Sentindo aquele calor que emanava dele me fez lembrar onde eu realmente estava. Izu dormia tranquilamente com sua cabeça repousada em meu ombro, um pouco encolhido devido ao tempo frio, apesar de o aquecedor ter cumprido bem o seu papel durante a noite. Hoje o dia parecia estar um pouco mais frio que ontem. E, ao constar a claridade vinda de uma fresta da janela, o céu parecia bem nublado. Envolvi Izu num abraço, acariciando de leve seus cabelos, fazendo-o inspirar fundo e se aconchegar melhor. Concentrado no feixe de luz fraca vindo da janela, algumas lembranças daquele tempo vieram. O dia em que vi Izu pela primeira vez na escola.
Quanto tempo mesmo?
Nem fazia ideia, na verdade.
Mesmo com todo o tempo que se passou, essa memória ainda era bem nítida. O garoto com cabelos um pouco abaixo dos ombros, que parecia bem antissocial ao entrar na sala de aula, sentado na penúltima cadeira próxima à janela. A primeira impressão foi de que se tratava de algum tipo de nerd chato, apesar de ter achado ele atraente desde o começo. Izu sempre foi bonito, mas a cara de poucos amigos acabava com as expectativas de aproximação de qualquer pessoa. Não no meu caso, claro. Afinal, por ter sido bem popular naquela época, ninguém nunca havia me tratado com indiferença. Não até Izuna Uchiha aparecer.
No começo, pensei que era apenas timidez, porém, depois, percebi que ele estava sendo mais evasivo do que o normal, sempre me evitando. E aquilo me deixava muito intrigado. E, todas as vezes que tentava puxar algum assunto, ele simplesmente escapava. O que acabava aguçando ainda mais a curiosidade de saber o porquê de ele agir daquela forma. Foram várias tentativas de aproximação frustradas, as quais, na maioria das vezes, resultava com ele fugindo pela tangente. A capacidade dele em fugas rápidas era realmente incrível. Parecia até um parente próximo do Batman. O que só fazia o interesse nele aumentar, afinal, desde mais novo, sempre tive interesse tanto em garotas quanto em garotos. E, mesmo tendo garotas lindas no meu encalço – alguns garotos também se arriscavam, apesar de as meninas serem mais corajosas –, Izu havia virado quase uma meta a ser alcançada. E obviamente o ego jamais admitiria essa rejeição dele.
Com essa "meta" em mente, acabei descobrindo algumas coisas sobre sua rotina, o horário que ele costumava chegar, onde costumava ficar durante o intervalo, suas idas à biblioteca. E, numa das minhas investigações, descobri que ele gostava de música, algo que não conseguia imaginar pelo modo como se comportava. Por causa dessa descoberta, o interesse aumentou ainda mais; era difícil encontrar alguém com gostos musicais iguais e que entendia alguma coisa de música. No entanto, a insistência dele em escapar era maior. Inclusive, houve um período que ele sequer olhava para mim. Algo que era difícil de aceitar.
Izuna ficou nessa palhaçada por algumas semanas, até eu me irritar, perder a pouca paciência que tinha e surpreendê-lo na biblioteca com um beijo. Até hoje me pergunto por que não havia feito aquilo antes. Ver o orgulho dele desaparecer completamente, cedendo ao beijo mais rápido do que imaginava foi algo inesquecível. No fim das contas, aquela birra toda era pelo fato de que gostava de mim e não queria admitir. Claro que Izu nunca admitiu isso com palavras.
Acabamos nos conhecendo melhor, encontrando muitas afinidades, e, a cada dia, ficava mais evidente a nossa proximidade. Comecei a frequentar a casa dele e vice-versa, sempre como amigos. E, com o passar do tempo, não conseguimos esconder mais, então, resolvemos assumir logo de uma vez o namoro. No começo foi complicado porque muitas pessoas ainda viam isso como algo fora do comum. Hashirama foi o primeiro a entender meu lado, mas, com receio de que meu pai descobrisse, escondemos por um bom tempo, até porque, Tajima Uchiha era tão conservador quanto o papai. Madara nos apoiou desde o começo também, se tornando o nosso maior cúmplice e o primeiro a perceber o que estava acontecendo. Por diversas vezes encobriu nossas saídas e, sendo alguém com certa influência sobre o pai – mesmo com a relação entre eles estava distante de ser uma relação normal de pai e filho – Madara conseguia convencê-lo de que não havia nada demais.
Quando Izu fez dezoito anos, Madara e ele foram morar sozinhos, e essa mudança beneficiou a todos nós porque, além da maior privacidade, eles estavam morando mais próximos da minha casa e não precisavam se incomodar com mais nada.
Com essa liberdade, podíamos ensaiar alguma coisa livremente, daí surgiu a ideia de montarmos uma banda. No começo, ficamos num embate por não termos um baterista, algo que foi resolvido facilmente quando Kawarama se juntou ao grupo. Depois disso, a necessidade de ensaiarmos em estúdio havia se tornado indispensável; o grande problema era o tempo e a distância gastos, dificultando principalmente o lado do meu irmão, pela questão dos estudos. Então, numa conversa com Hashirama, ele sugeriu a ideia de montarmos o estúdio em nossa casa, e isso foi simplesmente a melhor coisa que poderia ter acontecido. Com espaço suficiente e dentro de casa, facilitou para Kawarama conciliar os horários, assim como a distância para Izu e Madara, melhorando nosso desempenho. E, foi nesse período de transição do estúdio para minha casa que Madara e Hashirama passaram a ter mais contato, se tornando amigos mais próximos; e claro que Izu e eu vimos um romance em potencial na amizade deles. Os dois até demoraram, mas, finalmente, acabaram enxergando o óbvio, mas, a pior parte nem foi isso. Como Hashirama e Madara mal tinham tempo e seus horários quase nunca coincidia, eles raramente se viam. E isso piorou quando Hashirama acabou assumindo as ações do papai na empresa.
Izu se remexeu um pouco, mudando a posição, se virando de costas. Aproveitei abraçá-lo por trás e afundar o rosto naquele cabelo, inspirando o cheiro que vinha dele. Depois desses anos, ele ainda continuava atraente o suficiente para me excitar apenas com o cheiro e a textura de sua pele. E pensar que em breve estaríamos assim todos os dias.
Com isso, acabei lembrando de que precisaria pensar num momento propício para entregar o presente que havia comprado. A causa do ataque de ciúmes do Izu que quase resultou no fim do namoro. Ele sempre era controlado em muitas coisas, porém, a insegurança acabava com o modo racional dele. Ter ciúmes das mulheres que costumavam me abordar, seja no final das apresentações ou em algum momento social nosso era compreensivo, mas, sentir ciúmes da Mito era, no mínimo, algo bastante inusitado da parte dele. Ainda mais sendo a ex do meu irmão. De várias com quem já havia ficado, ela com certeza estava fora de cogitação, nossa relação estava mais para algo fraternal. Mito e eu nos tornamos amigos depois que ela começou a sair com Hashirama, o que permitia ter essa proximidade maior. E, mesmo depois do namoro dela com meu irmão ter terminado, continuamos mantendo a amizade. Aliás, ela mesma fez questão de terminar com Hashirama, depois de ter percebido o interesse nítido dele por Madara. Na verdade, ela sempre soube que Hashirama não possuía o mesmo sentimento, mas, por ela gostar muito dele, aceitou a situação mesmo assim. No entanto, quando Hashirama e Madara se tornaram mais próximos, ela soube que não conseguiria competir, então, quando soube que eles finalmente estavam juntos, Mito demonstrou seu total apoio e o mais profundo respeito pela decisão. E essa atitude me fez perceber que a amizade dela era muito valiosa. Sempre nos apoiando, mesmo quando ela nem precisava se incomodar. O único motivo pelo qual a relação dela com Hashirama ter se tornado mais profissional do que pessoal de uns meses para cá foi justamente o ciúme do Madara.
Izu sabia dessa minha amizade com a Mito, apesar de vez ou outra, ter suas desconfianças. Por mais que eu dissesse que não tinha nada com ela, além disso.
A ideia de a Mito ajudar na compra do presente se deu quando, em uma das conversas que eu e Hashirama tivemos sobre o assunto, ela notar minha aflição em escolher o que comprar. Essa ideia aliviou muito o meu lado, afinal, mulheres sempre levam mais jeito para essas coisas.
A parte mais complicada mesmo foi esconder tudo do Izu; porque pegar as medidas exatas do dedo sem que ele percebesse não era uma tarefa muito simples.
De certo modo, não era algo que planejávamos; aliás, raramente tocávamos nesse assunto. Mesmo que em algum momento já tivesse cogitado, Izu era fechado – e orgulhoso – demais para demonstrar como se sentia em relação a isso abertamente. Lidar com essa questão nunca foi problema, porque o importante mesmo não eram suas palavras, e sim o modo como agia. E suas reações eram melhores do que quaisquer palavras. Mas, depois que Hashirama decidiu fazer o pedido à Madara, as coisas ficaram claras pra mim; e precisava tomar uma atitude quanto ao nosso relacionamento. Não que estivesse ruim do jeito que estava, mas, precisávamos dar um passo novo, e os conselhos do meu irmão foram de grande ajuda. Sem eles, talvez não teria tomado essa decisão. Estava ciente de que a mídia, em algum momento, acabaria descobrindo, assim como foi com Hashirama e Madara. Não via problema nisso, ainda que ter a vida pessoal exposta dessa forma não fosse a melhor coisa. Ao menos o assédio das mulheres talvez acabasse de uma vez por todas. Pensando nisso, veio a lembrança de uma stalker que tentou me beijar após uma apresentação, deixando Izu completamente enciumado veio de repente. Por causa disso, ele ficou semana sem falar direito comigo.
