Oi, pessoal! Decidi começar essa história e já aviso que não é um relacionamento saudável. Se você acha que essa será uma fanfic que conta uma bela história de amor entre Draco e Hermione, desista. Será bastante pesada e sombria.

Ela começa a partir do 7º ano e vocês vão perceber que o 6º ano deles foi um pouco diferente.

Além disso, embora ela fale bastante sobre o amadurecimento de Draco, esta história será sobre a queda de Hermione de uma estudante certinha que descobre sobre o quanto ela gosta de sexo ao dormir com um maníaco homicida.

Provavelmente haverá cenas em que você ficará tipo: nossa, isso é realmente muito tóxico. Então, como eu sei que muitas pessoas não gostam de ler sobre esse tipo de relacionamento aqui vai o AVISO DE GATILHO!

Isenção de responsabilidade: JK Rowling é criadora de de Harry Potter.


Draco diria que as coisas mudaram para ele quando ela socou a cara dele no final do 3º ano. Mas o fato que o fez nunca mais chamá-la de sangue-ruim, foi vê-la descendo as escadas do castelo no Baile de Inverno.

Também poderia ser porque ela tinha lindos olhos cor de avelã e a melhor bunda que ele já tinha visto. Ele também diria que não achava mais o cabelo dela tão cheio como quando eram crianças.

Hermione diria que inicialmente foi por culpa dos hormônios. E, ah sim, porque Dumbledore praticamente a coagiu.


Alguns meses antes, início de outubro, 7º ano

"Você quer que eu faça o quê, senhor?" Hermione questionou, na sala diretor, absolutamente perplexa. Ela devia ter escutado mal. Não havia como ser essa a sua primeira missão para a Ordem.

Dumbledore olhou para ela criticamente e Hermione sentiu uma onda de vergonha - ela realmente não queria decepcionar um dos bruxos mais poderosos de todos os tempos. O professor Severus Snape estava atrás deles, sua expressão tão sombria e taciturna como sempre.

"Pelo que pude notar," Snape disse devagar e calmamente, "Draco parece gostar bastante de olhar para você, Srta. Granger."

Hermione bufou. Essa seria uma boa forma de expressar isso. Então ela se lembrou o porquê de ela estar ali. Realmente você está causando uma ótima impressão agindo com tanto respeito, Mione. "Ele me observa bastante, sim."

Dumbledore assentiu, seu olhar nunca a deixando, de uma forma que ela achou um pouco perturbadora, provavelmente porque eles estavam discutindo sobre como Malfoy aparentemente estava obcecado por ela já há algum tempo. "Acho que não preciso dizer a você, Srta. Granger, o quão perigoso o Sr. Malfoy se tornou no último ano."

Ela realmente sabia e, graças a Snape, toda a Ordem conhecia a história da ascensão monumental de Draco Malfoy ao ciclo interno de Voldemort.

Tudo começou quando Lucius Malfoy caiu das graças do seu Senhor depois da missão fracassada no Departamento de Mistérios. Ao que tudo indicava, Draco foi oferecido pelo pai a Voldemort como um novo servo, nitidamente um plano de contenção de danos. O que ninguém previu foi que Draco subiria na hierarquia, logo sendo considerado o pupilo de Voldemort. Seu aprendiz mais promissor. Seu protegido. E honestamente, Hermione podia ver o porquê – Malfoy se tornou implacável, cruel, e o pior de tudo, charmoso e perigosamente bonito. Ele conseguiu manter um comportamento impecável ao longo do último ano, contrariando Hermione em tudo que ela havia discutido com Harry até então.

E Harry estivera certo o tempo todo. Ela o ignorou, classificou a intuição de Harry de que Malfoy havia se tornado um Comensal da morte aos 16 anos como uma simples paranoia, enquanto ela se convencia de que, embora Malfoy fosse um valentão, ele não poderia ter se tornado um assassino.

Malfoy até conseguiu ficar ainda mais popular depois que Harry o atingiu com um feitiço desconhecido no banheiro, o que fez com que Harry conseguisse um mês de detenção com o Professor Snape. Isso ainda era um assunto não esclarecido por Harry, e nem Hermione e nem Rony sabiam muito bem o que tinha acontecido. O incidente apenas aumentou a influência social de Malfoy - como se ele precisasse de mais popularidade.

