Parte Três

"Fogo"

Capítulo Vigésimo Primeiro

Esperava que ele estivesse desperto, ansiava por isso, precisava de ajuda para entender o que acabara de descobrir. Entrou no escritório e irritou-se por notar que estava deserto, logo rumou para o quarto, abrindo a porta sem bater. Observou a cama por um instante e assustou-se. Ele dormia por cima das cobertas, apenas com uma toalha de banho enrolada na cintura. O peito marcado por algumas cicatrizes, mas também bem delineado de musculos, praticamente brilhava na luz fraca de um candelabro. Ele estava exausto, ela notou apenas por identificar que ele havia adormecido sem proteger as portas, sem sequer vestir-se.

Aproximou-se devagar e sentou-se na cama a seu lado. Severus tinha olheiras e parecia pálido, mais que o habitual. O cabelo estava úmido, Pan notou quando afastou uma mecha de seus olhos. Acariciou-lhe levemente o rosto, decidindo que seria melhor esperar que ele acordasse. Podia tentar entrar em contato com Albus para falar da descoberta e de toda a situação com Hope, mas isso seria complicado, ele certamente estaria com Minerva em algum lugar pouco acessivel, tentando confortar a mulher que ainda estava mais do que abalada pela descoberta de que sua filha, presa durante mais de uma década em Azkaban, era inocente.

Podia esperar o dia amanhecer, pelo menos. Podia deitar-se naquela cama, que sabia ser extremamente confortavel, e dormir por algumas horas, mesmo com Severus despido a seu lado. O que era tentador num único e perigoso sentido. Também estava cansada, a noite fora longa e cheia de acontecimentos que ela preferia esquecer. E seu portal para o conforto e esquecimento estava adormecido nesse momento. Pan curvou-se e beijou Severus nos lábios com suavidade. Decidiu tomar um banho e tentar descansar.

-Eu não imagino o que aconteceu esses ultimos dias pra você estar com essa aparência derrotada, meu amor... Vou deixar você descansar e...

Antes que terminasse a frase, sentiu o golpe. Severus a atirou para fora da cama com um único gesto. Atingira Pan com o antebraço, transversalmente, atingindo o ombro com o pulso e uma costela com o cotovelo, machucando um seio no processo. Ela gritou, sentindo a dor de um osso quebrado, não sabia se pelo golpe ou se pelo impacto com o chão.

-Pamela! –ele berrou atirando-se sobre ela- Oh, Céus, o que eu fiz?! Pan, me perdoe... Eu não estava pensando quando agi, eu...

-Oh, Sev! Oh, como dói! –ela reclamou, mas logo a eficaz camada de fogo que a curava sempre surgiu, envolvendo-a pelo tórax e em pouco tempo, onde Severus se desculpava e maldizia incessantemente, ela estava bem.

-Eu não imaginava que você apareceria hoje... Eu acabei pegando no sono...

-Shhh... –ela tocou os lábios dele com o indicador- Me ponha na cama e me deixe descansar um segundo, por favor. Esse tipo de coisa tira minhas forças.

-Eu te feri seriamente, você devia estar fugindo de mim! –ele disse, mas mesmo assim a pegou no colo e colocou na cama, ignorando o fato de que a essa altura estava sem a toalha, agora caída no meio do tapete.

-Eu invadi seu quarto e atrapalhei seu sono. Você agiu como eu teria agido.

-Eu não sabia que era você!

-Eu sei que não. Ninguém está te culpando, querido.

-Eu devo estar mesmo com algum problema. Minhas proteções adimitem que apenas você entre aqui sem precisar bater ou me chamar. Quem eu imaginava que apareceria no meu quarto durante a madrugada?

-Está tudo bem. –ela garantiu, observando ele ir calmamente até o tapete e pegar a toalha.

Merlin, ela tinha que tirar determinados assuntos da cabeça. Agora observava as costas e as nádegas dele, cada músculo se movendo, as pernas levemente peludas, e os ombros largos e firmes...

