Capitulo IV
Bons homens
—Não, Longbottom! —gritou frustrado Severus. Não podia achar que Longbottom não pudesse o desarmar.
—Não posso, professor. Sinto muito, mas não posso. —Neville baixou a varinha. Não entendia por que o professor Snape se empenhava em lhe dar essas classes extra.
—É inaudito, senhor Longbottom. —Severus sentia-se frustrado. — Você é um aluno de sexto curso, deveria saber estes feitiços tão elementares. É uma vergonha, não pode se dar por vencido desta maneira. —Neville empunhou as mãos. Quase podia sentir a madeira da varinha enterrando na pele de sua palma. — Deve ter coragem. Como é possível que seja tão covarde, Longbottom? —Neville contraiu o rosto enquanto Severus continuou, incrédulo e prejudicial. — Para valer você se enfrentou a uns comensais? Não há dúvida de que os Gryffindor são tontos. Tem que aprender a se defender! —Neville arrojou violentamente a varinha surpreendendo a Snape.
—Que maldito caso tem?! Não sou ele! —gritou-lhe a todo pulmão.
—De modo que é isso, que você não tem a glória do eleito. —Neville esticou-se quão longo era e acercou-se a Severus resplandecendo de ira, enojo e raiva.
—Que classe de retorcida glória pode ter nisso? Eleito? Eleito para que? Para ficar sem pais? Para ter que matar a um louco que o deixou órfão? —Severus viu as lágrimas assomando pelos olhos do garoto. — Nunca quis… —Longbottom rompeu em pranto mas continuou falando. — Nunca quis ser como ele. Se Voldemort já o tinha escolhido, se já o tinha marcado como seu igual… —Severus engoliu saliva ao ver a dor nos olhos de Neville. — Por que tinham que ser meus pais?! —As lágrimas de Neville eram já mais grossas. — A guerra tinha terminado, tudo se tinha acabado, Harry era o Eleito…
Neville se desmoronou adiante de Severus chorando em silêncio. Sua dor era desgarrador e Severus não sabia que lhe dizer, não tinha nenhuma palavra de fôlego que pudesse curar essa ferida, essa ausência tão profunda. Longbottom guardava muitas similitudes com Potter e a mais triste era que os dois tinham crescido sem seus pais por causa da guerra. Snape ajoelhou-se em frente ao fornido rapaz e lentamente apanhou-o pelos ombros para fazer que lhe encarasse.
—Não há nem uma só palavra que eu possa lhe dizer que alivie sua dor. —Neville tentou conter as lágrimas. — O que sucedeu com seus pais foi injusto. —Neville não pôde evitar soluçar e Severus lhe deu um ligeiro aperto nos ombros. — Mas se você se dá por vencido será terrível. A guerra, senhor Longbottom, é uma invenção da mente humana, mas a mente humana também pode inventar a paz. —Severus atraiu a varinha de Neville até suas mãos. —Para que isso suceda se precisa jogar mão de pessoas valentes, de pessoas que não se deixam cair, de homens bons como foi seu pai. —Severus colocou a varinha entre as mãos de Neville. — Como o é você. —Neville apertou a varinha. — A guerra se perderá se os homens bons se dão por vencidos. Não o faça, Longbottom. Não se dê por vencido. Não deixe que percamos a um homem bom.
Severus pôs-se de pé e esperou um momento. Longbottom levantou-se limpando-se os restos das lágrimas derramadas, sustentou a varinha com força e levantou-a em postura de combate.
—Bem, Longbottom. Pode sentir essa energia que lhe percorre o corpo? —Neville fechou os olhos e concentrou-se nessa sensação. — Você pode manejar essa energia, Longbottom; sai de você. —Neville sentiu a cocega dessa força dentro do corpo. — Agora, Longbottom, o faça. Lance um feitiço e desarme-me. —Neville sujeitou com força a varinha, deixou que a energia de seu corpo se libertasse pouco a pouco e gritou com firmeza.
—Expelliarmus! —A força do feitiço golpeou a Severus fazendo-lhe cair. Parecia que, após tudo, Longbottom não era tão covarde. Levantou-se sacudindo-se a túnica e sorrindo mediamente a seu aluno.
—Bem. Muito bem, senhor Longbottom. —Severus apagou qualquer indício de sorriso. — Agora vamos ver como se defende. —Neville engoliu saliva, mas assentiu preparando para uma tarde bastante longa ao lado do professor Snape.
Harry tentava pensar em se os jardins de Hogwarts tinham sido sempre assim de belos. Quando era jovem nunca se tinha detido a observar com tanto cuidadosamente toda a majestade desse castelo.
