N/a: Mais um capítulo pra vocês amores, adorei os últimos comentários, fico muito feliz em saber que novas pessoas estão lendo a fic e gostando *-* Queria agradecer de todo o coração a devoção de vocês e tbm fazer um pedido aos leitores fantasmas: façam apenas um comentário, é legal saber se vcs estão realmente gostando da fic, nem que seja pra dizer um oi. Também gostaria de dizer que estamos na reta final, mais 3 capítulos e encerramos a fic. Beijinhos


"Então vocês queimaram o pão, não é?" Haymitch praticamente lança as palavras em mim, à medida que caminhamos em direção à estação de trem. Peeta seria a escolha mais óbvia para ajudar a carregar as suas costumeiras e pesadas caixas de garrafas de vidro. Porém, ele veio pessoalmente me pedir para fazer companhia a ele e ajudá-lo a receber a sua encomenda. Eu finjo não entender o que ele perguntou.

"Oh, ele está sempre fazendo uma nova receita." Eu tento dizer inocentemente. "Foi realmente uma pena perdermos a fornada do pão de cerveja."

"Ótima distração, docinho" Seus olhos brilham com a menção de Peeta se inspirar nele ao criar uma nova receita, porém, em seguida, ele está de volta à minha bronca semanal. "Mas eu sei." Sua voz é severa e baixa. "E se eu sei, eles saberão em breve."

Eu tenho o conhecimento de que a sua advertência é a mesma de sempre: sejam discretos ou irão aparecer no noticiário noturno. Mas eu não me sinto pronta para admitir minhas decisões impulsivas feitas na madrugada com Haymitch ou qualquer outra pessoa. É entre Peeta e eu, e ninguém mais. Nós decidimos manter dessa forma, para termos algo só para nós mesmos, ao menos uma vez.

"Não é nenhum segredo o quão grudados vocês dois são", ele aperta os olhos como se fosse uma vergonha nós passarmos tempo juntos. Eu sei que Haymitch não desaprova. Ele praticamente me empurrou em direção ao Peeta mais vezes do que posso contar. Eu acho que ele realmente bateu palmas na primeira vez que viu Peeta me beijar depois de retornarmos ao 12 e fez um comentário grosseiro sobre Peeta gostar de viver perigosamente.

"Vocês estão morando juntos. Você anda praticamente saltitando pela cidade", ele zomba de uma forma teatral. Em seguida, ele joga as mãos para cima. "E Peeta assobia, Katniss!"

Na última frase, Haymitch soa tão preocupado que se esquece de usar a sua voz dramática. Eu franzo as sobrancelhas, cruzo os braços, não dando o braço a torcer.

"O que há de errado em Peeta assobiar?" Eu rapidamente atiro de volta. "Você prefere que ele esteja gritando obscenidades para os médicos e resmungando sobre abelhas?" Eu assobio. "Porque isso sim é uma melhoria. E eu que pensei que fosse isso o que você queria."

Haymitch me lança um olhar que claramente grita: você é realmente tão idiota?

"Ah sim. Porque é claro que eu disse aos dois imbecis para gritarem o romance de vocês pela janela", ele zomba de mim. "Continue fazendo isso e veja o que acontece", ele incita. "Veja como muitos dos seus amiguinhos voltarão pra brincar."

Eu estudo os vincos nas minhas botas de couro.

"Faça Peeta feliz, Katniss, mas não muito feliz, porque se alguém fora do distrito descobrir, nós nunca teremos paz."

"Essa é boa... Peeta Mellark assobia enquanto caminha para a sua padaria. O que poderia estar causando esse fenômeno estranho?" Eu digo no meu melhor sotaque jornalístico. Mas meu mentor, naturalmente, não parece ter gostado da piada.

Quando estamos a sós esperando as encomendas na plataforma, ele abaixa o tom de voz. "O que eu estou tentando dizer é que vocês precisam abaixar o volume" Ele faz um muxoxo com a boca, desloca seu peso, vira vagamente à sombra de um sorriso. "Em tudo o que vocês dois andam fazendo..."

