Se fosse resumir o ano que passou em uma palavra, poderia dizer que foi "inacreditável". Tantas coisas aconteceram que mal dava para acreditar que foi verdade.
Nossa banda finalmente conseguiu um contrato com a gravadora, conseguimos fazer o single music, apesar de ter saído apenas no início desse ano; nossa música ficou tocando na rádio por semanas.
Madara e Hashirama irão se casar...
Essa com certeza foi a parte mais inacreditável de todas. Mesmo sabendo que esses dois eram loucos um pelo outro, nunca cogitei que Hashirama seria apressado o suficiente para colocar uma algema no dedo do meu irmão. Depois de todos esses anos de enrolação nesse "pega-não-pega", finalmente eles se resolveram.
Claro que a notícia pegou todos de surpresa e teve uma repercussão enorme, afinal, agora meu irmão era uma figura pública. Apesar de terem tentando esconder os fatos, não conseguiram negar por muito tempo o que a mídia já vinha suspeitando. No fim das contas, foi melhor assim. Ao menos o assédio se tornou menor, principalmente da ala feminina.
Mulheres eram mesmo problemáticas.
E, para completar, tivemos o melhor natal em todos esses anos. Finalmente, Tobirama e eu conseguimos passar nosso primeiro final de ano juntos.
Na verdade, incrível mesmo era estarmos juntos por tanto tempo, mesmo sendo bem diferentes. Até hoje me pergunto o que eu vi nesse babaca, metido e arrogante, mas, que ainda assim, amo muito. Tobirama sempre foi o tipo popular, inteligente, fazia – na verdade ainda faz – bastante sucesso com a mulherada. Resumindo, um grande idiota.
Idiota porque fazia questão de passar isso na cara dos demais todos os dias, durante o período em que estudávamos juntos. Na verdade, quando o vi pela primeira vez, confesso que o achei bem interessante por seu estilo peculiar. Porém, a medida em que o conheci melhor, cheguei à conclusão óbvia: Babaca.
E, para piorar as coisas, ele parecia sempre estar de marcação com minha cara, fazendo suas idiotices para tentar chamar atenção de alguma forma e me deixar irritado. Mesmo o meu autocontrole sendo excelente, o filho da puta conseguia me tirar do sério.
Houve um tempo que só de olhar para ele era irritante. No fundo, eu sabia muito bem do que se tratava toda essa irritação, mas nunca admitiria a verdade por trás disso, obviamente.
Por um longo período, o evitava de várias maneiras possíveis, desde pegar uma rota diferente para a sala de aula, até mesmo desviar dele, caso nos "esbarrássemos". Apesar de que esses encontros repentinos pareciam mais que ele estava me seguindo.
Ficamos nessa de gato e rato por bastante tempo. O suficiente para, um dia, Tobirama me surpreender num corredor da biblioteca e, sem nenhum aviso, roubar um beijo ali mesmo. Naquele instante, pensei: "Que diabos está acontecendo aqui?". Tentei escapar, ainda que soubesse que era impossível, porque eu também estava envolvido demais para simplesmente me afastar dele. Então, aquele acabou sendo nosso primeiro beijo. Desajeitado, pois eu não esperava aquilo, porém, inesquecível. Afinal, ninguém havia me beijado daquela forma até ele o fazer. E fez da maneira mais categórica o possível. Maldito. Quando me dei conta, estava completamente envolvido. Foi difícil admitir isso, levou um bom tempo.
Depois disso, acabamos nos conhecendo melhor, descobrimos tantos gostos em comum que não tínhamos dúvidas de que precisávamos ficar juntos. E nessa "brincadeira", estamos namorando há quase sete anos. Engraçado como as coisas são. Em um momento, não suportava sequer olhar para a cara dele, e, agora, por uma grande ironia do destino, estamos juntos no meu quarto, trocando carícias após uma seção intensa de sexo. O mundo é bem louco, não é mesmo?
A música nos uniu de uma forma bem inesperada. Tobirama acabou vindo melhor do que esperava com seu talento. Não demorou muito para surgir a ideia de formar nosso grupo. Algo que nasceu de um sonho de adolescente, e que agora se concretizou. Nunca imaginei que um dia estaríamos com composições próprias, ainda mais tocando sem parar em diversas rádios. O clipe teve milhões de visualizações no youtube em apenas uma semana!
Incrível como a internet tem esse poder de levar informações em poucos segundos. O bom disso tudo era termos bastante evento já agendado para esse mês ainda. Essa coisa de fama era algo bem estranho mesmo. Em um piscar de olhos, você se torna conhecido. Não que eu achasse isso ruim, mas, nossa privacidade acabou ficando comprometida com isso. Tobirama e eu decidimos manter nosso namoro em sigilo, não por vergonha, afinal, não era segredo para nenhum dos nossos amigos e parentes que estávamos juntos. A grande questão era a perseguição sofrida. E vimos isso acontecer quando Madara e Hashirama acabaram descobertos pela mídia. Foi uma loucura, e ainda está sendo, porque sempre tem algum intrometido para perturbar a paz deles. Por isso, decidimos que manteríamos isso em off o quanto pudermos. Seria bem ruim ter esse tipo de gente em nossa cola nos enchendo de perguntas inconvenientes.
Tobirama acariciava preguiçosamente meu cabelo e costas, respirando calmamente em sincronia com as batidas de seu coração. Aninhado em seu peito, suspirei devagar, inspirando o cheiro que ele emanava, enquanto fazia um carinho leve em seu peitoral. Ficamos assim por vários minutos. Era realmente ótimo desfrutar desses momentos tranquilos com ele, ainda mais agora que a rotina ficou mais corrida.
Com isso, a mente acabou divagando para o momento em que nos vimos pela primeira vez, até situações completamente inusitadas, como naquele dia em que quase fomos surpreendidos no vestiário da escola. Ou quando transamos pela primeira vez e não sabíamos muito bem o que fazer. A primeira vez em que tocamos num bar estranho cheio de figurões, onde Tobirama quase bateu em um cara maluco que começou a dar em cima de mim. Essa certamente foi a lembrança mais cômica. Uma risada ameaçou escapar, mas consegui me conter a tempo. Ainda com as lembranças, houve um dia em especial que nunca irei esquecer: O dia em que Tobirama finalmente admitiu que me amava. Por incrível que pareça, ele acabou se declarando primeiro.
Era um dia chuvoso, lembro como se fosse ontem. Havíamos acabado de tocar em uma casa de shows – lotada por sinal –, nesse dia, estávamos brigados e quase terminamos o namoro. Motivo da briga: Mulheres, como sempre. Elas sempre apareciam dando em cima dele, sabe-se lá de onde. As vadias pareciam brotar das profundezas do inferno. E ele não conseguia ser grosseiro com elas. Segundo ele, não era do seu feitio destratar uma mulher. Não conseguia entender essa atitude dele, apesar de ele ser frio, ainda as tratava com certa cordialidade. Essas porras só podem ser masoquistas, não pode ser. Ficar se rebaixando para um cara que não dava a mínima – ao menos na minha frente –, era lamentável. Porém, uma em particular sempre o perseguia, e, por causa dessa vadia, acabamos nos desentendendo a ponto de eu querer terminar. Ela parecia ser algum tipo de stalker, porque sempre estava nos lugares aonde iríamos nos apresentar, sempre com a mesma conversinha. Dava até pena de certa forma, no entanto, ela fazia por onde para ter minha total aversão.
Discuti com ele porque, no final de semana anterior, a vaca teve a audácia de beijá-lo, na minha frente! Como se eu não estivesse ali, ignorando totalmente minha presença. E o pior de tudo, foi que o Tobirama sequer conseguiu ser rude com ela. Apenas a afastou com muita delicadeza para o meu gosto – se fosse eu, teria empurrado a vagabunda para bem longe. Naquele instante, o sangue ferveu tanto, mas, a única coisa que fiz foi lançar um olhar fulminante e deixar ele pra trás. Depois desse episódio, ele tentou se explicar, porém, a raiva era grande demais pra conseguir responder qualquer coisa. Ficamos sem conversar durante a semana inteira. Nem compareci aos ensaios para não ter que dar de cara com ele.
Até que, nesse final de semana chuvoso em questão, após nossa apresentação, a vaca veio novamente se engraçando para cima dele. E, como ainda não havíamos conversado, resolvi que terminaria tudo no outro dia. Se ele quisesse, que ficasse com aquela piranha. Mas, para minha surpresa, assim que ela se aproximou, antes que eu pudesse sumir daquele inferno, Tobi segurou meu pulso com força, me puxando para junto dele. A mulher arregalou os olhos de tal forma que pareciam que saltariam das órbitas a qualquer segundo. E, para minha surpresa ainda maior, ele me beijou na frente dela e de um monte de gente que estava ali. Não um selinho, e sim um beijo de tirar o fôlego. Depois disso, ele sussurrou em meu ouvido as palavras que jamais esquecerei:
"Amo você, idiota. Então, para com esse ciúme idiota porque isso definitivamente não combina com você.".
Foi então que me dei conta do quão estúpido estava sendo diante daquela situação. Realmente, esse tipo de atitude não combinava comigo. No entanto, aquelas palavras foram um alívio para meu coração, afinal, ele não havia dito isso ainda – ao menos, não nessas circunstâncias –, e, claro que, de certa forma, me deixava inseguro. Tobi era o cara popular com as mulheres, então, ficava com aquela dúvida maldita na cabeça de que, algum dia, ele iria acabar saindo com alguma delas. Depois desse episódio, passei a ter mais confiança nos sentimentos dele. Não que ele demonstrasse qualquer tipo de interesse em outras pessoas. Com o tempo, acabei entendendo que isso fazia parte do que era realmente ser um artista. Tobi sempre fora amadurecido o suficiente para lidar com situações que eu nem mesmo me dava conta. Sempre com a cabeça fria, adepto mais da razão do que emoção. O dia em que ele perdeu a cabeça e quase bateu no tal maluco que deu em cima de mim, nem parecia o mesmo Tobi. Ele se transformou em outra pessoa. Se eu não tivesse segurado ele com todas as minhas forças, certeza de que aquele homem estaria a sete palmos de terra agora. Nunca havia visto o Tobi alterado como naquele dia.
Desde então, ficou ainda mais claro tudo o que ele sentia por mim. E, claro que eu não perdi a oportunidade de repetir as mesmas palavras – quase todas –, que ele me disse quando me beijou na frente da stalker.
O riso dessa vez acabou vindo espontaneamente. Tobi parou imediatamente o carinho que estava fazendo e ergueu um pouco o tronco para me encarar.
- Posso saber qual o motivo da graça? – questionou, erguendo uma sobrancelha.
- Nada demais. Só lembrei de uma coisa sem importância. – disse, tentando conter o riso.