Mas o tempo estava-lhe acabando, o final de quidditch seria essa semana e depois teria que ver uma lembrança mais para mais tarde ir a por o medalhão. Punha lhe nervoso saber que estaria de novo em frente a Dumbledore e não sabia como ia reagir. Com os anos tinha aprendido a manter todos seus pensamentos ocultos depois de uma barreira inquebrantável, mas não estava seguro de se poderia se manter uniforme após ver ao Dumbledore de seu sexto curso. Era paradoxo, estava no momento de sua antiga história no que mais próximo se tinha sentido a Dumbledore: ver seus pensamentos, conhecer suas fraquezas, saber dos horcruxes. Tudo lhe tinha acercado mais que nunca a esse homem. Harry sabia que esse foi o primeiro passo de Dumbledore para lhe ganhar e que ele caiu como um idiota pensando que a verdade absoluta estava em suas palavras. E, ainda que queria, Harry não podia o culpar de tudo. Entendia que esse velho se tinha crido sua própria mentira, tanto como Harry tinha crer em ele.
—Harry? —Ao escutar a voz de Ron se tensou. Não importava quantos dias tivessem passado, ainda tinha problemas com ver a Ron em frente a ele sem se pôr a pensar que tarde ou cedo tudo se tornaria um pesadelo.
A ele, a esse grande amigo, era ao que lhe tinha falhado mais que a ninguém. Ron tinha sido um irmão, a primeira pessoa que lhe tinha dado a Harry carinho verdadeiro, e ele se tinha empecendo em não escutar após o regresso de Dumbledore. Tinha tido brigas, reproches e palavras que Harry já não podia recordar, mas que sabia que tinham doído muito... Lamentava-o e nem sequer podia dizer-lhe porque seu amigo tinha morrido e esse Ron, o que tinha em frente a ele, era seu antigo amigo, ao que nunca lhe tinha falhado, ao que não devia lhe falhar.
—Sinto muito, não te escutei. —Ron se acercou mais com uma careta de confusão no rosto.
—Que te passa ultimamente, irmão? Está distraído e parece que sua mente viaja a quilômetros daqui. Sei que não entendo muito dessas coisas, mas me preocupa.
—Estou bem, Ron. Só que me preocupa toda esta situação, a guerra e Dumbledore. —Ron assentiu, mas Harry sabia que seu amigo não estava tranquilo.
—Se tem algo que me dizer… só diga. —Harry olhou o rosto sério de Ron, mas não entendia que podia esperar que lhe dissesse. Evidentemente, não a verdade por trás de seu estado de ânimo. — Em sério, amigo, é melhor sabê-lo por ti. —Harry abriu a boca, mas não sabia que dizer.
—Não te entendo…
—Ginny, minha irmã... Gosta dela, não? —Não podia achar que o assunto fosse por esse lado. É que não lhe interessava nada mais? — Hermione disse-me que falasse contigo. —Claro, Hermione sempre adiantando aos conflitos e pensando em como os resolver.
—Ron, sua irmã é uma garota muito bela… —Viu como o rosto de Ron se contraía com uma careta de asco. — Mas não quero ter uma relação com ela. Sinto muito, amigo. Pode que Hermione pense outra coisa, mas, me crê, sua irmã não me interessa. —Ron pareceu satisfeito com a resposta.
Harry só queria que caísse a noite para poder escapar de seu dormitório e ir à Sala Precisa. Ultimamente era o único lugar onde encontrava paz. Pelo menos com Malfoy não tinha que ocultar sua verdadeira cara. Estava enojado com a vida, com o destino, com a profecia e consigo mesmo por ter sido tão idiota. E não podia mostrar nada disso em frente a Rum ou Hermione. Mas com Malfoy não tinha essa formalidade e podia fazer notar seu azedo caráter.
—É bom sabê-lo, irmão. Tinha medo de que me dissesse que gostava de Ginny. Ia ter que fazer o trabalho dos comensais eu mesmo —caçoou Ron. Harry tentou sorrir.
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Observava a Draco trabalhar no armário. Estava concentrado, em mangas de camisa, com o cabelo alborotado pelo esforço que a magia exercia nele e o nodo da gravata um pouco frouxo. Essa imagem era muito diferente à que usualmente relacionava com Malfoy. O loiro estava-se esforçando por salvar a pele e também porque isso passasse desapercebido. Na escola era uma sombra que não se deixava ver por ninguém e, até verdadeiro ponto, conseguia que ninguém suspeitasse dele. Inclusive a primeira vez que Harry esteve no sexto ano, nem Ron nem Hermione o fizeram.
