A luz do sol é tão dolorosamente brilhante, que meus olhos voltam a se fechar. Por que as minhas cortinas estão abertas? Eu tento manter o meu quarto praticamente isolado de luzes... Algumas piscadas mais relutantes e os móveis que entram em foco não me parecem familiares. Eu sacudo a cabeça quando percebo que esse não é o meu quarto.
"Real ou não real?" uma voz profunda me faz uma pergunta habitual. Eu paro para alcançar a faca de caça, que não está no meu cinto, quando me lembro onde estou.
"Huh?" Eu arrisco abrir um pouquinho apenas um olho, enquanto o meu corpo se ajusta do sono. Eu não ouvi a primeira parte da sua pergunta.
"Você. Você é real?"
Eu estico e rolo para que eu possa olhar para ele, levantando uma sobrancelha. Peeta está sentado com as costas contra a cabeceira da cama, radiante. "Você realmente ficou aqui comigo?", diz ele, enquanto cutuca a carne entre as minhas costelas.
Em troca, eu aperto sua barriga ele. Nossa, como ele é musculoso.
"Ai, ai, ai. Definitivamente real." Peeta se contorce colocando as mãos na frente dele defensivamente, rindo o tempo todo.
Ele parece tão diferente de ontem. Seus olhos parecem mais vivos, seu sorriso menos artificial, os ombros menos tensos. Ele tem um lençol cobrindo seu colo e a maior parte do cobertor parece estar encapsulada em torno de mim. Eu trabalho em chutar minhas pernas, para me livrar do tecido.
"Você ficou", diz ele calorosamente.
"Haymitch estava ocupado," Eu tento não dar o braço a torcer.
Isso me lembra que passou da hora de eu ir pra casa e entrar de cabeça em um longo dia na floresta. Mas Peeta, que geralmente é o que acorda mais cedo, não parece estar fazendo qualquer tipo de esforço para me empurrar para fora da sua cama, o que é quase surpreendente. Ele é tão dedicado a me ajudar a enfrentar mais um dia todas manhãs... Algumas vezes, simplesmente sair da cama é a parte mais difícil. Com isso o resto do dia se desvanece enquanto eu completo a minha rotina: caçar, jantar, noite no sofá, cama. Eu não passo o dia inteiro na cama já faz um tempo.
A luz da janela parece muito bonita para desperdiçar o dia dentro de casa, mas eu considero fazer isso por alguns segundos. Ficar aqui, onde ninguém vai olhar para mim. Eu não teria que enfrentar ninguém, exceto Peeta, que se tornou parte da minha rotina.
"Então, eu tenho que aturar você ao invés dele?" Peeta soa brincalhão.
Eu ignoro a pergunta e procuro a meia que não está mais onde deveria, cobrindo o meu pé esquerdo. Meu dedo do pé machucado ainda está escondido sob a meia azul, mas a outra não está visível na cama ou sob o cobertor.
Realmente, é provavelmente demasiado quente para estar vestindo meias para dormir, mas eu não dei muita atenção ao meu pijama ontem à noite, já que eu ainda estou usando as calças de caça e camisa de manga longa de ontem. Minhas facas de caça estão na sala de Peeta e o resto dos meus conteúdos de caça em seu criado-mudo.
Peeta se junta a mim olhando debaixo da cama e, eventualmente, sacode uma meia roxa no meu rosto. Eu a puxo de suas mãos.
Ele continua a procurar alguma coisa. Eu começo a observá-lo com curiosidade.
"Você sabe o que aconteceu com a minha camisa?" ele torce seu rosto.
Então eu me lembro por que eu me sinto tão cansada. A medicação para dor que Peeta tomou antes de sua dose da meia-noite o deixou miserável até que as novas pílulas começassem a trabalhar. A tempestade recomeçou em torno de uma hora depois e Peeta de acordou de um pesadelo, suando e gritando absurdamente. Levei meia hora para assegurar-lhe que ele estava em casa e não na arena ou na Capital. Ele estava com calor, por isso jogou seu cobertor de lado, tirou a camisa e colocou uma compressa fria na cabeça.