Izu se mexeu novamente, se aconchegando melhor em meus braços, anulando completamente qualquer espaço que havia entre a gente. Afastei os cabelos da nuca, depositando um beijo ali, fazendo com que ele se arrepiasse com o contato, encolhendo os ombros. A maneira como seu corpo reagia a um simples toque era convidativo demais para ficar apenas numa simples carícia. Descendo a mão pela lateral, fazendo o caminho até a virilha, onde comecei com um toque de leve, Izu arqueou as costas, roçando o traseiro onde a ereção já estava se formando. Ele gostava de provocar e sabia que esse estímulo era mais que um convite para comer aquela bunda deliciosa.
Percorrendo os lábios sobre a pele do pescoço, intensifiquei o movimento sobre o membro semiereto dele, apertando os dedos em volta, massageando toda a extensão. Izu se contorcia, empinando o traseiro, iniciando uma dança sensual, me deixando mais excitado – como se realmente precisasse disso. Com uma mordida consideravelmente forte em seu ombro, consegui fazer com que ele deixasse um gemido escapar, ainda que abafado pelo travesseiro. Agora, totalmente ereto e com o clima aceso entre nós, a mão se movia quase que por vontade própria numa masturbação desenfreada, enquanto Izu gemia sem mais pudores, levando a mão ao meu cabelo e puxando com força. Estava tão duro e pulsante que poderia sentir que ele iria gozar a qualquer momento; então, para não acabar com nossa transa matinal cedo demais, com a outra mão, introduzi dois dedos naquela bunda apertada, começando a preparar ali com cuidado. Com movimentos lentos, em sintonia com a masturbação, senti seus músculos relaxarem, e Izu começou a se mover contra meus dedos, buscando um contato maior. Esse era o sinal de que estava pronto para ser penetrado. Sem demora, posicionando melhor atrás dele, parei com o mover da mão no membro dele para erguer um pouco sua perna e me encaixar de maneira mais confortável, introduzindo devagar o pênis pra dentro daquele corpo quente. Assim que estava completamente dentro, esperei ele se sentir confortável o bastante para eu me mover. Enquanto isso, distribuía beijos pelo pescoço, subindo até orelha, mordendo levemente o lóbulo.
- Empina pra mim, gostoso. – Sussurrei rouco, o fazendo empinar ainda mais o traseiro, aprofundando a penetração. – Isso, agora quero ouvir você gemer meu nome.
- Ah... Anda logo.
O pedido dele era sempre uma ordem, literalmente falando. E, sem pressa, comecei a mover lentamente, ainda que a vontade fosse de meter com tanta força a ponto de esfolar o pau. Mas, precisava ser mais cuidadoso, ou acabaria machucando e isso não estava nos planos para hoje, afinal, queria usufruir mais dele durante a noite. Izu puxou meu rosto para um beijo necessitado, mordendo o lábio inferior com certa força, indicando que poderia me mover mais rápido. Os movimentos foram aumentando, deixando nossos corpos numa sincronia perfeita, tanto que conseguia entender cada reação dele nas entrelinhas; desde um pedido para aumentar as estocadas até um gemido mais alto, notificando que ele estava perto de gozar. Tudo isso nunca deixava de ser excitante e, ao mesmo tempo, a melhor demonstração de que o sentimento dele era recíproco. Era sempre nesses momentos que ele demonstrava todo seu afeto, por isso, as palavras não se faziam necessárias. Não quando havia um Izuna totalmente entregue em meus braços, gemendo sensualmente meu nome enquanto dava e recebia prazer dessa maneira.
A necessidade de mudar a posição veio assim que os músculos dele se contraíram um pouco, me apertando de maneira absurdamente deliciosa. Num movimento rápido, fiquei por cima, me encaixando entre as pernas, erguendo-as a ponto de se apoiarem sobre meus ombros. Com o membro já posicionado, investi contra ele de uma vez, penetrando-o completamente. Os movimentos não demoraram a se intensificar, e, logo os suspiros e gemidos roucos ecoaram pelo quarto. Sorte a nossa Madara não ter chegado ainda para estragar o clima. As estocadas cada vez mais fortes finalmente atingiu o ponto dentro dele que o fez gemer mais alto. Agarrou meu cabelo com força, puxando meu rosto para mais um beijo, e, sentindo seu interior se contraindo cada vez mais, percebi que ele estava muito perto de gozar. E eu também não estava muito longe disso ao sentir aquele aperto praticamente me devorando. Então, com algumas investidas mais intensas, pude sentir o corpo dele estremecer e o membro latejar contra meu abdômen. Assim, ele finalmente gozou, melando nossos corpos. Mas, ainda não estava totalmente satisfeito, precisava sentir mais daquele aperto quente. Continuei me movendo num ritmo bem vigoroso, a ponto de fazer o corpo dele alavancar do colchão com a força do impulso. Se não fosse sua excelente resistência física, ele não conseguiria levantar da cama, porém, Izu era bem mais forte do que aparentava ser. Dessa vez, o orgasmo estava próximo, e, com uma estocada mais profunda, finalmente cheguei ao limite. Abracei ele com força, afundando o rosto em seu pescoço, numa tentativa de regularizar a respiração. Deitei ao seu lado, trazendo-o para se aninhar em meu peito.
Abraçados, apenas com o som de nossas respirações se acalmando, ficamos em silêncio, apreciando a companhia um do outro. Enquanto isso, algumas questões começaram a surgir, e uma delas era o que faríamos na próxima semana. A agenda estava livre e queria poder fazer algo diferente, afinal, com o clima frio as opções que restavam eram poucas. Talvez uma viagem rápida para um local mais quente. Parecia uma boa ideia, já que estávamos há quase quatro meses numa rotina intensa de gravações, ensaios e apresentações. Um fim de semana seria algo bom, poderíamos aproveitar para fazer uma comemoração mais digna de aniversário tanto do Izu quanto do meu. Mas, de qualquer forma, precisava pensar bem sobre o assunto porque geralmente aparecia algum trabalho.
-Izu, estava pensando. Semana que vem nossa agenda estará tranquila, acho que seria uma boa oportunidade para sairmos da rotina, o que acha?
- O que está querendo dizer com isso? – Ele levantou a cabeça para me encarar.
- Estou dizendo que devemos aproveitar para fazer uma viagem, nem que seja rápida.
- Hm, parece uma ótima ideia. Tem algum lugar em mente?
- Qualquer um que não seja frio. Cansei do inverno.
- Pela primeira vez tenho que concordar com você.
- Ah, então é assim? – Apertei as bochechas, fazendo-o formar uma careta engraçada. – Então, vamos resolver logo qual o destino.
- Se você parasse de apertar meu rosto assim, ajudaria a me concentrar. – Ele tentou afastar o rosto numa tentativa de fugir, franzindo o cenho.
- Você fica um amor quando faz essa cara. – Desfiz o aperto, descendo a mão para até chegar à nuca, aproximando nossos rostos – Dá vontade de morder você todo. – Sussurrei, mordiscando o lábio inferior dele.
- Será que podemos conversar sem ter alguma conotação sexual?
Izuna quando queria conseguia ser pior do que um iceberg de tanta frieza. Difícil acreditar que tínhamos a mesma idade, porque ele parecia mais um velho rabugento do que um jovem com de 25 anos. Depois de alguns segundos ainda emburrado, resolveu desfazer a carranca.
- Então, conseguiu pensar em algum lugar, Mr. Freeze?
- Acho que podemos reviver aquela sua ideia maluca de irmos a Sydney. Seria uma ótima opção para fugir desse frio.
- Espera... Você sugerindo isso? Você tá bem? – Questionei, bastante desconfiado daquela decisão repentina, afinal, Izu não era muito fã desses lugares exóticos e sempre desconversava quando tocava no assunto. – Austrália nunca foi de seu interesse.
- Digamos que eu esteja disposto a fazer esse sacrifício. – Seu olhar sugestivo implicava em uma coisa que me fazia sentir calafrio: Ele iria cobrar por isso e, como sempre, sairia caro. Às vezes, insistir com ele nem sempre era uma boa opção.
- Entendi, entendi, já sei que isso não vai ficar barato.
- Mas, que má ideia você faz de mim. – Fingindo uma inocência que nunca teve, fez aquela expressão de ofendido. Ah, se eu não o conhecesse tão bem, até acreditaria; porque sem sombra de dúvidas ele era um excelente ator.
- Quem não te conhece cairia fácil nessa, mas, já estou ciente da sua capacidade teatral. – Disse, apertando levemente a ponta do nariz afinado, fazendo-o franzir a testa, quase unindo as sobrancelhas.
- Idiota.
- Que você ama. – Aproximei nossos rostos, roubando um selinho. – Vamos planejar isso melhor depois de tomar um café.
Ele rolou os olhos, se soltando do meu abraço e se levantando, indo em direção ao banheiro. Nesse percurso até a porta, pude ter uma visão bem privilegiada da tatuagem do Link que cobria boa parte das costas, e, claro, da bunda empinada e gostosa, carimbada com algumas marcas roxas das mordidas de ontem. Ele mal sabia o quanto ver aquilo me excitava e, só não o acompanhei porque ouvi o som da porta de entrada se abrindo de longe.
