N/A: Olá queridos, como eu disse no capítulo anterior eu vou postar um capítulo por dia sim. Eu sei que é um pouco frustrante, mas eu estarei começando tudo de novo, então também estou tentando alcançar leitores novos. Por favor quem estiver acompanhando e tiver algum contato com outros leitores espalhem a notícia para mim por favor. A minha conta no Nyah foi bloqueada, então eu criei uma outra, onde o meu nick é Catarina. A foto é de uma menina ruiva. Por favor, qualquer dúvida mandem mensagem para mim aqui ou lá. Mais pra frente eu posso criar um grupo no face pra garantir a nosso comunicação. Beijinhos e obrigada mais uma vez!
As manhãs são a pior parte do dia para mim. Algumas noites eu corro tanto nos meus pesadelos, que quando eu acordo estou completamente exausta. Levantar é tão difícil que eu decido permanecer deitada. Eu deveria querer caçar, mas, realmente, não tenho mais uma família para sustentar.
Sae traz o café da manhã e meu estômago ansioso substitui meus devaneios. Peeta, ainda está vestido com as mesmas roupas do dia anterior, porém come a sua comida mais calma do que ontem. "Por que eu acordei na sua casa esta manhã?"
Eu dou de ombros e me concentro no meu prato. "Eu acho que você só caiu no sono enquanto estava lendo algumas das suas correspondências".
"Oh". Ele está tendo problemas para me olhar nos olhos.
"Pois é". Depois disso, ele termina seu café da manhã em silêncio.
Após o café, eu paro pela janela, observando nada em particular.
"Eu estava pensando em fazer alguns biscoitos. Você quer me ajudar?" ele me pergunta.
Na verdade, eu resolvi olhar pela janela o dia todo, talvez tomar chocolate quente - definitivamente eu não pretendo sair de casa. Mas, eu tenho que ficar ocupada e eu não consigo me lembrar da última vez que eu comi um dos biscoitos de Peeta, então eu mordo sua isca. "Pode ser", eu digo que sem um entusiasmo visível.
A maioria dos ingredientes estão em sua casa, mas ele tem que pedir manteiga para Sae. Ela dá de bom grado e pergunta se sua neta pode ganhar um pouco dos biscoitos quando estiverem prontos.
Nós misturamos a farinha, a manteiga, o açúcar e os ovos juntos. Estou contente comendo a mistura, mas Peeta diz que um padeiro real jamais enfiaria o dedo na massa e ficaria lambendo.
Os biscoitos assam com uma perfeição de ouro. Peeta faz um saco de recheio e me mostra como espremer e escrever nos biscoitos com aquilo
Ele escreve um "K" de Katniss sobre um dos biscoitos.
Tento fazer o desenho de uma flecha. Parece um pinheiro sem folhas. Zig zags são mais fáceis de fazer. Um monte de biscoitos parecem linhas loucas antes de eu decidir que eu sou absolutamente horrível em confeitar e apenas fico assistindo Peeta. Fico maravilhada com a sua concentração e encontro-me olhando para seus cílios mais uma vez.
Ele decora seus biscoitos de todas as formas, desde precisas bolinhas até ondas de margaridas. "Basta ver se eu me lembro de todas", ele sorri.
Quando todos os biscoitos estão devidamente confeitados, Peeta leva os mais bonitos para a neta de Sae. Ela se ilumina de tanto sorrir. E por alguns minutos, aquele pequeno ato me faz feliz.
É um sentimento curto de felicidade já que a nossa próxima parada é a casa imunda de Haymitch. "Você deveria ter deixado os biscoitos que eu confeitei para ele", murmuro para Peeta. Estamos na porta tentando traçar um curso entre o lixo acumulado das últimas semanas.
Haymitch está no estado de costume, desmaiado de tão bêbado.
Peeta cutuca a lenha de sua lareira até que o fogo seja reiniciado. Eu faço o café e lavo algumas xícaras.
Peeta me proíbe de derramar água gelada sobre ele, apesar dos meus protestos de que seria engraçado e bem merecido. Enquanto Peeta separa suas correspondências, eu verifico o fornecimento de bebidas e me certifico de que não terei de enfrentar um Haymitch em abstinência nem tão cedo.
Eu não tenho certeza se Haymitch realmente gosta de biscoitos confeitados, mas eu coloco a bandeja em sua mesa.
"Trouxemos uma coisa," Peeta diz friamente depois de Haymitch finalmente despertar.
"Oh, eu tenho a dupla hoje. Então, como estão hoje? Amantes desafortunados? Inimigos? Apenas duas crianças de 12 anos?"
