Capítulo Quadragésimo Primeiro

–Seu vestido chegou hoje. Madame Malkin veio trazê-lo de lareira. -informou Minerva na véspera do baile apontando um embrulho sobre a cama.

–Já não era sem tempo! -Pan disse animada- Não entendo porque ela entregou nos seus aposentos!

–Ela também me trouxe o meu. E você estava trancada na Torre com Hope e Bagman, ela não poderia ir até lá de todos os modos.

–Sirius e Ninna estão ótimos. Fui vê-los essa tarde. –ela informou- Eu acho que eles finalmente... –ela se interrompeu- Você sabe.

Minerva parecia não saber. Franziu a testa e encarou a neta com estranheza.

–O que?

–Nada. –ela envergonhou-se- Ninna apenas conversa comigo como se eu fosse uma amiga, não sua filha.

–Oh. –Minerva entendeu um pouco constrangida- Você acha que eles estão... dormindo juntos?

–Que bom. –ela disse tentando dispersar a estranheza que pairava no ambiente- Não há muito o que se fazer naquela cabana, de qualquer forma.

–Eles tem TV à cabo. –Pearll disse, e Pan sequer percebeu quando ela entrou.

–Tia P! –Pan foi abraça-la- Eu não imaginei que você viesse para o Baile!

–Eric me convidou e fez questão e bla bla bla. –ela colocou uma veste protegida por uma capa plástica no armário- Mesmo do meu vestido ele cuidou, o que é surpreendente, já que eu gostei das vestes. Não sabia que ele teria senso de moda.

–Na verdade eu escolhi. –Minerva disse- Ele pediu ajuda.

–Hum. –Pearll deu de ombros- Vocês estão muito amiguinhos.

–É meu genro.

–Você não é tão amiga assim do meu pai.

–Fui. No passado. Quando parei de me lamentar pelo casamento fugido de Ninna. Enfim.

O Baile seria dentro de duas horas. Os corredores estavam quase desertos quando Pan foi tomar um banho após verificar a decoração uma ultima vez. Envolta num felpudo roupão branco, com os cabelos enrolados numa toalha também branca, Pan abriu o embrulho de Madame Malkin, que continha o seu vestido.

Era um vestido marfim, estampado com pequenas e delicadas flores vermelhas com suas ramas verdes. Não era nada perto do que ela imaginava a si mesma usando, já que as saias folgadas e o devote em V muito discreto não parecia em nada com o que ela costumava vestir. Ela enfiou-se nele e amarrou a faixa vermelha que ia exatamente abaixo dos seios, fazendo com que sua barriga ficasse muito bem encaixada na roupa. Olhando-se no espelho, quase não se notava a gravidez. Comprara sapatos vermelhos de veludo, feitos por uma estilista trouxa. Sentou-se diante do espelho e maquiou os olhos com destreza. Tirou a toalha dos cabelos e ficou imaginando o que faria com eles. Neste momento, alguém bateu na porta, um toque que Pan reconheceria até do outro lado do mundo.

–Entre, Hope!

Hope parecia estar mais magra do que nunca, e a maquiagem escondia precariamente as suas olheiras profundas. Usava um sobretudo negro de gola alta que varria o chão com sua barra bordada. Os cabelos estavam presos num coque estilizado, meio bagunçado.

–Deixe-me cuidar dos seus cabelos.

Pan anuiu, sentando-se diante do espelho e permitindo que as mãos hábeis de Hope moldassem seu cabelo numa longa trança ruiva.

–E então?

–Está muito bonito. –ela agradeceu- Embora eu esteja usando muito vermelho essa noite, e com esses cabelos ruivos não funciona muito bem.

–Está bem jovial. Não parece muito com você. Embora esteja também muito bonito.

–Não é como se meu par essa noite fosse ligar pro que eu estou vestindo.

–Severus não repararia nas suas roupas?

–Ele apenas diria que está bonito e que não me vê usando roupas tão claras desde o dia em que nos casamos. Mas e você? Precisa de ajuda para se maquiar?

