— Mamãe? — o menino disse fracamente e tossindo.

— Ben, você está bem? — perguntou preocupada medindo, imediatamente sua temperatura, mas sua pele parecia normal.

— Não... — ele disse com a voz manhosa que sempre fazia quando tava doente.

— O que você tem meu amor? — ela disse sentindo uma dor no coração por vê-lo assim.

— Dói mamãe — ele disse sem abrir seus olhos — Acho que não vou poder ir para a escola.

Bella passou suas mãos no rosto dele, pelas pintinhas, quase chorando ao imaginar se seu filho estava com alguma doença grave.

Respirou fundo controlando sua vontade de sorrir ou dar uns tapas nele ao perceber que uma pintinha borrou na hora que ela passou a mão, olhou ao redor e encontrou a arma do crime.

A canetinha vermelha em cima da mesinha que tinha em seu quarto, onde ele geralmente fazia suas tarefas de casa.

— Meu Deus, Benjamim isso é muito grave — disse fingindo horror — Vou ter que preparar um remédio da vovó Marie para você — disse, dando o golpe fatal.

— Remédio? — Ele disse abrindo seus olhos assustado. Ela sentiu seu coração se apertar como sempre ao olhar seus olhos verdes brilhantes como o do pai.

— Sim, querido. Eu sei que você não gosta, mas é para você ficar bom. Vou preparar para você — disse se levantando depois de dar um beijo em sua testa.

— Ér... Mamãe — ele a chamou rapidamente — Eu já estou melhor olha — falou se levantando da cama e ficando o pé, o menino odiava dormir de roupa, assim como o pai e tudo que ele vestia era uma cueca boxer infantil do Capitão América.

Bella respirou fundo.

— Porque você está mentindo para mim? —Disse pegando a canetinha e mostrando para ele.

Ben sentou na cama ficando triste.

— Eu não quero ir para escola hoje — ele disse cabisbaixo.

Bella suspirou sentando na cama colocando-o sentado no seu colo.

— O que aconteceu meu amor? — ela perguntou amorosamente acariciando seus cabelos macios.

O menininho hesitou, sabendo que a mãe brigaria por ele não ter contado antes.

— Hoje é dia de levar o pai para eles falarem da profissão dele para a gente, eu queria levar o meu — ele disse baixinho.

— Porque você não me contou antes, bebê? Nós podíamos ter chamado o vovô.

— Eu não quero o vovô, quero meu papai — ele disse chorando.

Bella sentiu seus olhos ficarem úmido e seu coração se apertar.

— Tenho certeza que seu tio Jasper vai querer ir... — Ela começou.

— Não mamãe, todos vão levar seus papais, eu queria levar o meu — insistiu ele.

— Você sabe que seu pai não pode ser, se ele pudesse tenho certeza que ele iria, meu amor — ela disse o abraçando e chorando junto com ele — Eu posso ir e...

O menino apenas balançou a cabeça. Bella também já havia ido na semana passada que foi o dia das mães irem, ela deveria ter imaginado que teria os dos pais também.

Ficaram alguns minutos abraçados e fungando.

Bella respirou fundo.

— Ei, vamos parar com isso, ok? Que tal nós sairmos hoje? — Ela disse querendo anima-lo — Nós podemos ir assistir aquele filme que você estava doido para assistir.

— Nós podemos ver o papai depois? — Ele pediu limpando suas lágrimas do rosto vermelho.

— Claro que sim, meu amor. Agora porque você não vai tomar um banho e tirar essas pintinhas da cara hein? — Ela disse bagunçando seus cabelos — E nunca mais faça isso com sua mãe você me assustou por um momento — ela falou.

— Sim mamãe, desculpa — ele disse sorrindo e deu um beijo em sua bochecha, tirou sua cueca correndo para o banheiro mostrando sua bundinha branca para a mãe que bateu nela brincando com ele.

Bella catou sua roupa do chão, se lembrando de como tudo aconteceu.

Flashback III

Ela estava na loja quando tudo aconteceu.

Já era tarde e revisava uma encomenda para fazer com uma loja de tecidos, Alice estava arrumando outros figurinos para colocar no manequim. As costas dela doíam um pouco e ela não via a hora de ir para casa e encontrar seu marido, ele com certeza faria aquela massagem gostosa em suas costas como ele sempre fazia.

O telefone tocou.

Bella sentiu sua pele se arrepiar e uma sensação estranha no seu peito. Ela havia passado a tarde inteira com uma sensação ruim no peito e agora ao ouvir o telefone tocando parece que só se intensificou.

Alice que estava mais próxima pegou o telefone o atendendo.

— Olá Carlisle — Alice disse sorridente.

Bella desconfiou que tinha algo errado. Carlisle, seu sogro, nunca ligou ali, no telefone da loja.

