Capítulo V
Harry saiu da sala comum de Gryffindor e caminhou para o corredor que dava à Sala Precisa. Em sua mente, as lembranças estavam sendo reproduzidos como se fossem um filme. Escutou um ruído proveniente dali. Enquanto escutava a perorada da senhorita Trelawney, respondia-lhe em automático porque podia recordar exatamente o que lhe tinha dito a primeira vez que tinham tido essa conversa. No entanto, Harry sentia-se fora de lugar, sentia que esse que estava falando não era ele. Só quando Trelawney lhe disse que parecia ter alguém dentro da Sala foi quando reagiu como o faria ele mesmo.
—Uma voz? E daí disse?
—Pois… não o entendi. Mais bem era… como se alguém gritasse de alegria.
Os olhos de Harry abriram-se. Era Draco. Estava seguro de que já o tinha conseguido. Por fim o armário estava pronto e ele tinha que sair com Dumbledore. Tudo estava encaixando de novo. Precisava falar com Draco, mas não podia fazer a essa mulher. Tinha que encontrar um momento livre antes de se ir com Dumbledore.
—Lembro muito bem meu primeiro encontro com Dumbledore… —escutou continuar à senhorita Trelawney.
Queria deixar de escutar tanta tolice, mas era imprescindível que essas lembranças estivessem frescas em seu cérebro; precisava construir um muro com eles para que Dumbledore não pudesse entrar em sua mente. Com os anos, Harry tinha aprendido a ocultar qualquer informação e sentimento que lhe fosse vital, sobretudo em frente a Dumbledore. No futuro, em seu futuro, chegou um momento no que odiava tanto a Dumbledore que não estava seguro de poder manter oculto tanto rancor. No entanto, sua habilidade tinha-lhe permitido sair ileso dos encontros cara a cara com seu antigo mentor. O que não podia predizer era se poderia sair limpo de seu iminente encontro com o Dumbledore dessa época. Estava a ponto de encontrar-se com um Albus Dumbledore…, bom, um Albus ao que tinha estado muito unido e que ao final tinha sido o causante de seus piores pesadelos. Respirou pesadamente e correu para o despacho de Dumbledore disposto a enfrentar de uma vez por todas.
—Harry! —insistiu a professora Trelawney. — Não íamos ver ao diretor?
—Fique aqui. —Harry já estava bastante longe da mulher.
—Mas querido… Ia contar-lhe que me atacaram na Sala de…
—Professora, isto não é um jogo! Fique aqui!
Deteve sua acelerada carreira quando se encontrou de frente com a estátua que guardava a entrada do despacho de Dumbledore. Tomou-se uns segundos para recuperar-se e para recordar o estado de ânimo que devia ter após descobrir que Severus Snape tinha escutado a profecia e tinha entregado a seus pais. Após todo o que Harry tinha feito, o erro de Snape parecia muito longínquo.
Disse a contrassenha e a estátua moveu-se lentamente. Subiu as escadas e entrou ao despacho. Evitou fazer qualquer movimento suspeito ao ver a Dumbledore. Sempre tinha pensado que nos anos não passavam por ele, o tinha conhecido sendo um velho e sempre o tinha visto assim, no entanto esse Dumbledore em frente a ele se via menos velho e menos cansado e em seus olhos ainda brilhava uma faísca de amabilidade. Escutou-o interessado e mostrando rancor e cólera. Dumbledore falava-lhe do horcruxe e de ter medo e Harry limitava-se a jogar seu papel de garoto de dezesseis anos que encontrava pistas de seu terrível passado.
—Que te passou? —Harry se tensou ligeiramente quando escutou a pergunta, mas se obrigou a manter a compostura. Sabia que tinha vantagem sobre Dumbledore e se aferrou a esse pensamento.
—Nada. —lhe mentiu a conscientemente de que Dumbledore não se engoliria o comprimido.
—Que te desagradou? —A Harry tivesse gostado de dizer-lhe que a vida, essa vida que se lhe tinha amargurado graças a suas decisões equivocadas.