- Aham, sei. Logo você, o Mr. Freeze. – ele se sentou, recostando na cabeceira da cama e segurou meu rosto entre suas mãos – Agora me diz, qual o motivo dessa risada? Coisa boa não é, certeza.
- Não é nada demais, sério.
- Vou fingir que acredito que você não está sendo sarcástico.
- Nossa, Tobi, que péssima ideia você tem de mim. – fingi indignação, fazendo um bico numa tentativa de convencê-lo da minha suposta "delicadeza".
- Que isso, eu apenas o conheço bem o suficiente para saber quando você está sendo um puto sarcástico. – ele sorriu de canto e eu não consegui conter o riso diante daquela verdade. Tobi parecia conseguir ler meus pensamentos.
Porém, não entregaria o jogo assim facilmente, então, para fim de conversa, o beijei com fervor. Ele, claro, não resistindo à tentação, retribuiu o beijo, deslizando suas mãos grandes e travessas para minha bunda, apertando com vontade.
Um gemido abafado pelo beijo escapou da minha garganta, então, agarrei seus cabelos, puxando para mais perto, enquanto as mãos de Tobi passeavam por minhas costas, voltando ao traseiro, espalmando com um tapa forte, fazendo o estalo ecoar pelo quarto.
Maldito.
Mas, isso não ficaria assim, com a mão livre, deslizei todo o seu peitoral, chegando à virilha, onde apertei levemente a ereção desperta dele. Com isso, Tobi mordeu meu lábio inferior com força, gemendo deliciado com o simples toque. As coisas estavam esquentando e tudo indicava que teríamos um segundo round.
Teríamos, se não fosse o celular do Tobi tocando o característico toque que identificava a chamada do Hashirama.
Tobi nunca deixava de atendê-lo, não importava a situação. O que era um grande inconveniente, como agora. Rolei o corpo para o lado e ele esticou o braço para buscar o aparelho em cima do criado mudo.
Após trocar algumas palavras com o irmão, Tobi desligou e me encarou um tanto insatisfeito. Conhecia bem aquela expressão, com certeza Hashirama havia pedido para ele ir à empresa. Suspirei, em pleno sinal de derrota, só acenando positivamente e ele se levantou rapidamente, catando as peças de roupa espalhadas de qualquer jeito pelo quarto e as vestindo de forma bem desajeitada. Aquilo era um misto de sexy e cômico ao mesmo tempo. Sexy porque o corpo dele era o pecado em forma de homem, ainda mais com aquela tatuagem da Zelda praticamente fechando o braço esquerdo, e a do Asura¹ que eu particularmente adorava naquelas costas bem trabalhada. Dois dos jogos favoritos dele, contrastando cores vívidas naquela pele branca. Parecia uma tela de tão perfeita. Assim que ele vestiu a camisa, pude pensar com clareza e consegui formular algo.
- O que o Hashirama queria?
- Ele pediu para eu passar lá na empresa para assinarmos alguns papéis referentes a um novo contrato de serviço. Todos os sócios precisam assinar. – Ele se virou e veio em minha direção, depositando um selinho em meus lábios. – É coisa rápida. Depois a gente termina o que começamos. – Sorriu de canto, dando um tapa forte na minha coxa. – Mal posso esperar.
- Tarado. – "protestei", rindo alto daquela sentença.
- Quem mandou ser gostoso? Agora aguenta. – Pegou minha mão, deslizando-a por aqueles músculos trincados de sua barriga, parando em cima do volume por baixo da calça. – Sentiu? Doidinho pra entrar nessa sua bunda gostosa.
Sorri largo, dando um aperto nada delicado naquela ereção. Aproximei o rosto e passei lentamente a língua por cima do tecido.
- Mal posso esperar. – Repeti suas palavras da forma mais ousada que pude.
- Maldito, me aguarde. Mais tarde vou te foder até não aguentar mais e ficar sem voz de tanto gemer. – Depois dessa "ameaça", ele se afastou e deixou o quarto.
Eu realmente adorava quando ele falava assim. Porque sempre que dizia essas coisas, podia sentir claramente os seus sentimentos por mim. Um sentimento intenso que chegava a ser quase palpável.
Com muita dificuldade, levantei da cama, seguindo diretamente para o banheiro. Precisava resolver um grande problema que aquele puto havia deixado entre minhas pernas. Assim que adentrei, pude ver várias marcas roxas espalhadas pelo pescoço, ombros, peitoral. Aquele filho da puta fazia questão de marcar território, e eu, claro, não deixaria por menos também. Entretanto, ver essas marcas trazia uma certeza de que eu era bem amado pelo Tobi. E essa sensação fazia meu dia e minha vida bem melhor.
Depois do banho, aproveitei para tirar algumas notas no violão, enquanto esperava o Mada retornar. Ele ficou alguns dias fora resolvendo coisas da empresa do papai e voltará hoje à tarde. O tempo estava bem frio com muita neve. Tudo lá fora se encontrava branco e, só de cogitar por os pés fora de casa, sentia calafrios. Com Tobi aqui parecia mais quente, confortável. Peguei uma xícara de café, acendi um cigarro e sentei no tapete junto com o violão. Enquanto tragava a fumaça, algumas notas foram surgindo e, logo uma música se formou, assim como as memórias da primeira vez que peguei nesse instrumento para treinar. Naquela época, parecia algo bem difícil de fazer sair algum som legal, contudo, agora, parecia espontâneo, como se meus dedos tivessem vida própria.
Com isso, a tarde praticamente voou, bem como esses dias. O ano mal havia começado e o mês já está indo embora. O ponto positivo nisso tudo era estarmos avançando cada vez mais rápido com as músicas. E, ao mesmo tempo, muito estressante lidar com prazos muito curtos. Nunca fui muito adepto a esse tipo de pressão. Ainda bem que o Tobi sempre conseguiu lidar com coisas assim, talvez pelo costume, ou, por ser alguém bastante racional. Essa certamente era uma característica que eu admirava muito nele.
No final da tarde, já estava deitado de qualquer jeito no tapete, jogando Final Fantasy sem muito interesse, apenas para matar o tédio. Quando ouvi o barulho das chaves na fechadura, indicando que o Mada havia chegado, aquela sensação entediante finalmente se dissipou. Afinal, ficar sozinho não era algo muito agradável. Apesar de o Tobi sempre vir fazer companhia, ele não podia ficar por um período integral. E ter o Mada de volta era realmente reconfortante.
Assim que ele apareceu na sala, levantei bem rápido para lhe dar um abraço bem apertado.
- Bem vindo de volta, Mada. Senti sua falta.
- Percebe-se, olha só pra você, está horrível. – ele bagunçou meu cabelo numa carícia, rindo de canto. Provavelmente estava rindo da minha cara de zumbi. De fato, quando ele passava alguns dias fora de casa, não conseguia comer ou dormir direito. Já me peguei pensando em como será quando ele se casar com o Hashirama. Estarei literalmente fodido.
- Como foi as coisas? – desfiz o abraço e o encarei um pouco preocupado. Mada sempre voltava bem estressado dessas idas à empresa do papai.
- Dessa vez, por incrível que pareça, foi mais tranquilo e o Tajima não torrou minha paciência. Talvez ele tenha se dado conta do estresse que tem sido esses dias com a gravadora.
O motivo pelo qual ele chamava nosso pai pelo nome devido ao fato de que ele sempre tratava nossa mãe com certa frieza. E o Mada nunca conseguiu admitir esse tipo de atitude dele para com a mamãe. E ficou pior quando ela faleceu. Como eu era muito novo, não conseguia entender muito bem essa relação estranha deles. Depois da morte da mamãe, o papai mudou bastante, foi como se tivesse levado um choque da realidade. Bem que dizem que as pessoas só dão valor quando perdem. Porém, isso ficou bem marcado no meu irmão. Ele nunca mais conseguiu ter uma boa relação com o papai, apesar de respeitá-lo e trata-lo de maneira bem cordial, até demais. Isso parecia aquelas relações de negócios.
- Que ótimo. Bom, agora você precisa de descanso. Depois, podemos pedir algo para comer, lá fora não está um tempo legal para sair. – Quebrando o silêncio momentâneo, comecei a empurrá-lo para o seu quarto para que tomasse um banho e descansasse um pouco.
- Realmente, lá fora está congelando.
Ele seguiu pelo corredor, mas parou quando o seu celular tocou, provavelmente deveria ser o Hashirama.
- Sim, cheguei bem, Hashi. – Pude ouvir ao longe antes dele entrar no quarto.
Cara, se eles estão assim antes mesmo de casarem, nem quero imaginar o quão grudentos eles ficarão depois do sim. Mesmo assim, me sinto feliz por ver meu irmão feliz e sendo muito cuidado pelo Hashirama. Totalmente o oposto da relação abusiva – e destrutiva – que o Mada mantinha com o Obito em outros tempos. Apesar de ele ser nosso primo próximo, precisava admitir que Obito era muito sem noção. Ainda bem que as coisas não acabaram piores ou nem sei o que eu faria se aquele maluco fizesse algo com o Mada.
Desde o momento em que ele e o Hashirama se tornaram mais próximos, pressenti que eles simplesmente pareciam ter nascido um para o outro. Mesmo com as divergências, os dois combinavam muito bem. Até hoje não conseguia entender o porquê de eles terem demorado tanto para se acertarem. Ao menos, a relação acabou indo mais rápido do que eu e o Tobi pensávamos. Achávamos que eles demorariam um bom tempo para decidirem dar esse passo. Que bom que nos enganamos quanto a isso e o Hashirama foi mais esperto do que imaginei. Porque, se dependesse do Mada, com certeza essa enrolação iria longe.
A noite chegou depressa, então, depois de descansado, resolvemos pedir algo, já que a neve caía impetuosamente. Fizemos os pedidos, optando pelo nabe², para esquentar a noite congelante junto com um bom saquê.
Estávamos de volta à nossa rotina de sempre, jantando juntos, conversando sobre a banda, as músicas, as visualizações do clipe no youtube. Ter o Mada de volta trazia uma sensação reconfortante de alegria, principalmente em vê-lo mais feliz, sorrindo mais do que de costume. A leveza em suas palavras, atitudes, aos poucos, Mada havia se transformado. Mesmo eu o conhecendo a vida inteira, essa era a primeira vez que via ele dessa forma. O que o amor não faz com as pessoas.
O bom era que essa mudança foi muito positiva, e, apesar de não ser plenamente visível para quem não o conhece, para mim, foi algo surpreendente. Por mais que o Mada ainda mantivesse a pose de durão, podia ver claramente através de sua máscara. Afinal, que tipo de Uchiha eu seria se não soubesse desses "macetes" que utilizamos tão bem quando se trata em esconder os verdadeiros sentimentos?
E, assim como eu sei muito bem sobre, o Mada não fica atrás. Aliás, foi ele quem praticamente esfregou na minha cara o que eu sentia pelo Tobi. Sim, ele fez isso. O Mada, em quesito orgulho, consegue ser pior do eu. Mas, numa coisa ele estava certo naquela época: era melhor admitir logo do que ficar me martirizando. E quem melhor do que ele pra dizer essas verdades?
