Ela sorriu enquanto foi despertando.

Como sempre fazia esticou o braço se virando na enorme cama e encontrou apenas um espaço vazio e frio, assim como ficou seu coração.

Abriu seus olhos, limpando ao redor deles. Sentindo um aperto enorme no peito, em seu coração, ao se lembrar de que acordava sozinha naquela cama há mais de cinco anos.

Cinco anos.

Não era uma briguinha boba de casal no qual o marido ia dormir no sofá, não era por que ele estava viajando, não era porque estava divorciada e não era porque ele estava morto. Era quase isso.

Pegou o travesseiro dele e o abraçou com força, infelizmente seu cheiro nele havia ido embora há muito tempo. Mas quando ela o abraçava sentia que ele a abraçava de volta, envolvendo seus grandes braços ao redor dela e puxando-a para ele, como sempre fazia, murmurando o quanto a amava ou o quanto ela era linda beijando sua testa ou seus lábios.

Uma lagrima solitária rolou pelo seu rosto e ela a limpou com sua mão esquerda olhando sua aliança de casamento que não saiu de seu dedo durante todo esse tempo.

O alarme soou ao seu lado e ela suspirou desligando-o. Tomou um banho demorado relembrando os dois ali banhando juntos, brincando e se amando. Lavou seus cabelos, escovou os dentes. No closet tentou não olhar para a parte esquerda dele, tentando não se lembrar do dono das roupas e objetos que estavam ali, mas era impossível não se lembrar dele a cada momento que passava. Não havia permitido nada sair dali, porque ela sabia que um dia ele voltaria para ela e quando voltasse queria que ele soubesse que ela sempre esteve ali esperando por ele.

Pensar nele era o que mais fazia desde que o conheceu.

Vestiu uma calça jeans confortável, sandália rasteirinha e uma blusa regata branca simples.

Olhou para o lado esquerdo. Lembrando-se como ele brincava com ela enquanto eles se vestiam, de quantas vezes ele a tomou ali mesmo.

Controlou a vontade que sentia de chorar e caminhou lentamente até a porta que estava fechada, abriu-a. Olhou as roupas que estavam lá, passando a mão nas camisas que estavam no cabide, escolheu uma xadrez de botão e a vestiu deixando aberta a manga era curta, mas nela batia quase no seu cotovelo.

Encarou seu reflexo no espelho.

Sentia-se a mesma de sempre, apenas com uma exceção. Não sentia mais a felicidade que sentia antes. Seus olhos de um tom de chocolate não brilhavam mais tanto quanto antes, seu rosto que antes vivia com um sorriso grande agora só saiam sorrisos pela sua única razão de ainda está de pé, ali, acreditando.

Pegou um pente penteando seus cabelos, se lembrando de quando o conheceu.

Flashback I

Seu nome era Isabella Swan, tinha 22 anos e havia acabado de se formar em administração na Universidade de Harvard. Desde pequena havia combinado com sua amiga Alice Brandon de que elas montariam uma loja assim que se formasse, por isso com 15 anos abriram uma conta e depositaram sempre economias, conseguido assim juntar uma boa grana para começarem a preparar seu sonho. Planejamento era tudo. Elas podiam ter pouca idade, mas já sabiam o que queriam em sua vida.

Elas haviam alugado um apartamento e moravam juntas.

Tudo começou com um fósforo.

Do vizinho, que foi acender seu cigarro.

Bella estava no quarto dormindo, uma simples pequena ponta que pegava fogo foi o bastante para pegar numa cortina do vizinho e o fogo se espalhar, até chegar ao seu apartamento repleto de livros, papeis, material que pega fogo fácil.

Bella acordou tossindo com a fumaça, estava suada e já sentindo o ambiente quente, seus olhos ardiam, ela não conseguia enxergar nada e nem respirar, seus pulmões doíam.

Tentando tampar sua boca com o travesseiro se aproximou da porta desesperada, mas antes que pudesse tocar ouviu um estrondo forte e barulho de um vidro sendo quebrado, uma sombra apareceu em sua frente e a ultima coisa que ela se lembrou antes de desmaiar foi dois olhos verdes a encarando através de um óculos que o bombeiro usava.

Os olhos que a encantaram, olhos que fizeram ela se apaixonar perdidamente.

O nome do bombeiro era Edward Cullen, tinha seus vinte e cinco anos, alto, esguio, com cabelos cor de cobre e incríveis olhos verdes brilhantes.

Não foi amor à primeira vista, se você não acredita nisso, mas ele sentiu um enorme desespero ao ver a linda mulher desconhecida desmaiar em sua frente.

Saiu com ela pela janela, segurando a em seus braços, descendo por aqueles carros de bombeiro que tem uma escada.

Colocou-a na maca da ambulância, ela acordou tossindo, seus pulmões implorando por ar puro.

— Calma. A senhorita já está à salva — ele disse a confortando.

Seus olhos se encontraram mais uma vez e ambos sentiram uma enorme atração um pelo o outro.

Edward foi chamado e ele teve que ir, mas antes de ir, fez um singelo carinho com as costas de sua mão que estava com uma luva grossa. E saiu com uma promessa muda de voltar para ver como ela estaria.

Não foi tão fácil assim.

Tudo que ele havia conseguido dela foi seu nome na ficha de vitimas do incêndio Isabella Swan. Quando ele foi procura-la, ela já havia sido levada para o hospital.

Mas o destino parecia conspirar contra eles e quando se reencontraram por acaso do destino em uma rua movimentada um mês depois do salvamento nunca mais se separaram.

Primeiro nasceu uma linda amizade, mas era claro que ambos queriam mais que isso conversaram e resolveram se conhecer como um casal, tiveram alguns encontros antes de tudo se tornar oficial.