—Não estou desagradado. —Pelo menos não pelas razões que lhe estava mostrando a Dumbledore.
—Nunca foi um grande oclumântico, Harry… —Não, nunca o foi porque Dumbledore não queria que ele fosse. No entanto aprendeu a sê-lo como pôde, quando Albus Dumbledore estava mais ocupado em outras coisas.
—Snape! —gritou tal e como o recordava que o tinha feito a primeira vez.
Escutou de novo toda a triste história de Snape, mas com uma grande diferença, desta vez ele se identificava com essas palavras, com esse sentimento de remordimento que tinha levado a Snape para o outro bando na luta. Estava seguro de que Severus odiava a Voldemort tanto como ele estava odiando a Dumbledore. E agora os dois tinham que guardar silêncio, os dois tinham que aparentar, lhe fazer achar que estavam a seu lado incondicionalmente.
—Ele odiava a meu pai tanto como a Sirius! Não se fixou, professor, em que as pessoas que Snape odeia costumam acabar mortas?
Era mentira e Harry sabia. A pessoa a quem mais tinha amado Severus Snape tinha terminado morrida e isso seguramente lhe tinha rompido o coração para sempre. Harry conhecia muito bem esse sentimento. Por sua culpa tinha morrido Ron e com ele se tinha ido o último que ficava de sua inocência. A morte de Ron tinha-o banhado de culpa, dessa culpa que, apesar de tudo, não lhe deixava em paz. Sem importar que tivesse regressado, sem importar que visse a seu amigo a diário contente e feliz, ele ainda se acordava com pesadelos, com o temor de que todo o que estava vivendo fosse só produto de sua retorcida imaginação.
—Bem. Agora vá a buscar sua capa e te reúne comigo no vestíbulo…
Harry saiu pressuroso do despacho, sacou-se do bolso o mapa dos marotos e de imediato buscou o nome de Draco. Quando não o encontrou, correu para a Sala Precisa e a abriu inesperadamente. Malfoy ainda estava de pé olhando o armário. Parecia estar catatónico. Harry caminhou para ele e, ao o notar, Malfoy se derrubou negando firmemente e balbuciando coisas sem sentido. Potter apanhou com força o rosto de Draco entre as mãos para que o encarasse, mas o loiro seguia sem entender.
—Não posso, Harry. Não posso fazer isso… —Harry lhe acercou mais.
—Pode e tem que o fazer. Por ti, por sua família. —Draco acalmou-se um pouco. — Dumbledore e eu vamos sair. Tem que deixar que os comensais entrem a Hogwarts hoje.
—Não, não posso… Não está bem… Eles…
—Escuta-me, Draco. Tem chegado o momento, o espetáculo tem começado e precisamos seguir com nossos papéis. Tudo sairá bem. Severus estará contigo em todo momento. —Draco quis afastar-se dele mas Harry lhe impediu. — Tem que ser um Slytherin. O Slytherin.
—Não posso… Eu não posso. Eu não sou isso, Potter. Severus pode sê-lo, mas eu não…. —Harry terminou puxando o rosto de Malfoy para beija-lo com paixão. O loiro gemeu entre seus lábios e correspondeu-lhe ao beijo com a mesma paixão tormentosa.
Nesse momento Harry precisava ligar com alguém e se entregou a essa sensação para aliviar a escuridão que lhes cobria. Deixaram que a paixão os envolvesse durante um momento e seguiram beijando-se sem se deter, só acalmando seus gemidos. Quando se separaram, Draco parecia ligeiramente abrumado, mas não se apartou dos braços de Harry.
—Está pronto? —perguntou Harry. Draco assentiu. — Agora me tenho que ir. —Separaram-se lentamente.
Antes de abrir a porta da Sala, Harry girou-se para olhar a Draco, que se via decidido e mais forte. Harry sabia que precisaria de toda essa fortaleza para viver o que lhe tocaria a partir desse momento.
