Capítulo Quadragésimo Sétimo

Meredith despertou chorando como se algo machucasse. Severus pulou do sofá onde estava adormecido profundamente e foi pegar a menina no berço. Ela estava agitada, em sua testa gotículas de suor se formavam, fazendo os finos cabelos negros grudarem na pele.

-Shhh pequena... –ele tentou de todos os modos embalar a menina, e jamais tinha visto Meredith chorar daquela forma- Bronn, onde está Sra. Snape?

-Ela foi para o labirinto com Srta. Hope, mestre. Ou algo assim.

-Demônios... –ele praguejou, sabendo que ela deveria estar realmente ocupada com aquilo.

Percebeu que ela tinha colocado um pijama nele antes de sair, mas mesmo assim, foi até o quarto com a filha e vestiu um roupão por sobre o pijama. Levou Meredith até Minerva, que estava no escritório com Dumbledore. A professora pegou a menina, que podia muito bem alarmar todo o castelo com aquele pranto desesperado.

-O que ela tem? –perguntou ansioso.

-Acalme-se, meu rapaz. –Albus se aproximou aparentemente preocupado com algo que não estava relacionado a bisneta- Bebês são assim mesmo.

-E você? O que você tem?

Foi quando a onda de fogo se ergueu sobre Hogwarts, cegando momentaneamente a todas as pessoas que estivessem próximas de uma janela naquele instante. Meredith parou de chorar, e Minerva ainda atordoada pela claridade repentina, precisou reparar que a menina agora parecia em choque.

Os instintos de Albus reagiram, Hogwarts estava reagindo, avisando de perigo, de hostilidade. Ele foi até a janela, ainda vendo círculos brilhantes piscando diante de si.

-O que foi isso? –Severus se aproximou alarmado.

-Algo deu errado no labirinto. –Albus disse, apontando na direção do incêndio que ardia ali- Fawkes?

Ele chamou uma e outra ves, mas nada aconteceu. Agora estava profundamente intrigado e saiu do escritório sem dizer mais nenhuma palavra. Era Pan. Ele sabia. Era Pan em perigo, e Eric devia estar em algum lugar ajudando-a. Severus vinha em seu encalço, apavorado o bastante para saber o que aquilo significava.

-É Pan, certo? –ele perguntou- É ela, você sabe!

-Eu temo que sim, meu rapaz... Eu temo que sim.

Hope corria escada abaixo. Vira a claridade através da janela, e em seu mapa sobre a mesa um circulo de fogo queimou toda uma zona do labirinto. Havia algo errado, ela precisava chegar até lá. Antes de atingir as portas de entrada do castelo, ela encontrou Albus e Severus, também saindo. Ambos de varinhas em punho.

-Você sabe o que houve? –Albus perguntou.

-Não... Um incêndio... Não há nada incendiário nos planos para o labirinto, diretor. Nada nessas proporções.

-A não ser Pan.

-Nem mesmo ela. –Hope disse- Nem mesmo ela produz algo assim.

Nos gramados todas as alunas de Beauxbatons acompanhavam Madame Máxime e tentavam com suas varinhas vertendo cascatas de água, apagar incêndio que queimava parte do labirinto. Karkaroff e seus alunos vinham ajudar, e quando Severus olhou para trás, os professores de Hogwarts saiam de suas janelas montados em vassouras, usando as varinhas para somar-se ao grupo e logo o incêndio parecia ter sido contido.

Ele entrou nos corredores de sebe quando ainda havia calor a sua volta. Podia ver que Hope estava bem ao seu lado, e Dumbledore vinha alguns passos mais atrás. Eles pareciam estar andando numa forte chuva que cessava aos poucos. Havia uma fonte de luz, a origem do fogo, alguns metros a diante. Uma grande quantidade de vapor nublava a visão deles, e as sebes rapidamente voltavam ao normal, como se ali jamais tivesse acontecido nada.

