Capítulo Quadragésimo Terceiro
Em casa, ela sentou-se sentindo as costas doerem. Parecia que mover-se era cada vez mais difícil.
-Minha senhora, precisa de alguma coisa? –Bronn perguntou.
-Não, Bronn. –ela disse colocando uma almofada às costas- Apenas me avise quando Sr. Snape chegar. Ou melhor, diga a ele que eu estou na biblioteca.
Mas Severus não chegava nunca. Ela jantou sanduiches de atum, ainda na biblioteca, terminando a leitura de um livro, e esperou que ele surgisse. Mas ele parecia que não viria pra casa essa noite, e também não enviou nenhum aviso. Quando ele apareceu, ela cochilava com o livro apoiado na barriga.
-Pan? –ele chamou baixinho- Querida, acorde. Você deveria estar na cama.
-O que houve? Por que demorou tanto? –ela perguntou esfregando os olhos.
-Potter. -e o sobrenome de Harry foi despejado com asco.
-O que ele fez?
-Invadiu meu armário.
-O quê?! Por que?
Severo fez um gesto impaciente com a cabeça e foi servir-se de whisky.
-E pra completar Olho Tonto ainda está encobrindo o delinquentezinho!
-Alastor está encobrindo um infrator? -ela murmurou interessadíssima sentando-se mais ereta.
-Humrum... -Severo disse dentro do copo fitando-a com os olhos faiscando frustração.
-Detalhe isso, por favor...
Ele respirou fundo e sentou-se no sofá, estendendo-lhe a mão para que ela se juntasse a ele. Pan sentou-se com dificuldades, deixando escapar um gemido de dor nas costas.
-Você precisa de uma massagem?
-Agradeceria mais uma poção pra dor. –ela disse- Mas está tudo bem, eu já quase me habituei a esse desconforto.
Mas mesmo assim ele massageou suas costas como a posição no sofá permitiu. Ela sentiu-se melhor, mais relaxada, e ficou ali, agarrando o encosto do sofá enquanto ouvia o que ele dizia.
-Bom, eu estava no meu escritório me trocando para vir para casa quando ouvi um barulho nos armários. Sai rapidamente e encontrei um dos armários abertos, com Ararambóia e outros ingredientes da Polissuco faltando.
-Harry sabe fazer a polissuco? Oh, meu Deus! -Pan se sobressaltou- Ele não pode estar fazendo isso! Nunca se deve usar animais com a Polissuco...
-O que você realmente acha que Potter está fazendo? –Severus franziu a testa com estranheza.
-Ele vai usar a polissuco pra virar peixe, sapo, alguma coisa aquática pra poder cumprir a tarefa...
-Pan, eu duvido muito que Potter saiba o que é a Segunda Tarefa. -Severus balançou negativamente a cabeça- E se sabe, ele acabou de descobrir.
-Vamos, continue... -ela moveu a mão dele para um lugar particularmente dolorido- Você pegou o Harry?
-Não. -ele disse meio decepcionado consigo mesmo- Mas eu sei que Moody sabia onde ele estava.
-Por que você diz isso?
-O Ovo de Ouro estava no corredor. Potter estava em algum lugar por ali debaixo da Capa de Invisibilidade.
-Sev, você está meio obcecado com Harry. Sempre esteve, em verdade. Existem quatro ovos de ouro em Hogwarts...
-E apenas um pergaminho como aquele que eu quase confisquei dele no ano passado, e que você e Lupin tão ensaiadamente tentaram me fazer crer que era um produto inofensivo da Zonko's.
-E o que você acha que é aquilo?
-No mínimo? Um mapa. Ou algo que o permita andar pelo castelo sem ser descoberto e isso tem um enorme dedo torto do seu pai, Sra. Snape.
-Do meu pai?
-Oh sim! Isso justifica as expedições bem sucedidas dos Marotos por Hogwarts nos tempos da escola.
-E você pegou o pergaminho?
-Não. Moody o confiscou. Tem outra coisa que me incomoda.