Impressionante como o Madara sempre aparecia nos momentos mais inoportunos.
T.S. ○ I.U.
Depois de ter feito o pedido, precisava de um ambiente um pouco melhor para entregar o que havia comprado para o Izu; então, decidi que um jantar fora seria uma boa opção para oficializar as coisas.
O dia seria um pouco corrido por causa de algumas questões relacionadas à gravação de um novo vídeo clipe. Nos reunimos com alguns produtores, e passamos praticamente a tarde inteira resolvendo coisas banais como figurino e cenários. Aquilo era realmente entediante de se fazer, e minha mente vagava para um assunto mais interessante, a viagem na próxima semana, se tudo desse certo. Precisava ver imediatamente as passagens, hotel, e, claro, a parte divertida de se visitar uma praia paradisíaca como Palm Beach. Lá havia tantas opções que um fim de semana seria pouco. Infelizmente, era o único tempo disponível que tínhamos. Claro que visitaria novamente aquele lugar com mais tempo, talvez, mais cedo do que imaginava; afinal, parecia uma ideia excelente passar a lua de mel por lá.
Quando a noite chegou, ainda estava frio, mas, a temperatura havia ficado suportável para conseguir sair. O que foi uma grande vantagem para nós dois. Um pouco antes do horário combinado, estava estacionado em frente ao edifício, esperando ele descer. E, com sua pontualidade britânica, Izu apareceu, abrindo a porta do carro, entrando imediatamente. Deu um selinho como cumprimento e se pôs a fixar o cinto de segurança no lugar.
O caminho até o restaurante não era muito longo, e, em dias normais seria mais rápido ainda. No entanto, dirigir rápido com resquícios de neve na pista estava fora de cogitação. Durante o percurso, conversamos coisas sobre a reunião da tarde. Igualmente a mim, Izu também havia ficado entediado com todo aquele assunto de produção de figurinos e coisas que, em minha opinião, poderia ser resolvida sem a nossa presença; entretanto, fazia parte do que era ser um artista participar dos detalhes, até mesmo o menos importantes.
A mesa que havia reservado se encontrava numa área mais restrita e bem menos movimentada, ideal para casais manterem uma conversa íntima sem muitos incômodos. Fizemos os pedidos, e, durante a espera, o vinho tinto serviu de acompanhamento.
- Busquei na internet os valores e horários da passagem aérea. Encontrei um voo direto na sexta-feira às 7h da manhã. Se não houver atraso, chegaremos a Sydney às 16h.
- E o hotel? – Ele questionou, bebericando um gole do vinho.
- O Novotel deve nos atender bem. Só não fiz reservas e comprei as passagens porque os produtores não resolveram tudo hoje. – Suspirei pesado, lembrando que aqueles imbecis poderiam simplesmente ter dado o assunto como encerrado.
- Vamos esperar até segunda para ver no que dá.
Ele deu um pequeno sorriso, demonstrando estar um pouco mais empolgado com a viagem, algo que normalmente não fazia, ainda mais se tratando de onde estávamos planejando ir. Percebi que esse era o momento propício para finalmente entregar o presente. Discretamente, peguei a pequena caixa no bolso, aproximando a mão apoiada em cima da mesa em direção à dele. Acariciando os dedos de leve, coloquei a caixinha em cima da mesa, empurrando-a para que ele pegasse.
- Esse é o meu presente.
Um pouco surpreso, ele pegou a embalagem, abrindo a caixa. Inspirou profundamente quando viu o anel de ouro branco com um discreto diamante cravejado. Sem dizer nada, apenas olhou fixamente para o anel, como se estivesse se questionando de alguma coisa. Por um segundo, imaginei que estava reconsiderando a resposta de ontem, porém, um sorriso tímido se fez e ele voltou a olhar para mim.
- Obrigado.
- Posso? – Apontei para a caixinha e ele acenou positivo. Peguei a joia, segurando firmemente a mão direita, encaixando o anel devagar no dedo anelar, que coube perfeitamente. Ainda bem que havia pegado a medida correta. Ele encarou por alguns instantes a própria mão, o rosto tomando uma coloração rosada por tudo aquilo. Outra coisa que acertei foi ter reservado nossa mesa na área reservada, porque, certamente, ele estaria muito mais embaraçado do que estava agora. Aproveitei para beijar delicadamente o dedo com o anel, fazendo-o corar ainda mais. Ver suas reações era simplesmente a melhor coisa. Apesar de todos esses anos, ele não havia perdido esse jeito de ser, algo que eu gostava muito nele.
Após o jantar, resolvemos passar em um open bar ali perto. Fomos andando mesmo por ser praticamente ao lado do restaurante. No caminho, algumas pessoas nos reconheceram e pararam para tirar selfies e perguntar alguma coisa sobre a próxima apresentação. A internet era realmente algo fabuloso, em tão pouco tempo de carreira, as pessoas já reconheciam nosso trabalho, fator muito gratificante para todos nós do grupo. Assim que chegamos à porta do open bar, notamos que estava bem movimentado. Por um momento, olhei para Izu somente para constatar se ele queria mesmo entrar ali. Não havendo nenhuma hesitação, entramos no local, constatando que estava bastante cheio. A decoração moderna e iluminação ambiente, o local era bem acolhedor e a música tocava num som agradável. Um dos atendentes veio em nossa direção, e, para nossa surpresa, o rapaz nos reconheceu e sorriu gentilmente, nos direcionando para uma mesa num local um pouco mais reservado no segundo andar. Devidamente acomodados, pedimos as bebidas e ficamos por horas ali jogando conversa fora sobre jogos e música. Em todos esses anos, isso também não mudou, nossos assuntos dificilmente caíam na mesmice por sempre estarmos atualizados com as coisas que gostávamos, e, o mais importante, nossos gostos em comum. Tudo isso fazia os laços se tornarem mais fortes, ainda que tivéssemos nossas diferenças. Esse lado era um ponto muito positivo na relação e nós prezávamos por isso tanto – ou até mais – quanto o sexo. A cada encontro nos conhecíamos um pouco mais, formava uma cumplicidade maior. E, mesmo o Izu sendo mais reservado nessa questão de demonstrar sentimentos, eu descobria informações valiosas sobre ele. Esse jeito dele no fim das contas me fazia querer desvendar mais, saber o que se passava naquela mente. E essa incógnita que ele era foi o que justamente me manteve atraído desde o começo. Diferente de qualquer outra pessoa com quem envolvi, Izu se mostrava um desafio irresistível; alguém que não se deixava dominar facilmente.
Nos divertimos bastante relembrando os velhos tempos e as coisas fora do comum que fazíamos para arrumar jeito de ensaiar, ou os tempos em que saíamos escondidos para escapar da vigilância dos nossos pais. E, sempre que lembrava isso, agradecia mentalmente por não ter mais essas coisas, outro ponto positivo em ser um adulto independente. As horas praticamente voaram e a madrugada chegou um pouco mais fria do que a temperatura de antes. Por volta das 2h, resolvemos ir embora, ou ficaria totalmente incapacitado de dirigir. Não iria para o apartamento do Izu, e ele também não ficaria lá em casa. Precisávamos resolver o quanto antes essa data para não termos mais esse problema de levar um ao outro para casa.
O percurso foi muito tranquilo por causa do trânsito livre, com a neve fraca que começou a cair. Estacionei o carro na vaga em frente à entrada do edifício, como não iria subir, ficamos trocando alguns beijos e carícias ali mesmo. Se não estivesse nevando, as coisas poderiam tomar um rumo mais interessante. E justamente por causa do mau tempo, Izu achou melhor que eu fosse embora antes que piorasse. Precisava concordar que dirigir na neve não era seguro.
- Você precisa ir. – Ele finalizou o beijo, mas, não se afastou totalmente. – No fim de semana vamos poder aproveitar bastante, pense nisso.
- Eu sei, mas, porra, quero fazer isso agora. – Resmunguei, dando um aperto forte na coxa dele. – Esperar o fim de semana vai ser foda.
Izu respirou fundo, balançando a cabeça negativamente, encostou os lábios de leve, num selinho bem rápido e abriu a porta do carro, saindo depressa. Fechou a porta, dando um breve aceno e andou rápido até o hall de entrada do prédio. Com um suspiro pesado, girei a chave na ignição, dando a partida. Ainda bem que até chegar em casa, os ânimos com o parceiro aqui embaixo estariam mais calmos.
I.U. ○ T.S.
O domingo amanheceu com um tempo horrível, pior do que a noite; nevando mais e bem frio. Realmente, precisava dessa viagem o quanto antes ou iria morrer entediado todas as vezes que precisasse ficar em casa quando não tivesse apresentação. Tentando passar o tédio, aproveitei para testar um jogo novo que havia comprado, enquanto esperava Izu responder minha mensagem. Ele sempre demorava mais para acordar. Admirava a capacidade dele em conseguir dormir, mesmo que estivesse acontecendo um apocalipse zumbi lá fora.
Depois de algumas horas jogando, já entediado pelo jogo não ser muito do que prometia, parei para levantar um pouco e esticar as costas. Nesse tempo, Izu finalmente respondeu a mensagem. Trocamos algumas palavras e, infelizmente veio a confirmação que não queria ver, ao menos não para o próximo fim de semana: o empresário havia arranjado uma apresentação, estaríamos com a sexta, e, provavelmente, o sábado ocupados. Não que isso fosse ruim, pelo contrário, era ótimo termos nossa agenda assim; sinal de que nosso trabalho estava sendo bem reconhecido. Mas, minhas expectativas para o fim de semana eram outras.
