Capítulo VI

Harry levantou o rosto para olhar a Neville. O garoto a cada vez comia menos, estava taciturno e mais sério, mas ninguém prestava demasiada atenção a seu estado de ânimo. O colégio inteiro estava sumido em uma profunda depressão depois da morte de Dumbledore. Claro que ele era a grande exceção; estava melhor que nunca. Com Dumbledore fora da equação podia respirar com tranquilidade e sem ter que cuidar de sua mente à cada passo que dava dentro do castelo. No entanto, obrigava-se a fingir; não queria levantar as suspeitas de ninguém.

Estava seguro de que o mal-estar de Neville não se devia por completo à morte de Dumbledore. Era algo mais, era Severus Snape. Neville sentia-se traído, humilhado e utilizado pelo professor. Pensava que Severus só o tinha utilizado de tela para fazer pensar que era um simples professor entregado e não o cruel comensal que em realidade era. Harry queria dizer-lhe a verdade, mas não se atrevia. Não sabia se isso cambial as coisas e, com pesar, se tinha decidido a calar apesar de ver tão mau. Quando notou que seu colega se levantava, lhe seguiu; queria saber como o estava levando.

—Neville. —Longbottom girou-se e tentou sorrir-lhe.

—Que passa, Harry? —Respirou um pouco. Não sabia que lhe dizer sem que se escutasse muito tonto ou demasiado intrometido.

—Eu… Te vi. Olha, acho que vê um pouco mau…. Você… Está bem? —Neville desenhou uma careta azeda no rosto.

—Não. A verdade é que não estou, Harry. Fui enganado. Confiei em um homem ao que eu não se importava no mais mínimo e… Sabe que é o dói mais? Que lhe cri, que para valer pensei que se tinha afeiçoado comigo. Pensei que via algum valor em mim e que por isso se esforçava. Mas não, nada era verdadeiro. —Merda. Harry precisava a um Neville forte e seguro de si mesmo.

—Neville, não diga isso. Você é bom e… —Neville negou.

—Me poupe, Harry. Sei que tenho coisas boas, que talvez não seja o mago mais brilhante, mas que sou um mago e agora sei que tenho que treinar minha magia para ser mais poderoso. Mas também tenho aprendido a não confiar em todas as pessoas que se me acerquem. Sabe? Isto é o mau de ter crescido sem verdadeiro carinho, que qualquer um se te pode acercar fingindo que te quer e você vai aceitar esse carinho sem hesitar apesar de só ser uma miragem. —Duro e à cabeça, pensou Harry. Neville tinha dado completamente no finco.

—Neville, as coisas podem ser muito diferentes e…

—Em sério, Harry, não quero seguir falando disto. Obrigado, mas tenho que ir a estufa.

Harry viu-o marchar com uma sensação de peso. Não queria a Neville assim. Precisava dele seguro, forte e independente. Era imprescindível ter um plano contingente em caso que ele morresse já que estava disposto a assassinar a Dumbledore com tal de libertar ao mundo desse pesadelo.

Neville abriu a porta da Sala de Precisa, fechou-a depois dele e se apoio nela com os olhos fechados. Tinha buscado porque estava seguro de que era o único lugar onde poderia encontrar paz nessas escassas semanas que faltavam para terminar no ano. Precisava esquecer-se de tudo, principalmente da lembrança da esperança de ter sido valioso para alguém, sobretudo para alguém como Severus Snape. Sim, tinha-lhe medo, terror talvez, mas também lhe admirava por ser um dos melhores professores do colégio. Mas isso já não importava; Snape era um comensal, um asqueroso e repulsivo comensal.

Abriu os olhos e viu que a Sala lhe estava dando justo o que desejava, um adversário imóvel que lhe ameaçava com uma varinha falsa. De repente sentiu-se terrivelmente furioso, apanhou sua varinha e gritou.

—Depulso.

A marionete saiu voando contra uma das paredes da sala. Sentiu-se melhor, mas ainda estava enojado. Um novo inimigo apareceu e Neville lançou lhe um novo feitiço.

—Desmaius.

Seu oponente fictício se despedaçou ao chocar contra outra das paredes. Outro inimigo emergiu e Neville apontou sua varinha.

—Devasto. —O falso inimigo fez-se mil pedaços em frente a ele.

