Capítulo Quadragésimo Quinto

Hope estava ajoelhada no meio do tapete de seu quarto, as mãos pressionadas nas têmporas, a terrível sensação de melancolia e falta de ar dominando seus sentidos. Ela sabia que precisava respirar fundo e se recompor, mas em alguns momentos aquilo era mais forte do que sua determinação. Meredith estava adormecida em sua cama, com uma almofada de cada lado de seu pequeno corpo vestido com uma roupinha de panda enquanto seus pais procuravam por Ninna. Hope respirou fundo e tentou clarear a mente. Sua afilhada estava ali, precisava muito dela.

Sempre que se via daquele modo, imaginava o que estava acontecendo com ela, porque aquilo tinha que ser assim tão difícil, o que ela tinha feito para merecê-lo? Após o ataque de Nagine, sua vida havia mudado, seus sentimentos foram postos a prova, e aqueles episódios de pânico eram constantes. Ela fingia para todos que estava bem, que estava recuperada e tentando seguir sua vida. Mas como mentir para si mesma?

A sensação de desespero se acentuou, e ela enroscou-se no tapete abraçando os joelhos e rendendo-se ao choro. Chorava baixinho, afinal, Meredith levara muito tempo para finalmente adormecer. Era muito difícil perceber que não estava normal e ter certos instintos tão alheios ao que ela era que seria bem possível que fosse fruto dos atos de terceiros. Algo maligno. Um vestígio do ataque. Veneno em seu sangue, veneno que jamais a deixaria.

Pan aparatou para dentro do apartamento delas. Chamou por Hope, o que forçou a moça a se recompor. Ela sentou-se no chão, parecendo apavorada, temendo que Pan a visse em tal estado, e rapidamente murmurou um feitiço para desinchar seus olhos. Quando Pan entrou no quarto, a encontrou de joelhos no tapete.

-O que houve? –perguntou.

-Minhas lentes. –ela disse- Eu derrubei minhas lentes.

-Você é uma bruxa ou o que? Use a varinha.

-Não funciona bem. O feitiço geralmente as desintegra.

Ela ficou de pé.

-Hope?

Ela sabia que Pan não tinha acreditado naquilo, e seu estado de nervos ainda era bastante sensível. Pan se aproximou, tinha um olhar de piedade, e Hope estava cansada de ser o alvo da dó de todos.

-O que? –perguntou de forma mal criada.

-Você precisa de alguma coisa?

-Me deixe em paz.

-Tudo bem. –Pan concordou, percebendo que não havia muito o que ela pudesse fazer- Eu levarei Meredith.

-Eu não me referia a ela. –Hope murmurou- Eu me refiro a que todo tempo eu preciso explicar para todos como estou me sentindo, como se eu fosse feita de algo digno de pena.

-Não é assim...

-Sim! –ela disse mais irritada- Eu posso ouvir a condescendência em sua voz! Pobre Hope, de coração partido! Pobre Hope que quase morreu atacada pelo Pet Maligno do Lorde das Trevas! Pobre Hope, será que não podemos convocar Lupin para fazer-lhe companhia enquanto o Baile acontece?

-Hope! –Pan a segurou pelos braços- Hope, o que há de errado com você?

-Eu estou cansada! –ela disse agora com a voz bem baixa- Cansada Pan... Eu não posso lidar muito mais tempo com isso. Comigo. Com estar assim!

-Assim como? –Pan podia sentir que choraria- Por todos os deuses, me deixe ajuda-la...

-Eu não sou eu mesma. Em alguns momentos... eu não sei quem sou. Eu não me reconheço, eu não sei de mim.

-Mas eu sei. –ela a abraçou- Eu sei, Hope, você ainda é a mesma. Eu garanto.

-Não deixe que eu me perca. –ela implorou com a voz num fio- Não deixe...

-Nem em um milhão de vidas.

