Capítulo Vigésimo Quarto
Pan deteve-se diante da janela falsa,que Severus havia encantado para reproduzir a superficie do lago. Recostou-se no beiral e mergulhou nos próprios pensamentos, pedindo internamente que Severus apenas respeitasse seu espaço. E ele sempre o fazia, ainda que com os olhos postos nela, ele deixava que Pan absorvesse a dureza do que havia acabado de escutar. Ele não lhe omitira nenhum detalhe, nenhuma palavra.
Estar esperando um filho não era a pior das situações, ainda mais um filho dele. Mas se eles realemente estivessem a espera de uma criança, muita coisa teria que mudar, e Pan não sabia se estava preparada para isso. Havia o resgate de Ninna, as obrigações com o bem estar de Sirius, o Torneio Tribruxo que se anunciava em Hogwarts... Uma gravidez em meio a tudo isso... Havia uma forma de previnir, ainda muito controversa entre a comunidade trouxa, mas existia o modo. Mas no fundo de Pan, aquilo seria algo abominável.
-E se de fato... eu estiver grávida?
-Teremos um filho. –ele disse prontamente- E caso você não esteja, usaremos outros modos para nos previnir, ate que finalmente você ache que é a hora certa.
-Você acha que essa é a hora certa?
-Eu não sei. Eu apenas não acho justo que nós dois, como um casal, não possamos escolher o momento em que teremos nossos bebes.
-E meu escudo de fogo se foi?
-Não tenho certeza.
Rapidamente ela pegou um abridor de cartas que havia sobre a lareira e rasgou o antebraço. O sangue jorrou espesso e vermelho escuro, mas não houve nenhum sinal de fogo. Severus aproximou-se e fechou a ferida. O queixo de Pan tremia, como se ela fosse chorar a qualquer instante.
-Você não precisa mais disso! –ele disse alegremente- Você é extremamente capaz de se defender, e caso se machuque, há diversas maneiras de te curar!
-Sev... as coisas estão muito diferentes! Eu recebi um aviso para estar em Little Hangleton, a fim de investigar uma morte suspeita. Um trouxa assassinado por um Avada Kedavra. Hope me acompanhou. Havia um enorme rastro de magia negra ali, e verificando os arquivos que conseguimos no cartório local, aquela era a residência dos Riddle. Eu imaginei que Voldemort pudesse estar se escondendo ali, imaginei que Rabicho estaria com ele. Na investigação de campo... Havia uma imensa cobra. Você saberia dizer que cobra é essa?
-Nagine. O pet maligno do Lorde das Trevas.
-Nagine atacou Hope, três botes certeiros no tronco, na coxa e no ombro. Consegui repeli-la com fogo, tentei curar Hope com todas as ferramentas da fênix, mas não surtiu efeito. Então aparatei com ela em meus braços para o St. Mungus. Disse que um pequeno basilisco a atacou. Depois eu vim até aqui, pedir sua ajuda. E o que acabei eu fazendo? Eu esqueci completamente da situação da minha amiga, eu apenas podia ver e pensar em você.
-Então... você acredita que isso tenha sido o... Merlin, odeio usar esse termo... o cio?
-Que outra coisa a não ser instinto me faria agir daquela forma na atual situação.
-Então, devemos aceitar o fato de que teremos um bebê?
-Acredito que sim. Eu posso tomar um contraceptivo de emergência...
-Não. Não por mim, eu quero que tenhamos esse bebe.
-Mas Sev...
-Pamela, olhe pra mim e não chore. Eu te amo, nós nos casaremos muito, muito em breve. Somos completamente capazes de proteger nosso filho, esconcondê-lo, designar-lhe um guardião...
-Lutaremos uma guerra!
-Se existe uma coisa que eu aprendi desde o dia em que vi você sozinha e chorando no saguão de entrada pela primeira vez... –ele afagou o rosto dela, secando as lágrimas- é que algumas coisas acontecem com um imenso proposito. Você está com medo das criticas que receberá?
