Capítulo Trigésimo Sexto

-Ele está na caverna, Hope. –Pan disse quando entrou na Torre.

Hope calçava suas botas, estava ocupando um dos quartos daquela Torre. Fazia companhia a Pan, que não se sentia confortável com a ideia de mudar-se para as masmorras com Severus.

-Jura?! -os olhos se estreitaram- Ele deixa um lugar confortável e cheio de suprimentos para voltar para aquela caverna imunda?

-Ele argumenta que se sentia solitário e preso.

-Bem, isso eu posso entender. –ela suspirou- Você virá comigo para o jantar?

-Sim, eu vou apenas tomar um banho rápido e vestir algo confortável. O bebe tem feito minhas roupas ficarem sumamente desconfortáveis.

-O que Sirius disse sobre o bebê?

-Não muito. –ela dizia enquanto se despia- Ele não esta feliz, mas eu não esperava que ele estivesse. Oh... Eu já posso notar que engordei!

-Você está linda. Ah, Dumbledore me disse para avisá-la do Baile de Inverno.

- Eu estou sabendo. –ela bocejou inconscientemente- Ele fica inventando temas para falar comigo... Eu ainda não o perdoei por completo, apenas amenizei mais a raiva. Parece que é você que vai cuidar da banda, não é?

-Oh, sim! As Esquisitonas! Já está tudo certo! E também em relação à Primeira Tarefa, um grupo de aurores será destacado para a segurança dos Campeões e o pessoal especializado em dragões também. Você não se envolverá em nada, graças aos deuses.

-Ótimo! Eu sinceramente duvido que poderia fazer algo. Eu apenas sinto sono, enjoo e cansaço. –e entrou no banho.

Quando desceram para o jantar, Pan encontrou Harry. Ele estava aparentemente abatido.

-Hey!

-Pan... -ele suspirou e a abraçou como nunca fizera antes, principalmente em meio a tanta gente.

-O que há?

-Eu... –ele hesitou e olhou em volta- Posso falar com você daquele modo? Sem ninguém saber?

-Claro... –ela olhou em volta, encontrando os olhos de Dumbledore pousados neles.

O diretor meneou afirmativamente com a cabeça e Pan conduziu Harry de volta à Torre. Após imperturbar o ambiente, observou Harry afundar numa poltrona e enfiar a cabeça nas mãos.

-Estou com medo.

-Seria burro se não estivesse. Mas nós estaremos lá. Você nunca vai estar em real perigo. Eu nunca vou deixar que você se machuque.

-Mas você não deve se por em risco!

-Eu não pretendo me por em risco. –ela prometeu- Querido, você precisa estar focado. Em todo caso, eu tenho novidades. Eu estive com meu pai. -e ela contou rapidamente como foi o encontro- Não ouse ir até lá.

-Não sei onde fica.

-Ótimo. E... como você está se preparando para a Tarefa?

-Eu estou treinando alguns feitiços com Hermione e... só.

-Coragem, determinação e cuidado. Só isso que eu lhe digo.

-Você sabe o que é, não sabe?

-Ô! Fui eu quem foi a escolhida pra testar a prova na véspera da Tarefa. No meu caso é fácil, eu posso voar. -e ela se deu conta do que havia dito- Ops!

Pra piorar a situação do garoto, o Profeta Diário lançou uma matéria maldosa sobre seu ingresso no Torneio. Tinha também um bônus melodramático a respeito dos sentimentos de Harry em relação aos pais.

-Eu prometo que eu ainda acabo com a raça de Rita Skeeter!

-Pamela...

-Mas, Dumbledore, veja só!

-Eu vi tudinho, apenas contenha-se. A Primeira Tarefa é amanhã e nós precisamos testar a arena.

-Severus não vai permitir que eu encare um dragão...

-Nem eu, por isso mesmo você não fará nada. E Crouch e Bagman insistem que seja você, e eu conto que Severus seja intimidante o bastante para dissuadí-los.

-Eu apenas me negarei. Nenhum deles irá me forçar.

-Dificilmente ousariam.