Até então, pode ser apenas Haymitch e suas sugestões contraditórias e reprimendas. O único que realmente sabe das nossas noites é Buttercup, cuja cauda pode ter sido pisada quando Peeta me levou até as escadas outro dia, mas eu duvido que ele tenha nos dedurado.

O apito distante do trem quebra o silêncio pesado quando as minhas palavras não são capazes.

É uma mancha no horizonte e eu mal posso enxergá-lo. Quando a locomotiva está mais perto, eu me volto para Haymitch. "Pra que você precisa de ajuda de qualquer maneira?" Eu pergunto. "Você não podia simplesmente pedir a um dos entregadores para carregar a encomenda até sua casa?"

Com isso, Haymitch quebra o seu olhar fixo no trem distante, como se desejasse que ele já estivesse na estação. Ele coça a cabeça. "Carregar? Eu gostaria de ver você tentar."

Deve ter sido uma hora ruim quando ele me pediu este favor. "Então, o que estou fazendo aqui?"

"Você tem alguém vindo te visitar."

Sua advertência. Mesmo à sua maneira, ele sempre tenta avisar antes de algo acontecer. Meus olhos se arregalam. Cinco minutos de aviso prévio? Muito bem planejado.

Eu tento correr pra fora da estação, quando Haymitch me segura ao redor do cotovelo. Ele é bem mais rápido do que a barba e camisa manchada levariam a crer.

"Eu fiz um acordo pra você", diz ele com o canto da boca. "Você aceita, e se você fizer tudo direito, eles vão deixar vocês dois em paz... Por um tempo."

Engulo em seco.

E aceito o meu destino.

O trem chega na estação e desejo por um segundo que uma rajada de vento me leve para longe, muito longe de lentes de câmeras e seus constantes exames minuciosos. E que Haymitch me incluir dentro dos seus planos não venha a me magoar no futuro.

Quando as portas finalmente se abrem, não é pelo pop ofuscante de flash ou o barulho estridente de repórteres gritando que eu sou cumprimentada e sim por um chocante cabelo amarelo limão.

Haymitch pega sua caixa de garrafas e, em seguida, corre rapidamente pra bem longe de nós, para passar algum tempo de qualidade com a sua amada.

"Katniss!" Effie Trinket dá um gritinho enquanto eu observo os seus saltos laranja neon. Ela está vestida com um terninho amarelo limão e uma saia rosa chiclete.

"Aquele era o Haymitch?" Effie inclina a cabeça penteada e tenta seguir o rastro de poeira que Haymitch deixou em seu encalço.

Eu dou de ombros. Suponho que poderia ser qualquer outro bêbado amável.

Ela me dá uma boa analisada, seus olhos se movendo dos cabelos dispersamente pendurados para fora da minha trança até as solas das minhas botas bem gastas.

"Você parece tão... Rústica", ela lamenta, não realmente tentando esconder a onda de decepção em seus lábios.

Ela, então, vai diretamente alisando o meu cabelo e encaixando os fios rebeldes na trança, tentando me fazer apresentável. Eu fico esperando que as lentes das câmeras saltem para a plataforma, mas o trem dá um apito avisando que em breve sairá de novo.

Ela carrega a sua prancheta, a que ela usa para hospedar seus horários excessivamente meticulosos e eu sei que não posso escapar disso.

"Vai ser um grande, grande dia", digo antes que ela tenha a chance. Estou começando a juntar as migalhas que Haymitch deixou para mim.

Effie me dá um sorriso irritado.

"Eu preciso que nós examinemos o local pelas as próximas duas horas, uma hora para a escolha do menu, uma hora para assistir as fitas das bandas, uma hora para o almoço, duas horas para o resto das formalidades e uma hora de reposição, caso alguma coisa leve muito tempo ", Effie anuncia, olhando para um tablet entalado até a borda com papéis. "Então, eu estarei pegando o trem de volta às 18:15."

Fico exausta apenas ouvindo essa lista, mas eu a acompanho em todo o percurso para o Edifício de Justiça. A cerimônia do corte da fita para a inauguração do novo Distrito 12 está chegando, e eu acho que ouvi alguns jardineiros locais especulando sobre a declaração de Effie na televisão de que este projeto só poderia ser dela, porque ela sabe a respeito do Distrito 12 melhor do que ninguém.