Neville terminou arrojando sua varinha ao solo. Estava farto, doído e tão decepcionado que lhe doía, mas sabia que enquanto se mantivesse de pé lutando contra os comensais teria a oportunidade de acabar com Bellatrix Lestrange e de lhe demonstrar a Severus Snape que tinha aproveitado à perfeição suas classes particulares. Sua avó seguramente se riria dele se o visse tão mau por uma tolice como essa. Tinha que demonstrar que era um Longbottom e, ainda que seus pais não pudessem o ver, ainda que jamais o soubessem, ele faria que se sentissem orgulhosos.

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Estava de regresso em casa. Bom, em casa de seus tios. Era uma sensação estranha. Em seu tempo após acabada a guerra não os tinha voltado a ver e não sabia se estavam vivos ou mortos. Ainda que estava seguro de que Dumbledore os tinha feito desaparecer sem ter um verdadeiro motivo para além do medo. Harry nunca pensou neles, nunca imaginou lhes pedir alívio ou ternura. Os Dursley só eram uma má lembrança em frente ao qual estava de novo. Só que as coisas tinham mudado. Desta vez Harry não duvidaria nos enfeitiçar se era necessário, mas parecia que tinha um acordo tácito de não se molestar. Agradeceu; precisava tempo livre para pesquisar o que tinha que fazer para ajudar a Snape.

Esperou duas longas semanas para comunicar-se com Snape. Não sabia qual era a situação do professor e só tinha a esperança de que o homem revisasse o pergaminho a diário. Escreveu e teve que esperar três tortuosas horas até que Snape lhe respondeu.


"Pensei que se tinha esquecido do pergaminho"
, foi a resposta de Snape. Harry rodou os olhos com frustração.

"Só queria esperar o momento justo. Pensei que podia estar ocupado; tem a agenda repleta".

"Tem toda a razão do mundo. Minhas ocupações neste momento são demasiadas, no entanto, tenho encontrado uns textos que poderiam ser de utilidade para a dúvida que nos ataca"
. Harry sabia que Snape não queria revelar nada pelo pergaminho. O homem não deixava de ser precavido. "Lhe enviarei para que os estude. É necessário começar com isso cedo; o final do verão nos trará ventos belicosos".

"9 Royal Road Elmbridge, Surrey". Não teve resposta. Harry esperava que Snape entendesse.

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Não tinha sido uma coincidência. Era uma adega, a mesma adega abandonada em onde Hermione o tinha citado em seu tempo. Queria que tudo começasse de novo nesse lugar. Recordava à perfeição a promessa que lhe tinha feito a Neville, a promessa que se tinha feito a si mesmo, e não podia se dar por vencido. Sentiu uma força nova e algo que se materializava em frente a ele. Esperava a Snape, mas esse cabelo loiro não correspondia ao professor.

—Não podia encontrar um lugar mais deprimente para a reunião, Potter? —Harry sorriu sem querê-lo.

—Perdão, não fui informado de que a reunião seria contigo. De tê-lo sabido tivesse alugado uma habitação em um hotel de cinco estrelas. —Draco levantou a sobrancelha direita. — Era uma broma, Malfoy.

—Não estou para bromas, Potter. —Tendeu-lhe um pergaminho. Assim que Harry teve-o em suas mãos pôde sentir um poderoso feitiço sobre o papel. Só ele podia o ler. Isso era o maravilhoso de ter a um homem como Snape de aliado, muito poucas coisas podiam sair mau.

—Como vão as coisas, Draco? —O loiro sorriu amargamente.

—Como acha que vão? Esta manhã estive torturando a Olivander até que chorou e começou a pedir a sua mãe que lhe levasse. —Harry sabia que Draco estava desesperado e decepcionado.

—Isto não é o que esperava quando te pedi que te unisse a mim, verdadeiro? —Draco não disse nada por uns segundos.

—Não sou idiota, Potter. Sabia que a guerra tinha que começar e também imaginava qual poderia ser meu papel. Digamos que só me molesta um pouco que enquanto eu estou torturando a uma pessoa até a ver reduzida a uma merda, você está aqui recebendo cartas de amor de Severus Snape. —Olharam-se e, de repente, Draco sorriu. Era evidente que não o tinha feito em semanas.