Eles saíram do Castelo junto com Madame Maxime, Karkaroff, que agora não a olhava mais, Bagman, Crouch, Hope e Severus, que não pode deixar de acompanhar a moça.

-Bem, você precisa pegar o ovo de ouro, Pamela, sem morrer. -Crouch disse com bom humor.

-Eu vou. –Severus adiantou-se- Pan está gravida e isso não seria seguro para o bebê.

Dumbledore o encarou meio inseguro, mas sabia que ele era capaz daquilo. E se ele não fosse, nenhum aluno seria. Imaginava que aquilo aconteceria, já que Pan com aquele ventre começando a aparecer não seria, de modo algum, uma real opção viável. Ele havia se oferecido para testar, mas seu parâmetro seria muito alto. Hope ainda estava fraca o bastante para não conseguir usar magia completamente. Severus era perfeito pra isso, mas Pan não queria concordar.

-Eu ia me divertir um pouco... –Pan protestou, tocando os ombros dele como se quisesse impedi-lo de seguir descendo a arena.

-Pamela, você tem que convir que em relação ao dragão você tem vantagens, querida. Você vai voar, os Campeões não. E nosso bebê... –ele balançou a cabeça negativamente- Não.

-Ele tem razão. -disse Bagman- Vamos deixá-lo cuidar do dragão. Você fica aqui e dá cobertura, caso ele precise de ajuda.

O coração dela comprimiu-se e ela quase não aguentou ver Severus caminhando para a arena, com a varinha na mão, e um Rabo-Córneo Húngaro pronto para destroçá-lo. Ela caminhou para trás de Dumbledore, e segurou as mangas do bruxo, olhando por cima de seu ombro, como fazia quando era garotinha e estava assustada. Albus sorriu, percebendo que mesmo magoada ela vinha até ele por apoio.

O Dragão estava se aproximando de Severus, que caminhava de lado em direção ao ovo, para não perder o contato visual com a criatura. O Dragão avançou, e por uns sagrados centímetros seu jato de fogo não atingiu o homem.

-Accio ovo! -a voz dele ecoou pela arena, mas não funcionou, o ovo não se mexeu.

-Droga... -Pan gemeu encostando a testa no ombro de Dumbledore

-O que será que ele vai fazer agora? -desdenhou Bagman- Tentar um Wingardium Leviosa?

-Cale a boca! -Pan rugiu, e o homem não disse mais nada- Você é quem deveria estar lá.

-Estou avaliando a arena. –ele defendeu-se um pouco magoado.

Neste momento, o Dragão atingia Severus com o enorme e espinhoso rabo. Pan gritou quando ele foi parar a cinco metros de onde estava, sobre as pedras.

-Oh, meu Deus, Severus!

Mas ele já estava de pé e apontando a varinha para o dragão ele gritou:

-Aresto Momentum! -e o bicho desacelerou, seu rabo balançando de um lado para o outro como se fosse um pêndulo de relógio.

Rapidamente ele pegou o ovo e correu para longe.

-Protego! -ele gritou apontando pras costas, bem a tempo de um jato de fogo atingi-lo no escudo e lançá-lo a alguns metros a frente, deixando-o caído desacordado.

Pan correu para onde ele estava, e o puxou pro colo.

-Sev! -ela chamou preocupada, enquanto Carlinhos Weasley dominava o dragão.- Severus, fale comigo... Não morra...

-Bem, ele conseguiu! -Bagman disse animado- Ele pegou o ovo!

Hope ajoelhava-se ao lado da amiga, sentindo o pulso de Snape.

-Ele está vivo, Pan. Calma. Vamos levá-lo pra dentro...

-Enervate! -Dumbledore ordenou, sem querer esperar ou prolongar a aflição. Severus abriu os olhos e se sentou.

-Essa doeu. -ele disse levando uma mão ao quadril.

Pan o abraçou forte.

-Amor, eu estou inteiro! -ele beijou o rosto dela.- Fique tranquila... –mas as mãos dela tremiam e ela parecia prestes a chorar- Vamos embora, eu preciso de vestes limpas.