Quando alcançaram a grande bola de fogo, os três se retesaram. Pan estava flutuando a dois metros do chão, dentro da esfera de algo semelhante a magma, encolhida em posição fetal. Ela girava devagar dentro do fogo, nenhum vestígio de roupa cobrindo seu corpo, ninguém por perto para explicar o ocorrido. Então algo surpreendente aconteceu, e Eric surgiu sobre a bola de fogo, em forma humana, como se estivesse em agonia e enfiou as mãos no magma, como se mergulhasse ali, e lutando contra as forças daquela coisa, arrastou Pan de dentro dele. Eles caíram no chão, e o fogo se derramou em vota deles como se fosse liquido. Eric ofegava, agarrado a Pan, como se seu corpo estivesse acometido de dores, e Severus não encontrava em si forças para ficar de pé. Hope avançou alguns passos, mas logo se deteve. Albus teve mais força de vontade.

-Pan... –e ajoelhou-se no lugar onde até instantes atrás, uma poça de magma ardia- Pan...

Mas ela estava inerte, não morta, mas num profundo estado de inconsciência.

-Ela foi assassinada, Albus... –e Eric balbuciava- Ela foi assassinada...

-Ela está viva. –Albus retrucou, não querendo aceitar aquilo- Ela respira, seu coração bate...

-Tentaram matar minha criação... A pessoa que fez isso irá pagar muito caro... –e aquilo soava perigosamente caótico.

-Eric... –Albus segurou o rosto dele- Eric, me diga se Pan ficará bem.

-Ela vai acordar. Em algum momento do futuro. Oh, eu não sabia que tanto doía, meu velho amigo... Não sabia que a morte doía tanto assim.

Albus olhou para trás, e percebeu que Severus se aproximava. Ele silenciosamente ajoelhou-se ao lado deles e pegou Pan dos braços de Eric, que resistiu um pouco a principio, mas logo cedeu. Ela estava brilhando como alguém feito de pérolas, e os cabelos pareciam magma. Ela estava desmaiada, adormecida, mas tinha uma expressão serena. Ele murmurou um feitiço que a vestiu com uma de suas camisolas de seda, e a ergueu nos braços.

-Tentaram mata-la, Severus. –Albus murmurou- Ela ficará bem. Mas tentaram matar nossa garota.

-E isso dificilmente ficará impune. –ele prometeu perigosamente.

Saiu do labirinto carregando a esposa nos braços. Ignorou todas as pessoas que estavam em volta, e marchou com ela para dentro do castelo. Seu peito estava espremido como se ele estivesse se afogando em água gelada. Quando as portas de carvalho se abriram e ele viu Minerva diante dele segurando Meredith no colo, precisou de um pouco mais de determinação em não chorar. Ele não podia pensar que quase perdera Pan, não podia pensar em nada daquilo ou sucumbiria em pranto e se tornaria um ser inútil. Todos estavam lutando para resolver o assunto, e ele precisava ser o principal instrumento disso.

-Ela ficará bem? –Minerva se aproximou, Meredith muito agitada- Ficará Severus?!

-Ela vai acordar em breve. Eric garantiu. Mas tentaram mata-la Minerva. –ele encarou a velha bruxa- Alguém tentou mata-la.

Severus secou os olhos que começavam a encher-se de lágrimas de ódio e medo. Percebeu que o hall rapidamente se enchia de pessoas. A Professora Vector surgiu ordenando aos alunos que fossem para suas salas comunais. Havia um bruxo das Trevas solto em Hogwarts e eles não sabiam sequer por onde começar a buscar. Alguém poderoso o bastante para derrubar Pan, e perigoso o suficiente para usar uma Maldição Imperdoável. Severus levou Pan para as masmorras, pedindo a Minerva que ficasse ao lado dela.

-Vá, Severus. Encontre o maldito que fez isso.

Pan sentia-se entorpecida, livre de toda a dor. Seu corpo não mais tocava o chão, ele não tocava o ar. Ele inexistia. O calor, o fogo, aquele queimar mágico que curava... Havia um rosto, um homem, um impostor, uma ameaça... mas isso parecia distante. Havia o choro do seu bebê, a dor de seu criador, a angústia de seu amor... Havia muito a sua volta, e não havia nada. Ela sentiu medo. Aquele era um momento de fogo e terror, de total perca de si mesma. Pan não era mais ela, não era mais nada. Ela, apesar do que podia imaginar, sentia tudo, um universo em seu interior. A imagem da eternidade.