Por mais que eu tentasse esconder, o Mada sempre estava a vários passos a minha frente. E, claro que ele percebeu logo de cara quando comecei a me interessar pelo Tobi. Ele me aconselhou diversas vezes, ainda que eu jurasse de pés juntos que não sentia nada. Depois do episódio do beijo na biblioteca, a expressão vitoriosa no rosto do Mada de "eu te disse" fez meu orgulho ser esmagado completamente.
Agora, seja por pura ironia do destino ou coincidência, pude fazer a mesma expressão vitoriosa quando ele chegou junto com o Hashirama na manhã seguinte a casa do Tobi depois de comemorarmos o aniversário do meu querido cunhadinho. Consegui sentir exatamente o gostinho da vitória em ver que estava totalmente certo quanto aos dois pombinhos.
E esse gostinho se estendeu depois da notícia de que eles iriam se casar.
Pensando bem, eu nunca havia parado para imaginar isso acontecendo comigo e o Tobi. Apesar de estarmos tanto tempo juntos, não via essa necessidade ainda. Por mim, estávamos muito bem desse jeito. Até porque, agora, as coisas para nós seriam mais complicadas. Apesar de não ser uma má ideia.
I.U. ○ T.S.
O dia acordou um pouco mais claro, não estava nevando tanto quanto a noite. O alerta de mensagem ecoou pelo quarto; ainda sonolento estendi a mão, pegando o celular em cima da cômoda. A claridade da tela quase me cegou.
- Merda, preciso diminuir o brilho disso. – Resmunguei, agora com a visão melhor acomodada, consegui ver as horas: 09h em ponto.
Um pouco cedo, ainda mais para aquela manhã fria, porém, a mensagem do whatsapp chamou a atenção: Era Sasuke.
O que ele queria a essa hora?
Desbloqueei a tela para ver do que se tratava.
"Izu, quero que venha à livraria comigo, preciso comprar alguns livros e não queria ir sozinho.".
Cara, só meu primo para fazer um pedido desses em plena manhã de segunda, num frio do caralho.
Comecei a digitar a mensagem, sem pensar muito sobre o que estava escrevendo.
"E o Naruto? Ele não pode ir com você?"
A resposta veio imediatamente.
"Naruto teve que sair com os pais dele, não vai poder. Mas, tudo bem se você não quiser ir...".
Suspirei, derrotado com aquilo. Sasuke, além de primo, era quase um irmão. Crescemos praticamente juntos. Claro que não iria negar qualquer coisa que ele me pedisse.
Respondi prontamente seu pedido, ainda que a vontade de sair fosse zero.
"Por mim, tudo bem. Que horas nos encontraremos?"
"Às 15h está bom?"
"Ok, passo aí para te buscar.".
"Combinado.".
Joguei o celular de qualquer jeito em cima do colchão, espreguiçando o corpo. Aquele frio não era nada convidativo para sair ou fazer qualquer outra, senão ficar embernando feito urso dentro de casa. Olhei para o teto branco, imaginando que o Tobi a essa hora já estaria acordado, então, peguei o celular novamente, comecei a digitar uma mensagem.
"Bom dia. Dormiu bem?"
Travei a tela do aparelho e o deixei de lado. Meu corpo apenas queria continuar imóvel, encolhido debaixo do edredom. Então, o celular vibrou.
"Bom dia. Não tanto quanto eu gostaria. Teria dormido melhor se tivéssemos terminado o que iniciamos ontem pela manhã.".
Deixei uma risada baixa escapar.
"Você sabe que não ia rolar por causa do Mada, idiota.".
Ele digitou rapidamente a resposta.
"Madara é um empata foda do caralho.".
Como pode falar assim do meu irmão?
"Se continuar dizendo isso, mesmo que de brincadeira, vou te dar block, porra.".
Ele sabia muito bem que eu faria isso sem nenhum peso na consciência. Tratou de digitar uma resposta bem rápido.
"Ok, ok, parei. Nos veremos mais tarde?"
"Que horas?"
"Às 20h, tá bom?"
"Ok."
"Passo aí então. É bom que aproveito para conversarmos junto com o Madara sobre a nova música.".
"Estarei esperando... Preciso mesmo de você aqui para me esquentar.".
"Opa, no que depender de mim, você não vai sentir frio nenhum, hehe.".
"Aff, até mais.".
"Até."
As horas praticamente voaram e eu finalmente consegui tomar coragem para levantar da cama.
O período da manhã acabou sendo para resolver alguns assuntos com o Mada junto ao nosso empresário. Acertamos algumas coisas para a agenda do próximo evento em que estaríamos nos apresentando, e, conversamos sobre outras possibilidades de shows. Apesar de eu achar que seria melhor se Tobi e Kawarama estivessem aqui com a gente, no final, resolvemos boa parte das questões e eles certamente não iriam se opor, afinal, já havíamos conversado sobre isso anteriormente, e, com alguns conselhos do Hashirama, conseguimos lidar bem com a situação.
A tarde chegou rápido, estava quase na hora de encontrar o Sasuke. Depois de me aprontar, peguei as chaves do carro com o Mada. Para minha sorte, o tempo estava mais limpo e não nevava. As ruas, ainda com resquícios de neve do dia anterior, se encontravam limpas o suficiente para os pneus não derraparem. Não demorou muito o trajeto até a casa do Sasuke. Ainda bem que ele é sempre muito pontual e, quando cheguei, já estava me esperando na portaria do edifício, devidamente preparado para sair.
O trânsito estava bem tranquilo pelo horário, então, chegamos em poucos minutos à tal livraria. Talvez aproveitasse para comprar algum livro para o próximo semestre também, faltavam apenas duas semanas mesmo. Até que a ideia do Sasuke acabou sendo uma boa deixa para colocar esses materiais em dia. Aliás, a faculdade agora não era uma das minhas maiores preocupações. Não depois de todo esse ocorrido com a banda. E ter que lidar com os colegas de classe importunando com perguntas não era nada legal. Ainda bem que esse será o último ano, depois disso, adeus. Só estava fazendo esse curso por muita insistência do papai. Ciência da computação não era algo tão agradável à primeira vista, apesar de ter se tornado um curso muito útil por ter aprendido coisas sobre softwares. Para esse semestre, precisaria de livros sobre computação distribuída e teoria da computação, além de algum que seja mais aprofundado em inteligência artificial, tema do TCC.
-Sasuke, vou dar uma olhada em alguns livros naquela prateleira ao fundo. Acabei me dando conta que preciso comprar livros para esse semestre também.
- Certo, nos encontramos na fila do caixa então. – Ele parou próximo as prateleiras de biologia, e eu continuei andando pelo corredor extenso, parando em frente as fileiras direcionadas para computação, física e química.
Depois, acho que não seria uma má ideia pararmos num manga kissa³ aqui perto. Após ver tudo o que eu precisava, segui para a fila do caixa, onde Sasuke já estava pagando suas compras. O outro caixa não demorou muito para desocupar e me atender prontamente.
- O que acha de pararmos no manga kissa para vermos algumas revistas e conversamos um pouco? – Sugeri, assim que saímos da loja.
- Por mim, tudo bem. – Ele deu de ombros e seguimos para o outro lado da rua, atravessando na faixa.
Havia muitas revistas, mangás de vários gêneros, mas, seguimos direto para o café, que estava um pouco vazio, para nossa sorte. Definitivamente, lugares lotados somente em apresentações mesmo; fora isso, os lugares mais sossegados eram bem melhores. Nos sentamos numa mesa próxima a vitrine da loja, fizemos os pedidos. Enquanto esperávamos, Sasuke comentou algumas coisas relacionadas ao curso dele e aos livros que comprou. Depois que os pedidos chegaram, entramos no assunto sobre a banda.
- Então, Izuna, como está sendo lidar com esses prazos curtíssimos para gravar novas músicas? – Ele pegou a xícara de café, dando uma bebericada – Aliás, parabéns, a música nova ficou ótima. Gostei bastante da letra e dos arranjos. Expressou muito bem a energia que vocês sempre passam nas apresentações.
- Obrigado. Acho que isso não seria possível se não fosse o trabalho em conjunto e o apoio de todos vocês.
- Você está sendo um pouco modesto, não acha? É isso mesmo? Izuna Uchiha sendo modesto? Achei que não viveria para ver isso acontecer. – Sasuke riu baixinho, e eu pisei de leve em seu pé, fazendo-o se recompor.
- Como sempre, fazendo suas piadinhas sarcásticas. – Comentei e ele precisou conter o riso, colocando o dorso da mão sobre a boca.
- E como o Madara está lidando com isso de noivado? Eu quase não acreditei quando você me contou. Se não visse a aliança, que mais parece uma algema, pensaria que era algum tipo de pegadinha. – Ele parou por um momento, pensativo. Depois de mais um gole de café, tornou a falar. – Hashirama foi bem rápido quanto a isso. Não acha que ele se precipitou demais?
- Até o momento, ele tem sido paciente com isso, por incrível que pareça. – Acabei com o café e retirei o maço de cigarros do bolso. Café sempre pede um pouco nicotina, impressionante. – E o Hashirama é advogado, então, a mídia não tem sido muito ofensiva, apesar de aparecer um ou outro para importunar com perguntas incômodas. Mesmo assim, não chega a atrapalhar a vida pessoal deles. E não acho que eles foram precipitados, afinal, estão há mais de seis anos nessa ladainha. Demoraram muito até para se resolverem.
- Pensando por esse lado, é verdade mesmo. Não sei como eles conseguiram ficar tanto tempo nessa friendzone. Se bem que eu não posso falar muita coisa sobre. – Sasuke riu do próprio comentário, o que me fez rir junto. Ele e o Naruto também passaram por algo semelhante ao caso do Mada com o Hashirama.
Olhei para o relógio digital na parede próxima ao balcão da cafeteria, vendo que as horas simplesmente voaram!
- Preciso fumar, podemos ir agora?
- Claro, também estou afim de um cigarro. – Ele se levantou e eu o acompanhei, seguindo direto para o balcão para pagar a conta.
Quando estávamos saindo da loja, uma cena no outro lado da rua chamou a atenção do Sasuke, fazendo-o cutucar meu braço de leve.
- Aquele não é o Tobirama? – fez sinal com a cabeça, indicando duas pessoas andando de braços entrelaçados. Reconheci prontamente a cabeleira branca do Tobi.
Espera... Aquela mulher... Eu conheço ela!
Era a secretária do Hashirama, a Mito?
Mas que porra era essa que estava acontecendo aqui?
Muitas coisas se passaram em minha cabeça em segundos, porém, uma única pergunta ecoava, se sobressaindo entre os demais pensamentos:
Ele estava me traindo?