–Não. –ela deu de ombros- Está bem assim.

–Na verdade não. Sente-se aqui e me deixe rejuvenescer mais esse seu rosto sofrido.

–Parece que o mundo anda conspirando contra mim. –Hope comentou.

–E porque você está dizendo isso?

–Eu convidei Alan Warback para me acompanhar essa noite. Ele não poderá vir.

–Alan quem?

–Warback. Você não conhece, ele trabalha comigo no Departamento de Mistérios, e como tal, é bem misterioso. Eu estava pretendendo me embriagar e facilitar a vida o bastante para que pudesse me envolver com alguém sem ficar martelando Sirius na minha cabeça.

Pan retesou-se. Ela sabia dos sentimentos de Hope, sabia que Sirius correspondia, mas mesmo não julgando, ela não conseguia falar sobre o assunto. Por sorte, Hope não deu prosseguimento ao tema.

–Agora vamos nos animar! Temos um baile! –Pan disse tentando motivar a amiga a sorrir, embora achasse que aquilo não seria possível, já que ela sequer parecia vestida a caráter, o que indicava que sua animação para aquilo estava respirando com ajuda de aparelhos. -Eu convidei o meu padrinho pro Baile. -Pan dizia com as segundas intenções mais aparentes do mundo.

–Lupin? -Hope sorriu- Faz muito tempo desde que estivemos com ele!

–Sim! Eu o vi apenas no meu casamento. Achei que seria uma boa oportunidade pra ele estar aqui hoje.

–Como assim, uma boa oportunidade?

–Não sei... Talvez algumas moças solteiras e...

–Pan, não ouse! -Hope gemeu envergonhada- Por favor!

–Eu não ousarei nada, mas ficarei muito feliz se ele ousar algumas coisas com você.

Hope balançou a cabeça negativamente, a mente vagando em torno das lembranças dos meses passados com Sirius Black no Beco Diagonal. Suspirou, triste.

–Vamos? -Pan perguntou terminado de abotoar o fecho dos brincos de ouro.

–Claro. -Hope sacou fora o sobretudo, apresentando um vestido entre o vinho e o roxo, escuro, com um ombro apenas e decote arredondado. Uma fenda enorme, partindo do meio da coxa até o chão, onde a saia se abria esplêndida.

–Amiga, você está linda! -Pan elogiou encantada e bastante surpresa, já que imaginava que Hope usaria aquele sobretudo a noite toda- Madame Malkin?

–Não. Vallentino. Estilista trouxa. O melhor. -Hope disse com um sorriso orgulhoso.

As duas deixaram o quarto e rumaram para as escadarias. Parado no meio do hall, com um ar impaciente e tenso, Severus Snape andava de um lado para o outro, trajando um conjunto de vestes a rigor de um verde muito escuro, quase preto, calçando lustrosos sapatos de couro de dragão. Enfiando a mão nas vestes e puxando um relógio de bolso dourado ele conferia as horas passando, disfarçando sua ansiedade com mau humor diante dos alunos. Pan sorriu internamente ao vê-lo ali, tão lindo e ansioso, como se eles fossem um casal tendo o primeiro encontro.

Pé ante pé ela desceu as escadas. O hall estava charmosamente iluminado por archotes e lanternas vermelhas, que pairavam sobre o teto. Severus abriu um enorme sorriso, incomum e raro, deslumbrado, cheio de dentes. O rosto aberto como um dia de sol. Ele estendeu-lhe a mão, o outro braço as costas, como um perfeito cavalheiro. Pan repousou sua mão sobre a dele. Hope sorriu para a amiga e entrou no Salão Principal, após cumprimentar o ex-professor.

–Nunca, na história do universo, alguém esteve tão deslumbrante e imensamente linda quanto você esta noite.- ele levou a mão dela aos lábios sem deixar os olhos dos dela.

–E você está tentando fazer com que eu me apaixone ainda mais.

