TORNEIO TRIBRUXO
As Delegações de Beauxbatons e Durmstrang
chegarão às seis horas, 30 de Outubro.
As aulas terminarão uma hora mais cedo.
Os alunos deverão guardar suas mochilas e livros nos seus dormitórios e se reunir na Entrada do Castelo para receber nossos hóspedes antes da festa de Boas-Vindas.
Pan não sabia por que se sentia desconfortável ao ver aquelas placas adornando cada porta de sala de aula em Hogwarts. Anunciava que as delegações estavam vindo, mas isso não significava, mesmo remotamente, que fossem boas noticias. Faltaria então, menos de uma semana para que Karkaroff e ela precisassem estar sob o mesmo teto, e da ultima vez que isso aconteceu ela quase foi violada num dos corredores de Durmstrang.
Como era de se esperar, Severus estava apreensivo com isso. Sua Marca Negra vinha cada vez mais ardendo e em alguns pontos parecia ter escurecido.
"Como nos velhos tempos." –ele lhe disse, mas não havia nada de saudoso em seu tom de voz, embora viesse impregnado de respeito.
Severus mal podia olhar o próprio braço, e Pan já percebia que ele não a tocava com ele de nenhuma forma. Era como se aquilo fosse uma doença feia e contagiosa, e ele quisesse privá-la disso.
Mas nem tudo era agonia nos corações daqueles dois. Poderia parecer bobagem, mas Pan já sentia algo mover-se em seu ventre, já sentia o volume se formando, e sempre que fechava os olhos para pensar no assunto, imaginava que dar um salto no tempo para o momento em que teria o bebe em seus braços era a melhor ideia já concebida no mundo. Severus, por sua parte, pesquisava sobre as melhores formas de garantir a chegada de um bebe com segurança. Se deveriam usar métodos bruxos, se talvez um medico trouxa não seria uma boa opção, onde o bebe nasceria... Ele se perdia em divagações fazendo inúmeros planos.
De todos os temas sensíveis que poderiam existir, Dumbledore ainda era o maior deles. Nada de Pan e Dumbie. Agora os tratamentos eram Professor Dumbledore e Senhora Snape. Minerva tinha se mudado definitivamente pros próprios aposentos, e tinha bloqueado a passagem secreta entre o quarto dela e o dele. A vida de Albus não estava fácil. Quando Pearll resolveu aparecer, ela tinha uma atitude extremamente semelhante à de Minerva, mas mesmo assim foi o primeiro contato humano de qualidade que ele tivera em semanas. E o assunto que poderia ser considerado o mais urgente entre eles, no caso Eric, não foi debatido.
Pan ainda olhava pro quadro de avisos quando Harry parou ao seu lado. Parecia tenso, mas sorriu para ela.
-Acho que fiz uma imensa bobagem.
-E esse sorriso é pra me encantar e escapar da bronca que eu estou planejando lhe dar?
-Não, mas bem... Seria se por acaso tivesse funcionado.
-Quão grave é? –Pan perguntou, olhando por cima do ombro.
-O bastante para que alguém possa ir parar em Azkaban.
-Aquele alguém? –Pan se referia a Sirius.
-Exatamente.
-Você sabe onde fica o meu escritório. –ela disse- Encontre-me lá em dez minutos.
-Mas porque nós não conver...
-Estamos sendo observados. –ela sabia que Moody estava por perto. A fênix avisava isso, ela entendia a existência de Moody em Hogwarts como um tipo de ameaça. Não entendia como, mas sabia que seus instintos gritavam contra ele.
Harry rumou para a Torre dela. Pan olhou em volta, verificou corredores, o piso superior, o inferior, instalou proteções e impertubou toda a torre antes de deixar Harry entrar e subir as escadas, onde ela instalou uma barreira. Quando entraram no escritório, Severus estava lá. Pan impertubou o escritório ainda com ele lá dentro e fez sinal para que Harry se sentasse.
Harry encarou o professor, que usava pijamas e um roupão de algodão branco, bastante aquecido. Calçava chinelos e lia distraidamente ao lado da janela, com os pés apoiados na mesa de centro. Ao lado de sua mão, uma caneca fumegante do que parecia ser um cappuccino. Snape apenas levantou uma sobrancelha para ele e voltou a atenção ao seu jornal. Harry olhou para Pan, que retirava o casaco e colocava num gancho ao lado da porta. Sobre o console da lareira havia algumas fotos. Numa delas Pan e Snape estavam vestidos como se...