Aquele maldito estava me traindo na maior cara de pau, ainda mais com a ex do Hashirama?
Como assim?
Não sei o que aconteceu ou que eu estava prestes a fazer, mas, seria sempre grato ao Sasuke por ter segurado meu braço com certa firmeza.
- Izu, acalme-se. – Sua voz em estado de alerta me fez despertar da momentânea confusão que havia se instalado dentro de mim. – Melhor irmos embora, depois você conversa com ele. Um escândalo agora não seria nada bom para a carreira de vocês.
Ainda com meu braço seguro, suspirei profundamente, soltando o ar devagar. Realmente, se não fosse a sensatez do meu primo, teria feito uma besteira. Quando Sasuke percebeu que eu havia me acalmado, soltou o aperto, mas manteve sua mão apoiada em meu braço.
- Entendo que a situação é muito ruim, mas você precisa pensar naquilo que tanto lutou para conseguir.
- Tem razão, melhor irmos embora. – Olhei mais uma vez os dois quase sumindo na esquina do outro lado rua. Ao menos, pareciam não ter percebido a gente aqui.
Reuni todo o autocontrole que consegui para dar os primeiros e atravessar a rua. Seguimos em completo silêncio para o estacionamento até chegarmos à vaga onde o carro estava. Um pouco mais calmo, consegui pensar com clareza sobre o ocorrido. Parecia até mentira tudo aquilo, no entanto, as coisas pareciam se encaixar perfeitamente. Tobirama sempre foi o cara popular com as mulheres, e, mesmo depois de começarmos a namorar, ele nunca as afastou totalmente de si. Pensando por esse lado, fazia muito sentido. Ele tinha mesmo essa questão da bissexualidade, o que nunca foi um incômodo para mim, de fato. Contanto que ele estivesse somente comigo, isso realmente não importava.
Agora, as coisas começaram a esclarecer. Mas, logo a Mito. Por que logo aquela mulher?
Muitas perguntas e nenhuma resposta para toda essa confusão em minha mente.
Nem percebi o quão rápido chegamos ao prédio do Sasuke.
- Não quer entrar para conversarmos melhor sobre isso? – ele sugeriu e eu apenas neguei. Não estava com cabeça para conversar no momento. Só queria ficar sozinho com meus pensamentos.
- Vou ficar bem.
- Tem certeza? – Sasuke questionou, não muito convencido da minha resposta.
- Tenho.
Ele me encarou, ainda desconfiado, porém, não fez menção em continuar insistindo.
- Qualquer coisa, sabe que pode contar comigo. – Por fim, ele apoiou a mão em meu ombro, dando um leve aperto e eu assenti, dando a partida.
- Obrigado.
Depois disso, não vi mais nada além da pista à minha frente. Tudo o que eu queria era chegar logo em casa e me trancar no quarto.
Assim que cheguei em casa, Mada, que estava sentado afinando a guitarra, percebeu o clima pesado quando bati a porta com certa força e me encarou com seu semblante preocupado.
- O que aconteceu, Izu? Você tá com uma cara...
- Podemos conversar sobre isso amanhã? Agora só quero ficar um pouco sozinho.
Mesmo preocupado, ele não questionou mais nada. Ele, melhor do que qualquer outra pessoa, me conhecia muito bem para saber que eu precisava desse tempo sozinho para organizar as ideias. Entrei no quarto, fechando a porta atrás de mim e segui para a cama, me jogando de qualquer jeito em cima dela. Peguei o maço de cigarros e o isqueiro no bolso, acendendo um, puxando a fumaça para os pulmões, soltando-a lentamente. Peguei os fones de ouvido em cima do criado mudo, o conectando no celular. Encaixei os fones no ouvido, escolhendo o modo "aleatório" da playlist. Para minha sorte, havia muita música baixada para ouvir e isso faria com que não precisasse me preocupar de terminar muito rápido. Dando um longo trago, dei o play; logo, a música começou a ecoar para dentro da minha cabeça.
Tudo agora parecia uma grande mentira. Todos aqueles gestos, as declarações, os momentos que passamos juntos. Queria apenas ligar um grande "foda-se" para tudo isso. Deletar, como fazia com os softwares na computação. Seria tão simples se fosse assim. Se pudesse dar o reset e fazer uma limpeza geral. Uma pena as coisas não funcionarem dessa forma como nos computadores.
Always somewhere
Miss you where I've been
I'll be back to love you again
O barulho de mensagem no whatsapp ecoou, interrompendo por uns segundos a música. Olhei rapidamente a pré-visualização: Tobirama.
Nem me dei o trabalho de abrir a mensagem. Não queria; aliás, não poderia conversar com ele agora. Minha mente estava um turbilhão confuso de emoções que variavam de raiva a uma sensação de vazio terrível. Minutos depois, mais uma mensagem. Depois outra e mais outra. Até que ele resolveu ligar. Suspirei, derrotado. Infelizmente, não poderia usufruir da música sem ser incomodado, então, fiz o que deveria ter feito desde o começo e desliguei o telefone. Pelo visto, a noite seria longa, silenciosa e malditamente dolorosa.
Não sei se isso seria um bom ou mau sinal, mas, em nenhum momento, senti a necessidade de chorar. Espero que isso continue assim até conseguir resolver tudo isso de uma vez por todas. Seria muito deprimente ficar choramingando pelos cantos por alguém que não merecia nada além do desprezo no momento. E, mesmo se eu quisesse chorar, não daria tempo. Precisava pensar no que fazer para terminar com o Tobirama e ainda tentar continuar sendo "amigo" pelo bem da banda. Afinal, não dava para simplesmente jogar tudo para o alto depois de todos os esforços para chegar onde estamos. E não seria isso que impediria. Ele teria de se contentar com a amizade, que já estaria de bom tamanho. Porque, sinceramente, depois dessa, não conseguira manter nada além de uma amizade com ele. E isso porque, levando em consideração todos esses anos em busca do sonho de seguir uma carreira, acabar com tudo agora seria um imenso desperdício de tempo. Enfim, precisava pensar em como diria isso a ele.
Apaguei a bituca no cinzeiro em cima do criado mudo, voltando a fechar os olhos. E, por incrível que pareça, pensar em tantas coisas ao mesmo tempo fez o sono chegar mais depressa do que eu imaginava.
I.U. ○ T.S.
A manhã parecia bem nublada. Pisquei, tentando acomodar à claridade, apesar de não estar um tempo limpo. Então, pude ver pela pequena fresta da janela a neve caindo novamente. Suspirei aliviado, agradecendo por estar nevando e, com isso, a possibilidade de o Tobirama aparecer seria quase nula.
Não estava com um pingo de coragem de levantar, ainda mais com o tempo congelando lá fora. Fiquei deitado por mais um tempo, ainda perdido em vários pensamentos, tentando colocá-los em ordem. Precisava conversar com o Mada sobre essa situação, não dava para simplesmente ignorá-lo o dia todo. Então, decidido a expor tudo, levantei, seguindo para o banheiro. Após lavar o rosto e ajeitar o cabelo de qualquer jeito num rabo de cavalo, fui para a cozinha, onde o Mada estava sentado à mesa bebendo café, enquanto lia alguma coisa no celular.
- Bom dia. – Parei na porta, chamando sua atenção.
- Bom dia. – Mada me encarou preocupado, com cara de quem faria um monte de perguntas. Porém, eu seria mais rápido e acabaria com esse clima estranho de uma vez por todas. Andei alguns passos até chegar à mesa, puxei a cadeira e me sentei, ficando de frente a ele.
- Precisamos conversar.
- Percebi isso. – Ele pegou a jarra da cafeteira do suporte, serviu um pouco mais de café em sua xícara e a estendeu em minha direção – Café?
- Sim. – peguei uma xícara e ele serviu até encher. Após beber um bom gole, nos encaramos por alguns segundos em completo silêncio. Ele, esperando eu começar a falar, colocou o celular em cima da mesa e cruzou os braços. – Mada, o que você faria se descobrisse que o Hashirama estivesse te traindo?
A pergunta foi tão retórica que ele ficou boquiaberto por um instante.
- Terminaria com ele. – Começou, a expressão suavizada, tranquila até demais para ele; contudo, mudou para um riso sarcástico – Não sem antes cortar as bolas dele. – Pegou a faquinha de serra ao lado do prato, segurando-a com aqueles personagens de filme de serial killer. Não resisti em deixar escapar uma risada genuinamente divertida, e ele riu junto. – Então, o que tá pegando contigo e o Tobirama? Ele ligou ontem perguntando por que você não atendia o seu celular, que vocês haviam marcado de se encontrarem. Eu não disse nada sobre seu estado de quem queria matar alguém quando chegou, apenas disse que você não estava se sentindo bem e foi dormir depois de ter chegado. Agora, quer me dizer o que está acontecendo exatamente?
Com um suspiro um pouco mais aliviado, agradeci ao meu irmão por ter me ajudado nessa. Ainda bem que o Mada me conhecia bem o suficiente para não incomodar, desde que eu contasse tudo o que estava havendo. E, mesmo se eu quisesse, esconder qualquer coisa dele seria impossível.
- Ontem, enquanto estava saindo de uma loja com o Sasuke, vi o Tobirama andando do outro lado da rua de braços entrelaçados com a Mito. Você sabe que ele também curtia ficar com mulheres. O que não me conformo é o fato de ele estar namorando comigo e ficar com outra pessoa ao mesmo tempo.
Mada me lançou um olhar surpreso. Ficou em silêncio por alguns segundos, como se estivesse ponderando o que dizer.
- Izu, entendo sua ira diante dessa situação. Eu também não ficaria nada contente vendo o Hashi junto daquela mulher. Mas, pense bem, eles estavam apenas de braços dados ou você viu algo mais? Porque não faz muito sentido ele estar saindo com ela, sendo que já teve diversas oportunidades de ficar com mulheres bem mais atraentes. E, em todos esses anos que o conheço, percebi que ele realmente leva a relação de vocês a sério. Se não fosse assim, eu seria o primeiro a discordar desse namoro.
À medida que as palavras do Mada foram devidamente processadas em minha mente, as coisas começaram a fazer sentido, exceto, por um ponto: Tobirama sempre tratava as mulheres que tentavam se aproximar dele com frieza, contudo, ele parecia íntimo até demais com a Mito. Mesmo ela sendo a ex do Hashirama, ainda assim, não era um comportamento comum dele essa aproximação toda. Ao menos, eu nunca havia visto ele assim.
- Entendo seu ponto vista e conversarei com ele, até porque, isso acabaria envolvendo o grupo. Mas, não posso continuar com isso, irmão. Não consigo suportar essas dúvidas sobre o que ele realmente quer. Convivo com essa incerteza durante anos e não quero mais isso.