-Que coisa?
-Ele anda dando muitas dicas a respeito do meu passado. -o tom de Severus foi ressentido e um pouco mais baixo do que o habitual- Principalmente agora que você não está por lá para respondê-lo insolentemente. Dumbledore devia cuidar disso, logo as desconfianças serão reacendidas e você sabe como isso funciona.
Ela sabia como aquilo o machucava. Além de ter que se sacrificar como ele se sacrificaria, ainda precisava provar para pessoas que nada tinham a ver com o que ele faria, que não conheciam as verdades escondidas por trás da máscara de Mestre impiedoso de Poções.
-Mas já chega... -ele disse tomando o ultimo gole de seu whisky e colocando o copo de whisky na mesinha ao lado do sofá- Como foi o seu dia?
-Estive com meus pais. Minha serena e equilibrada mãe me deu detalhes sobre como será intensamente desesperador trazer nosso filho ao mundo dentro de alguns dias. –ela suspirou- Minha mãe não está nada bem.
-Nada bem?
-O papai contou que ela está cada vez mais alheia a tudo. Parece que a loucura dela está se acentuando... E hoje eu percebi que ele não diz isso por acaso.
-É compreensível. Ela foi diagnosticada como demente em Azkaban. Você sabe como funciona esse tipo de coisas.
-Eu sequer tenho como tratá-la...
-Pensaremos em algo.
-Papai conversou comigo sobre Hope.
-Ele não está pensando em...? Não permita Pan. Não permita que ele se aproxime dela como se eles pudessem.
-Você se preocupa com Hope.
-Claro. –ele disse como se fosse obvio- Você não? Um homem como seu pai...
-Como assim um homem como meu pai? –ela desafiou.
-Casado. –ele disse apontando o obvio- Com uma bela esposa precisando de ajuda. Eu não gosto do seu pai, Pan. Eu nem tentarei fingir que sim. Eu o entendo sobre Hope, mas não há forma disso ser algo correto.
-Ele parece que consegue gostar de você menos ainda depois do nosso casamento.
Severo riu com certo desdém presumido.
-Posso lhe dizer uns vinte motivos que justificariam isso.
-Você viu Hope ultimamente? -ela perguntou.
-Hope está estranha. Ela está mais magra, mais séria e mais calada do que nunca.
-Você acha que seja apenas coração partido?
-Excesso de trabalho também. O Torneio exige muito dela.
Era 24 de Fevereiro. Harry havia passado a noite na biblioteca. Pan olhava para Dumbledore com um misto de raiva e desamparo. Severus andava de um lado para o outro na diretoria.
-Eles já estão no fundo do Lago. -Minerva informou entrando na sala- Madame Máxime e Karkaroff estarão aqui em alguns minutos.
-Obrigado, querida. -Dumbledore murmurou fitando o teto, absorto em pensamentos.
Minerva saiu.
-Ele vai morrer. -Severus disse- Ele não tem a solução. Ele não sabe como fazer.
-Acalme-se, meu caro...
-Acalmar-se! -Pan exclamou mal podendo ficar de pé sem ajuda- Como Harry vai fazer para entrar no lago e...?
-Pamela, se ele não souber, ele não vai entrar...
-Albus, nós estamos falando de Potter! -Severus continuou.
-São oito horas da manhã. Se alguma coisa pra ajudar Harry precisasse ser feita, ela já deve estar em andamento.
Severus não aceitou isso. Ele saiu da diretoria batendo a porta, ignorando a presença de Eric no corredor. Pan pensou em segui-lo, mas como andar exigia demais dela, ela aparatou para as masmorras e o esperou. Ainda havia fogo nas cortinas quando ele apareceu num corredor.
-Sev? O que você vai fazer?
-Guelricho... -ele disse olhando por cima do ombro- Você vai dar Guelricho a Potter.
-Mas... as regras...
-Regras? Que regras funcionaram quando aceitaram Potter neste Torneio? -ele parou diante de uma porta e abriu.