-Oh... –ele fez sendo atingido pela percepção do fato- Então eles realmente se casaram.
-Você não sabia? –ela perguntou, sentando-se no sofá, ignorando o revirar de olhos de Severus, que permanecia silencioso como uma pedra.
-Bem, ouvi comentários. –ele deu de ombros, sentando-se onde Pan indicou.
-Papai esteve lá. –ela disse alegremente, e isso sobressaltou Severus.
-Você impertubou o lugar?
-Claro, querido. Está tudo protegido. Moody nem se quisesse veria algo aqui.
-Você sabe como estão as coisas. –ele disse apenas voltando sua atenção para o jornal.
-Então Harry... O que você aprontou?
-Eu escrevi para... ele.
-Ele? Meu pai?
-É. –o menino claramente não queria comentar nada envolvendo Sirius perto de Snape. Ele tinha um bom instinto de sobrevivência.
-Está tudo bem, Potter. O senhor meu sogro deixou de ser um assassino em massa e se tornou um injustiçado. Facilita sua vida me ouvir admitir em voz alta?
-Bem... Sim.
Pan riu. Estendeu a mão e segurou a de Harry chamando sua atenção.
-Então, o que tinha na carta?
-Eu contei a ele sobre minha cicatriz andar doendo e coisas tolas assim. Sem querer eu fiz parecer que ele deveria voltar. Então eu escrevi dizendo que era impressão minha, que ele não deveria voltar, que ele precisava ficar escondido.
-Espere um pouco... Voltar de onde? –ela perguntou franzindo a testa.
-De onde quer que ele tenha se escondido.
-Harry, eu e Hope conseguimos um esconderijo pra ele. Ele não está sequer perto de estar em risco. Eu disse a você, nós nos vimos no meu casamento. Ele foi à Copa Mundial!
-Mas... –Harry pareceu desapontado ou incrédulo- Como vocês tem coragem de...? E se ele for pego? E se... Pan!
-Meu pai não está em risco. –ela prometeu- E ainda que estivesse, se somos mesmo parecidos, ele jamais se convenceria a não tentar vê-lo.
-Mas é perigoso! –ele estava agoniado.
-Vindo de você isso é bem incomum! Você é aquele que vive se arriscando desde o primeiro dia em Hogwarts! Mas ok, tudo bem, eu entendo sua preocupação. Nenhum risco foi tomado sem termos toda a certeza de que ele ficaria bem.
-Agora ele me disse na carta que está voltando. O que ele quer dizer com "está voltando"?
-Voltando a Hogwarts. Ele quer ver você. –Pan murmurou- Com isso nós armaremos um encontro. Escute... –ela estendeu a mão e segurou o rosto dele- Seus problemas com a cicatriz, com o que quer que seja, como querer ver meu pai, não importa o que você necessite... Venha até mim antes de decidir fazer qualquer coisa, eu facilitarei sua vida com isso. Minha lareira é protegida, eu posso enviar você até lá e ninguém perceberia. Não há riscos, está tudo perfeitamente controlado.
-Você tem certeza?
-Sim. –ela sorriu.- Você não quer tomar um chá?
-Eu deveria estar indo treinar quadribol. Não teremos campeonato, mas nada nos impede, certo?
-Não. –ela disse- Divirta-se.
Ele ficou de pé, murmurou uma despedida a Severus, que ao receber o olhar congelante de Pan respondeu de modo educado e rumou para fora.
-Harry! –Pan chamou antes que ele abrisse a porta por completo.
-Sim?
-O que você tem achado de Moody?
-Que eu sinto falta do Lupin.
Pan recebeu o aviso de que Dumbledore queria vê-la em seu escritório assim que a noite caiu. Ela começava a se sentir cansada, como se algo sugasse suas forças mais rápido durante o dia. Concluiu que gerar um bebê deveria requerer uma grande quantidade de energia. Minerva estava em polvorosa pela eminencia da chegada das delegações em poucos dias, e com isso parecia querer organizar cada recanto do castelo ela mesma. Pan não conseguia ver isso sem ajudar, e o resultado foi que quando o pergaminho surgiu diante de Pan escrito com a caligrafia de Dumbledore, ela realmente considerou voltar para a torre e enfiar-se na cama pelo resto do mês, mas Severus, que parecia se ruma das únicas pessoas que não queria punir Albus por nada, a impediu.