-Eu não sabia que suas proteções me admitiam.

-Sempre foi assim, desde que você era criança. –ele enrolou a toalha de volta na cintura e foi em busca de um roupão- Não fique me olhando quando eu estou nu.

-Você me viu nua um milhar de vezes.

-Da ultima vez que isso aconteceu você estava desmaiando por causa da fênix. Eu não olhei realmente para lugar nenhum.

-Não parecia interessante?

-Pan... –ele se virou para ela, que o observava com um ar travesso- Não tente acabar com meu auto-controle.

-O que você achou do que viu?

-Você realmente quer que eu me sinta sujo o bastante por reparar que você... –ele interrompeu-se balançando a cabeça para afastar o pensamento- Você estava falando quando eu acordei, o que você dizia?

-Não mude de assunto, estamos falando de nudez... –ela ergueu uma sobrancelha, decidindo que deixar Severus corado era mais divertido que quadribol- Eu estava nua, e você me pegou no colo, dessa vez sem minhas camadas de roupa, no máximo uma capa me envolvendo, e você não sentiu nada... quero dizer, suas mãos estavam realmente me segurando... –e ajoelhou-se na cama, engatinhando até a borda mais proxima dele.

-Pearll estava lá berrando comigo. E antes, Hogwarts inteira estava lá. Seu corpo nu não é segredo pra ninguém. –ele fixou os olhos no lençol da cama, evitando olhar pra ela naquela situação tão... sufocantemente sedutora.

-Eu posso dizer o que achei de você sem roupa. Posso descrever como um arrepio estranho me percorreu e um calor ainda mais estranho se espalhou por aqui... –ela tocou o ventre e deixou as mãos escorregarem um pouco mais para baixo- Posso dizer também que minha respiração sumiu e eu me imaginei tocando... –e agora ela passou os dedos pela pele que se entrevia através do roupão- ... assim, sem nenhum pedaço inutil de tecido atrapalhando.

Severus agora tinha os olhos fechados e os lábios entreabertos. Uma mão segurava a cabeça dela, com os dedos entrelaçando-se nos cabelos soltos, e a outra envolvia o pulso dela, numa inutil advertência, onde ele já havia se rendido. Pan ofegou quando sua mão alisou a superficie do peito dele, e quando deu por si, estava com os lábios colados ali. De fato estava quente e trêmula ao mesmo tempo e ele parecia estar vivenciando a mesma coisa.

-Pan, não faça isso... –ele gemeu rouco e aflito.

-O que eu estou fazendo? –ela perguntou em tom de brincadeira, mas precisava admitir que já não era bem assim. O que começou como uma travessura estava tomando uma proporção séria agora.

-Você está fazendo isso... –ele passou a mão pela perna dela, por baixo da saia, subindo sempre, encontrando o local onde a meia acabava numa renda e se iniciava a pele macia, e ainda mais acima, a curva acentuada que delimitava os glúteos mais firmes que ele sentira em toda a vida.

Ela arfou e fez a única coisa que podia ter feito naquele momento. Beijar Pan era uma das coisas que Severus catalogava como "doloroso parar", e ela agora tinha os lábios e a lingua tão perfeitamente sincronizados em sua boca que interromper o contato seria, de fato, doloroso. Já não importava por onde as mãos dela estivessem passando, se ela queria provocar que arcasse com as consequencias de também ser incitada.

Por sua vez, Pan havia enfiado as mãos dentro do roupão e sentia as costas, cujos musculos chamaram tanto sua atenção. Notou que havia cicatrizes em alto-relevo, e aquilo era triste, mas ao mesmo tempo era misterioso e sedutor. Deslizou as mãos e encontrou a ondulação que indicava o final das costas. Deteve-se ai, porque nesse momento ele a apertou contra si, e ela sentiu algo mais pressionando seu ventre. Não soube como, mas os botões do corset de couro se abriram e ele caiu de lado, deixando-a apenas com a roupa de baixo, que se resumia numa fina blusa de seda, sem alças.