Os Slytherin tinham essa particularidade: eram discretos, extremamente venenosos e, portanto, tão perigosos que se devia ter sumo cuidado com eles. Mas também eram analíticos e pensavam com a cabeça fria. Isso talvez foi no que Harry tinha falhado em seu outro passado. Que teria ocorrido se tivesse ido a Slytherin? Essa era uma pergunta que se fazia constantemente e, ainda que isso lhe acercaria mais a Voldemort, também lhe afastaria de Dumbledore. O paradoxo de sua vida. Quiçá deveu ir a Hufflepuff, pelo menos ali tivessem-lhe ensinado algo diferente.
—O chápeu quis mandar-me a Slytherin —falou distraidamente enquanto seguia olhando a Draco, quem deteve-se de sua tarefa e olhou-o sério.
—Potter, para valer, não se golpeou a cabeça ultimamente? —Harry levantou uma sobrancelha. — Por que acha que essa informação é relevante justo neste momento? —Harry encolheu-se de ombros.
—É algo no que estava pensando. —Se reacomodou no cadeirão onde tinha estado praticamente deitado. — Como lhe fazem vocês? Sei que te está morrendo de medo. —Draco franziu o cenho. — Mas aqui está, tentando que ninguém o note. Vocês os Slytherin são bons para essas coisas.
—Eu não sou bom para essas coisas. Toda minha vida te odiei e me encarreguei de te o demonstrar constantemente. Se quer lições de atuação, vá com Snape, ele faz genial de agente duplo. —Draco sabia, ou pelo menos suspeitava, de Snape. Claro que todos suspeitavam dele, sobretudo porque era muito próximo a Dumbledore. Mas isso mudaria nesse mesmo ano. Snape se banharia de glória adiante dos comensais.
—Sabe que é o único no que pode confiar doravante, verdadeiro? —Draco bufou.
—Seria mais seguro confiar em Nagini. —Harry permitiu-se desenhar uma careta que era o mais próximo a um sorriso. — Em sério, Potter, Snape tem sido espião durante anos e sei que seu sucesso não é por sua formosa cara. É demasiado inteligente. E estou quase seguro de que arriscaria minha pele por salvar o seu. E sabe que é o pior? —Harry negou. — Que entenderia seus motivos. Como espião, Severus é mais valioso do que eu poderia o ser.
—Antes, agora não. Os dois são importantes, Malfoy. São importantes para mim. —Draco vacilou um pouco, mas não relaxou a dureza de seu rosto. — Acha que teria sido diferente se tivesse tomado sua mão em primeiro ano? —Draco riu.
—Por que, Potter? Acha que tivéssemo-nos feito amigos e tivéssemos trocado segredos? Não seja ridículo.
—Então não se importa que recusasse sua amizade? —Draco rodou os olhos.
—Sim, importou-me pelos três segundos que me fez ficar mau adiante de meus amigos. Mas não te odeio por isso, Potter, senão por todo o demais. Acho que o maior erro de todos foi nascer no mesmo ano que você. Ninguém pode brilhar te tendo a ti como parceiro de curso. O buscador mais jovem, o Menino Que Viveu, o Grande Salvador do mundo mágico. Quem pode competir com isso?
—Então tudo se trata de ego. —Harry levantou-se e caminhou para Draco.
—Não, também de ideia. Apesar de estar aqui, apesar de ter feito um trato contigo, tem por seguro que não vamos ser amigos. Te disse e te repito, sigo tendo minhas ideias. Se Voldemort não estivesse tão louco, lhe seguiria.
—Se não somos amigos, que somos, Draco? —Harry descobriu-se demasiado cerca de Draco, mas intencionadamente não se apartou quando viu ao loiro ligeiramente perturbado.
—Aliados —disse-lhe silenciosamente. — E quando tudo isto termine seremos bons rivais. —Potter curvou os lábios em um sorriso. Tinha os olhos fincados nos de Draco e se maravilhou ao vê-lo engolir saliva. Era bastante interessante ver que Malfoy reagia dessa forma ante sua cercania. Talvez se poderia divertir um pouco mais dantes de que todo explodisse. — Temos que regressar a o…
—Armário? —completou Harry. Draco assentiu afastando-se dele.
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Severus suspirou cansado. Tinha sido em um dia esgotador, sobretudo com as classes e seus deveres como comensal e espião. Precisava umas férias; provavelmente as tomaria após destruir a Voldemort se evitava que Dumbledore regressasse da morte.