-O que você acha que ele vai fazer? Empurrar você da escada? Deixe disso e vá atender o homem. Mais do que tudo, ele é seu chefe.
Sentindo-se traída e incompreendida, ela rumou para a diretoria. A porta estava aberta, e quando ela entrou viu que Hope, Eric, Minerva e Corélius Fudge também estavam ali.
-Olá. –ela disse apenas, acenando de forma abrangente e indo sentar-se ao lado de Hope, que a abraçou por um instante.
-É excelente vê-la, Sra. Snape. –Eric comentou em tons de brincadeira, deixando Fudge um pouco desconcertado. Várias pessoas consideravam aquele casamento como alo imoral- Eu soube das boas noticias, para quando devemos esperar esse herdeiro?
-Em seis meses, eu acredito. –ela respondeu com um grande sorriso, jogando do mesmo modo que Fawkes e divertindo-se em torturar Fudge mentalmente.
-Você está grávida? –Fudge deixou o queixo cair, assim como o chapéu coco verde limão.
-Nada surpreendente para um jovem casal que se ama. –Albus comentou, encerrando a questão- Eu os chamei aqui hoje para definir o incremento na segurança de Hogwarts durante o Torneio Tribruxo.
-Você tem a fênix aqui, Albus, o que mais precisa? –Fudge perguntou.
-A fênix esperando um filho. –ele ajuntou- Não há razões para arriscar a segurança de Pan e seu bebê.
Ela revirou os olhos, pensando em como ele era hipócrita em dizer aquelas coisas quando estava tramando pra matar seu bebe antes mesmo dele nascer. Hope apertou sua mão, para mantê-la quieta. Minerva também pareceu mais incomodada ainda, de todas as pessoas ela era a que menos queria estar ali aparentemente.
-Enfim... –Eric suspirou, seu sotaque carregado ressoando no ambiente- Pan deve ser poupada de trabalho excessivo. Talvez uma pequena equipe de aurores para ajuda-la, certo?
-As delegações terão sua própria segurança, disso os governos da França e Bulgária já me garantiram. –Hope manifestou-se- Mas Hogwarts merece mais atenção.
-Vocês tem Alastor Moody aqui! –Fudge seguiu protestando.
-Exatamente. –Pan murmurou, e deixou suspenso no ar seu protesto. Ninguém de fato a escutava sobre as diferenças em Moody.
-Sobre sua torre, Pan. Provavelmente nós precisemos dela pra... –Minerva manifestou-se pela primeira vez.
-Eu já imaginava. -Pan disse- Madame Máxime, por favor. Nada de abrigar Karkaroff no meu quarto.
-Não, na verdade... –Albus interferiu- Queremos estabelecer lá a sala de reuniões onde prepararemos as provas. A diretoria de Hogwarts pode não soar muito imparcial para os outros diretores.
-Tudo bem, eu irei preparar a torre.
-Usaremos apenas dois ou três pisos, você ainda pode ocupar seus aposentos. -Minerva murmurou.
-Inclusive porque eu precisarei me hospedar em algum lugar. –Hope murmurou, e não estou exatamente muito animada em ficar em Hogsmeade dessa vez.
-Esperem um pouco... –Fudge ergueu um dedo- Você tem uma torre apenas para si mesma em Hogwarts?
-Sempre tive.
-Mesmo agora, casada com Snape, você mantem sua torre?
-Obviamente.
-Essa é uma boa noticia. –ele disse de forma bastante sem sentido.
-Não para Severus, eu lhe garanto. –Eric murmurou e sorriu.
Alguns dias depois Harry procurou Pan, enquanto ela olhava os Explosivins de Hagrid com cara de nojo e receio. O estomago dela parecia incapaz de conter qualquer alimento esses últimos dias. Essa tarde ela precisou vir até a cabana de Hagrid ver novamente como estava o nível do Lago após as incessantes chuvas, e deparou-se com aquelas criaturas. Sentada sobre uma pedra, sentindo o mundo girar vertiginosamente e um terrível sabor de bílis na boca, ela encarou Harry, que parecia animado e preocupado ao mesmo tempo.
-Outra carta do seu pai. Como você disse, vocês são parecidos.
Ela riu.
