Yo minna!
Capítulo novíssimo para vocês! Eu sei, eu sei. Demorei! Desculpem-me por isso.
Continuando a saga de descobertas em Konoha. E já viso que nesse capítulo não terá o especial, porque ele será pesado, então preferi deixar para o próximo capítulo..só para vocês terem uma ideia o nome do especial seria: "O limítrofe fim"..
Espero que vocês gostem!
Boa leitura!
Capítulo 41 – Descobrindo em Konoha – terceira parte: O pequeno inocente morto!
Eu me sentia completamente grogue..minha cabeça latejava cruelmente..meu coração sangrava furtivamente..eu sentia a expectativa ao meu redor. E eu via os olhares preocupados. Mas eu não conseguia parar de chorar angustiada..era uma dor tão dilacerante que eu nunca conseguiria explicar..mas eu sabia de quem eu precisava.
Levantei-me, meus joelhos estremeceram fortemente, quase sem forças, fiz uns selos de mãos, sumindo em uma nuvem de cerejeiras..apareci em frente à uma porta muito conhecida por mim..tantas vezes estive ali, por que precisava conversar e esquecer meus problemas..solucei aflitamente, sentindo minha garganta doer..meus braços estavam pesados, mas consegui erguer um e bati na porta.
_"SAKURA-CHAN"_ouvi o loiro dizer alegremente com um sorriso radiante que foi diminuindo gradativamente quando ele percebeu a situação..ele me segurou firmemente pelos ombros, me levando para dentro de seu apartamento e me abraçou seguramente..o que fez meu choro ficar mais intenso..minha recente memória rodopiava rispidamente dentro de mim, me relembrando a cada segundo o que tinha visto..segurei fortemente seu casaco laranja, afundando meu rosto nele..mas aquele calor que irradiava do corpo dele, não penetrava no meu..me sentia fria e vazia. Oca. Uma boneca de porcelana, que arrancam seus membros e não pode fazer nada. Sugaram meu coração, minha alma..minha felicidade. E o pior é que foi ele. O Sabaku caçula. Que muitos temiam..e vários aprenderam a admirar. Eu não poderia mais ver as faces dos meus pais..nunca mais. Não poderia sentir o calor deles..ver seus sorrisos..ouvir suas repreensões..
Ouvi um barulho na porta, olhei chorosamente para meu melhor amigo, soluçando e sussurrando que não queria ver ninguém.
Ele afastou-se e abriu a porta. Ouvi uma voz rouca que fez um arrepio tenebroso perpassar minha coluna, fiquei estática, sentindo as lágrimas abundantes caírem mais espessas..
_"A Sakura sumiu"_ele disse nervosamente, me retrai desconfortavelmente, o loiro me olhou por milésimos de segundos, antes de responder.
_"Ela está aqui, não se preocupe"_ele disse seriamente, ofeguei irritada. Droga, Naruto!
_"Eu quero vê-la"_ouvi o Gaara dizer autoritariamente, minhas forças acabaram..caí desajeitadamente no chão, me encolhendo na posição fetal..enterrando duramente minhas unhas nas palmas das mãos..
_"Mas não vai"_o loiro soou seriamente repreensivo. Ouvi um grunhido irritado. De repente senti a sala começar a girar rapidamente, juntamente com minhas emoções que estavam completamente quebradiças..
_"Você não vai me impedir"_ouvi o ruivo rosnar e perdi os sentidos..
_"Vamos, Sakura"_ouvi ele dizer e suspirar impaciente. Emburrada, o olhei mimadamente.
_"Não vai adiantar"_ele disse sarcástico, fazendo um beicinho obstinado. Franzi a boca e suspirei. Merda! Porque esse ruivo tinha que ser tão teimoso?! Hoje seria a cerimônia que confirmaria que eu era a prometida do Daiki. E o ruivo a minha frente estava tão triste quanto eu.
_"Por favor"_choraminguei contrariada, o olhar dele tremulou. Depois de me olhar profundamente enigmático, ele olhou para longe.
_"Você tem que ir, Sakura..não dificulte as coisas. Todos estão te procurando"_ele disse friamente, não pude ver sua expressão, mas sua irredutibilidade estava me machucando..ele queria que eu casasse com o Daiki?
_"Você concorda?"_perguntei tremulamente, ele rosnou algo baixo, não consegui entender.
_"Não. Mas não adianta você fugir"_ele disse a contragosto, infelizmente, concordei com ele. Quando soube dessa 'palhaçada', fugi e ele me abrigou..mas depois de dois dias, a situação estava se complicando..
_"Mas eu não quero ficar com ele"_disse amuadamente, vi que os ombros dele se curvaram depressivamente, me encolhi..a cada novo segundo me sentia mais infeliz..ele não disse nada, somente começou a andar. Eu sabia que aquilo era uma indicação para segui-lo..mas eu ainda não podia fazer isso.