Ele estava bem, mas não estava. Não havia grandes danos, mas parecia que o quadril dele estava machucado. Muito dolorido ele foi deitar-se cedo.

-Cuide dele, Pan. A arena está muito boa, se era isso que Crouch queria ver. –Bagman disse.

-Obrigada.

Severus deitava na cama com certa dificuldade. Hope separava algumas poções que Madame Pomfrey tinha levado até ali. Pan não saiu das masmorras àquela tarde, mesmo com uma pequena briga entre alunos de Durmstrang e Hogwarts tendo acontecido por conta de uma partida de quadribol mal apitada por uma moça de Beauxbatons.

-Onde dói? -ela sussurrou tremendo

-No quadril... e no cotovelo.

O cotovelo estava com uma luxação, que Madame Pomfrey rapidamente resolveu com um feitiço. Mas o quadril estava meio inchado e sangrava num determinado ponto.

Pan puxou as calças pela perna dele, expondo uma cueca boxer branca. Abaixou um pouco a cueca e viu o ferimento. Ele caiu sobre pedras afiadas e rasgou um bom pedaço de sua coxa.

-Ai. -gemeu protestando quando Pomfrey esbarrou na carne lacerada.

-Desculpe. Isso vai precisar de uma poção antibiótica.

Ela levantou-se e foi para fora. Voltou com algumas poções, e conforme ia colocando-as num cálice lhe explicava o que era cada coisa.

-Poção cicatrizante. Uma pra dor e outra contra infecções. -misturou tudo num cálice e deu para Severus beber.

Pan acendeu a lareira e o cobriu com uma manta. Aconchegou-se na cama ao lado dele após serem deixados sozinhos.

-Pan... como é que os Campeões vão passar por um dragão? E eu tenho dó de quem vá sortear aquele Rabo Córneo.

-Eu estava pensando nisso.

-Precisamos estar a postos pra qualquer eventual dano a Potter.

-Sem dúvidas. Agora descanse, amor. Você foi muito valente hoje.

Algum tempo depois, Severo adormeceu e Pan foi fazer companhia a Hope, que lia no escritório.

-Estou com fome. -ela disse sentando-se junto da amiga- Vou buscar algo nas cozinhas. Você quer alguma coisa especial?

-Hum... –Hope pensou por um instante- Os sanduiches vegetarianos de sempre.

As cozinhas não eram longe, e os Elfos rapidamente serviram bandejas de sanduíches e sucos de abóbora para Pan e Hope. Ela cruzou com Moody no corredor de volta as masmorras, e estranhou a presença dele ali, mas não disse nada.

-Espere! -ele disse- Como foi com os Dragões?

-Esperei vê-lo lá, Alastor. Foi tudo bem, mas será uma tarefa difícil. Severus está machucado.

-Dumbledore me disse para guardar a escola com Minerva enquanto os poderosos estavam longe. –Pan notou que ele parecia ressentido- Isso me deu algo em que pensar.

Ele estava bastante próximo, e pegou um dos copos.

-Você morre?

-Nunca testei. -ela disse sarcástica, mas não pode deixar de rir- Nem deixarei ninguém testar.

-Por que então você não foi ao lugar de Snape, já que sabe que poderia se sair bem melhor do que ele? Você o ama mesmo?

-Isso não é bem da sua conta, Moody... Mas eu vou lhe responder... Não sei se notou, mas eu estou gravida de quatro meses. Não seria exatamente seguro.

-Mas não deixa de ser curioso. Você e a criança estão protegidas dentro do seu casulo de imortalidade.

Neste momento uma discussão irrompeu as costas deles. Era Malfoy, berrando com Goyle e Crabble. Eles tinham punhos cerrados, e gritavam entre si. Parecia que a coisa rapidamente ficaria violenta, e Pan apenas colocou a bandeja no chão para poder separá-los. Moody adiantou-se e agarrou um dos grandões e o afastou. Pan avançou para conter Goyle. O menino Malfoy berrava a plenos pulmões, e os outros se encolheram como grandes lesmas sem vontade.