Severus observou a seda branca em contato com a pele dela, e deslizou a mão de seus cabelos para sentir o volume firme dos seios em contato com a seda. Ambos deixaram escapar um gemido, no meio de toda aquela curiosidade mútua sendo sanada, não havia mais espaço para nada... Hesitação, incerteza, medo, pudor... nada. Ele precisou dizer a si mesmo que havia ultrapassado uma linha que eles não deviam ter deixado surgir, mas agora era tarde, porque seus dedos haviam deslizado por baixo do elástico de sua calcinha e percorrido um caminho descendente até sentir uma umidade lisonjeira.

-Ah, Pan... –ele disse dando-se por vencido, quando tudo diante dele se resumia àquela mulher, e já não havia nada mais em lugar e de jeito nenhum que o iludisse sobre ela ser ou deixar de ser sua menina. Já não havia nenhuma menina ali, era uma mulher, a mais bonita e incrivelmente especial mulher de todo o planeta. E ela estava literalmente em suas mãos, em sua boca, em sua pele, úmida e quente.

-Sev... –ela sibilou- Eu acho que meu corpo está atuando por si mesmo e... tudo o que eu sei é que há algo dentro de mim que precisa ser preenchido... eu tenho plena consciencia de um espaço que jamais existiu antes... e esse espaço é todo seu.

Aquilo foi demais, mesmo pro mais casto dos homens, o que não era o caso. Ele a empurrou na cama, puxando a saia pelas pernas. Observou a fina calcinha com a qual havia brincado minutos atrás e a perna longa, vestida com uma meia que vinha até o meio da coxa. Seu roupão aberto deixava todo o seu corpo à mostra, inclusive sua parte mais viril, dolorosamente necessitada de que algo a envolvesse.

Pan livrou-se da peça de seda que ainda cobria seu busto. E esse gesto simples fez com que ele se ajoelhasse na cama, separando as pernas dela, e mergulhando o rosto na firme maciez daqueles seios que imploravam por beijos e carícias... Ele arrancou dela cada gemido que pode enquanto acariciava e sugava os mamilos turgidos e rosados. Interrompia-se apenas para beijar-lhe a boca, e foi no final de um desses beijos que ele pode observar uma das imagens mais lindas que o acompanhariam na vida: Pan, adulta, dele, nua em sua cama, com os cabelos espalhados pelo lençol marfim, os olhos escuros de desejo fixados nele... os lábios entreabertos, inchados por beijos intensos, ajudando-a a respirar.

-Você é linda.

-Você é. –ela disse

-É um elogio completamente novo pra mim.

-Ninguém vê você pela minha perspectiva. Afortunadamente.

-Pan, eu... –ele interrompeu-se para formular bem o que ia dizer- Pan, eu não quero parar aqui.

-Parar o que estamos fazendo? Eu não quero que você pare.

-Oh, eu sei que não... –ele murmurou- Mas você pode se arrepender em algum momento.

-Por me entregar ao homem a quem sempre pertenci? Sev...

-Eu não vou deixar você jamais. Eu serei sempre seu e você sempre minha, não importa o que aconteça.

-Exatamente.

-Eu me casarei com você, não se preocupe...

-Pare de se aflingir com essas bobagens, meu amor. O que é um casamento diante do que nós somos?

-Sua honra, eu...

Pan apenas fez um gesto com a mão e terminou de despir o pouco que faltava. Envolveu o membro dele com as duas mãos e o acomodou onde ele deveria estar. Levou um instante para que Severus percebesse que estava ali, pronto para entrar e preencher o lugar dele dentro dela. Pressionou-se devagar sentindo que ela o envolvia, tão apertada e quente que chegava a doer. Cada vez mais quente, cada vez mais fundo... E ela apenas tinha o rosto contorcido numa expressão de dor. Lamentável, mas inevitável. Logo não doeria, logo seria apenas prazer.