E uma vez que as câmeras não parecem ser rejeitadas por ela, assim como eu rejeito, eu poderia ajudar a organizar a festa.

"Oh, Katniss," Effie exclama, enquanto percorre o grande salão de festas do prédio. "Você já assistiu ao novo show de talentos dirigido por Plutarch? Não é divino? Eu estive esperando que você pudesse cantar lá algum dia." Ela destaca o lábio inferior no que eu só posso assumir que seja um beicinho.

É a semana decisiva do show e a imprensa deve estar ocupada com sua nova safra de estrelas cantando. O país inteiro parece estar acorrentado aos seus aparelhos de televisão, como se tivessem sido programados a se prender a algum show depois do fim dos Jogos. Eu não assisto, mas estou contente pelos holofotes se concentrarem em outros lugares.

Plutarch tentou me convencer, é claro. Eu inventei algumas mentiras, prometendo estar diante das câmeras em breve.

Se Effie não estivesse olhando eu bateria na minha testa. A cerimônia do corte da fita. Quem mais poderia ter a honra? É claro que eu vou estar na TV novamente em breve, era esse o acordo de mais cedo.

Eu vou deixar Haymitch esquematizar as minhas funções na cerimônia. E realmente, isso não faz meu estômago revirar tanto quanto me apresentar em cima de um palco e cantar versões diferentes da canção do vale ou disputar votos para o nosso novo hino nacional. Então, eu suponho que eu devesse agradecer a ele ou pelo menos não acordá-lo com água fria da próxima vez que um de seus gansos bicar a neta de Sae.

"De qualquer modo, vamos seguir a nossa agenda", Effie quebra minha linha de pensamento que nos aproximamos do novo edifício.

As obras do Edifício de Justiça estão incrivelmente aceleradas. O prédio parece mais completo a cada dia. Com as máquinas brilhantes da Capital a construção não levará muito tempo a ser concluída. Tudo acontece em um piscar de olhos.

Eu estou tentando permanecer animada sobre o distrito realmente ter a aparência de uma cidade. Quanto mais lojas abrem e empresas investem no distrito, mais as pessoas retornam e mais movimentado o bairro fica, mais pessoas arranjarão empregos, farão novas amizades e irão querer saber todos os detalhes da minha vida pós-revolucionária.

É o lar deles afinal. Eles devem retornar se quiserem. Mas nem todo mundo volta.

Vai ser a mesma coisa? Não acredito nisso, na verdade. A mudança provavelmente poderia ser para melhor. Eu só não quero que esta cidade fantasma se transforme em um monumento para aqueles milhares que perderam as suas vidas no ano passado. Eles não devem ser esquecidos, mas a vida precisa seguir em frente.

A cidade está de bom humor, entretanto, feliz de começar de novo, de ter algo novo, que não seja um lembrete do antigo regime.

O edifício ainda não está terminado, mas Effie obteve uma permissão especial para nós entrarmos antes que seja reaberto. A equipe de construção acena quando entramos. Eu acho que há um pouco de piedade em seu olhar.

Effie consulta um diagrama em suas anotações e me dá um mapa do lugar, como se eu já não tivesse prestado atenção ou olhado em volta. Ele nomeia todos os diferentes departamentos: da sala de documentação e tribunais, ao escritório para a nova força de segurança, que está sendo treinada no Distrito 13.

Estamos tentando escolher uma cor para as paredes do Salão de Festas. Eu já vetei malva e turquesa, porque eu não sei quais cores elas realmente são. "Verde?" Eu sugiro.

"Esmeralda". Os olhos de Effie brilham.

Ela rabisca furiosamente em sua prancheta, enquanto eu olho pela janela, tentando descobrir se eu posso ver a padaria da pista de dança, onde estamos paradas.

"Então Katniss", Effie pisca aqueles cílios enormes, que mais parecem as pernas de uma aranha negra ligadas às suas pálpebras, para mim, quando ela surge detrás das suas anotações. Eu me preparo para o assunto que ela acha que precisa introduzir, com sua voz estridente, demasiadamente interessada. "Peeta ainda não te perguntou?"