Todos em Hogwarts o odiavam, queriam ser ele ou queriam estar com ele. Não havia realmente nenhum meio-termo.

A única exceção a isso parecia ser Hermione Granger. Ela não ficava impressionada com seu físico insano ou suas habilidades de Quadribol. Ela não ria de suas piadas problemáticas, já que ela sabia serem extremamente maldosas, e não estava obcecada em provar o quão mau Draco Malfoy havia se tornado. Ela o via como ele realmente era: um sociopata perigoso. Só porque aparentemente toda Hogwarts parecia comer na palma da sua mão, isso não a deixava menos convencida. Os Comensais da Morte eram um grupo de ódio, e ele era, aparentemente, o príncipe em comando da sua vilania.

Sua indiferença para com ele deveria ser o motivo de ele estar tão intrigado com ela, dado o fato de que ele parou de xingá-la, sempre que podia, em algum momento do 4º ano. Malfoy passou a encará-la sempre que achava que não tinha ninguém observando. O que não passou desapercebido para ela e, aparentemente, nem para Snape.

"Você não precisa, professor. Estou bem ciente da ameaça que ele representa."

Dumbledore aguardou, como se suas próximas palavras precisassem de espaço para marinar em sua mente.

"Dado o interesse dele em você, e seu interesse em lutar pela Ordem, acho que você está em uma posição especialmente única para nos ajudar, Srta. Granger."

O coração de Hermione afundou. Quando Hermione recebeu uma carta de Dumbledore na semana anterior, convocando ela e Rony para se juntar à Ordem na resistência contra Voldemort, Hermione se sentiu muito honrada. É claro que ela queria lutar contra os fanáticos e, tanto como monitora-chefe, quanto como nascida trouxa, ela definitivamente era uma das pessoas com mais a perder. O movimento anti nascidos-trouxa vinha crescendo exponencialmente, graças a políticos como o próprio pai de Draco. Se Lucius Malfoy conseguisse o que queria, Hermione e pessoas como ela seriam todas colocadas em um avião e enviadas para a Antártida, para nunca mais serem vistas ou ouvidas novamente. Ela pensou que talvez o diretor a tivesse visto como uma perfeita representante da causa, já que ela estava ao lado de Harry desde os 11 anos ou que ela fosse excepcionalmente talentosa para uma aluna (uma garota pode sonhar) e acrescentaria algo à luta. Mas não - aparentemente era apenas porque um cara parecia ligeiramente obcecado por ela. Eu me pergunto: o que ele quer de Rony, então? Hermione pensou. Até onde ela sabia, Harry era o único outro aluno que Dumbledore havia abordado sobre ingressar na Ordem, por motivos óbvios.

Hermione tentou não deixar transparecer sua decepção. "Receio que ainda não entendi completamente, senhor. O que exatamente vocês desejam que eu faça?"

Dumbledore juntou os dedos e baixou o queixo para poder observá-la por cima dos óculos meia-lua, mas foi Snape quem respondeu.

"Acredito que o Sr. Malfoy deseja te recrutar. Estamos solicitando que você permita e nos reporte todas as informações que você descobrir, já que ele aparentemente não confia mais em mim."

Hermione engoliu seco. "Me recrutar? Mas por que ele iria querer recrutar alguém como eu? Sou nascida trouxa, isso não faz o menor sentido!"

"Receio que o Professor Snape não esteja falando sobre os Comensais da Morte, Srta. Granger"

Hermione congelou. Por que parecia que Dumbledore estava pedindo a ela para dormir com o idiota? Eles estavam sendo vagos de propósito? Por que as implicações éticas disso eram completamente erradas? Ela decidiu fazer uma pergunta mais fácil, de uma forma menos constrangedora: "Você quer que eu seja uma espiã?"

Dumbledore assentiu, mas foi Snape quem continuou a falar. "Sim. Agora vocês são monitores-chefes. Passam mais tempo juntos". Ele deixou isso afundar nela por um minuto.

"Eu sei que é pedir muito." Dumbledore acrescentou.

É, inferno, é! Hermione não fazia ideia de como espionar alguém! O que ela deveria fazer? Ou dizer?