-O que diabos está havendo?

-Esses idiotas estão apaixonados pela mesma garota. -Malfoy explicou, como se estivesse enciumado- E resolveram disputa-la.

-Bem, isso não é exatamente motivos para tanta gritaria nas masmorras. –Moody murmurou- Isso se resolve de outro modo, e... –ele parou, como se sentisse algo no ar.

Pan também sentiu algo mudando, algo pesando como se a gravidade tivesse ficado mais forte sobre eles. Rapidamente Malfoy perdeu os sentidos, Moody murmurou um feitiço em torno de si e quando apontou a varinha pra incluir Pan no feitiço ela já estava desmaiada. Logo os outros dois caíram e Moody viu-se sem saber o que fazer. Não queria deixar Pan caída no chão daquela forma, por isso adiantou-se em acomodá-la melhor. Enviou um patrono urgente a Minerva e Dumbledore, avisando que alguém lançara uma poção sonífera gasosa sobre eles.

Dumbledore chegou isolando as masmorras. Minerva, em forma de gato, veio logo em seguida. Ele via agora Moody lutando para acomodar Crabble e Goyle, que pesavam facilmente mais de cem quilos.

-O que houve? –Albus perguntou, além da barreira.

-Alguém tentou nos inutilizar. Pamela, principalmente. –ele secou o suor da testa- Esse feitiço combinado com poção está limitando o uso de magia em seu raio de ação. Eu achei isso... –ele ergueu uma aparentemente inofensiva maçã verde. -Estava na bandeja que ela trouxe das cozinhas.

-E o que essa maçã poderia ter feito? –Albus ergueu os óculos para observar a maçã mais de perto.

-Não é uma maçã; -ele a esmagou com a mão enluvada e pedaços de vidro verde caíram no chão- Ainda está sujo de poção. Você tem que investigar seus elfos até que o efeito passe.

-Os alunos da Sonserina usam esse mesmo corredor. –Minerva murmurou, querendo muito ir até a neta- Você deve ir ver se eles também foram afetados.

-Claro. –ele concordou olhando para os nocauteados- Mas e sobre Pamela? Não podemos deixa-la assim, no chão, com essa barriga já aparecendo.

-Não... –Albus suspirou- Minerva, recue um pouco, eu irei entrar na barreira.

-O que? –ela o encarou com os olhos arregalados- Mas nós não sabemos o que há no ar!

-Justamente, não posso deixar Pan assim. –ele realizou o feitiço cabeça de bolha e desfez a barreira para passar. Antes que Minerva tivesse a mesma ideia, ele já tinha erguido a barreira de novo- Você fica ai. E cuida de Hogwarts. Nós vamos amenizar tudo aqui e eu já volto pra ajudar você.

Vendo que era impossível dizer qualquer coisa, ela deu as costas e foi em busca de Flitwick, para identificar que feitiço era aquele.

Albus ajoelhou-se ao lado de Pan. Tentou murmurar um feitiço para erguê-la do chão numa maca, mas a maca parecia muito pouco segura. Preferiu erguê-la nos braços e leva-la até o quarto. Hope estava sentada numa poltrona, com os pés descalços apoiados no parapeito da janela falsa que Severus colocara ali.

-O que houve? –ela adiantou-se ficando de pé.

-Prenda a respiração. –Albus ordenou, e logo após colocar Pan no sofá, ergueu uma barreira isolando os aposentos de Snape- Alguém usou uma bomba de poção sonífera gasosa para nocautear Pan. –Albus murmurou- Ela está dormindo, não sabemos quanto tempo ficará assim.

-Ainda está no ar?

-Está. Mas Moody conseguiu estabilizá-la antes que se expandisse pelo resto de Hogwarts. –ele testou os sinais vitais de Pan, e tranquilizou-se. Tocou a barriga dela e murmurou um feitiço para ver se o bebe estava bem, e ele estava.

-Quem poderia ter feito isso? –Hope perguntou, ajoelhada ao lado da amiga.

