Capítulo Vigésimo Segundo
-Droga! –reclamou Pearll ao ouvir as noticias sobre Hope.
Ela ainda não acordara, ainda estava com bastante febre e as feridas estavam cada vez mais feias. Havia bastante veneno em seu sistema, e os medbruxos não sabiam o que fazer para aliviar a situação.
Era o início do segundo dia de provação, e Pearll se revoltava com a sobrinha por ainda não ter aparecido. Também estava possessa, já que as duas tontinhas meteram-se em problemas sem haver comunicado a ninguém o que estavam fazendo. Minerva apareceu no final do corredor que dava acesso ao quarto onde Hope estava sendo mantida. Fawkes estava em seu ombro.
-Tenho notícias de Pan. –ela disse quando a filha foi abraçá-la.
-Onde anda aquela ingrata?
-Não sabemos o que houve, mas noite passada ela foi em busca de Severus, e alguma coisa aconteceu e a deixou num estado de profunda sonolência. Albus e Severus estão cuidando de algumas poções que podem ajudar Hope.
-Eu identifiquei o veneno, mas não há nenhum soro antídoto.
-O que a atacou? Uma acromântula?
-Não, foi uma serpente. Uma serpente muito grande e venenosa, o que não e muito comum. Não é um basilisco, mas é da mesma família.
-Oh... –Minerva gemeu observando que a filha estava bastante desesperançada sobre Hope- E os O'brian? Você viu os pais dela?
-Eles foram tomar um café logo que cheguei.
-Você... na sua especialidade, acha que Hope pode conseguir? –Minerva perguntou insegura.
Pearll balançou negativamente a cabeça deixando uma lágrima escorrer pelo lado do rosto. Fawkes bicou levemente sua clavicula, exatamente onde a lágrima havia descansado. Piou de modo confortador e passou para o ombro dela.
-É horrivel não saber o que fazer. E saber que Pan não está ok, é aflitivo demais.
-Eu vou em busca dos O'brian, filha. Você vai ficar bem?
-Eu não devo demorar por aqui. Deve haver alguma coisa, em algum livro...
-Eu espero que você encontre alguma coisa. E não se preocupe com Pan. Seu pai disse que ela está bem, apenas com uma exaustão incomum. –Minerva beijou a testa da filha, que agora sentava-se num banco, pousando Fawkes a seu lado- Fique bem.
Quando Minerva saiu, Fawkes piou e voou até um quarto no final do corredor. Abriu a maçaneta com as garras e entrou. Pearll o seguiu, sem entender o que a fênix havia acabado de fazer. Entrou no quarto e cambaleou de susto ao se deparar com alguém bastante conhecido ali.
-Eric! –berrou observando um bruxo alto e forte, de longos cabelos ruivos desgrenhados, envolver um lençol na cintura. Aparentava estar completamente despido.
No ar, o cheiro de penas chamuscadas. A pele dele brilhava com uma camada de goticulas de suor.
-Fawkes? –ela engasgou.
O homem a olhou com olhos negros, a esclera completamente tomada. Sorriu levemente e aproximou-se dela. Estava em silêncio, talvez imaginando o que dizer quando o bombardeio de perguntas iniciasse. E conhecendo extremamente bem a pessoa a sua frente, ele fez a única coisa que lhe ocorreu para previnir um escândalo.
-Oi, amor. –e a beijou, deixando-a estática no inicio, mas largando-a rapidamente quando ela começou a empurrar e bater.
-O que demonios está havendo aqui? Eu... eu... Eric! Eric, eu não posso acreditar!
Eric, ou a forma humana de Fawkes, era decididamente o amor da vida de Pearll. Conheceram-se logo que a garota saíra de Hogwarts, num café em Londres, onde Pearll tomava um sorvete gigante com uma Pan ainda criança, antes de todo o incidente da fênix. Ele se identificou como um bruxo e disse que a conhecia do Profeta Diario. Tinha um sotaque forte, semelhante ao russo, mas falava inglês perfeitamente. Ruivo, alto, bem vestido, clarissimos olhos claros e feições aristocraticas... a primeira reação que plantou em Pearll foi um leve logo que finalmente se aproximou, depois de encará-la por quase uma hora, fez os olhos dela brilharem e desde então eles vivem uma relação estranha, mas muito forte.
-Nós vamos discutir depois. –ele disse sentando-se na ponta da cama do quarto, onde um dormia um paciente grave- Agora eu preciso de você, Hope não tem muito tempo.