"Oh sim, ele vive me perguntando coisas" Eu gemo. "Se eu posso experimentar seus pães de queijo. Se eu joguei aquele ninho de teleguiadas nele de propósito. Para remendar suas meias para ele." Eu rolo meus olhos para dar ênfase.

Ela dá risinhos para o meu desentendimento fingido.

"Oh, Katniss. A pergunta." Os olhos dela se abrem e ela me dá um sorriso triste. "Eu tinha uma suspeita de que Peeta seria mais do que um colega de quarto."

"E ele é", eu a corto. "Mas depois de tudo, é muito para lidar." Eu minto para ela. Eu provavelmente deveria me sentir mal, mas é a Effie, que entusiasticamente enviou os meus vizinhos para a morte após ano.

"Nós somos amigos", eu digo a ela com aquela voz que eu usei para convencer Peeta, quando eu disse a mesma coisa a ele meses atrás.

Ela folheia suas notas e eu acho que ela está prestes a mudar de assunto para algo mais interessante, como anéis de guardanapo ou garfos customizados.

"Se vocês dois não se casarem o país inteiro vai ficar em pedaços."

Seu sotaque torna difícil dizer se ela está sendo sarcástica ou sincera. Eu também acho que a ouço dizer em voz baixa "E se eu não planejá-lo, não vou poder abrir a minha agência de Organização de Casamentos."

"Então, as pessoas ainda se preocupam com a gente?" Os ataques ocasionais da imprensa me fazem pensar que sim, mas realmente não faz sentido. De qualquer forma, assassinos enlouquecidos eram sempre um pouco populares na Capital.

"Eu me preocupo", diz ela. "Eu quero que você seja feliz. E eu acho que você ama Peeta mais do que eu já amei qualquer um dos estúpidos homens que eu já me casei."

Dou-lhe a minha melhor versão perplexa. Então, lembro dela me contando sobre cada uma das suas três cerimônias de casamento. Cada casamento durou apenas um ano. É algum sistema de contratação estranha na Capital que parece beneficiar os fornecedores do casamento e os designers de vestido. Eu sorrio e aceno sem realmente entender, como ela me ensinou.

"Oh, eu vou ter que falar com Peeta", ela se inclina e sussurra como se estivesse me contando um delicioso segredo. "Vamos planejá-lo, torná-lo algo absolutamente incrível. É claro que não posso te contar porque você não poderia saber sobre isso."

Eu acho que ela me dá uma piscadela, mas poderia ser apenas poeira em seus olhos. Este lugar não está exatamente impecável. Mesmo o salão de festas estando livre das pilhas de serragem e fios soltos da rede elétrica, o chão está coberto de uma fina camada de poeira e as paredes com um cheiro forte de tinta.

Seus saltos martelam no chão enquanto Effie vagueia em torno do salão observando os detalhes acima das janelas e as tomadas elétricas. Ela se sacode tão de repente que eu acho que ela pode ter examinado essa tomada um pouco perto demais.

"Talvez ele esteja planejando..." Então ela faz um movimento como se estivesse abotoando o seu lábio inferior.

"Oh, isso não seria esplêndido?" ela murmura para si mesma. Ela pega as suas anotações novamente e rabisca, assumindo uma nova fúria. Sem dúvida, ela está fazendo o que ela faz de melhor: planejar nossas vidas.

Mesmo que eu saiba que ela nunca vai entender, eu digo isso de qualquer maneira. "Nós já tivemos o suficiente dos holofotes. Então, talvez seja melhor não?"

"Ridículo", diz ela, embora seus dentes estejam tão trincados que me deixaram preocupada. "Hoje em dia, nunca há festividades suficientes." Ela abaixa os olhos e o tom de voz. "Ou motivos para comemorar."

Eu impeço um suspiro.

"Tenho certeza que esta inauguração será deslumbrante", eu digo a ela, querendo empurrá-la de volta ao evento que ela deveria estar planejando, e não uma festa de noivado para um casal recém-casado. E para mostrar a minha cooperação, eu passo para sua lista de buffet e escolho os pratos mais adequados para uma celebração no Distrito 12: sanduíches, biscoitos, molhos de queijo. Poderia ser apenas mais divertido sem ter que explicar aos mineiros, acostumados com guisado de carne surpresa e patê de fígado, o que seriam croissants ou queijo brie. Eu mesma não tenho certeza do que são.