_"Aishiteru"_murmurei fracamente, ele parou de andar. Fiquei esperando sua reação..mas ela não aconteceu. Meu olhar marejou furtivamente.
_"Aishiteru, Gaa-kun"_falei fortemente, sentindo algumas lágrimas escorrerem. Meu coração estava tão inundado por aquele amor que era impossível me imaginar longe dele. Tudo que eu queria era que ele me dissesse que eu não precisaria fazer isso.
_"Eu também, Saku-chan. Mas, a gente precisa ir"_ele disse se virando, seu olhar angustiadamente caloroso, fez meu coração doer. Droga. Eu faria algo contra essa estupidez.
Recobrei a consciência, sentindo-me zonza. Meu coração, mente, alma e corpo duelavam forte e brutalmente dentro de mim..de um lado um sentimento intensamente complexo, queria me inundar..queria me mostrar o que eu sentia naquela época..que eu me rendesse ao Gaara..totalmente. Do outro – o lado sombrio –, queria me afogar na mágoa, torturando-me com as lembranças dos meus pais morrendo..os dois lados queriam me dominar..e eu não sabia qual lado escolher. Entrecerrei os olhos, vendo um teto branco embaçado..mas logo tive que fechá-los, quando vi o sangue da minha mãe manchando onde eu olhava..me encolhi dolorosamente, sentindo meu braço doer por um esforço que desconhecia. Meu corpo doía esquisitamente. Droga. Sentia-me inerte..era bem possível que alguém tivesse administrado em mim um calmante.
_"Sakura?"_ouvi uma voz feminina soar, e eu reconhecia bem aquela voz.
_"I-no"_gaguejei tristemente confusa.
"Aishiteru, Gaa-kun". "Aishiteru, Gaa-kun". "Aishiteru, Gaa-kun". A frase ressoava na minha mente diversas vezes..eu amava o Gaara?
"Eu odiava o Gaara e isso nunca iria mudar", meu último pensamento consciente depois do massacre se sobrepôs à outra frase. Kuso..eu odiava o Gaara?
Estava dividida entre o ódio e o – possível – amor..e sabia que só o Naruto-kun poderia me ajudar nesse momento.
_"Naru-to"_pedi fracamente, senti um suave beijo na têmpora direita e ouvi passos. Fazendo um enorme esforço, abri os olhos, piscando diversas vezes, até poder enxergar nitidamente. Vi um loiro sério e preocupado me mirando firmemente. Eu não queria mais chorar, não era mais a menininha do time 7. E eu precisava me posicionar. Ou eu escolhia entender o sentimento radiante e denso pelo Gaara ou eu ficaria em Konoha, longe do ruivo que tirou pessoas valorosas de mim. Pude ver que o que estava fazendo meu braço arder era um acesso venoso¹. Ele se sentou perto de mim, sem falar nada, o que por si só já foi estranho. O Naruto-kun nunca ficava quieto, o que significava que algo estava errado.
_"Eu fiquei tão preocupado"_ele disse baixo e apático, trinquei o maxilar para não começar a chorar.
_"Eu s-into muito"_retruquei incomodada e com a voz falha, ele desviou o olhar.
_"Você está a dois dias aqui"_ele falou tristemente, meu coração desacelerou. O quê? O que isso significava? Franzi o cenho.
_"Porquê?"_perguntei sem entender, ele me olhou pesarosamente. Vi seus orbes azuis ficarem levemente opacos.
_"É melhor conversar com a Tsunade-sama, sobre isso"_ele – nitidamente – fugiu do assunto. Foi muito suspeito ele a ter chamado pelo nome.
_"Se tem alguma coisa errada comigo, eu quero saber"_rebati completamente perdida.
_"Por favor, não..Sakura-chan"_ele disse tão baixo e com o olhar tão longe que fez meu coração apertar.
_"Eu preciso conversar contigo, Naruto-kun.."_falei nervosamente, decidindo que se ele não queria contar, era melhor não pressioná-lo. Ele me olhou misteriosamente e fez menção de cabeça, indicando que eu poderia continuar falando.
_"Eu..eu.."_comecei a falar mas não aguentei a pressão dolorosa no coração..já era ruim saber sobre o massacre..mas falar dele, era pior ainda. Agora eu podia entender o Sasuke-kun..e ele não estava mais aqui. Mordi meu lábio trêmulo. Ele segurou minha mão.
Contei – soluçando – tudo o que tinha lembrando para o meu loiro favorito. Ele ficou extremamente abatido.