Uma vez fora, apanhou de novo o mapa. Estava-lhe acabando o tempo de tolerância para reunir-se outra vez com Dumbledore mas não se podia ir sem advertir a ninguém sobre a chegada dos comensais. Sorriu quando viu o nome de Neville bem perto do corredor que dava ao vestíbulo. Correu para ele e o interceptou justo a tempo.
—Harry, está bem? —Potter tentou respirar recuperando seu fôlego.
—Neville, vou sair com Dumbledore. Preciso que avise aos garotos… Esta noite vai suceder algo. —Neville empalideceu.
—Tem dito Dumbledore? —Harry negou.
—Só o sei… Tenham à mão a forma comunicar com o Exército de Dumbledore. E escuta, é importante. Têm que estar prontos para tudo, entende? —Neville assentiu.
—Há que lhe dizer ao professor Snape…
—Não! Não o busques. Só vocês. Tenho que me ir, Neville. Só faz o que te pedi. —Viu a Neville duvidar um pouco, mas depois assentiu e saiu disparado pelo corredor para a torre de Gryffindor.
Harry reuniu-se com Dumbledore uns segundos depois. O idoso sorriu-lhe afável e Harry engoliu saliva.
—Algum problema, Harry?
—Não, senhor. Vamo-nos?
\-\-\-\-\-\-\-\-\-\-\-\-
Já não recordava o aroma a sal, mas, curiosamente, esse horrível lugar tinha ocupado seus sonhos mais de uma vez. Tinha um pesadelo predileto. Estava parado justo nesse montículo de pedras, com o alcantilado, com as rochas, olhando para a gruta. De repente, saía dela um enorme dragão branco que para arder todo a seu ao redor. O mar, em lugar de estar cheio de espuma, enchia-se de cadáveres que pouco a pouco se levantavam contra ele. Era assustador o que seu subconsciente lhe reservava para lhe castigar por todos seus pecados.
Avançaram pela gruta em busca do falso medalhão. Harry mostrava-se como devia de se mostrar a primeira vez que esteve com Dumbledore naquele lugar. Cedo chegaram à vasilha cheia daquele líquido que cedo enlouqueceria a Dumbledore até lhe fazer gritar por sua irmã pequena morta por sua descuido, por sua desmedida ambição e por suas vontades de descobrir que tinha para além da própria magia. Harry sabia que tinha para além: dor, destruição e morte.
Observou a Dumbledore levantar sua varinha para fazer complicados movimentos sobre a superfície da poção enquanto murmurava silenciosamente. Harry recordava pouco daqueles momentos mas algo lhe dizia que não devia perder de vista as que eram as últimas horas de vida de Dumbledore dantes da guerra contra Voldemort. Nada resultou, exceto pelo fato de que a poção resplandecia com um pouco mais de brilho. Harry permaneceu calado enquanto Dumbledore trabalhava. Deixou que as coisas passassem como tinham que o fazer, obedeceu as ordens que Dumbledore lhe tinha dado dantes de chegar e fez a mesma pantomima de preocupação até que lhe tocou fazer uma pergunta.
—Porque não posso beber a poção em seu lugar? —perguntou desesperadamente, tal e como o recordava.
—Porque eu sou bem mais grande, bem mais pronto e muito menos... valioso —disse Dumbledore com um estranho brilho nos olhos. Um brilho que não recordava. As palavras de Dumbledore distraíram-lhe. — De uma vez por todas, Harry. Tenho sua palavra de que fará tudo o possível para que continue bebendo?
Quando chegou o momento, Harry começou a lhe dar de beber a água a Dumbledore. Desta vez foi mais fácil ignorar seus suplicas. Doía-lhe, mas uma parte dele se deleitava lhe vendo sofrer dessa maneira. Era uma pequena recompensa após a angústia sofrida. Não obstante não se permitiu perder o andar; fazer sofrer a Dumbledore não era parte do plano e menos ainda lhe matar justo como lhe pedia nesse momento o diretor, que estava baixo o influxo da poção. Harry tinha pensado nessa possibilidade, em matar a Dumbledore antes de que tudo sucedesse, mas sabia que era uma ideia arriscada. Não podia se dar o luxo de falhar assassinando a Dumbledore e deixando a Voldemort livre pelo mundo.