Apesar de todos os esforços empregados, Ninna não foi encontrada. Sirius foi novamente escondido na caverna que ficava nos terrenos de Hope, onde ele havia soltado Bicuço. Todos eles estavam bem alertas e Pearll finalmente tinha contado aos pais sobre suas desconfianças. Pan estava presente nesse momento, mas evitou se pronunciar. Pan foi quem contou sobre o filtro dos inocentes existir em Azkaban, já que com isso, caso o Voto Perpétuo o incluísse, ela não morreria de fato. Mas por sorte, o Voto não incluía isso.

-Você acha que sua irmã é uma Comensal da Morte? –Albus perguntou, evitando olhar para o rosto incrédulo de Minerva.

Pearll não respondeu.

-Você acha que por ela ter ativado um alarme, numa das operações mais delicadas que eu já vi ser montada, ela é culpada de alguma coisa?

-Pan disse que o alarme não era o mesmo que havia sido ativado antes, em outra ocasião.

-Azkaban reagiu diferente, quando foi Bellatix Lestrange quem ultrapassou certos limites. –Pan murmurou, mas logo calou-se.

-E o que você quer dizer com isso?

-Que parecia mais violento, que soava diferente.

-Isso significa muito pouco. –Pearll protestou.

-Você está tentando incriminar sua irmã para provar uma teoria? –Minerva perguntou não conseguindo acreditar naquilo.

-Não! Eu mais do que todo mundo gostaria muito de não estar enfrentando essas desconfianças! Mas nós precisamos abrir os olhos e entender que Ninna não agiu como uma pessoa inocente fugindo desse modo!

-Como assim? Pearll, Ninna estava mentalmente perturbada! –Minerva berrou- Ninna precisava de ajuda!

-Ninna não conseguia realizar um feitiço convocatório! –Pearll ficou de pé- Mas ela foi capaz de aparatar. Com uma varinha roubada! Então me desculpem se eu estou ligando os pontos desse modo, que é como você deveria estar fazendo! –e apontou Pan- Você é uma auror, por Merlin! Você devia estar pensando nisso de forma mais meticulosa.

Ela havia pensado, mas aquilo parecia insano para ela. Ela se recusava a acreditar e a estimular aquele tipo de coisas. Sim, também estava desconfiada, sabia que Ninna não estava apenas perdida, sabia que ela não tinha sido pega pelo Ministério ou todos eles estariam agora muito encrencados, mas não conseguia imaginar como isso fazia dela uma Comensal da Morte.

-Meu pai me disse algo muito interessante ontem. –Pan comentou quando eles fizeram aquele silencio prolongar mais do que o confortável.

-O que Sirius pensa disso? –Albus perguntou.

-Ele não sabe dessas desconfianças de Tia Pearll. O que ele disse não está nesse contexto, mas se encaixa perfeitamente bem. O mundo não se divide entre pessoas boas e Comensais da Morte.

-Você acredita que sua mãe possa ter cometido algum crime? Algum grave o bastante para que Azkaban não a reconheça como inocente mesmo depois de treze anos?

-É uma possibilidade. Muito embora eu me recuse a acreditar.

Nesse instante Pan sentiu algo mudar. Albus também enfrentou a mesma coisa, olhando para ela como se para ter certeza de que a sensação era compartilhada.

-Algo hostil. –ela murmurou estreitando os olhos- Há algo hostil acontecendo em Hogwarts.

-Sim. –Albus confirmou ficando de pé.

Pearll olhou para a dupla e franziu a testa. Pan já estava diante da janela, observando o perímetro com seus poderosos olhos. Quando virou-se para informar que patrulharia os terrenos, seus olhos estavam negros, mesmo a esclera, e os cabelos começavam a recobrir-se de fogo. Pearll sentiu-se tola, já que Pan sendo um ser místico feito de instintos, tal como Eric, ela sentiria a ameaça que Ninna poderia ser. E Eric não concordava com suas desconfianças.

-O que você acha que seja? –Albus se aproximou.

-Algo ruim. Muito ruim.

E lançou-se da janela, transformando-se em fênix e voando sobre as montanhas. Albus encarou a mulher e a filha.

-Vamos ter que continuar com isso depois. Fawkes? –ele chamou, mas Eric não veio. Ele ainda estava buscando Ninna.