–Eu sei que eu nem sempre sou o marido que você merece e que posso ser um trasgo montanhês nas horas mais improprias... Mas mesmo com tudo isso, nunca duvide que eu ame você mais do que qualquer coisa.

–Eu também te amo... E se eu quisesse alguém feito de doçura, eu certamente não teria casado com você.

–Ainda bem que você me conhece perfeitamente. –ele a beijou, ignorando os alunos que estavam por ali também- Vamos logo enfrentar esse baile... -ele disse oferecendo-lhe o braço e conduzindo-a ao interior do Salão Principal.

Os Campeões entraram no baile, com seus pares poucos instantes depois que Pan e Severus chegaram. Abrindo o cortejo estava Fleur Delacour, com um Corvinal que Pan não conseguia se lembrar do nome. Achava que era alguma coisa Davies, do quadribol. Bem atrás vinha Cedrico Diggory com Cho Chang. Mais exótica do que bonita, Pan pensou. Depois vinha Harry com Parvati Patil, e Pan sorriu aliviada, pelo menos ele tinha conseguido um par.

Fechando estava Krum com...

–Granger? -Snape murmurou incrédulo- O que foi que fizeram com ela?

Hermione estava linda, com os cabelos lisos e brilhantes... Vestindo um traje azul leve, elegante. O sorriso incrivelmente harmonioso...

–Ela está perfeita! -Pan elogiou.

–Bonitinha, sim.

Veio a dança. Os campeões abriram, como era a tradição. Logo depois, Dumbledore e Minerva acompanharam, sendo seguidos por Karkaroff e a profa. Vector. Então foi a vez de Madame Máxime e Hagrid. Aos poucos todos dançavam, inclusive Pan e Severus, que valsavam timidamente. Alguns alunos olhavam com incredulidade para o Prof. Snape dançando, olhando para Pan com um leve sorriso nos lábios, que ele tentava disfarçar com uma careta de tédio.

Pan ria sempre que ele fazia isso, e girava com ele cada vez mais rápido entre os pares, lançando a cabeça para trás e observando a profusão de estrelas do teto, enquanto sentia Severus aproximar seus corpos o máximo que podia sem se tornar incomodo pelo ventre. Quando a dança terminou, eles trocaram um singelo beijo.

Olharam em volta no salão e Pan não pode deixar de enternecer-se com Albus abraçando Minerva enquanto lhe dizia alguma coisa ao ouvido, arrancando dela uma risadinha. Minerva beijou-lhe o rosto e manteve-se junto dele, de braços dados. Era a primeira vez que Hogwarts via semelhante cena.

–Ok... -Severus disse ao fim da dança- Foi divertido.

–Muito divertido. -ela o beijou rapidamente, puxando-o pela mão até a mesa.

Pearll chegou com Eric instantes antes do jantar ser servido. Ela usava uma veste azul petróleo, muito justa ao corpo, com uma saia sereia. Os cabelos estavam presos num bonito penteado. Eric usava um smolking trouxa e tinha os cabelos amarrados com um elástico. E a barba sempre tão charmosa estava aparada.

–Você perdeu a abertura do baile. –Pan murmurou para ela.

–Bom... –ela estendeu a mão onde usava um grande anel com um diamante brilhando- Valeu a pena!

–Oh! –os olhos de Pan e Hope brilharam, e Pearll apenas sorriu muito orgulhosa de si mesma- Vocês vão se casar?

–Um passo de cada vez. –Pearll recolheu a mão- Mas quem sabe?

–Foi uma grande vitória conseguir chama-la de noiva. –Eric comentou, após receber o aperto de mão de Severus em cumprimento- Esposa virá após outra grande batalha.

Deu-se inicio ao jantar. Pouco antes das dez horas uma coruja bem pequena entrou no Salão e pousou na mesa em que eles estavam. Pan tirou a carta endereçada a ela, da perninha da coruja.