A imensa confusão formada depois daquele atentado foi contida aos poucos. Eric, que podia muito bem estar vestindo uma armadura de batalha, e não apenas débeis calças de algodão conjuradas as pressas por Hope, tinha em si um instinto assassino que amedrontava a quem estava em volta. Quando Moody surgiu, ele foi incumbido de rastrear o atacante, enquanto eles procuravam do modo habitual.

Hope desabou nos degraus de pedra do castelo quando o dia se anunciou no horizonte e os avanços feitos por eles tinham sido nulos. Estava exausta, não sabia o que sentir. Tinham tentado matar Pan, e ela sabia disso tão bem que já tinha realizado em sua mente que nada de ruim tinha acontecido. Pan era, sabidamente por todas aquelas pessoas que agiam como se ela estivesse morta, eterna. Entendia Severus estar tão assustado, afinal ele certamente enfrentava a ideia de perder a mulher que amava. Entendia porque Dumbledore estava tão apavorado, afinal havia um bruxo verdadeiramente poderoso, potencial assassino de sua neta, a solta. Entendia Eric estar enfurecido, já que era uma ameaça a sua criação, e ele lhe explicou que aquilo doía em seu corpo como se ele jamais pudesse ser ele novamente. Mas seu entendimento chegava até ali, e ela se recusava a ver como aquelas pessoas, que agiam como se Pan estivesse morta.

-Como foi quando você voltou a primeira vez?

-Confuso. –Eric respondeu, percebendo que já não havia o que ser feito e sentando-se ao lado de Hope- Foi numa longa batalha. Bruxos invadiam nossa aldeia. Eles mataram meu filho nesse dia, e quando eu não consegui mais lutar, fui atingido, virei uma bola de fogo e queimei por dias.

-Por isso você arrancou Pan de dentro daquilo?

-Quanto mais tempo se passasse, mais confusa ela poderia ficar. Mais tempo poderia demorar para que ela recobrasse a consciência... Eu enfrentei algum tempo em estado de coma, e mais alguns dias de confusão mental.

-Mas ela ficará bem, certo? –Hope perguntou agora mais sentimental.

-Sim. Felizmente.

Pan estava deitada no centro da cama que ela dividia com o marido. Minerva tinha arrumado seus cabelos sobre o travesseiro e coberto seu corpo com uma manta suave. Ela respirava devagar, como se estivesse em sono profundo. Meredith estava acomodada em seu berço, e finalmente dormia com a paz que lhe era devida. Severus chegou ali por volta do meio dia, e sentou-se na poltrona do quarto, observando a mulher.

Eric tinha garantido que ela acordaria em breve, e ele estava ansioso por aquilo. Minerva, que embora muito tensa, se mantinha firme como uma rocha, retirou-se afirmando que precisava descansar um pouco antes de tomar qualquer outra atitude. Ele viu a bruxa sair e aproximou-se de Pan na cama. Deitou-se ao lado dela e finalmente, depois daquelas torturantes horas de busca por um culpado que parecia ser feito de fumaça, ele chorou.

Podia tê-la perdido. Não estava perto o bastante para protegê-la, e ele sempre seria seu guardião. Havia falhado, e ela tinha sofrido com isso. Havia uma ameaça, algo que desde o inicio daquele maldito torneio tentava livrar-se dela, e ali estava ela... Viva apenas por ser quem era. Ele sentiu a mão dela tocar seu rosto e antes de conter o choro, riu.

-Amor? –a voz cristalina dela soou no ambiente e no instante seguinte ele a agarrava com toda a força.

Pan devolveu o abraço, sabia que ele estava sensível por sua culpa e não queria encarar aquilo. Aquele era seu renascimento, ela podia sentir que havia sido diferente de ser apenas queimada por Fawkes. Ela agora tinha enfrentado o poder que ele lhe concedeu, e voltou a vida como a fênix que era.

-Oh, pequena... –ele gemeu entre soluços, abraçando-a com tanta força que eles podiam muito bem fundir-se num só.

-Eu sei. Eu me perdi. –ela tentou consolá-lo- Mas você me trouxe de volta.

-Eu não fiz nada... –ele argumentou.