_"Sakura..eu sei o que você quer comigo"_ele falou calmamente..me olhando amistosamente, com um leve e quase imperceptível sorriso. Não compreendi o que ele queria dizer.
_"Você quer – desesperadamente – que alguém diga que não foi culpa do Gaara.."_ele continuou dizendo, arregalei meus olhos, sentindo a compreensão me preencher. Ele tinha razão..eu desejava que alguém me desse certeza que não foi intencional..porque eu queria conviver com o Gaara..e inconscientemente meu coração já tinha escolhido um lado..
_"Você quer que um ex-jinchuuriki te explique como funcionam as coisas..para nós.Você sabe que não foi por querer..não é uma coisa que eu consiga explicar..mas, tudo foge do nosso controle. Você já viu isso acontecer comigo..mas resta saber se você pode conviver com isso"_ele disse sinceramente, assenti com a cabeça, sentindo um alívio estremecer meu lado sombrio, o fazendo ficar quieto. Ele tinha razão..eu já tinha passado por essa experiência com ele e sabia que ele não tinha me reconhecido. Isso não apagava o que o Gaara fez, mas definitivamente – praticamente – o isentava da culpa..e era por isso que os Harunos que restaram não tinham mágoas dele..me senti culpada por o ter julgado..mas não podia evitar..ver seus pais mortos não era uma experiência que qualquer pessoa devesse passar..
_"Hai"_respondi mais leve, ele sorriu brevemente. Mas a constante inquietação no seu olhar estava me deixando apreensiva.
_"Ele quer te ver"_ele disse estudando minha reação. Meu coração acelerou. Eu ainda não sabia o que faria na presença dele.
_"Mas ele pode vir amanhã"_ele comentou quando percebeu meu nervosismo. Concordei mentalmente, sentindo-me esgotada.
_"Durma um pouco"_ele disse calmamente, dando um rápido beijo na minha testa. Suspirei cansada e fechei os olhos, não demorou muito e eu adormeci.
_"AIKO!"_resmunguei irritada. Ele gargalhou, jogando mais água em mim. Rugi um palavrão. Ele continuou a correr.
_"QUANDO EU TE ALCANÇAR, NÃO TEREI PIEDADE!"_gritei a plenos pulmões, sentindo meu corpo ficar mais molhado. Inferno de guerra de bexigas d'água! Porque diabos eu não acertava uma?
_"ISSO É TRAPAÇA"_ouvi a Ak-chan gritar sorrindo divertida e olhando para o meu irmão. O olhei mais minuciosamente e vi a rosa ativa. Ele aproveitou minha distração para jogar outra bexiga, que acertou meu rosto. MERDA! Aiko você é um homem MORTO!
_"AIKO"_ouvi ela gritar histericamente irritada, quando tirei a bexiga do rosto, vi que ela estava toda molhada. Acabei esquecendo o mau humor e sorrindo. Tinha me esquecido que era somente uma brincadeira.
_"Aquela"_disse animada, apontando uma flor de cerejeira no topo da árvore que ficava na estufa. O Ai-nii-san gargalhou divertido. Estava nos ombros do Satoru-kun que me carregava sem reclamar durante toda a manhã.
_"Você tinha que escolher a mais difícil, né Sakura?"_ouvi a minha irmã dizer enquanto suspirava. Ela deu um salto, pousando no galho da árvore. Vi seu chakra azul aparecer e ela escalar sem dificuldade, pegando a flor que eu tinha apontado. Ela me entregou a flor com um sorriso largo.
_"O que a gente não faz por você?"_ela perguntou divertida. Acabei sorrindo. Às vezes achava que não merecia tanto mimo ou tantas pessoas maravilhosas ao meu redor.
_"Ohayou, Saku-chan"_ouvi o Satoru-kun dizer amistosamente, bagunçando meu cabelo, o olhei sem graça. Odiava essa mania de bagunçarem meu cabelo.
_"Ohayou"_respondi no mesmo tom.
_"Ohayou"_ouvi minha irmã dizer sonolentamente, percebi que ele sorria pela curva do seu olho visível.
_"Sempre dormindo demais"_ele provocou astutamente. Ela ficou vermelha e o olhou emburrada.
_"Vá arrumar o que fazer"_ela disse raivosamente, vi o brilho perversamente zombeteiro perpassar pelo olhar dele.
_"Claro, se minha parceira de missão não estivesse esquecido que deveríamos ter saído da vila há uma hora atrás, eu teria o que fazer"_ele disse sarcasticamente, ela deu um leve gritinho e saiu correndo pela casa. Acabei rindo alto, ele me acompanhou na risada.
_"Seja boazinha e obedeça aos nossos pais"_ela disse afobadamente, dando um beijo na minha cabeça, para logo sair da casa, caminhando rapidamente. Ele me olhou brincalhão.