"Sinto muito," disse Hermione, quase em pânico, "mas vocês sabem que eu e ele não somos próximos. Ele não conversa comigo, nem nada assim." Claro, eles se viam nas reuniões da Monitoria, considerando que as conduziam juntos, mas tudo o que realmente faziam juntos era organizar as rondas ou sentar-se em um silêncio tenso e desconfortável enquanto seus monitores conversavam.

"Eu entendo, Srta. Granger." Dumbledore disse, inclinando-se para trás. "Tentar parar os Comensais da Morte tornou-se mais imperativo do que nunca, com sua atividade passando de violenta à letal nos últimos meses. Tememos que só piore e qualquer informação que possamos reunir sobre eles seria inestimável." Oh, pelo amor de Merlin, qual é! "Além disso, seria uma maneira muito eficaz de poder ajudar Harry na luta contra Voldemort. Mas eu entendo se você sentir que é muito para lidar."

Essa foi uma maneira desnecessariamente manipuladora de colocar a questão. Sentindo-se bastante presa e inútil, Hermione percebeu que não tinha muitas opções aqui. Ela precisava ajudar seu melhor amigo a vencer essa guerra e por alguma razão, Dumbledore e Snape pensavam que ela poderia obter informações de Malfoy. Eles pensavam que ela poderia ajudar a salvar vidas. Eles pensavam que ela poderia ajudar a acabar com essa loucura de uma vez por todas, para que Harry finalmente pudesse ter uma vida. Para que Hermione, e outros como ela, pudessem se sentir seguros nestes corredores. Não, não, seguros neste mundo. Mais uma vez. Claro que ela faria qualquer coisa.

"Não, professor. Eu farei isso", disse ela com determinação. "Sempre ficamos até tarde ocupados com as funções da Monitoria, então... Tenho certeza de que poderei iniciar alguma conversa, de alguma forma." Pelo menos eu espero que sim. Eles com certeza não tinham nenhuma prática nisso. Ela havia desistido de tentar falar com ele há muito tempo, já que ele tinha um histórico péssimo de simplesmente ir embora sempre que ela começava um sermão. E quando ele fazia uma piada idiota, ela o castrava verbalmente com suas críticas espirituosas.

"Isso é maravilhoso, Srta. Granger. Em duas semanas, começaremos a realizar as reuniões. Você irá informar a mim, Severus, Minerva e Alastor de suas descobertas até então."

"Em duas semanas?" Hermione guinchou.

"Sim. E depois disso, uma vez por semana."

Uma vez por semana. Como se eu tivesse que obter informações suficientes do cara toda semana para garantir a minha permanência na Ordem? Hermione sentiu como se fosse vomitar. Ela não queria fazer papel de boba na frente da sua professora favorita e do maldito Chefe de Execução das Leis da Magia.

"Sim, professor."

"Obrigado, Srta. Granger. Boa noite."

Hermione assentiu, ficando de pé. Ela sabia quando estava sendo dispensada.


"Ela merece saber a verdade!" O Professor Snape disse assim que a porta do escritório foi fechada.

"Não vamos discutir isso de novo, Severus!" A voz do Professor Dumbledore se fez presente.

Mas Snape estava bastante irritado. "Não! Albus, é imoral mantê-la no escuro! Não dizer a ela o verdadeiro propósito disso!"

Dumbledore não se virou, mantendo-se de costas para o homem furioso atrás dele. "Eu sei, eu sei..." Ele sussurrou fracamente. "No entanto, é o que deve ser feito. Pelo bem maior."


"Ugh!" Hermione resmungou enquanto se jogava em sua poltrona favorita no Salão Comunal da Grifinória. Tudo bem, tecnicamente não era dela - não tinha o nome dela costurado no encosto nem nada - mas poderia muito bem ter tido. Ela, Harry e Rony se sentavam nesse canto da Sala Comunal desde o primeiro ano e eles não iriam mudar agora.

Harry ergueu os olhos do Xadrez de Bruxo que jogava com Rony, sentando-se na poltrona ao lado dela. "Como foi?"

"Bom," ela olhou ao redor da sala para se certificar de que ninguém poderia ouvir seus sussurros, "a Ordem não é tão legal quanto eu pensei que seria."

"O quê? Como assim?" Rony se sentou na outra poltrona, agora totalmente atento, o xadrez momentaneamente ignorado no chão.

"Eu recebi a minha primeira missão." Hermione resmungou, se afundando ainda mais na almofada em que ela estava encostada. "Dumbledore basicamente me pediu para transar com Draco Malfoy."