"Desculpe-me. Não poderei comparecer hoje, querida. Véspera de lua cheia, melhor não arriscar. Divirta-se muito.

Com carinho. Remus."

Pan suspirou decepcionada e guardou o bilhete.

–Lupin não virá.

–E ele viria? -Severus estranhou.

–Eu o convidei.

Só quem pareceu lamentar isso foi Pan, já que Hope suspirou aliviada e Severus deixou escapar um "menos mal".

–Acho que Dumbledore já vai levar os convidados do Ministério para o Salão ao lado. As Esquisitonas não devem ser muito tragáveis para pessoas com algo na cabeça.

–Também acho. -Hope concordou- Intermediei o contrato e garanto que a prévia que elas me deram foi algo para não se esquecer mais. Até hoje meus ouvidos piam.

–Está na minha hora de patrulhar os jardins. -Severus disse ficando de pé- Impedir que esses cabeças ocas coloquem mais cabeças ocas no mundo, de forma bastarda.

–Não é necessário patrulhar jardins! Eu coloquei feitiços expulsatórios nos arbustos e roseiras. –Pan informou.

–Albus ordenou. –ele disse irritado- Encontro você em uma hora.

E então eles foram para o Salão separado, no momento em que As Esquisitonas começavam com seu Rock'n Roll pesado. O Salão Especial estava decorado como o Salão Principal, apesar de ter uma aparência ainda mais cristalina. Todo o alto escalão do Ministério estava ali, bem como os diretores das Escolas visitantes. As amigas serviram-se de hidromel e sentaram-se numa mesinha afastada, dando espaço para que Eric e Pearll pudessem contar a novidade aos pais dela.

Por volta de meia noite, quando o Wisky de Fogo já rolava solto pelo Salão e os alunos iam se recolher, Severus apareceu. Minerva e Albus conversavam de pé ao lado de Pan, que estava sentada numa cadeira por puro cansaço. A barriga pesava e suas costas doíam um pouco. Severus parecia mal humorado, mas forçou-se a sorrir para a esposa.

–Eu sei. –ele disse sentando-se ao lado dela- Você está cansada e eu estou com uma péssima atitude, mas seria melhor se nós pudéssemos parecer mais festivos.

–Porque?

–Você entenderá.

Albus curvou-se um pouco diante de Pan, para falar com ela sem que Minerva notasse.

–Você pode vir conosco numa caminhada pelos gramados?

–Nesse frio?

–Sim. Eu tenho algo preparado para sua avó.

–Algo tipo o que?

–Tipo algo que há muito deveria ter acontecido, mas não aconteceu.

Minerva falava com Pearll, que parecia bastante ansiosa, mas Pan não podia entender porque. Concordou em ir no tal passeio e ficou de pé após transfigurar os sapatos em algo sem saltos. Severus também parecia achar um pouco estranho, mas também ficou de pé. Logo o pequeno grupo saiu do castelo, como se todos naturalmente tivesses escolhido enfrentar o frio que fazia lá fora. Minerva estava bem distraída, conversando com a filha e não notou que eles se dirigiam para a beira do lago.

Pan foi a primeira que os viu, com sua visão apurada de fênix. Ela quase caiu de susto, e estava muito grata por estar de braços dados com o marido. Parados no escuro estavam Ninna e Sirius, sorrindo meio sem jeito. Do outro lado da floresta surgiu Lupin, mais esfarrapado e pálido do que nunca, e ele veio diretamente agarrar a afilhada, ignorando a existência de Severus. Ele nem imaginava como ela sentia sua falta!

–Oh meu Deus, como você ousa sumir por tanto tempo?! -a afilhada gemeu depositando alguns beijos carinhosos na bochecha do homem, que ria timidamente feliz ao receber seu abraço.

–Remus? -Ninna saiu das sombras incapaz de se conter.

Lupin deixou escapar uma exclamação audível quando Pan o soltou para que ele pudesse cumprimentar a velha amiga.