Quando a poção se terminou e Dumbledore pediu água e de novo Harry fez todo o possível por lhe conseguir algo desse líquido vital. Utilizou o infrutuoso feitiço aguamenti e deixou-se arrastar pelos inferi. Dumbledore voltou a resgatar-lhe usando o imenso anel de fogo que os fez se repartir por todo o lago. Conseguiram sair a gruta com o falso medalhão e Harry voltou a mostrar-se feliz ante Dumbledore e ao mesmo tempo preocupado por seu estado. No entanto, a verdade era que sua mente estava em outro lugar a quilômetros de ali. Esperava que as coisas no castelo não se saíssem de controle.
\-a-\-\a-\-a-\-a-\-a-\-a-\-a-
Quando regressaram com Rosmerta, a marca escura já estava desenhada no céu e Harry não posso evitar sentir temor. Esperava que seus amigos estivessem bem, que Neville não tivesse desestimado seu aviso e que Draco se sentisse mais seguro com suas ações. Precisava ao loiro pronto para qualquer eventualidade, pronto para sair adiante. Não tinha querido lhe dizer o que lhe deparava em sua casa, não queria lhe assustar mais, mas confiava em que Draco se sentisse mais protegido sabendo que ele estaria ali para lhe ajudar.
Voou com Dumbledore, escondido baixo a camada. O coração golpeava lhe o peito. Estava nervoso. Esse era um dos momentos determinantes da história. Dumbledore pediu-lhe que fora por Snape. O idoso professor via-se mais doente e cansado que nunca. Harry tentou discutir, como sempre, e depois foi para a porta para depois escutar passos. Recordou que tinha que sacar a varinha. Dumbledore indicou-lhe que avançasse, depois escutou o feitiço que lhe desarmou e depois foi petrificado para cair no mesmo lugar que recordava da primeira vez.
Momentos depois, Draco tinha desarmado a Dumbledore fazendo-se dono e senhor sem sabê-lo de uma das relíquias da morte.
—Boa noite, Draco —disse Dumbledore. Harry podia notar algumas ligeiras diferenças com a primeira vez. Desta vez Draco estava nervoso, mas parecia mais enfocado e conteúdo, e isso era um bom sinal.
—Há alguém mais aqui? —Se Harry tivesse podido teria sorrido. Draco sabia que ali tinha alguém.
Tocou-lhe ver com outros olhos a interação entre Draco e Dumbledore. Sabia que Draco nunca tinha tido verdadeira intenção de matar a Dumbledore e que todo o que tinha feito tinham sido coisas de meninos em comparação com o que em realidade poderia ter feito, inclusive o de enfeitiçar a Rosmerta. Não tinha delitos reais nas faltas de Draco, que só era um garoto petulante que tinha decidido mau. Mas isso também não era sua culpa. Seus pais tinham-lhe dado uma educação digna de um mago sangue puro e isso não era um delito. Harry não buscava minimizar os erros dos demais, mas sim entendia que na vida não tinha bons e maus, só pessoas que cometiam erros e que viviam com suas consequências.
Dumbledore tentou convencer-lhe para que se unisse à Ordem e Draco recusou a oferta, igual que o tinha feito a primeira vez. No entanto, Harry notou que o loiro mantinha a esperança na promessa que ele lhe tinha feito. Escutou os passos de alguém mais e de repente a torre estava cheia de comensais que instigavam a Draco para que matasse ao velho. Esse foi o momento no que notou a fragilidade de Draco, o terror que lhe produzia estar rodeado dessa gente. Não, Draco jamais poderia acabar com Dumbledore.