"O quê? " Os dois gritaram ao mesmo tempo, seus tons sussurrados completamente esquecidos.

"Shhhh!" Hermione sibilou e colocou o dedo indicador na frente da boca.

"Você só pode estar brincando!" Rony riu, então recostou-se contra seu assento, convencido de que ela estava pregando uma peça neles, enquanto Harry parecia pensativo.

"Honestamente, eu bem que gostaria." Hermione contou aos seus melhores amigos toda a conversa que havia tido com Dumbledore e Snape.

"Eu simplesmente não entendo. Por que eu?" Ela perguntou para o teto.

Enquanto Rony parecia congelado no lugar, Harry ficou olhando para ela e simplesmente não respondeu. Hermione o encarou de volta. Ela tinha visto aquele olhar no rosto dele inúmeras vezes ao longo de sua amizade. "Nunca falamos sobre isso, mas eu sei, e você também sabe, que já faz algum tempo que Malfoy anda encarando você. Eu o vejo te observando sempre que ele pensa que não estamos olhando para ele."

"Espera aí, Malfoy está interessado em Hermione? Eu achei que ele olhasse tanto para ela porque a odiasse." Rony parecia que tinha levado um balaço na cabeça.

Hermione sabia que o que Rony disse fazia muito mais sentido, que Malfoy estivesse sempre olhando para ela porque ele estava planejando sua morte, com ela sendo uma nascida trouxa e ele sendo um maldito Comensal da Morte. Isso significava que se ela soubesse o que era bom para ela, e mantivesse sua autopreservação, ela continuaria viva se permanecesse à uma certa distância. Hermione ignorou o olhar de Harry e se dirigiu a Rony.

"O que estou dizendo é, não se surpreenda se Dumbledore pedir para você perseguir Greengrass na sua missão."

Harry desviou o olhar para seu colo tentando esconder seu constrangimento, mas Rony e Hermione já sabiam de qualquer maneira. Harry só teve uma queda por uma pessoa depois de Cho Chang e essa pessoa, que Hermione só descobriu ao longo do 6º ano, era Daphne Greengrass. Hermione sabia que Harry não conseguiria evitar se apaixonar pela garota, tanto quanto não podia deixar de lutar contra Voldemort. Ela também sabia que isso trazia grande vergonha para Harry, provavelmente porque essas duas coisas se tornaram intrinsecamente ligadas neste ponto. Ele não conseguia pensar em seu lado da guerra sem pensar por quem especificamente seu coração batia. Uma possível Comensal da Morte. Se Harry pudesse desligar sua atração por Daphne, ele o faria em um instante. Daphne não tinha sido tão ruim nos primeiros anos... E essa era mais uma razão pela qual Hermione culpava Malfoy. Ele, Daphne Greengrass e Blaise Zabini tornaram-se melhores amigos ao longo dos anos e com o tempo, Malfoy levou os dois para um caminho muito mais sombrio. É claro que quando Greengrass e Zabini acompanharam Malfoy na encosta íngreme para o inferno, já era tarde demais para o pobre Harry e sua paixão bem desenvolvida.

As coisas só se agravaram no final do 6º ano. Theodore Nott, que era ex-namorado de Daphne na época, ouviu Hermione e Rony zombando de Harry na Biblioteca por olhar demais para a loira. Isso deixou Nott com ciúmes e ele resolveu contar isso para toda a Sonserina, achando que Harry seria ridicularizado.

No entanto, o tiro saiu espetacularmente pela culatra, pois ninguém da Sonserina acreditou nele. No dia seguinte, Daphne Greengrass, uma garota notoriamente orgulhosa e popularmente conhecida em Hogwarts como "Rainha de Gelo", encurralou Harry em um corredor deserto e o beijou para nunca mais falar com ele. Harry não contou a Rony e Hermione nenhum dos detalhes do que Daphne disse a ele depois do beijo, mas Hermione sabia que se Harry era um caso perdido antes, ele estava ainda mais perdido agora.

E ele se odiava por isso. Daphne representava tudo o que Harry e Hermione odiavam na sociedade: rica, arrogante e fanática. Afinal, Rony era pobre, humilde e sua família era uma pária na sociedade.