— O que? — Alice quase gritou, arregalando seus olhos cor de mel.

O coração de Bella se apertou.

E naquele momento deixou de bater igual ao que batia antes.

Fim de flashback III

Bella sorria para o filho que brincava na brinquedoteca do shopping, ela estava apoiada na grade e apenas o observava brincar e interagir com outras crianças que estavam ali, eles almoçaram no McDonalds e depois assistiram ao filme que Ben tanto queria assistir. Bella mas prestou atenção no filho do que no filme sorrindo, ouvindo as exclamações dele quando tinha alguma luta de ação ou um efeito 3D, o filme era do Capitão América, o personagem favorito de Ben.

— E agora, o que vamos fazer? — Ela perguntou enquanto saiam do cinema de mãos dadas.

Bella olhou relógio era duas horas da tarde e até agora não havia visto seu marido. Precisava fazer isso. Sempre depois que deixava Ben na escola ela ia visitar Edward, depois ia para loja, pegava Ben, almoçavam e depois o levava para visitar o pai, quando ele não ia jogar futebol com o filho do seu visinho Garrett.

— Você quer visitar seu pai? — Ela perguntou se agachando e ficando de sua altura.

— Quero — ele disse dando um sorriso torto. Bella o abraçou. Tão parecido com o pai.

Eles passaram em uma floricultura e Ben escolheu um buque de flores roxas.

Bella sorriu para o filho, chorando de dor e saudade por dentro.

Ela estacionou o carro e saiu dele, ajudando Ben a sair do banco de trás ajeitou o buquê em seus braços, não estranhando ele está tão calado e quieto, ele sempre ficava assim quando chegava ao local.

A enfermeira que sempre ficava ali recepcionando os visitantes já conhecia Bella de tanto que ela ia ali, sorriu compassivamente e deu sua etiqueta de visitante.

Bella andou com Ben ao seu lado fazendo o caminho que conhecia há cinco anos atrás e que o fazia todos os dias no mínimo duas vezes.

A porta do quarto estava fechada e Bella engoliu um nó na garganta sentindo seus olhos úmidos enquanto abria a lentamente.

Seu coração doeu como sempre, ao avistar o corpo dele na cama do hospital.

Aproximou-se lentamente, ele estava deitado na cama, ligado a alguns aparelhos, sondas intravenosa, o bip, bip era o único som que tinha no quarto.

Bella parou olhando seu marido que estava há cinco anos em coma profundo.

Flashback IV

No dia seguinte ao que haviam descoberto sexo de seu bebe. Edward estava no quartel quando receberam uma chamada de que um depósito abandonado estava pegando fogo.

Edward foi um dos que entrou no deposito, pois tinha alguns moradores de rua que moravam lá dentro, tentando salva-los.

Ele encontrou um deles e como todo bombeiro colocou sua vida em segundo lugar. Tirou sua mascara e deu para o homem que não conseguia respirar. E eles ficaram andando atrás de uma saída revezando a mascara.

Foi quando começaram a ver a saída, que uma madeira podre se soltou e Edward correu puxando a vitima. Não olhou direito para o piso e pisou em falso ficando preso no chão, até a altura do joelho. Só que eles não sabiam que ainda havia um andar subterrâneo e um buraco se abriu fazendo com que o corpo de Edward caísse com força no chão, batendo forte a cabeça.

Fraturou duas colunas, quebrou sua perna, teve uma perfuração no pulmão, queimaduras de segundo grau e traumatismo craniano grave.

Os bombeiros, seus irmãos, depois que acabaram de apagar o incêndio correram para socorrê-lo.

O mendigo saiu sem nenhuma lesão grave.

Apenas algumas queimaduras.

Edward foi levado às pressas ao hospital.

Passou por cirurgias, teve hemorragias e ficou em coma induzido.

Bella no começo estava desesperada, mas tentava se manter calma enquanto pensava no seu bebê.

Foi difícil, muito.

O médico Jacob Black disse que a chance dele se recuperar era muito pouca. Sobreviver, menor ainda.

Porém, Bella tinha esperanças que Edward acordasse do como induzido, mas depois que parou de dar os medicamentos ele não acordou. E foi assim dias após dia, ano após ano.

Bella fazia tudo mecanicamente, se alimentava sem sentir fome apenas porque seu bebê precisava disso e que seus familiares assistiam.

Ela teve a ideia de filmar todas as consultas, o parto principalmente e todos os momentos importantes para que Edward visse tudo quando acordasse. Isso dava força a ela e a confortava como se ele estivesse lá com ela ao seu lado.

Por que era isso que a mantinha viva.

A fé. A esperança que nunca morre.

Por que seu marido havia prometido muitas coisas para ela e ele nunca havia quebrado uma promessa.

