Capítulo Trigésimo Nono

-Hope? -Pan entrou no apartamento que dividira com a amiga quando eram estudantes, mas não a viu pela sala ou cozinha.

Procurou pelas áreas comuns, mas apenas encontrou Hope enroscada em sua cama, olhando para os flocos de neve que se acumulavam no parapeito da janela que dava para o Beco Diagonal.

-Precisamos conversar. -Hope prendia o choro, e quando falou não desviou os olhos da neve que caia.

-Você está bem? –Pamela perguntou sentando-se na ponta da cama.

-Eu não acho que poderei mais ajudar você com seu pai. Eu não acho que... –ela se calou, a voz morrendo na garganta enquanto ela tentava manter-se serena.

Pan respirou fundo. Não gostou do que aquilo parecia, mas não podia condenar a amiga por isso. Sabia os motivos daquilo e não precisava forçar a amiga a dizer-lhe com todas as letras. Deitou-se na cama junto dela e passou um braço por sua cintura.

-E agora? -Pan perguntou apoiando o rosto no dela e olhando para os montinhos de neve que se formavam.

Hope retesou o corpo aturdida.

-Sem drama, inconformismo ou acusações? -ela não podia crer que Pan estava levando aquilo numa boa.

-Por acaso você tem culpa? Como eu condenaria você por se apaixonar por um homem como aqueles? Principalmente quando eu te pedi para ficar por perto?

-Mas eu podia ter pensado e...

-Hope! -Pan ergueu a voz para silenciá-la- É amor, Hope. É irracional. Nem que você passasse anos pensando e tentando se convencer de que é errado... não funcionaria.

Elas ficaram em silencio, e Pan sabia que a amiga estava chorando, mas não disse mais nada. Apenas ficou ali.

-O que eu vou fazer, Pan?

-Eu não sei. –ela murmurou- Eu sinceramente não faço ideia. E o meu pai? O que ele acha? Vocês já conversaram sobre isso?

-Ele... –ela começou a dizer, mas se interrompeu, o choro silencioso de antes, explodindo em sua garganta como algo ácido ou cheio de espinhos.

Sirius tinha feito sua escolha, Pan sabia lembrando-se da cena na varanda àquela manhã. Hope sentou-se na cama e agarrou a amiga com toda a força que tinha. Agora chorava abertamente, como se aquilo pudesse ajudar a desafogar seu peito. Pan acreditava que chorar poderia dar certo, que poderia ajudar... Ela sabia como era difícil ser rejeitada, e também sabia que aquele era o tipo de dor que jamais passava.

-Eu amo tanto você, Hope.

-Eu sei. –ela sibilou em meio aos soluços.

-Mesmo Severus... mesmo ele está sentido por essa situação. Oh, se eu soubesse disso antes eu teria impedido essa proximidade entre vocês! Teríamos prevenido o que agora é irremediável.

-Eu ficarei bem. –ela prometeu- Ficarei bem Pan.

Mas Pan não confiava muito nisso. Quando deixou a amiga para ir ao Ministério, Hope tinha tomado algumas pílulas calmantes. Ela tentaria ir até lá essa noite, certificar-se de que a outra tinha comido e ver se ela estava bem.

No Ministério cair no choro não foi difícil. Ninguém a pressionava com perguntas, já que Pan apenas mantinha a cabeça baixa, enfiada nas mãos enquanto ouvia os reportes dos aurores. Melhor defesa do que a desolação ela não podia encontrar.

-Ninguém está acusando você, mas... –Fudge dizia- Você deve saber que as desconfianças surgirão.

-Sim, eu já fui alvo das acusações vazias de vocês antes. –ela murmurou baixinho, olhando para ele com tristeza- Eu não sei de nada Cornélius. Eu estava aqui ontem, a noite toda. E você acha que eu não preferiria que ela ficasse lá, onde Black pertence?

-Eu imaginei que você confiasse no que Harry Potter tentou nos dizer em Junho passado. –Dolores Umbridge comentou.

-Não faria sentido, não é? Eu não sei o que pensar sobre nada disso, eu não poderia, por favor, ser deixada em paz?