Rony foi o primeiro amor de Hermione. Mas tudo era bem infantil naquela época. Ela simplesmente não conseguia parar de olhar para as sardas dele. Porém, aos 12 anos, o pensamento de fantasiar beijar alguém ainda era nojento.

Tempos depois, isso se provou ser nada nojento quando ela realmente beijou Victor Krum aos 15 anos, mas foi somente com Fred Weasley que ela teve a sua primeira vez. Foi no 5º ano e eles já estavam em um relacionamento há cerca de seis meses, mas Hermione ficou bastante... desapontada. Ela realmente gostava de Fred e ela sabia que ele se importava com ela também, mas o sexo deles tinha sido tedioso, senão totalmente chato. Hermione geralmente acabava deitada ali, imaginando se deveria estar fazendo outra coisa, ou sentindo outra coisa, mas Fred parecia mais do que emocionado, então ela atribuiu isso à possibilidade de que o sexo realmente não deveria ser bom para as mulheres. Afinal, era assim que todos os programas de televisão e as revistas trouxas que ela lia nas férias faziam parecer: Como agradar o seu homem, 100 maneiras de fazê-lo gozar ou Como ser uma boa dona de casa.

Hermione sabia que já era muito melhor do que nos anos 80. Havia bastante diferença no que uma década poderia fazer, mas vamos lá! Tinha que haver mais para ela por aí... não é?

Então, quando Fred se ofereceu para esperar por ela até que ela se formasse, Hermione recusou educadamente, alegando que não queria 'retê-lo'. Verdade seja dita, ela agora estava morrendo de curiosidade para saber se todo sexo era assim, e nas férias antes do 6º ano, quando ela viajou pra França com seus pais, ela decidiu explorar esse lado. Mas foi pior. Muito pior. Havia caras que nem olhavam para ela enquanto transavam, como se a satisfação dela não tivesse absolutamente nenhum papel na ação, e caras que pareciam pensar que era uma corrida, batendo nela o mais rápido possível. Também parecia haver uma correlação direta entre o quão ruim um cara era entre os lençóis e o quão mal ele a trataria depois. Córmac McLaggen, seu pior sexo até agora, a viu no dia seguinte da Festa de Natal do Club do Slug e correu dela pelo castelo, como se o pau dele a tivesse feito se apaixonar e ela pudesse simplesmente encurralá-lo e implorar para que ele a namorasse. Hermione riu: ela preferia ter um encontro com a Lula Gigante do que dar a Córmac outra chance de qualquer coisa.

Então sim. Hermione não estava muito impressionada com sexo. E ela discordou veementemente quando Rony tentou afirmar que 'Sexo ruim ainda era melhor do que sexo nenhum', por que não, não era. Era fácil para Rony dizer já que no ano anterior ele havia começado a namorar Lilá Brown e os dois viviam se esgueirando pelo castelo para transar como coelhos.

"Se Dumbledore soubesse que Harry gosta-" Rony se interrompeu antes de tentar novamente. "Se Dumbledore me pedisse para segui-la, eu provavelmente teria que desistir."

Harry ergueu as sobrancelhas. Rony normalmente não gostava de dramas. "Você nunca faria isso comigo, cara."

"Você está certo, eu jamais faria." Rony deu a eles um sorriso tímido. "Mas agora estou curioso para saber o que ele quer de você, Mione."

Harry se espreguiçou. "Então, o que você vai fazer sobre o Malfoy?"

O humor de Hermione desmoronou instantaneamente. "Eu não tenho ideia. O mero pensamento de tentar ganhar a confiança dele é exaustivo. E mesmo se eu tentasse a rota da sedução, o que eu não vou fazer, porque eu nem sei como se faz isso-" ela lançou a Rony um olhar furioso que transformou sua risada em uma tosse muito mal camuflada, "não vejo como isso funcionaria. Ele não tem absolutamente nenhum respeito pelas mulheres que ele se relaciona."

Ela já tinha encontrado bruxas mais do que suficientes chorando no banheiro, depois de serem deixadas de lado sem nenhuma cerimônia por Malfoy, quando ele terminou com elas. Não. Dane-se esse cara. "Tudo o que eu sei, é que tenho que descobrir logo. Dumbledore quer meu primeiro relatório em duas semanas"

Os dois não tiveram mais nada a dizer para ela depois disso.