-O que você acha que está havendo?

-Hogwarts detecta atividade hostil, vocês sabem. Está intimamente ligado a Pan, que foi designada como guardiã da Escola quando veio trabalhar aqui.

-O que isso quer dizer? Hogwarts está alertando que há algo acontecendo?

-Sim, e Pan acaba de ir descobrir o que é.

-E isso acontece sempre?

-Apenas em casos extremos. –ele disse, seu tom de voz sombrio e preocupado, enquanto ele descobria um largo espelho oculto por um quadro de ex-diretor.

-Extremos?

-Voldemort. Um assassinato. –murmurou- Um grande ataque.

Pan não conseguiu ver nada. Assim como a sensação veio, ela se foi. Não viu movimento, não pode encontrar nada. Rumou para a floresta após perceber Canino saindo da Casa de Hagrid. Imaginou que a ameaça estivesse dentro de Hogwarts, o perímetro estava a salvo. Voltou à forma humana diante das portas de carvalho, torcendo bastante para que nenhum aluno estivesse por perto para ver seu corpo nu, que ela rapidamente vestiu num sobretudo negro.

Entrou no castelo mas logo percebeu que ainda havia alguma coisa acontecendo do lado de fora. Virou-se e observou o perímetro novamente. Foi quando distinguiu Harry correndo em sua direção.

-Pamela! -ele exclamou muito aflito- O Sr. Crouch... Ele está na floresta e...

-Crouch? Ele não estava doente?

-Não sei! Mas sim, é ele! Ele está meio doido, próximo ao lago! –Encontre Dumbledore. A senha é "Acidinhas".

Voltava para a floresta agora. As coisas estavam cada vez mais estranhas ali. O que quer que tivesse acontecido foi rápido o bastante para que o rastro do ataque se perdesse.

Ela viu um lampejo não muito distante da cabana de Hagrid e rapidamente chegou no local. Vitor Krum jazia caído no gramado. As arvores ainda farfalhavam e ela pode perceber que Crouch havia atacado o garoto. Como pessoa, ela queria ajudar o rapaz. Como auror, ela precisava pegar Crouch.

Entrou na floresta correndo com destreza por entre as raízes, mas por mais que procurasse, que vasculhasse os arredores da escola e que pedisse a ajuda de alguns centauros que acabou encontrando, não havia o menor sinal de Crouch. Ao voltar ao local onde tinha deixado Krum estava desacordado, ela deparou-se apenas com Hagrid.

-O Professor Dumbledore entrou na floresta pra procurar o Sr. Crouch. Karkaroff está furioso.

-Não achei nada... -Pan disse colocando as mãos nos quadris e esticando a coluna- Estou exausta...

-Vamos, sente-se lá na cabana... Mesmo você não pode sair por ai caçando um louco na Floresta Proibida desse jeito...

O dia que sucedeu o desaparecimento de Bartolomeu Crouch foi meio atribulado. Ela participou de uma reunião com Fudge, Moody e Dumbledore, e todos pareciam muito interessados em saber como ela não pode encontrar o homem. Mesmo assim, Dumbledore falava sobre outro tema.

—Dumbledore, receio não ver a relação, não a vejo mesmo! —Cornélio Fudge dizia— Ludo diz que Berta Jorkins é perfeitamente capaz de se perder. Concordo que era de esperar que, a esta altura, ela já tivesse sido encontrada, mas mesmo assim, não temos evidência alguma de crime, Dumbledore, nenhuma, quanto ao desaparecimento dela estar ligado ao de Bartô Crouch!

—E o que é que o senhor acha que aconteceu com Bartô Crouch, ministro? — perguntou Moody num rosnado.

—Vejo duas possibilidades, Alastor — disse Fudge— Ou Crouch finalmente enlouqueceu, o que é muito provável e tenho certeza de que você concorda, dada a sua história pessoal, perdeu o juízo e saiu vagando por aí...