-Bom, vamos preparar um encontro entre vocês. E mantê-lo informado e vamos tomar cuidado quanto as corujas. Você pode usar a Juno se quiser. Ou a Welma, da vovó. Ou melhor... nada disso. Hope está vindo para Hogwarts, ela ficará aqui por um tempo, durante o Torneio. Da ultima vez que falei com meu pai a conversa foi um pouco tensa, envolvia Severus, isso jamais será algo simples em nosso relacionamento... Mas Hope é diferente, ela tem mantido ele seguro e escondido desde a fuga. Eu posso pedir que ela cuide disso sem criar mais outra guerra.
-Vocês não estão se dando bem? –Harry sentou-se numa das abóboras gigantes de Hagrid, diante dela- Ele me diz para nunca, jamais, confiar em Snape.
-Harry... –ela suspirou, sentiu o estomago protestar ainda mais em resposta ao estresse de ter que falar sobre a relação impossível daqueles dois- Mágoas do passado, da adolescência, coisas que ficaram para trás. Meu pai não entende isso.
-Na verdade, praticamente ninguém. Hermione me diz para não me envolver, mas eu me pergunto sempre porque você e Snape se casaram. Eu não consigo entender, você é... –ele se interrompeu, pensando que jamais poderia colocar em palavras o que achava dela- Tão perfeita.
-Não há nada de perfeito sobre mim, Harry. –ela garantiu- E nada de errado com Severus.
-Você é bonita, poderosa, boa e gentil. Snape é... –ele balançou a cabeça negativamente.
-Nem sempre as impressões estão de acordo com a realidade, Harry. –ela sorriu tristemente, sentindo uma ânsia de vomito tão repentina que precisou virar-se de costas e vomitar o pouco que ainda tinha no estomago atrás da pedra.
Harry ficou de pé e foi ajuda-la, parecia em pânico.
-Pan! Você está bem?
-Está tudo bem. –ela prometeu limpando os lábios com um lenço enquanto ele segurava seus cabelos.
-Mas você parece tão fraca e...
-Eu não estou doente. Acho que você sabe que mulheres grávidas ficam assim nos primeiros meses.
-Oh... –ele murmurou como se aquilo fosse a coisa mais absurda do mundo- Você está esperando um filho?
-Sim. –ela sentou-se de novo na pedra, respirando fundo e tentando esquecer-se da sensação de náusea- Minha discussão com meu pai pode ter tido a ver com isso. Ele não consegue me ver como uma adulta. O que é bem engraçado. Ele sonhou a vida inteira em nos ver crescer juntos Harry, você e eu. E agora ele reencontra você com treze anos de idade, enquanto o Ministério da Magia me dá vinte e tantos anos após a fênix.
-Você seria mais jovem que eu, certo?
-Eu nasci treze anos atrás, em oito de março. Você tem quatorze anos. Então sim, não é tanta diferença, mas sim.
-E agora você vai ter um filho?
-É. –ela sorriu- E eu estou muito feliz. Severus também.
Harry pensou por um instante e olhou para longe, vendo a linha do horizonte se perder na imensidão do lago. Era difícil de entrar em sua cabeça, ainda mais sendo tão inocente em determinados pontos. Mas não podia deixar de se enternecer quando viu Pan sorrir tão verdadeiramente acariciando o ventre com a mão em que usava a aliança de casamento. Ela parecia estar bem doente, mas ao mesmo tempo nunca teve uma imagem mais humana e menos mística para ele. Era quase como alguém real.
-Sirius um dia entenderá. –ele prometeu tocando o joelho dela e abrindo um sorriso- A família está crescendo.
-Sim, está! Agora vamos voltar ao castelo antes que recomece a chover.
-Boa ideia. Cuidado com essa coisa ai...
E neste momento um dos Explosivins soltou um pum e lançou-se a frente, queimando um pouco da barra da calça de Pan.
-Hagrid... -ela disse balançando a cabeça e reparando a roupa.- Eu imagino apenas como passaremos esses dias com toda essa chuva e mais essas criaturas asquerosas destruindo o gramado.
-Bruxos devem estar acostumados com um pouco de nojeira, certo? –Harry brincou.
-É... principalmente os búlgaros.
.
Ao entardecer as Delegações chegaram. A enorme carruagem voadora de Beauxbatons veio primeiro, trazendo a gigantesca Madame Máxime. Pan a conheceu em seus cursos especiais em Beauxbatons. Era um lugar verdadeiramente lindo, cheio de moças encantadoras, e onde Pan quase sucumbiu ao tédio inúmeras vezes. Ela sempre se surpreendia como não conseguia ter amigas, com exceção de Hope. A quantidade de meninos estudando em Beauxbatons era bem resumida, e mesmo assim, o primeiro namoradinho dela, Jean, foi seu colega lá.