Quando as tarefas em sua lista estão concluídas e estamos liberadas bem antes do previsto, Effie insiste em visitar a 'em-breve-será-famosa' padaria de Peeta.

A construção foi concluída sem nenhum problema aparente. Desde então, Peeta está trabalhando na obtenção das licenças para o funcionamento e no equipamento perfeito para mobiliá-la.

"Vocês são tão amigos que ele lhe deu uma chave?", Effie ri.

"Às vezes eu preciso estar aqui para receber as entregas quando ele está ocupado", eu digo. "Uma vez, Haymitch perdeu um forno inteiro. Direto do Distrito 3. Por algum motivo, ele foi parar no meio do mercado de vegetais. É por isso que eu os recebo agora. Eu não saberia como carregar um forno."

Eu mostro-lhe onde o balcão dos bolos ficará na janela de vidro, a dispensa, os misturadores, as várias posições. Ela bate a caneta em seu tablet enquanto caminhamos.

"Ela precisa de um slogan", diz ela acenando com a caneta. "Como será chamada? Docinho de Peeta? Tributo das Massas? Pão e Fogo? Bolos e cia?" Ela atira uma lista de nomes, cada um mais terrível do que o outro. "Doces Desafortunados? Farinha Vitoriosa?"

"Eu não sei." Eu pego a mão dela e a impeço de continuar, preocupada de que Passas em chamas esteja estampada na cor rosa néon e verde, sobre o motivo de orgulho e alegria de Peeta.

Apesar de ter estado ocupado com as instalações dos novos equipamentos, podemos encontrá-lo rapidamente pra resolver esta situação. Eu sigo o ruído que vem dos fundos da padaria, onde Peeta está derramando um saco gigante de farinha em um misturador de grandes dimensões.

"Katniss." Ele se ilumina quando eu entro. Tudo está escrito em seu rosto. Ele está transmitindo cada beijo, cada momento de tranquilidade no escuro para nossa escolta da Capital.

Abaixar o volume, eu lembro.

"Effie Trinkett", diz Peeta calorosamente, e se aproxima para dar à mulher um abraço. Felizmente, ele mantém suas mãos farinhentas longe de seu terninho. "Quanto tempo, não é mesmo? Você parece impetuosa. O terno é novo? Ele provavelmente deve estar na última moda."

Era exatamente o que ela queria ouvir. E Effie se ilumina como o rosa pink da Capital e me dá um olhar como se quisesse dizervocê não pode ser mais parecida com ele?

Peeta limpa uma cadeira e a faz sentar em frente ao balcão, mostrando à ela um caderno de desenhos dos produtos da padaria.

"Eu ouvi tudo sobre meus pombinhos" Effie folheia o caderno.

"Eles não são nativos no Distrito 12" murmuro antes de Peeta cutucar minha bota, me lançado um olhar indagativo e mudar de assunto.

"O distrito está realmente indo maravilhosamente bem", Peeta vira a página em seu caderno. "Eu não posso te dizer o quanto estou feliz por estar de volta." Ele olha em minha direção e eu reviro os olhos.

"Ahh, o amor juvenil" Effie suspira e joga a cabeça para trás.

Eu levo algum tempo inspecionando a frente da loja e a caixa registradora que deve ter sido entregue esta manhã.

Effie examina todo o planejamento da inauguração com a minha ajuda, sorrindo e acenando até que ela percebe que tem uma assinatura para obter antes que ela possa retornar. Peeta está ocupado com a organização da padaria, então eu me ofereço para levá-la para a Vila dos Vitoriosos.

"Como ele está?" ela pergunta.

"Como sempre", eu respondo, perguntando-me se ela poderia esperar algo diferente.

"Ele vai beber até que a vaca tussa", ela comenta.

"Gansos", eu corrijo. "Ele cria gansos e não vacas".

Ela franze o nariz.

E pela primeira vez, concordamos em alguma coisa. "Coisas imundas", murmuro.

A caminhada para a casa de Haymitch é marcada apenas pelo som dos saltos de Effie nas calçadas pavimentadas. Observo alguns vizinhos darem uma espiada na mulher colorida com a postura impecável.