_"Não se metam em muitas confusões. E tome cuidado, Saku-chan"_ele disse dando uma piscadinha e arrumando a mochila no seu ombro. Ele saiu. Fiquei parada admirando os dois caminhando e conversando. Ele segurou a mão dela, a fazendo se sobressaltar rapidamente e sorrir docemente para ele. Eu queria um dia poder sentir aquele amor puro que um sentia pelo outro.
Acordei com um leve sorriso no rosto. Era tão bom lembrar essas coisas..e tão assustador também. Eu sabia que não podia voltar ao passado, mas quem podia? Mesmo quem teve a vida "perfeita" nunca vai poder voltar ao passado e mudá-lo. E esse era um bom motivo para recomeçar..ou pelo menos tentar. Abri os olhos, vendo a lua 'banhando' o leito do hospital..percebi olhos perolados me olhando constantemente.
_"Neji"_cumprimentei aliviada, ele sorriu e se aproximou.
_"Eu não deveria ter vindo aqui, você sabe..eu não posso mais. Mas eu precisava saber que você estava bem"_ele disse inquietamente, o olhei consternada.
_"Não se preocupe"_respondi tranquilamente..era incrível como o Naruto-kun sempre curava minhas feridas..mesmo indiretamente. Eu não podia viver no passado. Mesmo que eu soubesse o que aconteceu, eu não podia me prender a isso e deixar de viver. Principalmente depois que eu já tinha decidido tentar..afinal o que mudava? Eu sabia que a culpa toda era do Shukaku, no final das contas. Mesmo que ainda fosse desconfortável pensar no meio Gaara assassinando meus pais..eu precisava agir maduramente, ou nunca deixaria de ser a pequena Sakura do time sete.
_"Seu sonho parecia bom. Fazia tempo que não via esse sorriso sonhador"_ele respondeu divertido, acabei sorrindo despreocupada.
_"Hai. Estava lembrando dos meus irmãos"_comentei ainda sorrindo.
_"Eu preciso ir..vou sentir sua falta"_ele disse afobado, beijando carinhosamente minha bochecha. Meu coração estremeceu. Eu queria não precisar me despedir dele, mas sabia que não tinha opção.
_"Eu também"_murmurei tristemente, ele me olhou uma última vez e sumiu em uma fumaça. Fiquei olhando para a aparente calmaria lá fora pela janela, quando alguém abriu a porta. Fiquei tensa. Mesmo sabendo que eu escolhi o lado que me levava ao Gaara, sabia que seria difícil vê-lo..
_"Sakura..como está se sentindo?"_ouvi minha eterna shishou dizer, relaxei e a olhei. Ela estava com uma expressão desconfortável, franzi o cenho.
_"Bem.."_respondi sem emoção, ela se aproximou da janela e ficou olhando a paisagem. Fiquei a estudando por um tempo, mas não tinha como prever o que ela pensava. Ela voltou sua atenção para mim, recostando-se à janela. Senti o estresse voltar ao meu corpo..sabia que eles estavam me escondendo algo.
_"Eu preciso te contar uma coisa.."_ela falou melancolicamente e aproximou-se, segurando minha mão.
_"Hai"_falei ansiosa.
_"Você não sabia..eu sei..que não. Não tinha como saber, afinal estava bem no início.."_ela murmurou e pude ver resquícios de lágrimas, sentindo um aperto no peito, 'prendi' a respiração.
_"Você estava grávida, Sakura.."_ela disse baixo e aborrecida. Soltei a respiração e fiquei sem palavras.
_"Estava..?"_sussurrei impotente, ela fechou rapidamente os olhos.
_"Hai..eu fiz todo o possível..mas não foi suficiente. Eu sinto muito.."_ela falou aflita. Meu mundo parou, olhei marejadamente para baixo e coloquei minha mão sobre minha 'barriga'. Eu – quase – não acreditava naquilo..só acontece desgraça na minha vida..deveriam ter me deixado morrer nas mãos do Sasuke-kun..
_"C-omo?"_gaguejei debilmente, ela me olhou com pesar.
_"O estresse pós-traumático foi muito forte..você acabou sofrendo um aborto espontâneo"_ela disse fracamente, minhas lágrimas escorreram..eu estava carregando um pequeno inocente..que não sobreviveu. Uma sementinha minha e do Gaara. Se eu não fosse tão fraca emocionalmente ele ainda poderia estar aqui..solucei desanimada..nem – o que poderia ser – uma pequenina luz na minha vida não dava certo..ela me abraçou carinhosamente. Chorei raivosamente e desolada..depois de um tempo, as lágrimas secaram. Fiquei olhando para o nada, imaginando como poderia ter sido aquele pequenino bebê..teria cabelos róseos? Vermelhos? De que cor seus olhos seriam? Seria mais parecido comigo ou com o Gaara?