- Tobi?
- Sim?
- Viu que teremos apresentação na sexta que vem? – Kawarama apareceu na porta, se aproximando do sofá.
- Izu acabou de me contar por mensagem.
- Isso é bom. Pena que vai avacalhar sua viagem.
- Sem problemas, posso marcar para outra oportunidade.
Kawarama me encarou, com aquele olhar de quem não acreditou em uma só palavra. E ele estava certo, porque sabia que eu estava querendo ir para Sydney há um bom tempo.
- Esse jogo é horrível, eu não te falei antes? – Desfez o silêncio quando viu o videogame pausado. – Falei para não comprar essa porcaria, jogou dinheiro fora.
- É, eu sei, você bem que avisou. O jogo é uma merda mesmo. – Suspirei cansado, retirando o jogo de uma vez por todas.
- Olha aqui o que tenho, melhor opção para um domingo entediante de neve. – Ele pegou o jogo Warcraft no bolso do moletom – Topa jogar umas partidas?
- Fazer o quê? É melhor que temos pra hoje.
De fato, Warcraft era uma opção de jogo bem melhor. Com isso, ficamos boa parte do dia jogando, e Itama acabou se juntando a nós, revezando assim as partidas. O dia acabou passando rápido e o tédio sumiu com nossas discussões sobre quem ficaria com o controle do videogame na próxima partida. Jogamos até tarde da noite, já que sair de casa estava inviável de qualquer forma. Foi bom porque a distração ajudou a relaxar e esquecer por algumas horas da frustração de ter a viagem adiada.
Durante a semana, o clima melhorou consideravelmente. Conseguimos ensaiar bastante para a apresentação, nos mantendo bastante ocupados praticamente todos os dias. Além de duas reuniões com produtores para acertar os detalhes finais que não conseguimos no fim de semana passado. Como os dias se passaram bem rápido, nem deu tempo para ficar chateado com questão de que não iria viajar, porém, precisava de planos para o domingo, dia do meu aniversário. Apesar de que a possibilidade de ter algo agendado para esse dia era grande, mas, só teria uma resposta definitiva na sexta. Quando a quinta chegou, aproveitei a pausa para sair com Itama, coisa que não fazia há algumas semanas por causa da rotina. Kawarama se juntou a nós, e seria um passeio em família perfeito se Hashirama não estivesse preso naquele escritório da empresa. Por um lado, isso pesava um pouco na consciência por ele estar se responsabilizando por praticamente tudo ali, mesmo quando insistia que estava tudo bem. E por causa dos ensaios, mal estava comparecendo por lá. Hashirama sempre dizia que não havia problema e que tudo estava em perfeita ordem. Como queria que ele parasse de carregar todo esse peso sozinho. Infelizmente, papai acabou o deixando num beco sem saída. E quase fiquei nessa também, se não fosse Hashirama ter apoiado esse sonho.
- Tobi, Kawa, mal posso esperar para chegar aos 20 logo e poder ir nas apresentações. – Itama falou animado, enquanto olhava um action figure na vitrine da loja.
- Quando você chegar lá, vai querer voltar a ser criança novamente, acredite. – Kawarama levou a mão aos cabelos de Itama, bagunçando-os ainda mais com um carinho nada delicado.
- Mas é só por causa disso, tá? Não quero ficar como o Hashi. Ele mal para em casa. – Ele encarou Kawarama, fazendo lembrar a triste realidade em que nosso irmão mais velho se encontrava no momento.
- Pois é, Itama, melhor nem pensar nisso. Aproveite bem essa sua fase. – Tentei ajeitar a bagunça que Kawarama havia feito no cabelo de Itama, mas, aquele cabelo era tão terrível de arrumar quanto o meu.
Após comprarmos o que Itama estava querendo, fomos ao cinema assistir Assassin's Creed, filme bastante esperado por ele, que era um fã dos livros. Kawarama e eu conhecíamos mais a franquia de jogos. No final, todos saímos ganhando por gostarmos da estória. Depois do filme, paramos para comer e ficamos um bom tempo conversando sobre as cenas mais empolgantes do filme, como a cena do salto da fé, que ficou muito realista. Izu com certeza iria gostar bastante desse filme porque ele também já leu todos os livros lançados. Pena que ele não pôde vir com gente hoje. Por volta das 21h fomos embora, o clima estava um pouco mais frio, apesar de não estar nevando. Quando chegamos em casa, nos deparamos com Hashirama deitado de qualquer jeito no sofá assistindo TV.
- E aí, se divertiram? – Ele perguntou sem tirar sua atenção da programação. Quando notei o que estava assistindo, dei toda a razão por não ter sequer olhado para nós. The Warrior Way era realmente um filme sensacional.
- Sim! – Itama correu para onde Hashirama estava, pulando em cima dele com tudo – Tobi comprou aquele action figure que eu estava querendo, fomos ao cinema assistir Assassin's Creed. Foi bem legal, só faltou você.
- Também queria estar com vocês, mas sabe como é. – Hashirama suspirou cansado, fazendo um leve carinho no cabelo de Itama. – Quem sabe na próxima?
- Você sempre fala isso e nunca vai. – Itama rebateu, mas, no fundo, entendia o porquê de Hashirama não poder ir com mais frequência nesses programas em família.
Desde a morte do papai, Hashirama acabou se tornando uma figura paterna para Itama por sempre ter cuidado dele desde pequeno por causa da ausência da mamãe. Todos nós, na verdade, sempre tivemos uma profunda consideração por tudo que ele fazia, por ter se tornado adulto muito cedo e assumir as responsabilidades. Hashirama estava além de um irmão mais velho para nós. Quando ele anunciou que iria se casar com Madara, pensei justamente na dificuldade que seria Itama aceitar tudo isso. No entanto, Hashirama sempre um passo à frente, já havia pensado na questão; ele mesmo continuaria cuidando do nosso irmãozinho, apesar de Itama se sentir enciumado por achar que Madara estava o "roubando" dele. Kawarama conseguiria cuidar de si mesmo, mesmo com Hashirama tendo insistido que não haveria problemas se ele quisesse viver com eles. Por isso a decisão de pedir Izu em casamento foi menos complicada, e, com o total apoio do Hashirama e Madara, fiquei mais encorajado. Madara foi outro que desde o começo apoiou minha relação com o Izu, até mesmo enfrentando algumas vezes o pai deles. Ele poderia até ser antipático algumas vezes, mas, na maioria das vezes, se mostrou um bom amigo.
Na sexta à tarde, Izu e Madara vieram para ensaiarmos os últimos detalhes da apresentação, para depois ajeitarmos as coisas para a logo mais a noite. Com isso, sairíamos juntos daqui de casa, o que era melhor do que combinar de encontrar no local. Hashirama veio embora mais cedo, apesar de dessa vez não poder ir para não deixar Itama sozinho. Ele geralmente optava por isso para que nosso irmãozinho não sentisse completamente excluído. Outro fator que também pesava na consciência. Porém, não havia muita opção por causa da menoridade de Itama. Hashirama nunca reclamou disso e ainda nos incentivava a não desistir, ou ver isso como empecilho. Meu irmão realmente tinha um coração generoso demais.
Assim que chegamos ao local da apresentação, vimos que estava lotado, algo que nos deu um ânimo ainda maior para fazermos nosso melhor ali. Sem atrasos, subimos ao palco e iniciamos com nossa música mais popular, a que recebeu um grande número de visualizações no youtube desde que lançou. O público, que já conhecia a letra, cantou com muita animação junto conosco, e a sensação de ver isso não dava para descrever com palavras. Parecia um sonho ver aquelas pessoas acompanhando nosso trabalho, tendo várias reações positivas a cada música. Talvez, indescritível era a palavra certa para definir o momento.
Buscamos sempre melhorar nossa técnica, tanto no vocal quanto no instrumental e o resultado de todo esse trabalho em conjunto que tínhamos se tornava bem nítido a cada apresentação. Com essas experiências, estávamos chegando pouco a pouco ao nível das bandas que tanto admirávamos. Tudo que sonhamos praticamente a vida inteira, se concretizando de uma maneira que jamais imaginamos que iria acontecer. E isso nos incentivava a querer melhorar, aprimorar as coisas que aprendemos durante esses meses que se passaram. Os produtores nos ajudaram bastante, e, tendo a gravadora de renome do nosso lado, as coisas tiveram um andamento mais rápido. Assim que a última música acabou, ouvimos pedidos de bis junto aos aplausos. Claro que não deixaríamos ninguém na mão, então, mandamos um cover bem ensaiado para fechar a noite.
There's no one like you
I can't wait for the nights with you
I imagine the things we'll do
I just wanna be loved by you
O público vibrou com o vocal do Madara nessa música. Ele realmente mandava muito bem, era impressionante a habilidade que tinha em deixar o cover de uma forma bem natural, sem parecer uma imitação forçada do original. Madara trazia uma autenticidade admirável para cada música, e isso deixava o público agitado por ver sua banda favorita sendo bem representada. Encerramos a noite com grande categoria.
Paramos para beber e comemorar mais um trabalho bem feito naquela noite. Conversamos sobre diversos assuntos, inclusive, a viagem para Sydney.