-Eu não estou com medo de nada nesse sentido. Talvez da minha avó. Ou de que meu pai morra do coração. Mas minha maior preocupação será sempre com ele. –e alisou o ventre,
Severus a olhou e sorriu, sentando-se no braço da poltrona e beijando-lhe exatamente acima do umbigo. O ventre esguio podia não estar carregando nada além do habitual, mas os dois sentiam que não havia para onde fugir... eles teriam um filho, e se não fosse agora, não deixariam de tentar até conseguir.
-Devo então... preparar nosso casamento?
-Simples, discreto e rápido. –ele exigiu- E que não demore. Um mês no máximo.
-Onde vamos viver?
-Eu tenho uma casa, herança de familia. Mas eu sinceramente não quero você criando nosso bebê por lá. É um lugar repleto de lembranças ruins. Eu imaginei que eu talvez tenha o suficiente para comprar uma casa no campo, o que você acha?
-Um bosque, um riacho, alguns animais... Poder voar sem perigo de ser vista! Eu acho excelente! E não esqueça, eu também tenho um cofre.
-Seu cofre é seu, o meu é nosso. É minha ultima palavra a respeito. –acrescentou quando ela começava a protestar- Eu tenho quinze anos de salários acumulados, meu amor.
-Você é machsita.
-Dez anos atrás eu seria um perfeito cavalheiro. Mas mudando o assunto, você se sente bem o sufuciente para ir ver Hope? Acho que sua ajuda pode ser bem vinda, pelo menos sete aurores já escreveram buscando por você. –ele indicou os pergaminhos separados na mesinha de centro.
-Sim, eu devo ir! Devo vestir algo mais apresentável e ir ao St Mungus.
E rapidamente entrou no quarto, apanhando a mochila que deixara jogada pelo chão. Em poucos minutos estava de volta,usando jeans, camiseta e uma jaqueta de couro roxo escuro. Calçava as botas sentada no sofá do escritório quando Severus sentou-se na mesinha de centro, tomando sua mão direita na dele e passando pelo dedo anelar uma aliança de compromisso.
-Oh! –ela exclamou olhando para a jóia, os olhos arregalados, umedecendo-se instantaneamente.
-Só para deixar as coisas mais oficiais.
-Severus... –ela tocou o rosto dele com a ponta dos dedos- Oh, meu amor...
-Você agora é minha mulher, em todos os sentidos. Somos agora compromissados e teremos um filho. Veja... –ele girou o anel no dedo dela e nele apareceram seus nomes interligados. -Pan e Sev.
-Eu jamais tirarei isso do meu dedo. –ela o abraçou com força, beijando-o lentamente em seguida- Eu gostaria de poder retribuir isso, mas eu não sei como.
-Posso pensar em várias maneiras de retribuição tão pronto você esteja de volta. –ele a beijou sugestivamente em seguida- Mas agora eu preciso que você vá. Eu também preciso trabalhar aqui em busca de uma forma para ajudar nossa Hope, afinal, nosso bebe não pode nascer sem uma madrinha.
Pan sorriu agora de orelha a orelha. Certamente Severus tivera muito tempo pra pensar a respeito da situação e tinha tudo sob controle, coisa pela qual ela era bastante grata. Era lindo o modo como ele fazia tudo para aliviar o fardo que ela carregava, com Hope em estado critico, Sirius desaparecido, Ninna presa e um bebe na barriga. Depois de beijá-lo por umlongo tempo, ela ergueu-se e aparatou, deixando um rastro de fogo por onde passava. Havia aprendido aquilo recentemente, e Severus ainda se assutava com a violência do barulho e o calor que remanescia. Mas também realçava o cheiro dela, e aquilo era de divversas formas, reconfortante.