_"Seria bom se você deixasse o Gaara-sama entrar..ele não saiu um minuto daqui..e eu tentei forçá-lo"_ela disse gentilmente, a olhei sem emoção e pedi para ela dizer que ele poderia entrar. Depois de alguns minutos que ela saiu, ouvi a porta se abrir delicadamente. Ele entrou vagarosamente, como se não quisesse me acordar..olhei para os intensos jades e senti uma mistura de dor e satisfação..mesmo sendo pouco tempo, eu tinha sentido falta dele..e isso superava minha dor, mesmo que fosse grande.
Ele sentou-se na maca e ficou olhando para suas mãos, o olhei interrogativamente. Vendo que ele parecia alheio ao que acontecia, sentei-me. Pude vislumbrá-lo melhor. Percebi que suas mãos tremiam. Encostei-me ao seu ombro, ele se encolheu.
_"É minha culpa"_ele cochichou, merda, minhas lágrimas voltaram mais fortes.
_"Eu matei nosso bebê"_ele continuou no mesmo tom magoado, meu nervosismo aumentou. Aquilo não era – totalmente – verdade. É claro que se a gente não viesse brigando há tanto tempo e eu não tivesse lembrado do massacre, provavelmente, ainda estaria grávida, mas a culpa não era somente dele. Eu mergulhei tão profundamente na raiva incontrolável e na mágoa inquestionável que meu organismo reagiu a isso..e expulsou nossa pequena luz.
_"Não, Gaara.."_respondi infeliz, ele mordiscou seu lábio inferior.
_"Sim..você sabe que sim. Se eu não tivesse sido tão impaciente, rude, egoísta e teimoso, ele ainda estaria aí"_ele continuou seu monólogo sofrido, fazendo a pressão no meu corpo aumentar. Chikuso.
_"Pare, Gaara. Por favor.."_pedi chorosa, conseguindo sua atenção. Ele me olhou penetrante..sem graça, desviei o olhar.
_"Eu também tenho culpa.."_admiti sombriamente. Senti um carinho doce na minha bochecha. Eu não merecia essa devoção dele. Não justo eu que sempre arrumava um jeito de mantê-lo longe..mesmo com motivos justos. Ele precisava de alguém que entendesse que ele é um ex-jinchuuriki e já fez muita coisa errada por causa disso. Coisas das quais ele não se orgulha ou – literalmente – quis fazer..
_"Eu não quero que isso seja um problema para nós. Eu estou tão triste quanto você. E eu quero te ajudar a superar qualquer coisa"_ele disse aflitamente, como se estivesse lendo meus pensamentos, o olhei longamente. Percebi que até ele ficou assustado pelo que disse. Acabei rindo – sem humor – internamente. Ele era melhor do que eu poderia querer ou ter. Mas eu podia ser egoísta..nesse caso. Eu não queria que mais ninguém tivesse acesso a esse Gaara..a esse lado que ele demonstrava para mim. Assenti com a cabeça, seu olhar suavizou-se. E eu tentaria com todas as minhas forças fazer por merecer esse Gaara na minha vida. Bocejei, sabendo que ainda estava sonolenta por causa dos medicamentos. Deitei-me e ele levantou, sentando-se na cadeira ao meu lado. O olhei por um bom tempo, percebendo suas olheiras fundas. Eu odiava ser a responsável por isso. Mesmo sabendo que ele tinha insônia, sabia que ele estava dormindo desconfortável no hospital.
_"Ano.."_disse envergonhada, ele me olhou confuso. Sua expressão sonolenta fazia com que eu desejasse poder apertar suas bochechas..
_"Algum problema?"_ele perguntou preocupado, levantando-se. Segurei timidamente seu braço. Ele me olhou impreciso, abri um pequeno sorriso, para deixá-lo mais calmo.
_"D-eite-se aqui"_falei 'atropelando' as palavras, ele me olhou ceticamente.
_"Você precisa descansar"_ele respondeu calmamente, senti um grande rubor ferver minha face.
_"Quem diria que o Kazekage de Suna é um pervertido!"_falei brincalhona, ele corou, fazendo meu desejo de apertar suas bochechas aumentar.
_"Não foi o que eu quis dizer"_ele se defendeu timidamente, fazendo eu sorrir verdadeiramente. Ele retribuiu meu sorriso, com um meio sorriso..me fazendo esquecer o que tinha achado engraçado..
_"Você precisa ficar confortável. A maca não é muito grande, vou ocupar muito espaço"_ele explicou sem emoção.
_"Eu não me importo"_retruquei emburrada, ele me olhou incerto.