Foi então quando Severus Snape apareceu em cena. Soberbo, decidido, forte e dono de si mesmo, mas, sobretudo, dono da verdade. Dumbledore lhe suplicava e chamava-lhe por seu nome. Harry viu a Snape duvidar um pouco e olhar fixamente a Dumbledore para depois levantar a varinha e dizê-lo. Avada Kedavra.
Quando o raio verde golpeou a Dumbledore no esterno, o feitiço sobre Harry desapareceu. Pôde ver o corpo caindo da torre para o chão. Severus apanhou a mão de Draco para lhe puxar para a saída, seguido dos comensais. Harry saiu correndo atrás deles com a intenção de terminar com a vida de alguns. Já não tinha por que parecer o garoto bom e tinha a justificativa de ter perdido a Dumbledore. Os comensais a seu passo foram caindo vítimas de um de seus feitiços favoritos: Sectumsempra.
Ia por trás de Severus e seu entourage enquanto tentava alhanares o caminho sem levantar suspeita quando, de repente, escutou a voz de Neville que estava enfeitiçando a um dos comensais e que depois se encontrou cara a cara com Draco e Severus. Neville pareceu congelar-se ao ver ao professor Snape rodeado de comensais. Harry viu-o esquivar um dos feitiços que lhe tinha lançado Avery e correu para ele para o deter ao o ver decidido a ir por trás de Snape.
—Neville, está bem? —Neville levantou-se e assentiu.
—Era o professor Snape. Ia-se com eles. Por que se ia com eles, Harry?! —Harry engoliu saliva. Que podia lhe dizer?
—Neville… —Longbottom apartou-se dele com violência.
—Que tem feito? —Harry podia ver a raiva e a dor agrupando nos olhos de seu colega — Diz!
—Não é o que cries… —Neville contraiu o rosto, empurrou a Harry e saiu correndo por trás dos comensais. — Merda.
Harry saiu por trás dele. Deveu ter-lhe dito a verdade a Neville, mas, como? Não é como se sua verdade fosse para a andar contando a todo mundo. Não tinha nem ideia de como tivesse reagido Neville, mas algo lhe dizia que teria sido melhor do que o estava fazendo nesse momento.
-\-\-\-\-\-\-\-\-\-\-\-\-\
Neville correu pelo bosque lançando uns feitiços e esquivando outros. Precisava falar com o professor Snape, precisava saber que tinha passado. Recusava-se a achar que Snape estivesse com os comensais. Nessas semanas tinha o conhecido e era um homem bom. Ele era. Tinha que o ser porque se não podia entender… Não queria entender nada mais.
—Expelliarmus! —gritou com todas suas forças quando esteve o suficientemente cerca do professor. Snape repeliu o feitiço com um singelo movimento de varinha.
—Que diabos faz, Longbottom? —Neville sustentou sua varinha com força.
—Que tem feito? Por que se vai com eles? —Severus evitou rodar os olhos exasperado. Não tinha tempo para esses arranques de garoto tonto.
—Sou um comensal, Longbottom. Que se imaginava?
—Não! —O gritou de Neville foi desgarrador. — Não pode ser um deles! Sabe o que lhe fizeram a meus pais, sabe o que fazem e não pode… Não é! Diga-me que não é! —Severus podia sentir pena por esse pobre garoto. Toda a lógica dessas semanas se lhe estava escapando e agora não entendia nada.
—Regresse ao castelo, Longbottom. —Neville voltou a levantar a varinha contra Severus.
—Expell…! —Severus bloqueou o feitiço fazendo cair a Neville.
—Estúpido fedelho, arriscando sua vida por nada. Entenda. Tinha que suceder assim. Isso ia passar tarde ou cedo.
Escutaram uns passos que se aproximavam. Severus levitou o corpo de Neville para arrojá-lo fora do rango de ataque de qualquer um que viesse.