-Não queremos estressá-la... –Fudge apressou-se a dizer quando viu Pan acariciar o ventre lentamente, como se estivesse sentindo algum desconforto- Não, não queremos perturbar uma mulher gravida, que já está claramente perturbada.

-É claro que estou! Como um foragido sem estrutura alguma consegue invadir a prisão que deveria ser a mais segura do mundo, e retira de lá uma mulher louca? Sinceramente Cornélius... eu já não sei se me orgulho tanto assim em ser auror! Veja o que eles deixaram acontecer! –ela ficou de pé- Eu irei para casa agora. Eu gostaria muito que minha avó fosse deixada em paz por enquanto, ela não parece em condições de fazer nada, de atender ninguém. Acho que deve ser claro como está sendo difícil para todos nós.

E se retirou.

Na Mansão dos Snape, Sirius estava sentado diante da lareira do quarto de hóspedes com Ninna enroscada nele. Um cobertor a envolvia e eles pareciam um casal comum, sem a fenda de treze anos os separando. Mas por dentro, Sirius tentava imaginar como seriam as coisas dali em diante. Onde eles viveriam, como seria sua vida e se Ninna estava pronta para uma vida de fugitiva. Obviamente eles não poderiam ficar ali por muito tempo. Os bons termos com Snape não eram assim tão bons. Era, inclusive, surpreendente que ainda não houvesse mortos e feridos.

-Sirius? –Ninna ergueu a cabeça para olhar para ele- Quando você acha que Pan virá me ver?

Ele também não sabia nada sobre aquilo. Não era como se Pan estivesse ignorando a mãe, ele bem entendia o que ela sentia, já que aquilo também estava em seu peito. Havia a barreira do desconhecimento, em forma de abismo. Pan e Ninna jamais tiveram nenhuma convivência, e diferente do que houve com ele, Pan pode habituar-se, já que era Pan quem precisava ser confortada. Ele sabia que a aproximação delas deveria ser lenta e gradual, para que fosse suave para ambas. Por sorte, Pearll estava a caminho novamente, após seu escrutínio no Ministério, e logo as duas irmãs teriam uma vida para conversar.

-Ela virá quando resolver tudo o que precisa, querida, assim como Pearll. –ele beijou sua testa- E quando ela vier, será o momento certo pra ela.

-Como você pode permitir que ela se casasse com Ranhoso?

-Não parecia haver muito o que eu pudesse fazer contra. –ele disse contrafeito- Ela deixou muito claro que o escolheria, caso eu a forçasse a isso. Ele a ama, isso é bem claro. E ela é louca por ele, eu sequer sei como isso é possível, mas é assim que funciona.

-E esse bebê? Como assim? Ela tem quatorze anos...

-Você entenderá quando a vir. A Fênix pode não entrar na sua cabeça, como ela envelheceu após ser queimada... mas você entenderá quando a vir.

-Eu pelo menos terei um bebê, um neto... –ela aninhou-se contra o peito dele novamente- Um bebe para suprir o vazio que ficou quando tiraram Pamela dos meus braços.

-Sim. –Sirius suspirou- Você terá.

Pearll estava sonolenta. Tinha passado a noite acordada, e agora enfrentava o segundo interrogatório do dia no Ministério. Um grupo de aurores a cercava, e ela precisou responder perguntas sobre a noite anterior. Fawkes estava pousado no encosto da cadeira que ela ocupava, como um guardião silencioso. Ela se saia bem, embora não pudesse agir como Pan e demonstrar desolação. Ela estava feliz, e não negava isso.

-O que a senhorita faria se por acaso encontrasse sua irmã?

-Eu a esconderia muito bem escondida. Longe de vocês.

-E sequer nega isso? –Umbridge indignou-se.

-Não vejo porque negar. –Pearll deu de ombros- Eu prefiro encarar uma politica de completas verdades com vocês. Todos sabem que eu acredito que minha irmã foi presa injustamente. Talvez mesmo Sirius. Como Potter disse. Se eles escaparam, bem...

-Sua irmã não é inocente. –Fudge murmurou- Ela fez o alarme, o filtro soar.