Três anos depois se casaram, com um pouco mais de um ano de casamento ela engravidou, a felicidade dos dois era imensa...

Bella, como gostava de ser chamada não achava difícil ser casada com um bombeiro, ele até aquele momento nunca havia sofrido um dano sério. Apesar de algumas noites ficar acordada preocupada, mas ele sempre voltava para ela. Era sua promessa.

Até aquela noite cinco anos atrás que mudou tudo.

E ele não voltou.

Fim de Flashback I

Bella entrou no quarto de seu filho sem fazer barulho, avistou-o na cama que era em formato de uma nave espacial, apenas um tufo de cabelos castanhos fora de um lençol do Toy Store cobrindo um pequeno corpo.

O nome de seu pequeno garoto era Edward Benjamim Swan Cullen.

Havia nascido meses depois de tudo acontecer, ele era a força da mãe, para não desistir e sempre acreditar. Que ele iria voltar para ela. Para eles.

Enquanto se aproximava de seu pequeno homenzinho não pode deixar de se lembrar de um dos últimos momentos felizes que teve.

Flashback II

Eles saíram do consultório médico, abraçados e esbanjando felicidade. Edward era o mais animado e faltava quicar enquanto andava.

— Um menino, consegue acreditar? — Ele disse animado, mais uma vez, sorrindo. Edward vestia seu uniforme do bombeiro, uma calça azul marinho e uma blusa vermelha com seu nome e sua mulher, Bella, um vestido solto na barriga que já tinha um volume arredondado.

Uma mão dele estava espalmada na barriga dela e a outra segurava em sua mão.

Ela sorriu mais calma. Havia chorado que só quando a médica disse e ouvindo os batimentos cardíacos de seu bebê, ela estava com seus quatro meses de gestação e Edward era o pai mais babão e preocupado do mundo, sem nem a criança nascer, não queria nem imaginar como seria quando ele nascesse.

— Pensei que você estivesse doido por uma menininha — Ela disse sorrindo.

— E estou, mas é um menino — ele repetiu e possível seu sorriso aumentando ainda mais, ela tinha a impressão que o ouviria dizer aquilo muitas vezes ainda — Ele vai me ajudar a cuidar de você e cuidar de suas irmãs mais novas que virão, vou poder ensina-lo a jogar bola, empinar pipa... Tantas coisas — disse animado e beijou os lábios de Bella delicadamente — Obrigado minha princesa. Obrigado — disse e não precisava falar mais nada.

Edward a levou para loja, mesmo contra sua vontade, já que ele queria que ela ficasse em casa sem fazer nenhum esforço. Mas Bella teimosa como era não conseguia ficar quieta.

Mais tarde naquele dia, Bella estava dormindo no sofá acordou quando ouviu a porta de sua casa sendo aberta e barulhos de chave. A televisão estava ligada e iluminava a sala escura.

— Edward? — Ela o chamou.

— Baby, já disse que não precisa me esperar — ele disse indo até ela, depois de trancar a porta.

— Eu não gosto de dormir na nossa cama sem você — ela disse apenas — Como foi hoje?

— Tranquilo, só teve uma chamada e eu fiquei dentro do caminhão — ele disse sabendo que ela ficaria feliz por isso, mesmo que significasse que no próximo ele atuaria.

— Nós sentimos sua falta — ela disse acariciando sua barriga elevada.

— Não mais que eu senti a de vocês — ele disse beijando levemente os lábios dela e depois plantou um beijou em sua barriga.

— Oi filhão — ele disse olhando sua barriga — Vamos colocar a mamãe na cama — disse pegando-a nos braços e subindo com ela pela escada. Bella foi de bom grado, enlaçando suas mãos na nuca dele e acariciando seu cabelo que estavam úmidos de um banho recente.

Ele entrou no quarto e a colocou sentada delicadamente na cama.

— Você está sentindo algo? — Ele perguntou preocupado.

— Só sua falta — ela disse manhosa abraçando ele que sorriu.

— Já estou aqui, meu amor — disse beijando sua testa, deitando com ela na cama. Levou uma mão a sua barriga sorrindo ao sentir um chute.

— Os caras não pararam de encher meu saco, porque eu não parei um minuto de sorrir e de falar que teria um menino — ele confessou baixinho.

Bella riu.

— Alice ficou decepcionada porque ela já tinha o guarda roupa da nossa suposta filha montado com peças exclusivas até seus 15 anos.

Ele riu.

— Vamos ter que tomar cuidado quando tivermos uma — ele sorriu.

— Sim, mas por enquanto vamos só pensar nesse garotão aqui — disse colocando sua mão na dele.

— Como vamos chama-lo? — Ele perguntou.

— Como você quer chama-lo? —Ela perguntou cheirando o pescoço dele.

— Benjamim — ele admitiu — Era o nome do meu melhor amigo quando entrei na academia, ele morreu combatendo um incêndio — ele disse com tristeza. Bella se lembrava dele já ter contado essa história a ela, eles eram amigos de infância e resolveram ser bombeiros juntos, durou um ano até que Benjamim morreu, isso foi meses antes deles se conhecerem e de certa forma Bella havia ajudado Edward a superar a perda do amigo, irmão que ele ainda sentia.

— Benjamim, nosso pequeno Ben — Ela sorriu, gostando do nome.

— Eu te amo tanto, meu amor — ele disse se inclinando e beijando a boca dela com desejo, suas mãos acariciando seu corpo.

Bella gemeu sentindo a excitação percorrer seu corpo conforme os lábios de Edward migraram para seu pescoço e sua mão apertava a coxa dela suavemente.

Fim do Flashback II

Aquela foi a ultima vez que eles fizeram amor.


Notas da Autora:

O que acharam? Continuo?

Comentem por favor