_"Mas eu me importo"_ele retorquiu no mesmo tom. Suspirei, fazendo um 'biquinho'. Sabia que teria que jogar 'sujo'.
_"Por favor, Gaara"_falei inclinando minha cabeça em sua direção, com o olhar completamente 'pidão'. Ele desviou o olhar, soltando um 'muxoxo'.
_"Pare, Sakura. É para o seu bem"_ele disse contrariado. Suspirei internamente.
_"Para o meu bem, é melhor você deitar logo. Ou não vou conseguir descansar direito. É isso que você quer?"_perguntei astutamente, ele estreitou o olhar, me olhando de soslaio. Ainda sem ser convencido.
_"Por favor"_pedi fazendo beicinho. Ele suspirou vencido e deitou-se do meu lado, puxando-me para perto. Com o coração acelerado e satisfeita, me deitei no seu peitoral. Sentindo minha sonolência acrescer à medida que sentia as batidas rítmicas do coração dele.
_"Boa noite, Sakura"_ouvi ele murmurar tranquilamente.
_"Boa noite, Gaa-kun"_falei sem perceber, caindo no sono.
Acordei sobressaltada, olhei para os lados e não encontrei o ruivo que ansiava. Eu não lembrava o que tinha sonhado, mas ainda sentia meu coração batendo descompassado e o suor escorrendo na lateral do meu rosto.
_"Ohayou, Testão"_ouvi a Ino-chan cantarolar, enquanto colocava um novo vaso de flores ao meu lado.
_"Ohayou"_respondi educadamente. Senti uma dor abdominal e fiquei pesarosa.
_"O que foi?"_ela perguntou se aproximando e fazendo um exame rápido em mim.
_"Desconforto"_disse infeliz, ela suspirou e se sentou na maca, com a mão na minha barriga.
_"Eu fiquei imaginando uma pirralhinha igual a você. Que teria uma testa desproporcional e um amor desmedido"_ela disse distraidamente, fiquei sem palavras. Mesmo que fosse meio degradante o que ela disse, sabia que era carinhoso. Senti meu coração pesar.
_"E claro, com a amiga mais linda de todos os países"_ela disse divertida, acabei rindo irônica. Essa era a maneira dela me deixar melhor.
_"É claro.."_disse debochada.
_"Mas esse Kazekage, hein? Não perde tempo"_ela disse maliciosamente. Fiquei corada.
_"Cala a boca"_retruquei sem graça, ela sorriu.
_"Qual não foi minha surpresa de encontrar ele nessa maca, hoje de manhã"_ela continuou no mesmo tom. E nesse momento queria me enterrar no primeiro buraco que visse.
_"Não aconteceu nada"_rugi atrapalhada, ela gargalhou, levantando-se.
_"Eu não disse que tinha ocorrido.."_ela deixou a frase suspensa no ar, a porta se abriu. Fiquei mais envergonhada quando vi o ruivo olhando sem emoção para ela. Sem dizer nada, ele se sentou na cadeira ao meu lado. Mais sua pose prepotente deixava evidente que ele estava incomodado com algo.
_"Mais tarde eu passo aqui para te ver. Kazekage-sama"_ela disse despedindo-se.
O olhei com o cenho franzido.
_"Qual o problema?"_perguntei suspirando. Ele fechou os olhos.
_"Sua amiga me lembra o Kankuro"_ele disse emburrado, segurei um sorriso. Eu concordava plenamente com isso.
Depois de me alimentar, a shishou apareceu e me avisou que eu teria alta. Levantei-me e arrumei minhas coisas, sob o olhar constante do ruivo. Depois de pronta, começamos a sair do hospital. Ele me acompanhava com alguns passos de distância.
_"Sobre o Daiki.."_ele disse meio irritado, 'rolei' os olhos. Não podia acreditar que ele ainda estava pensando nisso. Eu ainda sentia dores ao caminhar, mas resolvi que ele não precisava saber, ele só iria se preocupar..e eu sabia que era normal.
_"O que quê tem?"_perguntei impaciente, sentindo as cólicas ficarem mais fortes.
_"Ele vai continuar no seu apartamento?"_ele perguntou diretamente, parando a minha frente. Suspirei exasperada. Não podia acreditar que a gente tinha tido uma noite agradável e ele já tinha achado um problema.
_"Sim"_retruquei sem humor, ele estreitou o olhar. Franzi o cenho quando senti uma 'fisgada' estranha no abdome.
_"Não. Eu pago pela melhor hospedaria de Konoha. Mas ele vai sair do seu apartamento"_ele respondeu autoritário, senti uma tontura leve.
_"Ele é da minha família! Não vou expulsá-lo!"_retorqui irada, ele 'chispou' os lábios. A dor se estendeu por todo o abdome. Fechei os olhos.