–Eu sabia que havia o dedo de vocês nessa história! -ele comentou com um sorriso imenso ao ser abraçado por Sirius, como a um irmão.

–Bom, isso não é uma reunião de velhos amigos de escola, devo presumir... -comentou Minerva, ainda um pouco chocada por ver Ninna e Sirius ali.

–Bom! -Dumbledore bateu palmas- Acho que já chegamos todos, não?

–Chegamos? -Minerva estranhou, olhando para ele como se não entendesse nada daquilo.

–Ótimo! -e com um aceno da varinha ele conjurou uma mesinha de metal retorcido com tampo de vidro e mais um castiçal com uma única vela, enlaçada por uma fita prateada.

Acima deles, Dumbledore e Pearll conjuravam lanternas de cristal, que emanavam uma fraca luz e pendiam algumas fitas brancas e prateadas, com singelos laços decorativos. Pan encarou Severus esperando que ele pudesse dar uma explicação, mas ele simplesmente se posicionou do modo como Dumbledore estava ordenando, segurando o braço de Pan. Eric e Pearll fizeram o mesmo, assim como Ninna, Sirius, Lupin e Hope, que preferia observar os próprios sapatos enfiados na neve a olhar em volta e arriscar ter contato visual com Sirius.

Albus sorria largamente, olhando para uma Minerva completamente atordoada. Ele parou diante dela e segurou sua mão e ajoelhando-se sobre uma perna.

–Minerva, eu amo você.

E logo ficou claro para todos ali, que ainda não estavam entendendo o que acontecia. Albus estava pedindo Minerva em casamento, e Pan não pode conter as lágrimas que insistiram em formar-se em seus olhos.

–E depois de tantos anos, tanta coisa vivida, tantas idas e vindas, eu apenas posso amar você mais e mais. –ele continuou. Agora Minerva cobria a boca com uma das mãos e parecia completamente abismada- E eu seria o homem mais feliz do mundo se você aceitasse ser minha esposa.

–Eu pensei que já fosse sua esposa. –ela disse com a voz falha, emocionada.

–Não oficialmente. –ele a olhou por cima dos óculos de meia lua e sorriu.

–Albus... –ela gemeu e olhou em volta- Sequer temos mais idade para isso.

–Nunca é tarde. Vejam bem, eu tenho mil e duzentos anos. –Eric comentou, o que arrancou risadas dos presentes.

–Diga sim. –Albus pediu.

–Sim, meu amor. Agora erga-se daí e me abrace.

Ele fez como ela ordenou, e logo a abraçou unindo seus lábios aos dela por um instante. Eric soltou o braço de Pearll e posicionou-se diante da mesinha, de frente pros presentes.

–Estamos aqui nessa noite enluarada para celebrar o amor verdadeiro de Albus e Minerva.

–Eu estou me casando, é isso? -ela perguntou olhando para Eric e sendo posicionada diante dele por Albus- Agora? -uma palpável animação surgindo em cada sílaba que pronunciara.

–Se você aceitar, é claro. –Albus murmurou- Apenas não há exatamente muito tempo pra perder, ou pensar. E nossa família está completa aqui essa noite.

–Claro que eu aceito! -ela sorriu e abraçou Albus novamente, que a apertou contra si de forma carinhosa.

–Vocês poderiam, por favor, me deixar pronunciar as palavras do livro primeiro? -Eric perguntou divertido- Creio que sem elas isso não seria um casamento...

–Oh, querido, me desculpe! –Minerva corou com um sorriso enorme endireitando-se para olhar para a fênix- Prossiga.

–Os padrinhos se aproximem, por favor.

Os presentes se entreolharam e Pan e Severus entenderam que se tratava deles. Ela sequer entendeu como isso era possível, ser madrinha no casamento de seus avós. Hope e Lupin foram instruídos a se aproximar também, deixando Ninna e Pearll de braços dados com Sirius ainda na parte mais sombreada.

