Capítulo Vigésimo Oitavo

-Estou sentindo enjoo.

-O que? –Lupin perguntou, meio aéreo, observando a linha do horizonte.

-É isso mesmo. Eu não posso acreditar que quando formos embora e deixarmos Pan e Snape sozinhos... –Sirius murmurou, parecendo realmente doente.

-Você não acha realmente que Pan e Severus nunca...? –Hope perguntou surpresa- Eles praticamente vivem juntos.

-Oh, céus! Eu vou vomitar...

-Não seja exagerado, Sirius! –Lupin riu- É perfeitamente natural para qualquer casal.

-Não antes do casamento!

-Bem, eles estão casados agora. –Hope assinalou, coberta de razão, observando Pan e Severus conversarem com Dumbledore.

Pearll que estava sentada ao lado de Lupin apenas deu de ombros, quando Sirius disse que aquilo não mudava muita coisa.

-Não me venha com moralismo a essa altura do campeonato! Apenas Merlin sabe quantas vezes eu peguei você e Ninna em situação constrangedora. Eu apenas queria saber porque aqueles dois parecem tão tensos.

Era verdade que Pan parecia muito alterada, e ninguém soube identificar o motivo daquilo. Severus estava sério e apenas ouvia o que Albus tinha a dizer. Minerva, sozinha do outro lado da mesa, segurando uma taça de vinho, também parecia muito interessada no que acontecia entre os noivos.

-Deve ter acontecido alguma coisa. –Hope também mudou sua postura.

-Vá ver o que é. –Pearll sugeriu. -Você é uma das únicas pessoas viventes no mundo que consegue que Severus não seja muito bastardo.

-É. –Sirius disse- Agora estou curioso.

Mas não foi necessário, já que Pan veio até eles. Tinha um sorriso nervoso no rosto. Sentou-se ao lado do pai.

-O que aconteceu? –Minerva perguntou, finalmente falando- Vocês estão muito estranhos.

Pan abaixou os olhos. Estava desapontada.

-Pamela...? –Pearll insistiu, segurando a mão da sobrinha por cima da mesa- Querida, o que houve?

-Nada, exatamente. –ela disse desconfortável- O que é algo bem diferente do que eu esperava dizer agora.

-Por que Albus e Severus estão tão concentrados?

-Severus quer que Albus chame Fawkes. –Pan explicou- Mas Albus ainda não quer ver Fawkes, desde que eles brigaram. Eu bem podia chama-lo, mas não quero estragar a festa.

-E como seu avô discutiu com um pássaro? –Hope riu.

-Eles tem um meio estranho de comunicação. –Minerva explicou- Às vezes acho que é telepático. Não sei o que houve, mas uma noite encontrei Albus transtornado sobre como Fawkes era mau. –ela também riu- Deve ter sido alguma coisa que nós nunca conseguiremos entender.

-E o que Severus pode querer tanto com Fawkes? –Pearll perguntou estreitando os olhos.

-É apenas... É sobre algo que aconteceu comigo, mas não sabemos explicar exatamente. É uma bobagem, como sempre... coisas da fênix. Severus sempre fica preocupado, vocês sabem como ele é.

-Bobagem ou não, deixou você bastante nervosa. –Sirius pontuou, acariciando os cabelos dela.

-Eu apenas esperava ter uma boa noticia, e não tenho.

-Não ainda. –Albus disse, sentando-se ao lado de Minerva. Eles mal viram o homem se aproximar.

Severus sentou-se na cadeira restante, diante de Pan. Ele parecia tranquilo, serviu-se de vinho, perguntando se mais alguém também queria. Pearll aceitou, fuzilando-o com o olhar. Ele sabia que ela não ficaria bem na presença de Fawkes.

-Eu não sei o que fazer com meu ingresso para hoje à noite. –Pan disse, para mudar o clima do ambiente.

-Podemos usá-los. –Severus disse- Você esqueceu que me obrigou a comprar um pra mim também?

-Eu também tenho o meu, mas estou descrente de que tenha energia o suficiente para ir a um jogo de Quadribol tão intenso quanto este. –Hope murmurou.

-Eu certamente irei. –Pearll respondeu.

-Acredito que farei companhia a Sirius essa noite. –Remus anunciou- Ainda não é lua cheia, mas também não é exatamente uma lua minguante.

-Eu adoraria poder ir. –Sirius respondeu- No meu tempo, a Irlanda sempre era favorita!

-É verdade! –Minerva concordou- Sempre a frente da Inglaterra. –complementou em tom de troça, para provocar Albus.

-Oh, grande Escócia que não participa de uma Copa há pelo menos duas décadas! –ele devolveu a provocação, o que fez com que todos falassem de Quadribol durante algum tempo, em que Severus apenas ficou em silencio, planejando algo que seria bom para todos.

-Pan, meu bem... –Severus disse em voz alta- Eu tive uma ideia. Hope, seu lugar seria no mesmo camarote que Pan e eu, não é mesmo?

-Sim, eu mesma fiz o pedido. Fica abaixo do camarote principal, custaram uma pequena fortuna. –ela riu- Mas valeria a pena.

-Temos três lugares e eu estou certo de que você quer mesmo ir a esse jogo. Eu acho que Lupin ficaria bem em acompanha-la, e que você não parece muito fraca, não o suficiente pra perder uma final de Copa.

-Mas Sirius...

-Eu tenho uma reserva de Poção Polissuco. –Severus murmurou- O suficiente pra que meu sogro possa ver o Jogo em segurança.