_"Acho melhor ir de outro jeito para o apartamento..te vejo lá"_falei ofegante e fiz uns selos de mãos, sumindo e reaparecendo no meu quarto, logo um tufão de areia se fez presente. Sentei-me debilmente na cama.
_"Está tudo bem?"_ele perguntou se ajoelhando a minha frente. Suspirei, sentindo uma dor nas costelas.
_"Pare de brigar comigo. Pelo menos por enquanto..e o Daiki, fica"_respondi exasperada. Pude ver que a raiva inflamou seu olhar. Pude ler o 'Então fique com ele' no seu olhar, ele se levantou, indo em direção à porta. Gemi dolorida, quando senti uma dor no pescoço. Fechei fortemente os olhos.
_"DAIKI"_ouvi o ruivo dizer alto, logo ouvi o barulho da porta. Senti um alívio na dor quando o Daiki usou um jutsu de cura.
_"O que ela tem?"_o Gaara perguntou perturbado. O outro ruivo grunhiu.
_"Não sei qual é o problema de vocês, mas pare de incomodá-la. Ela não pode se estressar durante alguns dias"_o Daiki disse raivoso, saindo do quarto.
_"Desculpe..eu sempre te trago problemas"_ele disse sem graça.
_"Cale-se e se deite logo"_respondi mal humorada, me aconchegando na cama grande.
_"Estamos autoritários hoje"_ele respondeu rindo. Suspirei e fiquei o olhando se deitar. Ele ficou deitado de lado, na mesma posição que eu me encontrava. Olhávamos-nos fixamente.
_"Começando por você"_retruquei emburrada, ele sorriu fracamente.
_"Parece que a gente não fala a mesma língua"_continuei falando irritada, ele me puxou para perto – rapidamente – não pude evitar a surpresa quando percebi que estava em cima dele..com nossas pernas entrelaçadas e ele deitado de costas para o colchão. Apoiei-me no travesseiro, não queria que ele ficasse desconfortável tendo que aguentar o peso do meu corpo através dos meus cotovelos.
Ele mordiscou meu lábio inferior, o puxando para baixo, ofeguei nervosamente. Lentamente ele sobrepôs seus lábios nos meus, sugando levemente ora o lábio inferior, ora o superior..suspirei rendida..aquele homem definitivamente me enlouquecia com simples e pequenos toques..mordisquei seu lábio superior vagarosamente, ele apertou minha cintura..acabando com a doce tortura, ele emoldurou sua língua na minha, fazendo movimentos suaves e instigantes..nossas línguas 'dançavam' em sintonia..ele terminou o beijo, me fazendo ofegar desgostosa. Foi tão rápido que me deixou com vontade de beijá-lo mais..e mais.
_"Eu acho que a gente fala a mesma língua..de uma maneira muito interessante, não acha?"_ele perguntou sagaz com um olhar intenso de tirar o fôlego.
_"H-ai"_gaguejei incontrolável, o fazendo sorrir. Ele me recolocou no lugar que eu estava anteriormente, o olhei manhosa..querendo sentir mais do seu calor.
Ele desviou o olhar, fixando-se no teto.
_"Porque você faz tanta questão de ter o Daiki aqui?"_ele perguntou pensativo. Suspirei internamente.
_"Porque você quer voltar nesse assunto?"_retorqui com outra pergunta, franzindo os lábios.
_"O que custa me responder?"_ele rebateu desanimado, fechei os olhos para me controlar e não começar a xingá-lo.
_"Ele é da minha família, Gaara. Eu não posso simplesmente o expulsar. Você, por acaso, não está com a Matsuri na mesma casa?"_respondi e perguntei desconfortavelmente..percebi que ele franziu o cenho.
_"É diferente"_ele respondeu, acendendo minha ira e fazendo minha dor abdominal retornar.
_"É claro que é! Ela não tem nenhum nível de parentesco contigo"_respondi amargurada, senti um enjoo forte, rapidamente, levantei-me e fui até o banheiro. Não suportando o enjoo, acabei regurgitando. Droga. Lavei a boca e escovei os dentes, para tirar o gosto azedo dela. Suspirando, sai de lá, indo em direção à cozinha. Precisava me alimentar. Logo que cheguei à cozinha, o Gaara apareceu e aparentava estar nervoso.
_"Parem de brigar"_ouvi o Daiki dizer impaciente. Concordei mentalmente com ele. Isso tinha que parar..mas parece que não conseguíamos desenvolver uma conversa decente se não fosse no horário mais vulnerável dele: na madrugada. Peguei uma maçã e a lavei, sentindo dois pares de olhos me seguindo. Sentei na bancada da cozinha e mordi a fruta.
