CAPITULO 12
-Espere...
-Pamela, agora não...
-Sev... Por favor, não desconte em mim suas frustrações! -ela gemeu baixinho parando no meio do corredor.
Ele parou também, olhando para baixo. Virou-se para ela e estendeu-lhe uma mão com um suspiro cansado. Pan avançou e lhe deu um beijo.
-Você ajudou, não foi?
-Você está obcecado...
-Pamela...-disse ele em tom de quem vai argumentar, mas se distrai com algo nos olhos dela- Você acabou de se transformar em fênix.
-O que?
-Eu examinei seus olhos quando você chegou à enfermaria... e seus cabelos já não estavam tão queimados... Agora você deve estar com uns 40ºC e seus olhos estão completamente negros.
-Sev, você está tentando descontar em mim...
-Isso é traição Pamela.
Ela se afastou e o encarou sem dizer nada. Realmente ela ainda se sentia quente e seu cabelo cheirava levemente a penas chamuscadas. Obviamente Severus perceberia. Ela entendeu por um instante que ele estivesse magoado, mas no momento seguinte ela o enxergou com maus olhos e o considerou infinitamente egoísta.
-Ele é meu pai.
Severus recuou um passo, o rosto contorcido de fúria e incredulidade. Pan sustentou seu olhar e não se deixou abater.
-Então você admite que libertou o homem que...?
-Se você acusar meu pai novamente ou duvidar da minha idoneidade já não haverá concerto para o nosso relacionamento.
Severus engoliu as palavras. Pan parecia não ser Pan naquele instante. Tinha uma expressão profunda, fixa, segura. Parecia a fênix em forma de mulher, e não o costumeiro oposto.
-Você quer me contar o que aconteceu?
-Você está disposto a acreditar no que eu disser? Livre de preconceitos e antigas dores?
-Eu precisarei ouvir você e refletir sobre.
-É o suficiente. –ela disse num tom mais ameno-Vamos.
Ela o conduziu até a sala dele, nas masmorras. Sentia-se exausta fisicamente, mas nada se comparava ao seu desamparo emocional. Tudo o que ela queria era deitar a cabeça no ombro de Severus e dormir sem sonhar por uma semana, mas aquilo não poderia ser enquanto toda a historia não fosse esclarecida.
Eles entraram na masmorra em silêncio. Pan observou-se no vidro da falsa janela imaginando como começar sua narrativa. Podia observar que Severus tremia enfurecido, mas não dizia nada. Ficaram ali por quase cinco minutos. Ela buscando palavras e sanidade, ele procurando calma.
Então Severus decidiu que precisava de um pouco de apoio para recompor suas emoções. Aproximou-se dela por trás e apenas apoiou a cabeça em seu ombro. Pan buscou a mão dele e entrelaçou seus dedos.
-Eu te amo. –ela disse com um suspiro cansado- Eu preciso que você nunca esqueça isso.
-Eu sei, meu amor. E eu nem preciso dizer o quanto eu a amo, eu sei que você não apenas sabe, mas também sente.
-Eu posso parecer inconsequente às vezes, mas eu não faço nada que não precise ser feito.
-Você salvou Sirius Black. Eu não posso entender porque, mas eu sei que há um excelente motivo pra isso.
-Por isso que nós precisamos conversar.
-Não. Você precisa descansar... Você está cada vez mais quente. –Eu não quero dormir sem dizer tudo o que eu preciso dizer. Você não vai conseguir dormir sem saber a verdade.
-Então me conte a verdade, mas antes vamos apenas respirar. -ele disse com a voz mais branda e cuidadosa- Fique aqui essa noite, não vá a alugar nenhum. Eu vou pedir alguma coisa pra você comer.
-Preciso de um banho.
-Eu tenho um chuveiro. –ele disse como se fosse o obvio.
Severo conduziu-a para o quarto. Pan que havia estado ali milhares de vezes mal reconheceu o ambiente. A cama estava coberta com uma manta de lã verde escura. Havia quatro pequenas janelas encantadas que mostravam a madrugada dos terrenos da Escola por cortinas escuras e semiabertas. Numa mesinha ao lado da cama, óculos de leitura e alguns livros. O mais impressionante era a lareira que tornava aquele ambiente outrora frio e assustador num lugar aconchegante e até mesmo charmoso. Uma porta a um canto levava ao banheiro.
-Aqui tem toalhas limpas e um pijama meu. -ele riu meio sem jeito- Acho que provavelmente você deva encolher um pouco as calças.
-Ok... -ela agradeceu sorrindo tristemente.
-Não se preocupe com nada... -ele disse acariciando o rosto dela- Está tudo bem.