Quando pararam de rir, Harry o olhou aos olhos e se lançou para ele para beijar com paixão. Draco se lhe aferrou e ancorou as mãos pálidas em seus ombros. As mãos de Harry buscaram um caminho entre a túnica de Draco até poder tocar-lhe a pele. Gemeram no beijo, que se tornava selvagem. Harry não queria parar, não queria lhe dar a Draco nem um instante para que duvidasse, só queria desfrutar de um breve momento de intimidem e deixar que a tensão se fosse de seus corpos e fora substituído pela doce sensação de ter sido tocado e de ter chegado ao orgasmo.

Harry buscou a ereção de Draco e esfregou-a acima da roupa. Escutou os gemidos famintos. Quando teve a pênis de Draco nua entre suas mãos, fechou os olhos para se acalmar. Tinham sido demasiadas semanas sem intimidade e a mentalidade adulta de Harry podia a gritos um bom pó, mas freou-se o suficiente. Com toda a calma que pôde, se baixou o zíper. Depois esfregou os dois membros nus entre si. Teve eletricidade. Draco separou-se de seus lábios para ver o que estava sucedendo. Viu-o jogar a cabeça para trás tentado não gemer, mas Harry queria isso, queria o escutar e o ver. Acelerou os movimentos e lançou um pouco de saliva para fazê-lo mais prazeroso. Draco abriu os olhos de novo e apoiou sua testa na de Harry enquanto arquejava sem poder deter-se mais.

Draco começou a mover o quadril para esfregar mais intensamente seu pênis entre as mãos de Harry, quem gemeu ante a supressiva participação. Notava-se que Malfoy não era um amante submisso e isso lhe encantava. O loiro começou ser a cada vez mais ativo, beijando-lhe, movendo-se e colocando suas mãos sobre as de Harry para fazer todo mais insuportavelmente quente. Os dois correram-se ao mesmo tempo e depois se beijaram enquanto controlavam suas respirações.

Harry estava muito menos tenso e nunca tinha visto a Draco tão tranquilo. Vestiram-se em silêncio. O loiro usou um feitiço para limpar qualquer dano em suas roupas. Olharam-se por uns segundos sem dizer nada até que o loiro falou.

—Para valer cries poder ganhar? —Harry permitiu-se soltar um bufo inconexo. Ainda estava relaxado.

—Vamos ganhar. Vamos dar-lhe um bom final a nossa história. —permitiu-se dizer um pouco petulante.

—Com gente como Neville Longbottom? Isso quero o ver. —Sabia que Draco o dizia pelas coisas que tinha visto fazer aos comensais.

—Sabe qual é o maior problema de Voldy?

—Ter um terrível temperamento ou que só parece sentir algo por essa Nagini? Isso é perturbador, Potter.

—Sim, ele é, e talvez seja um de seus problemas, mas o maior deles é que sempre tem menosprezado a seus inimigos, sempre os creu inferiores a ele apesar de não os conhecer no mais mínimo. —Draco soltou uma gargalhada.

—Eu conheço a Longbottom, a Lovegood e a todo seu exército. Não estão preparados para o que vem. —Harry voltou-se acercar a ele e lhe roubou um beijo.

—Não os conheces tão bem como eu. —Harry desapareceu com um sorriso nos lábios.

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Neville caminhava pelo Beco Diagonal para recolher um pedido de plantas para a estufa que estava fazendo em casa. Sua avó achava que era uma atividade terrivelmente ociosa, mas a Neville divertia-lhe. As plantas eram bem mais singelas que as pessoas e isso era genial, pelo menos para o estado de ânimo que possuía nesses momentos. Ia distraído pensando até que chocou com alguém.

—Sinto muito —disse tentando ajudar à garota que estava no chão. Recordou-a quase de imediato. Era Hannah Abbott. Sua mãe tinha morrido em uns meses atrás. — Hannah, está bem? Não te tem lastimado?

—Não… eu… É Neville Longbottom? —Neville assentiu sorrindo-lhe. — Vê-te… diferente.

—Espero que seja diferente bem. —Hannah regressou lhe o sorriso. — Para valer não te fiz dano?

—Não. Ia sumamente distraída. Precisava alguns pergaminhos, não me dei conta que vinhas e…

—Está sozinha? —Assim que perguntou pensou que tinha sido uma tolice. A pergunta soava demasiado rara, mas Hannah pareceu passá-lo por alto.