"Sim, hoje você tem a dupla. Você verificou Katniss ao menos uma vez desde que vocês retornaram?" Há tanta raiva reprimida em sua voz, que Peeta ficou assustador por alguns segundos.
"Ela ainda está aqui. Parece bem", ele bufa.
"Eu só queria dizer obrigado", diz Peeta enquanto ele caminha em direção à porta. Ele toca o meu braço para que eu o siga.
"Ah, tá legal!" Haymitch se levanta, balançando a mesa. "Pelo menos eu não permiti que ficasse bêbada."
"Bem, isso é um alívio", diz Peeta e bate a porta atrás de si. Eu deveria segui-lo, mas eu estou congelada no lugar.
Haymitch olha para mim." Bom, só sobrou você para dar um passeio comigo, docinho", diz ele, em voz baixa.
"Você ficou feliz por ele ter voltado?" Haymitch pergunta depois de um tempo.
Concordo com a cabeça, timidamente. "Eu acho que isso me ajudou", eu digo baixinho, jamas admitiria isso em voz alta.
"Ele voltou por você", diz Haymitch. "Ele poderia ter ficado na Capital, conseguido um emprego em qualquer outro lugar, mas ele queria fazer as coisas darem certo pra você."
"Eu sei", eu digo, pois não sei quais palavras realmente querem escapar da minha boca.
"Se ele tiver algum ataque, me avise", ele olha nos meus olhos. E eu sinto que, pela primeira vez desde que voltamos pro 12, ele está realmente olhando para mim.
Andamos o resto da viagem para a estação de trem em silêncio. Eu olho para o outro lado enquanto Haymitch compra algum licor do atendente de trem.
Peeta está lavando pratos quando eu volto para sua casa. Eu poderia ter ido para minha, mas, ao invés disso, eu o ajudo a secá-los. Quando terminamos, ele me olha interrogativamente. "Era isso que fazíamos antes?".
Tudo que posso fazer é balançar minha cabeça. "Na verdade não. Nós só tivemos alguns dias como este. Estávamos sempre muito ocupados tentando permanecer vivos."
"Me pareceu um pouco do que era antes", ele suspira. "Somente com mais de nossos amigos e familiares".
Ele está esperando que eu conte mais. Eu resolvo sentar no chão em frente à lareira e pensar como eu deveria começar. Dói muito lembrar, no entanto. Talvez seja melhor que ele não saiba o quão cruel eu posso ser. Ele vê que eu estou tremendo.
"Vamos começar pelo começo", ele insiste. "O que aconteceu quando chegamos em casa, depois dos Jogos? "
Eu esfrego o meu pescoço nervosamente. "Nós ignoramos um ao outro até o início da Turnê da Vitória. Eu não falei com você até o dia da turnê".
"Eu me lembro um pouco da turnê", diz ele vagamente. Ele não continua, então estou aliviada.
"Ficamos um pouco mais normais por alguns meses, depois que voltamos pra casa." O tremor facilita um pouco. "Eu estava em repouso na cama, depois de machucar meu calcanhar. Nós trabalhamos no livro de plantas da minha família. Você desenhava e eu escrevia. Você me trouxe pães de queijo. Então, eles anunciaram o Massacre e você insistiu que devíamos treinar. Isso foi tudo."
Uma menina que tem desafiado a morte tantas vezes não deveria ter problemas para contar uma história, mas eu sinto como se tivesse sobrevivido a um ataque de carreiristas depois de dizer estas poucas palavras vagas. Na verdade, um ataque poderia até ter sido mais fácil.
Ele me pede para jogarmos um pouco de real ou não real. Ele faz perguntas verdadeiramente escandalosas sobre mim, coisas que a Capital fez com que ele acreditasse. Tentei atirar nele com o meu arco quando chegamos em casa para o jogos: não-real. Peguei algumas ervas venenosas de minha mãe e coloquei-as em seu chá só para ver o que iria acontecer com ele: não real.
Porém, só uma coisa está de fato o incomodando. "Então, por que não nos falamos durante tantos meses?"
"Eu gostaria de dizer que foi o choque", eu disse. "Nós dois ainda estávamos vivos. Mas, na verdade, foi porque você estava com raiva de mim."
"Por quê?"
Digo a mim mesma que eu devo isso a ele. Eu não quero falar sobre isso. Talvez ele possa pedir ao Haymitch. Minhas mãos vão para minhas têmporas. Meus olhos começam lacrimejar. É demais.
"Porque você estava loucamente apaixonado por mim e eu estava confusa."
"E agora nós dois estamos confusos." Eu corro para fora de sua casa, incapaz de responder a mais nenhuma de suas perguntas.