Nas horas em que ficamos ali conversando e bebendo, algumas pessoas nos abordaram para pedir selfies; Madara e eu acabamos sendo os mais assediados. Todos nós estávamos cientes de que isso seria mais comum daqui para frente, incluindo pessoas com mais ousadia tentando chamar a atenção. E esse era ponto complicado da questão: como lidar com o assédio sem trazer influências negativas para o grupo, afinal, escândalos envolvendo artistas sempre rondavam o mundo da fama, principalmente quando se tratava de mídia.
Uma amiga de Kawarama se juntou por uns minutos a nós, até resolver carregar meu irmãozinho para o balcão e comprar um drink.
Assim que Kawarama saiu, um rapaz se aproximou do Izu e começou a puxar algum assunto sobre computação. Pelo visto, deveria ser algum colega de faculdade. O homem nos cumprimentou rapidamente, pedindo ao Izu para se sentar conosco. Tentando não parecer grosseiro, Izu cedeu ao pedido e o tal colega se sentou ao lado dele. No primeiro momento, não havia nada de errado em alguém conhecido do curso dele aparecer e querer conversar. Até aí, tudo bem. Porém, as coisas começaram a tomar um rumo estranho demais quando esse colega resolveu mexer no cabelo do meu noivo. Poderia relevar o simples gesto, se isso não parecesse uma espécie de flerte descarado. O modo como ele sorria e brincava com a mecha de cabelo do Izu estava me deixando possesso de raiva. E a audácia não parou por aí: o maldito teve a capacidade de se aproximar e falar alguma coisa no ouvido dele.
A calma que tentava manter antes de repente se tornou numa ira incontrolável. O sangue ferveu no mesmo segundo e, se não fosse o Madara segurar meu punho, que nem percebi que estava fechado, pronto para bater naquele homem a qualquer momento, teria acertado um soco na cara daquele desgraçado abusado. Ele se afastou e, sendo gentil – até demais para o meu gosto – com o amiguinho dele, Izu sorriu, meneando a cabeça positivamente. O homem se levantou, deu um abraço em Izu, que estava prestes a dizer algo, mas, não dei espaço para ele sequer o fazer. O puxei pelo braço, trazendo-o para perto de mim.
- Cai fora antes que eu quebre sua cara aqui mesmo. – Praticamente rosnei as palavras e o homem, espantado com o que acabou de ouvir, congelou no lugar, sem mover um músculo sequer.
- Tobirama, as pessoas estão olhando pra gente, para com isso. – Izu segurou meu braço com força, numa tentativa de me parar.
Não respondi, apenas continuei encarando o homem a minha frente de maneira intimidadora. Se ele não sumisse dali logo, não responderia por mim. E, sabendo disso, Izu disse para ele ir embora antes que acontecesse um escândalo. O rapaz atendeu prontamente, como se tivesse caído na realidade com o alerta.
- Melhor irmos embora, vou pagar a conta. – Madara se levantou, indo em direção ao balcão.
- O que tá rolando aqui? – Kawarama apareceu com a amiga, segurando as bebidas ainda cheias.
- Depois te explico. – Izu respondeu, ainda segurando meu braço.
- Tobi, você tá uma cara... – Entendendo que a situação não estava nada boa, Kawarama se virou para a amiga a fim de se despedirem – Desculpa, acho não vou poder te acompanhar nessa. – Ele se desculpou e entregou um dos copos para a garota.
- Chamei um táxi, Izu. – Madara se aproximou, retirando o maço de cigarros do bolso. – Você pode levar as coisas para sua casa, certo? – Ele me encarou, colocando o cigarro na boca, pronto para acender.
- Eu levo vocês. – Respondi prontamente, apesar de a irritação ainda continuar latente.
- Não precisa. – Izu disse, soltando meu braço, indo para o lado do Madara.
- Já disse que eu levo vocês.
- E eu disse que não precisa, porra. – Irritado, Izu pegou um cigarro no bolso, acendendo-o. – Amanhã conversamos, você está alterado e não quero discutir.
- Verdade, Tobi, você parece muito nervoso. Eu dirijo. – Kawarama se prontificou, dando um aperto em meu ombro.
Respirei fundo, soltando o ar bem devagar, tentando colocar as ideias em ordem. Realmente, discutir aqui não seria nada legal, além do clima estranho que havia instalado entre a gente. Madara se despediu, começando a caminhar para a saída. Izu me deu um selinho bem rápido e bateu no ombro de Kawarama, como se reforçasse a ideia para me levar em segurança. Meu irmão acenou positivamente e, assim, seguimos para onde o carro estava estacionado.
O trajeto foi silencioso, não trocamos muitas palavras, apenas uma música aleatória tocando, enquanto Kawarama dirigia atentamente. Nem prestei atenção em nada durante o caminho, a única coisa em que conseguia pensar era no tal colega de faculdade do Izu flertando descaradamente com ele. Alguma coisa estava muito errada naquilo tudo e queria uma explicação. Quando finalmente chegamos em casa, Kawarama se mostrou preocupado, mas, não insistiu com perguntas.
Com todos esses pensamentos rondando a mente, sabia que não conseguiria dormir tão cedo, então, busquei a garrafa de uísque no pequeno armário de bebidas perto da TV. Num gole generoso, o álcool desceu queimando. Caí de qualquer jeito na cama, apenas descalçando os pés. Depois de algumas doses, não vi nem o momento em que apaguei.
T.S. ○ I.U.
Acordar com o celular tocando em plena manhã de sábado, com uma ressaca desgraçada, definitivamente não era nada bom, ainda mais quando maldito telefone estava praticamente ao lado da cabeça. Peguei o aparelho com uma vontade enorme de jogar na parede. Olhando para a chamada, pensei em ignorar, assim como ele fez na semana passada, mas, ao notar o horário e ver que ainda eram 6h da madrugada, não pude ignorar que poderia se tratar de uma emergência. Izu nunca ligou tão cedo; aliás, ele detestava acordar cedo.
- Tobi? – A voz um tanto animada para uma manhã de sábado soou no outro lado.
- O que foi? Aconteceu algum milagre pra você ligar a essa hora? – O tom de indignação não foi disfarçado.
- Pode se dizer que é um milagre. – Ele soltou uma risada – Mas, é melhor você se apressar ou vamos perder nosso voo que sai exatamente em... – Parou por uns segundos, como se estivesse conferindo algo – 40 minutos.
- Do que você tá falando? – A confusão, junto com a ressaca, fez a cabeça doer mais ainda.
- Nossa viagem para Sydney, esqueceu? – Ele perguntou como se fosse óbvio. – Bom, preciso terminar de arrumar algumas coisas aqui, nos encontramos no aeroporto. Até daqui a pouco.
- Ei, espera, como assim? – Não deu tempo de perguntar mais nada, apenas ouvi o som da chamada encerrada.
Já estava prestes a ligar para entender o que estava acontecendo, quando ouvi batidas na porta e a voz de Hashirama chamando.
- Pode entrar.
- Bom dia. E aí, dormiu bem? – Hashirama surgiu, com Itama ao seu lado – Espero que sim, já que fará uma viagem um pouco longa.
- Tobi tem muita sorte mesmo, queria viajar também. – Itama parecia um pouco desapontado, enquanto esfregava os olhos, ainda sonolento.
Se antes estava confuso, agora as coisas haviam virado uma bagunça total na minha cabeça. E a dor latejante da ressaca não estava ajudando em nada.
- Esqueceu que adiamos essa viagem por causa da apresentação?
- Não, vocês não irão se apresentar hoje. – Hashirama revelou a mão que, até então, estava atrás das costas. – Agora, pegue essas passagens e trate de tomar um banho, você está com uma cara horrível. Tá de ressaca?
Olhei para os papéis na mão dele, confirmando o que ele acabou de dizer. O voo estava marcado para as 6h40min. De repente, uma luz acendeu e pude pensar com maior clareza no que estava acontecendo.
- Espera, então, vocês combinaram tudo isso?
- Sim. Esse é um presente de aniversário atrasado para o Izuna e adiantado para você. Espero que aproveitem bem a viagem. – Hashirama sorriu, piscando discretamente.
- Izu sabia disso o tempo todo?
- Não, Mada deve ter contado a ele agora pela manhã também. Aliás, agradeça a ele depois por ter feito as reservas no hotel.
Ainda tentando processar aquela informação, fiquei encarando Hashirama por uns segundos, sem saber ao certo o que dizer. Meu irmão com certeza era o melhor irmão mais velho do mundo inteiro.
- Ah, sim, Itama e eu fizemos um excelente trabalho em equipe arrumando suas coisas ontem. Certo, Itama? – Ele se virou para Itama e ambos bateram as mãos, demonstrando toda a cumplicidade entre os dois.
- Somos os melhores irmãos do mundo. – Itama sorriu orgulhoso pelo elogio.
Não consegui conter o riso e dar um abraço naqueles dois.
Corrigindo: Eu tenho o melhor irmão mais velho e o melhor irmão mais novo do mundo.
- Vocês são demais, obrigado.
- Melhor você se apressar, se não quiser perder o voo. – Hashirama me alertou e eu fui depressa para o banheiro tomar um banho, apesar de a ressaca ter sumido parcialmente.
Após ter me aprontado, Hashirama, Kawarama e Itama aguardavam na sala, prontos para fazer companhia até o aeroporto.