-Você fez. –ela o encarou, e mesmo com os terríveis olhos negros até a esclera, ver o rosto dela era reconfortante de milhares de maneiras- Você precisa de mim.

-Eu sempre precisarei. –ele jurou, as mãos dela secando seu rosto, os lábios doces dela beijando-lhe a boca.

Pan aninhou-se em seu peito e esperou que Severus se recuperasse. Ela tinha a aparência mais mística do que nunca, menos humana, menos alcançável. Mas ela ainda era a mesma Pan, cujo primeiro pensamento era para a filha, que mesmo adormecida, foi retirada de seu berço para ser aninhada nos braços da mãe.

-Eu não posso me perder num mundo que não contenha você. –ela jurou para Meredith- Eu garanto, filha. Eu juro. Eu jamais te deixarei.

Pan trocou de roupa e saiu do quarto apenas para encontrar Eric e Albus esperando no escritório com Severus. Eles a abraçaram com força, Eric finalmente parecendo-se consigo mesmo de novo. Albus era a imagem do alivio.

-Quem atacou você? –Eric perguntou, mas o rosto de Pan expressou apenas confusão- Quem?

-Eu não sei.

-Qual é a ultima coisa que você se lembra? –ele insistiu.

Pan olhou para Severus e para o sofá onde eles tinham feito amor antes dela ir se reunir com Hope na Torre. Achou que seria melhor não mencionar isso.

-Estávamos aqui. E eu ia ver Hope na Torre. Eu cheguei a ir até lá? Onde aconteceu?

-No labirinto. –Albus murmurou- Você foi atacada no labirinto.

-Quem poderia ter me atacado?

-Quem quer que tenha sido, também derrubou Alastor Moody. –Albus respondeu- Ele disse que foi estuporado na orla da floresta.

-Quem estava comigo no labirinto?

-Aparentemente ninguém. Hagrid ia encontrar você, para cuidar dos últimos arbustos errantes. Moody estava dando a volta no labirinto, para começar pelo lado sul.

-Hope tinha um mapa. Há uma copia dele em algum lugar...

-Os mapas do labirinto se incendiaram noite passada. –Albus murmurou- A srta. O'brian disse q provavelmente foi em reação ao que houve com você.

-Certamente. –ela comentou e foi sentar-se ao lado de Eric- E agora? Houve uma tentativa de assassinato aqui. Nós deveríamos estar mandando as crianças para casa.

-Eu temo que isso não será possível, Pan. –Albus pareceu bastante infeliz- Mas mesmo com todos os meus esforços em impedir, os Ministérios de Magia dos países envolvidos decidiram que o Torneio tem que prosseguir. Eles entendem que não há dano provocado.

-A terceira tarefa vai acontecer?

-Vai.

E eles nada podiam fazer para impedir. Pan precisou ir até a enfermaria, já que a dor de cabeça que sentia nublava seus sentidos. No caminho até lá, ela percebeu os comentários a seu respeito. Ninguém parecia de fato acreditar que ela tivesse morrido em algum momento.

-Tome. –Pomfrey disse, entregando-lhe um cálice- Tem certeza de que quer apenas isso? Não quer um exame completo? Você morreu...

-Não. –ela sorriu- Eu, fora ter morrido, me sinto em perfeita saúde.

-Eu estou grata que você esteja bem, Pan.

-Obrigada... –ela sorriu deixando-se abraçar.

-Todos nós sabíamos que isso iria acontecer em algum momento. Não imaginamos que seria assim, de modo...

Ela engoliu as palavras quando algo a atingiu nas costas e ela desabou sobre Pan perdendo a consciência. Pan não viu o que tinha acontecido, mas precisou deixar que Papoula desabasse no chão para poder sacar a varinha. Estava acontecendo de novo... Ela sentia, seus instintos gritavam.

-Pamela? –ela ouviu o chamado assustado de Moody- Pamela, você está bem?

-Alastor? –ela ainda atordoada, o viu parado ao lado da porta- Alguém estuporou Madame Pomfrey!

-Não há mais ninguém aqui. –ele disse olhando em volta.

Pan ofegava, com medo, olhando em volta. Seu ex-professor se aproximou dela, e levitou Pomfrey até um leito.