-O filtro? –Pearll franziu a testa- Há algo mais que a fuga poderia ter despertado? Alguma outra barreira tocada?

-Não, ela disparou o alarme dos Inocentes.

-Vocês não tem como ter certeza. –ela deu de ombros, tentando convencer a si mesma.

-Sim, nós temos, e você sabe que sim.

Pearll apenas os encarou com os olhos desconfiados. Fawkes piou solenemente e ela não conseguiu achar ali nenhum conforto. Umbrigde pela primeira vez parecia satisfeita e não pode deixar de comentar.

-Sua sobrinha, Pan Snape.

-O que há com ela? –Pearll encarou Umbridge.

-Avise isso a ela. Sobre o alarme haver soado. O Ministro não quis pressioná-la. É bem evidente que o ventre de uma mulher grávida pode ser bem intimidante.

-Eu não pretendo levar mais esse desgosto para ela. Apenas os deuses sabem como ela precisa descansar. Minha mãe e meu pai também não parecem muito bem com isso. Não me admiraria que eles estivessem procurando.

-E se eles encontrarem? O que eles farão?

-Eu não sei. –ela murmurou- Pergunte a eles. Eu posso ir?

Fudge pensou por um instante, os aurores presentes no interrogatório menearam afirmativamente com a cabeça, e por fim, ela foi liberada. Fawkes a aparatou desde a antessala do ministro para a mansão dos Snape, quando assumiu a forma humana e encarou Pearll, que estava mortalmente séria e pensativa desde que foi autorizada a deixar o Ministério.

-O alarme soou quando ela saiu da janela. –Eric disse, indicando o banco debaixo do grande olmo que havia no terraço. Eles se sentaram- Pan desativou tudo, ela foi incrivelmente meticulosa.

-Ninna soou o alarme. O alarme que mantém os culpados dentro de Azkaban.

-Fudge poderia estar jogando com você.

-Dificilmente, amor. –ela disse balançando a cabeça- Sirius não disparou esse alarme, mas Ninna sim. Como isso faz sentido?

-Você acha que deveríamos, por exemplo, conversar com seu pai sobre isso?

-Não. –ela adiantou-se em dizer- Não, você os viu ontem. Ele e minha mãe estão tão felizes que eu sequer sei colocar isso em palavras.

-Você também estava feliz.

-Agora eu só posso me sentir preocupada. –ela murmurou- Eu não lido bem com desconfiança.

-O que você está fazendo aqui?

Pan olhou em volta e viu que eles não estavam tão sozinhos como deveriam. Ela sabia que Severus voltaria a Hogwarts aquela tarde, e preferiu ir até lá ao invés de ir pra casa e encarar Ninna. Algo dentro dela gritava que havia alguma coisa errada. Os alunos setimanistas que estudavam para os NIEM's na sala de Poções pareciam pouco interessados neles, mas era melhor não arriscar.

-Você está forçando esses garotos a estudar num domingo? –perguntou curiosa.

-É a turma avançada de Poções. Eles estão forçando a si mesmos.

-Professor Snape, o senhor poderia, por favor, me explicar o quinto tópico da Poção Matacão?

Severus revirou os olhos e girou sobre os calcanhares olhando para o rapaz da Corvinal. Pan tinha esquecido a postura de Severus como professor, e agora tinha muito claro em sua mente porque ele era tão odiado. Ela mal podia acreditar que com ela as coisas fossem tão diferentes. Mas era realmente apenas com ela.

-O que há de tão complexo no tópico, Sr. Graves?

-Eu posso espremer as vagens com o lado da faca, ou preciso necessariamente usar os dedos?

-Com a faca você pode extrair mais seiva. –despejou- Algo mais?

-Não, obrigado.

Ele virou-se novamente para encarar a esposa e indicou a porta do seu escritório. Ela entrou e ele impertubou o ambiente antes de manifestar-se.

-Você não quer ir pra casa. –ele comentou sem precisar ouvir dos lábios dela.

-Não. –ela assumiu parecendo envergonhada- Eu não sei quem é aquela mulher que terei que chamar de mãe.

-Você também não sabia quem era Sirius Black, e ainda assim o ajudou a fugir daqui.