Pan tomou um relaxante banho morno e abriu a bolsa de couro transfigurada onde havia algumas roupas. Vestiu a roupa intima e pensou em vestir uma de suas camisolas de algodão, mas não resistiu ao pegar a camisa de botões do pijama de Severo. O cheiro dele invadiu seus pensamentos como fazia o Whisky de Fogo. Ela vestiu a camisa, dobrando várias vezes a manga para descobrir suas mãos.
A camisa vinha até abaixo de suas coxas, parecia um vestido. Penteou os cabelos longos e negros e voltou para o quarto sentindo-se renovada. Olhou pela porta entreaberta e viu Severus servir-se de uma dose de hidromel. Ele parecia estar tenso e pensativo. Era aparente que ele também estava cansado.
-Você não acha que esse hidromel vai tirar o seu sono?
-Eu acho que ele vai me ajudar a relaxar. –Severus disse não olhando para ela diretamente, após registrar que ela estava sem calças.
Sobre a mesa havia uma bandeja com um sanduiche de atum e um copo de suco de maça verde, seu lanche favorito. Pan percebeu que estava mesmo com fome e sentou-se observando a comida sem saber realmente se queria comer.
-Você está bem?
-Eu não sei. –ela disse- Eu estou tão cansada.
-Coma alguma coisa e depois nós vamos tomar um vinho e conversar até que você durma.
-Isso parece bom. –ela sorriu.
Comeu um pouco enquanto Severus tomava um banho. Ele estava sujo de fuligem e escombros. Havia um pouco de sangue em suas roupas, mas ele não parecia estar machucado.
Depois de comer Pan voltou ao quarto e deitou-se. Com um aceno da varinha diminuiu o fogo da lareira, porque o quarto estava ficando um pouco quente demais. Encarou o teto por vários minutos relembrando tudo que já havia acontecido durante aquele dia sem fim.
-Pan? Você está chorando? -Severo perguntou preocupado sentando-se na cama ao lado dela.
-Está tudo bem.
-Não, querida... Não está.
-Eu só preciso pensar em tudo o que houve.
Severo calou-se olhando para a figura derrotada de Pan, que soluçava olhando para o teto. Ele foi até o jarro de água e encheu um copo. Não queria ver aqueles soluços, não queria ver nenhuma lágrima... Ver Pan naquele estado machucou fundo, e ele respirou diversas vezes antes de voltar para o lado dela. Ela estava envelhecida naquele momento. Em silêncio ele passou o copo para as mãos dela e sentou-se na cama.
Ela não desviou o olhar do teto, e ele arriscou uma olhadinha para ver o que tanto chamava a atenção dela naquele teto tão comum. Mas não adiantou, ele sabia que ela estava presa dentro de si mesma. Sentiu-se insensível e egoísta naquele instante. Tudo o que ele queria era prender Black e ver sua punição, sem importar-se com o que ela sentiria. E imaginou como ela estaria caso Black tivesse mesmo sido beijado pelo dementador. Estremeceu com a ideia e estirou-se na cama ao lado dela.
-Meu amor... -ele sussurrou em seu ouvido- Eu estou aqui... Eu quero muito que seja o suficiente pra você.
-É sim. -ela disse com a voz falha e ficou imóvel.
-Você se sente pronta pra falar?
-Eu preciso falar.
-Eu estou aqui pra ouvir cada palavra que você disser.
-Por toda a minha vida eu tive medo de ser julgada pelos atos dos meus pais, tive vergonha deles e fingi que eles jamais haviam existido. Eu tinha aquilo que me era importante perto de mim... Você, a minha avó, o Dumbie... Hogwarts. Mas isso não poderia ser o suficiente. Eu queria uma casa e queria uma família de verdade, irmãos e um cachorro... Mas eu sempre soube que aquilo não era pra mim. Por mais que a vida tenha me recompensado por não ter tido a minha mãe e o meu pai, eu nunca vou me sentir completa sem eles... Dois inocentes lançados no pior lugar do mundo, na pior de todas as tristezas e alienações condenados por um crime alheio, de um maldito traidor.
Severus não disse nada, apesar de ter um enorme discurso preparado. Ele sentiu-se confuso, mas interessado em ouvir o resto da historia. Acima de tudo, era vital que ela desabafasse.
-Hoje cedo, quando a Hope me trouxe a confirmação de que eles eram inocentes e me convenceu a procurar o meu pai, muitas das coisas nas quais eu acreditava tomaram outras formas. Como eu posso trabalhar para uma instituição que condenou meus pais inocentes a um destino cruel sem nem ao menos investigar ocorrido a fundo? Como eu posso respeitar aquelas pessoas que não respeitaram o direito que eles tinham de serem submetidos à justiça? E o meu direito de ter minha vida normal com meus pais? Onde tudo isso foi parar?
-Pan, as evidências...
