Olá meus lindos, como estão? Então, muito obrigada pela fidelidade e por comentarem e favoritarem a fic. Não esqueçam de avisar para as outras pessoas que conhecem a fic que agora ela está sendo postada aqui. Me desculpem pedir isso a vcs, mas muita gente comentava, alguns eu lembro os nomes e outros não. Então, para evitar contratempos eu gostaria de criar um grupo no face para mantermos contato. Queria pedir a vcs que mandem o link do perfil e o nome que vcs usavam lá no Nyah, pq fica mais fácil de lembrar. Algumas pessoas deixaram comentários mto lindos no capítulo anterior, mas eu não consegui reconhecer o link. Acho que essa será a solução melhor para todos. Mil beijos!


Peeta está de pé, ao meu lado na cama, com um braço estendido para mim. Eu pisco algumas vezes, e então percebo a luz do sol vindo da minha janela do quarto. Me sinto mais relaxada quando vejo as pílulas e água em suas mãos.

Engolir os comprimidos é fácil, mas deixar o calor da minha cama não é. Eu puxo as cobertas sobre minha cabeça e espero que o meu visitante entenda a dica. Doce ilusão. Ele pacientemente senta na poltrona e me oferece o café da manhã. Eu recuso, mas ele persiste até que eu aceite comer um pedaço de pão.

Minha bexiga é a única razão pela qual eu finalmente saio da cama. Peeta está bloqueando o caminho de volta para a minha cama segurando as minhas botas de caça. Ele provavelmente não vai sair da minha frente até que eu esteja fora da casa.

Eu marcho até a floresta esperando que a minha cabeça se torne menos nebulosa do que quando eu acordei. O dia avança, mas minha cabeça não clareia. Caçar está fora de questão, então eu colho algumas cebolas e um pouco de endro selvagem. Os dias estão ficando mais quentes, mas eu estou vestida com mangas longas e estou morrendo de frio. Minha pele parece que está congelando.

Eu chego a casa passando mal. Queria ligar para minha mãe e avisar, mas vou para a cama antes do jantar e não chego perto da sala de estar novamente durante dia.

Peeta me traz o jantar à noite. Eu jogo o meu cobertor sobre a cabeça, mas ele só sai depois de eu beber um copo de água e comer um pouco.

O mesmo acontece no dia seguinte. Eu sou forçada a sair da cama. A graça salvadora da manhã foi Buttercup, que ficou assobiando para Peeta quando ele quis me levantar. Ele ignorou nossos protestos, dizendo que fazer exercícios me fariam bem. Hoje me sinto pior. Por força do hábito eu levo o meu arco mesmo sabendo que as minhas mãos não estão estáveis o suficiente para usá-lo. Eu estou tremendo, embora o sol esteja brilhando. Acho que estou doente, mas tem sido assim há muito tempo, talvez desde antes da guerra, mas eu não tenho certeza. Conto em meus dedos. Acerca de oito meses eu não estava mentalmente desorientada, indo e voltando do hospital ou de um "lunático estado de choque".

Eu estou no meio de um bosque de árvores enormes. Olhar para as copas das árvores me deixa tonta. Um tordo começa a cantar e tudo o que eu posso pensar é Prim e seus gritos torturados da arena, reproduzidos pelos gaios-tagarela. A Capital não pode machucá-la agora. Eu sei disso. Eu também sei que eu preciso me levantar porque não há ninguém para me salvar. Estou em um lugar que só Gale conhece e estou delirando. Talvez Haymitch devesse ter colocado algum transmissor em meu crânio. Então eu poderia pedir ajuda, mas ainda assim ele estaria bêbado. Então, ter meu crânio intacto ainda me parece bom o suficiente.

Com um pé na frente do outro, lentamente, eu faço o meu caminho para fora da floresta e de volta para a Vila dos Vitoriosos. O mais longe que eu consigo chegar é a casa de Peeta, já caindo em seu sofá.

Ele está tirando uma fornada de pão quente do forno. Cheira como o endro que eu deixei em cima do balcão na minha casa ontem. Ele os coloca em cima do balcão da sua cozinha-padaria, minutos antes de vir ver como eu estou.

"Katniss, você não parece tão bem", ele exclama.

Meus olhos estão meio abertos. "Eu preciso da minha mãe", eu imploro antes de adormecer.

Peeta está sentado à mesa falando ao telefone com a minha mãe. Eu estou no meu sofá agora. Há um pouco de farinha em uma das minhas mangas.

"Diga-lhe que estou com febre. E talvez uma queimadura solar ou hera venenosa."

Ele fala com a minha mãe por mais alguns minutos, olhando para mim e respondendo às suas perguntas.