-Cherrié! – Madame Máxime acariciou o rosto de Pan com as enormes mãos, cheias de anéis- Çava?
-Çava Bien, Mademoiselle. -Pan curvou-se levemente.- É um prazer recebê-las em Hogwarts! - Pan dirigiu-se as moças, que trajavam vestes azuis.
Durmstrang chegou em um Navio, e ficou ancorado no Lago. Karkaroff aproximou-se com seus alunos. De cara, Pan identificou Vitor Krum, do Quadribol, e se surpreendeu por ele ainda ser estudante. Parecia ter a idade dela com seus expressão carregadas. Ao observar Karkaroff, Pan sentiu as mãos de Severo tocarem sua cintura por um momento, discretamente.
-Pare de encarar Karkaroff... -ele disse baixinho.
Mas Pan não podia parar de encarar, não podia desviar os olhos dele... Sua mente vagava incomodamente até as lembranças de suas aulas de Princípios das Artes das Trevas, em Durmstrang. Sua mão fechou-se em torno da varinha e ela respirou fundo. Lembrava-se das palavras de Karkaroff ao descrever como ele tentou acusar Snape para se livrar de Azkaban, lembrou-se das mãos dele ajeitando seu cabelo atrás da orelha e da tentativa asquerosa de assédio... Lembrou-se também das palavras dele ao tentar convencê-la a ceder e de diversas outras coisas que a machucavam.
-Sev...
-O quê?
-Eu não estou pronta para isso.
-Mas, Pamela... -ele tentou mantê-la firme quando ela virou-se e escondeu o rosto no ombro dele. Não se preocupe com Karkaroff...
-Curiosamente ele consegue me intimidar.
-Meu maior erro foi te permitir a ir pra Durmstrang. -Severo culpou-se- Se eu imaginasse que ele ia fazer um décimo do que fez...
-Eu quis ir. Era preciso, o Ministério dizia que seria essencial. -ela disse com um profundo suspiro, envolvendo-o com os braços, diante de toda Hogwarts, não dando importância ao desconforto dele.
-Pan... –mas ele precisou interromper-se quando Karkaroff aproximou-se estendendo-lhe a mão.
Severus o olhou como se estivesse vendo um Explosivin e retribuiu o gesto com um leve asco.
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-Senhorita McGonagall. -ele saudou com todo seu sotaque, colocando uma mão no ombro dela, que se encolheu como se ele estivesse gelado.
-Sra. Snape. –Severus corrigiu, abrindo um sorriso cínico e desafiador percebendo que o nojo de Pan não era exagero- E eu preferiria que o senhor não a tocasse.
Karkaroff recuou dois passos com o rosto lívido, pensando em diversas coisas para fazer naquele instante. Ele não tinha sentimentos, isso era claro, mas ele tinha desejos envolvendo Pan e aqui também era muito claro. Logo Dumbledore estava ao lado deles e Pan parecia querer encolher-se ainda mais nos braços de Severus, ou apenas desaparecer dali. Aquele ano seria difícil, aquele ano a faria completamente afetada e fragilizada pela presença de um homem que não tinha um décimo do seu poder. Ela desvencilhou-se de Severus e sem dizer mais nada entrou no castelo. Severus a seguiu.
-Você não precisa ter medo dele, meu amor. Você é muito poderosa e... eu estarei aqui para protegê-la caso for necessário.
-Eu confio plena e cegamente em você. Não confio nele.
-Olá? Acabei de chegar definitivamente. Me sinto como em um primeiro de Setembro. –Hope surgiu do nada, carregando uma mochila- Vocês parecem apavorados, a sessão terrorista já começou?
-Apenas Karkaroff. –Pan disse indo abraça-la.
-Oh. –Hope murmurou em entendimento- Matariamos ele antes que ele pensasse em fazer qualquer coisa. Eu prometo. –disse dando um tapinha no ombro de Snape e um beijo no rosto de Pan- Não devemos gastar mais energia que o necessário com um verme desses. Há coisas muito mais importantes vindo.
-Como assim?
-Nós já decidimos qual será a primeira prova do Torneio e eu estou muito contente por você ser a prova de fogo.