Eu vasculho os lençóis amontoados. Espio a compressa encharcada no chão e finalmente vejo uma manga da camisa de Peeta para fora, debaixo do meu travesseiro. Peeta se senta na cama e vira de costas pra mim, para olhar ao redor do pé da cama.
"Aqui", eu a empurro em direção a ele, sentido o tecido macio.
À meia luz, eu avisto suas cicatrizes de novo. Eu esqueço tudo e paro para observá-lo.
Há um ano atrás, Peeta de costas parecia tão diferente: pele clara com um punhado de sarda castanhas espalhadas através de seus ombros. Enxertos substituíram algumas delas, mas como eu acabo me aproximando um pouco mais para perto dele, eu ainda posso vê-las realmente ali.
Eu tenho a súbita vontade de traçar o padrão de sua pele, descrevê-las com meus dedos para ver se ele se sente com calor ou com frio, ou até mesmo como eu, arrepiada. Eu só lhe entrego a camisa quando estou a apenas poucos centímetros dele. Eu não peço permissão quando eu passo meus dedos em um quadrado cor de rosa na parte inferior das suas costas. Sua pele é macia e se arrepia ao meu toque.
No começo, traço apenas uma cicatriz, para então, logo depois me aventurar por todas as suas costas. Eu traço as linhas rosadas lentamente, trabalho o meu caminho para cima, ajoelhada na cama de costas para ele, tentando não me sentar. Em vez de uma tela em branco, suas costas tornaram-se um roteiro de suas viagens de idas e vindas da Capital.
Eu não sei se segundos ou minutos se passaram enquanto eu ocupo as minhas mãos, mas isso não importa. Eu examino cada queimadura, enxerto e sarda, desejando que ele me diga o que aconteceu com ele. Me dou conta do quanto ele devia estar perto de mim para ter se queimado tanto, naquele dia fatídico.
Isso não é nada como ontem, quando eu estava correndo para medicar as costas antes de um ou ambos de nós termos um ataque. Aquela foi uma tarefa árdua. Eu estava tentando tanto não machucá-lo... Hoje, eu levo o tempo que eu quero para entender o pequeno quadrado de pele poupado na lateral de seu tronco e o enxerto que tem quase a forma de um coração em seu ombro. Meus dedos formigam enquanto acaricio sua pele macia e levemente pegajosa.
Ele facilita meu trabalho ao cair sobre a cama e se virar para me encarar. Para evitar olhar qualquer expressão que ele esteja usando, eu mantenho os meus olhos sobre o seu peito, um amontoado de brancos, rosas e vermelhos, misturados com a pele leitosa que eu conheço bem. Ele não me diz para parar. E ainda se moveu para que eu continuasse explorando. Minha mão paira sobre ele como se tivesse sido automaticamente atraída para lá. Ela cai para o local à esquerda de seu peito, onde quando éramos crianças nos comprometíamos todas as manhãs com a bandeira de Panem na escola. Esse gesto pulsa em mim, como se estivesse me convidando a encostar minha cabeça sobre seu peito e voltar a dormir. Peeta ainda está em silêncio, de olhos fechados. Deve estar dormindo ou próximo disso.
Timidamente meus dedos percorrem os contornos de seu peito, se arrastando nas interseções das cicatrizes maiores, onde a pele original encontra a nova pele brilhante, criada em laboratório.
Gentilmente, eu faço o meu caminho ao longo das partes que se encontram, demorando-me sobre os pontos lambidos pelo fogo, substituídos pela ciência. Eu conheço esse menino mais do que já conheci qualquer outra pessoa, exceto, talvez, Prim. Eu poderia dizer onde estão as queimaduras em seus antebraços, que ele conseguiu cozinhando, e até mesmo as sardas que ele possui em apenas uma das mãos, a que ele usa para desenhar. É possível que eu não saiba tudo sobre esse garoto?
Eu me lembro exatamente do tom de seus olhos azuis, mas com suas pálpebras fechadas, eu me pergunto se isso ainda permanece intacto ou se a Capital também foi capaz de alterar isso.
Quando meus dedos alcançam a pele irregular de seu pescoço ele abre os olhos. Ainda são do mesmo tom de azul que sempre foram.