Neville viu-o fugir junto com os outros comensais e depois desaparecer ao lado de Draco Malfoy. Nesse momento sentiu que algo dentro dele se rompia. Como podia ter sido tão idiota? Como podia ter confiado em Severus Snape? Pouco a pouco deixou-se levar pela terrível dor que sentia por todo o corpo e perdeu a consciência uns segundos depois.
Harry abriu os olhos na enfermaria. Recordava vagamente ter chorado sobre o corpo de Dumbledore, ter acabado com vários comensais e ter visto a Neville lutando com Severus Snape. Mais tarde teria que buscar o momento de comunicar com o maestro de poções para se certificar do estado de Draco. Na enfermaria estavam Luna, Ginny e Neville, quem tinha salvado a Billy de ser atacado por Greyback. No entanto, Neville não lhe dava importância a esse ato. Harry podia notar sua tristeza.
—Como vai, Neville? —O garoto se reacomodou na pequena cama.
—Melhor. Deram-me essa horrível poção para os ossos. —Harry assentiu. — Fez ele, verdadeiro? Ele o matou. —Harry não sabia que dizer. Nada que não fosse a verdade aliviaria a pena de Neville. — Ao princípio pensei que podia ter sido Malfoy, mas não, ele só é um garoto. Em troca Snape não é, ele é um comensal em toda regra que só utilizo a Malfoy como carne de canhão.
—Neville, as coisas podem não ser…
—Não importa, Harry. Sei o que passou; eu vi ir com eles. Dumbledore confiava nele cegamente e deixou que seu maior inimigo estivesse em casa. Sabe? Me consola um pouco que pudesse enganar a Dumbledore apesar de que fosse um grande mago. Que se poderia ter esperado de mim? —Harry queria gritar-lhe a verdade, queria dizer-lhe que Snape era um homem honesto e cabal, mas se conteve. Não podia ter esses arranques e menos ainda na enfermaria cheia de feridos.
—Sempre pode ter uma luz ao final do túnel. —Deu-lhe um aperto nas mãos e regressou a sua cama.
-\-\-\-\-\-\-\
Essa noite, enquanto todos dormiam, se decidiu a usar o pergaminho. Disse o feitiço e escreveu esperando que Potter lhe respondesse cedo. Mas não foi até meia hora depois quando recebeu a resposta de Potter.
"Dá-me gosto saber que se encontram bem, professor. Como o está passando Draco?". Vá pergunta as de Potter. Severus estava seguro de que podia se dar uma ideia do mau que o estava passando Draco.
"Mau, Potter. O Senhor Escuro esperava que falhasse e já tinha pronto seu castigo. Faz um par de minutos terminou de praticar maldições escuras. O Lord guardava-lhe uns muggles como bonecos de provas". Severus pôde conter lhe asco. O rosto de Draco tinha ficado impresso em sua mente.
"Lamento-o, senhor. Não é algo que tivesse gostado para de ele". Severus suspirou pesadamente. Sentia-se terrivelmente mau por deixar que um de seus garotos sofresse tanto. "As coisas por aqui se porão mais ligeiras e Voldemort não voltará a atacar até o verão. Acha que seja tempo suficiente para pesquisar?".
"Nisso estou, Potter. Tenho conseguido alguns exemplares que nos podem ajudar. Espero avançar nas investigações e ter a resposta antes de que termine o verão". Severus tomou-se um segundo para pensar se era pertinente perguntar. A curiosidade ganhou-lhe. "Potter, como o está passando Longbottom?".
"Mau, senhor. Neville para valer cria em você". Severus queria esquecer a mirada de decepção que Neville lhe tinha presenteado antes de escapar do colégio, mas sabia que era impossível.
"Obrigado, senhor Potter. É tudo por hoje". Enrolou o pergaminho e foi-se à cama disposto a não pensar em toda a noite.
Nota tradutor:
Então vejo vocês nos próximos capítulos, já que Severus disse que era tudo por hoje!
Espero que vocês estejam gostando dessa fic tanto quanto eu.
Vejo vocês nos reviews
Ate breve
Fui…