Pamela sabia que era a passagem direta aos aposentos dele, que ela mesma nunca tinha usado, mesmo eles sendo seus aposentos também. Ele escancarou um armário ao chegar no laboratório. Procurou pelas etiquetas dispostas em ordem alfabética. As mãos girando os vidrinhos enquanto os olhos liam rapidamente. Ele pegou um pote e abriu. A expressão em seu rosto deixou evidente que aquilo não estava correto.
-Está vazio... -ele murmurou lívido- Vazio!
-Acalme-se. Vai ficar tudo bem, querido... Eu vou cuidar pra que nada aconteça...
-Como você fará isso? Você sequer pode manter a si mesma a salvo nessas condições, por Merlin!
-Shh... Calma. –Pan o abraçou.
-Eu... eu prometi que ele ficaria vivo, que ele ficaria bem... Mas Dumbledore dificulta minha vida...
-Meu amor, confie em mim.
Ele ergueu os olhos para encará-la.
-Eu confio. -disse afundando o rosto novamente nos cabelos dela.
-Ainda existe alguma possibilidade de você conseguir ensinar o Feitiço Cabeça de Bolha a Harry até a hora da prova?
-Não. -ele disse sem pensar- Eu não sei... Pode valer a tentativa.
Mas Severus não o encontrou na Sala Comunal ou em seus dormitórios. As pessoas que poderiam saber onde o garoto estava, agora eram iscas de peixe dentro do lago.
-Uma hora. -ele disse impaciente- Falta uma hora.
Pan estava sentada confortavelmente numa cadeira de praia colocada na plataforma para ela e ficou observando as pessoas chegarem. Dumbledore e Minerva logo se posicionaram ao seu lado acompanhados de Karkaroff e Madame Máxime. Fleur, Cedrico e Krum aproximaram-se de seus diretores.
-Onde estava Harry? –Minerva perguntou- Albus?
-Deve estar a caminho.
Ele não estava em nenhum lugar a vista. Dumbledore e Minerva olhavam em volta tentando disfarçar a impaciência. Pan tentava olhar para Hogwarts e ver se o menino iria aparecer. Os olhos apurados de Fênix o enxergaram, correndo com toda pressa do mundo para onde eles estavam.
Ela olhou para os competidores e sentiu o estômago revirar. Hope verificava o cronômetro, parecia um pouco mais magra e tinha cortado os cabelos. Pan sequer ouviu as palavras de Bagman e Dumbledore, sentindo o nervosismo dominar seus sentidos.
A prova teve inicio. Cedrico e Fleur usaram o feitiço "cabeça de bolha", mas Krum foi além, com uma semi transformação em tubarão que era realmente impressionante. Harry, com a água do Lago altura dos joelhos, mastigava uma coisa estranha, viscosa. Pan o olhou aflita. Estava bem próxima dele na plataforma.
-Tudo bem? –perguntou
E ele ergueu o polegar em resposta afirmativamente e logo mergulhou no lago. Essa espera foi maior e mais difícil.
-Percebe agora como eu tinha razão sobre ele estar invadindo meus armários?
-Como? –Pan franziu a testa.
-Guelricho Pan. –ele respondeu- Potter está usando Guelricho, e meu laboratório é o único lugar onde isso pode ser encontrado em Hogwarts.
-Bom... Pelo menos ele está competindo com segurança, certo?
Severus precisou concordar, mesmo contrariado.
Quando Fleur Delacour precisou se retirada do lago por Pearll, que era a especialista que estava verificando o lago, Pan sentiu a primeira contração chegando. Era bem desconfortável, e parecia muito com as dores nas costas que sentia antes, mas dessa vez estava bem mais intenso.
-Sev... –ela chamou em voz baixa.
-Sim? –ele abaixou-se um pouco para ouvi-la melhor.
-Eu acho que está começando.
-Não... Já fazem vinte minutos. –ele olhou o relógio.
-Não querido. –ela disse acariciando o ventre- Falo disso.