O percurso foi tranquilo e rápido, já que não estava nevando e o trânsito se encontrava livre pelo horário. Chegamos com bons 10 minutos de antecedência.
Izu e Madara não demoraram a aparecer. Fizemos o check-in bem rápido, e, pelo horário avançado, tivemos que embarcar sem longas despedidas.
Depois de toda a correria, assim que o voo decolou, foi que a lembrança do ocorrido de ontem veio. Izu ainda me devia uma boa explicação sobre aquele tal amigo dele. Teríamos nove longas horas para conversar sobre o assunto; isso não seria nenhum problema, exceto, é claro, se ele não me desse motivo para dar meia volta assim que aterrissasse em Sydney. Por enquanto, não tocaria no assunto até ele resolver falar. Ele me devia uma explicação e em algum momento teria que dizer algo.
Na primeira hora de viagem, ele não falou muita coisa, só resmungou que estava morrendo de sono. Se não reclamasse disso, não seria o Izu que conhecia. Ficamos mais algum tempo em completo silêncio, fingindo prestar atenção na programação da pequena tela instalada na poltrona à frente.
- Sobre ontem. – Ele começou, ainda olhando fixamente para a TV. – Quero dizer que eu e o Kakashi somos apenas amigos.
- Não parecia assim ontem. – Sem olhar para ele, respirei fundo, tentando manter toda a calma.
- Ele só estava sendo gentil e me parabenizando.
- Sério? Engraçado, ele se mostrou muito surpreso ao ver que você estava comigo.
- Ele não puxou assunto porque não te conhecia pessoalmente, mas sempre soube sobre você.
- Estranho, e porque ele ficaria assustado daquele jeito? – Observei pelo canto de olho e, dessa vez, Izu estava olhando para mim.
- E quem não iria se assustar? Você o mandou cair fora na maior grosseria. – Ele insistiu naquilo e eu apenas suspirei, tentando reunir toda a paciência para continuar ouvindo aquilo – Se o local não estivesse barulhento, você ouviria claramente eu contando a ele sobre o nosso noivado, e que ele estava apenas me parabenizando quando se levantou.
- Não sabia que para parabenizar alguém, a pessoa precisava passar a mão no cabelo e ficar de segredo, conversando ao ouvido para ninguém saber, bem normal isso aí.
- Tobi, ele apenas sugeriu para sairmos com o grupo de amigos da faculdade quando as aulas voltarem para comemorar. E ele só tocou no meu cabelo, não tem nada demais nisso. – Ele recostou no assento e voltou a encarar a TV – Era para eu estar irritado por você ter tratado meu amigo mal.
Dessa vez, não consegui evitar em encará-lo, surpreso com o que acabou dizer.
- Ah, sim, desculpe por não saber com quem você costuma andar na faculdade.
Ele voltou a me olhar, com o cenho franzido.
- É mesmo? Conte-me mais sobre sua intimidade com a Mito.
Respirando fundo, fechei os olhos por uns segundos, numa tentativa de manter a calma.
- Não acredito que você quer mesmo trazer esse assunto já encerrado à tona.
- Essa sua amizade com ela é bem suspeita.
- Ela é a ex do meu irmão. Como eu não seria amigo dela?
- Ah, claro, isso explica tudo, inclusive, ela sempre escolher os presentes que você compra para mim? – Ele ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços.
- Ela só me ajudou dessa vez.
- E porque logo ela?
- E o que tem demais ela ter ajudado?
- Imagina, ela estar praticamente grudada em você naquele dia não foi nada demais. – Ele apoiou os cotovelos nos braços da poltrona, unindo as mãos.
- Naquele dia, estávamos conversando justamente sobre você. Está tirando conclusões precipitadas.
- E por acaso você não acabou fazendo a mesma coisa ontem?
O assunto chegou num ponto onde nem um de nós dois conseguiu dizer mais nada. Apenas ficamos nos encarando por um tempo, em silêncio. Aquilo parecia um grande embate, e ambos estávamos com a visão bem distorcida sobre o assunto. O ciúme fez Izu enxergar algo além naquele dia, e, agora, eu também estava enciumado por ter entendido mal a situação de ontem à noite. No fim das contas, estávamos com um sério problema de comunicação. E essa falta de comunicação acabou trazendo sérios desentendimentos.
Depois de refletir um pouco sobre tudo que veio acontecendo nesses dias, cheguei à conclusão de que continuar discutindo seria inútil e apenas traria mais desgaste para nosso relacionamento. O grande problema aqui era justamente o orgulho. Nesses momentos, a razão precisava superar esse sentimento ou a viagem seria um verdadeiro desastre. Respirando fundo, reunindo todo o autocontrole para não dar continuidade àquela discussão, coloquei a mão sobre a dele, entrelaçando nossos dedos.
- Foi mal por ontem. – Ele voltou a me encarar, um tanto surpreso – Vamos esquecer isso e aproveitar nossa viagem. Há tempos quero fazer isso e gostaria de aproveitar ao máximo com você.
Ele continuou sem falar nada por um instante, levou a mão ao rosto, massageando as têmporas. Ficou assim alguns segundos, até parar o movimento.
- Por que você sempre faz isso?
- Alguém precisa ser racional aqui. – Ele riu sarcástico diante da minha afirmação, balançando a cabeça negativamente.
- Você é um idiota, não sei como eu ainda consigo te aturar. – Disse, em tom debochado.
- Digo o mesmo sobre você.
Izu soltou sua mão da minha e voltou a sua atenção para a TV. O restante da viagem foi num clima mais leve entre nós, tanto que acabei pegando no sono e só acordei quando anunciou que estávamos sobrevoando Sydney. Chegamos no horário previsto, sem atrasos. No desembarque, pudemos ver um clima totalmente diferente daquele tempo cinzento e sem muitas cores no Japão. O sol ainda estava alto, o céu num azul bem claro e limpo, quase sem nuvens. Perfeito para uma de semana na praia.
As reservas foram para o Novotel, com vista bem privilegiada para o mar, do jeito que estávamos planejando antes. Realmente, precisava agradecer ao Madara depois dessa.
I.U. ○ T.S.
Apesar de a viagem ser longa e cansativa, estava com disposição para sair e conhecer algumas coisas na cidade. Para a noite, programamos ir ao Cassino. E o mais conveniente nisso tudo era esse local não ser muito distante do hotel. Passar a madrugada que antecede o aniversário num Cassino não era uma má ideia.
Durante o percurso, passamos por Darling Harbour¹, totalmente iluminada por exuberantes luzes coloridas. O clima era tão agradável que dava aquela sensação alegre, suave, cheia de vigor e energia positiva, diferente das noites frias no Japão nessa época.
Ao chegarmos ao local de decoração extravagante, bastante iluminado e movimentado, pude comprovar que era muito além do que havia pesquisado sobre. Mesas de apostas, roletas, máquinas caça-níqueis de diversos modelos, tudo bem convidativo. E eu, como um bom apostador, queria iniciar pela roleta.
- Tem certeza que quer jogar isso?
- Claro! Mas, você tem minha permissão para jogar cartas. – Sabia que a preferência dele era apostar no pôquer, Izu gostava desse tipo de jogo.
- Aff, como se eu precisasse de sua permissão pra qualquer coisa. – Ele rolou os olhos, seguindo para o lado dos apostadores de cartas.
A noite seria longa, animada e, com muita sorte, sairíamos daqui com algum dinheiro a mais. Peguei o maço de cigarros e isqueiro no bolso, pedi uma dose dupla de uísque com gelo, e as apostas começaram com valores altos.
Na medida em que as horas se passaram, pude notar que algumas mulheres pareciam mais próximas do que o normal. Ou seria o efeito da bebida causando essa impressão?
De repente, pareciam formar uma espécie de círculo ao redor. Após ter ganhado algumas partidas, elas se aproximaram, parabenizando. Uma delas foi um pouco mais ousada, fazendo um acaricia meu ombro. Loira, peituda e alta; a mulher de batom vermelho chamativo sorria deliberadamente, quando olhei por um segundo para o lado. Se Izu visse isso, estaria bem ferrado.
Pensando bem, Izu simplesmente havia sumido. Conhecendo ele, sabia muito bem que estaria envolvido demais numa partida para sequer prestar atenção no horário, mas, não deixava de ser estranho. E isso foi uma saída que encontrei para fazer a última aposta e dispensar de maneira gentil o convite da mulher, que acabou insistindo por uns minutos para que fôssemos beber algum drink no bar. Depois de deixar as fichas de apostas devidamente guardadas, fui procurar Izu e, ao encontrá-lo, vi que ele conversava com um homem e uma mulher, ambos sentados ao seu lado, entre uma jogada e outra. Até então, tudo normal, se não fosse a mulher acariciar o cabelo dele, enroscando os dedos, enquanto brincava com uma mecha, enquanto o homem, que parecia ser o parceiro dele de jogo, pôs a mão sobre a de Izu. Uma cena bem inusitada para alguém como ele, exceto, quando estava começando a ficar – isso, se já não estivesse – bêbado. Atitude estranha porque ele não ficaria assim tão rápido, ainda mais durante uma partida de pôquer. Respirando fundo, traguei o cigarro, indo em direção à mesa onde ele estava.
Ao me aproximar, vi a mulher se aproximar mais e sussurrar algo no ouvido do Izu.
O que ela estava querendo?