–Estamos presentes aqui hoje para testemunhar a união dessas duas almas que se amam e se completam como eu poucas vezes vi antes na minha vida de, como eu já disse antes, mais de mil anos. -Eric hesitou por um segundo olhando de Albus para Minerva mal podendo conter a emoção -Hoje, finalmente, eu posso ver com alegria duas pessoas cujas vidas eu acompanhei tão de perto cumprirem o destino traçado pelo coração deles desde o primeiro momento. Tanto Minerva quanto Albus sabem que nunca poderá se duvidar do amor que os une, já que ele é tão forte e tão bem estruturado que sobreviveu, e seguirá sobrevivendo, mesmo nas mais difíceis situações. Pois bem, diante de tudo isso que nós já conhecemos, eu pergunto: Minerva, diante dos frutos do amor de vocês e entendendo que o que for dito aqui agora, será considerado válido por toda a eternidade, você aceita ser a esposa de Albus Dumbledore, na promessa de amá-lo, apoiá-lo e respeitá-lo em qualquer situação que por ventura acometê-los, como tem feito desde muito tempo, até o fim dos tempos?

–Sim. –ela disse respirando tão dificultosamente quando era possível- Eu aceito. -ela olhou para Albus, os olhos umedecendo-se.

–Albus Dumbledore, você aceita Minerva McGonagall como sua legitima esposa e promete amá-la, protegê-la, respeitá-la e apoiá-la em todos os aspectos possíveis e imagináveis, como ambos têm feito desde o primeiro dia até o final deles?

–Sim. Nada me faria mais feliz e completo. -ele respondeu beijando a mão dela.

–Então, pelos poderes que me foram emprestados pelo Ministério da Magia só por essa noite...- ele tocou as mãos unidas deles com as suas e fazendo surgir ali uma fita prateada que as uniu e brilhou por um instante até desaparecer numa nuvem de pó de estrelas- ...eu os declaro casados e digo mais: -Eric levantou o dedo como se estivesse a testar a direção do vento- Beijem-se logo ou vão ter que fazer isso debaixo de uma nevasca.

Albus deu um passo a diante e segurou Minerva pelos ombros. Aproximou seu rosto do dela e beijou-lhe os lábios de forma bastante comportada. Snape olhou para Pan e sorriu abertamente, não podendo deixar de se sentir feliz pelo que havia acabado de presenciar. Ninna e Pearll secaram as lágrimas que se formavam insistentemente e Sirius foi o primeiro a adiantar-se em cumprimentar o sogro. Logos todos trocavam abraços e desejavam ainda mais felicidade ao casal. Minerva parecia rejuvenescida em vinte anos, e Albus estava bastante orgulhoso de si mesmo.

–Feliz? -ele perguntou sibilante ao ouvido dela.

–Como você disse... Completa. –Minerva respondeu- Como deveria ter sido tanto tempo antes.

–Eu me casaria novamente com você todos os dias.

–Não será necessário... –ela murmurou- Eu farei com que você lembre-se sempre dessa noite na neve, diante das nossas filhas, nossa neta, nosso bisneto a caminho...

–Tanta vida Minerva... Veja... –ele indicou os mais novos conversando parecendo bem satisfeitos um pouco afastados de onde o casal estava- Produzimos tanta vida e tanta felicidade.

–Sim. –ela aninhou-se em seu abraço- Sim, nós fizemos isso, muito bem feito por sinal. –eles ficaram um longo instante em silencio- E agora? Devemos voltar ao baile?

–Não, é claro que não! –ele a encarou parecendo surpreso que ela estivesse considerando aquilo- E nossa noite de núpcias?

–Você não pode estar agindo como se fosse novidade...

–E como não seria? –ele sorriu, passando um braço em volta da cintura dela mais possesivamente- Eu nunca levei uma esposa para a cama antes.

–Oh, então tudo bem. –e o beijou- Leve-me para onde quiser.

E com isso ele os aparatou e quando os convidados se deram conta disso, eles já estavam muito, muito longe dali.

PARA PÉROLLA 3