Ela sabe exatamente onde é a sua casa e caminha propositadamente à sua porta e bate em voz alta. Em seguida, continua batendo o pé enquanto os segundos passam.

Ninguém nunca bate na porta de Haymicth. Se você o conhece, você é bem-vindo para entrar ou gritar suas maldições da varanda. Bater é para entregadores e visitantes que não conhecem nada melhor para fazer.

Mas antes que eu possa lhe dizer isso, há um som grasnado e um bando de gansos aparece pela lateral da casa, de asas arqueadas e bicos abertos.

Eu só posso ver como eles marcham em um caminho mais curto em direção à Effie e a cercam. Penas voam e Effie parece estar fazendo testes para um dos filmes de terror que Haymitch adora assistir. Ela se agacha contra a porta, as mãos em sua boca, um joelho acima do chão, deixando-a oscilando em um salto de doze centímetros.

Seus olhos estão apavorados. "Katniss", ela implora. Eu chuto um deles para longe de Effie.

"Fora". Eu grito e jogo uma pedra em direção ao quintal de Haymitch."Vão buscar."

Tenho recorrido a jogar pão para eles desde que voltei. Mas eu realmente não quero eles me seguindo. E depois de assistir Buttercup enfrentar a todos descaradamente eu aprendi a não deixá-los saber que você está com medo deles, então eu apenas tento agir duramente. Com isso, o ganso recua e encontra alguém para se preocupar. Mas Effie não sabe disso. Ela é inteligente o suficiente para saber que eles mordem.

Se Haymitch estivesse dormindo, as batidas poderiam tê-lo acordado, mas ele está sentado na janela, gargalhando com tanta força que está segurando a barriga.

Eles são seus gansos afinal.

"Eu preciso de você para assinar estes papéis" Effie cospe para ele em vez de fazer suas habituais brincadeiras.

"Sempre tão bom ver você, Senhorita Trinket. Parece afetuosa, como de costume", Haymitch para de rir tempo suficiente para implicar com ela. Ele assina a papelada.

"Isso é uma nova peruca?" Haymitch pergunta quando Effie começa a olhar para uma mancha verde no chão e os restos vazios de um campo coberto de sujeira que era uma cozinha.

"Como sempre, é um prazer vê-lo, Sr. Abernathy." Ela olha para o seu relógio de ouro fino. "Realmente, olha só a hora. Nós vamos ter que conversar em outra ocasião. Eu tenho um trem para pegar."

Effie ainda está mais adiantada do que o previsto, mas vamos para a estação de qualquer maneira. Peeta está encostado em uma pilastra, com uma caixa branca de assados em suas mãos.

Quando o trem chega e Effie sobe a bordo, ela está cheia de biscoitos empilhados em cima de sua prancheta. Peeta tenta passar o braço em volta de mim enquanto acena em despedida. Eu tenho que amarrar meu sapato para evitá-lo, porque ela ainda pode nos ver através de uma janela.

Ele me dá um olhar suplicante. "Você não tem que agir assim."

Eu não tenho mais que fingir que somos algo que não somos. Não é sempre um show, mas uma parte estranha de mim está apenas condicionada dessa forma.

Effie acena de volta para nós de dentro do trem. Quando ele começa a fazer barulho e se distanciar, eu relaxo um pouco. Eu não preciso levantar um muro entre Peeta e eu. Eu só não sei qual situação ela pode plantar nos ouvidos de Plutarch.

"Nós podemos lidar com isso", ele dá um aperto no meu ombro.

"Eu não quero", eu digo a ele muito rapidamente, querendo que esse assunto acabe. "Por que todos sempre querem se meter nas nossas vidas?"

Ele corresponde à minha indignação com a sua própria serenidade, uma marca registrada. Ele pega a minha mão. "Porque nós estamos felizes." Ele me rodeia com seus braços e me gira no ar. "E todo mundo adora um final feliz."

Ainda furiosa, eu não entendo como eles podem querer nos dizer o que fazer.

"Você está feliz?" Eu finalmente pergunto. Mas minha voz sai muito mais tímida e carinhosa do que eu esperava.

Peeta inclina o seu rosto para o meu. "Muito".