- Minha opinião foi dada. Espero que vocês consigam se resolver, e, não fique preocupado com o rumo que o grupo poderia seguir depois da sua decisão. Não tem que se prender a isso. – Mada se levantou, pôs a mão em meu ombro, dando um leve aperto, demonstrando toda sua empatia. – Sabe que pode contar comigo para qualquer coisa, certo?
- Sim, eu sei. Obrigado.
Após ele ter saído, voltei para o quarto em busca do celular. Liguei o aparelho, abrindo o whatsapp em seguida para responder as mensagens do Tobirama.
"Izu, daqui a pouco estou chegando aí.".
"Izu?"
"Tentei ligar, mas seu celular chamou até cair na caixa postal. Depois, estava dando desligado. Aconteceu alguma coisa?"
"Liguei para o Madara e ele disse que você não estava se sentindo bem. Me chama quando acordar.".
Com um suspiro pesado, comecei a digitar a resposta, mesmo não tendo nada coerente em mente para justificar essa ausência. E não queria tratar disso por mensagem, então, só escrevi que precisávamos conversar o quanto antes. A resposta dele veio prontamente:
"Conversar sobre o que?"
"Você pode vir aqui mais tarde?"
"Claro, que horas?"
"Quando você puder.".
"Ok, estarei aí às 17h, pode ser?"
"Ok, vou esperar.".
"Até mais tarde então.".
Ainda sem saber muito bem o que fazer, deixei o corpo cair na cama, ainda com o celular em mãos. Precisava pensar em como seria nossa conversa. Ir direto ao ponto, talvez? A questão era como ele reagiria e aceitaria sem criar caso. Estava cansando dessa situação, decidido a colocar um ponto final nessa situação de uma vez por todas.
A tarde parecia se arrastar e a ansiedade estava em um nível quase insuportável. Mada acabou saindo, ficaria fora para que eu e Tobirama pudéssemos conversar. Mesmo dizendo que não precisava se preocupar porque a conversa seria rápida, ele preferiu dar esse espaço, principalmente para que eu refletisse melhor sobre minha decisão. Quando finalmente deu o horário marcado, a ansiedade aumentou mais ainda.
Tobirama chegou uns 10 minutos depois do combinado, e eu não me importei muito com seu atraso porque, na realidade, queria mesmo era que esse momento não chegasse. Assim que abri a porta, ele me abraçou e eu correspondi de maneira mecânica, sem muita emoção. Quando tentou me beijar, não consegui evitar em desviar e o beijo estalou na bochecha. Obviamente ele estranhou e me encarou confuso.
- O que aconteceu?
- Entre. – Disse, dando espaço para ele, que passou por mim, me encarando com jeito de quem não entendeu nada. Seguimos para a sala, e, assim que nos sentamos, respirei fundo, tentando colocar as ideias em ordem, enquanto ele ainda me encarava, curioso. Ficamos calados por alguns segundos que pareciam uma eternidade, até Tobirama resolver acabar com o silêncio constrangedor.
- Vai me dizer o que está acontecendo? Você tá estranho.
- Vamos direto ao ponto. Eu vi você e a Mito ontem à tarde próximo ao mangá kissa. Não preciso dizer que vocês pareciam íntimos demais. – Por um breve instante, ele se viu surpreso, porém, antes que pudesse dizer qualquer coisa, continuei. – Bom, quero apenas dizer que está livre para fazer o que quiser.
Tobirama estreitou o olhar, parecia confuso com tudo aquilo. Ajeitou a postura, até então um pouco largada no sofá para uma postura mais ereta.
- Espera... Você me viu com a Mito ontem. – Respirou fundo, antes de continuar – Até aí eu entendi, agora, o que você quer dizer com isso de eu estar livre para fazer o que quiser? Tá terminando comigo? É isso?
- Isso mesmo. Que bom que você entendeu rápido, não preciso explicar mais nada. Acabou. – Fiz menção em levantar, mas ele segurou meu pulso, me fazendo permanecer onde estava.
- Izu, ficou maluco? – Questionou, ainda segurando meu pulso. Seu olhar agora era mais confuso do que quando chegou – Não estou ficando com a Mito, se é isso que você está pensando. Não tem como. Além de ser a ex do meu irmão, não sinto nenhuma atração por ela. Por que está sendo tão impulsivo, decidindo as coisas assim sem ao menos ouvir o meu lado?
- Quer saber? Cansei. – Puxei o braço, soltando meu punho do aperto de sua mão. – Esses anos todos aguentando essas vadias atrás de você como se estivessem no cio. Não seria nenhuma surpresa você acabar se envolvendo com alguma delas.
- Izu, isso não faz sentido algum. Você sabe que eu nunca me envolvi com nenhuma delas.
- Será mesmo? – Questionei, encarando-o com desconfiança.
- Você sabe que é verdade, estamos juntos há tanto tempo e ainda não entendeu que eu gosto apenas de você. – ele tentou tocar meu rosto, e eu apenas desviei, virando para o lado – Por que está fazendo isso? Está sendo injusto comigo.
Ainda sem encará-lo, continuei em silêncio para ver se ele entenderia, me deixando em paz de uma vez. Sinceramente, não queria ouvir mais nada. Não poderia ouvir mais. A decisão estava tomada e não queria voltar atrás. Poderia parecer radical de minha parte, porém, a verdade era que essa situação de incerteza estava me desgastando demais. E eu fiquei muito tempo acomodado com isso, achando que iria mudar alguma coisa.
Ele também ficou sem dizer nada por um longo tempo, então, de repente, senti os cabelos de minha nuca sendo puxados, e nossos lábios se selaram. Tentei fugir daquele toque repentino, contudo, Tobirama me envolveu em seus braços, não dando nenhuma chance de escapatória, me prendendo contra o encosto do sofá. Depois disso, não vi mais nada, e, quando dei por mim, já estava correspondendo aquele beijo de maneira desesperada. Agarrei aqueles fios brancos e arrepiados, aumentando ainda mais o contato. As línguas dançando de maneira frenética e, ao mesmo tempo, sincronizada. Ele mordeu e sugou meu lábio inferior, voltando a enterrar sua língua em minha boca. Tobirama sabia como me desarmar apenas com um beijo, e eu me senti um completo imbecil por ceder com tanta facilidade. Então, num impulso, consegui empurrá-lo. Ofegante, tentei dizer algo, mas ele acabou me interrompendo, colocando seu indicador sobre meus lábios.
- Pra que continuar insistindo que não quer nada comigo se o seu corpo diz o contrário? – Então, ele passou a mão sobre a ereção que estava começando a se formar entre minhas pernas. – Você sabe que te amo, porra. Para de tentar fugir. – Finalizou, tomando novamente meus lábios num beijo desesperado, desejoso.
Suas mãos desceram, chegando até a barra da camisa, adentrando apressadamente para ir de encontro aos mamilos. Apertou a pele sensível ali, iniciando um movimento circular, estimulando até que ficassem bem rígidos. Enquanto isso, sua boca desceu para o meu pescoço, sugando e mordendo com vontade. Beijava com tamanho desejo que não consegui fazer nada além de enfiar as mãos por baixo da jaqueta de couro e arranhar suas costas por cima da camisa. Não vi quando ele conseguiu se encaixar entre minhas pernas, quando percebi, seu quadril já estava se friccionando contra o meu, a ereção dele completamente acesa e pulsando dentro calça jeans. Um gemido abafado escapou de minha garganta com esse contato. Ele havia me desarmado completamente, e, agora, eu estava totalmente entregue.
E as coisas estavam esquentando cada vez mais, contudo, não dava pra fazermos o que estávamos prestes a fazer ali na sala, correndo o risco do Mada chegar a qualquer momento, então, com muita dificuldade, consegui afastar Tobirama.
- Não podemos fazer isso aqui. – Avisei, ofegante, entre um selinho seguido de outro. – Vamos para o quarto.
Ele assentiu e se levantou depressa, me puxando junto consigo, envolvendo seus braços em minha cintura. Voltou a me beijar, e, assim, entre beijos, mordidas, fizemos o caminho até meu quarto de maneira muito desajeitada. Nem sei como conseguimos chegar lá sem quebrar nada no percurso. Assim que entramos, apenas chutei a porta, que bateu num estrondo.
Entre beijos, amassos, suspiros, Tobirama conseguiu retirar minha camisa com tamanha facilidade que mal vi seus movimentos. E o maldito ainda estava totalmente vestido, mas, não por muito tempo. Segurei a gola da jaqueta, puxando de uma vez para baixo, retirando-a sem muita dificuldade. Ele ajudou bastante retirando a própria camisa, expondo o peitoral delicioso que só ele tem. Agora sim poderia apreciar sem nenhuma moderação. Começando pelo pescoço, descendo até os mamilos, acariciando-os entre os dedos, fazendo-o se arrepiar com o toque frio das minhas mãos. Sem delongas, fui descendo a carícia até chegar ao cós da calça, começando a desabotoar, baixando o zíper devagar enquanto o beijava lentamente. Assim que alcancei o membro pulsante, apertei propositalmente de maneira indelicada, fazendo ele gemer rouco, mordendo o lábio inferior com força.
- Filho da puta. – Disse, ofegante, apertando meu traseiro, seguido de um tapa forte. – Você me deixa louco.
Voltou a me beijar, enquanto as mãos trabalhavam numa masturbação lenta, mas, ao mesmo tempo, precisa, apreciando cada suspiro que ele deixava escapar. Suas mãos percorriam por minhas as costas, bunda de maneira ousada. Sua boca marcava onde podia meu pescoço, ombros e peito, deixando rastros de saliva onde passava. As coisas pareciam estar em meu controle, ao menos, era isso que eu pensava, até ele conseguir se mover e me empurrar para a cama, ficando por cima.
- Acha mesmo que vou deixar controlar as coisas aqui? – Sorriu bem malicioso, me prendendo contra o colchão com o peso do seu corpo. – Ainda estou irritado com o que você disse minutos atrás, e vou te fazer pagar por isso.
- É mesmo? – Ri maldosamente, apertando sua ereção com força – E como pretende fazer isso?
- Você já vai saber.
Ele se ergueu um pouco, levando as mãos até o cós da minha calça, puxando-a de uma vez, junto com a cueca. Ele fitou meu rosto, com aquele sorriso pervertido, enquanto descia traçando beijos quentes pelo meu tórax, abdômen, chegando à virilha. Tocou a glande úmida e pulsante, iniciando um movimento circular com os dedos. Depois disso, começou a passar a língua bem devagar por toda a extensão, repetindo todo o percurso. Quando chegou às bolas, sugou o local, fazendo um novo percurso até o períneo. Para aumentar o contato ali, apoiou minhas pernas em seus ombros, deixando minha bunda mais exposta. Sem nenhuma pressa, circundou a língua naquele ponto já bastante sensível pela excitação, e eu não resisti em deixar o gemido sair sem qualquer pudor. Isso foi o sinal para ele iniciar um ritmo mais frenético, enterrando a língua ali. Tobirama sabia o quanto aquilo me enlouquecia, e não demonstrava qualquer indício de que iria parar. Não até me ver implorando para ser fodido. E ele sabia exatamente meu ponto fraco para isso. Quando que ele falava que me faria pagar, Tobirama conseguia a façanha de me fazer implorar. Chegava a ser vergonhoso o modo como ele sempre me fazia gemer feito uma vagabunda.