—Ele vagou muitíssimo depressa, se esse for o caso, Sr. Fudge — comentou Pan calmamente.- Eu entrei na floresta rapidamente e não vi o menor sinal dele em lugar nenhum. Não pe comum que pessoas loucas consigam fugir desse modo. –e lembrou-se que aquela mesma coisa havia acontecido com Ninna- Os centauros também não viram nada, apenas ouviram um grito, no caso de Krum, e ao se aproximar para verificar, não viram nada.

—Ou então, bem... — Fudge pareceu constrangido— Bem, não vou julgar até depois de ver o local onde ele foi encontrado, mas você diz que foi um pouco além da carruagem da Beauxbatons? Dumbledore, você sabe quem é aquela mulher?

—Considero-a uma diretora competente e uma excelente dançarina— acrescentou Dumbledore rapidamente.

—Ora, vamos Dumbledore! — disse Fudge irritado. — Você não acha que pode estar predisposto a favorecê-la por causa de Hagrid? Nem todos eles são inofensivos, se é que se pode chamar Hagrid de inofensivo, com aquela fixação monstruosa que ele tem...

—Tenho tantas suspeitas de Madame Máxime quanto tenho de Hagrid— disse Dumbledore com a mesma calma— Acho que é possível que você esteja predisposto a condená-la, Cornelius.

-Acho que ninguém aqui tem o direito de dizer um "ai" sobre Hagrid, Ministro. -Pan continuou falando, sentada numa poltrona ao lado de Dumbledore - Depois do episódio da Câmara Secreta ele merece muito mais do nosso respeito do que muita gente que detém altos cargos no nosso Ministério.

—Será que podemos fechar esta discussão?— rosnou Moody.

—Sim, sim, vamos descer aos jardins, então— disse Cornélius impaciente- Vai nos acompanhar, Sra. Snape?

—Não, não é isso.— falou Moody— É que Potter quer dar uma palavra com você, Dumbledore. Ele está aí do outro lado da porta.

A porta do escritório se abriu.

—Olá, Potter.— disse Moody— Então, entre.

Harry entrou.

—Harry! — cumprimentou o ministro jovialmente, adiantando-se— Como vai?

—Ótimo. —disse Harry parecendo não estar nada bem.

—Estávamos justamente falando da noite em que o Sr. Crouch apareceu nos terrenos da escola— disse Fudge. —Foi você quem o encontrou, não foi?

—Foi. —confirmou Harry. Depois sentindo que não adiantava fingir que não escutara o que eles estavam dizendo, acrescentou— Mas não vi Madame Máxime em lugar nenhum, e ela teria uma trabalheira para se esconder, não?

Dumbledore e Pan sorriram para Harry pelas costas de Fudge.

—Bem, teria —respondeu Fudge constrangido— íamos sair para dar uma volta pelos terrenos da escola, Harry, se você nos der licença... Quem sabe você volta às suas aulas...

—Eu queria falar com o senhor, professor— disse Harry depressa, olhando para Dumbledore, que lhe lançou um olhar breve e penetrante.

—Espere por mim aqui, Harry. — disse— Nosso exame da propriedade não vai demorar. Nos acompanha, Pamela? Sua avó me pediu para não te prender muito tempo aqui por que você tem um compromisso com Pearll?

-Claro... -ela aceitou o braço de Dumbledore, lembrando que Pearll e Minerva a esperavam no boque para seguir buscando Ninna- Vejo você por ai, Harry!

Mas antes que pudesse de fato unir-se as outras duas na busca, recebeu o Patrono de Dumbledore recitando uma mensagem.

"Pan,Harry andou sentindo a cicatriz doer e teve novamente uma visão de Voldemort. Por favor, volte a Escola assim que receber essa coruja. Eu ficaria mais tranquilo se você estiver por aqui durante a preparação da Terceira Tarefa. Sei que a senhorita O'Brian pode usar sua ajuda. Venha assim que puder. Dumbie."

Pan chegou ao escritório de Dumbledore e o encontrou organizando algumas lembranças na Penseira.

-Dumbie?

-Minha querida, me perdoe por atrapalhar seus planos.

-Não ligue pra isso, me fale sobre o Harry...

-Ele descobriu sobre Severus.