-Você não lembra nada, hã? –ele perguntou- Sobre ontem.

-Eu estou um pouco confusa. Mas Eric disse que deve voltar, eventualmente. Você precisa fazer alguma coisa, há alguém aqui...

-Acalme-se. Não há ninguém.

-Mas... –ela respirou fundo. Olhou para Pomfrey e imaginou o que poderia ter acontecido para ela desmaiar daquele modo.

-Eu não queria que as coisas fossem assim. –Moody murmurou- Você é uma bela moça.

-Oh, nenhum de nós queria.

-Pelo menos nós sabemos agora que você não morre.

-Sempre soubemos, creio eu. –ela sorriu, ainda alarmada e pouco confortável.

-Pomfrey ficará bem. –ele disse- Você eu já não sei.

E antes de computar a frase, Pan viu apenas um lampejo de varinha e caiu ao chão desacordada. Em seus ouvidos ecoava uma palavra: "Amortia."

Moody despertou Pomfrey e modificou sua memória. Para ela, Pan tinha apenas chegado até ali em busca de algo para sua enxaqueca e caíra desmaiada. Afirmaria que ela certamente ainda estava se recuperando do trauma acontecido. Dumbledore estudou a neta, Eric bastante incomodado ao seu lado, Minerva estranhando um pouco a situação e Severus absolutamente irritado por Pan ter deixado o quarto enquanto ele dormia, apenas para desmaiar no outro extremo do castelo.

-Recomendo que ela fique em casa, em repouso. Ela precisará de tempo para recompor-se de uma transição como esta, certo?

-Severus, acho que deveríamos leva-la para casa. –Albus comentou- Ela ficará confortável lá.

Pan dormia, mas agora, curiosamente, ela parecia mais imóvel que antes. Pálida, o brilho de sua pele e o furor dos cabelos tinha desaparecido. Ele estava preocupado, tentou acordá-la, mas foi o mesmo que falar com uma pedra. Eric apenas achava aquilo muito estranho.

-Eu a aparatarei para casa, se você quiser. Ambos. –ofereceu.

-Eu gostaria que você pudesse estar aqui na hora da Tarefa, Severus. –Albus pediu.

-Eu apenas acomodarei Pan em sua cama. –ele murmurou- Eu usarei o viratempo, já que alguém precisará cuidar de Meredith e todos estaremos ocupados essa noite.

-Eu levarei Pearll até lá. –Eric disse- Não há razão em você prolongar seu dia.

Ele concordou, e logo estava em casa, acomodando Pan na cama, sentindo-se curiosamente desalentado. Chamou Bronn e lhe ordenou que não a deixasse sair de casa caso despertasse no meio da noite. Duvidava que o pequeno elfo fosse conseguir deter Pan, mas valia a tentativa. Eric logo chegou com Pearll, que por sorte já sabia de tudo o que havia acontecido. Ela tinha um olho roxo, consequência de alguma das confusões em que se metia no trabalho.

-Eu cuido delas, Severus. –garantiu, tentando livrar-se daquela terrível marca quando se olhou no espelho- Pode ir tranquilo, deixe meu pai explorá-lo um pouquinho mais que o normal hoje.

Nada que ninguém dissesse anularia aquele sentimento ímpar de desalento que o puxava para a depressão. Beijou Meredith em seu berço, beijou Pan, vestiu um casaco e entrou na lareira. A noite caiu e ele rumou para o campo de quadribol. Sentou-se distante de todos. Seu semblante estava incontestavelmente entristecido, mas ninguém ousava dizer nada. Severus sentia que algo estava muito errado, mas não sabia exatamente o que. Observou Potter e Diggory entrarem no labirinto e esperou.

Esperou longamente.

-Ugh! -Severus curvou-se sobre o braço esquerdo, esperando que as pessoas em volta não tivessem reparado. Pode ver Karkaroff em igual situação, e o olhar trocado entre eles foi bastante elucidativo.

Neste momento, algo ruim acontecia. A Marca Negra queimava novamente como não fazia havia mais de uma década.

Era o Lorde das Trevas, ele soube.

Ele tinha retornado.

Hoje é 15 de Julho de 2014.

Três anos atrás eu assisti Severus Snape morrer pela primeira vez.