-Não sei, minha cara, mas nós precisamos descobrir.

-Eu posso ajudar. –ela se ofereceu- Eu teria, digamos assim, as ferramentas necessárias para recriar uma cena de delito.

-Sim, seria excelente. Coloque uma cabeça de bolha e venha comigo.

-Mas e Pan?

-Ela está acomodada agora. –e ele puxou um cobertor sobre ela, curvando-se para beijar sua testa- E Severus está no quarto ao lado. Aqui ela estará segura.

Snape despertou no meio da madrugada. Estava dolorido e mancando um pouco. Saiu do quarto após chamar Pan e não ser atendido. Encontrou a mulher dormindo no sofá, com uma almofada entre os joelhos e uma manta cobrindo parcialmente os olhos.

-Pamela? -ele chamou sacudindo-a de leve- Pan!

Mas ela dormia tão profundamente que foi o mesmo que falar com uma pedra. Estava errado. Pan não tinha o sono tão pesado assim. Ele decidiu procurar Dumbledore, mas quando olhou para a porta viu um aviso escrito ali com uma varinha.

"As masmorras estão de quarentena. Alguém lançou tsetseryn no ar. Não abra a porta. Pan inalou da poção, mas está bem. Virei por vocês quando for seguro."

Ele não podia acreditar. Tsetseryn era uma poção incrivelmente complexa de realizar, e muito eficaz no sentido de derrubar um grande numero de pessoas em sono profundo. Se chamava assim em homenagem a uma mosca africana que infectava pessoas com um parasita que causava coma.

Severus foi até Pan e a pegou no colo para levar ao quarto. Ela dormia tão pesadamente que era difícil de acomodá-la nos braços. Logo Dumbledore apareceu para retirá-los da Quarentena.

-A Primeira Tarefa é amanhã, Dumbledore! E Pan está gravida, isso seria perigoso para o bebê!

-Eu sei, mas a menos que ela acorde a tempo de estar presente teremos que prosseguir com a programação sem ela. E o bebê está bem, você sabe disso. Hope está investigando o ataque e os danos não foram tão grandes. Malfoy, Crabble e Goyle ficarão bem.

-Isso é muito estranho, muito suspeito. –Snape insistia.

-Isso eu também sei! Agora respire fundo, o ar está limpo.

-Pan precisa estar presente naquela arena amanhã! E se algo der errado e alguém precisar ser retirado de lá?

-Estaremos lá, e eu acho que ela não vai acordar. Quem fez isso calculou muito bem as consequências do ato.

-Mas...

-Portanto não há o que fazer. -Dumbledore sentenciou curvando-se sobre Pan e sentindo seu pulso- Mas eu acho que você poderia levar Pan para a enfermaria. Apenas por precaução.

Assim foi feito. Minerva apareceu um tempo depois e agradeceu a dedicação dele já que ela não poderia cuidar da neta, por estar muito ocupada com a Primeira Tarefa. Era visível que ela estava doente de preocupação, mas Dumbledore encarregou-se de acalmá-la. Severus tentou não dormir, mas no meio da madrugada o sono o venceu, e ele deitou-se ao lado de Pan cuidadosamente, com a mão pousada sobre o ventre, onde os primeiros movimentos do bebê se faziam sentir.

Pela manhã ela repousava sobre seu peito, como sempre fazia. O rosto enterrado no pescoço dele, respirando pesadamente. Por alguns momentos ele refletiu se assistir os Campeões era realmente mais importante do que ficar ali, deitado abraçando sua mulher. Para agravar a situação, ele estava meio dolorido por conta da brincadeirinha como dragão.

-Francamente, Severus Snape... Achar que aquilo seria fácil foi no mínimo irresponsável da sua parte. -ele brigou consigo mesmo.

Por fim, ergueu-se e aprontou-se para ir a bendita arena, afinal nada era mais importante do que manter o Santo Potter respirando.

Pan acordou depois de quase 36 horas de sono.

-O que foi que você disse? -perguntou ela assustada quando despertou olhando para Severus.