-O que sobre Severus?

-Algumas coisas que estavam na minha penseira. Ele viu o julgamento de Bartô Crouch Jr., o depoimento de Bagman, e ouviu as acusações de Karkaroff, que citou Severus.

-Karkaroff...

-Bom, em relação à cicatriz, eu prefiro que você veja, acabei de colocar na penseira pra que você analise melhor.

Pan caminhou até a bacia de pedra e tocou a superfície prateada com a varinha. O conteúdo da Penseira começou a girar vertiginosamente, e curvando-se um pouco, ela mergulhou para ver Harry e Dumbledore conversando no lugar onde ela estava agora.

-Então, Harry — disse Dumbledore baixinho— Antes de se perder nos meus pensamentos, você queria me contar alguma coisa.

Verdade. Professor, eu estava na aula de Adivinhação agorinha e... Hum... Cochilei.

Ele hesitou neste ponto, possivelmente imaginando se iria levar uma bronca, mas Dumbledore apenas disse:

Muito compreensível. Continue. -realmente era compreensível a própria Pan já cochilara dezenas de vezes na sala de Trelawney.

Bem, eu tive um sonho. Um sonho com Lorde Voldemort. Ele estava torturando Rabicho... O senhor sabe quem é Rabicho...

Sei — disse Dumbledore, prontamente— Por favor, continue.

Voldemort recebeu uma carta levada por uma coruja. E falou uma coisa mais ou menos assim: que o erro de Rabicho tinha sido reparado. Que ela estava de volta. Falou que alguém estava morto. Depois falou que ia atirar Rabicho para servir de comida à cobra, tinha uma cobra ao lado da poltrona dele. Falou também que em vez do Rabicho, ele ia jogar a mim. Depois lançou a Maldição Cruciatus em Rabicho, e a minha cicatriz doeu. Doeu tanto que me acordou.

Dumbledore apenas fitou Harry.

Hum, foi só isso— disse Harry.

Entendo — disse Dumbledore em voz baixa— Agora, a sua cicatriz já doeu alguma outra vez este ano, além daquela em que o acordou durante as férias de verão?

Não, eu... Como foi que o senhor soube que ela me acordou no verão? —perguntou Harry espantado.

Você não é o único que se corresponde com Sirius. Na verdade, eu tenho estado bastante com ele esses últimos tempos— disse Dumbledore- Ele é casado com minha filha, você sabe.

-Sim, sei sim. E como ela está? Eu não tenho visto Pan.

-Ela, na verdade, desapareceu. Sirius irá lhe contar quando vocês possam se encontrar de novo. Pedirei a Pan que providencie isso. Pra completar, sobre seus sonhos, acho que você escreveu a Pan, não foi?

-Não, mas eu contei a ela no começo do ano.

Dumbledore se levantou e começou a andar para cima e para baixo atrás da escrivaninha. De vez em quando, levava a varinha à têmpora, retirava mais um pensamento prateado e o acrescentava à Penseira.

Professor? — disse Harry baixinho, depois de uns minutos.

Dumbledore parou de andar e encarou Harry.

Perdão. —disse ele em voz baixa. E tornou a se sentar em sua cadeira.

Professor, o senhor sabe por que minha cicatriz dói?

O diretor fitou Harry com muita atenção por um momento, depois disse:

Eu tenho uma teoria, não é nada mais que isso... Acredito que a sua cicatriz dói quando Lorde Voldemort anda por perto ou quando tem um assomo particularmente intenso de ódio.

Mas... Por quê?

Porque você e ele estão ligados pelo feitiço que falhou. Isto não é uma cicatriz comum.

Então o senhor acha... Esse sonho... Ele realmente aconteceu?

É possível. Eu diria, provavelmente, Harry, você viu Voldemort?

Não. —respondeu Harry— Somente as costas da poltrona dele. Mas... Não haveria muita coisa que ver, haveria? Quero dizer, ele não tem corpo, tem? Mas... Mas por outro lado como é que ele poderia ter segurado a varinha? —disse Harry lentamente.

Como, não é mesmo? —murmurou o diretor— Como mesmo...