—Sim. Antes minha mãe costumava acompanhar-me. Ela não era bruxa, mas lhe encantavam estas coisas… —Neville engasgou um pouco e depois se decidiu.

—Convido-te a um gelado. É o mínimo que posso fazer após praticamente te ter ferido —O rosto de Hannah se alumiou.

Começaram a falar sobre a morte de Dumbledore; esse ainda era o único tema para quase todo mundo. Neville contou-lhe sobre os dias no colégio sem o diretor e Hannah relatou-lhe como tinham encontrado morta a sua mãe em umas ruas cerca de sua casa. Talvez não era a conversa mais amável, mas se era a mais real. Não podiam ignorar que os tempos estavam mudando em frente a seus olhos.

—Se posso lutarei contra ele. —A voz de Hannah era dura e estava cheia de segurança. — Talvez não sobreviveria, mas sei que ao menos me levarei a um desses filhos de puta por diante. —Era a primeira vez que Neville escutava uma sentença tão contundente e com essas palavras.

—Eu também lutarei em seu contra e não me deterei até levar a essa filha de puta. —Hannah volteou a ver com os olhos algo enrijecidos.

—Ditoso você que sabe a quem deve te levar por diante. —Neville se umedeceu os lábios e apanhou a mão de Hannah entre as suas. A garota presenteou-lhe um suave sorriso e Neville reconfortou-a dando-lhe um apertão de mãos

—Oh, Neville! —A voz cantarina de Luna chegou a seus ouvidos interrompendo lhe. — Que faz aqui? —Neville quis responder, mas Luna continuou falando. — Olá, Hannah. Lamento o de sua mãe. É terrível que não possam deter a Voldemort, mas já o farão. Seguro que Harry poderá nos livrar dele. Bom, e pode que tenha algo de ajuda, verdadeiro, Neville? —Luna jogou-se lhe em cima abraçando-lhe. Imediatamente Hannah levantou-se da mesa e recolheu suas coisas.

—Obrigado pelo gelado, Neville. Nos veremos em outra ocasião. Adeus.

—Espera, Hannah… Não… —Neville se levantou para a deter, mas lhe foi impossível; a garota ia muito apressada. — Isso tem sido raro. Achei que gostaria de combinar-se com nós. Seguro que você tem temas de conversa mais interessantes que eu. —Luna riu com força.

—Já sabe que meus temas de conversa não são para todo mundo e quanto a Hannah… Acho que além de me ter medo também tem ciúmes. —Neville olhou confundido a sua amiga.

—Ciúmes? De que? —Luna negou.

—Parece que a Hannah lhe é algo atraente e ademais estava coqueteando com ela.

—Coqueteando?—Neville quase afoga-se com seu gelado. Comumente pensava que Luna só era uma algo garota excêntrica, mas com comentários como esse em ocasiões duvidava seriamente de sua sensatez. — Em sério, Luna…

—Estavam tomados das mãos… —Neville negou.

—Estava-a consolando pela morte de sua mãe…

—E convidaste-a um gelado. Chama-me louca, mas isto pareceria um encontro.

—Como acha que poderia lhe gostar a Hannah, ou a qualquer outra? —Luna olhou-lhe com esses enormes olhos azuis sonhadores e Neville começou a sentir-se terrivelmente nervoso.

—Nunca te disse ninguém que deveria confiar mais em ti mesmo? —Pôs-se sério. Snape tinha-lhe repetido em inúmeras ocasiões mas queria esquecê-lo. — Neville, talvez deveria me convidar a um gelado. —Engoliu saliva ao escutar a petição, mas não teve mais remédio aceitar apesar de se sentir algo incomodo por toda a conversa.

—Claro. O que queira, Luna.

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Harry chegou a casa de seus tios e, assim que esteve seguro de que não seria interrompido por ninguém, abriu o pergaminho. O primeiro com o que se encontrou foi com uma nota de Snape. Sua pulcra letra era inconfundível.