De alguma forma, enquanto eu ainda estava estudando-o, ele se aproximou. Só agora é que eu percebo que nossos rostos estão realmente muito próximos. Eu deveria fazer o de sempre, me afastar, ou falar qualquer coisa sem sentido, mas fico onde estou, em silêncio, porque eu não consigo mais fugir.
E por um segundo fugaz tudo o que eu posso pensar é em seus beijos: na caverna, na praia, no subsolo. No brilho suave da manhã, seus lábios parecem tão convidativos... Será que eles ainda são suaves? Seriam os mesmos? Será que ele se sentiria como da última vez, desesperado? Ou será que eu é que me sentiria assim?
A sensação me assusta no início, porque já faz tanto tempo desde que eu senti algo parecido, essa fome. Eu também estou curiosa. Eu estaria quebrando minha regra, mas que mal poderia fazer?
Provavelmente só iria mudar tudo.
"No que você está pensando?" Peeta pergunta depois de eu estar olhando para ele por muito tempo. Ele me conhece muito bem.
Estou sobre a linha. Quase a ultrapassando de vez. Mas eu ainda não tenho certeza se devo cruzá-la agora, então respondo outra coisa. "Lesmas. Tinha uma na minha porta ontem. Gostaria de saber se ela ainda vai estar lá hoje".
Ele me dá um olhar compreensivo e pega a minha trança, que já está bem abaixo dos meus ombros agora. "Havia algo intenso em seus olhos. Que eu achei que você estivesse pensando em... Caçar".
Eu sei agora que, do jeito que ele olha para a esquerda, ele está mentindo. Eu nunca tinha percebido isso antes. "No que VOCÊ está pensando?" Eu questiono.
"Em você". Ele olha diretamente para mim, não para cima, para baixo ou para a esquerda. Algo se move em meu estômago.
Peeta está com aquele tipo de olhar que fazia com que as meninas quase desmaiassem na escola. Eu tento não contar que ele é a lesma, mas também não aproveito a oportunidade para fugir para longe e pôr uma distância segura entre nossas bocas. Permaneço onde estou.
"O que eu faria sem você?", continua ele. Ele diz que com tanta sinceridade, como se ele realmente achasse que eu sou uma pessoa maravilhosa e não um fardo.
Nesse momento ultrapasso a linha de uma vez por todas. Mas eu estou com raiva agora. Sem mim, ele estaria vivendo em algum lugar que não seria um Distrito reduzido a cinzas. Ele seria um herói e poderia ter qualquer garota que ele quisesse.
"Estaria bem melhor", murmuro baixinho.
"Você toma conta de mim quando estou doente, me faz companhia quando ninguém mais faria. Ouve minhas histórias sobre a massa subir. Não, Katniss. Isso não é verdade."
Isso faz eu me sentir horrível. Ele merece mais do que alguém que faça além das obrigações, alguém que vá além de apenar escutar as suas conversas, alguém que não lhe causou cem vidas de dor. Não sei se consigo mais ser essa pessoa.
"Eu acho que eu preciso ir," eu me afasto, perguntando exatamente o quão rápido eu posso reunir meus pertences espalhados ao redor de sua casa.
"Vou fazer o café da manhã", Peeta me tenta.
"Está ficando tarde." Corro para a porta como se uma matilha de cães selvagens estivesse rosnando atrás de mim.
"Katniss," ele diz, "Espere".
"Eu te vejo mais tarde", eu dou uma olhada rápida para trás, dou um sorriso falso e tento decidir se seria melhor ir direto para a floresta ou me trocar rapidamente, por roupas que não cheirem a pomada entorpecente de menta e creme de queijo com coco.
Eu ouço um grito que me faz parar antes de alcançar a porta. Imagino logo o pior e torço minha cabeça exatamente a tempo de ver uma queda livre e fora de equilíbrio para o tapete. Lá se vai minha saída rápida.
Eu mordo meu lábio inferior e prendo a respiração até que ele começa a rir. Então eu sei que está tudo e também explodo em gargalhadas.
"Eu acho que você esqueceu alguma coisa", eu me ajoelho ao lado do garoto agora esparramado no chão.
"Não, isso estava planejado", ele retruca. "É parte da minha rotina de alongamento, ajuda a fazer o sangue fluir."