A mão dele toca na minha testa. "Você está queimando." Ele pega meu braço como se eu fosse uma criança e enrola as mangas. "Katniss! Como você conseguiu fazer isso?", ele grita para mim.

Peeta nunca grita comigo. Talvez isso tenha acontecido mais no último ano, mas essa não é a voz do Peeta tele-sequestrado. Ele está preocupado.

"Seus enxertos de pele estão muito ressecados e em péssimo estado. Tenho que levá-la a um hospital."

Eu olho para ele com os olhos perdidos. "Eu não posso sair daqui."

Ele corre para fora da sala. Eu quero lhe dizer que eu pedi à minha mãe que me enviasse uma pomada porque minha pele estava em retalhos, e pelo fato de ela não ter sido tratada durante o meu julgamento, eu pretendia fazer um trabalho melhor e cuidar eu mesma dela. Mas eu odeio a nova pele. Eu só queria de volta a pele normal.

Peeta está falando sobre enxertos danificados, infecção, rejeição e cicatrizes quando ele aparece na porta da frente carregando uma caixa de primeiros-socorros.

Eu arregaço as minhas calças. Minha pele está parecendo pior do que deveria, se isso pode ser possível. Ele puxa um pote de pomada para fora da caixa. Eu tento chegar até ele. "Deixe-me", Peeta diz.

Ele esfrega o creme com cheiro de menta nas minhas panturrilhas, e, em seguida, antebraços. Seus dedos provocam tremores em meus braços e em meu peito. Os tremores viram arrepios. Estou doente, então eu culpo os calafrios.

Ele parece mais calmo agora e me olha nos olhos. "Já que não podemos levá-la ao hospital, você vai precisar de injeções para parar a infecção, antes que piore. Eles me mandaram para casa com alguns remédios, caso eu ficasse doente. Sua mãe disse que vai ajudar enviando alguns medicamentos para cá assim que ela puder. Eu não hesitaria em aplicá-las em você Katniss, mas agulhas desencadeiam meus flashbacks. É bom que saiba disso".

Ele engole algumas pílulas. "Eu deveria estar bem, mas eu geralmente fico bem mais cansado à tarde, então não se preocupe comigo."

As seringas aparecem. "Deixe que eu mesma faço", eu digo e tento pegá-las dele. Ele deve estar canalizando minha mãe à distância, porque ele me dá três injeções, exatamente do jeito que um médico faria.

A última agulha é retirada da minha coxa e suas mãos começam a tremer. Ele agarra o braço do sofá e eu posso dizer que ele está se esforçando para combatê-lo. Ele franze o rosto em agonia e, finalmente, cai exausto de colapsos na parte inferior do sofá.

O telefone toca e toca, mas entre a minha febre e Peeta deitado em cima das minhas pernas, eu não posso me levantar. Assim, o telefone fica sem resposta. Nossa noite difícil inclui suores noturnos e pesadelos gritados.

O telefone toca novamente na parte da manhã e, desta vez Peeta, que de alguma forma acabou no chão, acorda a tempo de atendê-lo sonolento.

"Estou grato por a mãe dela ter te ligado. Ela está com febre ... Sim, eu tinha três injeções ... Ok, eu vou fazer isso ... Eu sei que ela odeia falar ... Deixa que eu cuido dela, quando ela estiver melhor eu te ligo de volta... Ok... Eu provavelmente vou estar aqui hoje e amanhã... Não, eu consigo fazer isso, eu acho... Não chame Haymitch se eu não atender o telefone... Ela tem um vizinho que vai verificá-la duas vezes por dia. Ok. Eu ligo para o senhor, então. "

Eu volto a dormir e acordo com um quadrado frio de curativo úmido sendo aplicado no meu estômago e alguém procurando manchas nas minhas costas. Sinto outra bandagem fria na minha perna, onde uma parte especialmente grande de uma nova pele enxertada havia ficado em pedaços. Peeta me move mais uma vez e para em um terceiro lugar na parte superior do meu braço.

Estou tonta e tenho a impressão de que estamos na caverna novamente. Só que eu sou a única com febre dessa vez.

"Hey", diz ele, quando acordo, horas depois. "Sua febre já passou. Você acha que consegue comer agora?"

Ele me dá uma tigela de caldo. É amarelo e cada colherada tem gosto de frango. Ele vem e se senta ao meu lado. "Lembrei-me da caverna", ele diz, calmamente como sempre. "Você me trouxe de volta à vida. Eu tenho essas memórias mais brilhantes de você...", ele balança a cabeça. "Também tenho memória ruins desse dia, como você quebrando meus dedos no meu sono. Mas isso não aconteceu realmente, não é mesmo?"