-O que? –Pearll gemeu confusa, sacudindo a cabeça, ainda em choque- Eric...
-Meu amor, eu sei. Eu sei, você pode se indignar comigo depois, você pode fazer um escândalo, mas agora eu preciso de você ou uma garota inocente vai morrer.
-Eu não consigo olhar pra você com esses olhos negros! –ela disse desalentada, lágrimas escorrendo por seu rosto.
Fawkes foi até ela e a abraçou por trás.
-Não olhe, apenas me ouça. –disse baixinho, bem ao seu ouvido- Há um procedimento trouxa... foi descoberto na época em que Brian nasceu. Albus não pensa sobre aquela época, ele nunca vai lembrar. Se chama "plasmafrésis", é uma forma de limpar o sangue. Isso eliminaria talvez todo o veneno. Eu cuidaria das chagas que as presas da serpente deixaram, seria uma chance para ela.
-Por que você não conta ao meu pai?
-Ele não sabe quem eu sou, ele não deve saber.
-Por que você me enganou todo esse tempo?
-Amor... –ele suspirou- Me perdoe, me perdoe mesmo.
-E como eu trabalho com criaturas mágicas e nunca identifiquei o que você era de verdade?
-Eu sempre tomei cuidado pra que você nunca notasse. Eu não queria afastar você de mim, eu cogitei contar esses anos todos, mas eu sabia que você iria se enfurecer, talvez acabar com tudo. Mas agora é a vida de alguém em jogo. Eu precisava falar com você a respeito.
-O que eu devo fazer? –ela perguntou, decidindo que enlouqueceria depois.
-Conte aos medbruxos, eles irão em busca de um jeito de levá-la a uma clinica trouxa. Entregue a eles minhas lágrimas. –e passou um frasco recém conjurado para as mãos dela- Eu estarei com seu pai em Hogwarts e vou esperar você aparecer para conversarmos. Agora você precisa ir, eu posso sentir que ela está... mudando. Ela não tem muito tempo.
-Eric... –Pearll virou nos braços dele- Eu estou com tanta raiva... –ela disse esgoelada, ferida, parecendo muito mais fragil do que enfurecida- Eu agradeço por Hope, mas se eu puder não te ver nunca mais...
-Amor, não... –ele disse sério, segurando o rosto dela- Fawkes ou Eric, homem ou fênix, eu amo você. Eu sempre amei você, eu devo ter esperado você desde sempre. Eu não soube como agir com você, eu sei que fiz tudo do jeito errado...
-Nove anos, Fawkes!
-Sim... sim, eu sei. Me perdoe. Ponha na sua mente que eu estou perdoado e seu coração seguirá sua mente.
-Você vai me obliviar depois que eu fizer o que você quer. Quantas vezes você já não deve ter feito isso?
-Eu nunca fiz isso... Pearll! –ele a sacudiu gentimente- Eu te amo, você está com raiva mas também me ama. Apenas tenha isso bem claro na sua cabeça. E vá, o tempo está passando. –ele a beijou novamente- Eu espero você me procurar quando estiver pronta.
-Eu talvez nunca esteja.
Em Hogwarts Severus se sobressaltou quando Pan entrou no escritório dele, com o rosto inchado de sono e os cabelos desarrumados. Estava descalça, esfregando os olhos. Veio diretamente até ele, que a observava de olhos arregalados, sentado à escrivaninha. Ela sentou-se em seu colo após puxar a cadeira de rodinhas. Aninhou-se ali.
-Acho que dormi demais. –disse apenas
-Pan... –ele murmurou inseguro- Você está bem?
-Sim, e você? Quero dizer... –ela o olhou, constatando que ele estava muito tenso- Algum arrependimento ou algo do tipo?
-Oh... É complicado, mas eu estou feliz que você esteja bem a respeito disso. Eu jamais me arrependeria, por mais que... –ele hesitou- Nós vamos precisar apressar nosso casamento.
-Eu disse que não há necessidade dessas formalidades... Ninguém precisa saber que aconteceu alguma coisa entre nós. Sev, nós praticamente já vivemos juntos!
-Há uma possibilidade muito grande de você estar grávida.
-Como é?
Severus suspirou exausto e vencido.
-Eu tenho algo pra contar.
NOTAS DA AUTORA:
Obrigada lindezas de minha vida!
Num tem um Eric desses sobrando por ai onde vocês moram, não? Envia pra mim, meu aniversário é em 18 dias! hahahaha