Nem Dumbledore nem Harry falaram por algum tempo. O diretor tinha o olhar perdido no outro lado da sala, de vez em quando apoiava a ponta da varinha na têmpora e acrescentava mais um pensamento de prata refulgente à massa que fervilhava na Penseira.

Professor —disse Harry finalmente— o senhor acha que ele está ficando mais forte?

Voldemort? —indagou ele, olhando para o garoto por cima da Penseira— Mais uma vez, Harry, só posso expressar suspeitas— Dumbledore suspirou outra vez e seu rosto pareceu mais velho e mais cansado que nunca— A ascensão de Voldemort ao poder — disse ele — foi marcada por desaparições. Berta Jorkins desapareceu sem deixar vestígio no lugar em que se sabe que Voldemort esteve por último. O Sr. Crouch, também, desapareceu... Aqui nos terrenos da escola. E houve uma terceira desaparição, uma que o Ministério, lamento dizer, não considera ser importante, porque diz respeito a um trouxa. O nome dele era Franco Bryce, vivia na aldeia em que o pai de Voldemort se criou, e os habitantes do lugar não o vêm desde agosto. Pan investigou esse caso e a Srta. O'brian quase morreu no processo. Como vê, leio os jornais dos trouxas, ao contrário da maioria dos meus amigos do Ministério.

E nesse momento a cena da Penseira se desfez. Pan encarou Dumbledore.

-Há mais um desaparecimento a incluir nessa sua contagem.

-Você também acha que Ninna está relacionada a tudo isso?

-Não. Mas ela desapareceu. E ela pode ter sido pega por ele, porque não? Rabicho era seu amigo nos tempos de escola.

-Diferente de Pearll, você vê sua mãe como uma potencial vitima, estou certo?

-Berta, Crouch... O velho cuja morte eu investiguei no final do verão... Nenhum deles eu consideraria como culpado. E bom, Voldemort está mais forte.

-E isso é palpável. Bom, tente ficar de olho no Harry sem que ele note muito, ok? E leve o garoto para ver seu pai antes da terceira tarefa.

-Ok. E quanto ao labirinto?

-Bom, Hope O'Brian não me parece bem, eu imaginei que você tivesse notado isso.

-Eu notei. –ela respondeu- Hope está deprimida.

-Não... –Albus murmurou- Não é apenas isso, não é apenas seu pai. Pobre moça...

-O que você acha que é?

-Eu não sei. Mas acho que devemos ficar de olho nela, para o caso dela precisar de ajuda.

Pan foi até as masmorras ver como Meredith estava. Severus dava aulas, mas usava um viratempo para poder cuidar da menina enquanto sua mãe estava ocupada. Eles precisavam organizar melhor aquilo.

-Amor? –ela perguntou quando o encontrou em seus aposentos, com Meredith adormecida sobre seu peito. Ele também começava a cochilar.

-Sim? –perguntou sibilando- Vocês conseguiram alguma coisa?

-Apenas evasivas de Fudge. Mas Harry obteve certas informações.

E depois de colocar Meredith no berço improvisado nos aposentos do pai, eles deixaram Bronn cuidando dela enquanto debatiam no escritório. Pan contou tudo que Dumbledore lhe mostrara na penseira. Severus franziu a testa.

-Então Potter sabe sobre mim?

-Sim.

-E ele ouviu o Lorde falar e segurar uma varinha, torturando Rabicho?

-Sim.

Severus respirou fundo e olhou para longe de Pan. Ele temia isso com todas suas forças, mas tudo indicava que eles não tinham muito tempo até que Voldemort voltasse. Logo precisariam definir o que fariam depois disso.

-Proteja Harry Potter. Eu ficarei de olho nos sinais. –ele disse.

-Sev... –ela sentou-se no braço da poltrona em que ele estava. Severus a encarou- Amor eu tenho um péssimo pressentimento sobre essa terceira tarefa.

-Sim. –ele suspirou- Mas nós estaremos atentos. –e segurou sua mão, levando-a aos lábios- E até lá, Potter estará pronto.