para a sala, encontrando os dois pombinhos jogando Final Fantasy XV, sentados no tapete, igual duas crianças. Estavam tão distraídos que nem perceberam nossa presença.
- Bom dia. – Hashi disse, chamando a atenção de ambos imediatamente.
- Bom dia, irmão. Bom dia, Madara. – Tobirama respondeu, um pouco surpreso.
- Bom dia, Mada. Bom dia, Hashirama. Não sabia que vocês haviam voltado pra casa. Não ouvimos um barulho sequer. – Izu disse, dando pause no jogo. – Que horas vocês chegaram?
- Não queríamos acordar ninguém, então, fizemos o mínimo de barulho possível. Quanto às horas, bem, não sei ao certo, nem reparei nisso. Mas, deveria ser bem tarde. – Respondi, dando de ombros. – Ainda tem café?
- Sim. – Izu respondeu, fazendo menção em se levantar.
- Não precisa se preocupar, Izu. A gente se vira aqui. – disse, pegando a mão de Hashi, guiando-o para a cozinha.
Assim que chegamos à cozinha, me aproximei de Hashi e quase sussurrei. Mesmo com o barulho da TV, não queria que eles ouvissem nossa conversa.
- Nós precisamos contar a eles sobre o que conversamos ontem. Que vamos passar o natal com a minha família.
- Estava pensando justamente nisso. – Hashi disse, rindo baixinho em satisfação.
- O bom é que eles já estão aqui mesmo. Depois do café, conversamos com eles.
Ele assentiu, e, assim, tomamos nosso café da manhã tranquilamente.
Quando voltamos à sala, os dois ainda continuavam jogando, com uma diferença: Agora estavam discutindo sobre o personagem Noctis se parecer com o Sasuke.
- Olha bem pra cara dele, Tobi. Ele é idêntico ao meu primo. – Izu apontou para a tela, encostando seu dedo indicador bem no rosto do personagem. – Parece que a Square escaneou o rosto do Sasuke e colocou no Noctis.
- Fala sério, Izu. Nada a ver. O Noctis é bem mais bonito que aquele seu primo sem sal. – Tobirama retrucou num tom zombeteiro.
- Não fala assim do Sasuke, meu primo é bonito, sim. Quer que eu esfregue sua cara no monitor pra você deixar de ser cego e ver a semelhança gritante entre eles? – Disse, dando uma tapa na nuca do outro.
Esses dois pareciam crianças discutindo. E, o mais engraçado era Izu caindo na conversa do Tobirama, que apenas queria provocá-lo. Nisso, Tobirama e Hashirama eram idênticos, pois adoravam nos perturbar. Hashi começou a rir alto daquela briga infantil, chamando a atenção dos dois, que pararam no mesmo instante.
- Precisamos conversar algo importante com vocês. – disse, caminhando em direção ao sofá, com Hashi me acompanhando. Assim que assentamos, eles se viraram para nos encarar.
- Então, o que tem de importante a nos dizer? – Izu foi o primeiro a se manifestar.
- Não vão dizer que... Resolveram se casar! – Tobirama foi mais ousado, jogando um palpite que deixou tanto eu quanto Hashi estáticos por alguns segundos. Olhei para ele, e pude ver o rosto do meu namorado corando feito tomate.
- Não é nada disso, idiota! – respondi, ainda desconcertado com aquele comentário repentino.
- Ué, se não é isso, então porque meu irmão tá corado desse jeito? – Tobirama indagou, rindo malicioso. Ele adorava nos provocar com suas indiretas.
- Se você continuar falando disso, quem vai te bater sou eu. – disse num tom sério.
- Okay, prossigam. – levantou a mão, como se rendesse, porém, ainda rindo discretamente.
- Hashi e eu estivemos conversando sobre onde passaríamos, e, acabei resolvendo convidá-lo a passar com a nossa família Izu. – Comecei sem rodeios e, antes que Tobirama pudesse reclamar, continuei – E, Tobirama também poderá ir, assim como Kawarama e Itama. Afinal, não seria justo vocês se separarem nessa data na qual sempre passam juntos.
Izu me encarou espantado com a decisão, pois sabia muito bem o que isso implicaria. Que Hashirama acabaria dando de cara com Obito.
- Mada, você tem certeza disso?
- Sim, e, não se preocupe, Hashi já sabe de tudo.
- Então, quer dizer que vou passar o natal com um bando de Uchihas chatos? – Tobirama se manifestou, com aquele conhecido tom de implicância, e somente Izu caía nessa conversa dele.
- Ora, fique sozinho então, imbecil. – Izu bufou, cruzando os braços e dando as costas para o namorado.