-As evidências estavam erradas, Sev! Ele não é um assassino traidor! Ela não é cúmplice de nada! Não é como você diz... não é um dos contos de Beedle que Black narrou. Eu soube do modo que o mundo da magia devia ter sabido a mais de uma década! Hope investigou tudo, reuniu os fatos, analisou as evidências e chegou a essa conclusão.
-Hope O'Brian?
-Sim.
-A Inominável? -Severus estava medindo as extensões daquilo- Então seu pai está livre? Por que você não disse isso a Fudge?
-Ele não está livre. –ela gemeu frustrada- Por uma das leis do Ministério aqueles que tem memória alterada não devem ser levados em consideração. O que Hope fez foi muito elaborado até mesmo pra você, que é mestre em Leigiminência.
-Mas com isso você pode ganhar tempo para ele...
-Agora tudo se complicou, nós interferimos em sua fuga... se a historia não for aceita pelo ministério estaremos muito encrencados.
-Então essa história dos animagos é verdadeira? -Snape mal podia acreditar e seu interior remexia-se de modo enjoativo- Rato, cachorro e cervo?
-Legitima.
Agora quem encarava o teto era ele. Não, não era verdade aquilo... Não podia ser. Mas no entanto ele sabia que era. Nunca pode deixar de admirar a inteligência de Hope O'Brian e não podia duvidar de nenhuma informação que partisse dela, apesar de saber que Fudge nunca aceitaria aquela história.
Pensou em Pan e em como aquilo devia estar mastigando-a por dentro, e munindo-se de uma força que ele não sabia que existia, estava ainda mais envolvido por ela. A raiva que sentia de Black estava abrandada e seu peito se inchava de compaixão por Ninna McGonagall. E ali, lembrou-se de Minerva e sentiu-se ainda pior.
-Pan me prometa uma coisa...
-O que? -ela murmurou apoiando-se nos cotovelos e virando-se para ele.
-Me prometa que não vai sair por ai caçando Pettigrew.
-Não. Eu não prometo. -ela disse com a voz bastante firme e decidida.- Sev, só com Petter Pettigrew eu vou conseguir realmente inocentá-los.
-Mas se Pettigrew entregou os Potter ao Lorde das Trevas... se ele fez isso e... Talvez seja mais perigoso do que pareça caçar ele.
-Você fala se ele estiver com ... com Voldemort?
-Exato. Isso não é a melhor coisa a ser feita. Se você se decidir por correr este risco eu... Eu terei que impedi-la.
-Você não conseguiria.
-Eu morreria na tentativa de bom grado.
-Não vamos falar disso agora. -Pan disse sacudindo a cabeça para dispersar o peso da afirmação dele.
-Por favor, Pan... -ele implorou sua voz pontuada de receio- Não faça isso.
-Sev, meu querido... Não se preocupe. Eu vou ficar aqui.
-Até quando?
-Eu não sei. Ate quando for conveniente.
Ele preferiu não dizer mais nada e distraiu-se com o fato de que ela estava bem abraçada a ele e mesmo estando por cima das cobertas enquanto ela estava por baixo, ele sentia seus contornos e curvas e aquilo era estranhamente confortável.
Afagou as costas dela sentindo o tecido da camisa mover-se sobre o corpo esbelto. Ele estremeceu sentindo o limite da libido romper-se. Não podia estar pensando naquele tipo de coisas quando Pan se encontrava tão profundamente abalada. Nem naquele instante e nem nunca, não era assim, não podia ser... Mas era inegável, ele a desejava.
-Sev... -ela sussurrou procurando os olhos dele
-O que? -ele ofegou sem conseguir pensar direito.
-Você está bem?
-Eu só... estou cansado.
-Você está tremulo... –e ela jogou a manta de lã sobre ele, deixando seus corpos oficialmente tocando-se.
-Oh... –ele arfou quando sentiu que ela se pressionava contra ele em locais que não deveria haver contato nenhum.
-Melhor assim?
-Você não tem ideia...
-Querido, você...?
-Me desculpe... mas eu não consigo controlar meu corpo com você assim... tão perto e seminua.
-Eu ia perguntar se você foi ferido, mas já que você quis me informar o óbvio...
-Oh! –ele exclamou olhando pra ela, que sorriu e o beijou.
-Isso é normal, eu também me sinto... diferente quando estamos assim tão juntos.
-Não está certo.
-Porque não?
-Nós... não podemos.
-E que lei nos impede?
-Nenhuma, eu apenas não quero que sua primeira vez seja assim. Que a nossa primeira vez aconteça num dia onde estamos tão emocionalmente instáveis.
-E quando é que nós não estamos emocionalmente instáveis?
-Ok, você me pegou nessa pergunta moça... Mas você me entendeu.
-Sim sim, entendi.