Nunca e sentia que ele um dia voltaria.

Poderia ser agora. Daqui um mês ou daqui dez anos, mas Bella o esperaria para sempre.

Fim do Flashback IV

Ben foi o primeiro a se aproximar do pai, ali sempre ficava um banquinho para que Ben pudesse e subir e olhar o pai melhor e ele fez isso, mas aproveitou e sentou na cama do pai como gostava de ficar.

— Oi papai — ele disse esperançoso como sempre de que o pai fosse responder, mas ele ficou imóvel como sempre.

Ben suspirou.

Bella se aproximou e pegou na mão de Edward delicadamente sua outra indo para seu rosto e acariciando-o, seus cabelos estava curtos, ela mesma havia cortado na semana anterior, assim como tinha feito sua barba há dois dias atrás.

— Oi meu amor — ela disse baixinho passando a mão em sua testa se inclinou e beijou a demoradamente. Bella olhou para Ben e o ajeitou melhor na cama.

— Por que você não o beija também? — Ela sussurrou para o filho que a olhava com receio — Pode fazer você não vai machuca-lo.

Ben olhou para o pai e se inclinou apoiando suas mãozinhas no peito dele beijando-o no rosto.

Bella sorriu limpando uma lagrima do seu rosto.

Depois disso Ben ficou mais a vontade e começou a contar para o pai o que fez o dia todo.

Bella ficou em pé segurando a mão de Edward e orando baixinho para Deus.

A porta se abriu e Bella olhou nos olhos verdes de Carlisle Cullen, seu sogro, pai de Edward. Ele era médico do hospital e sempre que tinha um tempo livre ia ver o filho.

— Olha quem está aqui — ele disse sorrindo vendo seu neto.

— Oi Carlisle — Bella disse recebendo um abraço confortante do sogro que era como um pai para ela.

— Tudo bem, querida? — Ele disse beijando levemente sua testa.

Bella apenas assentiu, estava bem fisicamente, mentalmente, mas seu coração não estava nada bem.

Carlisle era alto, tinha um físico saudável, seus cabelos loiros estavam acinzentados já estava nos seus sessenta anos e teria se aposentado três anos atrás se Edward não tivesse em coma.

— Oi vovô — Ben disse olhando em seus olhos verdes como o do vô e pelo o que sua mãe disse e já havia visto seu pai, como o do pai também.

— Como vai campeão? — ele perguntou e bagunçou os cabelos do neto.

Depois olhou para Edward deitado na cama. Ele não disse nada apenas acariciou os cabelos do filho, sua expressão já dizia tudo.

— Carlisle você não disse que queria apresentar Ben para alguns colegas seu? Porque você não aproveita agora e o leva? Ele está doido para conhecer o hospital melhor — Bella disse querendo animar o sogro e Ben, mas querendo também um tempo sozinha com Edward.

— Sim, o que você acha?

— Eba — o menino disse animado — Mas depois nós vamos voltar né? Eu ainda não contei tudo para o papai — ele disse olhando do seu pai para o vô.

— Claro, venha vamos. Tem um lugar aqui que você vai gostar de conhecer — Carlisle disse. Ben desceu da cama com a ajuda de Bella.

E saiu conversando com Carlisle do quarto.

Bella que mantinha um sorriso, congelado no rosto, foi esvaindo lentamente. Quando a porta se fechou ela soltou um longo suspiro e se permitiu chorar toda dor que sentia em seu peito. Encostou sua cabeça no peito dele chorando.

— Eu sei, eu sei, eu sou uma boboca chorona — ela disse tentando controlar seu choro — Mas, Edward. Eu sinto tanto sua falta, tanta. Cinco anos já se passaram Edward. Por favor, volte para mim. Eu e principalmente Ben precisa tanto de você. Eu não sei se aguento mais — ela fungou durante alguns minutos.

Acariciando a palma da mão dele.

Foi quando o inesperado aconteceu.

Um aperto. Bella sentiu a mão de Edward se fechar com força na sua.

Seu coração congelou e ela ficou em choque.

— Edward, Edward, meu amor você mexeu a mão? — Ela disse com dificuldade soluçando sem parar — Você está me ouvindo? Se estiver, por favor, aperte de novo — ela disse gaguejando esperançosa, mas nada aconteceu, achou que era loucura de sua cabeça, mas havia sido tão real. Era real. — Eu te amo, eu te amo, por favor volte — lamuriou soltando sua mão antes que ele pudesse conseguir apertar de novo.

A porta se abriu e o doutor Jacob Black entrou no quarto. Ele era alto e moreno, descendente de índios. Atraente e simpático, Bella gostava dele, era um ótimo médico com seu marido.

Bella se recompôs rapidamente se levantando e soltando a mão de Edward antes que ele conseguisse força suficiente para apertar de novo.