Entre gemidos entrecortados, segurei o cabelo dele com força, buscando, de alguma forma, me controlar da sensação prazerosa que estava sentindo. Mas, os espasmos e os arrepios começaram a vir em fortes ondas por todo o meu corpo. Não resistiria por muito tempo se continuasse assim. E ele sabia disso, porém, não perderia a chance de me ver pedindo em alto e bom tom. Então, para provocar ainda mais, introduziu dois dedos de uma vez, fazendo movimentos de vai e vem, enquanto com a mão livre, agarrou meu membro, iniciando uma masturbação no mesmo ritmo. Dessa vez, foi difícil conter o gemido que saiu mais alto. Esse maldito sabia como estimular e não demoraria a gozar se continuasse assim. Então, reunindo o que me restava de consciência, segurei sua mão em meu pau, parando o movimento.
- Me fode logo, porra. – A voz saiu mais grave que o normal, fazendo Tobirama sorrir vitorioso. – Você venceu, como sempre.
- Como é que se pede? Ainda não ouvi a palavra chave. – Voltou a apertar meu pênis, me encarando da maneira mais descarada.
Suspirei, tentando manter o controle pra não socar a cara do desgraçado. Sempre com esse joguinho de manipulação, algo que irritava, ainda que fosse de um jeito muito prazeroso.
- Porra, só faça de uma vez... Por favor.
- Gosto assim, de maneira educada. – Riu ainda mais, se posicionando entre minhas pernas – Como quiser. – Voltou a me beijar, mordendo meu lábio inferior. Desceu a mão até o traseiro, desferindo um tapa bem forte, fazendo o estalo ecoar por todo o quarto. – Vou foder essa bunda deliciosa até você não aguentar mais. Nunca deixo de cumprir uma promessa. – Deu outro tapa estalado em minha bunda, apertando-a com vontade.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa em protesto, Tobirama ergueu minhas pernas, apoiando-as em seus ombros e pressionou o pau completamente duro em minha entrada, forçando-o para dentro. Senti o meu corpo contrair com a invasão, e ele suspirou, se deleitando com o aperto que recebia enquanto entrava. Assim que penetrou por completo, parou por alguns segundos, voltando a me beijar novamente.
Acariciou meu rosto, cabelos, e, com um selinho estalado, finalizou o beijo, mas não desfez o contato.
- Você continua tão apertado que mal consigo me aguentar parado. – Mesmo dizendo isso, não fez menção em se mover até que eu consentisse.
- Está esperando o quê?
Esse era o sinal que ele sempre esperava antes de começar. Por mais que Tobirama não seja o ser mais delicado do mundo, sabia respeitar limites. Então, sem demora, iniciou seus movimentos, se retirando quase por completo, para depois investir com força. Meu corpo arqueou quase que involuntariamente para frente, e eu abracei o seu pescoço, afundando o rosto ali. Ele repetiu o movimento, começando um vai e vem frenético, fazendo com o som de nossos quadris se chocando ecoassem pelo quarto. Com a mão livre, alcançou meu pênis, apertando-o e fazendo movimentos precisos, me estimulando.
Tudo que eu conseguia fazer era gemer o nome dele em seu ouvido, enquanto ele mordia meu ombro com força. As coisas em minha mente simplesmente dissiparam, não conseguia pensar em mais nada além daquele momento com Tobi. Apesar do tempo em que estamos juntos, das inúmeras vezes em que transamos, todas as vezes sempre pareciam únicas. Era um sentimento inexplicável quando nossos corpos se juntavam. Na medida em que os movimentos se intensificavam, os espasmos e arrepios iam e vinham em ondas por todo o corpo, a visão turva, tudo isso em conjunto me faziam sentir coisas que nunca havia sentido por mais ninguém além de Tobi. Não que eu fosse um expert em relação a isso, contudo, era o bastante para saber que não conseguiria sentir isso com outra pessoa senão ele.
Num movimento rápido e preciso, nossos corpos se desconectaram por um breve instante e Tobi mudou a posição; ele se sentou e me puxou para o seu colo. Com isso, agora eu poderia controlar os movimentos da maneira que quisesse. Ele posicionou o membro em minha entrada, e eu comecei a descer devagar, até que estivesse totalmente preenchido. E, apoiando suas mãos em minha cintura, ele me incentivou a começar a cavalgar. Logo, estávamos novamente sincronizados naquele choque frenético entre nossos corpos, enquanto eu rebolava, aprofundando ainda mais a penetração. Não demorou a conseguir atingir o ponto prazeroso dentro de mim. Então, continuei me movendo, acertando repetidas vezes aquele local, nos enlouquecendo por completo.
Nossos gemidos ecoavam, misturando-se à alucinante sensação do orgasmo que estava quase chegando. Mais algumas investidas foram o suficiente para que eu chegasse ao orgasmo, gozando no abdômen dele. Tobi não demorou muito para chegar lá também, me preenchendo logo em seguida.
Ofegantes, ainda abraçados, ele retirou o pênis de dentro de mim, se recostando à cabeceira da cama, me puxando junto. Tobi deu um beijo no topo da minha cabeça, começando um carinho gostoso no meu cabelo, enquanto nossas respirações iam se acalmando aos poucos.
Naquele momento, tudo o que importava era o som dos corações, que foram se acalmando aos poucos. E toda aquela incerteza de que, em algum momento ele ficaria com outra pessoa sempre ia embora depois do sexo. Porque, era sempre nesse momento que a demonstração dos sentimentos dele ficava mais evidentes e eu me sentia verdadeiramente amado. Nesses momentos, nossa sincronia se tornava maior. Não que o Tobi nunca demonstrasse como se sentia, contudo, era assim que nós compartilhávamos o que sentíamos um pelo outro.
A única coisa que estava realmente incomodando era o fato de ele estar com aquela mulher. Afinal, o que diabos eles faziam ontem e para onde foram?
Queria respostas e, obviamente somente aquela explicação não era o suficiente para que minha mente ficasse em paz. Sei que o momento não seria o mais oportuno para perguntar isso, mas, se não souber o que fato aconteceu ontem, não conseguirei dormir sossegado. Com ele ainda acariciando meu cabelo, me desfiz do abraço por um instante para pegar o maço de cigarros e o isqueiro em cima do criado mudo. Encostei-me à cabeceira ao lado dele, acendendo o cigarro, puxando uma longa tragada. Ele aproveitou para me acompanhar e pegou o cigarro da minha mão. Aproveitei o momento para puxar o assunto.
- Então, não vai me dizer o que você e aquela mulher estavam fazendo juntos ontem?
Tobi olhou para mim, sorrindo de canto, enquanto puxava outra tragada antes de me devolver o cigarro. Soltou a fumaça bem devagar para o outro, e, assim que voltou o seu olhar em minha direção, levou sua mão a meu rosto, fazendo um carinho.
- Você vai saber logo. Não seja impaciente. – Sua mão do rosto foi para a minha nuca, puxando-me para um beijo lento. Sugando de leve meu lábio inferior, finalizou o beijo.
Se antes eu me encontrava confuso, com essa resposta, a curiosidade apenas aumentou. E ele sabia que isso acabava comigo, não suportava quando tentava esconder qualquer coisa de mim. Mas, sabia que não adiantaria insistir, afinal, Tobirama quando guardava algum segredo, nada o fazia confessar. Apesar de que, fazer esse tipo de mistério não era muito do feitio dele. Tobi era direto demais para fazer rodeios. Então, a única opção que restava era deixar isso de lado, ou, perguntar a outra fonte. O que me fez pensar em algo.
Se ele realmente estiver falando a verdade sobre não estar ficando com a Mito, ela não teria problema algum em dizer onde eles foram ontem, certo?
O ruim disso era ter de esperar amanhã. Por hora, ficaria na minha para não alarmá-lo.
Apaguei o cigarro no cinzeiro, e ele voltou a me abraçar, distribuindo beijos por meu pescoço, ombros e costas, fazendo com que um arrepio percorresse por todo o meu corpo. A excitação dele começou a ficar evidente e, certamente a noite não pararia por aqui. E eu não queria mesmo que terminasse assim. Tobi puxou meu rosto para selar nossos lábios, aproveitando-se da posição para descer sua mão pelo meu tórax, até chegar a virilha, iniciando uma masturbação lenta, em sincronia com o beijo.
Em pouco tempo, já estávamos completamente acesos, nos atracando entre beijos, mordidas, gemidos, e um desejo incontrolável de fazer sexo até nossos corpos não aguentarem mais.
E foi exatamente isso que aconteceu. Sem preliminares dessa vez, Tobi se posicionou entre minhas pernas, erguendo-as e as prendendo com seus braços, e, sem nenhum aviso, penetrou com tudo, começando a movimentar o quadril num ritmo frenético. Agarrei os seus cabelos com força e finquei os dentes no ombro dele, numa tentativa desesperada de conter os gemidos. Tentativa completamente falha, pois, em questão de segundos, ele conseguiu atingir o ponto sensível dentro mim, me fazendo gemer alto seu nome. E isso o estimulava a ir mais rápido e fundo, atingindo repetidas vezes aquele ponto.
Nossos corpos se moviam em um sincronismo perfeito, e, desse jeito, o orgasmo não demoraria a chegar. Os gemidos foram se intensificando, enquanto o calor que nos envolvia aumentou de uma forma que fazia a pele queimar. Então, senti o arrepio daquela sensação pré-orgasmo chegar, e os músculos do canal se contraírem, apertando o pênis dele dentro mim. O que acabou fazendo com que Tobi deixasse um gemido mais alto escapar, anunciando que em breve chegaria ao orgasmo também.
Meu corpo foi o primeiro a se entregar aquela sensação e gozar, melando nossos abdomens. Segundos depois, Tobi chegou a seu limite, me preenchendo mais uma vez. Ele deixou seu peso cair sobre meu corpo por um instante. Ofegante, se deixou cair ao meu lado, puxando-me para seu peito, me abraçando. Ficamos em silêncio por algum tempo, aproveitando o momento para que nossas respirações se acalmassem. A sensação relaxante do orgasmo começou a fazer efeito, e o sono veio sem demora. Nem percebi quem apagou primeiro.
T.S. ○ I.U.
Sentindo um aperto quente em volta de minha cintura, seguido de um beijo carinhoso no ombro, ainda sonolento, continuei na mesma posição. Queria dormir mais um pouco, estava me sentindo bem cansado da noite passada. Quando Tobi disse que me comeria até eu não aguentar, levou isso em um sentido muito literal. Mas, sabendo a peste que ele era, sabia que não me deixaria continuar dormindo. E, não demorou muito até que ele começasse a mexer em meu cabelo, distribuindo beijos pelo pescoço, enquanto a mão descia pela lateral do corpo, parando no traseiro, onde ele apertou com força.