De repente, Snape sentiu-se esgotado e sentou-se em sua cadeira para revisar as tarefas dos alunos, começado com os pergaminhos dos Gryffindor; sempre eram os piores. Quando chegou ao de Potter o viu invulgarmente pulcro e bem feito. Também tinha um pedaço de pergaminho extra completamente em alvo. Olhou o pergaminho da tarefa e encontrou algo escrito com tinta verde em um dos extremos. Tomou sua varinha e apontou para o pergaminho em alvo dizendo ostendere me verba. De imediato, começaram a distinguir-se umas palavras.
"Sabia que não demoraria em descobrir o uso do pergaminho".
Potter e suas loucuras. "Uma invenção do futuro?", escreveu sobre o pergaminho. Tão cedo como terminou de fazer, as palavras desapareceram.
"Algo assim. Uso agora porque precisamos estar comunicados e não posso lhe ir buscar. Seria demasiado suspeito que, de boas a primeiras, nos vissem sendo grandes amigos". Severus levantou uma sobrancelha. "Como vão as coisas com Neville?".
"Avançado, senhor Potter. Longbottom não é tão inútil como pensava". Snape era honesto. Longbottom não era seu aluno mais brilhante, mas estava se defendendo muito bem e o avanço nessas duas semanas tinha sido notável.
"Neville é brilhante e, ainda que não me diga, acho que você já tem notado o enorme potencial que tem". Severus bufou.
"Claro, acho que agora poderia ter um confronto de poder com Pettigrew e talvez lhe ganhar".
"Pettigrew, diz? Isso não é mau. Essa rata manteve-se oculta durante quase catorze anos e isso mostra que não é um mago tão medíocre como pensavam Sirius e os demais. Nunca há que subestimar o poder do rancor e, me cria, Neville chegou a me odiar. Mostrou-me sua cara mais cruel usando suas melhores habilidades com as plantas e a magia. Se surpreenderia se visse tudo o que recordo de meus encontros com Neville".
"Permito-me recordar-lhe que esse rancor vinha de eventos fundamentados. O Neville deste tempo não tem esses motivos, senhor Potter". Severus tinha visto a dor de Neville em carne viva; em seus olhos tinha sofrimento, mas não ódio.
"Não, mas este Neville tem valor, sempre o teve, e lhe agradeço que o esteja fortalecendo com as classes extra". Severus reservou-se a resposta por duas razões: não podia achar que Potter lhe estivesse agradecendo por algo e, em realidade, estava desfrutando dessas classes com Longbottom. "Professor, tem alguma ideia sobre o regresso de Dumbledore?". Snape suspirou exasperado.
"Claro que não, senhor Potter. Tenho tido muito pouco tempo livre entre as classes extra, as classes normais, meu posto de comensal e meu papel de espião. Mas se serve-lhe de algo, tenho uma suspeita".
"Os horcruxes? Também o pensei, mas nunca consegui decifrar o como". Severus sentiu-se mau por Potter. Podia imaginá-lo torturando-se durante anos com essa ideia.
"Seguirei pesquisando, senhor Potter. Hoje tenho recebido uma carta sua. Regressará ao colégio no final desta semana". Potter não escreveu nada por uns minutos e Severus supôs que estava reacomodando suas lembranças.
"Me fará ver um par de lembranças mais e depois iremos a por o falso medalhão. Quando regressemos, os comensais já estarão em Hogwarts. Draco está por terminar com o armário. Estamos a ponto de que tudo comece de novo, professor". Severus tinha uma dúvida pulsante em sua mente e tinha que a resolver dantes de poder seguir.
"No passado, como morro?". Potter voltou a guardar-se uns segundos para depois seguir escrevendo.
"Voldemort ordena a Nagini que o mate porque o crê possuidor da varinha do sauco. Sabe? Em algum momento, durante todo o caos em que vivia, pensei em você, na possibilidade de lhe ter salvado. E pensei em que eu tomei seu lugar ao lado de Dumbledore". Snape engoliu saliva. Doía-lhe, mas talvez Potter tinha razão.
"Não tem caso o recordar agora, senhor Potter. Esse futuro já não existe, não o esqueça".
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Neville já se estava acostumando a visitar as masmorras todas as tardes, mas, apesar disso, ainda tinha medo desse lugar. Não tinham uma pinta amável e ali se sentia enclaustrado. No entanto, tentava não pensar nisso em frente a Severus Snape. Uma parte dele estava sumamente agradecida com esse professor ainda que a outra ainda lhe temesse.
—Nestas últimas semanas temos estado vendo feitiços básicos que você tem tido a bem dominar. Claro que graças a que tem tido um bom professor. —Neville sorriu-lhe.
