Capítulo Vigésimo Segundo
Andava de um lado para o outro na mais completa alienação do mundo. Apenas o que importava era o que se passava dentro daquelas quatro paredes. Pamela estava inerte já fazia quase um dia inteiro e Severus decidira que a melhor coisa a fazer era contactar Albus e pedir ajuda. Sabia, seguramente, que teria que explicar toda a história e assumir diante do avô daquela criatura fantástica em corpo de mulher, mas que vivia na terra havia menos de 13 anos, que consumara o mais intimo dos atos carnais com ela. Imaginou se haveria alguma chance de sair ileso disso. Concluiu que não. Ao longo do dia teve tempo para conformar-se.
Ele banhara Pan em agua fria, imaginando que o choque de temperaturas pudesse ajudar a despertá-la,mas não surtiu efeito. Apenas serviu para que sua pele queimasse ainda mais quando ele a tirou da banheira. Conjurou um pijama de seda, como os que ela costumava usar, e vestiu-lhe. Na metade daquele dia de uma espera amarga, ele solicitara comida aos elfos, e mesmo sendo contra aquele apetite por carnes semi-cruas que Pan tinha, usou disso também para tentar, de algum modo, fazer com que ela despertasse.
Albus apareceu na metade da madrugada. Estava sério e pensativo, mas tentou parecer, como sempre, o mesmo velhote jovial que cumprimentava alegremente fosse qual fosse a situação.
-E então, o que aconteceu com ela? Não me diga que ela também precisa de atenção médica, como Hope? Elas precisam seguir menos os passos de Pearll e parar de acreditar que podem fazer tudo sozinhas.
-O que houve com Hope?
-O que houve com Pan? –Albus foi direto ao ponto.
Severus observou o rosto mais do que conhecido a sua frente. Existiam três coisas que tiravam Albus Dmbledore dos seus eixos: Minerva, Pearll e Pamela. Mesmo Harry Potter, muito importante para o velho bruxo, não era capaz de desencadear algumas reações que Severus recordava haver presenciado algumas vezes, a maioria delas envolvendo a filha menor dos dois. Diante disso, ele conjurou um escudo diante de si mesmo e outro em torno de Pan. Observou os olhos de Albus buscando espelhos no quarto, coisa bem usada para refletir feitiços, e com um aceno de varinha cobriu os dois com cortinas escuras.
-Você causou algum mal a ela. –aquilo era uma afirmação.
-Você sabe como Pan é. Todo aquele fogo a qualquer minimo machucado... –Severus engoliu em seco- O que acontece é que noite passada... Noite passada nós fomos longe demais para um casal que ainda não proferiu os votos.
-Você desvirginou minha Pan? –e o tom dele era caustico, como Severus imaginou que seria. Ele estava agora de pé, impedido de avançar apenas pelo feitiço anteriormente instalado.
-Eu me casarei com ela, isso é algo que temos bastante decidido.
-Oh, você irá! Você... –e agora ele estava bastante transtornado, a varinha na mão- E porque ela está assim agora?
-Eu não sei. Eu esperava que você pudesse me ajudar. Fawkes talvez saiba o que houve aqui.
-Detalhes. –disse Dumbledore sentando-se novamente.
-O que?
-Quando ela desmaiou?
-Quando... –aquilo era profundamente constrangedor- Quando ela atingiu o clímax. Antes disso, tudo isso estava em chamas... essas chamas que não queimam. Mas de repente, tudo se apagou e ela desmaiou.
-Há quantas horas?
-Vinte e cinco horas precisamente. –e então fez-se um pesado silêncio cheio de ponderações- Albus... Eu não imaginei que algo assim pudesse acontecer.
-No que você realmente estava pensando? –o velho homem perguntou segurando a testa na ponta dos dedos- Que você pode pegar uma garota de 13 anos humanos,levá-la para a cama e que tudo isso vai ficar bem?
-Olhe pra essa mulher e me diga o que é de "garota de 13 anos" que ainda existe ai? Pamela estava bem ciente e bem interessada no que estava acontecedo. E eu garanto, ela não se machucou.
-Minerva vai enlouquecer!
-Oh, não! Minerva não!
-Por hora é melhor não mesmo. Eu vou pedir a Fawkes que nos traga Arya. É o melhor a se fazer, eu acho. E esteja ciente de mais uma coisa, Severus Snape... Não me importa o quanto de apreço eu tenha por você... Se minha menina estiver muito danificada...