No dia seguinte, no café da manhã, Hermione se pegou deslizando seu olhar à esquerda do rosto de Harry, sentado bem em frente a ela na mesa da Grifinória, de costas para Malfoy e sua gangue de amigos na mesa da Sonserina. Como diabos eu deveria arrancar segredos dele? Ela nem sabia como iniciar qualquer tipo de conversa, muito menos uma que fosse do tipo: 'Ei, planejando algum ataque que eu possa evitar?'

Enquanto estava imersa nos próprios pensamentos, ela de repente percebeu que Malfoy olhou para ela. Na verdade, flagrou Hermione no meio do que provavelmente parecia uma bela secada. Isso certamente explicaria por que sua expressão mudou de curiosa para irritantemente presunçosa segundos depois, seus lábios se inclinando em um sorriso torto. Ela geralmente tentava evitar olhar para os lábios dele a todo custo - eles eram carnudos e pareciam terem sido feitos inteiramente para beijar, e ela simplesmente não queria se permitir ter que chegar nesse ponto. Ela não se preocupava com os atributos que tornavam Malfoy tão atraente - cabelos muito loiros e lábios carnudos, ombros largos e braços que, com certeza, pareciam ser capazes de realmente segurar uma garota enquanto o resto dele a cobriria totalmente. Por sorte, Hermione sempre teve muito orgulho de seu autocontrole. Só porque ela sabia que aquelas partes do corpo dele existiam, não significava que ela tinha que admirá-las. Ele não merecia o desejo dela. Ela desviou os olhos dele completamente, esperançosamente antes que ele achasse que ela tinha algum tipo de interesse por ele.

"Droga!" Hermione sussurrou.

Rony ergueu os olhos do suco de abóbora, interrogativamente. "Nada." Ela respondeu antes que eles pudessem perguntar. "Malfoy pode ter acabado de me pegar olhando na direção dele, só isso."

Harry ergueu as sobrancelhas, mas, graças a Merlin por amigos espertos, eles não se viraram para conferir por si mesmos. Hermione agora esperava veementemente que Malfoy não pudesse ler os lábios dela, porque ela tinha certeza de que ainda podia sentir o olhar dele queimando em sua pele.

"Precisamos trocar de parceiros." A voz profunda e agradável que ela poderia reconhecer a contragosto em qualquer lugar, quase a fez cortar as próprias pontas dos dedos quando Hermione o ouviu em Poções. Por um momento de parar o coração, Hermione se perguntou se tinha alucinado sua aparição repentina, tão envolvida ela estava em suas preocupações sobre como iniciar o contato com ele para sua missão. Mas então, ela percebeu que era muito pior - Malfoy estava realmente lá, dizendo ao seu parceiro de Poções, Harry, para dar o fora.

Os instintos assumiram e ela esqueceu completamente de sua missão. "Harry é o meu parceiro, fique com o seu."

"Eu tentei, Granger. Veja, o meu e o de Daphne, misteriosamente, acabaram na ala hospitalar." Hermione se recusou a olhar para ele e continuou cortando seus ingredientes, fazendo uma careta para sua faca. Ele só podia estar brincando. "Então nós dois vamos precisar de novos."

"Por que vocês não podem simplesmente trabalhar um com o outro?" Harry disparou ao seu lado, enquanto Rony, que dividia a mesa ao lado com Simas Finnigan, escolheu, incrivelmente, ficar de fora da discussão.

"Porque, Cicatriz, " Ele pronunciou para Harry com um pequeno silvo que a desafiou e a fez erguer os olhos de seus ingredientes para ele, "tivemos o incidente da Grande Explosão do Caldeirão de 1993. Não me diga que você esqueceu."

Ah sim. Ela supôs que era verdade. A última vez que Malfoy e Daphne estiveram juntos em Poções, eles explodiram o caldeirão com tanta força que metade da classe precisou ir para a ala hospitalar com queimaduras de primeiro grau, inclusive Harry. Madame Pomfrey não ficou nada satisfeita. Eles alegaram que foi um acidente, mas considerando o que ela descobriu sobre a dupla nos anos seguintes, ela não tinha tanta certeza. De qualquer forma, eles foram impedidos de fabricar poções juntos desde então.