O rosto de Severus transformou-se completamente. Ele parecia em pânico, mas lutava para estar sereno, olhava pra Pan preocupado, mas ela parecia tranquila. Ele ajoelhou-se ao seu lado e alisou a barriga, tentando entender como ela podia ter certeza que estava começando.
-O que eu faço? –perguntou.
-Eu acho que levara algum tempo ainda. Vamos esperar.
-Avisarei sua avó.
-Não ainda. –ela segurou sua mão- Eu estou bem.
Minutos depois Dumbledore, que apontava para uma cabeça no meio do Lago. Era Cedrico, que vinha nadando, arrastando Cho Chang com ele. Bagman ajoelhou-se na beirada do camarote e segurou a moça pelos ombros, enquanto Hagrid ajudava Cedrico a sair da água. Cho tossia e cuspia, meio tonta. Foi posta numa cadeira ao lado de Pan.
-Tudo bem? -perguntou Pan olhando para a moça e entregando-lhe um cobertor.
-O que houve...? –ela estava desorientada.
-Cedrico vai explicar. -Pan disse- Você se sente bem, precisa de alguma coisa?
-Não... –ela disse suavemente, esboçando um tímido sorriso- Não, esta tudo bem.
-Eu vi o Harry. -Cedrico disse para quem estava na plataforma- Ele chegou lá nos Sereianos antes de mim.
-Como? -Dumbledore franziu o cenho- Ele está lá?
-Sim. - Cedrico confirmou aquecendo-se com um feitiço, o braço em torno de Cho- Ele não quer deixar ninguém lá.
Pan sorriu orgulhosa do garoto. Dumbledore fez um meneio com a cabeça e foi sentar-se junto com os outros juízes. O próximo a chegar foi Krum, com Hermione. Ele saltou para cima da plataforma agilmente, enquanto Hermione era erguida por Cedrico. Pan abriu um sorriso, vendo Severus entregar um cobertor para Hermione.
-O Harry, ele...? –Hermione veio para junto de Pan, que nesse instante sentia novamente a estranha e desesperadora dor nas costas.
-Shhh... -Pan disse tentando acalmá-la segurando sua mão- Ele está lá nos Sereianos, segundo o Cedrico. –e interrompeu-se para deixar escapar um gemido com uma careta de dor.
-Você está bem? –Hermione perguntou mais alto do que devia.
-Está tudo sob controle. –Pan sorriu.
-Pamela, talvez devêssemos ir pra casa. –Severus sugeriu.
-Não ainda. –ela disse- Harry esta indo bem, Mione.
-Como ele conseguiu?
-Guelricho. -Pan respondeu sorrindo- Vai ficar tudo bem.
Minerva então pareceu notar que Severus estava mais tenso do que o normal.
-O que houve? –ela se aproximou- Pamela?
-Acho que esta começando. –ela murmurou- Mas não é pra tanto ainda.
-Você não devia estar aqui! –Minerva se assustou- Pan...
-Quando Harry chegar. Eu prometo que quando ele chegar eu vou pra onde vocês quiserem. Esta perfeitamente suportável.
-Seu bebê vai nascer? –Hermione perguntou num sussurro.
-Sim. Não vamos pensar nisso agora. –ela pediu- Vejam só.. –e apontou o lago- Rony e... Gabriele Delacour? -exclamou assustada.
Mas não teve tempo de preocupar-se com isso, já que nesse instante, mais forte do que nunca, ela sentiu uma real contração. Não gritou nem fez muito alarde, mas Severus, Minerva e Albus, bem como Hermione que estava bem próxima dela puderam perceber.
-Albus... Harry esta a tempo demais no lago... –ela disse com a voz esgoelada- Alguém tem que ir até lá.
-Pearll já mergulhou. –ele curvou-se sobre ela- O que você precisa de mim, querida?
-Oh... –ela gemeu contidamente- Oh, eu preciso ir pra casa.