-Doparam você. Você esteve dormindo por 36 horas.

-Oh meu Deus, Sev! E o Torneio?

-Bom, Diggory conseguiu transfigurar um cachorro pra tentar distrair o dragão. Deu certo, mas no meio do caminho o dragão desistiu e foi atrás dele. Ele se queimou um pouco, mas já está bem.

-E o Harry?

-Delacour conseguiu deixar o dragão sonolento, mas acabou que ele bocejou e queimou a saia dela. Ela também pegou o ovo.

-Severus, o que houve com o Harry? -Pan estava se desesperando.

-Krum deixou o dragão tonto e ele amassou a ninhada. Pegou o ovo, mas perdeu muitos pontos por ter destruído os outros ovos.

-Severus Snape!

-E Harry... -Pan registrou o uso do primeiro nome do garoto. Havia uma ponta de orgulho na voz de Snape- Ele foi brilhante.

-Mesmo? -ela respirou aliviada sorrindo- O que ele fez?

-Ele convocou a vassoura e passou pelo dragão voando. Isso tem claramente um dedo seu, mas vamos imaginar que Potter só fez isso por que voar é a única coisa que ele sabe fazer bem.

-E como ficou a classificação?

-Ele e Krum estão empatados no primeiro lugar, isso por que o desonesto do Karkaroff deu um quatro a ele. Até eu teria dado acima de oito!

-Maravilha! -Pan pulou da cama quase saltitando e indo direto ao banheiro.

Severus olhou o relógio. Eram três da madrugada e ele sabia que ela não estava nem um pouco com vontade de dormir. Uma saudade abrasadora o dominou. O barulho do chuveiro denunciava que ela estava nua, no banho... A porta entreaberta chamava por ele. Severus abriu a porta e observou a silhueta dela ensaboando os ombros. Pé ante pé ele avançou, o corpo explodindo de excitação pedindo por ela... Num impulso ele afastou as cortinas e a envolveu em seus braços, molhando-se completamente. A camisa alva colando-se em sua pele. Ela sequer se sobressaltou ao ser agarrada.

-Não conseguiu me assustar... -desdenhou ela com sorrisos na voz.

-Não foi minha intenção. -ela girou em seus braços- Você não acha que já é hora de nós irmos pra casa?

-Está passando da hora. Faz quase um mês que não dormimos em nossa casa.

-Eu não estava pensando em dormir. –ele murmurou- Em Hogwarts encaramos esse celibato forçado. Não é justo com um casal recém casado como nós.

-Celibato forçado é exagero. Podemos, muito bem, imperturbar as masmorras e impedir Moody de bisbilhotar.

-Você acha q ele faria isso?

-Acho que ele está bem estranho e que isso é pornografia gratuita pra ele. -disse ela beijando o pescoço dele e descendo as mãos para a virilha- Você não quer? Produzir um pouco de pornografia?

Severo gemeu tentando conter o impulso quando a mão dela se fechou em torno de seu membro completamente enrijecido.

-É apenas nisso que eu venho pensando, preciso admitir...

-E o que você está esperando? –ela abaixou-se, ajoelhando-se na banheira que começava a encher-se com água morna.

-Não... –ele murmurou segurando a cabeça dela- Pan, aqui não...

Mas ela não respondeu, a boca bastante ocupada naquele instante. E ele diante disso não podia mais resistir. Sequer se importou se alguém veria, deitou-se na banheira e a colocou sobre si com uma perna de cada lado. Pan curvou-se sobre ele e o beijou longamente, encaixando-o onde ele pertencia e começando a se mover. Eles sentiam falta... sim, como todo casal. E eles se amavam o bastante para fazer aquilo de modo intenso e doce ao mesmo tempo.

Três andares acima de onde eles estavam, alguém com um olho mágico os observava, como sempre. Lamentava não poder também ouvi-los, mas acharia um modo de consertar isso. Além de prover um excelente entretenimento, aquele casal tinha ainda muito o que revelar. E o mais importante naquela equação era se Snape ainda seria leal ao Lorde das Trevas.