Hermione não se mexeu. "Isso soa como um problema seu, Malfoy." Por mais atraente que ele tenha feito o nome dela soar, Hermione fez o oposto com o dele, como se fosse uma combinação de fezes e chiclete que ela encontrou na sola do sapato e que preferia simplesmente se livrar da coisa toda tacando fogo do que tentando lavá-la.

Harry ficou olhando para eles durante um tempo e de repente disse "Está tudo bem, Mione, eu vou", enquanto organizava a mochila, se movendo para o fundo da sala. Hermione tentou fazê-lo se virar com sua mente para que ele pudesse testemunhar o olhar traído que ela estava lançando em suas costas, mas ele não a olhou nenhuma vez.

"Ele aceitou bem rápido, né Mione?" Malfoy declarou enquanto se sentava no banquinho de Harry, as pernas bem abertas.

Hermione cerrou os dentes por várias razões, a principal delas sendo que ela tinha certeza que Malfoy, sendo melhor amigo de Daphne, sabia que Harry gostava dela. Malfoy nunca fez nenhuma menção direta a isso, e ela também sabia que seu melhor amigo era apaixonado por Daphne, mas ainda assim isso a irritava. A maioria das pessoas achava que Harry e Hermione eram um casal - algo que nenhum deles se importava, pois significava que eles seriam deixados em paz, a menos quando eles próprios procuravam por atenção - o que acontecia com bastante frequência.

"Me chamar de Mione é um privilégio dele como meu melhor amigo. Você não pode me chamar assim." Ela cortou o ingrediente com tanta força que a faca ficou presa na tábua de madeira e ela lutou para arrancá-la de volta. "Melhor ainda, não me chame de nada. Nem mesmo fale comigo." Ela estava certa: Dumbledore estava maluco e seu plano nunca funcionaria. Ela não podia fazer isso, havia muita tensão. Eles eram opostos completos em quase todos os aspectos - especialmente naqueles que realmente importavam.

"Ok, Granger." Ele falou lentamente, colocando a mão sobre a dela na faca, fazendo Hermione pular para trás com o toque inesperado, "Que tal eu cortar, hein?"

Mas Hermione não respondeu, ainda muito chocada com a eletricidade que sentiu na pele dela. Ela não podia acreditar que ele apenas se atreveu a tocá-la assim. De onde diabos veio essa liberdade repentina? Como ele teve coragem? Mas ele não deu mais atenção a ela, cortando os ingredientes nas proporções de que precisavam. Ela observou suas mãos por alguns segundos antes de ser capaz de rosnar para ele. "Não me toque de novo."

Ele bufou, mas não olhou para ela.

Ela engoliu seu desconforto e continuou com sua poção, concentrando-se em cozinhá-la corretamente, em vez de se concentrar em seus pensamentos. Para seu alívio, Malfoy não iniciou suas habituais brincadeiras odiosas e o Veritaserum parecia tão perfeitamente claro quanto deveria estar no final da aula. Enquanto ela engarrafava um frasco para entregar a Slughorn, ela viu Malfoy fazendo o mesmo, exceto que ele colocou o frasco no bolso das vestes com uma piscadela em sua direção. "Obrigado pela poção excelente, Granger. Mesma hora na próxima aula, certo?"

Hermione se irritou enquanto ele caminhava arrogantemente de volta para seus amigos, sentindo-se completamente usada. Todo mundo sabia que ela era a melhor pocionista da classe depois dele... E ela simplesmente entregou a ele o soro da verdade mais poderoso do planeta em uma bandeja de prata. Ela estremeceu ao pensar no que ele planejara; ela sentia pena do pobre ser que seria forçado a ingeri-lo. Então, novamente... O olhar de Hermione caiu em seu caldeirão. Eu preparei. Se alguém deveria se beneficiar disso, deveria ser eu, certo? Hermione se repreendeu antes de desaparecer com o resto do Veritaserum. Não. Eu sou melhor do que usar as táticas de Comensais da Morte. Mesmo que seja para detê-los.

Hermione enfiou a mão na bolsa para pegar um novo e pequeno caderno azul que ela decidiu usar para as descobertas sobre Malfoy. Ela anotou um ponto: 'Poções para uso pessoal — Veritaserum.' Instantaneamente, Hermione se sentiu um pouco melhor. Talvez ela não fosse um desastre completo nisso. Ela só tinha que começar a prestar um pouco mais de atenção aos detalhes.


E então, gostaram?