Tobirama, sem perder tempo, o abraçou por trás, cochichando algo em seu ouvido que fez meu irmãozinho corar até as orelhas. Izu deu uma cotovelada na costela dele, que saiu de perto rindo de quase chorar da cara de indignação do meu irmão.
- Bom, vamos viajar na mesma data de sempre Izu, então, podem ir preparando as malas. - virei para Hashi, que me encarou com um sorriso no rosto. – Espero que não se arrependa, porque minha família é um saco.
-Estando com você, nunca será chato. – Me abraçou, dando um selinho rápido.
HS ○ UM
Aquele restante de semana passou bem rápido, e, quando percebemos, já estávamos todos saindo da estação de trem que sai de Asakusa, viajando para a pequena cidade de Nikko, que fica ao norte de Tóquio. Tajima escolheu viver pela tranquilidade do local e a paisagem de lá é muito bonita, bem diferente da movimentada Tóquio.
A viagem não demoraria mais que 2h, então, com a agitação e animação dos irmãos Senju, o tempo pareceu voar. Logo, chegamos à estação da cidade de Nikko. Usamos o serviço de metrô mesmo, pois da estação a casa Tajima não durava mais que 20 minutos. Como sempre, Izu e eu vamos na véspera, por causa de nossa rotina, entre outras coisas.
- Nossa, esse lugar parece bastante acolhedor. Olha aquele templo ali. – Kawarama apontou para o templo de Rinnō-ji, o mais popular da cidade.
- Realmente, bem bonito e tem bastante verde aqui. – Itama sorriu – A gente vai poder visitar esses lugares depois, Madara? – seus olhinhos brilhavam em expectativa.
- Se der tempo, iremos sim, Itama. – respondi, mesmo sabendo que a resposta provavelmente seria não, já que sempre vamos embora o mais depressa possível. Ainda com a aproximação do lançamento da single music.
Ao menos, agora tudo estava acertado, a música pronta, só estávamos aguardando os últimos acertos da gravadora para a estreia nas rádios.
Chegamos à casa de Tajima, que, de início, ficou espantado com a quantidade de pessoas que havia vindo comigo e Izu. Claro que eu avisei que levaria os irmãos Senju, mesmo assim, ver aquela quantidade de gente era um pouco assustador para ele. Fomos recebidos por sua nova esposa, Naori. Uma mulher muito calma, gentil e atenciosa, nem parecia uma Uchiha.
Para nossa sorte, a casa de Tajima era bem espaçosa, na verdade, lembrava um templo, com vários quartos para acomodar a cambada de Uchiha que apareceria mais tarde, caso necessário. Após devidamente acomodados, Hashi e eu ficamos no mesmo quarto. Tajima sabia de nosso namoro, assim como o de Izuna e nunca foi contra, apesar de ele não ser o cara mais comunicativo. Menos mal.
A alguns metros dali, havia uma fonte termal, então iria sugerir a Hashi de tomarmos um banho lá antes do jantar em família. Nessa época, a fonte não ficava muito movimentada por causa da data. O que era de fato bem conveniente, já nós dois estávamos fugindo das agitações.
- Hashi, aqui perto tem uma fonte termal, podemos tomar banho lá, se quiser.
- Sério? Claro, podemos ir agora mesmo. – Ele disse todo animado.
- Então, pegue este quimono e vamos. – Estendi um quimono para ele, que o vestiu prontamente. Vesti o meu e fomos para a fonte.
Quando chegamos lá, estava realmente vazio, afinal, o horário também ajudava. Retiramos nossos quimonos e entramos ao mesmo tempo na água. Suspirei, sentindo-me relaxando aos poucos com a água morna. Hashi se apoiou na borda e eu acabei me ajeitando entre suas pernas, apoiando a cabeça em seu peito. Ele começou a fazer uma carícia preguiçosa em meus cabelos, massageando a nuca.
Depois, ele abraçou minha cintura, depositando um beijo cálido em meu ombro, seguido de uma mordida leve. De repente, um arrepio percorreu todo o meu corpo e senti a tensão entre nós aumentar gradativamente, assim como a ereção do Hashi que começou a cutucar minhas costas.
- Hmmm... Aqui não, Hashi... – gemi manhoso, e ele deu uma risadinha, aproximando seus lábios do meu ouvido.
- Vai ser rápido, amor. – finalizou, mordiscando e sugando o lóbulo.
Hashirama ainda iria me enlouquecer qualquer dia desses. Não tem como resistir a essa tentação toda.
- Se apoie na borda e fique de costas, amor. – ele pediu, a voz já rouca de desejo. Assim que me virei, ele se ajeitou atrás de mim, apoiando a mão na borda também. –Agora, empina pra mim, Mada. – pediu, já mordiscando meus ombros e pescoço. Sem protestar, empinei o traseiro o máximo que consegui e, sem aviso, Hashi introduziu dois dedos, fazendo movimento de vai-e-vem, lentamente, enquanto que com a mão livre, me masturbava.