_"Vou encontrar com a Tenten-chan"_ouvi o Daiki anunciar, saindo rapidamente. Um sorriso maroto surgiu no meu rosto.
_"Será que você não consegue entender que eu estou com você?"_perguntei emburrada, ele suspirou, e recostou-se a soleira da porta.
_"Com o Daiki por perto, fica difícil"_ele respondeu. Mordisquei rudemente a fruta, o olhando assassinamente.
_"Eu não te entendo"_murmurei cansada. Ele não disse nada. O olhei sagazmente. Eu tinha uma dúvida, e seria agora que teria a resposta do que desejava.
_"Olhe bem nos meus olhos e me diga que você nunca teve nada com a Matsuri, e eu peço para o Daiki sair daqui"_falei espertamente, me aproximando, ele desviou o olhar, olhando para baixo. Deixei a fruta cair no chão..quem ele pensava que era exigindo que expulsasse o Daiki daqui se estava no mesmo teto com alguém que ele teve um – pelo menos – caso?
Nervosa, sai da cozinha, voltando para o quarto, olhando sadicamente para meu colchão que minutos atrás abrigava ele. Irritada, joguei o travesseiro no chão. Ele me segurou firmemente pela cintura.
_"VAI LÁ FICAR COM ELA"_gritei totalmente incomodada. Ele suspirou, o ar quente contra meu pescoço, fez meus pelos se eriçarem.
_"Eu quero você"_ele disse sensualmente rouco na minha orelha, me fazendo estremecer irritadamente sensível. Merda. Ele mordeu sensualmente o lóbulo da minha orelha, fazendo-me fechar fortemente a boca para não ofegar aprovativa..contra a vontade do meu corpo – que ansiava que ele continuasse –, me afastei dele. Eu sabia que não tinha o direito de pedir satisfações..afinal, fui eu quem fez a proposta de um relacionamento aberto, mas me sentia desconfortável com a situação. 'DESCONFORTÁVEL? SEI..ESTÁ MAIS PARA CIUMENTA POSSESSIVA!', a Saya disse zombeteira, a mandei – nada educadamente – ficar quieta.
_"Então pare de falar do Daiki! Você sabe que eu nunca tive nada com ele!"_pedi no limite da minha paciência. Ele suspirou, sussurrando um 'Vou tentar'. 'OUTRO CIUMENTO POSSESSIVO. VOCÊS – NO FUNDO – SÃO IGUAIS E TEIMOSOS', a Saya disse impaciente. Soltei um muxoxo confuso. Queria saber mais sobre ele e a Matsuri, mas tinha medo da sua resposta. Deitei-me, já que sentia que minhas dores estavam incomodativas, ele fez o mesmo e me abraçou..acabei adormecendo.
¹Acesso venoso ocorre quando você está internado e colocam uma bolsa de soro/medicamento/sangue no braço.
YO minna! E aí? Desculpe demorar tanto para postar. Como já avisei, postarei semanalmente (quando puder). Desculpa qualquer erro/qualquer coisa :D. Desculpe a demora!
Beijinhos e até o próximo! :*
PS: eu também posto a fic no Spirit (antigo AnimeSpirit e no Nyah!)!
Muito obrigada pelos reviews e paciência!
Obrigada Lah Bermejo, Susan n.n, TehChanO.o e Guest's pelos reviews *-*.
Respondendo ;)
Lah Bermejo: Oi! Bem-vinda ao ! Oh! Obrigada *u*. HAHAHA, como dizem, é a 'alma do negócio', o que seria da vida sem uma pitada de curiosidade, não é mesmo? Que bom que você amou *u*, sim, a coitada sofre nessa fic. Mas vai chegar o dia que ela vai poder dizer que é feliz. Desculpe demorar, mas foi difícil escrever esse capítulo..obrigada pelo review. Beijinhos e até o próximo!
Susan n.n: Olá! Obrigada pelo review. Beijinhos e até o próximo!
TehChanO.o:Oii! Não é por nenhum motivo específico, mas porque as duas são de times diferentes e a Sakura ainda tinha os plantões no hospital, então só via os mais próximos. HAHAHA, pode ser ciúme ou proteção. É verdade, ele tinha razão, não era uma coisa que ela deveria ansiar descobrir..é complicada, mas a Sakura vai parar de agir mimadamente e começar a agir maduramente..a personagem necessita disso para se tornar quem deveria ser. ;) Obrigada pelo review! Beijinhos e até o próximo!
Guest's: Oii, eu não sabia se era uma pessoa ou mais de uma, por isso, vou responder todos os reviews 'Guest' aqui. Muito obrigada pelos reviews. Obrigada. Beijinhos e até o próximo!
Beijinhos :* e até o próximo!