Eu considero bater em sua cabeça com a prótese, mas entrego a ele de uma vez.
"Acho que realmente nunca vou me acostumar com isso", ele balança a cabeça e toma um tom mais sério. "Eu fui dar o segundo passo e não encontrei o chão como eu deveria".
É o tipo de coisa que eu não tenho certeza se alguém poderia se acostumar. Eu dou um tapinha na sua perna lhe dando força. "Vamos fazer com que você se acostume."
Buttercup tece oitos pelas minhas pernas enquanto eu caminho em direção à floresta, desejando voltar rapidamente ao conforto do meu lar.
O pulguento escolheu me ignorar durante todo o início da manhã, até eu ter uma toalha de banho secando o meu cabelo embaraçado, logo após voltar da casa de Peeta. Agora eu não consigo mais me livrar dele. Eu estou esperando que ele encontre algumas lesmas, para distraí-lo de suas palhaçadas no chão por muito tempo.
Chegando à entrada de Vila dos Vitoriosos, Buttercup salta sobre o muro de pedras que separa as casas das grandes dimensões do resto do Distrito 12.
"Eu pensei que você estivesse cozinhando há essa hora", eu digo para a figura sentada no muro cinza baixo.
"Eu gosto da luz da manhã", diz ele sem levantar os olhos de seu caderno de desenhos, abaixando a mão para acariciar o animal sarnento entre o que sobrou de suas orelhas. Buttercup encosta na lateral da perna de Peeta, flexionando as pontas dos seus bigodes até o fim irregular de sua cauda. Peeta deixa seu lápis de lado para acariciar o gato. Buttercup prontamente reivindica o lugar em cima do caderno, nas pernas de Peeta, com um ronronar satisfeito.
"Não", eu repreendo.
O gato me dá uma piscada sonolenta e começa a massagear suas garras no papel.
"Xô", eu grito.
Ele se enrosca mais em Peeta como um insulto. Eu pego a coisa imunda pelo cangote e o coloco no chão.
"Eu não me importo", Peeta me assegura.
"Mas eu sim." Eu sento ao lado dele e pego o bloco parcialmente desfiado. "Olha o que essa coisa destrutiva fez."
"Eu pensei que talvez precisasse de alguma textura", ele sorri depois de eu entregar o caderno de volta.
Buttercup mia a poucos metros de distância e caminha para o seu banho de sol matinal.
Peeta gira o lápis entre os dedos antes de voltar ao trabalho. Ele está desenhado um esboço do Distrito do jeito que ele costumava ser antes do ataque, com o imponente Edifício Justiça e as lojas ainda de pé. Nesse momento ele está voltado para o que resta da Costura, agora parcialmente queimada.
A Vila dos Vitoriosos foi construída para ser vista. É visível a partir da estação de trem, da rua principal e da maior parte da cidade. Por outro lado, é um excelente ponto de observação. De onde estamos, podemos ver as equipes de construção preparando a cidade para as obras e várias pessoas se movimentando, através de suas rotinas matinais.
"Eu estava tentando lembrar o que se foi," Peeta aponta em seu desenho. "Lembrar do que é hoje e pensar sobre o que vai ser um dia."
Eu me inclino enquanto ele explica para mim. Ele me mostra o boticário, a loja de sapatos, o açougue. Eu o lembro do toldo colorido na loja de doces e rio ao contar sobre a senhora que possuía a loja de roupas, que insistia em lavar suas cortinas apesar de elas nunca ficarem totalmente brancas. Estou plenamente consciente da proximidade de nossas cabeças novamente. Eu tenho que parar de fazer isso, mas não consigo.
Enfio minha cabeça em seu ombro. Esse parece ser o lugar mais seguro para ter uma boa vista do Distrito.
Ele sombreia mais alguns edifícios, e depois descansa sua cabeça em cima do minha. É confortável e eu permito.
O sol se aquece a minha volta. Só de estar ao ar livre, me faz sentir mais normal, viva.
Eu já estou alguns minutos atrasada para começar a minha caçada, mas realmente não importa. É melhor começar a caçar logo ao amanhecer, enquanto o chão ainda está úmido da neblina da noite. O fim da madrugada já passou há muito tempo e as linhas de armadilhas vão ter que esperar. Eu tenho tido tão pouco desses momentos tranquilos e lúcidos, ininterruptos por ansiedade ou preocupação.