Mordi o punho, para não gemer alto demais e acabar chamando a atenção alguém, mesmo que o lugar estivesse vazio. Hashi intensificou o movimento, me fazendo rebolar contra seus dedos. Assim, vendo que eu já estava mais que preparado, retirou os dedos, posicionou a glande e me penetrou de uma só vez. Não consegui conter o gemido alto que escapou de minha garganta.
Hashi começou a acelerar o ritmo, e, logo, estávamos gemendo em alto e bom som para quem quisesse ouvir o que estávamos fazendo ali.
Tudo aquilo era gostoso demais, a sensação de prazer causada sempre que ele acertava aquele ponto dentro de mim, era alucinante demais para simplesmente me manter controlado. E nem queria, porque ele tinha esse poder de me fazer perder a cabeça em qualquer lugar. Transamos até nossos corpos não aguentarem mais e chegarmos ao orgasmo praticamente ao mesmo tempo. Apesar de não ser nossa intenção, acabamos fazendo isso. No entanto, não me arrependo de nada, porque tudo o que faço com o Hashi era único, mágico, incrível. Ficamos por um tempo abraçados, até nos darmos conta do horário avançado. Saímos da água depressa, colocamos os quimonos e fomos para casa.
A mesa da ceia já estava preparada. Algo bem tradicional, com kara-age¹, sushi, sashimi e castanhas. Como sobremesa, o kurisumasu keeki².
Algumas pessoas da família já havia chegado. Tobirama, Izuna, Kawarama e Itama já se encontravam devidamente arrumados e preparados para receber os visitantes. Logo, aquela sala espaçosa estaria lotada de Uchihas conversando sobre assuntos monótonos.
Fomos para nosso quarto nos arrumarmos. Não demoramos muito no processo, porém, quando chegamos à sala, estava incrivelmente lotada. Tio Fugaku e tia Mikoto haviam chegado junto com Itachi, Shisui e Sasuke. Tio Teyaki, tia Uruchi também estavam presentes. Todos vieram me cumprimentar, dando abraços, alguns até trouxeram presentes. Com a família toda reunida, e mais alguns participantes Senju, que, causaram burburinhos, mas, logo foram bem aceitos, graças à agitação enérgica dos irmãos.
Mais tarde, chegou a pessoa que menos queria ver: Obito.
Ele chegou cumprimentando a todos gentilmente e, quando chegou perto de mim, se conteve em dar um aperto de mão amigável, principalmente porque, nesse exato momento, Hashi estava ao meu lado, e pegou minha mão, entrelaçando nossos dedos.
No fim das contas, o que pensei que seria uma chatice, acabou sendo divertido. Obito não incomodou em momento algum e meus familiares mantiveram a discrição típica da família Uchiha. Pensando bem, não foi má ideia trazer os irmãos Senju aqui. E isso estava me dando ideias para o próximo ano. A alegria de Hashirama e seus irmãos irradiavam uma atmosfera de tranquilidade e alegria tão boa que até mesmo a minha família, que geralmente é silenciosa e monótona, teve seus momentos divertidos, contaram até histórias do passado. Foi bem diferente dos natais anteriores.
E, no final da ceia, veio a sobremesa, um bolo cheio de velinhas. Deveria ter mais de vinte ali. Acho que estavam tentando representar minha idade. Mas não chegava a ter 27 velinhas ao todo ali. Enfim, a parte mais desconcertante: os parabéns.
Todos se levantaram e começaram a bater palmas. Eu, como sempre, sorri amarelo, tentando disfarçar o quão vergonhoso era tudo aquilo pra mim. No entanto, Hashi segurou firme minha mão e, naquele momento, consegui me sentir mais seguro e aproveitar o momento. Consegui até mesmo me divertir quando ele passou um pouco do glacê na ponta de meu nariz.
Depois dos parabéns e de todos terem se fartado, os Uchiha começaram a se despedir. Já passava das 1 da madrugada. Assim que me despedi de tio Fugaku e tia Mikoto, junto Itachi, Shisui e Sasuke, fui diretamente para o quarto junto com Hashi. Todos haviam se recolhido e, finalmente pudemos descansar um pouco daquela confusão toda.
Assim que deitamos na cama, virei para Hashi, me aninhando em seu peito, fazendo uma carícia naquela pele macia de seu tórax.
- Então, o que achou de tudo isso?
- Pensei que seria entediante como você mesmo afirmou, mas, até que foi divertido. Curti bastante. – ele sorriu, me dando um selinho. – Mas, ainda não acabou.