"Katniss, fique...", eu ouço Peeta pedir, depois que eu começo a correr.
Eu tranco a porta da minha casa atrás de mim, porque eu não quero acordar com ele no meu sofá. Eu durmo em um armário, onde ele não pode me encontrar.
O dia seguinte é um borrão. Na hora do jantar eu percebo que eu não comi nada e estou morrendo de fome. Tento me levantar, mas sinto apenas vontade de chorar ou gritar.
Há uma batida familiar na porta. "Katniss, você está aqui?"
Nenhuma resposta.
"Se estiver, eu trouxe o jantar."
Isso me faz querer chorar ainda mais. Eu luto contra as lágrimas e eu faço barulho, apenas o suficiente para ele me ouvir.
"Você está bem?"
Por favor, vá embora, eu penso o mais alto que eu posso. "Eu vou ficar aqui até que você coma." A bandeja faz barulho quando ele se senta no chão. Depois de algum tempo de silêncio, ele volta a falar.
"Katniss, você não consegue perceber que desse jeito você está prejudicando a si mesma?" ele está começando a parecer assustado. Com isso, eu decido me levantar e destranco a porta. Eu me encolho no canto mais distante da sala, abraçando meus joelhos no meu peito.
Ele se senta e apoia suas costas contra o batente da porta. "O que há de errado?"
Eu balanço minha cabeça, porque eu não sei o que está errado. Eu não sei por onde começar com todas as razões do por que estou chateada, mas neste momento nenhuma delas surge na minha mente.
"O que vai fazer você se sentir melhor?"
Mais uma vez, eu não sei. Eu tenho andado realmente muito indecisa nos últimos meses.
Ele me faz comer o jantar. Meu mal-humor melhora um pouco.
"Você já tomou seu remédio hoje?"
"Eu esqueci."
Ele balança a cabeça e desce as escadas para buscar minhas pílulas. Eu não quero tomar nenhum remédio, então considero trancar a porta do quarto, mas não tenho energia para me mover. As pílulas são supostamente para ajudar com o meu humor, meus pesadelos e o stress. Eu não confio nelas. Ele traz de volta um copo de água e mais comprimidos do que o normal. Eu obedientemente os tomo, mas fico desapontada quando não me sinto melhor imediatamente. Não estou com disposição para as advertências de Peeta.
"Hey", diz ele inclinando-se para mim. "Eu sei sobre os seus esconderijos, sobre não querer comer. Katniss, não tem problema ficar chateada às vezes, mas temos que começar a dar o nosso melhor. Deixe-me ajudá-la."
"Por que? Por que você se importa?" Eu quase grito. "Por que você está tentando me ajudar?" Eu não mereço isso.
Ele parece refletir por alguns segundos. "É o que nós fazemos." Sua resposta sincera me cala. Ele está certo.
"Eu não sei o que fazer", eu digo com voz fraca.
"Ficar ocupada ajuda, Katniss. Escrever cartas. Caçar. Eu vou te ensinar a cozinhar. Você pode até mesmo oferecer-se para limpar a casa de Haymitch" Ele termina risonho. "Tudo o que me importa é que você se esforce pra fazer alguma coisa."
"Ok". Concordo em tentar, mas não em limpar a casa de Haymitch, é claro. "Eu acho que vou para a cama agora."
Peeta insiste que eu vista um pijama limpo e permanece para me cobrir. Ele se vira para sair, e de debaixo dos cobertores eu pergunto: "Como é que eu posso saber se você não vai me machucar?"
Um olhar dolorosamente triste surge em seu rosto. Eu me arrependo da pergunta quase que de imediato. Ele se senta em uma cadeira ao lado da cama. "Eu sinto muito." Ele está quase chorando. "Katniss, não era eu."
Eu me sinto mal, até mesmo para olhar pra ele. "Eu sei que não foi você, mas mesmo assim..."
"Isso é parte da razão pela qual os médicos me mantiveram tanto tempo na Capital." Ele toca minha bochecha. É um toque tão íntimo que dispara alarmes na minha cabeça.
Depois de tanto isolamento eu não sei como reagir. No entanto, o toque é suave, não com raiva. Nele, há a sugestão do menino que arriscou muito por mim.
Sua mão, suave e delicada, permanece por alguns segundos, enquanto eu o observo. "Boa noite." Ele se vira para ir embora.
Dirijo o meu braço a ele quando o vejo saindo pela porta. "Fiq-" Eu me paro, esperando que ele não veja a dor e a saudade em meus olhos. "Boa noite," Eu digo para os cobertores abaixo do meu queixo.
A porta da frente range ao ser fechada. Eu estou sozinha de novo, sozinha com meus pesadelos.