Mesmo assim Pan o beijou e logo percebeu que algo no fundo do seu peito estimulava que o beijo fosse cada vez mais intenso e profundo. Severus tentou resistir no primeiro momento, mas assumiu que saberia impor algum limite se fosse necessário e permitiu que ela seguisse. Mas de repente já não havia nenhum limite e num único movimento Severus girou na cama e pressionou-se contra ela. Pan estremeceu quando notou que os olhos dele observavam seu corpo seminu.
-Eu...
-Você?
-Não posso acreditar no quanto você é linda, querida... Uma mulher linda como poucas conseguem ser.
-Isso tudo é a fênix.
-Não deixa de ser quem você é.
Ele sentou-se na cama, afastando-se dela para pensar com mais clareza.
-Nós vamos precisar de um plano.
-Para que?
-Você sabe de tudo sobre mim, sabe que o preço a pagar por estar comigo é muito alto.
-Querido, não faça seus problemas maiores do que de fato são. –Pan disse sentando-se ao lado dele- Eu estarei com você e sempre farei o possível para tornar seu caminho mais fácil.
-Eu sei. –ele segurou sua mão- Mas antes de tudo isso, eu preciso que você entenda o que eu vou lhe pedir.
-Isso não está soando muito atrativo.
-Mas é pro seu bem. –ele garantiu- Hoje eu senti a marca negra arder como não acontecia há muito tempo. Foi apenas um formigar, mas serviu para me lembrar que eu tenho funções a desempenhar e que elas serão muito arriscadas.
-Eu sei.
-E eu não quero você unida a mim até tudo isso estar terminado.
-O que? –ela ficou de pé encarando-o furiosa- Você está terminando de novo?
-Não seja tola, Pan! Não se trata disso! Eu só não quero expor você a mais riscos do que o estreitamente necessário.
-Você esqueceu que eu sou imortal?
-Não depende apenas disso, meu amor... É toda sua vida. Não se trata de vida ou morte, se trata de estar segura mentalmente. Eu vou estar dividido entre dois mestres e eu não quero você no meio disso. Nós dois vamos dar um jeito de libertar sua mãe, deixar seu pai seguro, manter Potter vivo... e todas as outras obrigações que virão com o tempo, para que quando chegue o momento em que eu precisarei me submeter ao Lorde das Trevas, nós estejamos preparados para passar um tempo separados.
-Eu não irei me separar de você. –ela disse com extrema convicção- Eu tive você durante toda minha vida e a única época em que eu não fui feliz foi quando fugi de você.
-Podemos manter nossa relação em segredo.
-Eu não vou esconder de ninguém que nós somos um casal. Eu o amo e eu serei seu apoio independente do que venha.
-Pan... quando tudo isso terminar e nós pudermos ter a chance de nos casar e construir nossa família...
-Não há nada pra ser construído, Sev. Nós já temos uma família, nós sempre fomos uma família. Eu não faço questão de um casamento, mas eu não abrirei mão de você, nem agora, nem num futuro próximo, nem no fim dos tempos.
-Você é uma porta quando decide ser teimosa!
-Nunca existirá um meio termo, meu bem. Se você me quiser é por inteiro.
-Eu a quero como minha esposa, Pamela. Eu quero que nossa união seja oficial. Mas apenas quando o futuro que nos espere não seja uma guerra.
-Sev, ninguém pode garantir que essa guerra acabará bem pra nós. E se o futuro não for como esperamos de modo tão otimista? Porque nos privaremos do hoje? Eu trocaria a eternidade pelo hoje, Sev. Nós podemos construir um mundo melhor, dia após dia... mas eu só vejo sentido nisso com você ao meu lado. –ela murmurou ajoelhada diante dele, suas mãos acariciando o rosto pálido e circunspecto- Eu te amo.
-Então você aceita se casar comigo?
-Eu aceito qualquer coisa que me una a você pra sempre.
FIM DA SEGUNDA PARTE.
Notas da Autora: Oi gente bonita! E então eu finalizo a segunda parte da Hexalogia já com planos quentinhos para postar a terceira!
Nesse ponto o Terceiro livro de HP está terminando, Sirius está fugindo com Bicuço e Harry está cheio de expectativas a respeito do padrinho. Pamela e Severus estão tomando a decisão mais importante de suas vidas concluindo que juntos serão sempre mais fortes, e eles precisarão ser já que um futuro bem complicado os espera.
Quero agradecer a todas por terem lido ate aqui e prometo que tentarei postar regularmente! Reescrever Pan tem sido uma terapia pra mim e cada rewiew é uma excelente forma de sentir q estou sendo recompensada, por isso muito obrigada! Até loguinho!
REWIEWS
Liv Stroker: Suuuuper bem vinda! Assim que der eu dou uma passadinha na sua fic, tbm sou louca por SS/HG's *-*
Pearll: Aaa bondade sua, a fic original foi escrita por trasgos esfomeados por melosidade! Hahah Tia P aparece de novo logo logo!