-Você pode me torturar, eu deixo. Agora me faça o favor de chamar alguém que resolva isso! –e indicou Pan.
Albus executou um feitiço invisível e em poucos instantes Fawkes surgia numa labareda de fogo no interior do quarto. Pousou exatamente do lado de Pan e piou severamente por alguns minutos,em que ela apenas se remexeu na cama. Mas já era uma reação. Albus e Severus não conseguiam reagir de modo algum. Então, Fawkes silenciou.
-Fawkes, Arya talvez possa ajudar mais.
A Fênix encarou o dono e piou soturnamente. Severus começava a inquietar-se, imaginando que Pan estava em uma situação realmente dificil. Fawkes desapareceu assim como veio,e agora Albus dissipava o escudo que envolvia Pan e sentava-se na cama ao lado dela. Os cabelos negros estavam cada vez mais avermelhados... sempre que a via, sentia um pequeno solavanco no fundo do peito, já que entre Ninna e Ariana, Pan começava a assumir cada vez mais as feições dos fantasmas que o perseguiam.
-Pan, meu anjo... Pan? –mas era inutil, assim como lançar feitiços, ministrar poções... era tudo inutil- Eu quero detalhes, Severus.
-D-d-detalhes?
-Como ela se portou antes de... Vocês já tinham conversado sobre isso antes? Eu sei que vocês dormem juntos desde o inicio, mas não imaginava que vocês estivessem...
-É a primeira vez que digo isso, mas eu e Pamela somos um casal normal. Obviamente com ela estando aqui sempre que possivel... as coisas tendem às vezes...
-Eu sei como as coisas podem sair do controle em algumas situações, mas o que eu estou perguntado aqui é se foi ela quem buscou... quero dizer... Foi ela quem provocou você?
-Albus, isso é ridiculo! No que isso pode ajudar?
-Arya me disse certa vez que... quando Fawkes ainda era um homem... ele teve um episódio em que precisou...
-Sem rodeios...
-Ele precisou fecundar uma moça.
-Fecundar? Fecundar, você quer dizer... engravidar? Ou seria apenas a tentativa?
-A criança já morreu há centenas de anos. Mas aconteceu.
-Você acha que Pan...?
Foram interrompidos pelas chamas da lareira. Arya, com toda sua imponencia e misticismo, saudou Albus com uma reverência, e a Severus com um educado aceno de cabeça. Logo seus olhos impossivelmente claros, pousaram em Pan.
-Ela o provocou, meu caro Severus? –perguntou Arya simplesmente- Ela o seduziu?
-Não mais do que em qualquer outra noite. Foi apenas uma brincadeira e não soubemos onde a razão nos fugiu e apenas não pudemos parar.
-Então eu acho que ainda não tenha sido... o cio.
-Cio? Você não está falando de nenhuma cadela, dona senhora rainha de sei lá quem! –Severus exasperou-se.
-Não esqueça que ela também é parte animal. –Arya o restringiu com uma mão- Quando Fawkes teve seu episódio de cio, ou intensa necessidade carnal, como você preferir, ele entregou sua proteção de fogo ao filho que nascera como consequencia. Pan pode ter perdido seu escudo protetor. E perder algo assim pode causar essa classe de exaustão.
Severus andou pelo quarto. Jamais poderia imaginar que teria sua intimidade tão invadida e que precisaria concordar com isso.
-Ela irá despertar em algumas horas. –Arya disse- Sugiro que façam o teste do escudo com ela. Eu de verdade, não posso me demorar. Sofremos um ataque horas atrás, perdemos uma dezena de elves. Nosso refúgio já foi comprometido, é hora de mover-nos. Vai levar um tempo até que Fawkes me encontre de novo.
-Só me responda mais uma coisa! –Severus adiantou-se- O que aconteceu com a criança de Fawkes?
-Nosso menino foi assassinado. –ela disse.
-Você é a mãe? Mas você é irmã dele!
-Isso não é problema entre os Elves, Severus. –Albus explicou.
-Em todo caso, ele era normal. Forte e poderoso, mas era um elve normal. Quando ele morreu, ele deixou uma pena. Uma longa pena branca. –ela apontou uma brilhante pena que ornamentava sempre seus cabelos- Nunca pudemos descobrir o que isso significava. Em todo caso, se ela estiver esperando um herdeiro, imagino que será o único. Não o percam.
E com isso, desapareceu.