-Tem alguma coisa acontecendo comigo. –ela disse sem fôlego

-Eu posso parar, meu amor. Não se preocupe...

-Eu estou tão quente...

-Está doendo? Quando eu me mover, vai doer.

-É algo... é algo estranho...

-É ruim? –ele preocupou-se quando a temperatura dela subiu consideravelmente.

-Continue.

-Pamela...?

-Eu tenho certeza, Sev, eu vou explodir se essa necessidade de você não passar.

-Você está quente... –ele comentou.

-Oh, Sev... –ela gemeu quando ele se rendeu e iniciou o movimento, lento e cuidadoso.

Ele viu o corpo dela recobrir-se com as chamas, suaves e cálidas. Fazia parte dela, era mais excitante ainda, se é que havia espaço para isso. Se havia dor, agora já não existia nada além do mais inebriante prazer. Ele se sentiu a vontade para ser mais veloz, ir mais fundo. Ela o agarrava forte, suas pernas pressioando os quadris dele, puxando-o pra si, e ela não sabia como aprendera aquilo, mas seu corpo se moldava de forma a fazer todo aquele prazer ser cada vez mais intenso. Ainda se sentia estranha, mas aquela sensação não se comparava a todo o resto. Mas conforme ela sentia que estava prestes a explodir de prazer, sentia que desmaiaria a qualquer minuto.

O fogo estava mais forte. Severus suava, agora completamente evolvido nas chamas. Reparou que Pan impelia-se pra frente, aumentando o contato entre os corpos e que se movia, de modo natural, quase como um instinto. Ela gemia agarrando-o com força, beijando-o onde podia. Então seus gemidos ficaram mais altos e mais urgentes, tudo era fogo agora, e no momento em que ela gritou o nome dele, coincidindo com seu ápice e desencadeando o dele, apagou.

Notas da Autora

Hey meus amores, um milênio depois do final da segunda parte da Hexalogia, to eu aqui de novo com a estréia mais picante do que eu podia imaginar seria. Tenho certeza de que vocês vão pensar que o Sev se rendeu facil demais dessa vez, mas vamos convir que se ele se negasse de novo ia ficar meio gay da parte dele, não é verdade?

Como vocês viram, é verão e a Pan tá pegando FOGO em mil e um sentidos. Ao longo da 'season' vocês vão entender melhor porquê isso.

Vou deixar um agradecimento geralzão pra todo mundo que tá lendo (se é que ainda existe alguém por aqui) e vou prometer que não vou deixar a fic em hiatus por mais de uma semana. Deixo também o convite pra que vocês possam ler outras fics minhas ;) por aqui mesmo.

"Um Novo Erro" é outra SSPO, já foi concluida e tem eu lá sendo estrela, aprontando e errando de novo, bem no meu estilo eu. (sério, se vocês não tem uma cara pra dar a ela, imaginem a guria da foto ai, acrescentem um pouco de beleza, pq né... eu sou normalzinha, e descubram a personalidade real da escritora aqui) Praticamente minha auto-biografia no mundo de HP.

"Frozen" é uma SSLL, onde a nossa Luna voadinha descobre o que há por trás da cortina de sonhos que ela criou pra se esconder do horror do mundo. Mas não só horror existe ai, já que o Sev é sempre o Sev e garanto que fiz escritor muito bom chorar com essa narrativa, quando postei inicialmente no orkut.

"Intrínseco" narra o que houve antes de Pan nascer. Ela inicia com a história de Minerva e Albus, vai por um longo caminho e eu planejo que acabe exatamente quando Pan nascer. (já to deixando spoiler) Faz parte da Hexalogia, como um super anexozão. Se eu fosse vocês eu não deixava de ler. ;)

Isso é tudo pessoal, pelo menos por hora.

Obrigada mesmo por ler!