-Eu sabia que ele era inocente. –ela defendeu-se.

-Mas não o conhecia, e em poucos minutos estava completamente derretida por seu pai. Porque tanta hesitação com Melina?

-Não sei. –ela sentou-se distraidamente na beira da escrivaninha dele- Eu temo agora que não tenha refletido tanto assim no que estava fazendo quando a resgatei.

-O que você quer dizer?

-Que eu pensei nos aspectos técnicos, mas ignorei meus sentimentos sobre. Deixei de lado tudo o que tinha relação com a parte emocional. Pensei na felicidade do meu pai, da tia P, do Dumbie... Mas eu não pensei em como eu me sentiria.

-Está sendo agridoce... –ele se aproximou dela, tocando seu ventre com uma mão e segurando seu rosto com a outra- Você está pensando em Hope, mesmo seu pai está confuso... Você está com seus hormônios completamente descontrolados.

-Nem tanto. –ela protestou mau humorada.

-Sim, amor, está. –ele beijou-lhe a testa- A gravidez esta cobrando um preço. E você está num momento complexo. Talvez se você tirar da sua mente que aquela é sua mãe, você possa se dar melhor.

-Ela vai exigir de mim a filha que eu deveria estar sendo.

-Ela seria tola se o fizesse. Mas sim, ela pode exigir. Trace um limite e proteja-se até estar confortável. Mas agora não resista mais.

-Você a viu?

-Apenas quando dormia. –ele respondeu- Quando eu escolhi um compromisso social livremente, Pan? Você realmente acha que eu iria até lá para dizer olá?

-Eu sim, mas o resto do mundo morreria de susto se o visse nesses termos. –ela sorriu- Eu tenho um Severus completamente diferente do que as pessoas têm.

-Eu amo você, e eu me reservo o direito de ser o melhor homem que posso para você. O restante das pessoas não merece o esforço. –ele disse simplesmente.

Ela encaixou-se no abraço dele e suspirou profundamente. Separou alguns minutos para pensar e por fim tomou coragem.

-Eu ire até lá. Me apresentarei e... não sei. Verei no que vai dar.

-Faça isso. A essa altura ela já deve saber detalhadamente tudo sobre você. Minerva estava com ela quando eu saí.

E depois de beijá-lo e afastar-se alguns passos, ela aparatou para cara na habitual onda de fogo.

Quando sentiu o chão, viu que Pearll e Eric conversavam com um ar muito tenso. Estavam sentados no banco de pedra que ficava debaixo do grande olmo do terraço. Pan estranhou, mesmo ela, com a fênix, sentia frio. Foi até lá para cumprimenta-los.

-Tia P? –ela murmurou sentando-se ao lado de Eric, deixando-o entre elas- Está tudo bem?

-Pan, o que ativou os aurores na hora do resgate? –ela perguntou-

-Um alarme. Eu acho que ela esbarrou na areia encantada, algo assim.

-Não seria o filtro?

-Não. –ela disse- Suponho que não, pelo menos não parecia assim.

-Tem certeza?

-Sim. –ela disse- Quando o filtro é violado, Azkaban reage. Não que isso tenha acontecido muito antes, mas eu já vi acontecer quando mudamos prisioneiros de ala. Bellatrix Lestrange disparou o filtro quando foi movida para o subterrâneo. Eu estava lá, eu sei como funciona.

-Fudge disse que Ninna disparou o filtro. –Eric murmurou- Eu disse a Pearll que ele estava jogando com sua mente.

-Ele deve estar tentando plantar a discórdia. Desconfiam de nós, isso é claro.

-Querem criar um elo frágil. –Eric garantiu, acariciando o rosto ainda preocupado de Pearll- Não compre o jogo deles.

Ela abriu um sorriso mais tranquilo e suspirou profundamente.

-Meu pai ainda está com ela?

-Eles não se desgrudaram desde que ela acordou. Almoçaram juntos, pelo que mamãe disse. Ela também está lá.

-E você, como se sente? –Pan perguntou- Espero que esteja satisfeita.

-Claro que sim, Pan! –ela riu- Você é quem me parece distante.