— Olá Bella. Como vai? — Ele a cumprimentou com um brilho nos olhos que nunca percebia Bella.

— Ele apertou minha mão — ela disse ainda sem conseguir acreditar.

—Como assim? — O médico disse confuso e surpreso.

— Edward, ele apertou minha mão — ela repetiu, entre lágrimas, no momento em que Carlisle entrava com Ben no quarto.

— Quem apertou sua mão? — o sogro perguntou.

— Edward — Bella repetiu limpando seu rosto.

Carlisle e Jacob se entreolharam.

— Nós podemos conversar lá fora, Bella? — Ele disse a olhando.

— Tudo bem — ela disse desconfiada — Fique aqui e tome conta do papai, tá meu amor? — Bella disse beijando Ben que apenas assentiu sentando na cama do pai como antes.

Olhou a porta se fechar e ficou ali sozinho com o pai.

Ele olhou-o depois ao redor do quarto voltando a olha-lo.

Tomando coragem sua pequena mão e colocou espalmada no rosto do pai ao lado do aparelho que estava em seu nariz.

Ele deitou ao lado dele entre seu corpo e uma grade colocando a cabeça em seu peito.

— Oi, papai — ele disse baixinho — Já voltei, apenas sair para conhecer o hospital com vovô, mas ele teve uma chamada e me trouxe de volta — o menininho suspirou — Eu sei que o senhor não me conhece, meu nome é Edward Benjamim, mamãe disse que o senhor que escolheu Benjamim, eu gosto — ele ficou em silêncio durante alguns poucos segundos, depois olhou ao redor do quarto e sussurrou como se fosse um segredo: — Eu te amo, papai, mesmo que nunca tenha ouvido sua voz. Os meninos da sala dizem que eu não tenho um, não acredito quando eu digo que o senhor era um bombeiro e que agora só dorme. Eles ficam... Me chateando porque levam os papais dele, jogam bola com eles, vídeo game eu queria fazer com o senhor também — ele disse chorando no peito do pai. Foi quando ele ouviu um engasgo e olhou assustado seu pai que estava com seus olhos verdes abertos e úmidos.

...

— O que está acontecendo? — Bella perguntou os três parando no corredor ao lado de fora.

— Bella Jacob tem uma coisa para falar — Carlisle disse.

— O que é? — Ela quis saber.

Jacob suspirou antes de começar.

— Bella, Edward já está em coma há quase seis anos e é norma do hospital, perguntarmos se você quer que nós desliguemos o aparelho dele.

— Como assim? — Ela disse aturdida.

— Ele não apresentou nenhuma melhora, nenhum avanço, seus sinais vitais são bons, mas ele pode ficar assim por muito tempo ainda. E como isso é um sofrimento para o paciente e para família é normal algumas aceitarem e pedir que desliguem os aparelhos do paciente, para que ele possa descansar em paz e a família seguir em frente.

— Você está querendo dizer que eu permita que meu marido morra? — ela disse irritada.

— Bella... — Carlisle começou, mas ela o interrompeu.

— Você concorda com isso? — Ela perguntou.

— Não, mas Bella não temos mais condições financeiras de pagar mais cinco anos de tratamento para Edward.

— É claro que temos — ela disse irredutível.

Ele respirou fundo.

— Bella eu não aguento mais ver Esme chorando pelos cantos e triste. Ben chorando porque não tem um pai e você porque seu marido não volta. Eu acho que chegou a hora de deixar ele partir em paz e tentarmos seguir em frente. De você encontrar um pai para Ben e...

— Eu não acredito no que você está falando — ela falou tristemente.

— Eu não sei mais o que fazer — falou sinceramente, ele parecia desesperado e abalado.

— Mamãe, mamãe — Bella se desesperou ao ver o grito desesperado de Ben vindo de dentro do quarto.

Ela correu para dentro do quarto, apenas a tempo de ver o corpo de Edward tremendo no colchão.

— Ele abriu os olhos, eu vi — disse entre um sorriso e lágrimas.

— Tire Ben daqui Bella — Carlisle disse rapidamente.

— Ele está tendo uma parada cardíaca. Desfibrilador — Jacob disse gritando, o bip do quarto se tornando continuo.

Bella queria ficar ali ao lado de Edward, mas não podia deixar seu filho presenciar o pai naquele estado. Contra sua vontade pegou seu filhos nos braços e saiu dali sentando com ele em seu colo e o abraçando com força, enquanto ambos choravam baixinho.

— Ele abriu os olhos mamãe eu vi — ele repetiu.

E Bella se agarrou a esperança de que se ele não voltasse agora, de que se não cumprisse sua promessa agora, não voltaria nunca mais.


Notas da Autora:

Muito obrigada pelos comentários...

beijos