O homem sorriu de maneira bem sugestiva ao olhar para ela, enquanto a mulher lançava aquele olhar cheio de malícia para o que estava a sua frente. Pareciam estar aprontando alguma coisa, e eu que não iria esperar para ver o que aconteceria.
Quando cheguei perto o suficiente para apenas colocar a mão no ombro dele e chamar sua atenção; a mulher, no mesmo instante, parou a carícia, me olhando de cima a baixo, surpresa com a aproximação repentina.
- Vamos embora, agora. – Usando um tom ríspido, encarei o homem, que, por pura audácia, ainda segurava a mão do Izu.
- Por quê?
Nesse instante, apenas abaixei o suficiente para ficar à altura do ouvido dele e sussurrar:
- Por que se você não vier comigo agora, vou arrebentar a cara desse filho da puta.
Ao entender o recado, Izu prontamente deixou as cartas em cima da mesa. Levantei, corrigindo a postura, enfiando as mãos nos bolsos, numa tentativa de tentar parecer calmo. Se esse cara fizer isso de novo, não responderia por mim.
- Desculpe-me, mas vou ter que deixar essa rodada. – Izu fez menção em se levantar e aquele atrevido teve a coragem de fazer o que eu estava torcendo para que não fizesse: segurar a mão dele novamente, o impedindo de levantar.
- Mas, por quê? – Na maior naturalidade, aquele maldito fez questão de deixar explícito seu interesse.
- Por que se você não soltar a mão dele agora, vou arrebentar sua cara. – Respondi com um tom calmo, mas, ao mesmo tempo, intimidador, o fazendo ficar paralisado onde estava sentado.
- Tobirama, aqui não. – Izu se levantou depressa, segurando o meu braço, me puxando para longe da mesa. E fez muito bem, porque, se continuasse ali, não conseguiria controlar a vontade de socar a cara do desgraçado.
Seguimos para a saída, onde já havia alguns táxis estacionados, a espera de clientes. Entramos no primeiro que alcançamos.
Durante o percurso, ainda irritado com o que havia acontecido no cassino, pude notar que Izu parecia diferente. A primeira coisa que notei foram as reações; parecia inquieto e um pouco mais agitado do que o normal, suas mãos estavam bem quentes quando ele me segurou pelo braço. Essa reação parecia mais com a do êxtase.
- Izu? – Ele observava as luzes, parecendo divagar em outro espaço-tempo – Você usou êxtase?
Como se tivesse voltado à realidade, ele direcionou sua atenção para mim, espantado pela minha dedução. Como se eu não conhecesse muito bem os efeitos do êxtase. Já havíamos usado isso juntos em algumas apresentações e festas. Porém, o problema não era esse, e sim onde ele conseguiu. Será que aquele cara...
- Espera, aquele cara te deu isso? – Segurei o braço dele com certa força, e ele o puxou no mesmo segundo, se soltando.
- Olha aqui, você não é meu dono para me tratar como se fosse um pertence seu. E daí que usei êxtase, qual o problema? – Ele se alterou a ponto de praticamente gritar, pouco se importando que estivéssemos dentro de um táxi, com o motorista assistindo tudo aquilo de camarote.
- O problema não tá na porra do êxtase, e sim naquele filho da puta que estava dando em cima de você descaradamente.
- Ele não estava dando em cima mim, caralho. Não era ele, e sim ela. Mas, eu recusei. Ele estava tentando me convencer a dar uma chance para ela.
- Ah, se fosse o meu caso, você provavelmente estaria terminando comigo agora, não é mesmo?
Nesse momento, o carro estacionou em frente ao hotel, e Izu saiu do carro rapidamente, batendo a porta. Respirei fundo, paguei o taxista pela corrida e sai do carro, seguindo para a recepção.
Para minha sorte, a suíte tinha uma chave extra, se não fosse por isso, certamente Izuna me deixaria na rua. Ao entrar no quarto, pude ver ele completamente descontrolado, guardando as coisas de qualquer jeito na mala.
- O que diabos está fazendo?
- Não tá vendo?
- Pra onde você quer ir a essa hora?
- Qualquer lugar longe de você! – Alterado, ele enfiou a última peça de roupa na mala, tentando fechar, com muita dificuldade – Vou para outro hotel e amanhã mesmo compro a passagem de volta para casa.
- Tá louco? – Tentei me aproximar, fazendo-o se afastar – Você não pode ir embora assim.
- Eu posso e vou. – Irritado, Izu pegou a mala e, antes que desse um passo, entrei em sua frente. – Sai da frente, porra.
- Não vou deixar você sair daqui, entendeu? – Segurei o braço dele, que tentou se desviar. – Olha só para você, está totalmente fora de si.
- Me solta. – Sua voz saiu entredentes, quase num rosnado – Agora.
- Não.
Izu soltou a mala e, por pouco, não acertou um soco no meu rosto. Graças aos bons reflexos, consegui desviar a tempo, o prendendo contra a parede. Ele se debateu, tentando em vão se soltar. As aulas de jiu jitsu serviam para alguma coisa no fim das contas.
- Me solta, porra. Tá machucando meu braço! – Gritando e se debatendo, ele se contorcia como podia para se soltar.
- Vai parar de se debater feito louco? – Com muita tranquilidade, sabendo que seria impossível ele conseguir sair desse golpe, continuei forçando seu corpo contra a parede.
Izu parou por um segundo, e, com um movimento, tentou acertar uma joelhada em minhas bolas, porém, sendo mais rápido que ele, consegui interceptar o golpe e apoiar minha perna entre as dele.
- Você achou mesmo que conseguiria me pegar desprevenido com isso? – O olhar mortal que ele lançou foi algo provocativo para mim. Na verdade, ele já estava me seduzindo ao se debater e esfregar o corpo contra o meu. – Olha o que você tá fazendo comigo. – Sussurrei no ouvido dele, pressionando o quadril contra seu corpo, roçando deliciosamente a ereção.
- Por que sempre faz isso? – Ele mordeu o lábio inferior, virando o rosto corado para lado.
- Você me excita de todas as maneiras. – Desci a boca pelo pescoço, dando uma mordida forte ali, o fazendo se arrepiar.
Ele ofegou, deixando um suspiro escapar. Continuando os beijos, alterando entre lambidas vagarosas e mordidas, fazendo-o arfar a cada toque e se entregar aos poucos. Aproveitando que ele estava distraído o suficiente, soltei seus braços, descendo para a barra da camisa, começando a retirá-la. A cada parte do tórax revelada, beijos e mordidas acompanhavam até retirar toda a peça de roupa. Os mamilos, rígidos pela excitação, pareciam implorar por atenção. Mordiscando um, enquanto estimulava o outro com os dedos, comecei a sessão de carícias quentes por aquele peitoral pálido. As mãos dele foram para minhas costas, apertando e arranhando cada parte ali.
Suas pernas se esfregavam contra as minhas, friccionando a ereção pulsante dele em minha coxa. Não resistindo a isso, fui descendo, fazendo uma trilha de beijos por todo seu abdômen, chegando ao cós da calça. Sem demora, abri o botão, baixando o zíper apressadamente, tudo isso aos olhos atentos dele, que observava cada movimento. Com um puxão, retirei a calça junto com a cueca, revelando aquela ereção já melada pelo pré-gozo. Sem desviar o olhar do rosto dele, aproximei a boca, lambendo bem devagar a glande e todo aquele líquido saindo dali. Circulando aquela região com a língua, fui engolindo-o aos poucos. Izu levou as mãos ao meu cabelo, segurando-os com força, incentivando a continuar. O que foi atendido assim que consegui fazer que o pau dele tocasse a garganta. Comecei a mover, sugando-o enquanto ia e vinha devagar. Colocava-o todo até o fundo, depois tirava, chupando a glande no final. O movimento foi se intensificando, até se tornar intenso ao ponto de sentir o final da garganta ser tocado por aquele membro rígido e pulsante.
O ritmo se manteve num frenesi alucinante, fazendo Izu estocar contra minha boca, gemendo cada vez mais alto. Aquilo era o indicativo de que ele estava prestes a gozar. Mantendo o movimento ritmado, não demorou muito para que ele alcançasse o orgasmo. Engolindo todo o gozo, levantei, apoiando-o entre a parede e meu corpo para que não caísse. Assim que consegui ficar de pé, puxei o rosto dele, tomando aquela boca num beijo cheio de desejo, compartilhando o gosto delicioso que ele havia deixado em mim. Mordendo e sugando o lábio inferior com vontade, agarrei os cabelos de sua nuca, prensando-o fortemente contra a parede, enquanto esfregava o corpo freneticamente contra o dele.
Baby I'm preying on you tonight
Hunt you down eat you alive
Just like animals
Eu estava tão duro e excitado que poderia sentir cada parte do meu corpo queimando de vontade de devorá-lo até não aguentar mais.
Maybe you think that you can hide
I can smell your scent from miles
Just like animals
O cheiro da pele, o som de sua voz rouca gemendo, suas mãos passeando por minhas costas, arranhando-as de leve, a forma como sua língua se movimentava em sincronia com a minha. Tudo nele era tentadoramente convidativo.
Descendo as mãos pelas laterais daquele corpo até chegar a bunda, onde apertei com vontade, depois desferindo um tapa forte, que ecoou por todo o quarto, fazendo-o morder meu ombro com força. Não dava mais para aguentar, precisava estar dentro agora mesmo.
So what you trying to do to me?