No St Mungus, Pan encontrou Pearll no seu pior estado, rosto inchado, cabelos desgrenhados e nariz vermelho.
-O que houve? Como Hope está?
-Onde você andou? –gritou Pearll perdendo o controle- Eu precisava de você aqui!
-Acalme-se, eu não estava em condições! Coisas da fênix...
-Essas malditas fênix! –ela berrou, jogando-se de novo no banco da saleta de espera.
Pan olhou em volta, todos pareciam bem,inclusive os pais de Hope, que logo confortaram Pan de que a moça que agora estava desesperada, encontrara uma forma de ajudar. Hope parecia melhor. Diante disso, Pan não entendeu os motivos para que a tia estivesse num estado tão lastimável.
-Tia... –ela sentou-se novamente ao lado de Pearll, passando o braço por seus ombros, alinhando seus cabelos, secando suas lágrimas com um lenço- Eu estou aqui agora, converse comigo.
-Eu não posso. –ela soluçou- Apenas não posso.
-Você pode me dizer qualquer coisa. Eu posso te dizer qualquer coisa, sempre foi assim, você se lembra?
-Fawkes. –Pearll murmurou finalmente- É um cafajeste.
-Ok, tia Pearll, eu não entendi.
-Vamos esperar meu pai. Ele vai nos levar pra casa e eu poderei dizer tudo.
-É muito sério?
-Se Fawkes pudesse morrer, eu o mataria.
E diante disso, Pan não soube como reagir. Apenas deixou a tia sozinha com suas amarguras e foi verificar a miga, que por um milagre dos deuses, estava desperta e fraca, mas que assegurou que ficaria bem.
-Filtraram meu sangue, um método trouxa. Fawkes fechou as feridas, que foram completamente dissecadas, deixando a mostra apenas tecido saudável. Já não há veneno.
-Porque seus olhos estão tão vermelhos?
-A cor deles, você quer dizer?
-Sim, passaram de verdes pra um tom avermelhado de castanho.
-Eu não sei, mas acho que deve ser o veneno. Acredito que vá passar. Meus cabelos também estão caindo, acho que precisarei visitar Madame Malkins e encomendar algumas perucas!
-Eu precisarei visitar Madame Malkins e providenciar um vestido. –e mostrou orgulhosamente o anel em seu dedo.
-Ele fez o pedido? –Hope animou-se, ficando mais corada e ganhando energia
-Eu te conto em breve. Agora eu preciso ir, devo escrever o relatório da nossa missão. E tia Pearll está péssima, não sei o que aconteceu com ela.
-Vá! Eu posso ir pensando em alguns modelos? Quero dizer, para o seu vestido?
-Por favor! Você é parte essencial disso tudo! –beijou a amiga na testa- Eu te amo, Hope.
-Eu também te amo, Pan.
Albus esperava a neta com o semblante serio, não disse nada quando ofereceu-lhe o braço esquerdo e a conduziu para fora do hospital, com Pearll pendurada no braço direito e Fawkes empoleirado no seu chapéu. Foi a fênix que aparatou os três para a diretoria de Hogwarts, que logo foi silenciada, abafada, todos os quadros postos para dormir, portas trancadas e um belo chá preparado sobre a mesinha de centro.
-Então, Pearll... Sobre o que você quer conversar?
Notas da Autora
( Quero agradecer a minha mais nova e ilustre leitora: Srta Scully.
Lindamente,comentando capítulo por capítulo, mesmo com o adiantado do texto, expos sua opinião, teceu lindos elogios e me encantou com seu envolvimento com a saga. Minha pressa Em postar um novo capítulo deve-se a você, sunshine!
Prometo responder seus rewiews imbox, um por um, já que eu sempre esqueço de fazê-los por aqui, e não haveria como já que foram tantos e que despertam tantas sensações que eu levaria milhares de caracteres para expressar!
Muito obrigada, seja bem vinda e esse capítulo é todo seu! ;*