—Não lhe mentirei, professor. Tem sido bem mais eficiente que os outros. —Severus devolveu-lhe uma careta que Neville interpretou como um sorriso satisfeito. Nessas semanas tinha-se dado conta de que o professor Snape era como todos os Slytherin e que lhe encantava ter a gloria entre suas mãos. Nessa ocasião merecia-lhe íntegra.
—Eu sei e por isso nos aventuraremos com algo mais avançado. —Snape atraiu um baú com umas inscrições que Neville não reconheceu. — Sabe que posso aguardar aqui, verdadeiro? Acho que é momento de utilizá-lo para que pratique o encantamento patronus. —Neville engoliu grosso.
—Não sei… Senhor… Eu… —Viu a Snape se pôr nessa pose rígida que não admitia desculpas nem pretextos.
—Não comece com tolices, Longbottom. Você me demonstrou que é um aluno capaz e estou seguro de que pode convocar um bom patronus. —Neville queria, mas ao mesmo tempo tinha medo de defraudar a Snape.
—É que Harry o tentou quando estávamos no Exército de Dumbledore e nunca pude… —O professor Snape bufou.
—Potter? Essa é sua grande referência? Você pode o fazer. Quer ser auror? —Neville tinha-lhe mencionado em uns dias atrás. — Pois tem que o fazer. —As longas mãos do professor sujeitaram-no pelos ombros. — Pode fazê-lo. Eu sei que pode fazer. —Neville fechou os olhos e assentiu. — Bem, se concentre e pense na lembrança mais feliz que tenha. Seja profundo, senhor Longbottom, não quero que use uma idiotize como a primeira vez que se subiu a uma vassoura.
—Nunca gostei de subir em uma. —Severus soltou uma pequena gargalhada.
—Por suposto. Bom, não importa. Pense em algo, na lembrança mais feliz de sua vida, e se aferre a esse sentimento. —Neville, ainda com os olhos fechados, se concentrou na voz de Snape e buscou em sua mente sua lembrança feliz. Quando ao fim o conseguiu, assentiu sem abrir ainda os olhos. — Agora, Longbottom. —Neville abriu os olhos e viu à figura espectral do dementador erguendo-se em frente a ele. Seguindo as instruções do professor se aferrou ao sentimento de felicidade que lhe embargava a alma.
—Expecto Patronum! —gritou. Sua varinha alumiou-se com a energia do encantamento e uma brilhante luz saiu dela mantendo a raia ao dementador. A luz foi transformando-se até converter-se em um enorme urso que fez retroceder e regressar ao baú ao dementador. Snape fechou a tampa e olhou a Neville com um brilhante sorriso no rosto.
—Vê! Pode fazê-lo, Longbottom. Fazer. Um patronus corpóreo. —Neville boqueou. Não lhe podia crer, mas o sorriso de Snape lhe dizia que o tinha conseguido.
—Não… —Snape o sujeitou pelos braços e Neville se deu conta pela primeira vez que eram quase da mesma altura.
—É momento de que creia em você. Não quero nem uma palavra mais de condescendência. Você é bem mais do que mostra. Comece a crer-lhe. —Neville assentiu sem dizer nada mais.
Harry estava na sala comum de Gryffindor pensando em que tinha passado por alto algo desse dia. Sua mente ainda era um revolteio. Estava tentando ressaltar os detalhes do passado, mas não podia com as lembranças dessa tarde. Hermione falava sem cessar do livro do príncipe e Harry estava-se cansado de dizer-lhe que tinha preferido o ocultar porque tinha lido coisas demasiado perigosas. Hermione estava empenhada em saber quem era esse famoso príncipe.
—Bem, se não quer ajudar, irei à biblioteca e revisarei o arquivo dos prêmios de Poções. Estou segura de que encontrarei a resposta. —Harry assentiu distraído.
—Que se divirta.
—Vá com a determinação dessa mulher —disse-lhe Ron enquanto lia seu livro Mil ervas e fungos mágicos. Harry recordava esses detalhes, fazia-o, mas não sabia por que. Estava a ponto de regressar a seus deveres quando Jimmy Peakes apareceu a seu lado lhe entregando um rolo de pergaminho.
—Obrigado, Jimmy. —abriu-o. — É de Dumbledore —disse pelo baixo. — Quer que vá a seu despacho…
Então recordou-o tudo: A Sala Precisa, a professora Trelawney, a profecia, Snape e, sobretudo, ir a por o medalhão à gruta. Isso era… Esse era o momento da verdade. O momento de encontrar-se de novo com Dumbledore.
Skoakoskaosoaksokask
Nota tradutor:
E então o que será desse capitulo?
Espero vocês nos reviews
Ate breve
Fui…