-Isso seria divertido! –Albus disse- Nós estaríamos todos juntos e cuidaríamos para que Sirius também pudesse estar conosco!

-Vocês não acham que isso seria perigoso? –Pan olhou para os presentes, principalmente para Severus- Papai...?

-Pan, a polissuco é perfeitamente segura! –Pearll disse animada- Ah Sirius, vai ser como daquela vez em que viajamos todos para o Brasil!

-Com a exceção de que Ninna não estará junto, extremamente grávida.

-Ah, mas isso não vai ficar muito tempo assim. –Pan garantiu- Eu estou pensando num plano.

-Sim? –perguntaram todos na mesa, ao mesmo tempo.

-Sim. –Pan sorriu- Eu não farei nada sem ajuda, então quando eu tiver o plano todo pronto, eu vou conversar com vocês.

-Filha... –Sirius segurou a mão de Pan parecendo alarmado- Isso provavelmente será a coisa mais perigosa que você fará na vida...

-Ah, você não sabe de nada pai! –Pan gargalhou- Eu sou a equipe de apoio de Tia P. Ela vive me colocando em situações que fazem o fato de que eu sequestrarei alguém de Azkaban, parecer um domingo no parque.

-Oh! –Pearll exclamou jogando um guardanapo na sobrinha- É divertido, você não pode negar!

-Não mesmo! –Pan concordou- O único problema é que depois dessas expedições uma de nós sempre acaba no St. Mungus!

-Não seja reclamona, você nem pode morrer! –Pearll encerrou a questão.

No final de todas as discussões, ficou acertado que Sirius realmente iria ao jogo. Todos garantiram que daria tudo certo. Pan era a única preocupada ali, se sentia o único adulto presente, mas em todo caso, no fim das contas, a animação dele convenceu ela de que era uma boa opção.

Quando todos foram embora, Pan e Severus ainda passaram algum tempo sentados à beira do penhasco, terminando outra garrafa de vinho. Ele observava o sol fazendo com que ela parecesse porcelana no meio de um incêndio. Os cabelos dela estavam ficando cada vez mais ruivos com o tempo. O vestido vermelho contrastava muito bem com a grama esmeraldina e as pedras cor de chumbo.

-O que "Indefinido" pode significar, falando de um teste de gravidez?

-Que talvez ainda seja muito cedo? –Severus arriscou uma explicação- Não se preocupe querida. Eu apenas acho que se o resultado fosse "negativo" ele teria saído muito claro.

-Então você ainda tem esperança?

-Sua menstruação está atrasada, não é mesmo?

-Sim, mas...

-Então até que algo prove o contrário, você está grávida. –ele sentenciou, puxando-a para um beijo.

-Eu não fui tão "emocionante" quanto você no meu presente. Eu juro que tinha certeza que o teste ia sair positivo e você ia ficar super feliz! Ai você consegue trazer meu pai até aqui, o que quase me matou do coração!

-Nós vamos nos emocionar bastante aqui. –ele disse malicioso, beijando-a novamente.

E de repente, Pan estava deitada de costas na grama e Severus pressionava seu corpo sobre o dela. Ela parecia agora perfeitamente calma, e apenas deixava que ele lutasse contra as inúmeras amarras que Madame Malkins colocou no vestido. Ela olhava pro céu, observando as nuvens em seus formatos estranhos.

-Você, poderia, por favor, desvendar o mistério dessas fitas? –Severus pediu quando se deu por vencido.

-Você está com pressa? –ela perguntou sorrindo, acariciando o rosto dele, enredando os dedos nos cabelos- Estamos em plena luz do dia, num lugar completamente aberto!

-Eu já cerquei a propriedade com feitiços de proteção, ninguém vai aparecer aqui. Eu não podia imaginar que dessa vez você estaria tão calma. Eu ainda posso me lembrar de todo fogo da outra vez!

Pan riu.

-Eu estou um pouco embriagada. –ela disse- Estou pensando coisas sem noção.

-Do tipo?

-Que esse é um daqueles momentos que deveriam ficar para sempre gravados num quadro.

-E o que mais? –ele perguntou, beijando o meio do decote dela.

-Que eu acho que em algum lugar da Sala da Profecia, no DM, deve ter uma bolinha com nosso nome. Isso parece o tipo de coisa que... Oh! –ela exclamou quando Severus encontrou o zíper que ficava estrategicamente na frente, oculto por uma sobreposição de tecidos. Puxou o fecho até Pan estar com o tronco completamente despido.

-Parece ter sido escrito pelos deuses, sim. –ele murmurou, observando-a tão branca e delicada, brilhando naquele sol ameno.

-Eu estou muito nua e você muito vestido...

-Não se preocupe, meu amor... Daqui a pouco será dificil dicernir quem sou eu e quem é você neste gramado.

Notas da Autora:

Hey! Por acaso, alguém ai queria uma NC? *sorriso amarelo* Eu ia tentar fazer, mas né... eu acabei tendo que escrever uma para "Antes de Tudo" (Fic de Game of Thrones, Cat e Ned no shipp principal, Lyanna e Rhaegar, Brandon, Ashara... Está na reta final ~algo após o que seria a metade~ e conta como aconteceu tudo, ou quase, com os personagens antes dos livros. Começa antes mesmo da época do Torneio de Harrenhal, então, sei lá, quem gostar, vai lá e seja feliz (me faça feliz '-')!

Agradeço todo mundo que ainda está aqui, fielmente acopanhando Pan em sua jornada! Vocês tem todo meu coração. Mil beijos!