Grasy Sae não ficaria decepcionada se eu não trouxesse nada hoje. Não tenho mais nenhuma obrigação de providenciar comida para ninguém. Eu poderia ter um bom dia sem ter de procurar chicórias ou visar atirar a primeira flecha.
"Talvez eu pudesse te levar lá amanhã", eu digo olhando na direção do bosque. "Há uns pés de alecrim eu posso te mostrar." Eu escuto a cacofonia dos pássaros cantando alegremente e quase parece fácil esquecer os dias ruins.
"Eu gostaria muito." Sua voz é tingida com um tom intenso.
Peeta move sua cabeça em cima da minha e eu ouço o farfalhar tranquilo dele beijando o topo da minha cabeça. Eu silenciosamente permito que ele faça o que tiver contade desta vez. Algo nesse cartão postal perfeito está tornando o início do meu dia maravilhoso.
Mas ao invés de manter a minha cabeça aninhada a seu ombro, meu corpo faz uma coisa engraçada e minha cabeça se vira para encará-lo.
Peeta solta o lápis. Ele rola, então cai em cima do muro.
Olhos azuis. Cílios loiros. Isso é tudo que eu vejo. Nem mesmo um palmo de distância.
Eu me preparo para não reagir e mantenho a calma. Eu o vejo chegando com tempo mais que suficiente para que eu o pare, mas eu não quero fazer isso. Algo sobre vê-lo tão só e frágil ontem quebrou as minhas defesas, me mostrando que eu posso sim ser capaz de melhorar, por Peeta. Eu vou me esforçar para conseguir dar a ele memórias agradáveis.
Eu não tenho certeza do que eu espero, mas quando seus lábios se encontram na minha testa é doce e amável, quente e macio. Perfeitamente Peeta.
Minhas mãos agarram a sua camisa. Eu acho que sei o que vem a seguir e eu prendo a respiração.
"Aham," um homem limpa a garganta e, de repente, não estamos mais sozinhos.
Agora não Haymitch.Eu cerro os dentes não acreditando na minha sorte. Mas ele está perfeitamente habituado a nos ver juntos. Agora que eu escuto, eu não o ouço cambalear e não sinto o cheiro de bebidas, então percebo que as minhas perspectivas são sombrias.
Thom está de pé desajeitadamente sobre nós.
Eu quero cair do muro pra me esconder, para evitar toda esta cena. Como nós não o vimos subir? Peeta puxa sua mão para longe do meu rosto e eu puxo meus joelhos até me esconder atrás deles. Queria Cinna tivesse projetado um traje de invisibilidade. Isso viria a calhar.
"Peeta", ele muda o seu peso para o outro pé. "Eu gostaria de lhe fazer um pedido."
Thom torce um lenço longo entre suas mãos. É óbvio que ele já esteve trabalhando esta manhã. Seu chapéu e luvas estão cobertos de poeira. Eu tive tanto cuidado de não ser vista com Peeta que agora isso se tornou verdadeiramente insuportável. Eu não quero mais me esconder. Eu me ocupo puxando uma erva daninha do canteiro.
"Eu estava esperando que eu pudesse encomendar um bolo para surpreender a minha mulher. É o nosso aniversário de casamento... Mas você está... ocupado, então eu vou voltar depois." Thom termina, visivelmente embaraçado.
Peeta abre a boca, olha para mim e olha para o homem coberto de cinzas. Mas Thom não espera por uma resposta e rapidamente caminha de volta para a cidade, com a cabeça baixa.
"Peeta," Eu assobio, querendo, secretamente, atingi-lo com o seu caderno de desenho. "Da próxima vez que você decidir fazer isso, pode não ser na entrada da Vila dos Vitoriosos onde toda a cidade possa ver?"
Quando eu me apresso para longe eu percebo o que eu acabei de dizer. Acho que eu não posso mais tentar colocar uma distância entre nós rápida o suficiente, de novo. A linha foi arrebentada. Obviamente eu não estou em um estado de espírito racional.