-Dumbledore... as barreiras de aparatação... –Severus parecia mais nervoso do que nunca. –Pan, você acha que consegue aparatar?
-Não... –ela disse com lágrimas escorrendo pelos olhos- Não, eu não consigo.
-Tudo bem... As barreiras estão suspensas. –Albus informou após executar um feitiço- Leve-a agora, eu irei ate lá assim que tudo estiver terminado por aqui.
-Harry! –Hermione correu para a beira da plataforma, quando Harry surgiu.
Pan olhou por entre Minerva e Severus, que a circulavam e tranquilizou-se quando percebeu que de fato era o garoto. Ele foi retirado da água e envolvido por um cobertor.
-Mais tranquila? –Severus perguntou, quando ela finalmente pode ficar de pé.
-Sim. –e segurou-se forte nele.
-Respire fundo.
-Esta tudo bem, não está doendo agora.
-Minerva, você virá conosco?
-Sim. –ela certificou-se que Harry estava inteiro e aproximou-se do casal.
E no momento seguinte, eles estavam diante das portas dos aposentos dos Snape. Pan foi acomodada na cama enquanto Severus ia até Hogwarts procurar por Madame Pomfrey. Minerva sentava-se junto da neta e tentava fazer com que Pan se mantivesse calma.
-Está tudo bem... Apenas respire fundo. Você está com medo, eu sei. Mas é assim que as coisas funcionam, logo tudo estará acabado e seu bebê estará em seus braços.
-Dói. –ela gemeu quando a contração veio- Dói como eu não sabia que existia dor no mundo.
-Sim, amor... eu sei. Mas agora respire. O segredo está em respirar. Apenas respire.
A espera foi cruel. Sentado no chão, ao lado da porta da quarto, Severus sentia-se derrotado. O lugar estava imperturbável e ele só sabia das noticias quando Minerva tinha a boa vontade de vir contar. Ela não estava muito bem, nervosa e insegura.
Pearll tinha ido em busca de Sirius, e quando voltou, não conseguiu ficar por perto para ouvir. Ela e Hope estavam no andar inferior, esperando que tudo acabasse. Ninna tinha preferido não ir, nesse dia sentindo-se particularmente confusa. Mas Sirius estava ali, largado no chão tal como ele, igualmente parecendo desolado. Dumbledore havia conjurado poltronas para que eles se acomodassem melhor, mas Severus não conseguia se mover do chão.
-Como ela está? -perguntou desesperado quando a porta se abriu e Minerva saiu enxugando as mãos no avental.
-Vai nascer. Não será logo, mas vai nascer.
-Eu posso vê-la?
-Eu posso vê-la, Minerva, por favor...? –Severus e Sirius pediram ao mesmo tempo.
-Vocês não sabem o que estão pedindo. Eu queria me privar de vê-la sofrendo tanto...
-É minha esposa, Minerva. Por favor.
-Minha filha. –Sirius ajuntou.
Minerva encarou Albus, que deu de ombros e disse apenas:
-Quando as meninas nasceram você bem me tinha exatamente ao seu lado.
-E você não é nem um pouco traumatizado por isso? –ela perguntou.
-Pelo contrário. Eu sou sortudo por poder ter presenciado tal milagre.
Com isso não havia mais o que dizer. Ela deixou que Sirius entrasse para vê-la por alguns minutos. Sabia que quando fosse a vez de Severus ele não sairia mais de lá.
-Hey, querida... –Sirius sentou-se ao lado dela, sentindo que suas pernas eram feitas de marshmellows- Sua avó disse que você esta indo muito bem.
Mas Pan estava suada, corada, cansada e parecia muito irritada. Ela olhou para ele como se desejasse morrer.
-Eu não aguento isso, pai... Eu devia estar no St. Mungus com alguém tirando o bebe de dentro de mim sem que eu me desse conta...
-Eu sinto tanto por isso... –ele acariciou sua testa suada- Sinto mesmo, meu amor. Eu trocaria de lugar com você, sem pensar duas vezes.