Potter, lhe envio os nomes de alguns tomos que tem que buscar. No Beco Diagonal poderá encontrá-los com toda facilidade enquanto pergunte pela pessoa adequada. Seguro que deve de conhecer o caminho graças a seu infrator amigo, o guarda-bosque. Todos os textos falam sobre civilizações antigas. Nosso querido amigo comum sentia debilidade por conhecer as magias utilizadas pelos diferentes povos. Você deve de recordar que nosso amigo lhe fez conhecer a seu inimigo antes do enfrentar. O processo será igual. Estou seguro de que no passado de nosso amigo encontraremos as respostas às perguntas que nos estamos fazendo.

Um dado curioso que deve ter em conta é que nosso amigo era um homem muito interessado, quase obsedado, com verdadeiro deus mitológico: Osíris. Na mitologia egípcia, a ressurreição de Osíris é um triunfo do bem sobre o mau. Pode ser que nosso grande amigo tenha levado esta ideia à prática. O que regressou a Osíris da morte foi o amor. Isso lhe recorda algo, senhor Potter? Nosso querido amigo sempre nos disse que não tinha magia mais poderosa que aquela que possuía esse forte sentimento. Pode ser que tenha encontrado a maneira de usar esse imenso poder para seu benefício.

Quero que tenha algo em mente, senhor Potter. Encontrar o feitiço que o fez regressar não garante que possamos fazer algo para o deter. Sinto ser tão duro, mas preciso que se mantenha enfocado. Queremos evitar o futuro do que você vem, isso é um fato. E como o faremos variará segundo as possibilidades que tenhamos. Você tem falado o tempo todo de evitar seu regresso, mas quero que mantenha o panorama aberto à possibilidade de que nosso velho amigo regresse apesar de nosso empenho para lhe negar essa oportunidade. Não perca tempo se lamentando. Por experiência digo-lhe que isso não serve de nada e que se segue pensando no que não fez em seu passado talvez faça fracassar esta oportunidade.


Comece lendo o que lhe envio. Espero que com os anos sua capacidade de leitura tenha aumentado.

Leu a lista. Eram sete títulos e estava seguro de que não seriam uma leitura precisamente ligeira. Estava começado a ter saudades essa invenção muggle chamada internet; tivesse feito sua busca mais mil vezes singela. Olhou o relógio e se resignou a esperar. Não podia ir ao Beco Diagonal a essas horas. De fato, não cria poder o fazer nem sequer de dia. Atirou-se na cama frustrado, fechou os olhos e recordou o corpo de Draco movendo a seu ritmo. Pelo menos tinha isso para se consolar.

Draco tentava pensar em outra coisa enquanto escutava os gemidos de dor dos muggles que tinham capturado essa noite. Tudo era um terrível pesadelo. Desejava ter saído antes de tudo isso, não estar no meio da luta, mas ali estava, tentando que as coisas não se saíssem de seu controle, sendo um espião de Potter e ademais se deixando levar por essa rara trégua que tinham. Mas não se enganava. Ainda que tinha desfrutado das caricias de Harry tinha claro que isso não queria dizer muito, sobretudo nesses momentos onde tudo era infelicidade. Mas os breves instantes de alegria tinham que se aproveitar ao máximo.

Olhou ao longo da sala e concentrou seus olhos em Severus Snape. O homem estava impassível, com a mirada perdida mais sem que se notasse. Parecia estar vendo toda a cena com interesse, mas a verdade era que sua mente seguramente estava a quilômetros de ali. Draco admirava isso e também o invejava porque ele tivesse gostado de fazer isso, separar de seu corpo para que sua mente viajasse e não ter que observar as loucuras que se faziam a sua ao redor.

Suas miradas cruzaram-se e Draco pôde adivinhar o que Severus estava dizendo nesses segundos. Parecia que os olhos negros de seu maestro lhe diziam uma e outra vez: Isto passará. Nós sairemos vivos e eles não.

Draco queria crê-lo… Precisava crê-lo para manter-se sensato durante o tempo que durasse essa loucura.

Nota tradutor:

Então Draco você deve acreditar, pois virá um futuro melhor pela frente se acreditar em si mesmo!

Sei que muitas pessoas estão se perguntando se eu abandonei as fics a resposta é não... o meu cabo do note estragou... e também porque eu comecei a fazer um curso de administração, recursos humanos e logística, então no mínimo terão que ter paciência comigo, prometo que nos próximos capítulos eu postarei que nem um tiro e que o rastro da bala deixe muitos reviews!

Então vejo vocês nos próximos capítulos.

Ate breve!