-Preciso me habituar a ideia de ter uma mãe. –ela encolheu os ombros e abriu um sorriso- Acho que está na hora de ir conhecê-la.

Ela entrou em casa e não refletiu sobre o que faria, ou acabaria se travando. Subiu as escadas, foi direto ao quarto de hospedes, onde se deteve diante da porta por um instante ouvindo os risos de Minerva e uma voz feminina. Ela respirou fundo e abriu a porta. O riso no quarto dissipou-se.

-Não queria atrapalhar. –ela disse entrando um pouco tímida, e observando Ninna.

Elas se encararam por um longo momento. Pan observou o rosto da mãe e concluiu que sim, pareciam-se muito. O tom do cabelo de Ninna era um ruivo como o de Albus. Um pouco escuro, fechado. Os cabelos de Pan eram cor de fogo, e antes da fênix eram negros como os de Sirius. Ela era magra, mal nutrida. Usava uma de suas camisolas de cetim. Pan achou em si forças para abrir um sorriso receptivo e aproximou-se da cama. Percebeu que Minerva e Sirius saíram, deixando mãe e filha sozinhas. Ninna não tinha reação, apenas a observava como se visse algo de outro planeta.

-Oi. –Pan disse segurando a mão dela- Perdoe-me por não vir antes. Eu precisava... digerir a ideia.

Ninna continuava atônita.

-Eu sou Pan. –ela disse, imaginando que a mulher não poderia estar deduzindo aquilo- Mãe.

Ninna a agarrou tão subitamente que ela sequer teve tempo de abrir os braços e recebe-la. Tinha a mãe com os braços em volta de seu pescoço respirando com força, como se fosse difícil. Ela não dizia nada e Pan resumiu-se em abraça-la de volta. Era a mais estranha das sensações, mas não era ruim. Quando Pan se deu conta que Ninna chorava, também deixou que suas emoções naquele sentido aflorassem. Alguém precisava consolar alguém ali, mas não seria nenhuma das duas.

-E você terá um filho... –Ninna disse depois de um longo momento de emoção muda- Do Snape... –e sua emoção transformou-se em desgosto, e Pan não pode deixar de rir.

-Bom... sim. Acho que se eu terei um filho, que ele seja do meu marido, certo?

Ninna afrouxou o abraço e repousou na cama, a mão estendida tocando o rosto de Pan. Ela respirou fundo e fechou os olhos. Então levou a mão ao ventre da filha.

-Você é feliz?

-Mais do que você poderia supor. –Pan garantiu.

-Foi tudo tão injusto. –ela disse balançando negativamente a cabeça- A forma como arrastaram você dos meus braços, a forma como fomos lançados naquele lugar, torturados para confessarmos os crimes que não cometemos... E então... mais de uma década depois... Eu estou aqui, olhando pra você, ainda ouvindo o eco do riso de minha mãe, e com a sensação de um beijo de Sirius em meus lábios, esperando Pearll chegar... e nada... absolutamente nada acontecido em Azkaban faz nenhuma diferença.

Nesse momento Pan sentiu que não podia ter sido mais tola por tanto hesitar em ir até ali. Ela não sabia que ainda tinha em si a menina de treze anos que devia ser, mas quando se aninhou nos braços de Ninna, foi assim que se sentiu. Ou talvez ainda mais jovem. Ninna puxou o cobertor sobre a filha, e a manteve em seus braços. Depois de um longo tempo, quando Pan já tinha narrado como foi a transformação em fênix, Sirius bateu a porta e entrou devagar.

-Há espaço pra mim?

-É uma grande cama. –Ninna disse sorrindo- E está bastante aquecida, querido...

Ele tirou os sapatos e deitou-se junto delas, Pan entre os dois, terminando de contar como foram seus anos de escola. E quando a noite caiu, eles não se deram conta. Minerva veio chama-los para jantar, mas desistiu quando viu Ninna adormecida enroscada com Pan. Sirius observava as duas e prometeu a Minerva que quando elas despertassem faria com que elas comessem algo. E ficou ali, sentindo-se pela primeira vez em sua vida, como o pai de família que realmente era.