Não, eu balanço minha cabeça. Ele me faz mais algumas perguntas simples. Eu sei que as questões só vão ficar mais difíceis e que nós vamos ter que passar dolorosamente por cada uma delas. Mas, já que essa conversa terminou civilizadamente, concluo que é um bom momento para fingir adormecer novamente.

Ele dá um tapinha na minha perna e liga para o Dr. Aurelius novamente.

Gostaria de saber se o médico se sente como a babá glorificada de duas crianças muito loucas. Espero que eles estejam pagando muito bem, pois depois de ter feito com que Peeta voltasse a ser lúcido, é o mínimo que deveriam fazer.

Deve ser uma das sessões de terapia de Peeta, porque ele fala sem parar pela próxima hora. Sobre estar se sentindo sozinho, sem sua família, como ele não consegue lidar muito bem com a sua casa vazia e como eu me tranquei em um armário quando ele me fez uma pergunta.

Eu escuto mais atentamente para tentar ouvir o que o médico diz. "Por mais que ela goste que você pense que ela é uma pessoa forte, ela é muito sensível e reservada. Você vai ter sorte se conseguir uma resposta sua de cada vez. Qual foi a pergunta que você fez a ela?"

"Aparentemente eu me recusei a falar com ela por quase seis meses depois que ganhamos os jogos e eu não lembro o porquê."

"Então, você estava bravo com ela e ela não quis falar sobre isso?"

"Bem, quando você coloca assim, a reação dela não me parece tão ruim. Talvez eu deva perguntar ao Haymitch."

"Basta ter cuidado, ela está frágil no momento."

Peeta ri. "Ela é uma sobrevivente, a pessoa mais corajosa que eu já conheci. É estranho pensar nela como frágil."

Após o telefonema, Peeta se ocupa em minha cozinha fazendo minha casa cheirar a pão fresco.

Eu decido fazer algo diferente de espionar Peeta e dormir e decido começar a ler minhas correspondências novamente.

"Por onde devo começar?" Eu pergunto a ninguém em particular.

Buttercup escolhe esse momento para sentar-se na pilha das cartas dos amigos. A primeira é de Johanna. É o seu novo endereço. Eu deveria ter esperado mais alguma coisa? Escrevo-lhe de volta e conto a ela que eu estou em casa no 12 com Peeta, que também retornou ao lar e que nosso terapeuta parece ser mais louco do que nós dois juntos. Ela vai gostar disso.

A próxima carta é de Octavia, que também envia o seu novo endereço, me conta tudo sobre as mudanças na Capital e diz que se eu precisar de ajuda com maquiagem, ela pode envia-las pelo trem.

Eu não sei o que escrever de volta, de modo que o que vem a seguir é um pacote de Flavius, que enviou algum batom roxo para me animar. Vai combinar perfeitamente com a minha pele cinza e verde.

Há uma pilha de cartas de escritores e jornalistas. Ignoro todas, com exceção de uma carta conjunta de Cressida e Pollux que querem uma entrevista minha e de Peeta, para a televisão, é claro. Essa vai para a pilha 'não tenho certeza' .

Plutarch pergunta quando ele pode vir nos filmar. Nunca, eu penso. Eu escrevo de volta dizendo que talvez daqui a algum tempo, pois eu estou doente e precisando de novos enxertos de pele. Espero que a grosseria seja o suficiente para ele entender que eu não estou pronta para as câmeras.

Peeta volta a checar minhas ataduras. Elas estão comigo desde ontem, então eu preciso aproveitar a a água da banheira para limpar a minha pele, para depois encharca-la com lotes de pomada.

Já está tarde, então eu pego no sono. Peeta se decide pela poltrona, ao invés do chão.

O pesadelo desta noite é sobre ser perseguido por equipes de filmagem. Entretanto, eu não sou a única com pesadelos. "Por favor, chega de veneno." Peeta se debate. "Eu sei que ela é uma bestante. AHHHH".

Não tenho certeza se é uma boa ideia, mas me levanto e seguro sua mão. Ele aperta a minha de volta e acorda. Peeta olha ao redor, mas volta a dormir, segurando a minha mão com tanta força que eu não consigo mais mover. Passo o resto da noite encostada desconfortavelmente na poltrona.

Quando eu acordo, encontro um Peeta de sobrancelhas arqueadas e um olhar perplexo. "Hã, Katniss... Porque você está sentada aqui?"

"Uh, bem, algo sobre 'chega de veneno '", murmuro no estofamento da poltrona.

Antes que eu possa protestar, sou levada até as escadas e depositada na cama. Ele me traz o café da manhã em uma bandeja dizendo que eu deveria estar me recuperando, e que hoje eu preciso ficar calma e descansar.

Está chovendo novamente e a calmaria constante da chuva no telhado, torna impossível fazer qualquer outra coisa, além de repousar.