- Como assim? – ergui a cabeça para fitá-lo.
- Não dei seu presente de aniversário ainda. – Hashi se levantou, indo em direção a sua mala, revirando-a e pegando alguma coisa de lá. Depois, voltou para a cama, deitando-se ao meu lado novamente. – Toma, aqui meu presente.
Ele me entregou uma pequena caixa vermelha e eu a encarei com curiosidade.
- Vamos, abra. – ele incitou, dando um beijo em minha testa.
Mesmo com um pouco de receio, abri o objeto, e, para minha surpresa, havia um par de alianças douradas ali, uma ao lado da outra. Voltei a encarar Hashirama, agora boquiaberto.
- Lembra do que você me disse na praia?
- O que eu disse na praia? – retruquei a pergunta, sem entender absolutamente nada.
- Nossa, como você é esquecido das coisas, Mada. – ele sorriu e ergueu um pouco o tronco, se assentando e me colocando sentado em seu colo – Você disse que eu era um namorado "kit completo" e, quando nos casássemos, não precisaríamos de filhos porque meus irmãos seriam como nossos filhos.
- Ah, isso? – questionei ainda boquiaberto – E só por isso resolveu comprar alianças de compromisso? – perguntei, arqueando a sobrancelha.
- Claro que não. – ele fez um bico, indignado com minha indagação – Na verdade, eu já estava pensando nisso há algum tempo, mas, depois daquele dia, quando você disse aquilo de uma forma tão espontânea, não tive mais dúvidas sobre isso. Mada, quero passar o resto da minha vida ao seu lado. – pegou minhas mãos e as beijou – Se você quiser, é claro.
Nesse instante, fiquei estático, sem reação ou saber o que dizer ou fazer. Hashirama Senju estava me pedindo em casamento? Era isso mesmo?
- Mada, eu sei que esse é um passo muito importante em sua vida, ainda mais agora que sua carreira como músico está prestes a alavancar. Claro que eu não quero ser um empecilho pra você, então, não precisa aceitar se não quiser e...
Neste momento, minha única reação foi abraça-lo bem apertado, escondendo o rosto na curva de seu pescoço. Ficamos assim, em silêncio por alguns instantes, abraçados. As lágrimas de emoção começaram a cair. Nunca, em toda a minha vida, imaginei que viveria esse momento. Que amaria alguém como amo Hashirama, e, muito menos que seria pedido em casamento por alguém que faz todos os momentos de minha vida valerem a pena quando estamos juntos. Então, afrouxei um pouco o abraço, fitando seus olhos, que me encaravam surpresos e ao mesmo tempo cheios de expectativas. Aproximei meu rosto do dele e, sem delongas, selei nossos lábios num beijo apaixonado, cheio de amor, carinho, desejo e demais emoções que não conseguiria descrever com palavras. Apenas queria ficar assim com ele para sempre. No entanto, precisamos desfazer o beijo para eu finalmente responder adequadamente sua pergunta.
- Sim, eu aceito. – disse, dando o sorriso mais sincero em toda a minha vida, encostando nossas testas. – Amo você.
Hashi sorriu largo, e, pegou a pequena caixa de minha mão, retirando a aliança correspondente a mim. Segurou gentilmente minha mão direita, e, começou a deslizar o anel frio em meu dedo anelar direito, depositando um beijo cálido sobre o metal.
- Então, agora você é oficialmente meu noivo.
Do mesmo modo, retirei o anel da caixinha, pegando sua mão direita e deslizando o anel em seu dedo anelar, depositando um selinho tímido ali.
-Sim, agora somos oficialmente noivos. – disse, dando um selinho em seus lábios – Te amo tanto, Hashi.
- Não tanto quanto eu, Mada.
Ele sorriu largo, me trazendo para seu peito, abraçando-me bem forte. Ficamos assim, enquanto eu escutava as batidas tranquilas de seu coração, ele acariciava meus cabelos e costas até pegarmos no sono.
Este natal definitivamente foi o melhor e mais alegre que pude ter em toda a minha vida. Estava ao lado da pessoa a qual amava e me correspondia reciprocamente. O medo de me relacionar finalmente havia se dissipado totalmente e, agora, poderia viver esse amor com toda a intensidade que merecia ser vivido. Não importa o que viesse de agora em diante, carreira, falta de tempo, seja o que for, agora tenho certeza que nossos laços jamais poderão ser desfeitos.
Ao lado de Hashirama, sei que posso enfrentar qualquer coisa.
I lose control because of you babe
I lose control when you look at me like this
There's something in your eyes that is saying tonight
I'm not a child anymore, life has opened the door
To a new exciting life
You and I just have a dream
To find our love a place
where we can hide away
You and I were just made
To love each other now, forever and a day