-Você não faz ideia do que está dizendo... –ela murmurou baixinho, lágrimas doloridas escorrendo por seu rosto- E ainda ficaremos horas assim... Certo Poppy?
-Bem, você pode ter sorte e dilatar mais rápido.
-Não há nada que possamos fazer? Algo, uma poção?
-Eu já dei a ela o que poderia dar. Esperemos que faça efeito.
Pomfrey descobrira sobre Sirius e Ninna quando Pan invadiu Azkaban. Albus e Minerva tinham decidido contar-lhe aquele segredo, já que imaginavam que Ninna possivelmente poderia necessitar de algum apoio de poções ou procedimentos para sentir-se melhor. Ela ainda tinha um leve desconforto quando precisava ver os Black, mas estava se habituando.
O suplicio de Pan durou até a tarde. Severus estava com ela já faziam horas e horas. Tinha ajudado a mulher a passar pela maior parte das contrações, e agora o bebe parecia estar pronto quando para vir ao mundo.
-Falta pouco Pan... –Madame Pomfrey garantiu- Um pouco mais de força e ele estará aqui, nos seus braços...
Ela fazia força, com Severus estimulando-a a prosseguir, Minerva secando sua testa, e Pearll, que finalmente tomara uma decisão sobre estar com a sobrinha naquele momento, auxiliando Madame Pomfrey. A dor era excruciante, mas quando o choro do bebe encheu o ar, Pan descobriu porque diziam tanto que aquilo valia a pena.
-É uma menina... –Pearll anunciou, com a pequena nos braços enquanto Pomfrey finalizava o parto.
Pan não sabia se conseguiria segurá-la. Estava quase que derretida em forma de suor sobre a cama e tudo o que sabia fazer era chorar entre satisfação e dor. Severus viu Minerva terminar de envolver a menina numa manta. Para ele, aquilo era a maior de todas as vitorias do mundo. Sua filha berrava para o mundo que estava viva, com eles, pronta para ser nomeada e tratada como a princesa que era.
Pan sorria fracamente agora, as lágrimas escorrendo por seu rosto. Severus, com a menina nos braços, vindo entregar-lhe sua filha. Ela deixou que ele a posicionasse sobre seu peito, e o bebe, que ainda chorava, acalmou-se aos poucos.
-Ela é idêntica a você nessas idades. –ele disse, secando as lágrimas da mulher enquanto ela decifrava o rostinho do bebê- Idêntica.
-Olhos azuis dos Dumbledore... –ela sorriu- E a promessa de cabelos negros
-Sim... –Severus sorriu, quase não podendo conter o choro de emoção que se entalava em sua garganta- Sim, meu amor...
-Sev... –Pan o olhou- Ela precisará de um nome.
-Sim, sim um nome. –ele a observou- Decidimos que escolheríamos quando ela nascesse, certo?
-Sim, mas você foi quem disse com toda certeza que era uma menina. –Pan estava cansada e falava baixinho- Você deve ter um nome em mente...
Ele tinha alguns, mas não queria ser deixado com a responsabilidade de escolher o nome sozinho.
-Como chamaremos nossa filha, Severus?
-Como você gostaria de chama-la?
-Como sua mãe. Eileen. –ela sorriu.
Severus sentiu algo queimar seus olhos, e naquele instante ele descobriu que seria impossível amar mais aquela mulher do que já amava. Ele encostou o rosto no dela e chorou, mesmo com as pessoas que estavam em volta.
-O nome dela será Meredith. –ele disse- Mas ela terá Eileen por segundo nome, e quando ela crescer, ela poderá escolher como será chamada.
-Meredith é o nome que havíamos debatido antes. –ela murmurou.
-Sim... É um lindo e sonoro nome. Um lindo nome para uma linda criança.
-Meredith... –Pan sibilou, e a menina abriu os olhos e a encarou, como se respondesse ao chamado.
Para os dois, aquele sinal bastou. E agora, orgulhosamente, eles eram os pais da pura criança que o mundo poderia conhecer.