- Acorda, vai. – Sussurrou rouco, dando uma leve mordida em minha orelha.
Puta que pariu, ele já estava de pau duro!
- Me deixa em paz, porra. – Resmunguei em protesto, tapando a cabeça com o edredom.
- Nunca. – Pude ouvir sua risada e, logo após, senti o ardor do tapa estalado que ele deu na minha bunda.
Dessa vez, ele estava pedindo para levar porrada, e, com um movimento brusco, consegui acertar uma cotovelada na costela dele.
- É assim? Vai mesmo declarar guerra? – Tobi protestou, começando a morder meu pescoço, ombros, enquanto deslizava as mãos pelo meu peito, descendo para a virilha. – Você sabe que isso só vai deixar ainda mais excitado.
Até tentaria protestar, contudo, também estava começando a ficar excitado com seus estímulos. Porém, o barulho da porta de entrada se abrindo foi a minha salvação. Mada havia chegado.
Então, com muita má vontade, Tobi parou o que estava fazendo e eu me levantei rapidamente, seguindo direto para o banheiro. Pude ouvir ele resmungando alguma coisa sobre o Mada sempre chegar na pior hora.
Após o banho e devidamente vestidos, saímos do quarto e seguimos diretamente para a cozinha. Mada estava lá, sentado, mexendo no celular, enquanto bebericava o café. Nesse momento, não sabia onde enfiar a cara de tanta vergonha, porque sabia exatamente o que ele diria ao ver o Tobi ali junto comigo. Foram tantas vezes que isso aconteceu, e, mesmo assim, as coisas nunca mudavam. E ver seu sorriso vitorioso de "eu sabia" era revoltante. Ele sempre tinha razão e isso me frustrava.
- Bom dia. – O cumprimentei, num tom nem um pouco animado, pois sabia exatamente o que essa expressão de satisfação no rosto dele queria dizer.
- Bom dia. – Ele sorriu de canto, principalmente quando viu o Tobi logo atrás de mim – Tobirama, você por aqui? – Perguntou, fazendo aquela cara de falsa surpresa. Algo que me irritava muito.
- Bom dia. E aí, como foi a viagem? – Tobi se assentou, pegando uma xícara e se servindo do café.
- Foi bem, consegui resolver as coisas por lá sem muitos contratempos.
- Então, acho que já podemos começar a gravar a próxima música. Vocês acertaram as coisas com o produtor, certo?
- Sim, estamos vendo de começar na próxima semana.
Aproveitando o clima descontraído entre os dois, me juntei a eles, sentando ao lado do Tobi e me servindo uma xícara café também.
Conversamos por quase 1 hora. Depois disso, Tobi achou melhor ir para casa, já deixando combinado o ensaio para a tarde. Quando Mada e eu nos vimos sozinhos, ele não pode conter a sua curiosidade em perguntar o que havíamos conversado – e, claro, para se divertir as minhas custas – mesmo sabendo exatamente o que havia rolado aqui.
- E aí, o que aconteceu?
- Você sabe muito bem o que aconteceu aqui, pare de tirar sarro da minha cara.
- Ah, irmãozinho, qual é. Só conta logo de uma vez que eu estava certo desde o começo. – Mada começou a rir, me deixando ainda mais irritado, contudo, se não admitisse logo, ele ficaria me zoando a semana inteira, no mínimo. Algum dia, ele ainda vai cometer algum deslize com o Hashirama, e, quando esse dia chegar, eu estarei lá para acabar com o orgulho dele.
- Você estava certo desde o começo. Satisfeito? – Respondi, me dando por vencido, por enquanto.
- Eu sabia, você sempre volta. Não consegue deixar o Tobirama. – Riu ainda mais, com sua pose vitoriosa – Vocês deveriam casar logo.
- Olha quem fala, o cara que ficou na friendzone por anos. – O tom totalmente sarcástico não ficou nem um pouco implícito em minha afirmação.
- Nós demoramos, mas finalmente vamos ficar juntos o resto da vida agora. – Ele rebateu, com seu maior sorriso de vitória, ao ver minha cara emburrada. Mada se levantou, passando por mim e bagunçando meu cabelo com um carinho – Deveriam fazer o mesmo.
Pensando bem, ele poderia estar certo sobre isso, porém, agora, não era momento para nisso, e sim em como descobrir o que Tobirama estava fazendo junto com a Mito no sábado passado.
Fui para o quarto, pegar a carteira e o celular, iria fazer uma visita à empresa dos Senju.
Para não alarmar o Mada, optei em ir de metrô. E o tempo não estava muito bom para dirigir mesmo. Peguei o casaco e as luvas pendurados próximo à porta de entrada e sai, avisando ao meu irmão que não demoraria muito.
O percurso até a empresa não seria demorado, gastaria, no máximo, 40 minutos para chegar. A neve caía lentamente em flocos pequeninos. Tudo estaria num branco quase impecável, se não houvesse tantos prédios e todos aqueles outdoors gigantescos contrastando com a paisagem.
Quando cheguei à empresa, fiquei alguns minutos do lado de fora, pensando em como faria para chegar nela sem chamar a atenção, principalmente do Hashirama. Afinal, ela era a secretária dele e mantinha um contato mais direto. Depois de pensar e não chegar a um plano melhor do que simplesmente ir até ela com alguma desculpa, adentrei o prédio, seguindo até a recepção. Por sorte, a recepcionista me conhecia e, por isso, não precisava de burocracias com identificação. Apesar de ela ter insistido em anunciar que eu estava aqui, fiz questão de dizer que era uma surpresa, apesar que meu objetivo não era ver o Tobi naquele momento. Segui para o elevador, apertei o botão do andar correspondente, e, quando a porta estava prestes a se fechar, para minha surpresa, a Mito apareceu. Segurei o botão que mantinha a porta aberta para que ela pudesse entrar.
Que sorte.
- Bom dia, Izuna. – Ela sorriu discretamente, dando um breve aceno.
- Bom dia, Mito.
- Veio conversar com o Hashirama? – Perguntou, quando se deu conta que o andar escolhido era o mesmo que o dela.
- Assunto da banda. Algumas coisas sobre o novo contrato. – Respondi enquanto observava os números dos andares passando no display.
- Ele está numa reunião agora, mas não deve demorar muito. – Afirmou, conferindo as horas em seu relógio de pulso.
- Sem problemas, eu espero.
Assim que chegamos ao andar, ela ofereceu um café, o que recusei prontamente. O interesse era em saber informações sobre aquele dia. Então, resolvi arriscar e jogar uma indireta. Enquanto ela digitava alguma coisa no computador, me aproximei um pouco mais para não precisar falar muito alto.
- Tobirama me contou que vocês saíram no sábado para ajudá-lo a comprar uma coisa. Seria essa coisa um presente? – Ela parou o que estava fazendo, e, no mesmo segundo, começou a corar. Então, minhas suspeitas estavam certas? Aquele filho da puta estava me traindo com essa mulherzinha. Respirei fundo, tentando manter o controle para não levantar dali e ir direto naquele desgraçado e acertar um soco na cara dele. E ainda teve a coragem de dizer que não havia nada entre os dois. Os segundos pareceram horas naquele silêncio que se fez, até resolver dizer algo para não assustar ela. – Não precisa esconder, eu já descobri tudo. – Finalizei e ela me encarou surpresa.
- Então, já que descobriu, não conte nada ao Tobirama, por favor. Ou ele vai pensar que eu contei sobre a surpresa que queria fazer em seu aniversário. – Ela praticamente implorou, e, de repente, uma luz se acendeu e esclareceu as coisas em minha cabeça. Então, era um mal entendido? Suspirei aliviado, um pouco envergonhado por não ter pensado nessa possibilidade. Como fui idiota em não ter imaginado isso antes? Por um momento, precisei engolir todo o orgulho para responder a coitada que ainda me encarava com aquela cara de quem havia falado o que não devia.
- Não precisa se preocupar, não vou contar nada a ele. – Levantei da cadeira, pegando o celular no bolso fingindo que tinha uma ligação. – Ah, parece que não vou poder esperar o Hashirama. Depois eu converso com ele. Até mais. – Nem olhei para trás, para não deixar transparecer o quão envergonhado estava, apenas apertei o botão do elevador, que abriu logo em seguida. Entrei rapidamente, apertando o botão do térreo.
Era isso, precisava fingir para não estragar a tal surpresa. Mesmo assim, algo ainda intrigava: O que seria o tal presente e, porque logo a Mito para ajudar? Será que o Tobi sempre pedia a ajuda dela para fazer essas coisas? Se fosse, pelo menos ela não tinha mau gosto.
I.U. ○ T.S.
Durante o ensaio, nos concentramos totalmente a ponto de nem termos tempo para conversar muito, ainda mais pelo fato do nosso produtor estar acompanhando tudo bem de perto. Realmente, chegava a ser cansativo essa rotina com alguém em nosso encalço quase que o tempo inteiro. No entanto, essa presença inconveniente veio em boa hora, porque, assim, não precisaria dar muitas explicações ou alguma brecha para perguntar qualquer coisa. E também, foi bom porque estávamos bem cansados ao terminarmos, tanto que eu e o Mada fomos direto para casa. Tobi precisou ficar em casa porque precisaria resolver algumas coisas na empresa no dia seguinte. Para minha sorte, não me deparei com o Hashirama ou ele acabaria entregando que eu estive por lá mais cedo. Depois inventaria qualquer desculpa, obviamente não contaria o real intuito da minha ida à empresa.
No caminho para casa, Mada acabou tocando no assunto sobre o que eu queria fazer no meu aniversário depois da nossa apresentação. Iríamos nos apresentar em uma casa de shows na próxima sexta, por isso a intensidade do ensaio foi maior, também ensaiaríamos amanhã.
Faltava apenas dois dias e não havia nada decido ainda. Pensei um pouco sobre isso, e, cheguei à conclusão de que havia esquecido completamente por causa desse mal entendido com a Mito.
- Não sei. – Suspirei, enquanto andávamos lado a lado em direção à porta do apartamento. – Acho que estaremos muito cansados para fazer qualquer outra coisa no fim das contas.
- Podemos ficar por lá mesmo e aproveitar um pouco, se quiser. – Mada pegou as chaves no bolso da jaqueta. – Você quem sabe, o aniversariante pode escolher.
- Veremos como estará minha disposição na sexta.
Como num relance, a sexta chegou bem depressa. Quase não vi o tempo passar. Só consegui me dar conta disso quando estávamos arrumando os instrumentos. O local da apresentação estava bem cheio para uma noite fria, apesar disso não ser um impedimento para quem gostava de sair à noite. Até porque, a neve havia cessado desde quarta a noite e não voltou até o momento. Um ponto positivo para nós, afinal, o que seria de uma apresentação sem um bom público?