It's like we can't stop, we're enemies
But we get along when I'm inside you
Usando uma rapidez descomunal, me livrei das minhas roupas num piscar de olhos. Voltei a beijá-lo, esfregando nossos corpos contra o outro, fazendo-os se chocarem por causa do atrito. Ergui Izu pelo quadril e ele enlaçou as pernas em minha cintura, encaixando completamente os corpos. Com isso, iniciei os movimentos simulando a penetração, fazendo as costas dele bater contra a parede com certa força. Ainda conectados pelo beijo, firmei o corpo dele, segurando-o pelas coxas, levando-o para a cama. O deitei devagar, ficando sobre ele, me encaixando novamente entre as pernas dele. Enquanto o beijava lentamente, posicionei o pênis na entrada, começando a penetrá-lo lentamente, sentindo aquele aperto gostoso enquanto entrava nele.
Assim que estava totalmente dentro, comecei com movimentos lentos e ritmados com o beijo. Sentir aquela bunda apertada e quente se contraindo era uma sensação enlouquecedora, tornando difícil de controlar a vontade de ir mais forte e fundo lá dentro. Izu não sabia o que ele provocava em mim; despertando o instinto mais primitivo que gritava em minha cabeça para fodê-lo com todas as forças.
Just like animals, animals
Like animals
Na medida em que ele ia relaxando, fui aumentando os movimentos até atingir o ponto prazeroso dentro dele, fazendo-o gemer alto e se agarrar em meu pescoço, mordendo ali com força. Isso era como um grande estímulo para continuar estocando com mais vigor, fazendo os corpos se chocar de tal modo, que o atrito ecoava por cada canto do quarto, se misturando aos gemidos descontrolados.
A necessidade de inverter as posições veio quando percebi que Izu estava prestes a gozar novamente. Mas, não queria que as coisas terminassem assim, ainda estava com disposição para continuar metendo nele a noite inteira. Com um movimento rápido, sentei na cama, trazendo-o para meu colo. Entendendo o que eu queria fazer, ele foi baixando o corpo devagar, até estar completamente preenchido novamente, começando a se mover de forma lenta e cuidadosa. Quando se sentiu confortável o suficiente, iniciou uma cavalgada forte, descendo e subindo, rebolando, me deixando mais louco ainda. Aproveitei para apertar o traseiro, estapeando-o sem nenhuma dó, fazendo-o gemer em meu ouvido, chamando meu nome.
Ouvir os gemidos dele era como uma boa música aos ouvidos, me deixando ainda mais excitado. Aquela bunda me apertava por todos os lados, comprimindo de maneira deliciosa meu pênis lá dentro. Queria continuar fodendo assim por mais tempo, no entanto, sabia que ele não conseguiria se segurar mais, o corpo dele já dava claros sinais de que o orgasmo estava próximo. Com mais algumas investidas, Izu gozou primeiro, melando nossos abdomens. Aproveitando o momento, o deitei novamente, ficando por cima. Saindo e entrando de maneira intensa e vigorosa, não demorou para que eu conseguisse gozar também, preenchendo todo aquele canal.
Ofegante, deixei o corpo descansar em cima dele. Trocamos beijos mais calmos, enquanto nossas respirações iam se regulando aos poucos. As carícias começaram de novo, acendendo o desejo dentro de nós de continuarmos. E, no que dependesse de mim, iria rolar a noite toda.
Os beijos se tornaram mais urgentes, junto com as carícias e algumas palavras provocantes sussurradas. Logo, já estávamos completamente excitados e duros o suficiente para iniciar tudo novamente. Dessa vez, sem preliminares ou joguinhos, o penetrei com força, sentindo cada músculo daquela entrada se contrair, me envolvendo num aperto descomunal.
Com o calor invadindo nossos corpos, o ritmo foi se tornando mais intenso, desejoso. Gemidos ecoavam pelo quarto, mesclando com o som do atrito dos corpos se chocando, trazendo sensações que não dava para explicar com palavras. Entre uma investida e outra, podia sentir Izu se contraindo cada vez mais, tornando praticamente impossível conseguir segurar o prazer que ele me proporcionava. E ele não estava muito longe de atingir seu limite também, então, estocando mais rápido, fazendo as costas dele se arquear, prendendo suas pernas com força em minha cintura, conseguimos gozar quase ao mesmo tempo.
Sentindo as ondas de prazer percorrer por todo o corpo, me deitei ao lado dele, trazendo-o para junto do meu peito. Fazendo um carinho nos cabelos dele, enquanto as respirações se acalmavam, notei que ele estava exausto. Ficamos assim por um tempo até o sono começar a dar seu sinal.
A discussão de mais cedo veio à mente, e, pensando bem, realmente havia me precipitado quanto ao acontecimento no cassino. Izu poderia até agir de maneira impulsiva em certos momentos, mas, eu não estava agindo muito diferente dele também. As nossas discussões geralmente eram baseadas nesse tipo de situação, e isso acabava deixando desconfortável o que deveria ser um dos nossos melhores momentos. Respirando profundamente, reunindo a coragem para admitir que estava errado – e isso não era nem um pouco fácil –, o abracei apertado, soltando o ar bem devagar.
- Izu?
- Hm?
- Foi mal tudo aquilo mais cedo.
Ele ergueu a cabeça para me encarar, surpreso.
- Eu ouvi direito? Você está admitindo seu erro?
Ele sabia disso e, mesmo assim, parecia conspirar para acabar de vez com todo meu orgulho.
- Você sabe que muito bem o que estou falando.
Izu ficou em silêncio por alguns instantes, me encarando com um olhar pensativo. Sabia o quanto aquela situação era complicada, afinal, ele também tinha seu próprio orgulho. E estava ciente de que parte daquilo se dava por nossas inconstâncias e ciúmes. Dificilmente admitia essas coisas, contudo, para manter certo equilíbrio, era necessário que alguém cedesse, e, na maioria das vezes, eu acabava o fazendo; tudo porque o amava. Sua mão veio ao encontro do meu rosto, iniciando uma carícia.
- Eu sei que você tem sido paciente esse tempo todo, e eu tenho sido bem babaca por não reconhecer na maioria das vezes. – Parou por uns segundos, deixando um suspiro pesado escapar – O que sinto por você é verdadeiro. E ainda que eu não diga isso o tempo todo, eu amo você.
A sinceridade naquelas palavras me fez sorrir, trazendo uma sensação reconfortante dentro do peito. Mesmo não sendo muito bom em demonstrar tudo o que sentia, Izu possuía uma maneira particular quando se tratava de mostrar suas emoções. E isso era o que realmente importava, apesar de ser ótimo ele falar exatamente o que estava sentindo.
- Feliz aniversário. – Ele me abraçou apertado, selando nossos lábios num beijo amoroso.
Izu sabia como me fazer feliz, mesmo com seu ciúme e insegurança, somente ele conseguia causar as sensações que estava sentindo nesse exato momento. E, principalmente, a sensação de ser amado. O beijo se tornou mais intenso, as línguas buscavam espaço, explorando cada canto de nossas bocas, alternando entre mordidas. Ele finalizou o beijo, mordendo sensualmente meu lábio inferior, sorrindo de maneira maliciosa.
- E o meu presente? - Perguntei, entendendo as intenções por trás daquele sorriso.
- Está olhando para ele.
Seu sorriso se alargou mais ainda, então, começou uma trilha de beijos, descendo do pescoço para o peito, depois, seguindo pelo abdômen, até chegar à virilha. Eu já estava duro novamente e pronto para outra.
Quando acabamos, não vi quando dormimos, a única coisa que havia notado foi o dia quase amanhecendo.
T.S. ○ I.U.
Ao acordar, o sol estava alto, deveria ser tarde pela claridade. Izu dormia tranquilamente, então, aproveitei para abraça-lo por trás, e inspirar o cheiro do cabelo e pele. Ele se remexeu, preguiçoso, quando sentiu um beijo cálido no pescoço. Depois de um tempo, Izu se virou para me encarar, o rosto um pouco amassado e com cara de quem estava totalmente acabado. E não era para menos, afinal, a noite foi bastante agitada. E essa cara dele parecia mais um convite para fazer tudo de novo.
- Oi. – Sussurrou rouco, esfregando os olhos e bocejando.
Tão comestível.
- Dormiu bem?
Izu apenas meneou a cabeça positivamente, deitando a cabeça em meu peito. O envolvi num abraço, fazendo um carinho leve nos cabelos bagunçados. Essa sensação pacífica, de leveza, de longe lembrava ontem à noite, durante a discussão. As diversas discussões que tivemos se passaram na memória numa pequena retrospectiva; e que tudo isso talvez só piorasse daqui para frente. Mas, com o tempo, estávamos aprendendo a conviver com isso, ainda que essa não seja a maneira mais correta de se acertar as coisas.
Ficamos um pouco mais na cama, apenas aproveitando aquele momento juntos, enquanto trocávamos carícias.
O clima parecia agradável lá fora e, ao que tudo indicava, os planos de visitar a praia e fazer todas as atividades que havíamos programado estava praticamente certo. As condições pareciam totalmente favoráveis para fazer com que essa viagem seja a melhor que já tivemos.
Aproveitaríamos ao máximo tudo o que este lugar tinha a oferecer, e o tempo estava completamente ao nosso favor. E, apesar de todas as diferenças, sabia que o lugar onde queria estar era exatamente aqui, junto dele, onde quer que estejamos.