Após tocarmos nosso repertório de oito músicas nossas e mais duas covers, encerramos a noite bem esgotados. Hashirama havia ido nos ver, assim como Sasuke e Naruto, Itachi e Shisui. No fim das contas, Tobi acabou decidindo por nós que ficaríamos e aproveitaríamos a noite. Não discordei porque sabia o que ele pretendia, no entanto, deixaria que fizesse seja o que for que estivesse tramando. Pedimos as bebidas, sentamos numa mesa um pouco mais afastada na área VIP, ficando mais a vontade assim. Enquanto o assunto ia e vinha sobre a apresentação e o casamento do Mada, tudo estava ótimo. Sabia que o momento constrangedor da noite chegaria a qualquer momento. Não sabia lidar muito bem com essas coisas de datas comemorativas, principalmente quando se tratava do meu aniversário, e, só o fato de que alguém começasse a cantarolar parabéns, incitando a todos naquele lugar a fazer o mesmo me deixava nervoso em antecipação.
Entre uma conversa e outra, Tobi sempre arranjava um jeito de provocar, acariciando minha coxa por baixo da mesa. Aquele maldito sempre fazia essas coisas, sabendo o quanto me irritava, e, ao mesmo tempo, excitava. O que me deixava mais puto ainda, porque acabava sempre caindo nesse joguinho de provocações.
As horas acabaram se passando bem mais rápido do que imaginei, e, diferente do que estava pensando, não houve nenhum indício de "surpresa" por parte de ninguém. O que era ótimo, já que não gostava muito dessas coisas embaraçosas. Por volta das 2h da madrugada, Naruto estava falando mais alto que o normal por causa da bebida, e Sasuke tentando fazer ele se aquietar, fracassando na maioria de suas tentativas. Kawarama bêbado era uma coisa irritante e engraçada ao mesmo tempo, principalmente quando se juntava com o Tobi. As coisas ficavam sempre piores quando eles começavam com o stand-up de piadinhas ruins. Mada parecia ter passado de sua cota de bebedeira. Hoje quem estaria na direção seria o Hashirama, por isso ele esteve mais controlado durante a noite. Itachi, o mais centrado de todos, se manteve lúcido, junto com Shishui que também não era de beber até passar dos limites. E eu, como sempre, precisava ficar alerta porque o Tobi sempre passava dos limites e tudo acabava sobrando para mim.
No fim das contas, quem precisou de ajuda para levantar do lugar fui eu. Tobi conseguiu se manter sóbrio, mesmo tendo bebido o suficiente para deixar alguém mais suscetível ao álcool complemente embriagado. Nos despedimos de Itachi, Shisui, Sasuke e Naruto, que acabaram nos acompanhando até o estacionamento, onde nos separamos por causa das vagas estarem em lugares diferentes. Ao chegarmos onde estavam estacionados os carros, Mada seguiu junto a Hashirama e Kawarama para a nossa vaga. Quando pensei em questionar, Tobi pegou minha mão, praticamente me puxando para o lado oposto, onde o carro do Hashirama estava.
-Mas... – Antes que pudesse continuar, ele apenas colocou o indicador sobre os lábios e piscou. Foi então que compreendi que se tratava da tal "surpresa". E, pelo visto, parecia que havia combinado tudo com o Mada.
- Cuide bem do meu irmãozinho, Tobirama. – Mada o alertou, antes de entrar no lado do carona e eu pude ouvir as risadas do Hashirama e Kawarama ao fundo.
Soltei um suspiro, abrindo a porta ao lado do carona. Essa noite não terminaria tão cedo. Ao menos, poderia esperar algo bom vindo do Tobi.
O trajeto até o apartamento foi rápido graças trânsito tranquilo por causa horário avançado. Isso havia se tornado uma espécie de rotina nos fins de semana para nós. Voltar tarde, e, na maioria das vezes, em companhia um do outro.
Assim que chegamos à porta do apartamento, Tobi começou com seus ataques, beijando minha nuca, apertando meu traseiro e roçando sua ereção. Com muita dificuldade, consegui abrir a porta. Quando entramos, quase não consegui trancá-la por causa dos amassos intensos. Então, começamos a fazer o caminho até o quarto entre beijos de tirar o fôlego, mordidas e suspiros ofegantes. Ao entrarmos no quarto, ainda conectados pelo beijo, Tobi retirou a minha jaqueta e depois a camisa sem nenhuma pressa. Suas mãos deslizavam pelo meu peitoral e abdômen, alternando para as costas numa carícia lenta e despreocupada, subindo até a nuca, onde segurou os cabelos, puxando-os levemente. O ritmo que ele ditava estava bem diferente do normal, mais calmo, porém, não menos desejoso. Tobi me empurrou cuidadosamente para a cama, sem separar nossos lábios. Ansioso por seu próximo passo, puxei ele para que se deitasse em cima de mim, deixando a distância entre nossos corpos nula.
Com um selinho, ele cessou o beijo e me abraçou apertado, afundando o rosto em meu cabelo, inspirando o cheiro. Sem entender muito bem o que estava acontecendo, apenas retribui o abraço, iniciando um carinho em suas costas por baixo da camisa. Esse silêncio se estendeu por alguns minutos e, pela respiração tranquilizada do Tobi, parecia que ele havia dormido. O que me deixou bem intrigado, já que ele estava bem "animado" quando chegamos, contudo, ele inspirou, soltando o ar devagar, indicando que ainda estava acordado. Pensei em questionar, porém, entendi exatamente o que essa atitude repentina dele queria dizer. Sempre fazia isso quando se tratava de algo muito importante que ele queria dizer e estava apenas tomando coragem para iniciar o assunto.
Apesar de a ansiedade começar a incomodar, deixaria que ele tomasse a inciativa de falar seja o que for que estivesse pensando. Minutos depois, finalmente ele ergueu a cabeça para me encarar.
– Tem algo que estou pensando há algum tempo. Não sei o que você que diria sobre isso, e eu nem quero uma resposta definitiva sem que pense bem sobre essa questão.
- Agora você está me deixando preocupado. Pode dizer o que está pensando exatamente?
- Estamos há uns sete anos juntos e, sinceramente, isso não havia se passado em minha cabeça, apesar de estar seguro do que sinto por você. Mas, de uns meses para cá, tenho pensado com frequência nisso. – Ele parou por um segundo, respirando fundo – Tenho pensado em como seria se nossa relação fosse para outro nível.
- O que você quer dizer com isso de outro nível? – Questionei, e, de repente, a resposta automaticamente surgiu em minha mente. Não acredito que... – Espera, Tobi, você está querendo dizer que quer se casar? É isso?
- Basicamente isso. – Ele deu de ombros.
- Como assim, basicamente?
- É que eu não sei o que você pensa exatamente sobre isso. Por mim, seria uma boa morarmos juntos.
- Por que isso de repente?
- Porque fiquei pensando que era uma boa ideia, mas, se você não quiser tudo bem. Podemos continuar como estamos.
Ele deu um sorriso um pouco desanimado e eu pude ver que ele estava realmente falando sério sobre esse assunto. Será que ele se resolveu por causa do Hashirama ter pedido o Mada em casamento? Não acredito que seja por isso, afinal, Tobi sempre foi muito independente quando se tratava de tomar certas decisões. E ser influenciado dessa maneira pelo irmão não era do feitio dele, apesar de Hashirama sempre aconselhá-lo.
Talvez, ele estivesse inseguro esse tempo todo.
Agora, analisando um pouco melhor a situação, eu nunca falei com todas as palavras que o amava. Apesar de ele já ter dito isso algumas vezes, ao menos verbalizou as coisas. Enquanto eu ainda não havia me pronunciado corretamente. Não era como se eu não sentisse o mesmo por ele, contudo, essa demonstração através de palavras sempre se tornava um tanto complicada para mim. Ponderei mais um pouco sobre isso, e, realmente, não seria estranho ele se sentir inseguro em relação aos meus sentimentos. Sempre fui muito instável em minhas emoções, tomando decisões precipitadas sem questionar primeiro, fora os ataques de ciúmes que acabavam me deixando cego de raiva.
Pensando por esse lado, as coisas não estavam exatamente como eu imaginava. E, por um momento, senti a consciência pesar por causa disso. Por não ter sido claro com ele e não ter passado a confiança necessária para que se sentisse seguro sobre o nosso relacionamento. Mas não ficaria assim por muito tempo.
- Tobi, eu... – Levei a mão ao seu rosto, fazendo um carinho leve – Amo você. Sei que nunca disse isso de maneira clara, mas, agora, estou dizendo para que você não tenha dúvidas do que sinto. Amo você e acho a ideia de morar contigo maravilhosa.
- Achei que não fosse dizer isso nunca. – Ele sorriu de canto, dando um selinho em minha boca – Você é um teimoso do pior tipo.
- Nem um pouco diferente de você, amor. – Rebati ironicamente e ele riu alto.
- Então, você topa se casar?
- Qual a parte do sim você não entendeu?
- Você não disse sim exatamente, idiota.
- Então, idiota, é sim.
Nós rimos e ele voltou a me beijar, dessa vez mais urgente, desejoso. As línguas iniciaram uma batalha em nossas bocas, protestando por espaço, enquanto exploravam cada canto, misturando os gostos. E, quando os pulmões clamaram por ar, nos separamos, sem desconectar os lábios por completo.
- Vou te foder a noite inteira, não pense que darei descanso.
- E quem disse que quero descanso? – Agarrei os fios brancos em sua nuca, colando os lábios em seu ouvido – Quero ser fodido até não aguentar mais. – Sussurrei roucamente, finalizando com uma lambida fatal que o fez se arrepiar.
- Como quiser.
Tobi retirou a camisa e voltou a me beijar, colando nossos corpos. Deslizou sua mão até meu quadril, erguendo-o um pouco para aumentar ainda mais o atrito de nossas excitações. Dominado pelo desejo, desferiu um tapa forte em meu traseiro, apertando-o com vontade. Desceu os beijos pelo maxilar, pescoço, onde mordeu e lambeu, depois fez o percurso até um dos mamilos. Com a mão livre, começou a estimular um, enquanto sugava e mordia o outro. O contato de sua boca quente fazia minha pele arrepiar e sentir a melhor sensação de todas. Cada vez parecia diferente, mesmo que tenhamos perdido as contas de quantas vezes fizemos. Não importava como, todas as vezes era especial, como na primeira vez. Talvez, essa sensação seja um efeito dos sentimentos que compartilhávamos. Não entendia muito bem como isso funcionava, a única certeza era de que precisava dele e que as coisas nunca mais foram as mesmas. Essa noite realmente seria curta demais, porém, quem se preocuparia com algumas horas, sendo que teríamos uma vida inteira juntos pela frente.
